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Gustavo Bertoche - É preciso lançar pontes. -

Existe um fenômeno curioso na cultura brasileira: a falsificação de credenciais acadêmicas.

A mentira do novo ex-ministro da Educação, Carlos Decotelli, que afirma ter concluído um doutorado que não concluiu, ostentando há anos um título que não possui, não é a primeira e – tenho certeza – não será a última fraude que veremos.

* * *

A atual ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, mentiu: não é mestre em Educação, em Direito Constitucional nem em Direito da Família.

O atual ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles, mentiu: não é mestre em Direito Público pela Yale.

O Witzel, ainda governador do Rio, mentiu: jamais fez um doutorado-sanduíche em Harvard.

A Dilma mentiu: não concluiu o mestrado em Economia.

O mais impressionante é que, até que essas mentiras fossem reveladas, todos alardeavam publicamente, inclusive em seus currículos Lattes, os títulos inexistentes.

* * *

Esse fenômeno não se limita ao mundo da política.

Em 2017, a jovem Bel Pesce, a “Menina do Vale”, não somente ostentava em palestras títulos acadêmicos que não possuía, como também inventou ter exercido cargos executivos em empresas de tecnologia.

Em 2019, descobriu-se que a professora Joana D’Arc Felix mentia quando afirmava ter realizado um pós-doutorado em Harvard – de fato, ela inseriu esse pós-doc imaginário no Lattes e chegou a divulgar para a imprensa um certificado de Harvard verdadeiro como uma nota de 3 reais. Detalhe: a Universidade de Harvard não fornece esse tipo de certificado para pesquisadores de pós-doutorado.

Ainda em 2019, descobriu-se a falsificação dos diplomas acadêmicos de Wemerson da Silva Nogueira – que se apresentava como professor. Wemerson foi vencedor do prêmio “Educador nota 10” de 2016 e finalista, em 2017, do “Teacher Global Prize”. Ele falsificou os diplomas que dizia possuir – licenciatura em Química e em Ciências Biológicas, além de uma pós-graduação – e, por não ser licenciado, lecionava ilegalmente.

* * *

Todas essas fraudes somente foram descobertas graças à repentina fama. Antes dos holofotes, todos sustentavam a mentira e jamais eram questionados. Certamente há outros milhares entre nós que, protegidos pelo relativo anonimato, exibem títulos acadêmicos que não possuem.

Qual será a raiz desse fenômeno?

* * *

Nós somos o povo da pose inculta. Assistimos à profusão das academias de ginástica; somos os campeões mundiais em cirurgias plásticas per capita (à frente dos EUA!); observamos o imenso sucesso de musas e musos fitness na internet. Ao mesmo tempo, verificamos a tenebrosa qualidade das nossas escolas; temos pouquíssimas bibliotecas públicas; e estamos entre os últimos colocados entre os leitores de livros per capita no mundo. Tudo isso nos mostra o valor extraordinário que damos à aparência e o desprezo que reservamos ao intelecto.

Como já mostrava Lima Barreto em “O triste fim de Policarpo Quaresma”, publicado em 1915, não nos interessa o conhecimento: contentamo-nos com a sua simulação, ficamos satisfeitos com os meros sinais exteriores da inteligência.

Por isso tantos mentem nos seus currículos. Uma civilização que valorizasse a cultura constituiria um povo mais preocupado em conhecer as coisas do que em receber diplomas; aqui, invertemos essa ordem, e queremos exibir títulos sem passar pelo longo e desgastante processo de obtê-los. Não nos importa realmente saber; o fingimento nos basta.

* * *

Amigos, o problema mais grave da civilização brasileira não é a corrupção, não é o desperdício, não é a política. O problema fundamental da nossa civilização é a educação. Esse problema também é o de resolução mais difícil. Afinal, como podemos realmente educar as crianças, se os adultos – os políticos, os influenciadores, os professores! – contentam-se em fingir para todos, inclusive para si mesmos, a posse de um capital cultural que não têm?

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