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Saiu na Folha de São Paulo de 14/08:

“O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está com a melhor avaliação desde que começou o seu mandato. Segundo o Datafolha, 37% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom, ante 32% que o achavam na pesquisa anterior, feita em 23 e 24 de junho. Mais acentuada ainda foi a queda na curva da rejeição: caíram de 44% para 34% os que o consideravam ruim e péssimo no período. Consideram o governo regular, por sua vez, 27%, ante 23% em junho.”

A direita comemora. Nós, completamente perdidos, nos perguntamos como isso é possível.

* * *

Amigos, o aumento da aprovação do governo Bolsonaro não tem nada a ver com o Congresso, como alguns propuseram. A população não liga para o Legislativo. A maioria sequer se lembra em que parlamentar votou em 2018.

A aprovação do Bolsonaro está crescendo – e eu suspeito que esteja maior do que a pesquisa indica – porque parte do povo tem visto nele um líder que o representa e o defende neste período de crise.

Não chamemos os apoiadores do presidente de “gado”. Não os tratemos como se fossem estúpidos. Façamos o que raramente temos feito: saiamos da nossa bolha e tentemos compreender as razões pelas quais tanta gente tem dado o seu apoio às ações do governo.

* * *

Sim: a maioria de nós, do grande campo crítico, vive numa bolha. Deletamos da rede quem não concorda conosco. Evitamos conversar com quem consideramos bolsonaristas. Tornamo-nos hipersensíveis aos mais leves gatilhos ideológicos.

E deixamos de compreender como pensam dezenas de milhões de brasileiros.

Amigos, existem idiotas à esquerda e à direita – e há também, nos dois lados, gente questionadora e independente. Nós não temos o monopólio da inteligência.

* * *

Usemos a imaginação: ela nos permite viver uma vida diferente, pensar a partir de outras bases, experimentar o lugar do outro. Façamos como nos sugeria Stanislavski: incorporemos, num processo imaginativo mais ou menos detalhado, uma personagem que vive uma vida diferente da nossa. Uma personagem que apóia o Bolsonaro.

Imaginemos, por exemplo, um homem que trabalhava como garçom em um restaurante. Ele foi demitido. O aluguel está atrasado, assim como a conta de luz, de água, de internet. O seu filho é atendido por uma psicóloga particular, mas ele está devendo à profissional. A sua filha toma remédios para controlar a epilepsia e precisa de acompanhamento neurológico constante, também por um médico particular. Afinal, as consultas pelo SUS são marcadas com antecedência de meses, e não adiantaria ligar para o médico do posto de saúde em caso de emergência.

A sua esposa também foi demitida; procurou uma empresa que terceiriza diaristas, para fazer faxinas, mas mesmo esse trabalho não tem aparecido muito. Agora, eles contam somente com os R$ 600,00 de auxílio do governo e o apoio eventual de um ou outro familiar. Não há dinheiro no banco. Não existe investimento, poupança, nada. E a comida está faltando. Não há mais pãozinho diário, não há mais frango; mesmo o feijão com arroz precisa ser controlado com cuidado. O proprietário do imóvel já fala em ação de despejo.

Esse homem olha para os filhos – que precisam de assistência psicológica e médica, que precisam de uma casa, de comida, de roupas, de internet – e sente-se impotente e fracassado. Esconde-se no banheiro para chorar. Pede a Deus para que a sua parceira seja chamada para fazer uma faxina na casa de alguém – e imediatamente se envergonha desse pedido. Observa a última nota de R$ 50,00 meticulosamente dobrada na carteira, como que escondida para o caso de alguma emergência, e sente um vazio dentro do peito. Pensa em se matar. Depois, pensa em procurar o seu primo que é envolvido com o crime – mas afasta essas idéias esfregando o rosto e balançando a cabeça. Ele quer encontrar uma saída, mas só encontra as trevas – que, suspeita, se estenderão por meses ou anos.

* * *

Esse tipo de exercício da imaginação é pedagógico: nos permite ver, dentro de nós, uma realidade fora da nossa bolha.

Colocando-nos no lugar do outro, poderemos compreender por que milhões de pessoas não estão agradecendo a ninguém pelas campanhas para que “todos fiquem em casa” – estão, pelo contrário, culpando as próprias campanhas, a mídia, os atores bacanas, os políticos pela sua situação.

E estão concluindo que o Bolsonaro talvez seja o único líder que as compreenda.

* * *

“Em primeiro lugar, a vida.”

Exatamente aí está questão. Para quem tem a certeza de permanecer recebendo o salário durante o isolamento social, talvez a contaminação pelo Covid seja o grande risco de vida.

Mas não para milhões de outros trabalhadores que precisam lutar diariamente para sobreviver – os milhões de trabalhadores que nós, do campo das esquerdas, deixamos de ouvir e de compreender há quinze ou vinte anos, preocupados que ficamos com a política partidária-eleitoral e com as pautas corporativistas.

Para os trabalhadores que nada têm senão a família e o trabalho, o desemprego é mais mortal que o Covid. O desemprego é a fome dos filhos, é o remédio que não poderá ser comprado, é a vergonha diante da família, é a tentação do suicídio, é a sedução do crime. Perto dessa realidade imediata, amigos, o risco de morrer pelo Covid é uma possibilidade distante.

* * *

Certamente alguém vai argumentar que precisamos mudar o sistema socioeconômico brasileiro justamente para impedir que os trabalhadores sejam penalizados dessa maneira.

É claro que precisamos fazer isso. Mas o trabalhador impossibilitado de cuidar dos filhos não pode esperar até que o sistema seja transformado. Ele simplesmente precisa, e quer, trabalhar, independentemente do risco do Covid. Para ele, a morte já é uma possibilidade logo à sua frente; o risco de morrer com o vírus é menos grave que o de morrer de outro jeito.

* * *

É essa a causa profunda do crescimento do apoio ao Bolsonaro em tempos de Covid. Para milhões de pessoas, ele não é genocida, mas uma espécie de herói: um líder que arrisca a sua sobrevivência política para proteger os que neste momento estão mais fracos.

Amigos, se mantivermos as palavras de ordem: “genocida”, “assassino”, “gado” – e, pior, se acreditarmos que elas expressam uma realidade objetiva para além da visão ideológica -, seremos incapazes de compreender os processos sócio-políticos que acontecem à nossa volta. E seremos novamente surpreendidos nas eleições.

* * *

Para compreendermos a nossa situação, precisamos ir ao mundo do outro. Ir ao mundo do outro, acessar as suas representações, vivenciar os seus afetos. Mas é preciso fazer isso sem agressão: tratemos as suas angústias, inseguranças e lágrimas com respeito e delicadeza. São angústias, inseguranças e lágrimas como as nossas.

Assim entenderemos que, mesmo discordando, todos queremos o bem para a nossa sociedade. Por isso, procuremos, como nos propõe Habermas, o consenso possível, sem querer “cancelar” todo aquele que enxerga as coisas sob outra perspectiva. Afinal, no mundo da vida política não existe nenhuma verdade absoluta. As posições do outro são tão legítimas quanto as nossas.

Enfim, amigos, não nos esqueçamos: o que nos salva, no momento em que tudo desaba à nossa volta, é a fraternidade – e a fraternidade brota quando nos colocamos no lugar da pessoa que sofre. Enxerguemos o outro. Saiamos da nossa bolha. E seremos capazes de compreender aquilo que, de início, nos parecia absurdo e impossível.

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