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O que nos faz medíocres

Labi Mendonça - Iscas Anarquiscas -

O QUE NOS FAZ MEDÍOCRES

Em época de campanha majoritária no Brasil, para presidente, governadores, senadores, e deputados, sempre me assusta o retrato e a leitura que eu acabo fazendo do nosso eleitorado a partir de suas opções e manifestação. Somos medíocres.

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O primeiro susto que eu levo é perceber que a maioria das pessoas que é capaz de entender um texto, interpretar e fazer análise dele, é na verdade uma pequena minoria dentro da grande massa.
Então, temos uma minoria ilustrada, que sabe ler, entender e analisar, e nessa minoria, tem dentro dela uma grande parte de gente que por sua vez, demonstra nas suas manifestações e opções, que é de uma enorme alienação, ignorância, e segue iludida sobre a verdadeira forma de se fazer política no Brasil. Parece que não querem ver.

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Já a grande massa ignorante, sem estudo, e sem formação, por incrível que pareça, tem dentro dela uma parte de gente que sabe discernir, pois aprendeu com dor na própria carne, e na falta de opções, que as elites nada farão por eles, que esta elite tem um discurso aparentemente correto, mas no fundo são de um egoísmo e uma falta de compromisso social assustadora. Por isso, essa parte escolhe o lado que uma vez lhe deu mais esperança de melhorar na vida, sem julgar mais nada. É esse o contingente de pessoas que ainda mantém o nome de Lula no topo de sua preferência de voto. Não estou aqui defendendo isso, apenas analisando! Buscando entender.
Por outro lado, tem também dentro da grande massa ignorante, um grupo grande de gente que ainda acredita que as pessoas são o que se dizem, e o que declaram ser, e acabam sendo envolvidos e manipulados pelos que maquiavelicamente usam do poder de influenciar as pessoas. Nesse grupo estão os eleitores que acabam por decidir o resultado das eleições.

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A quantidade de pessoas das elites, que se debatem pelos seus interesses bem classistas, e apoiam os seus candidatos, desde a direita mais reacionária, como os que apoiam o Bolsonaro, passando pelos liberais que vão, dos candidatos do PSDB, MDB, até os falsos Democratas e Socialistas de Ocasião, etc… estão focados em eleger um candidato que seja contrário e oponente ao candidato de preferência das massas e que sempre esteve no topo das pesquisas de intenção de voto, mesmo que ameaçado de não concorrer. Eles fazem isso por serem mesmo crentes de que tem que defender a classe. Mesmo que o candidato deles não mereça esse voto.

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O recado que o povo realista e sem ilusões está dando quando diz que mantém seu apoio ao velho líder do PT é de que não vai mais acreditar nas promessas dos mesmos de antes e que nunca fizeram nada pelo povão e menos desfavorecidos. Isso é o que aponta o percentual maior nas pesquisas.
Mas, todos os candidatos estão aí, dentro das velhas estruturas partidárias, sem consistência ideológica em seus posicionamentos, repetindo as velhas promessas, dizendo que sabem como resolver todos os problemas de nosso país, e que são, cada um a seu modo, a grande solução para os problemas que vivemos há décadas. A campanha de todos entrou no ar sem grandes mudanças. Repetindo o que já era feito antes, e novamente envolvendo e iludindo as pessoas. Prometem um novo pacto, sendo que os mamadores das tetas são os mesmos. Vão continuar se matando pelas tetas.

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As elites, voluntariamente iludidas e intencionalmente alienadas, se agarram nos candidatos que possam representar uma vitória sobre a ameaça do que eles acreditam que seja uma venezuelização do nosso País, como se isso fosse possível. O medo da ameaça “comunista” lhes assombrando seus pobres e legítimos sonhos de ascensão de classe, sem ter muito bem a noção do que eles estão preferindo. Usam o “pavor do comunismo” como uma grande assombração, sem fazer a menor noção do quanto isso é absurdo e ilusório num gigante econômico como Brasil, e de uma posição estratégica ímpar na América Latina. Mas não interessa, para eles vale tudo e qualquer coisa, para fazer com que a “esquerda” não volte ao poder. Mas qual esquerda?

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Mas essa “esquerda” que eles temem, se for examinada sob a análise de conceitos criteriosos, poderá ser verificado que na verdade, salvo uma minoria muito autêntica e consistente, nada tem de esquerda, a não ser o rótulo e a postura falsa, já que no jogo da política, da economia e das conjunturas de interesses de blocos hegemônicos que nos condicionam, eles na verdade só querem ter a chance de estar no jogo e dividindo o poder. Ideologia deles é se dar bem. Portanto, no campo da disputa, não passa de “cor da camisa”, esse negócio de “esquerda” e “direita”. No fundo, todos estão na verdade do centro para a direita, num mundo capitalista e globalizado, no País mais poderoso e rico da América Latina, querendo dizer que são diferentes, mas nada os difere realmente uns dos outros, todos agarrados à sede de poder.

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Portanto, resumindo:
1 – Grande massa ignorante e iletrada, dividida em: (a) parte que sabe e não se ilude com as promessas, não por grande conhecimento político, mas por conhecimento vivido e sofrido por décadas, e está do lado daquele que eles identificam apenas como o único que fez de fato algo por eles; e (b), parte que não sabe de quase nada, muito ignorante e alienada, espalhada entre a praia, morros, caatinga, florestas, campo, subúrbios de cidades, e que acredita que o que se fala na política e na mídia é o que será feito, e essa é na verdade a massa importante, e que no final decidirá para que lado o pêndulo da vitória eleitoral será inclinado. Aqui a mediocridade pesa muito!
2 – A pequena parte da população, letrada, que sabe ler e interpretar textos, mas que é ainda absolutamente ignorante de como as coisas na verdade são feitas, no campo das grandes jogadas e dos grandes interesses na política. Eles acreditam por fé, não por verdadeiro conhecimento de causa. Esta população, este contingente, que deve ser menos do que 30% da nossa população votante, que vai num espectro desde a extrema minoria elitista de classe AA, passando por classe média alta, classe média, e classe média baixa, e ainda grande parcela de trabalhadores assalariados e de livre iniciativa, é a que mais sofre da ignorância política e da força de manipulação da grande mídia. Eles não percebem que lá no comando do jogo, dando as cartas e escolhendo quais cartas vão distribuir entre os jogadores, está o grande capital, os que sempre mandaram na engrenagem, montaram o MECANISMO, os que sempre compraram as campanhas, compraram os candidatos, compraram as licitações, compraram as legislações, compraram as negociatas do poder, e que ainda querem mandar no jogo, custe o que custar. Mesmo que para isso seja necessário criar uma Operação Lava Jato, prender alguns dos seus mais emblemáticos representantes, montar uma encenação jurídica em cadeia nacional, para ajudar a dar credibilidade em sua jogada, como fez com os donos das maiores construtoras, coloca-los por um tempinho na cadeia, para justificar sua falsa justiça, motivar umas delações direcionadas, e fazer que o povo acredite que eles iriam e vão dar um fim na corrupção, como se não fossem eles os principais geradores desse mal corrupto e dessa forma nojenta de comandar e fazer política e economia. Os grandes corruptores estão sendo soltos, um a um, para ficarem em suas casas de luxo, comandando seus mega negócios on-line e ao vivo, e dando as cartas para o que está sendo preparado nas eleições.

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São os mesmos que estão apoiando os mesmos partidos corrompidos e os mesmos políticos apodrecidos de antes, e são os mesmos que estão usando da prostituição generalizada da mídia, que se vende a quem paga melhor, e vão tentar mobilizar a atenção do povo, e manipular sua opinião, para conseguir eleger aqueles que eles podem confiar que vão garantir a manutenção de seus interesses como sempre fizeram.
Portanto, o que me assusta, é que não vejo se tem de fato algum candidato ou partido, propondo realmente uma grande mudança, um plano estratégico consistente. E sabem por que? Porque não podem fazer nada do que eles dizem que farão nas campanhas, já que depois de eleitos, no tabuleiro das negociações do poder, na Câmara de Deputados e no Senado Federal, eles terão, todos eles que se submeter ao jogo do “paga senão não leva”, que acaba inviabilizando todas as promessas de todos os candidatos, desde que voltamos à vida democrática plena em 1990 com o final da ditadura militar.
Se a Democracia é, dos sistemas ruins, o menos ruim, numa realidade como a nossa, que tem elites alienadas e boa parte delas reacionária às mudanças para uma sociedade mais justa e igualitária, menos desigual e menos preconceituosa, teremos na verdade seu apoio e adesão à manutenção dos interesses dos poderosos, travestidos de modelos modernos e liberais de desenvolvimento, mas que na verdade só visam os interesses de seus próprios umbigos.

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E nas massas, veremos a esmagadora força da mídia, vendida a quem pagar mais (neste caso nem vale a pena explicar quem) forçando a barra para plantar três coisas:
1 – Medo da “ameaça comunista que leve à venezuelização” e à ameaça da fome (como se isso fosse possível na nossa realidade);
2 – Fazer o povo acreditar que exercendo o seu voto, naqueles candidatos que “a mídia” manipula e ajuda a alavancar, essas promessas, falsas e não cumpríveis, serão feitas realidade. É tão frágil como essa campanha “O Brasil que eu quero”, onde se deixa o povo com a sensação de que dando voz a esse mar de lugares comuns e declarações estéreis, fosse possível promover uma mudança real de atitude e modo de fazer política no nosso País.
3 – Vender ao povo essa falsa ideia de que por meios legais (nunca vi uma justiça tão duvidosa e tendenciosa) vão passar o Brasil a limpo, os culpados serão julgados e punidos, e que assim a corrupção está com os dias contados na política brasileira. Uma mentira que ninguém de inteligência mediana e em sã consciência acredita. O “Supremo” mesmo deu provas de que não sabe o que fazer e como fazer, obedece aos interesses, e segue fingindo que faz justiça.

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Então, é isso o que me assusta. O que nos faz medíocres. Um bando de gente em campanha, mentindo e contando uma lengalenga de que agora vamos sair da crise e do buraco, e vamos eleger um presidente que vai mudar as coisas neste País. Nem Lula com todas as suas ótimas intenções quando chegou ao poder, conseguiu vencer o MECANISMO e acabou cedendo a ele até ser por ele retirado à força do cenário, pelas armadilhas que seus próprios parceiros armaram. E muito menos Fernando Henrique que fez na verdade o jogo dos que mandavam e fingiu estar isento dessa grande farsa.

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Agora em 2018, se apresentam: um extremista reacionário, preconceituoso, violento, agressivo, ignorante, pouco preparado para o jogo político, homofóbico e travestido de honesto e impoluto; uma Velha senhora falsa puritana ativista que se veste com a capa da moralidade e da idoneidade, mas que namora, flerta, dorme e casa com seus parceiros de exploração da nação para chegar ao topo; um líder popular carismático e querido pela massa, mas que está preso e condenado por crimes julgados pela tal “justiça” duvidosa, e, portanto, não pode concorrer à eleição. (Não estou defendendo apenas apontando o que eu acho do processo). O seu substituto capitaneia um partido que combina leite com manga, água com azeite, (não se misturam internamente) e também dorme com o inimigo, se divide em rachas internos e ataques a velhos parceiros, trai alguns de seus integrantes na hora do aperto, e faz alianças com partidos que demonstram que não se pode mesmo confiar em quem quer o poder, mesmo que tenha que fazer podridão para isso. Infelizmente, esse Partido Tá doente. Correndo por fora dessa briga, os candidatos das elites, não decolam porque todos os eleitores sabem que elegendo esses, vão eleger na verdade os que já estão lá no poder. E alguns independentes de uma linha centro esquerda, que estão crescendo, como aquele que tem fama de “bateu, leva”, mas que conhece da política, sabe onde estão os podres, conhece da economia, sabe negociar com o poder, e talvez por isso possa ser uma alternativa nessa grande mistureba medíocre da nossa política. Os candidatos mais fracos, mais radicais e mais à esquerda, com menos intenções de voto, não aparecem porque a mídia jamais vai deixar que eles cresçam e apareçam.

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Esse é quadro e me entristece muito ver, a mediocridade da parcela esclarecida e letrada comprando a farsa da limpeza geral. Mais uma mentira.

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Por isso não estou tão animado como deveria.

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