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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

É tanta sandice política por aí… E sempre remetem ao excelente Febeapá – Festival de Besteira que Assola o País, livro icônico de Stanislaw Ponte Preta (um dos pseudônimos utilizados pelo escritor carioca Sérgio Porto). Não leu? Pena.


Pois é. Mas nem sendo denunciada, demonstrada, comprovada, ou mesmo ridicularizada, essa modalidade de sandice dá sinais de enfraquecimento. O Próprio Porto admitia que seu livro era mais uma exteriorização de revolta do que propriamente um mecanismo eficiente para abrir os olhos do povão. Povão esse que não é dado ao hábito da leitura, obviamente.


Umas dessas barbaridades recentes chamou a atenção, mais pelo
nonsense absoluto do que pela ideia, na prática irrealizável, vinda da bela e civilizada Curitiba: A vereadora Maria Letícia (PV) protocolou projeto de lei na Câmara Municipal propondo multar e “reeducar” o cidadão que passar cantada pública em mulheres. Um simples “fiu-fiu” rende multa de até R$ 930,00, mais comparecimento obrigatório a alguma espécie de “curso” de reabilitação do transgressor. Não, não é brincadeira, nem exagero, nem simulação satírica; você leu certo sim, confira: http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2017/01/projeto-de-lei-propoe-multa-para-quem-passar-cantada-em-curitiba.html


Antes que os apressadinhos de sempre critiquem, vai o sinal de fumaça: NÃO, ninguém está defendendo as cantadas nem os abusados. O problema é a questão técnica do caso e, pior, a questão humana.

A parte técnica é clara – ou ao menos deveria ser: O projeto é incabível, por ser completamente inconstitucional. Município não pode legislar sobre esse tipo de coisa, em âmbito criminal. Nem os Estados podem, somente a União. Além disso, o tal projeto prevê que a “fiscalização” e eventual detenção (!) dos infratores (!!) ficaria a cargo da guarda municipal. Ora, GM não é polícia, nem autoridade, nem comando repressor, nem poderia exercer tais funções. É, como o nome diz, um órgão municipal com a função constitucional de zelar pelos bens públicos, e só. Infelizmente, uns e outros a utilizam como guarda pretoriana – ou coisa pior. Resumindo: Completa impossibilidade legal. Esqueçam, não vai-se criar nenhuma Stasi das araucárias.


A questão humana é que dói. O Brasil atravessa uma onda politicamente correta cretina, hipócrita, comedora de cérebros, de mimimi e dodói insuportáveis. Não dá mais. A nobre vereadora pretende deter, “reeducar” (!!!) e multar, com lei municipal, qualquer tipo de abusador, leve ou grave. Não é só a impossibilidade jurídica evidente que assusta; é essa mania pavorosa de enxergar no Estado-Mãe um deus ex machina, que desce do céu uma gigante mão estatal para solucionar qualquer tropeço diário da vida, mesmo os mais simples.


Estão criando uma geração de bundas-moles.


Dizia Erwin Rommell (inspirado ou não no famigerado A Arte da Guerra, de Sun Tzu): “Quem quer defender tudo não defende nada”. Pois é. Maldita mania esquerdizante de pretender carregar o cidadão no colo, para que não sofra e não faça beicinho. Daí é esse festival, essa enxurrada, de movimentos defensores disto ou daquilo, de minorias estas ou aquelas (mesmo sendo maiorias, mas lógica não é o ponto forte dessa gente), e sempre exigindo mais e mais intervenção governamental em tudo e todos. Como lembrou J. R. Guzzo em artigo desta semana, a panaceia imaginária da esquerda é manter governos cada vez mais caros e regulamentar tudo para trazer igualdade. E simplesmente não funciona. Só nos torna mais dependentes, meros robôs esperando as migalhas estatais.


Claro, o abuso deve ser severamente coibido e punido, pela polícia e pelo judiciário. Ofensas, baixarias, mão-boba nas ruas e ônibus lotados, exibicionismo, tudo isso é crime; lugar desse tipo de homem é na cadeia. Mas inventar uma lei municipal, inconstitucional até a medula, querendo “reeducar” (sabe-se lá como seria isso) e multar algum pedreiro que assobia pra uma mulher bonita… tenha dó. Estamos criando um povo dependente do governo-mãe, um stalinismo que nos impede de reagir, de pensar, de resolver e vencer sozinhos. Chega de muleta e de mimimi. Coleira não traz liberdade. Estão matando a autodefesa e a iniciativa pessoal, travestidos de Robin Hoods cubanos. Chega. Qual o próximo passo? Pena de morte para piada de português? Bolsa-mexida? Taspariu.


Febeapá é um livro satírico, que muita gente finge ter lido, principalmente os gauches. São apenas “notícias” inventadas por Porto, propositalmente irreais, embora a esquerda tenha utilizado várias delas como mantra, “demonstrando” suas teses. Ou seja, apenas confirmam o livro. Já no caso do ‘projeto fiu-fiu”, a coisa é séria – ou assim se pretende. Ultrapassou a piada, venceu a sátira. Pelamor.


Vem cá: E se uma mulher cantar um homem, vereadora? Cadeia nela?

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