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Alexis de Tocqueville escreveu que “uma idéia falsa, mas clara e precisa, tem mais poder no mundo do que uma idéia verdadeira, mas complexa”.
 
Tocqueville estava certo. Em todos os campos da vida humana, a simplificação das idéias, a sua clarificação para que todos possam utilizá-las no discurso de modo aparentemente unívoco, impede que enxerguemos a natureza dialética de todos os conceitos e de todos os problemas do nosso mundo.
 
* * *
 
Por exemplo: o controle social de uma sociedade conduz ao crescimento econômico, à estabilidade e à segurança, quando realizado com racionalidade. Em outras palavras: uma tirania racional de natureza benigna é desejável para grande parte das pessoas. É o que se constrói na China e na Coréia do Sul, e o que em algum momento possivelmente ocorrerá, com graus variados do aspecto tirânico, em todo o mundo ocidental. Todavia, ao mesmo tempo em que o controle social conduz a uma vida mais tranqüila, conduz também à ignorância e à paranóia: se o governo controla tudo, controla também a informação que recebemos, e observa com atenção as nossas opiniões políticas; é melhor não procurar informar-se, é melhor abster-se de pensar de modo autônomo. Em suma: toda utopia é, ao mesmo tempo, uma distopia.
 
Outro exemplo: diz-se que “a mulher emancipou-se no século XX”. Sim, é verdade. “A mulher” emancipou-se dos trabalhos domésticos e foi à rua trabalhar – ou melhor: “a mulher de classe média”. Todavia, para ir à rua trabalhar, ela precisou submeter outra mulher – uma mulher invisível, uma mulher pobre, quase sempre negra – à opressão, a uma espécie de nova escravidão. A emancipação da mulher produz diretamente a exploração da mulher; de fato, não é “a mulher” que se emancipou, mas a mulher de uma classe social específica, por meio da renovada opressão da mulher pobre. O conceito de “emancipação feminina” não é simples.
 
E ainda: a separação entre “esquerda” e “direita” que recebemos da ordenação dos grupos na Assembléia Constituinte francesa, em 1789, dividem-nos com clareza. Todavia, essas palavras mudam de significado a cada geração. Posições “de esquerda” em 1970 (como a concepção marxista de que não importa a identidade de cada pessoa, se homem ou mulher, se branca ou negra, se hetero ou homossexual; todos são iguais, porque igualmente oprimidos, e é preciso ter consciência dessa condição fundamental da situação do trabalhador) seriam consideradas “de direita” em nosso tempo; e posições hoje consideradas “de esquerda” (como a defesa das lutas identitárias – de gênero, de cor, de preferência sexual) seriam consideradas manifestações de um liberalismo burguês e anti-revolucionário, isto é, “de direita”, há cinqüenta anos. As noções de “esquerda” e “direita” não podem ser tomadas como se fossem simples descrições objetivas de um posicionamento político: são noções líquidas que não aceitam definições acabadas.
 
* * *
 
Para compreendermos melhor a nossa situação sócio-política, precisamos deixar de tomar os conceitos como se fossem simples, inequívocos e objetivos. A busca da objetividade conceitual é a busca da superficialidade. Todo conceito tem uma história, estende-se por vários campos de sentido e é polissêmico. Uma perspectiva profunda das coisas precisa começar pela recusa da simplicidade: as idéias simples podem ser claras e bem definidas – mas em lugar de nos esclarecer, obscurecem a compreensão das coisas. Simplificar é confundir; é necessário complexificar para esclarecer.
 
Enfim, amigos: as palavras de ordem, as lacrações, os slogans políticos, repetidos à exaustão por todos os lados da disputa, são a marca da própria ignorância; não são manifestações de uma inteligência crítica, mas de uma inteligência incapaz de compreender a complexidade dialética da realidade humana, em que nada é simples, nada é óbvio, e tudo traz consigo o seu contrário.

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