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Vilmoteca

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Chiquinho Rodrigues -

Ser músico e ter viajado por esse imenso Brasil são dádivas que agradeço todo dia ao Papai do Céu!

Ter colecionado experiências e conhecido os mais variados tipos de malucos acabaram fazendo de mim um observador natural da alma humana.

Eu tocava numa banda de baile chamada Reveillon. Era uma banda bem grande! Com seis metais, contrabaixo, bateria , teclado, percussão, cantores e eu de guitarra.

A Vilma era a cantora e cá pra nós… Uma das vozes mais lindas que já ouvi.

A Magra (Esse era seu apelido) era supercompetente e profissional. Cantava samba tal qual Elis, swingava como uma Sarah Vaughn, interpretava como Bethânia, podia deixar a voz quente como só Nana Caymmi faz quando abraça uma canção, ou sofrida à la Nina Simone, intimista do jeito da Astrud Gilberto, sensual como a Sade ou até técnica emulando a pentelhíssima Mariah Carey.

Ela podia ser tudo isso ou simplesmente… Vilma! O que já não era pouco.

Mas a Magra tinha umas manias que de vez em quando irritavam a gente! Ela era meio hipocondríaca e vivia reclamando da puta da vida! (vivo achando defeito nos outros, né?).

E era só você perguntar:

– E aí Magra! Como é que ce tá?

Que ela já começava com a ladainha:

– Nossa! Você nem imagina a dor de cabeça que eu estou hoje…

Ou:

– Puxa! Aquele meu dente não me deixa em paz…

Ou:

– Minha garganta hoje está uma merda! Nem sei se vou conseguir cantar direito…

Ou ainda:

– Caramba! Tinha que me descer hoje?

Ela era mimada e cheia de dores, mas nada disso diminuía o nosso gostar por ela.

O pessoal da banda nessa época era viciado em jogos!

Dentro do ônibus que a gente utilizava para viagens havia uma mesa redonda daquelas de carteado de cassino. Apostava-se em todo tipo de jogo que você possa imaginar!

Pôquer, caxeta, truco, tranca, buraco, bisca, sueca, oito maluco, 21, rouba-monte, dadinho, palitinho, par-ou-ímpar… o que pintasse.

Tinha também os viciados em corrida de cavalos.

Aos domingos iam ao Joquei Club e apostavam em todos os páreos. E nos intervalos de cada corrida, quando apareciam aquelas duas maquininhas que assentam as pistas de areia, eles apostavam até em qual das duas máquinas ia chegar em primeiro lugar no final da raia.

No meio do baile, as apostas eram pra saber quem ia ficar bêbado primeiro, quem ficaria sem falar palavrão a noite toda, quem desafinaria mais, quem sairia com a mulher mais feia, quem pagaria o maior mico, qual dos garçons derrubaria a primeira bandeja, enfim… Tudo era motivo de uma aposta.

Mas na hora do som não tinha brincadeira não, era quebradeira geral. A banda era das boas!

Era uma sexta-feira à noite.

Estávamos reunidos no local de ensaio. Nosso ônibus já carregado com os instrumentos, equipamentos e bagagem, esperava o embarque dos músicos para o início de uma viagem até o Rio de Janeiro onde faríamos um baile no sábado.

Todos haviam chegado. Só estava faltando a Vilma, que pra variar estava atrasada. O pessoal estava meio entediado e alguém chegou a comentar:

– Vamos ver que desculpas ela vai dar hoje para esse atraso! Será que ela está bem?

Foi aí que eu tive a ideia!

Peguei uma folha de papel em branco, cortei em pedacinhos de dois centímetros e em cada pedaço escrevi um dos alvos das constantes reclamações da Vilma.

Isto é, cada pedacinho de papel daqueles estava contemplado com alguma coisa do tipo:

Dor de cabeça…
Dor de garganta…
Dor de barriga…
Azia…
Falta de ar…
Vertigem…
Dor de dente…
Dor de estômago…
Tô de chico, e outras que não lembro agora.

Cada um casou 10 paus, e naquele esquema de sorteio de amigo secreto, cada um foi tirando um pedacinho de papel amassado de dentro de uma caixa de sapato.

Estava assim criada a VILMOTECA!

Cada palma de mão fechada com um papelzinho escrito com um nome de dor era um palpite!

Cara… Nem o Frank Sinatra, que demorou anos pra vir ao Brasil, foi esperado com tanta angústia e expectativa como a chegada da Magra naquele dia.

Aí, de repente ouve-se o barulho do motor do Chevette dela.

Silêncio.

Ela estaciona, desce com aquela cara de quem trampou o dia todo, está cansada, atrasada, cheia de olheiras, com fome, com sono e ainda tem que enfrentar uma viagem de 400 km no meio de um puta monte de marmanjo folgado falando absurdo, sendo ela a única mulher! (sentiu o clima?).

Ela termina de entrar na sala e eu pergunto:

– E aí Magra? Tá tudo bem?

– Que nada meu! – responde ela jogando a frasqueira em cima da mesa –Estou morrendo de dor…

E todo mundo em coro:

– Dor de que?!

Ela olha pra todo mundo espantada com o grau de interesse e diz com a mão pressionando o local:

– Vesícula!

Todo mundo:

– AAAAAHHHHHH!!!!!

Vesícula!? Mas que merda! Ninguém tinha pensado nisso.

Caramba! Primeiro sorteio da Vilmoteca e o prêmio já estava acumulado? Ia ser um sucesso!

Teve gente fazendo ôla… gente dando porrada na mesa… papelzinho voando… frustrações…

Aí quando ela entendeu o que estava acontecendo, e soube que EU tinha sido o mentor… o bicho pegou! Ficou muito brava mesmo. Tive que correr uns três quarteirões desviando dos ataques daquela frasqueira maluca, e se não fosse pela interferência do Barão, o dono da banda, eu quase teria ido ao Rio sozinho pela ponte aérea naquele dia.

Mas depois a Vilma acabou aliviando. Sabia do meu bem-querer.

Os anos se passaram.

Um dia, estou eu lá zapeando canais quando de repente passo pelo programa do Ratinho. E adivinhe quem eu vejo cantando naquela banda estranha do programa dele?

Isso mesmo. A Magra!

A banda estava acompanhando um calouro e deu pra eu ver por um bom tempo o rostinho dela. Tinha os olhinhos tristes a minha amiga… Com aquela sua cara de dor.

E foi natural eu me perguntar:

– Será que é dor de dente?
– Dor de ouvido?
– Dor de barriga?
– A vesícula outra vez?

Mas logo depois a lente da sensibilidade acabou me revelando…

A dor que a Magra estava sentindo é aquela que não passa com remédio receitado por doutor e comprado em farmácia não.

É a dor de quem depois de tantos anos de estrada se vê num palco de horrores emprestando voz e talento para um desses programas de deboche e mau gosto.

É a dor do músico que sabe que o tempo vai passar e ele vai cansar de ficar na janela vendo os outros se divertirem.

Fiquei revoltado. Mas segurei a onda.

Acabei me conformando com o pensamento: ”Pô, seja lá como for, ela ainda está empregada e trabalhando”

Como pôde a música ter se transformado tanto ao ponto de deixar órfão tanta gente de talento? Perdida em barzinhos e praças de alimentação se apresentando em troca de ninharias.

Como pode nossa televisão dar tanto espaço nobre assim para Gugus, Faustões. Klebers, Big Brothers, peitos e bundas e deixar a minha menina cheia de talento, com uma voz divina com que só raros pássaros são contemplados, ficar com essa fatia mirrada que acaba cortando o coração da gente?

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