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Qual é o problema mais grave do nosso país?
 
Vão dizer que é a corrupção. Vão dizer que é a criminalidade. Que é a desigualdade social, a qualidade dos nossos políticos, a ignorância da nossa elite.
 
Todas essas respostas estão corretas, mas não vão à raiz da questão. É preciso ver para onde todas elas apontam.
 
E todas apontam para o problema da educação.
 
* * *
 
O problema mais grave do nosso país é, e sempre foi, a educação.
 
Jamais tivemos um projeto educacional de fato – no máximo, um projeto de instrução dos jovens.
 
E é preciso dizer: educação e instrução são processos independentes, que não acontecem necessariamente no mesmo tempo e lugar.
 
A instrução é o ensino para a realização de alguma tarefa específica: fazer contas, dirigir automóveis, levantar paredes, passar numa prova de vestibular.
 
A educação é a formação integral do ser humano: a formação intelectual, cultural, espiritual, que torna a pessoa capaz de compreender o mundo e a si mesma. Isso significa que a educação não pode ter um objetivo específico bem definido: ela precisa ser aberta para que cada um possa constituir-se de acordo com os seus próprios projetos – que dependem da personalidade, da vocação e das aptidões de cada ser humano.
 
* * *
 
Há uma inevitável e necessária ausência de objetivo definido mensurável no processo verdadeiramente educacional: não é possível medir a educação por meio da capacidade de um aluno acertar na realização de um cálculo de trigonometria, ou na sua contratação para um emprego, ou na sua aprovação no Enem, por exemplo.
 
Vivemos num país em que o positivismo comteano sentou praça – tanto por meio do exército no fim do Império e do início da República, inspirado pela organização militar francesa, quanto por meio dos intelectuais brasileiros que se formavam na França no fim do século XIX. Esse positivismo ainda se revela em parte de nossa elite intelectual e econômica. Para eles, somente se deve levar em conta o que pode ser medido e analisado quantitativamente: se um processo não produz imediatamente resultados mensuráveis, é um mau processo e deve ser eliminado. O processo educacional é um exemplo perfeito desse tipo de processo.
 
É por isso que muitos de nós (entre militares, burocratas, políticos e professores) são, sem que se dêem conta, reais inimigos da educação. Sim, eles defendem a palavra “educação”, mas a tomam como sinônimo de instrução, isto é, como algo diferente do que ela verdadeiramente designa. Quando falam “em defesa da educação”, quase sempre pensam não em educar, mas em instruir – e em medir essa instrução.
 
* * *
 
A educação não pode ser medida: ela não cabe em questões de múltipla escolha. A razão é simples: ela é diferente para cada um. Podemos ter uma matriz geral – que é a cultura que apresentamos às crianças e aos adolescentes: a música, a literatura, a poesia, as artes plásticas, o senso do belo, do bom, do justo. Mas o efeito que isso tudo causa é diferente em cada pessoa. Como dizer que existe um “efeito cultural certo” e um “efeito cultural errado”? Como “aprovar” ou “reprovar” alguém em função disso? Como transformar isso numa nota de 0 a 10?
 
É possível avaliar quantitativamente o resultado de um processo instrucional, mas não o resultado de um processo educacional.
 
* * *
 
No Brasil nunca tivemos um projeto educacional. Sempre copiamos, de modo automático e desastrado, aquilo que entendíamos que os outros países – europeus, via de regra – faziam.
 
E entendíamos mal. Olhávamos para o papel, para o currículo, não para a vida social e escolar desses países. Copiamos o currículo, macaqueamos os livros-texto, tentando parecer europeus. E fomos ampliando cada vez mais essa paródia de escola européia, inserindo cada vez mais componentes curriculares, cada vez mais matérias nesses componentes, até que chegamos a um ponto em que um aluno do Ensino Médio precisa lidar com uma quantidade extraordinariamente grande de conteúdos, uma quantidade muito maior que aquela que se encontra nos próprios sistemas escolares que imitamos.
 
Em 1951, por exemplo, o físico Richard Feynman ficou muitíssimo impressionado com o currículo escolar de física nas escolas brasileiras; os alunos brasileiros viam (e vêem) tanta física que era surpreendente que o Brasil não fosse uma potência nessa área. Contudo, rapidamente Feynman compreendeu que os professores não ensinavam de fato aquele conteúdo todo: eles simplesmente instruíam os alunos de modo que soubessem solucionar questões de prova. Feynman percebeu que o sistema escolar brasileiro era uma fábrica de fazedores de questões de prova – mas que não havia, de fato, o menor resquício de educação no Brasil.
 
De fato, a ausência de um projeto educacional no nosso país significou, desde sempre, a adoção de um currículo completamente insano – um currículo que nos faz perder pelo menos quinze anos da nossa vida com a memorização de um conteúdo quase todo irrelevante e desconectado do nosso contexto social, intelectual e espiritual.
 
Um currículo que é sobretudo irrealizável. Amigos, percebam: um professor de Ensino Médio tem formação superior, leu livros, vive no meio escolar. Ele conhece bem o seu componente curricular, e talvez conheça razoavelmente os componentes próximos (o professor de História conhece um pouco de Geografia, o de Química conhece um pouco de Física, e por aí vai). Mas é impossível que ele conheça a totalidade do currículo que os adolescentes precisam aprender. Isto é: exige-se dos nossos adolescentes o domínio geral de um conjunto extenso e profundo de muitos assuntos, domínio que mesmo adultos mais cultos e inteligentes que a média não sonham ter. Exige-se dos nossos adolescentes o que é simplesmente impossível. Quando se exige de alguém o impossível, a resposta ou é a doença, ou é o cinismo, ou é a fraude.
 
De fato, que ninguém – nem gestores, nem professores, nem alunos – considera que a escola seja um lugar de aprendizado real para a existência adulta. Todos vêem a escola ou como um lugar de instrução malfeita (especialmente para a realização do Enem: 1/4 do nosso tempo de vida em função de uma única prova!), ou como um pequeno inevitável inferno, um lugar em que tudo é artificial, tudo é teatral, tudo é absurdo, um longuíssimo rito de passagem para que possamos chegar à maioridade.
 
* * *
 
Se tudo é absurdo na escola, se o currículo oficial é insano e irrealizável, o currículo oculto prevalece – porque ele se torna a única coisa que faz sentido no ambiente escolar.
 
E qual é o currículo oculto da escola brasileira? É justamente o cinismo, a obediência fingida, a fraude, o jeitinho. E, para os alunos que não conseguem aprender a jogar o jogo da mentira, a conseqüência é a doença do ser: a neurose, a depressão, o desespero.
 
A escola brasileira é sobretudo uma escola de corrupção. Ou alguém acha que o nosso velho hábito, já institucionalizado, de “estudar para a prova” é outra coisa senão uma cola sofisticada? Ou que os exercícios “de revisão”, que são em tudo similares àqueles da avaliação, é outra coisa senão fraude? Ou que a própria exigência impossível de saber tudo de um currículo insano não é senão a preparação para uma vida de aparências?
 
* * *
 
Amigos, todos aqueles “problemas graves do país” – a corrupção, a criminalidade, a desigualdade social, a nossa classe política, a nossa elite – são criados, dia após dia, no interior do nosso sistema escolar, seja na própria escola ou no “ensino em casa” do nosso tempo de pandemia. O maior problema do Brasil é a escola brasileira.
 
Sim, amigos: a nossa escola nos destrói, dia a dia, cada vez mais. Seja escola pública, seja particular, seja militar, seja preparatória para o Enem: geração após geração, a nossa escola impede a existência de um processo educacional; em seu lugar, apresenta uma instrução fake, que de fato corresponde a uma formação para o jeitinho.
 
* * *
 
E como solucionar esse problema, amigos?
 
Com o homeschooling? Não. Embora eu seja favorável à aprovação da possibilidade do homeschooling, ele não é uma solução geral – por quatro razões:
 
1. O homeschooling realizado no contexto cultural brasileiro tende a reproduzir as mesmas práticas danosas que encontramos na escola;
 
2. O ambiente escolar formal é um olhar protetor da sociedade em relação a crianças e adolescentes: é na escola que se verifica se há abuso físico, sexual ou psicológico no ambiente doméstico, e se aciona o Conselho Tutelar, se for o caso. O homeschooling pode servir ao encobrimento desses abusos em ambientes domésticos insalubres;
 
3. O homeschooling corre o risco de potencializar a eventual alienação ideológica ou religiosa de crianças e adolescentes. O convívio com outras pessoas, especialmente com professores de diferentes orientações, é muito importante na constituição do universo cultural dos estudantes, e com o homeschooling é possível que essa pluralidade não lhes seja oferecida;
 
4. A boa prática de homeschooling exige muito investimento em tempo e dinheiro: é importante contar com o apoio de professores, de muitos livros, de viagens, de passeios culturais, além da presença constante de pelo menos um dos pais. É certo que somente uma ínfima minoria das famílias brasileiras reúne as condições necessárias para que se possa fazer o homeschooling de qualidade.
 
* * *
 
A solução do problema da educação brasileira não passa pelo homeschooling. Passa pela discussão a respeito de um projeto escolar verdadeiramente educacional.
 
Isto é: é preciso que as escolas comecem, pela primeira vez na história brasileira, a educar.
 
E para que tenhamos uma escola educadora é preciso que tenhamos professores educadores.
 
Professores educadores, isto é: professores muito bem preparados, leitores, estudiosos, que pensem a educação, que possam participar dos debates sobre o sentido da própria escola.
 
Isso acontecerá nesta geração, com os professores que temos? Infelizmente, temo que não. Os nossos filhos continuarão freqüentando uma escola absurda, que não forma para nada a não ser para a mentira e a corrupção.
 
Mas os nossos filhos podem começar a mudança, se começarmos desde agora a preparar a próxima geração de professores. E para que a próxima geração de professores seja mais consciente que a atual, é preciso antes de qualquer coisa valorizar a profissão docente.
 
Em outras palavras: para que daqui a quinze ou vinte anos comecemos a ver uma mudança na escola brasileira, precisamos valorizar os professores de hoje. Precisamos desde já tornar o magistério uma opção interessante aos melhores alunos. Precisamos seguir o modelo de valorização docente que foi seguido na Coréia, na Finlândia, na Suécia: com seus altos salários, ao lado de suas altas exigências intelectuais e acadêmicas, a carreira de professor é uma das mais disputadas.
 
É preciso que o salário do professor brasileiro, que é o mais baixo de todos os países da OCDE, se torne um dos mais altos. É preciso que a carreira do magistério seja desejada, e que para ela queiram se encaminhar os jovens mais brilhantes de cada geração.
 
Serão esses jovens brilhantes, recebendo excelentes salários, com tempo para o estudo e a pesquisa, que vão mudar o lugar da escola brasileira: de uma escola que cada vez mais conduz o Brasil à lata de lixo da História, para uma escola que não somente instrua, mas verdadeiramente eduque, e que torne o Brasil um dos melhores lugares do mundo para se viver. 
Em suma: o que quer que possa ser feito, somente será feito com uma escola com professores realmente educadores, prestigiados, cultos e motivados. O aumento radical do salário dos professores brasileiros não será “a” solução para o problema, mas é a condição sine qua non para que uma solução possa surgir.
 
* * *
 
Amigos, é incompreensível que os brasileiros aceitem, passivamente, há muitas décadas, a desvalorização do trabalho do professor.
 
O médico cuida dos doentes, e isso o torna muito importante. No serviço público, o salário do médico reflete essa importância. O advogado ajuda a quem quer encontrar a justiça, e é importantíssimo. O salário do advogado que entra no serviço público está de acordo com a importância que ele tem.
 
Mas o professor cuida daquilo que é verdadeiramente mais importante – seja na sociedade, seja na nossa vida pessoal: as crianças, os nossos filhos. A função central de uma sociedade bem ordenada é a educação das futuras gerações. É inconcebível que aceitemos que os nossos filhos sejam “educados” por pessoas que não recebem um salário minimamente digno para a subsistência, e que portanto não podem comprar livros, não podem viajar, não têm acesso à alta cultura.
 
O verdadeiro movimento revolucionário para que daqui a quinze anos o Brasil possa começar a se erguer não é outro senão a defesa do aumento radical e imediato do salário do magistério. Sem isso, amigos, não teremos, no futuro, professores capazes de pensar e a praticar a Educação; sem professores educadores, a nossa escola continuará a ser uma fábrica de corruptos, e o nosso país seguirá sendo a pátria da aparência, da incultura e da mentira.

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