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Luiz Alberto Machado - Iscas Econômicas -

Metade cheia do copo

Um pouco de otimismo, pra variar

 “A troca está para a evolução cultural como o sexo está para a evolução biológica.”

Matt Ridley

Em agosto do ano passado, a convite do presidente do Conselho Regional de Economia de Alagoas, Marcos Calheiros, fui assistir a uma palestra do ex-ministro da Agricultura do governo Collor, Antonio Cabrera. Encerrada a palestra, fomos comer uma pizza e, após um papo muito agradável, Cabrera gentilmente me ofertou um exemplar do livro A pobreza das nações: uma solução sustentável, de autoria do teólogo Wayne Grudem e do economista Barry Asmus.

Ao ler o referido livro, deparei-me com diversas citações de Matt Ridley, autor de um livro intitulado O otimista racional, que tem por subtítulo Por que o mundo melhora.

Estimulado pelas boas citações desta segunda obra, saí à sua procura e tenho hoje a plena convicção de que esta foi uma das boas iniciativas que tomei no ano passado, uma vez que O otimista racional proporciona uma leitura instigante, seguindo na direção contrária à da maior parte do noticiário predominante e das obras disponíveis em qualquer livraria, em que há um claro predomínio do pessimismo e das más notícias.

Coincidentemente, o tema do predomínio das más notícias nos diferentes veículos da mídia foi abordado por Fernão Lara Mesquita em sua coluna de O Estado de S. Paulo edição do dia 13 de janeiro, no ótimo artigo Nada menos que tudo a que temos direito.

E qual o principal argumento de Ridley em O otimista racional?

O de que o mundo vem melhorando – e muito – nos últimos séculos, em que pese o amplo predomínio das más notícias nas rádios, televisões, revistas e jornais. Se o leitor tiver alguma dúvida a respeito, desafio-o a parar numa livraria qualquer – pode ser a do aeroporto ou da rodoviária – e verificar com seus próprios olhos. (Só não vale considerar a prateleira de livros de autoajuda).

E qual ou quais os culpados por essa melhora?

A resposta não é nova nem original. Afinal, Adam Smith, em sua obra magna de 1776, popularmente conhecida como A riqueza das nações[1], já chamava a atenção para (i) o extraordinário impacto da divisão do trabalho para o aumento da produtividade dos agentes econômicos e (ii) para a enorme importância que a propensão natural dos homens à troca tinha para o aumento da riqueza das nações, razão pela qual ele, a exemplo de outros economistas clássicos que vieram a seguir, como David Ricardo e Jean Baptiste Say propôs a liberalização do comércio, opondo-se às restrições defendidas pelos mercantilistas, cujas ideias tiveram enorme influência nos séculos XVI, XVII e início do XVIII.

A combinação desses dois fenômenos, que são tipicamente humanos, é evidenciada por Ridley logo no primeiro capítulo de O otimista racional:

Imagine que você é um cervo. Você tem, essencialmente, apenas quatro coisas para fazer durante o dia: dormir, comer, evitar ser comido e socializar-se (com o que quero dizer marcar território, perseguir um membro do sexo oposto, proteger uma cria, o que for). Não há necessidade real de fazer muito mais. Agora compare com um ser humano. Se contar apenas coisas básicas, terá muito mais do que apenas quatro coisas para fazer: dormir, comer, cozinhar, vestir-se, cuidar da casa, viajar, tomar banho, fazer compras, trabalhar… a relação é quase interminável. Os cervos deveriam, portanto, ter mais tempo livre que os seres humanos, mas são pessoas e não cervos que encontram tempo para ler, escrever, inventar, cantar e navegar na internet. De onde vem todo esse tempo livre? Vem da troca, da especialização e da resultante divisão do trabalho. Um cervo tem de achar a própria comida. Um ser humano consegue alguém mais para fazer isso por ele, enquanto ele ou ela está fazendo alguma coisa para eles – e ambos ganham tempo dessa maneira.

São basicamente essas duas ideias – a especialização e a troca –, somadas à incessante capacidade de empreender e inovar do ser humano – e aí vale mencionar a contribuição de outro grande economista, Joseph Schumpeter – que se constituem na base da argumentação de Matt Ridley para mostrar, com dados irrefutáveis, que os países que favorecem a adoção dessas práticas oferecem às suas populações padrões cada vez mais altos de vida e de bem-estar.

A esse respeito, reproduzo o comentário de Ian McEwan na quarta capa do livro:

Deixe-me admitir honestamente de início: os pessimistas estão certos quando dizem que, se o mundo continuar como está, terminará em desastre para toda a humanidade. Se todo o transporte depende de petróleo, e o petróleo acaba, então o transporte terminará. Se a agricultura continuar a depender da irrigação, e os aquíferos se exaurirem, então a morte pela fome se seguirá. Mas observe o condicional: se. O mundo não continuará como é. Esta é a questão essencial do progresso humano, toda a mensagem da evolução cultural, toda a importância da mudança dinâmica – todo o ímpeto deste livro.

Ainda que possam ser chamados de diferentes maneiras, isso só acontece em países que privilegiam a livre iniciativa, que reconhecem e garantem a propriedade privada dos meios de produção, que adotam o princípio da subsidiariedade e nos quais o Estado tem papel limitado, embora fundamental, no exercício de funções indelegáveis.

Também coincidentemente, na mesma época, o jornal A Gazeta, de Vitória, publicou um artigo de Gabriel Tebaldi, jornalista e professor de História no Centro Educacional Charles Darwin, intitulado Lições de Ayn Rand.

Creio valer a pena reproduzir também alguns trechos de referido artigo.

Em 1820, 95% da população mundial vivia na extrema pobreza. Éramos um bilhão pelo planeta. A mortalidade infantil batia 43%; o analfabetismo castigava 88% das pessoas. A expectativa média de vida na Europa era de 35 anos; na África, 27. Vivíamos em meio ao caos.

Em 2018, 10% da população mundial vive na extrema pobreza. Atualmente, somos 7 bilhões, a mortalidade infantil é de 5% e o analfabetismo atinge 18% das pessoas. A expectativa média de vida na Europa é de 80 anos; na África, 60. Ou seja, nunca vivemos tão bem! Mas o que aconteceu nos últimos 200 anos.

Responde Tebaldi:

Capitalismo! Esse sistema, odiado por quem ignora fatos e dados, promoveu a maior revolução de qualidade de vida, escolaridade e saúde de toda a História. E o que há por trás desses avanços? Lucro! Esse é o motor das transformações.

A seguir, Tebaldi enaltece o papel de Ayn Rand:

Ayn Rand, filósofa mãe do Objetivismo[2], é mais um dos nomes ausentes do currículo escolar brasileiro. Para ela, o lucro é “a insígnia da produção”. Bill Gates, Steve Jobs, Larry Page, Sergey Brin e tantos outros não mudaram o mundo por altruísmo, mas por lucro; por produzir algo de valor que outros querem comprar para tornar a vida melhor, mais longa, mais fácil ou mais agradável. É o meu interesse de enriquecimento que gera empregos, investimento e riqueza.

Na sequência do artigo, arremata Tebaldi:

Em 1957, Rand questionou os marxistas: “Você que acha que o dinheiro é a raiz de todo o mal já se perguntou qual é a raiz do dinheiro?”. A riqueza vem da produção de soluções desejadas pelas pessoas! Não foi o Estado que retirou a humanidade do caos e lançou-a no melhor momento em 100 mil anos, mas sim porque “cada indivíduo é um fim em si mesmo e tem o direito de existir para o seu próprio benefício”.

Diante do exposto, fico pensando quais são as razões para que os meios de comunicação deem muito mais repercussão a matérias que focalizam a metade vazia do copo, tais como os relatórios da Oxfan[3], ou a livros como O capital no século XXI, de Thomas Piketty, que enfatizam fatores negativos como o aumento da concentração da riqueza – que efetivamente deve ser evitada –, em vez de dar ampla divulgação à metade cheia do copo, como as fantásticas conquistas da humanidade nos dois últimos séculos ou livros e filmes que enaltecem os avanços no padrão médio de vida.

Talvez a resposta esteja no parágrafo final do artigo de Tebaldi:

Fomos, porém, educados a amar o Estado, a esperar dele todo zelo e a condenar a riqueza como fruto da exploração. Fomos educados por quem nunca leu Smith, Thatcher, Friedman, Mises ou Rand, e aprendemos que devemos destruir o sistema, ao invés de aprimorá-lo. Ayn Rand nos ensina, pois, a orgulharmo-nos de nossas conquistas, a almejar sempre mais e nunca esquecer: “o homem que não se dá mais valor está à mercê da vontade de qualquer um”.

Se tiver dúvida, encontre tempo e disposição e leia os dois grandes livros de Ayn Rand: A nascente, escrito em 1957, e A revolta de Atlas, de 1963[4].

Iscas para ir mais fundo no assunto

Referências bibliográficas

GRUDEM, Wayne; ASMUS, Barry. A pobreza das nações: uma solução sustentável. Tradução de Lucas G. Freire. São Paulo: Vida Nova, 2016.

MESQUITA, Fernão Lara. Nada menos que tudo a que temos direito. O Estado de S. Paulo, 8 de janeiro de 2019, p. A 2.

PIKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Tradução de Monica Baumgarten de Bolle. São Paulo: Intrínseca, 2014.

RAND, Ayn. A nascente. Tradução de David Holcberg. Porto Alegre, Editora Ortiz, 1993.

______________ A revolta de Atlas. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo: Arqueiro, 2017.

RIDLEY, Matt. O otimista racional: Por que o mundo melhora. Tradução de Ana Maria Mandim. Rio de Janeiro: Record, 2014.

SMITH, Adam. A riqueza das nações: investigação sobre a sua natureza e suas causas, com a introdução de Edwin Cannan. Apresentação de Winston Fritsh. Tradução de Luiz João Baraúna. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Os Economistas)

TEBALDI, Gabriel. Lições de Ayn Rand. A Gazeta, 16 de dezembro de 2018.

[1] O título completo da obra magna de Adam Smith é Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações (An Inquire into the Nature and Causes of the Wealth of Nations) .

[2] Objetivismo é um sistema filosófico desenvolvido pela filósofa nascida na Rússia e naturalizada americana Ayn Rand, que defende a razão como única forma de adquirir conhecimento (contra a fé, a religião e as fantasias), o autointeresse (contra o auto sacrifício), o individualismo e os direitos individuais (contra o coletivismo) e o capitalismo (contra todas as formas de estatismo).

[3] Oxfam é uma organização não governamental criada em Oxford, Inglaterra, em 1942, que se transformou numa confederação que reúne atualmente 20 organizações e mais de 3000 parceiros, atuando em mais de 90 países na busca de soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e ações emergenciais. A organização divulga um relatório anual que costuma ter repercussão significativa na imprensa, no qual apresenta, de forma sensacionalista, dados a respeito da apropriação crescente de riqueza por parte dos detentores das maiores fortunas do planeta.

[4] A revolta de Atlas foi publicado originalmente em português com o título Quem é John Galt?.

 

 

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