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Gustavo Bertoche - É preciso lançar pontes. -

Amigos, desde 2013 assistimos ao crescimento de uma polarização política que a nossa geração não conhecia.

Como intelectual crítico, não sigo critérios pré-determinados por nenhum partido ou grupo político: sou completamente livre para circular, sem nenhuma culpa, entre idéias e autores de todas as cores. Estudo de Lukács a Voegelin, de Marilena Chauí a Olavo de Carvalho, e neles encontro mais convergências do que se costuma supor.

Por isso, me causa espécie a dificuldade que os campos políticos opostos têm, principalmente aqui no Brasil, de conversar como pessoas adultas. Por que os que se definem como de esquerda consideram os que se definem como de direita como monstros, e vice-versa?

* * *

Em suma: por que o diálogo político é tão difícil?

O diálogo é difícil porque as palavras na política são polissêmicas. Elas não correspondem a um objeto que possa ser indicado denotativamente. Elas dependem do contexto – e, principalmente, do lugar de onde se fala e de onde se ouve.

Por exemplo: na campanha das eleições de 2018, tanto a direita quanto a esquerda defendiam a liberdade. Votar no Bolsonaro era votar pela liberdade e contra a ditadura comunista! Votar no Haddad era votar pela liberdade e contra a ditadura fascista!

Evidentemente, trata-se aqui de uma única palavra – “liberdade” -, mas de dois conceitos diferentes. Isaiah Berlin já havia percebido a polissemia desse termo em 1958, no famoso ensaio “Dois conceitos de liberdade” (disponível no Brasil em “Isaiah Berlin: Estudos sobre a humanidade – uma antologia de ensaios”, Companhia das Letras, 2002, pp. 226-272).

* * *

A direita brasileira hoje em dia usa o conceito de liberdade como o de uma “liberdade negativa”, uma “liberdade dos modernos”: tanto maior será a liberdade quanto menor for a interferência do governo na vida dos cidadãos. Em suma, a pergunta do eleitor de direita é: “O que posso fazer sem que o governo me impeça?”. É a pergunta clássica dos liberais – que querem ampliar a liberdade econômica e política dos cidadãos por meio da restrição da ação do Estado.

E a esquerda brasileira atualmente usa o conceito de liberdade como o de uma “liberdade positiva”, uma “liberdade dos antigos”: tanto maior será a liberdade quanto maior for a capacidade de cada cidadão participar do governo. Resumindo, a pergunta do eleitor de esquerda é: “Como posso participar mais da formulação das políticas que me governarão?”. É a pergunta clássica dos socialistas de todos os matizes – que desejam ampliar as formas de participação política dos cidadãos por meio de conselhos, comitês e coletivos.

Ou seja: ambas – a direita e a esquerda – defendem a liberdade, mas acusam-se de defender a tirania. Ora, elas não percebem é que, sob um mesmo discurso, usam um mesmo termo de maneira diferente, o que embaralha a compreensão do ouvinte do campo adversário – que, por isso, julga mentiroso e vil o discurso do outro.

* * *

O mesmo ocorre com as próprias definições de “direita” e “esquerda”. Existe um sentido preciso e objetivo para esses conceitos? Sim, mas, a rigor, ele se encerra em sua circunstância de formulação, quando, no processo da Revolução Francesa, os girondinos e os jacobinos sentaram-se à direita e à esquerda no salão da Assembleia Nacional. A precisão exata desse sentido de “direita” e “esquerda” se perde em todos os outros contextos. No fundo, falar de “direita” e “esquerda” em qualquer outro período histórico que não o da Revolução Francesa é um anacronismo que somente se soluciona quando compreendemos que essas palavras não designam realidades da experiência, mas representações metonímicas em relação àquela realidade de 1789.

Ou seja: no debate político contemporâneo, “direita” e “esquerda” são, na verdade, figuras de linguagem, e não conceitos objetivos. Por isso, esses termos são entendidos de modos diferentes por pessoas que se colocam em uma posição ou em outra.

* * *

Isso pode ser ilustrado muito facilmente.

Quando um militante político afirma ser de direita, quase sempre quer dizer, no nosso contexto eleitoral, que é a favor do livre mercado, da liberdade de expressão, da total igualdade de todos diante da Constituição e de seleções competitivas para posições administradas pelo Estado – isto é, a favor do liberalismo econômico e político. Frequentemente, é favorável ao conservadorismo moral, principalmente em relação a pautas como o aborto, o casamento homoafetivo e os direitos dos presidiários.

Mas ele é compreendido pelo militante de esquerda, em nosso contexto, como se fosse contrário aos direitos dos trabalhadores, das pessoas homoafetivas, dos direitos das mulheres; e a favor do grande capital não-produtivo, da desigualdade social, do Estado policial e da opressão e da tortura dos marginalizados. Em suma: como se defendesse uma espécie de tirania de direita.

Obviamente não é possível, para alguém de esquerda, aceitar o diálogo honesto com quem ele crê defender ideais tão perversos.

Já quando um militante político afirma ser de esquerda, quase sempre quer dizer, aqui no Brasil, que é favorável à justiça social por meio dos programas de redistribuição de renda (direta ou indireta), dos direitos dos trabalhadores, do sistema de seguridade social, da educação e da saúde estatais e de qualidade, da criação de conselhos e de comitês públicos de gestão – isto é, a favor da social-democracia do ponto de vista político e econômico. Do do ponto de vista moral, é contrário à interferência da religião em assuntos públicos e é favorável à liberdade de direitos de opção sexual, de constituição familiar e da liberdade do uso de drogas por adultos saudáveis – ou seja, é um libertário em relação aos costumes.

Porém, ele é compreendido pelo militante de direita brasileiro como se fosse defensor dos regimes ditatoriais que se dizem socialistas, desde o stalinismo até o bolivarianismo de Chávez e Maduro; apoiador de políticas econômicas irresponsáveis; defensor do Estado máximo, da perseguição às igrejas, do assassinato de bebês, da pedofilia, do tráfico de drogas, da valorização do criminoso em relação à vitima. Em suma: como se defendesse uma espécie de tirania de esquerda.

É claro que um direitista não aceitará conversar, de modo franco e leal, com quem ele crê defender posições tão tenebrosas.

As palavras “direita” e “esquerda” significam coisas diferentes para um e para o outro: elas dependem sobretudo da posição em que são ditas e ouvidas. Quase todos os termos presentes nos discursos políticos são assim: servem mais para indicar a posição ideológica do autor do discurso do que para denotar uma realidade da experiência intersubjetiva.

* * *

Como sair desse impasse em que ambos muito provavelmente consideram monstruosas as posições políticas do interlocutor?

Em primeiro lugar: podemos buscar o diálogo se tivermos boa vontade. É preciso ouvir o nosso adversário e perceber que ele também deseja o melhor para toda a nossa sociedade. Como Habermas diria, é necessário agir de modo comunicativo, e não de modo estratégico: antes de buscar vencer, devemos buscar compreender. Eventualmente, perceberemos que existem aqueles com posições extremas e aberrantes – mas serão posições de uma minoria, ainda que essa minoria grite.

Em segundo lugar: somente é possível travar esse diálogo – mais do que nunca necessário – se abandonamos chavões, slogans, frases de efeito, lacrações. Esses gatilhos envenenam a nossa inteligência e o nosso juízo. Afinal, a razão política é discursiva: para agirmos racionalmente, precisamos nos inserir na ordem do discurso – e não na repetição irracional das palavras de ordem que elimina todo o diálogo.

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