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Luciano Pires -

Luciano Pires: E o LíderCast nessa temporada chega a você com o apoio da Casa Porcini, localizada num bairro, no Botafogo, no Rio de Janeiro. A Casa Porcini possui uma estrutura de alta qualidade. Aliás, Porcini sou eu que falo. Eles lá, eles falam assim: é Porrcini. Casa Porrtini. É uma estrutura de alta qualidade para receber eventos privados ou corporativos, num ambiente exclusivo e acolhedor. Treinamentos, reuniões, workshops, jantares e degustações, podem acontecer num espaço multiuso. A Casa dispõe também de um lindo estúdio de Yoga e uma cozinha profissional, perfeita para aulas práticas e produção de vídeos. Visite o Instagram @casaporcini; se escreve Casa Porcini, com um C. Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No programa de hoje temos Paulo Ganime, deputado federal pelo Partido Novo e recém lançado candidato ao governo do Rio de Janeiro. É sua segunda participação no LíderCast. Falamos do dia a dia em Brasília e dos desafios de governar um estado como o Rio de Janeiro. Muito bem. Mais um LíderCast. Esse aqui é daqueles onde a gente vai bizar o convidado, de um jeito muito legal. Porque eu fui olhar aqui: a primeira participação dele foi em 04 de julho de 2019, deputado recém-eleito. Chegou aqui e a gente bateu um papão. Está no ar esse LíderCast. Quem quiser então, saber da história dele e tudo mais, procure aquele primeiro LíderCast. E hoje – três anos depois – vai ser um barato. Porque ele era deputado de primeira viagem, deputado federal, chegando em Brasília cheio de planos. Três anos depois, nós vamos saber o que aconteceu. Então, grande Paulo Ganime, seja muito bem-vindo de volta ao LíderCast.

Paulo Ganime: Muito obrigado, Luciano. É um prazer estar aqui com você. E com vocês aí, que estão nos assistindo, nos ouvindo aqui nesse PodCast, que é um barato. Que eu assisto, ouço desde que eu morava fora. Eu comentei na outra vez.

Luciano Pires: Sim.

Paulo Ganime: Também. Antes de conhecer o Luciano, eu era um grande ouvinte do Luciano no Café Brasil. Então é um prazer estar aqui com você.

Luciano Pires: Que legal. Mas eu fui procurar hoje para dar uma olhada. Eu falei: deixa eu ver como é que foi o papo com ele. Depois eu vi que lá no meio do caminho você também criou um PodCast. Eu acabei também participando de um PodCast seu.

Paulo Ganime: Verdade.

Luciano Pires: Foi muito legal. A gente mantém certo contato, bastante espaçado. Eventualmente, eu te mando alguma cobrança. Você me responde alguma coisa. O que está acontecendo aí? Assim, assim, assado. E a gente vai trocando uma ideia. Então vamos lá de novo. Quem quiser saber a história toda, como que o Paulo surgiu? De onde ele veio? Ouça o LíderCast anterior, que está lá lidercast.com.br. Hoje nós vamos partir do momento em que ele chega em Brasília, assume o seu mandato e mergulha de cabeça naquele mundo da política. Vai ser deputado federal. E agora resolve partir para um voo mais ambicioso ainda. Mas vamos começar pelo deputado federal. Se arrepende?

Paulo Ganime: Não. Nem um pouco. É uma experiência de vida. Eu acho que transforma a vida da pessoa. E no meu caso, além de toda a experiência, tudo que a gente fez de bom, tudo que a gente aprendeu. As pessoas que a gente conheceu. Os temas que eu conheci ao longo dessa jornada. Eu ainda conheci a minha esposa.

Luciano Pires: Ah é?

Paulo Ganime: Um pouco depois de vir aqui.

Luciano Pires: Sim.

Paulo Ganime: Em outubro. Inclusive ela também é PodCaster.

Luciano Pires: Legal.

Paulo Ganime: Então eu acho que isso também foi algo que vai ficar na minha vida para sempre.

Luciano Pires: É uma mudança.

Paulo Ganime: Eu posso até sair da política um dia. Mas eu acho que a política, de alguma forma, vai ficar na minha vida para sempre.

Luciano Pires: Legal.

Paulo Ganime: Através da minha esposa. Que era repórter em Brasília. Eu a conheci, me entrevistando, na Câmara. Então, a política me trouxe isso de bom.

Luciano Pires: Foi assim?

Paulo Ganime: Foi assim.

Luciano Pires: Que legal. A gente vai falar um pouquinho mais disso aí. Você chegou lá em Brasília montado num cavalo branco. Um cavalo laranja repleto de expectativas. O Brasil olhou para aquilo e falou: tem um Partido Novo chegando aí, cheio de gente. Eu fiquei encantado com a proposta. Tanto que eu trouxe aqui um monte de gente do Novo para conversar. Eu falei: finalmente. Os caras têm um contexto legal. Tem consciência. Tem valores. Está por escrito isso. Eles estão seguindo à risca. Você chegou lá como um dos componentes desse… um dos caras que estava em cima desse cavalo laranja. E aconteceu uma porrada de coisas no meio do caminho. Então eu quero, nessa primeira parte aqui, falar um pouquinho dessa expectativa que o Brasil tinha para a chegada de um partido que prometia ser totalmente diferente dos que estão lá. Ele continua sendo diferente. Mas aconteceu uma pancada de coisa no meio do caminho. Ele esfacelou. Um monte de gente saiu. Um monte de gente ficou. Teve briga interna. Teve uma pancada de coisa acontecendo ali. Como é que está o Novo? Esse Novo é o mesmo Novo lá de trás?

Paulo Ganime: Luciano, eu diria o seguinte. É igual você começa a namorar. Você conhece alguém novo, que você fica totalmente deslumbrado. Caraca; é o melhor amigo para sempre. E depois de 20 anos juntos, você percebe que algumas coisas que eram idealistas demais, não são realidade. Mas muita coisa boa também foi construída ao longo daquele percurso. Talvez, a noção da paixão e do amor. Eu diria isso. Eu acho que o Novo, a paixão… não a minha, mas eu digo a noção de paixão, daquele: caraca. É tudo diferente. É perfeito. Não tem nenhuma falha. Hoje já não tem mais. Mas a relação de achar que é o que tem de melhor. E é ainda o melhor projeto. Com certeza: tem muito problema. Muito erro. Tem dificuldades. Mas é o processo que pode sim transformar o Brasil. E eu ainda acredito. Isso vale para o Novo e vale para a política também. Aquele idealismo, que dá para fazer tudo diferente, 100% virgem, vamos dizer assim. Ou no cavalo branco, no cavalo laranja. Acho que não é mais essa visão. Mas que dá para fazer muito diferente da maioria? Dá.

Luciano Pires: Você concorda com aquela frase que diz que política é a arte do possível?

Paulo Ganime: Eu acho que sim. Mas eu acho que não pode ser… você não pode desvirtuar dos seus valores. Então, aqueles valores sólidos. Os princípios e valores que baseiam a sua atuação pessoal, na sua vida privada, na política ou numa vida empresarial. Você não pode desvirtuar. Senão você vira mais do mesmo. Aí o novo deixa de ser novo. Paulo deixa de ser Paulo. E vira qualquer coisa. Então eu acho que você tem que manter os seus valores e princípios sempre. Isso não pode ser negociável. Agora, tem uma zona cinzenta ali, de você, às vezes falar: poxa, espera aí. Aqui eu vou atuar. O resultado é zero. Eu vou me desgastar. E não vou conseguir fazer nada de bom. Vale a pena eu fazer esse esforço? Ah, vale. Porque eu vou gerar um resultado de educação política para as pessoas. Então eu vou. Não. Isso não vai gerar resultado. Eu não vou conseguir mudar o Brasil por conta disso. Será que vale atuação nisso? Não. Talvez não. Assim, encontrando esses espaços. Aquela coisa do Romário no fim de carreira, que quase não corria. A bola que ia atrás dele.

Luciano Pires: Sim.

Paulo Ganime: Você vai encontrando aos poucos, na política. Isso vale para essa questão. Então assim, saber onde… e eu acho que tem um lado, que quando você está chegando. Você chegou num lugar novo. Se mudou. Chegou numa universidade. Numa comunidade. Numa festa. Você não conhece ninguém. O que você faz? Você fica com a bunda para a parede. Porque você tem medo do que vai acontecer. Agora, você começa a entender o ambiente. Você começa a falar: espera aí. Aqui eu posso ir. Esse cara aqui não vai ser o meu melhor amigo. Mas dá para a gente bater um papo. Dá para tomar um chope. Dá para fazer um projeto de lei. E isso que você tem que saber ir aprendendo. E nesse cenário, você começa a falar: realmente, se eu for ser o radical todas as vezes, eu não consigo fazer nada. Então, saber a hora de flexibilizar. Por exemplo, esse projeto vai passar por três comissões. Então, ao invés de eu ficar brigando na primeira comissão, que eu sei que eu vou perder. Porque ali só tem gente que pensa da forma que esse projeto quer. E o projeto é ruim. Eu falo: tá bom. Nessa aqui, eu não vou votar a favor. Aí é onde entra o limite dos seus princípios e valores. Eu vou votar contra. Mas eu não vou ficar obstruindo o projeto. Porque eu sei que na próxima comissão, eu consigo barrar mais fácil. Então é aquela noção de: seus princípios. Eu nunca votei na Câmara algo diferente do que eu acreditava. Em nenhuma votação. Agora, já teve projeto que eu falei: vale eu ficar ali brigando no plenário e fazendo discurso para algo que não agrega nada? Isso a gente começa a mudar um pouco a visão. Então é nisso. É você saber: espera aí. O João não é 100% alinhado comigo. Mas ele tem algumas coisas, que a gente consegue trabalhar junto. Então, por que eu não vou trabalhar junto com ele nesse tema? Antes, talvez, eu fosse aquele cara: não quero…

Luciano Pires: Não quero nem papo com ele.

Paulo Ganime: Não quero nem papo com ele. Entendeu?

Luciano Pires: Engraçado. A gente que olha… o político vive do voto. Ele precisa do voto para se reeleger. E para mim que estou de fora, olhando aqui, que sou o cara que vou votar. Eu não consigo ver essa nuance toda. Eu olho aqui. Eu vejo o Paulo abraçado com o Renan, eu já fico puto da vida.

Paulo Ganime: Aí é onde entra o limite.

Luciano Pires: Tá bom. Troca o Renan. Bota outro nomezinho aí vai? Ali é complicado.

Paulo Ganime: É.

Luciano Pires: Mas eu vejo você atuando em conjunto com um cara que eu não suporto. Basta para eu rotular aquilo. Tá muito fácil botar rótulo hoje em dia.

Paulo Ganime: Tá muito fácil.

Luciano Pires: Tá muito fácil a sociedade botar o rótulo, sem saber o que está se passando lá.

Paulo Ganime: Mas esse exemplo do abraço com o Renan é um bom tema. Eu rodei no Rio de Janeiro. Eu fui a 89 municípios dos 92 do Rio. Faltam três para terminar. Mas eu não fui a todos. Em todos os municípios, no meu primeiro ano de mandato, 2019, eu não procurava os prefeitos. Porque eu tinha medo. Eu falava: vão me ver junto com o prefeito. Vão achar que eu sou trambiqueiro igual aquele prefeito específico, que é. Nos últimos anos, eu ia a todos os municípios. Qualquer que fosse o prefeito – acusado de corrupção ou não, de esquerda ou não – eu ia e marcava uma reunião. Mas aí é que tá. Eu não vou estar abraçado com ele. Eu vou estar na reunião, no gabinete dele, com pessoas da minha equipe, provavelmente com pessoas da equipe dele. É uma reunião institucional. Isso eu aprendi. Eu não preciso ter medo de fazer essa reunião com esse prefeito. Porque ali ele é o prefeito. Ele não é o Renan. Ele é o senador.

Luciano Pires: Sim.

Paulo Ganime: Ele não é o Renan. Agora, você não vai me ver na farra de guardanapo com um desses caras. Mesmo que eu tenha feito um projeto superbacana junto com aquele prefeito. Porque naquele estado, naquele município, naquela região precisava de algo bacana. E eu vou fazer. O cara foi eleito, não foi? Ele é o prefeito. A população escolheu ele. Então eu como deputado ou eu como governador ou qualquer outra função, eu vou ter relação republicana com qualquer pessoa que esteja ocupando um cargo público. Porque ele está ali. Ele foi eleito. Ou foi nomeado. Não importa. Está fazendo o papel dele. Agora, você não vai me ver tomando chope, indo num churrasco na casa dele.

Luciano Pires: Não é amiguinho.

Paulo Ganime: Não é amiguinho. Essa é a diferença. Eu confesso assim, que amigo mesmo dentro da política, eu só tenho os do Novo. Me dou bem com o Rigoni, por exemplo. É um que eu acho que está ali no limite mais do coleguismo. Um Kim da vida. Há outros que eu tenho uma relação próxima. E no parlamento menos e tal. Mas assim, amigo de eu chamar para a minha casa, de dormir lá em casa e tal. Só os do Novo. Eu não tenho fora disso. E não é por preconceito. Até por que… não sei. Eu não desenvolvi essa… eu não estava ali para fazer amigo. Eu estava ali para trabalhar. Então, sempre você tem certo receio.

Luciano Pires: Sim. E é complicado. Porque quem está olhando de fora tem essa visão idílica: chegou. Agora vai quebrar tudo. É impossível a gente conversar aqui sobre política sem falar do Bolsonaro, de como está a situação. O Bolsonaro sobe com um discurso de que: eu sou contra isso tudo. Vou arrebentar tudo. E hoje ele aparece abraçado com o Collor. Abraçado com umas figuras todas lá. Eu consigo olhar para isso aí e entender o que está acontecendo. Você não sobrevive num ofidiário se não for cobra. Se entrar um ratinho no ofídio, ele vai ser comido. Entendeu? Você tem que ser cobra. Em alguns momentos você vai aparecer abraçado. Mas eu sei que um está querendo sacanear o outro ali. Os dois se odeiam. Nós cansamos de ver. A história política do Brasil é cheia de… hoje eu sou teu inimigo. Amanhã nós estamos abraçados. Porque apareceu um terceiro inimigo. Agora você Lula abraçado com Alckmin. É impossível você imaginar uma cena dessas. E está acontecendo na frente da gente. É uma dinâmica que a política exige. Não tem como não ser assim.

Paulo Ganime: Eu acho que aí você deu alguns exemplos que passam – na minha opinião – do meu limite. Eu não colocaria um cara totalmente desalinhado comigo para ser meu vice. Talvez, para ocupar uma pasta específica num secretariado, num governo, tudo mais. Que tem muito a ver com aquela atuação técnica daquele cara. Tudo bem. Agora, estar parceiro num projeto como vice, por exemplo. Eu acho que ultrapassa muito os princípios. E falo assim, se voltar nas eleições, os caras estavam se agredindo há uns anos atrás.

Luciano Pires: Há três anos atrás.

Paulo Ganime: E agora está ali, abraçadinho? Sabe? A desculpa de: o inimigo em comum é maior do que as nossas divergências. Tem um determinado limite. Eu até posso entender. Ainda mais assim: tudo bem. Num segundo turno, eu posso até escolher apoiar esse candidato. Eu inclusive sou alguém que sou contra abstenção, voto nulo no segundo turno. Eu acho que é a escolha de Sofia mesmo. Tem que escolher. E você faz parte da escolha. O fato de você não votar, você não está tirando a sua responsabilidade pelo resultado. Muitos usam para isso. Eu sou contra. Mas uma coisa é eu votar no menos pior. Ou até falar: votem no menos pior. Outra coisa é: eu faço parte do projeto do menos pior. Entendeu? É bem diferente. Isso para mim está dentro do limite que eu não tolero. Então uma coisa é: tá bom Paulo. Tem uma função técnica aqui. Você assume no governo? Posso até refletir. Agora, eu pedir voto. Eu estar ali como membro. Como vice de um cara desses, jamais. Jamais. Eu não vou falar nunca. Nunca fale nunca. Mas para mim é algo que me choca muito, esse tipo de relacionamento.

Luciano Pires: Sim. Como é que você… você se surpreendeu depois que você chegou lá? Entrou naquele ecossistema ali da Câmara? Quando você senta e começa a ver aquelas figuras televisivas, que aparecem aí a todo momento. E quando a coisa começa a funcionar. Te surpreendeu essa dinâmica de funcionamento da Câmara? Ou você, de certa maneira, já imaginava que seria assim? Só lembrando uma coisa: você é um cara que vem do mercado privado. Você é um cara de resultado. Você vem do mercado financeiro. Você é um cara que um mais um dá dois. E se não fizer direito, não vai dar dois de jeito nenhum. E você entra num ambiente onde para dar dois é difícil. Vai dar 2,5; 1,8. E é isso mesmo, assim. Como é que isso te atingiu?

Paulo Ganime: Assusta. Porque aquilo ali é totalmente improdutivo. Se fosse uma empresa estava todo mundo demitido. E a empresa teria quebrado, literalmente, inclusive do ponto de vista financeiro, o Brasil está quebrado. Os estados estão quebrados. Os municípios estão quebrados. Então, me surpreende aquilo ali funcionar. E tem um lado também. O que me surpreende positivamente: a equipe técnica é boa. Os assessores são bons. Alguns; tem também os que não são. Tem muito servidor público muito qualificado lá na Câmara. Então tem muita coisa que funciona, graças a isso. Na verdade, o mecanismo nesse sentido, muitas vezes ele pesa para o mal, sim, para o corporativismo. Para enrijecer algumas mudanças que a gente poderia ter. Mas muitas vezes, isso também faz… é um pouco como se fosse uma âncora, que não deixa também o negócio ser tão rápido, nem para o mal, nem para o bem. Então, eu acho que o funcionalismo público é técnico, é qualificado de maneira geral. Ele ajuda a fazer a máquina funcionar. Mas também ajuda a máquina a ser mais lenta.

Luciano Pires: Eu tenho um exemplo maravilhoso para isso aí. Quando a gente vê as votações e tudo mais. Está o presidente sentado na mesa lá. E está aquela gritaria. Sempre do lado dele tem um secretário da casa, que conhece o código de ponta cabeça. Sabe tudo. E vai no ouvido dele, folheia ali na hora: é assim que funciona. Esse cara que está lá não entrou anteontem.

Paulo Ganime: Não. Exato.

Luciano Pires: Esse cara não é funcionário desse presidente que está ali.

Paulo Ganime: Não.

Luciano Pires: Ele está lá há muitos tempo. E ele trabalha para o presidente que estiver tomando conta ali.

Paulo Ganime: E esse cara aí que faz o negócio funcionar. E além dele, ele tem outros ali atrás. Na verdade, se sentar qualquer um ali. Se você sentar na cadeira do presidente hoje – estou falando você, não pela sua capacidade intelectual, mas pela sua inexperiência ali – você toca uma sessão da Câmara inteira. Porque você segue o que está escrito no painel. Mais o que esse cara, que se chama secretário geral da mesa. E você faz. Qualquer um. É justamente o que faz a máquina funcionar.

Luciano Pires: E o secretário geral da mesa independe do partido?

Paulo Ganime: Na verdade, sempre são cargos de concursados, pessoas dali. Mas o presidente pode indicar. Então, quando saiu o Rodrigo Maia e entrou o Arthur Lira, ele trocou.

Luciano Pires: Ele botou um cara experiente? Um cara que conhece profundamente aquilo?

Paulo Ganime: Tanto o anterior quanto o atual são ótimos. São técnicos. E são pessoas que entendem do regimento. Entendem do funcionamento da Câmara. Então você jamais vai botar alguém ruim.

Luciano Pires: Você não vai botar um Mercadante no Ministério da Educação.

Paulo Ganime: Não. Porque senão, imagina só. Para você presidir a sessão, presidir a Câmara, aquele cara tem que ser muito bom. Porque senão, você vai ser enrolado. Então vai ter alguém que conhece melhor do regimento que você. E você vai ser enrolado. Então é natural que o presidente queira o melhor. O que varia? Por que trocou? Confiança. Mas entre um e outro…

Luciano Pires: Tecnicamente eles estão…

Paulo Ganime: Eles são… claro, pode ter um pouquinho de desvio entre um e outro. Mas claro. Tem a confiança. Tem um pouco, às vezes, o que o cara topa também. Porque o regimento na Câmara é quase sempre seguido. Diferente até se você for na ALERJ ou na Câmara Municipal, no Rio. Não sei como é aqui em São Paulo. Se você for lá falam que o regimento não é muito usado. É muito mais acordo do que regimento. Na Câmara não. O regimento funciona 90% do tempo. Mas quando o presidente quer o regimento não é respeitado. E aí esse secretário geral da mesa, ele também tem um nível ali de princípios e valores, que ele vai falar para o cara: aqui não dá.

Luciano Pires: Daqui não dá para passar.

Paulo Ganime: Não dá para passar. O outro vai falar: dá para ir um pouco além. Entendeu? Ele vai ter aquela noção, aquela visão da lei, no caso, do regimento, até mesmo da Constituição. A gente baseia muitas discussões na Constituição. Tem o regimento da Câmara. Tem o regimento do Senado. Tem o regimento comum, do Congresso Nacional. Então o cara vai falar: não. Está vendo? Tem uma virgulazinha aqui, que se a gente interpretar diferente, você pode tomar essa decisão. Tem secretário que vai falar: presidente, aqui você está ultrapassando os limites. Ninguém nunca fez isso. Entendeu?

Luciano Pires: Mas termina um pouco aquela tua… como é que foi? Você ficou frustrado? Você entendeu que era assim? O jogo te assustou? Você olhou aquilo e falou: meu Deus do céu, onde é que eu me meti?

Paulo Ganime: Eu diria que deve ser tipo corredor de maratona, que nunca correu. E que começa a correr. Está empolgadão. E os primeiros metros são fáceis. Porque você se preparou, treinou e tal. Porque o início foi muito bom. O início foi fácil. Os temas eram bons. Reforma da Previdência. Liberdade econômica. Tudo acontecendo. O governo com a pauta liberal. A gente também. O Brasil animado com a eleição. Sabe? Aquele momento de: está tudo funcionando.

Luciano Pires: O noivado.

Paulo Ganime: O noivado.

Luciano Pires: Lua de mel.

Paulo Ganime: E muito mais fácil. E como a expectativa era baixa. Era tudo mais fácil do que a gente imaginava que ia ser. Eu achava assim: poxa, eu sou deputado de primeiro mandato, do Rio de Janeiro, sou novo. Eu vou chegar ali, as pessoas vão falar: quem é você? Não vai ter espaço. Não vai ter nenhuma possibilidade de aprovar nada. E aí você chega e tem uma questão da Câmara que é legal, assim, os deputados – raríssimas exceções, mas é muito raro mesmo – alguém vai olhar para você e vai falar: você está aqui agora. Você está chegando agora. O que você fala é menor do que o que eu falo. Eu estou aqui há 10, 20 anos. Ou: eu tive um milhão de votos. Você teve 53 mil votos. Então o meu voto vale mais que o seu. Não tem isso. Não tem. Raríssimas vezes alguém usou isso. E é mal visto quando usa. Então você chega ali achando que vai ser pisoteado. E todo mundo te trata bem. Tem espaço. As coisas acontecem. Você fala. Faz um discurso. Pega bem tanto ali, quanto na rede social. Daqui a pouco está todo mundo te procurando para defender pauta que você defende. Porque viram que não tem ninguém defendendo aquilo ali. Então você começa a ganhar força, o que você não imaginava. E a gente consegue fazer muita coisa com isso. Mas nessas pautas que são superimportantes para o país. Mas que, às vezes, são menos…

Luciano Pires: Midiáticas.

Paulo Ganime: Midiáticas. Então, por exemplo, pauta de energia. É uma pauta que eu fui muito atuante. Hoje eu sou – sem nenhuma falsa modéstia – uma das referências dentro da Câmara na pauta de energia. Desde a Lei do Gás. Em todos os outros temas ligados à pauta de energia. Eu sou uma das referências. Por quê? Porque era um tema que ninguém estava dando muita atenção. Inclusive esse ano, quando o tema ganhou mais holofote, eu já estava com evidência no tema, porque eu tinha trabalhado nisso, sem ninguém ter dado tanta atenção. Agora, quando você vai votar esses temas que são mais pesados e polêmicos, o que o presidente quer aprova. Aí você vê: caraca. Como é difícil mudar. Então essas pautas estruturantes, que são pautas boas. Quando inclusive a gente está junto com o que o presidente da Câmara o ou o presidente da República querem. Você ganha destaque. Porque a gente fala bem. Discursa bem. Tem argumentos técnicos. Ou até mesmo quando a gente quer bater de frente, para ir contra. E, às vezes, a gente até ganha destaque porque é contra. Tem espaço na mídia. Mas não consegue evitar. Nós somos oito do Novo. Além de nós, em algumas pautas tem mais uns 10 que votam junto com a gente. E tratora mesmo.

Luciano Pires: Se você pudesse botar numa estatística, 100% do teu trabalho, do teu tempo. Quanto desses 100% você é zagueiro? Quanto você é atacante? Quanto desse tempo você está impedindo que coisas ruins aconteçam? E quanto é construindo coisas legais?

Paulo Ganime: Eu diria que deve ser meio a meio. Porque se eu botar só o trabalho na Câmara, o trabalho legislativo. Aí eu diria que é mais da metade sendo zagueiro. Ali eu trabalho na comissão. Eu trabalho no plenário. É muito zagueiro. Na comissão então, que é um trabalho legal, que eu gosto, porque é onde você tem mais debate, tem mais discussões. É muito zagueiro. Só que como tem um trabalho do deputado que vai além do trabalho na Câmara, que é a parte de… eu rodo o estado do Rio de Janeiro todo. Sempre rodei. Tem a parte de emenda parlamentar. Tem a parte de fiscalização. E também, eu articulei. Por exemplo, a Lei do Gás, eu fui um dos articuladores para aprovar a Lei do Gás. Então a gente fazia entrevista, programas, eventos, seminários. Fora da Câmara também. FIRJAN no Rio, aqui em São Paulo. Então se você juntar essa parte do trabalho, o marco legal das startups. Governo digital. Se você pegar todas essas pautas grandes que a gente aprovou. Foram muitas reuniões, eventos, entrevistas, debates, para aprovar. Para botar o tema em evidência. Para dar destaque para aquela pauta e fazer com que aquela pauta fosse aprovada. E aí isso equilibra um pouco o jogo. Agora, realmente, de terça a quinta ali, que são os dias que você fica ali na Câmara, envolvido em comissão. 70% é zagueiro.

Luciano Pires: Eu trouxe a Ilona Becskeházy. Ela fez uma entrevista, que para mim é um clássico do LíderCast. E ela contou ali: teve um momento que eu descobri que eu tinha que ler 100% do que botavam de papel na minha mão. E eram pilhas diárias. Que se eu não lesse, ia passar absurdo. Um atrás do outro. Porque os caras embutem. Uma atrás da outra.

Paulo Ganime: Mas eu acho que ela estava com a assessoria errada então. Porque se você botar assessores bons, técnicos e de confiança…

Luciano Pires: Eu acho que não deu tempo de ela montar essa assessoria. Chegou um momento que ela estava enlouquecida. Ela falou: e passa. E se minha assinatura estiver lá quando passar. Quando estourar a bomba. É no meu CPF que vem a encrenca.

Paulo Ganime: É. Tem um lado que ela tem razão. Porque quando você está no executivo e se você for ordenador de despesa então, a responsabilidade cai em cima de você. E claro que têm interesses às vezes, escusos ou não, para colocar coisa ali dentro. O famoso jabuti no prédio. Entra jabuti também em outras coisas. Então a responsabilidade nesse caso é um pouco maior. Eu não sou ordenador de despesa. Claro, sou até. Mas dentro do… nem sei se considera formalmente. Mas assim, despesa de viagem. Contratação de assessor. Mas não com a relevância que ela tem.

Luciano Pires: Tem um pedacinho do orçamento secreto para você?

Paulo Ganime: Não. Mesmo se tivesse, eu ia recusar. Mas até mesmo as emendas parlamentares, eu não sou considerado ordenador de despesa da emenda. Eu só encaminho para quem vai executar. Então quem é o ordenador mesmo é o município. É a universidade. É a instituição. Ou até o ministério que é responsável por aquela atuação. Então eu só vou lá e digo: esse orçamento vai para tal lugar. Entendeu? Então é claro que do ponto de vista reputacional, se você manda para uma ONG que depois comete algum caso de corrupção, você tem alguma…

Luciano Pires: Você está envolvido. Sim.

Paulo Ganime: Mas não do ponto de vista administrativo. Então é diferente. Então nesse ponto ela tinha razão de ser um pouco mais rigorosa. Mas eu voto, às vezes, 50 projetos de lei, numa comissão, no mesmo dia. Então, muitas vezes, você lê o resumo que o seu assessor passou para você, com a análise dele. Tem que confiar. Claro que no início, eu era um pouquinho mais detalhista. Eu queria ler tudo. Até para criar confiança com o assessor. Mas depois que você gera essa confiança. Que o alinhamento não é só também técnico e jurídico. Mas também de ideias, de princípios. Como é que eu voto nesses casos? De vez em quando, acontece de eu olhar o projeto, a nota técnica e falar: está estranho. Aí eu vou abrir o projeto de lei para ler, no detalhe. Mas muitas vezes, eu me inspiro só no que está na nota técnica.

Luciano Pires: Teve algumas encrencas aí que aconteceram. Eu me lembro do teu colega Alexis vir a público para dizer: assinei um treco, imaginando que era uma coisa. E no fim era outra. E aí a turma cai de pau em cima dele: porra, como é que tu assina sem ler? Não sabe o que está acontecendo? Com você aconteceu alguma coisa parecida? Não teve alguma coisa assim?

Paulo Ganime: Não. Já aconteceu de eu comunicar mal alguma coisa. Isso já aconteceu. Dois projetos meus. Na verdade, eu não era nem o dono do projeto. Eu era o relator do projeto. E eu fiz um parecer. Teve um lá no início, em 2019, que era sobre sonegação de imposto. Desculpa. Na verdade, era sobre lavagem de dinheiro. E os caras entenderam que era sobre sonegação. E aí o pessoal que acha que imposto é roubo. Que tem um bando de criptomoeda e não declara. Achou que o meu projeto, que o meu relatório podia pegar o pessoal de cripto. E não tinha nada a ver. Porque o termo técnico para lavagem de dinheiro é ocultação de bens e serviços. E aí o pessoal achou que ocultação de bens e serviços é o cara que em cripto, que tem bitcoin e não declara. Ele estava ocultando. Não. É lavagem de dinheiro. Se você sonega não é lavagem de dinheiro. É outro crime. Não tem nada a ver. E aí o projeto era sobre isso. Eu comuniquei mal. Interpretaram mal. Um cara de um blog de bitcoin, famoso, viu o meu projeto e tal. Não sei por que, falou lá: o Ganime está querendo pegar quem…

Luciano Pires: Tem cripto.

Paulo Ganime: Cripto. E não tinha nada a ver. Aí ele depois corrigiu. Justificou. Pediu desculpa. Mas depois que está feito…

Luciano Pires: Está feito.

Paulo Ganime: De vez em quando vem alguém me falar. Mas não tem nada a ver com isso. E o segundo foi mais recente. Mas eu reagi rápido e estanquei a polêmica. O projeto tratava de negócio ligado a armas. E ele queria endurecer a pena para quem cometesse crime e tudo mais. E criava algumas questões que dificultava também para ter acesso à arma. E eu fiz um parecer mudando todo o projeto. Era ruim o projeto. E apresentei um parecer no sentido totalmente contrário. No enrijecimento de pena, até que eu mantive o enrijecimento de pena, caso o cara faça besteira com a arma. Mas eu facilitei o cara ter o porte de arma, tirando o item que tem a subjetividade do porte de arma. Eu tirei isso da Lei do Desarmamento. Do Estatuto do Desarmamento. Eu tirei essa subjetividade. O cara tem que explicar por que ele tem que ter arma. Então mantive o critério técnico: tem que ter análise psicológica. Análise técnica. Isso eu não mexi. Mantive o que estava lá. Mas tem um item, um dispositivo que falava que o cara tem que justificar que ele precisa da arma. E aí a Polícia Federal, o exército, quem dá posse de arma fala o seguinte: eu acho que o fulano não tem. Porque não precisa. Não tem que explicar por que precisa. Claro. Tem que ter condição de ter um porte de arma. Mas explicar por que, não. Só que a matéria do site da Câmara pegou como se tivesse aprovado o projeto original. E aí um site liberal fez uma manchete dizendo que eu estava enrijecendo o porte de arma. Aí teve um influenciador que postou. Quando eu vi isso aí, eu falei: como assim? Porque me mandaram no WhatsApp. Aí eu fui entender. Aí a gente conseguiu que os dois apagassem. A Câmara mudou o texto. E pacificou. Mas não foi algo que eu assinei. Não foi nada que eu… mas foi a comunicação. Como eu não comuniquei isso de forma muito grande. O pessoal rapidamente comunicou por conta própria. E aí comunicou errado. Esse foi erro técnico mesmo. Absurdo sabe? O cara pegar um texto. Ao invés de pegar o texto final, que era o texto que estava sendo aprovado. Ele fez a matéria em cima do texto original.

Luciano Pires: Você sofre pressões ali. Você tem a pressão do teu eleitorado, que está lá o tempo todo te cobrando algumas coisas. Você tem a pressão do partido, que têm alguns interesses e quer que você atue. Deve ter a pressão dos colegas de bancada, que deve fazer fila para vim te pedir para assinar isso, assinar aquilo e tudo mais. Como é que essas pressões batem? Você escuta o barulho da rua? Deixa eu melhorar essa pergunta aqui. Quando eu estou lá na frente, em Brasília, gritando no meio da rua, xingando, etc. e tal. Chega em você esse barulho? Não o ruído em si. Mas essa pressão popular da turma… o Lula outro dia falou que a gente tem que ir na casa dos deputados, chegar lá na frente, pressionando a mulher e o filho do deputado. O que é um absurdo. O cara não chega a tanto. Eu estou preocupado com o aqui. Você escuta a minha voz lá?

Paulo Ganime: Escuto. Escuto bastante.

Luciano Pires: Como que você escuta?

Paulo Ganime: Muda voto.

Luciano Pires: Como que você escuta isso?

Paulo Ganime: Cada parlamentar vai reagir de uma forma diferente. Tem gente que vai fazer manifestação lá na Câmara. Isso chega também. Um pouco menos. Porque é bem isolada a Câmara e tal. Mas quando vão para a porta das comissões e tal, isso gera ruído. Mas chega mensagem no Instagram. Muita mensagem a gente recebe no Direct. Comentário nas nossas postagens. De vez em quando chega no WhatsApp.

Luciano Pires: Você lê teu Instagram?

Paulo Ganime: Leio. Não sou eu que respondo tudo. Mas eu leio quase tudo. Principalmente quando não é mala direta, vamos dizer assim. Eu costumo ler. Até para entender o que está acontecendo. Mas a minha reação a isso? Eu nunca voto alguma coisa que eu discorde ou que eu concorde contra a minha opinião, por conta dessa pressão. Nunca. Por quê? Porque os nossos princípios e valores são muito claros. Então, isso serve para, às vezes, entender melhor um tema. Isso acontece. Então alguns temas, a gente tem uma visão baseada em algumas evidências. Às vezes chega informação. E a gente fala: espera aí. Tem alguma coisa aqui que faz sentido. Quando não faz, a gente tenta comunicar melhor. Esse é outro ponto: eu garantir que a minha comunicação seja correta. Agora, a gente já cansou de votar tema que a opinião pública era totalmente favorável, 500 deputados quase votaram a favor. E eu estava sozinho, junto com o Novo, votando contra. Então essa pressão não chega ao ponto de eu mudar o meu princípio, o meu valor e votar a favor ou contra alguma coisa, por conta dessa pressão. Os outros deputados mudam.

Luciano Pires: Vale a pena eu continuar fazendo a pressão?

Paulo Ganime: Vale à pena. E aí tem muita pauta, inclusive dessas grandes, que eu disse que, às vezes, a gente não consegue evitar. E que a gente conseguiu evitar por conta dessa pressão. Eu vou dar um exemplo recente. Tinha um projeto, uma PEC, eu acho. Era PEC. Que era para mudar o Conselho Nacional do Ministério Público. Que ia gerar. Fortalecer um órgão de controle do Ministério Público, com gente do Congresso. Ia fazer com que os procuradores não pudessem atuar para combater corrupção, resumindo. O Ministério Público tem problema. Ele tem problema. Mas ele também é um órgão superimportante no combate à corrupção. E aí era a PEC da vingança. Inclusive os próprios deputados que queriam aprovar estavam chamando de PEC da vingança. O presidente Lira botou para votar. E perdeu no voto. Isso é raríssimo acontecer. E por que ele perdeu no voto? E por muito pouco. Eu não me lembro se foram oito votos ou algo parecido, cinco votos. Por que ele perdeu no voto? Porque era um negócio absurdo. Quem ia votar a favor, estava votando a favor – na maioria – ou porque estava querendo essa vingança. Ou porque tinha medo dos líderes dos seus partidos, dos presidentes dos seus partidos. Então, muita gente votou a favor, sendo contra, por conta dessa pressão. Só que alguns começaram a fazer a conta: espera aí. O que é pior? Eu perder o apoio do meu partido? Perder o fundo eleitoral? Ou perder meu eleitor? E alguns votos foram mudados por conta disso. Por conta dessa pressão. Tiveram outras coisas mais. O jabuti lá do gasoduto, do Brasduto, que é um absurdo o que estão querendo colocar. Tentaram na Lei do Gás e não conseguiram. Tentaram na MP da [inint00:38:34], não conseguiram.

Luciano Pires: O que é? Explica um pouquinho.

Paulo Ganime: É construir um gasoduto para trazer gás lá das plataformas de petróleo para alguns lugares, que o investimento, ele se faz de uma forma mais orgânica, mais espontânea. E não com um investimento público, com um grande gasoduto. O negócio é que são 100 bilhões de reais que vão ser pagos por nós, ou na conta de luz, ou através de imposto. E é um negócio que é para atender o interesse de um empresário de São Paulo, sendo bem claro. E esse empresário tem acordo com deputados. Eu não tenho provas. Eu não tenho nada aqui para falar nomes e tudo. Mas assim, todo mundo sabe. E ia entrar. E só não entrou porque há pressão popular. Na última tentativa agora, que eles fizeram que foi no Projeto 414, na PL 414, a imprensa ajudou também. Então teve um repórter que começou a colocar coisa no jornal. Pode até ter passado do limite em alguns pontos. Porque ele acusou algumas pessoas sem prova também. Mas se ele não tivesse posto o bode na sala…

Luciano Pires: Não tinha transparência e o negócio ia por baixo do pano.

Paulo Ganime: E esse tema, ninguém vê. Não tem transparência. É um negócio meio… eu conheço deputados que iam votar sem saber no que estavam votando. E quando a imprensa começou a dar visibilidade. O pessoal falou: está chato aprovar isso. Ainda mais que estava na época de aumento de conta de luz e tudo mais. O pessoal falou: opa; vamos segurar. Mas foi graças à pressão. Nesse caso, foi da mídia. Já teve casos que foi da rede social. Então tudo isso impacta sim. Muda o jogo. Principalmente quando nós estamos sozinhos lá. Eu estou falando nós: eu, o Novo e mais uma meia dúzia de gato pingado, que tenta fazer a coisa certa. Se não tivesse o apoio popular, mesmo os deputados que não são envolvidos com aquilo, eles deixam votar. Ou votam de acordo com o que o líder manda. Mas não estão nem aí. Sabe? Então assim: deputado “x”, ele não é corrupto. Ele não está envolvido naquilo. Ele não vai ganhar dinheiro. Não vai ganhar voto. Mas ele não quer esse estresse. Ele nem sabe no que está votando. É um tema técnico, complicado e tal. Como é que tem que votar? Tem que votar assim. Então ele vota assim. Aí quando vem a pressão popular. Quando vem a mídia. Quando vem isso tudo. O cara: espera aí. O que a gente está votando aqui? Eu estou vendo essa matéria aqui. Está chegando para mim. Eu estou recebendo um monte de mensagem no Instagram, no WhatsApp, falando que se eu votar isso, eu estou sendo corrupto. Eu estou sendo conivente com tal tema. Aí o cara: opa. Espera aí. Deixa eu analisar melhor. Aí ele vota contra.

Luciano Pires: Por isso a pressão é importante.

Paulo Ganime: Agora, não precisa ser pressão – que eu já sofri; que não mudou o meu voto nem nada – me xingando.

Luciano Pires: Ameaçando.

Paulo Ganime: Ameaçando. Chamando de alienígena. Eu já fui chamado de tudo que é coisa. A minha esposa também já foi agredida verbalmente por gente no WhatsApp, no Instagram. Isso, eu acho que nem com os que eu discordo. Eu não recomendo isso para ninguém. Não é isso. É falar da pauta. É falar do tema. É falar mal dele porque ele está votando aquilo ali. Não agredir. Não falar ofensa. Uma vez teve uma pauta, que o cara falou que se eu fosse para Minas, e eu fosse na cidade dele, ele ia me enfiar o cacete. Aí depois alguém deve ter dado um conselho para ele. Ele veio pedir desculpas.

Luciano Pires: Que coisa. Eu bati um papo com você, logo que você assumiu. Você contou: eu estive fora do Brasil. Eu trabalhei. E resolvi que eu ia entrar nessa aqui, porque tive um chamado, etc. e tal. Você recomenda para qualquer brasileiro que tenha condições de entrar nessa briga? De ir para Brasília e assumir? Eu não digo transformar aquilo na sua profissão de vida. Mas apareceu a oportunidade? Vá. Participe. E faça. Isso é recomendável? Ou é só para quem tem talento? Só para quem está a fim? Deveria ser uma missão? Se eu não me engano, eu conversei com o Alexei. E ele falou para mim: eu sou empresário. Eu entrei lá, porque alguma coisa tem que mudar. Mas eu não tenho muita expectativa se eu vou continuar lá. Se eu vou ficar ou não? Se eu tiver que sair na próxima, a minha missão está cumprida. Uma parte eu fiz. Eu fui lá e botei a mão na massa. Eu não fiquei sentado, xingando só.

Paulo Ganime: Luciano, eu recomendo. Até o processo de eleição já é um grande aprendizado. Você aprende muito sobre pessoas. Sobre o seu país, o seu estado, o seu município. Você aprende sobre você. Porque você está vendendo um produto. E o produto é você. Então você tem que conhecer bem esse produto. É um baita aprendizado. Só a eleição já vale o esforço. Sendo eleito, mais ainda. Agora, eu acho que não é uma questão de talento. Porque, pegar os oito deputados do Novo. São oito deputados totalmente diferentes. Alinhados nos princípios e propósitos, na visão de mundo. A votação quase sempre não tem discórdia. Mas atuação diferente. Então você tem o Marcel que vai para o plenário e faz discursos lindos, que todo mundo vibra e tal. Você tem o Lucas que vai para o bastidor, articulação e tudo mais. Você tem a Adriana, que aprova projeto pra caramba. Porque ela tem o jeito dela. Que é chata pra caramba, eu falo isso para ela também. Ela é aquela pessoa insistente, perseverante. E enche o saco de todo mundo até aprovar o projeto dela. Você tem o Alexis que vai para o lado mais técnico. Ele pauta reforma tributária, Brasil competitivo. O Gilson é o zagueiro lá da comissão CCJ, Comissão de Constituição e Justiça. Eu não citei todos. Mas todos com características mais diferentes. São pessoas diferentes. Então: eu não sei falar em público. Tudo bem. Você vai ter que falar de vez em quando. Mas se o seu talento não é ir para a tribuna fazer discurso. Não tem problema. Você tem atuação para fazer. Eu não sou tão técnico. Mas você fala bem em público? Vai falar em público. Entendeu? Então tem espaço para todos os perfis. Agora, o que você não pode ser? Bom. Primeiro: tem uma pressão psicológica grande. Então você tem que ter certo preparo psicológico para aguentar o rojão. É cansativo. Tem que ter também a disposição para aguentar isso. E oura coisa: você tem que ter muita firmeza no propósito. Porque as coisas ali acontecem. E se você não for firme, você deixa as coisas acontecerem. E você estar num partido como o Novo ajuda. Porque você está cercado de pessoas com os mesmos princípios. Então, a gente vai votar um tema polêmico. Que não é polêmico para a gente. Mas é polêmico para o resto da população. Você nem pensa duas vezes. Você não tem nem discussão se a gente vai votar contra ou a favor. A gente sabe como vai votar. Mas se você está em outro partido vai ficar aquele diabinho ali no seu ouvido falando: não. Mas você vai perder voto. Aí você começa se subverter. Eu tenho oito assessores. Agora estou com menos até. Aí você fala o seguinte: bota 25, que é o teto. Bota 25. Porque é para botar gente no seu gabinete no seu estado, para fazer campanha para você. E aí você fala: mas isso é errado e tal. Aí chega alguém. Aí você fala: mas bota. Porque depois vai te ajudar na próxima eleição. Aí você começa. Se não for o partido que vai exigir alguém para você. Então, se você não estiver no projeto certo. Eu não estou falando só do Novo. Mas o Novo tem essa barreira. Tem essa proteção. Se você não estiver com as pessoas certas. Se você não estiver próximo da sua família, dos seus amigos. Sabe aquela coisa? Isso vale para o jogador de futebol. Vale para o político. De você manter a cabeça no lugar. Vale para você falar o seguinte: eu tenho que estar próximo daqueles que estiveram próximos comigo a minha vida toda. Porque é isso que mantém vocês são do ponto de vista psicológico. Até porque, Brasília… não estou falando Brasília como um todo. Mas assim, ali, a Câmara, é um mundo à parte. Você vive numa bolha. Então é importante também você voltar para o seu estado. Estar na rua, acordar. Então assim, se você tem condição de fazer isso, vá. Porque vale à pena. É uma experiência incrível. E se a pessoa é do bem. Quer fazer as coisas certas. Conhece algum assunto ou gosta de aprender. Ela vai ser muito melhor do que qualquer um daqueles que estão lá para roubar. Então assim, não ser bom em alguma coisa não é o motivo para você não ir. Porque ali o que tem mais é gente ruim num montão de coisa. Mas só você ter princípios e valores corretos e firmes, vale muito à pena.

Luciano Pires: É. Um bom caráter, que não tem competência técnica. Ele ocupa o espaço do mau caráter que tem competência técnica.

Paulo Ganime: Pelo menos é zero a zero. Não é negativo ali. Inclusive Luciano, eu acho que você podia pensar nisso na próxima eleição.

Luciano Pires: Eu?

Paulo Ganime: É.

Luciano Pires: Mas aí, quem vai fazer o Café Brasil? Quem vai fazer o LíderCast? Não dá para fazer. Não tem como. Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do ecossistema Café Brasil, que você conhece acessando mundocafebrasil.com. São conteúdos originais distribuídos sob forma de PodCasts, vídeos, palestras, e-books e com direito a grupos de discussão no Telegram. Torne-se um assinante do Café Brasil Premium através do site ou pelos aplicativos para IOS e Android. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente, de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida. Repetindo: mundocafebrasil.com. Meu caro, aí não contente então com esse rolo todo, com essa confusão toda de ser um deputado federal. Em algum momento passa diante de você, a possibilidade de se candidatar a governador pelo Rio de Janeiro. Eu não consigo pensar em nenhuma posição pior no Brasil. Talvez, a posição que o Bolsonaro ocupa hoje seja tão ruim quanto. Porque eu nunca vi ninguém apanhar 24 horas por dia, todos os dias, 27 por sete. Mas o Rio especialmente é uma coisa… da onde pintou isso? Da onde vem essa ideia?

Paulo Ganime: Eu acho que o Rio é pior que o presidente da República. Eu acho. Não sei pela exposição. Mas pelos problemas que têm. Eu acho que é bem pesado. Da mesma forma que a minha entrada para a política não foi um estalo. Não foi um raio que caiu e falou. Deus que veio falar comigo e tal. A minha decisão de ser candidato ao governo também não foi repentina. Eu não pensava. Quando eu fui candidato em 2018, não era um plano de carreira. Na próxima eleição ou daqui a oito anos, eu me candidato ao governo. Não. O máximo que eu pensava era, de repente, em 24 me candidato a prefeito, ou mais para o futuro. Até eu tinha mais essa visão de ser prefeito. E não por conta do tamanho, nem por conta da dificuldade de ser eleito. Mas porque eu acho que o trabalho de prefeito é legal. É mais resultado rápido. Dá resultado rápido. Eu gosto disso também. Mas então assim, a minha trajetória foi muito… eu gosto de ser deputado. Essa é uma pergunta que muita gente faz: mas você está indo para candidato ao governo, por que você não quer mais ser deputado? Não. Eu gosto. Se tivessem eleições em períodos separados, eu me candidataria aos dois e tal. Mas qual é o ponto? Eu vi na política do Rio, do Brasil, a necessidade… deixa eu voltar, na verdade. Eu vou retroceder aqui. Quando eu fui candidato a deputado federal, eu não pensava em ser candidato a deputado federal. Eu pensava: a política está uma grande M. O Rio de Janeiro está um grande problema. Eu quero ajudar. Como é que eu ajudo? E eu já era filiado ao Novo. Então o processo já… isso nós tivemos no nosso outro bate papo. Assim, eu já era filiado ao Novo, acompanhava o projeto, tinha Lava-Jato. Tinha tudo isso que estava acontecendo. Eu falei assim: eu quero ajudar a política. Aí tinha eleição em 2018 para quê? Para deputado federal, deputado estadual, governador, senador e tal. O Novo não ia lançar deputado estadual. Ia lançar só deputado federal. Então eu falei assim: é um cargo que dá para eu ajudar. Já é meio loucura. Mas não vou ser candidato ao Senado, nem ao governo, nem a presidente da República, claro. Vou ser candidato a quê? A deputado federal. Que era o mais simples ali, que eu podia fazer. E as pessoas falaram: Paulo, você é maluco. Você não vai ser eleito deputado federal na primeira eleição. É maluquice. Fui. Mas eu não entrei ali pensando: quero ser deputado federal. É: quero ajudar. Onde que eu posso ajudar? Como deputado federal. Hoje quando eu olho para o Rio, eu falo: o que eu posso ajudar mais? Como que eu posso fazer com que as coisas aconteçam de uma forma melhor no Rio? E isso tudo provocado… eu acho que foi… eu falei que não teve um estalo. Não teve uma fagulha. Mas o que mais se aproximou disso foi o afastamento do Witzel do cargo de governador. Quando começou em 2020 o processo de impeachment. Ali eu falei assim: caraca. Não é possível. Depois de cinco anos, dois presos. A gente tem um sexto afastado. E aí você fala assim: caraca. O que a gente está fazendo? O que eu estou fazendo para mudar isso? Essa realidade? O meu trabalho de deputado é importante. Mas eu estou contribuindo? Eu pensei: eu não preciso ser candidato ao governo. Eu vou ver quem pode ser candidato ao governo, dentro dos meus princípios e valores. E que possa mudar essa realidade. Aí fui conversar com o Trindade, que tinha sido candidato ao governo pelo Novo, com o Fred, que foi candidato a prefeito. Com outras pessoas que pudessem ser. O Bernardinho, que quase foi em 2018, que é um cara superreferência para a gente, do vôlei. Então eu fui conversar com essas pessoas. Ninguém queria. Por fatores diferentes, mas ninguém queria. E eu falei assim: a gente não pode entrar nessa eleição em 2022 lançando alguém novo, novato, no sentido. Que não tem chance de ganhar. Só para lançar. A gente vai eleger quem? Vai eleger esses nomes que estão aí? Vai ter mais um governador preso? Mais um governador envolvido em corrupção? Assim não dá. Aí eu pensei também: se eu venho candidato ao governo, eu ajudo a eleger deputados federais. Por quê? Porque eu vou estar no debate. Eu vou estar na mídia. Eu vou estar usando o meu nome para puxar voto para os deputados federais. Então, eu acredito muito que a minha candidatura é para ganhar. Ela é para mudar esse ciclo de seis governadores seguidos. Eu tenho 39 anos. Eu acho que o último governador que a gente teve…

Luciano Pires: Que não foi preso?

Paulo Ganime: Que não foi preso. Foi quem? Foi o…

Luciano Pires: Brizola.

Paulo Ganime: Brizola. Que não foi preso, mas foi um dos motivadores do problema de segurança pública do Rio de Janeiro hoje.

Luciano Pires: O que acontece no Rio?

Paulo Ganime: Luciano, eu não consigo analisar se sempre foi assim. Outro dia eu estava assistindo. Eu tenho que terminar de assistir na Globoplay, Doutor Castor. Você já assistiu?

Luciano Pires: Já. Eu já assisti.

Paulo Ganime: Eu assisti o primeiro episódio.

Luciano Pires: Eu assisti inteirinha.

Paulo Ganime: Eu fiquei assim…

Luciano Pires: É a série que conta a história do Castor de Andrade, que foi político, foi presidente de clube de futebol, presidente de escola de samba.

Paulo Ganime: Isso.

Luciano Pires: Ele tinha toda uma… o cara era um mafioso. Um grande mafioso, com uma organização gigantesca. E essa série mostra que ele é amado. Ele é odiado. Ele faz bem. Ele faz mal. E você termina aquilo sem saber direito: esse cara, eu devo aplaudi-lo? Eu devo agradecer? Ou torcer para ele estar no inferno? Você termina assim.

Paulo Ganime: É. Eu acho que está mais para a segunda opção.

Luciano Pires: É.

Paulo Ganime: Porque é o que acontece hoje no Rio. O traficante, o miliciano e vários políticos e bandidos e tal. São mais ou menos isso. O cara vai lá, faz o bem para ter poder. E faz o mal…

Luciano Pires: Isso é histórico Paulo. Eu ajudei a lançar um livro. Eu fiz uma exposição gigantesca, sobre Lampião.

Paulo Ganime: É? Ótima ideia.

Luciano Pires: Eu fiz uma puta pesquisa, maravilhosa. Eu peguei um pesquisador que estudava o Lampião há 40 anos. E eu fiz a pergunta para ele: vem cá, Lampião era do bem ou era do mal? E ele não conseguiu chegar numa conclusão. Ele falou: depende do lado que você escuta. Se você escutar as pessoas que ele ajudou ele era um santo. Os caras que ele matou, ele era um horror. Então, eu não consigo definir se era ruim ou bom?

Paulo Ganime: Mas o totalitarismo seja ele do Estado, ou seja de uma…

Luciano Pires: De uma pessoa…

Paulo Ganime: Não pode ser bom.

Luciano Pires: Sim.

Paulo Ganime: Não justifica o meio. Sabe? O fim não justifica o meio. Então, eu não consigo aceitar em nenhum desses casos, seja o Castor, seja o traficante de hoje, o miliciano de hoje ou o Lampião: ah não, mas o cara fez o bem. Tá bom. Não é assim que você faz o bem. Porque esse bem que ele está fazendo é um bem populista. É um bem de curto prazo. É um bem assistencialista, que está fazendo com que as pessoas continuem reféns daquilo ali.

Luciano Pires: É. Tem a tese que esse bem que ele está fazendo é para defender um mal maior, que é o mal do Estado, etc. e tal. E aí vai. Mas aí tudo bem. Não é essa a discussão que eu quero colocar aqui.

Paulo Ganime: Não.

Luciano Pires: Mas eu te perguntei o que acontece no Rio de Janeiro?

Paulo Ganime: É. Então? Mas eu falei da série do Castor, porque na época então, o bizarro na série, ele está – Castor de Andrade, que já era conhecido como bicheiro, contraventor e tudo mais – de repente, ele aparece no Programa do Jô, sendo entrevistado. E ele aparece nos programas esportivos do Globo Esporte falando sobre futebol. O que eu quero dizer é que desde aquela época, não era um negócio por baixo dos panos. Não era um negócio que o cara da favela do Rio, que hoje aceita o remédio do traficante, porque senão o pai ou a filha morrem. E ele sabe que aquilo ali é bandido. E sabe o que ele está fazendo ali. Tá bom. Está ajudando a comunidade. Mas não é um cara do bem. O Castor estava na Globo. O Castor estava no SBT. O Castor estava aparecendo como um cara normal.

Luciano Pires: Ele não era um pária.

Paulo Ganime: Não era um pária. E hoje a gente tem algo quase igual na política. Mas até menos caricato do que era o Castor. Então eu fico pensando: é de hoje? É de sempre? Como que essa história se construiu? Mas o que eu vejo é que essa ocupação da política por essas pessoas foi acontecendo, acontecendo, acontecendo, num nível que não se vê em nenhum lugar do Brasil. Num nível em que a corrupção, a violência, elas estão ligadas. A economia do Rio está cada vez mais ligada também. A economia real, a economia produtiva é cada vez menor. A economia do crime, seja do crime tráfico de drogas, seja do crime do miliciano. Mas também as empresas que, de alguma forma, fazem lavagem de dinheiro, fazem sonegação. Eu não estou falando sonegação do cara que está fugindo do Estado, que é inimigo. Eu estou falando do cara que usa aquilo ali para se dar bem mesmo. Sabe? Assim, você tem todo um processo hoje que engoliu o estado do Rio de Janeiro. É aquela coisa assim: corrupção tem em todo lugar do mundo. Esses problemas que a gente está falando? Tem em todo lugar do mundo. Só que nos outros países, seu corpo está ali, você está com um machucadinho e tal. Você está no máximo, tomando um remédio. No Rio, é quase que uma metástase.

Luciano Pires: Então, não tem um estereótipo do malandro carioca? Que é dos anos 40, 50? Isso já é folclore no Brasil. Se perguntar: define o carioca? É o malandro. Define o baiano? Baiano faz tudo devagar. O baiano é preguiçoso. Define o paulista? O paulista é mal-humorado. Define o gaúcho? O gaúcho é aquela coisa de querer ser o machão. Então o estereótipo do Rio de Janeiro é o malandro carioca.

Paulo Ganime: Mas Luciano, tem uma coisa da malandragem, que até um determinado nível, ela é boa. Você gera soluções. Você é criativo. Você quer se dar bem. Mas quer se dar bem, não contra o outro. É o cara que é o inventor. É o inventivo. E tem um pouco isso também no liberalismo e tudo mais. Você fala o seguinte: a pessoa ser egoísta, querer se dar bem, tá ok. O que você não pode é tirar do outro.

Luciano Pires: Me dar bem a qualquer custo, passando por cima do outro?

Paulo Ganime: Por cima do outro.

Luciano Pires: O jeitinho pode ser excelente. Eu vivi muito isso aí. Porque eu trabalhei numa empresa norte-americana. Eu trabalhei muito com os gringos. Eu vi a capacidade do brasileiro. O brasileiro não se aperta. Não dá para ir por aqui. Eu vou por ali. Eu tenho um case maravilhoso. Nós estávamos fazendo uma proposta para ganhar um projeto grande com a Volkswagen. Era um orçamento grande. Era um negócio muito novo, um módulo inteiro do Gol, etc. e tal. A empresa que ganhasse teria que botar uma fábrica perto da Volkswagen lá em Taubaté. E a gente foi. E até a última hora, a gente acabou que ganhou. E quando ganhou, tinha que botar a fábrica assim, a toque de caixa. Os americanos falaram: é impossível. Com esse deadline que vocês têm aqui não dá. Não dá para fazer a fábrica. E não dá para entregar o job one na data que está aqui. E a gente falou: bom. Nós vamos tentar. E nós fizemos. A gente foi. Na data certa estava lá. Entregamos. Os americanos vieram aqui e disseram: como é que vocês conseguiram? A gente fez. Deixa eu ver o projeto. Deixa eu ver o orçamento. Que projeto? Que orçamento? Não era para fazer? Nós fizemos. Sai da frente. E aí derrubou o que tinha que derrubar. Entrou. Foi para cima. E fez. Entrevistei aqui nessa tua cadeira aí o Osíris Silva. Ele me contando a história toda. E ele conta a história do nascimento da Embraer. Quando você escuta ele contando, ele fala: a gente fez o negócio. Eu saí do gabinete do então ministro da Fazenda, o Delfim Neto, com o cheque. Um cheque milionário para fundar a Embraer. E nem conta no banco tinha. Porque a empresa não existia. A gente foi lá e um general me falou: vai ser aqui. E a gente foi lá e construiu o negócio ali. Eu falei para ele: tem alguma chance de isso acontecer hoje em dia? Ele falou: de jeito nenhum. Porque a gente foi com o peito, com a coragem. Pegou e construiu. Esse atributo, a gente não pode nunca perder.

Paulo Ganime: É isso.

Luciano Pires: A gente pega. Vai e faz. Agora, tem um momento em que isso extrapola. Então eu posso dar jeitinho para qualquer coisa. E isso passa a incluir: não vou respeitar a lei. Não vou respeitar a fila. Você é o mais gostosão. Eu sou mais esperto que os outros. E vou passar por cima.

Paulo Ganime: É. O problema está aí. Quando você, por exemplo: eu estou passando fome. Eu estou sem dinheiro. Eu estou sem emprego. Eu vou vender uma bala no sinal. Legal. Até aí eu não acho que você está fazendo nada demais. Claro, garantindo que aquela bala não foi roubada e tudo mais. Mas vamos considerar que está tudo certo. Aí eu quero botar uma barraquinha. Onde é que eu vou botar? Tudo bem. Eu posso até pensar individualmente. O cara vai botar uma barraquinha no meio da rua. Não está atrapalhando ninguém? Não está atrapalhando o fluxo? Não está atrapalhando o trânsito e tudo mais? Daqui a pouco, aquela barraquinha está em frente à loja que vende o mesmo produto.

Luciano Pires: Que paga imposto, etc. e tal.

Paulo Ganime: Aí você já começa a ultrapassar esse limite. Ou não está mais na calçada. Está no meio da rua, atrapalhando o trânsito. Qual é o limite do aceitável? O Rio passou do limite do aceitável. Então essa inventividade, o cara está se virando para resolver os seus problemas. Para não estar roubando. Ou para não estar morrendo de fome. Legal. Mas você também não pode estar sacaneando o outro, que está querendo fazer a mesma coisa que você. A mesma coisa. Tá bom. Você é um cara que é professor de história. Está precisando de emprego. Aí você tem um amigo que trabalha no governo que sabe que está faltando professor de história ali e tem uma vaga temporária e tal. Posso dar aula de história ali? Beleza. No privado acontece isso. Você indica um para o outro, relacionamento e tal. O cara vai lá dar aula de história. Tudo bem. Podia ter sido um concurso. Mas é uma vaga temporária, que tinha que resolver rápido e tudo mais. Só que na verdade, daqui a pouco é o seguinte: tem uma vaga de professor de história. Eu sou professor de matemática. Posso ir ali? Tá bom. Mas aí eu vou entrar para dar aula de história. Eu chego na sala. Eu não sei nada de história. Eu sei de matemática. Não dou a aula. Aí o aluno não tem aula. Alguém está pagando o salário. Às vezes, você nem vai para a sala de aula. Você fica em casa recebendo o seu salário. Então assim, a nossa flexibilidade vai até um limite. A indicação política, por exemplo, não tem nenhum problema. Eu tenho um baita engenheiro, que entende tudo de infraestrutura. Que entende tudo de transporte. E você fala: Paulo conhece esse cara? Ele é o melhor do Brasil para ser o seu Secretário de Transporte. Você me indicou. É uma indicação. Aí eu vou lá e contrato o cara. Não. Você vai lá, indica seu primo, seu sobrinho, que nunca fez nada na área, de outra área. Eu boto ele para ser Secretário de Transporte. Isso não pode. E o Rio hoje é isso. Não é mais aquela coisa: tá bom. Vamos fazer aqui. Aqui mesmo, no governo federal. Tereza Cristina era uma deputada. Mas que entendia tudo do assunto que ela estava tratando. Qual o problema de ser uma indicação política? Mesmo que não tenha sido. Mas alguém político ocupando uma vaga técnica. Se ela entende do assunto? O próprio Mandetta. Independente das polêmicas que vieram depois. Mas era um médico que entendia de saúde, no Ministério da Saúde. Qual o problema? Então você ocupar cargos técnicos com pessoas políticas. Eu não tenho aversão à política. Ainda mais se eu quero que todo mundo entre para a política algum dia. Eu estou falando num mundo utópico. Até porque não tem cargo suficiente para isso. Todo mundo um dia ser político. Agora, você não pode ter alguém que não entenda do assunto, naquilo ali. E o Rio é uma bagunça nesse sentido. Você vê um governo que bota um cara que não entendia nada, de Secretário. Esquema de corrupção. Agência Reguladora do Rio, de gás e esgoto. De gás e saneamento, a AGENERSA. Nomearam um delegado de polícia para essa agência. O que ele entende de regulação? Nada. Nada. Passou um tempo, o cara foi preso. Envolvido num esquema com um bicheiro. Ele é o exemplo perfeito do que é imperfeito ou é absurdo no Rio. Porque ele foi uma indicação política para um cargo técnico, sem entender nada do assunto e ainda era envolvido com um esquema…

Luciano Pires: Eu tenho um caso. Eu entrevistei o Confúcio Moura quando ele era governador lá de Rondônia. Ele contou. Ele falou: eu assumi o governo aqui. Quando eu botei na mão na Secretaria da Saúde, que eu olhei o que era aquilo, eu nomeei um delegado de polícia como Secretário da Saúde. Porque aquilo era uma quadrilha. E a única forma de desbaratar uma quadrilha era com um delegado de polícia. Ele foi. Quando ele botou ordem. Eu troquei ele por um médico.

Paulo Ganime: Nesse caso fazia sentido até.

Luciano Pires: Tem um objetivo aí.

Paulo Ganime: É a exceção da regra. Voltando a esse ponto do Rio. Você olha as opções políticas, o descaso político, a corrupção. O Rio de Janeiro já foi 4º lugar do IDEB em educação básica. Hoje é o 20º o estado do Rio. Segurança pública. Ranking do CLP, que faz o ranking de competitividade, Rio é o 27º em segurança pública. Ou seja, é o último lugar do ranking de segurança pública. Quando você fala de responsabilidade fiscal, o Rio está entre os piores. Transparência, o Rio é o 16º. Todos os indicadores hoje, sociais do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro é um estado do Sudeste. Foi até o principal estado do Brasil. Já foi 2º.

Luciano Pires: Ele foi capital do Brasil.

Paulo Ganime: Ele foi capital do Brasil. Hoje economicamente está em 3º. Santa Catarina vai passar em breve. O Rio vai ser o 4º. Mas pensando nos indicadores sociais, o Rio hoje ficou para trás em relação ao centro-sul do Brasil. O Rio é o pior estado em todos os indicadores sociais, entre todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. E alguns do Norte e Nordeste na frente do Rio. Mas por que isso? Você está comparando, por quê? Porque são estados que historicamente tinham problemas sociais ligados à seca, ligados à fome. Você vai para o Amazonas, por exemplo, a distância para você chegar no município. Você tem que andar de barco ou de avião. Você não tem estrada e tudo mais. O Rio de Janeiro não tinha esses problemas. O Rio favelizou. As pessoas não têm moradia. As favelas são dominadas pelo tráfico, pela milícia. E isso tudo está organizado hoje com gente dentro do governo. Com as empresas que lavam dinheiro para esses… você acha que o que eles geram de dinheiro fica parado na favela? Traficante não é rico. O traficante que está ali com o fuzil na mão. Esse cara está com lancha em Angra. Está com casa em Angra. Na Barra da Tijuca, no Leblon. Até em São Paulo, se bobear. Hoje o Rio é um dos principais exportadores de drogas para a Europa.

Luciano Pires: Então Paulo quando você olha o Rio de Janeiro, me parece que são duas coisas distintas ali. Você tem a cidade do Rio de Janeiro e tem o estado do Rio de Janeiro. A gente quando fala Rio, logo vem na cabeça o Corcovado, o Pão de Açúcar. Aquela cidade maravilhosa. E continua lindíssima. Quando você entra dentro dela, ela fica feia. Ela fica muito feia. Passa da Nossa Senhora de Copacabana, o bicho pega ali. Começa a ficar muito feia ali. E aí você tem o estado do Rio de Janeiro. Que para mim é uma coisa desconhecida. Quando você fala Rio de Janeiro. Têm quatro, cinco cidades. Não. Aquilo é uma coisa desconhecida. Tem a parte onde tem as praias, ali para cima. Mas e para dentro do Rio? Esse quadro que você passa dessa bagunça toda é a cidade do Rio de Janeiro ou é a cidade como um todo?

Paulo Ganime: Eu diria que a região metropolitana é mais parecida. Porque a Baixada é até mais perigosa, com mais problemas sociais que a capital. A própria cidade do Rio tem a zona sul. Zona sul, Barra e Tijuca têm seus problemas também, até por conta da violência. O Rio tem uma característica diferente de São Paulo e de muitos municípios. Aqui você tem a periferia. Lá no Rio você não tem a periferia.

Luciano Pires: Você tem o morro.

Paulo Ganime: Você tem o morro. E a favela, a comunidade, está dentro do bairro nobre. Aqui é separada. Então isso tudo tem o lado bom, até cultural ou até de: você convive. É muito menos segregado. O Rio é uma cidade menos partida, nesse sentido, porque a convivência é maior. Isso é legal até.

Luciano Pires: Eu acho que foi o Mota que eu ouvi falando. Ele contando da diferença da favela paulista para a favela carioca. A favela carioca parece que tem luz. Ela está iluminada. Ela está exposta. A paulista é soturna. Ela é escura. Ela é muito mais escondida.

Paulo Ganime: Isso aí. Isso é o lado bom disso. Mas o lado complicado é que você vai falar: mas Ipanema é seguro. Mas tem uma favela do lado. Então também não é tão seguro assim. E hoje está com muito roubo de pedestre. Roubo na rua. Se você olhar os índices de violência. Assassinatos e mortes violentas diminuiu. Muito também por conta da pandemia. Muito também por conta de que algumas organizações criminosas estão brigando menos. Algumas cresceram muito. Tem menos briga entre eles. Mas assalto na rua está gigantesco. Hoje você vai perguntar para uma pessoa que vem de fora do Rio, que vai para o Rio para visitar. Vários recebem a recomendação: desinstala do celular os aplicativos do banco. Porque está tendo o golpe do PIX. Então você chega lá no Rio. Felizmente não aconteceu comigo. Você chega lá. O cara não vai roubar seu celular só. É quase um sequestro relâmpago. Ele vai falar assim: abre aí o aplicativo e faz um PIX para mim. Isso é em qualquer lugar. Só que quando você sai da zona sul, da Barra, que ainda é um pouco cinturão de prosperidade, perto do resto. Você vai para a zona norte ou para a zona oeste. Zona oeste é a origem da milícia no Rio. Você vai para a zona norte. Tem pobreza. Têm bairros bons. Mas você tem mais pobreza. Aí você vai para a Baixada, para São Gonçalo. São Gonçalo é o 2º município mais populoso do Rio. É muito complicado. A violência é pesada. É desemprego. Tudo isso. Esse é o Rio mais complicado. Só que a UPP lá atrás teve coisas boas. Mas ela fez uma coisa também: ela espalhou parte da violência. Então, por exemplo, a região da Costa Verde, que é Angra, Mangaratiba, Paraty, que não tinha tráfico, não tinha criminalidade. Tráfico sempre teve. Mas eu digo: domínio territorial do tráfico. Elas começaram a ter algumas facções. Mesmo São Gonçalo, Niterói. Algumas que estavam nas zonas antes, que foram ocupadas depois pelas UPPs, os traficantes saíram e foram para lá. E a gene ainda teve o caso recente – que não é o que fez o Rio ficar do jeito que está, mas contribuiu para o aumento da criminalidade – aquela decisão do STF, do Fachin, que proibiu operações em favelas. Tem uma certa desinformação em relação a esse tema. Ela não proíbe. Ela dificulta. No início praticamente proibiu. Porque todo mundo ficou com medo. Só que, o que acontece? Quando você olha, você fala: proibiu. Mas a gente está vendo aí várias operações. Tiveram algumas operações recentes, que até foram polêmicas. Morreu gente e tudo mais. Por quê? Tem que ter autorização; tem que ser informado e tudo mais. Então a grande operação, essa mais midiática. Inclusive que na minha opinião é usada também para fim eleitoral. Ela é organizada. É planejada. O cara vai lá e consegue organizar. Consegue ter autorização. E faz. Mas a operação, por exemplo, motoboy está trabalhando. Tem a moto roubada. Aí o cara vai para a favela. O motoboy vai lá para a polícia e pede para interceptar a moto dele. Ir atrás da moto. Ele sabe onde está a moto dele. Porque ele tem o localizador. Essa operação que não é uma operação. É atuação momentânea. Essa o cara não consegue ir.

Luciano Pires: A polícia não pode entrar. Não pode ir buscar a moto do cara lá?

Paulo Ganime: Não pode ir buscar. Ainda mais que aumentou tanto o poderio deles, que o cara se entrar ali, dependendo da favela, ele está sendo…

Luciano Pires: A gente está vendo aí. O pessoal usando artilharia antiaérea contra helicóptero. Virou guerra. É uma guerra. Eles estão… e você quer botar a mão nisso? Você é completamente louco bicho.

Paulo Ganime: É. Eu acho que sim. Eu acho que tem um pouco de loucura. Um pouco de idealismo. Um pouco de missão. Um propósito. Soma isso tudo. Luciano, eu penso assim: se ninguém fizer. Se eu não fizer. Quem vai fazer? Eu gostaria que tivesse mais gente fazendo. Eu gostaria de não precisar fazer. Mas eu me incomodaria muito de não fazer nada. Ainda mais depois que eu entrei para a política. Eu falo isso: o cidadão que não é político ou que não está envolvido com a política, ele tem sua responsabilidade de votar, de pesquisar, de cobrar, de estudar, tudo isso. É responsabilidade de todo cidadão. É sua, da Sara, minha esposa. É de todo mundo. Ela é minha. No momento que você entra para a política, a sua responsabilidade aumenta. Mal comparando, é igual a um médico. Antes de ser médico, ele não é médico. Ele foi lá e estudou medicina. Quando ele estudou medicina, qualquer pessoa que passar mal do lado dele…

Luciano Pires: Ele tem obrigação de cuidar.

Paulo Ganime: De cuidar. Então eu me sinto meio como se fosse um médico. Eu estou vendo o Rio de Janeiro morrer. Está ali passando mal. E eu sou político já. Eu tenho voto. Eu tenho acesso. Eu tenho tudo. E eu estou vendo o Rio de Janeiro morrer e eu não vou fazer nada? Então é um pouco isso. Claro, se tivesse outro, competente, com vontade, qualificado para fazer isso, talvez eu não fosse. Porque eu não entrei para a política para ser político. Eu não entrei para a política como profissão. Eu entrei para ajudar. Eu entrei meio que: o cara estava passando mal ali, o pessoal. O Rio de Janeiro. E aí eu entrei para isso. Eu sou deputado federal. Mas eu estou vendo: isso aí não está salvando o paciente. Ou não é o suficiente para salvar o paciente. É importante? É. Agora eu preciso fazer algo mais. Eu tenho uma consciência também, de que ok, eu não sou o salvador da pátria. Eu não sou mito. Eu não sou nada disso. Tem gente, talvez, mais qualificada que eu. Tem gente. Mas eu tenho disposição, vontade. Estudei, me preparei. Conheci o Rio. Eu rodei pra caramba. Eu tenho experiência profissional prévia. Eu tenho experiência na política. Então eu tenho um preparo que pouca gente tem no sentido amplo. E eu tenho vontade. Se não, o que vai ser? Vai deixar o Rio na mão do Freixo?

Luciano Pires: Você não é mais pré-candidato? Você já foi anunciado como candidato?

Paulo Ganime: Eu já fui homologado.

Luciano Pires: Já foi homologado. Você é o candidato a governador pelo Rio de Janeiro, pelo Partido Novo?

Paulo Ganime: Isso.

Luciano Pires: Você já tem um plano? Já desenhou um plano? Já vai publicar um plano? Como você está fazendo isso?

Paulo Ganime: Sim. Nós, desde janeiro, quando eu fui escolhido pelo partido. Na verdade, começou até um pouco antes isso. A gente começou a montar um plano de governo com vários especialistas, pessoas técnicas, que conhecem de cada tema. A gente pegou e separou: saúde, segurança, educação. E botou pessoas que entendiam do assunto para cada tema. E a gente foi montando esse plano. Mês passado – ou início desse mês agora, eu não lembro – a gente lançou isso para a população. Tem um site inclusive, quem quiser entrar lá pauloganime.com.br/planocolaborativo. E lá tem as diretrizes. Não tem o plano completo.

Luciano Pires: Alguém do nosso grupo lá botou um elogio aqui para você, para dizer. Foi muito legal. Eu tenho visto que ele soltou uma enquete, pedindo para as pessoas que tivessem sugestões, para que mandassem para ele.

Paulo Ganime: Exatamente. Então nós fizemos isso com especialistas. Agora abriu para a população. E a ideia agora é consolidar essa versão final como nosso plano. Agora Luciano, sinceramente, o plano de governo mesmo – que é o que a gente vai executar – a gente vai terminar de construir. Claro que aí são os princípios e os valores. Como a gente vai. Uma vez que ganhar a eleição você vai começar a transição. E vai olhar lá dentro. Agora, claro, 2018 eu fui candidato a deputado federal. Eu tinha o meu “plano de governo”. As minhas propostas. Eu não fui contrário àquilo ali. Eu estou seguindo aquilo ali. Mas eu entrei em nível de profundidade. Adaptei alguma coisa. Eu falava muito de geração de emprego e renda. Mas não tinha pauta econômica… desculpa. A pauta de energia dentro da minha proposta. Mas para o Rio, gerar emprego e renda passa pela área de óleo e gás, energia e tudo mais. Então eu só descobri a importância disso. E como eu tinha uma atuação importante no Congresso…

Luciano Pires: Quando você botou a mão ali.

Paulo Ganime: Quando eu botei a mão naquilo ali. Então no governo, a mesma coisa. Nós sabemos que vai melhorar a polícia. Combater a sonegação e a lavagem de dinheiro desses grandes caras, que fazem isso para alimentar a máfia, a corrupção e tudo mais. A gente vai investir em educação profissionalizante. Educação profissionalizante para mim é o grande segredo para dar uma mudança no Rio. Porque hoje, muito jovem não tem trabalho. Porque não tem formação. Não tem capacidade para trabalhar. Então eu não estou falando de faculdade, nem ensino técnico.

Luciano Pires: Sim. Você está falando o que a Alemanha faz há séculos.

Paulo Ganime: Exatamente.

Luciano Pires: Eu vou te dar um diploma técnico e você sai dali com uma profissão.

Paulo Ganime: É isso. E dá para fazer isso rápido, muito rápido. E isso transforma. Porque você tira o garoto da rua. Você tira o garoto da criminalidade. Você bota ele para ajudar a alimentar a família. A pagar a conta de luz. Você bota esse garoto também para atrair empresa. Porque tem muita empresa que não está ficando, não está crescendo no Rio porque não tem mão de obra qualificada. Então, a gente quer fazer uma cadeia, uma esteira produtiva, para esse garoto, essa moça ter formação. Ter como se formar. Ter como investir se quiser empreender. Ter como trabalhar depois. Esse é o nosso grande plano para a parte econômica, que impacta a segurança. São os dois pilares. Eu falo dessa questão. Mas é a pegada da educação na parte econômica. Então isso tudo está misturado. A segurança pública do Rio não tem uma causa só. Não é só um problema de polícia. É um problema social. É um problema de moradia. É um problema de educação. Tem muita coisa para colocar. E a gente precisa mudar isso.

Luciano Pires: Sim. Não é um ou outro. Mais escolas, menos presídios. Não. Espera um pouquinho. Não é um ou outro.

Paulo Ganime: E tem que ter mais presídios também. Presídio hoje é a escola do crime. E tem que mudar isso. Eu sou engenheiro de produção. Eu trabalhava com metodologia de gestão, essas coisas todas. Você não resolve um problema pegando o grande bloco de problemas. Você pega aquilo ali e divide.

Luciano Pires: E fatia.

Paulo Ganime: E fatia. E vai resolvendo cada fatia. Faz um Pareto. Pega ali divide e vê. É assim. Então, você não vai resolver todos os problemas de uma vez só. E o estado tem uma capacidade de mudança, que nenhuma outra coisa tem. E você vai transformando aos poucos. Eu vou pegar esse problema. Mesmo o caso de moradia, para exemplificar. Você vai para a Rocinha no Rio, você tem casas ali que estão estabelecidas, que são boas casas. Mas que não tem título de propriedade. Não tem o registro. O que você tem que fazer? Dar o registro. Regularização fundiária. A Casa Verde e Amarela também ajuda nisso, na regularização fundiária. Não é só a questão do Minha Casa Minha Vida, de crédito. Têm pessoas que estão em lugares ali dentro que não pode morar gente. Tem tuberculose. Não tem saneamento.

Luciano Pires: Está na beira de um lugar onde cai. Tem deslizamento e tudo mais.

Paulo Ganime: Inclusive tivemos em Petrópolis recentemente. Você não vai registrar a casa dele. O que você vai fazer? Dar uma moradia para o cara. Aí você pega esse mesmo cara. Você divide em dois, três, quatro, cinco. O que for. Porque tem um, que se você falar para ele: eu vou te dar um crédito subsidiado. Você vai conseguir pagar a sua parcelinha. Esse cara consegue pagar. Você tem que fazer esse programa de moradia popular. Tem o outro cara que não tem dinheiro. Você tem que dar um aluguel social. Mesmo na moradia popular você vai ter vários… então assim, para o mesmo problema – que é a moradia – você não tem uma solução só. Imagina para todos os problemas do Rio. Tem que melhorar a formação do policial. Tem que melhorar a Corregedoria, para combater também o bandido que se faz de policial. Tem que fazer isso tudo. Tem que mudar a escala de trabalho. Tem que dar armamento adequado. Policial hoje no Rio quase não tem carro blindado. Como é que você trabalha no Rio de Janeiro? Alguns estão com aquela frente blindada. Mas o carro não é blindado como um todo.

Luciano Pires: Paulo: leva quatro anos só para entender os problemas que estão acontecendo.

Paulo Ganime: Luciano, eu não pretendo dizer aqui, nem prometer que eu vou resolver todos os problemas em quatro anos. Eu acho que é mudar o norte. É mudar o rumo do Rio. Se você olhar o governo Zema em Minas, que é do Novo, do meu partido. O que foi a principal mudança lá em Minas? A principal de todas? Credibilidade. Com credibilidade, você muda quase tudo. Não é a credibilidade no sentido: ah, bonitinho. Não. Arrumadinho. Não é isso. É credibilidade nas ações, no exemplo, no gesto. Você chega e fala: eu botei um secretariado bom. Você ganha credibilidade. Ele atraiu em quatro anos, quase 300 bilhões de reais. Coisa que o antecessor dele tinha atraído – sei lá – 10 ou 20. Eu não lembro. De investimento. Por quê? Porque tinha credibilidade. As empresas não querem trabalhar no Rio. Ou por conta da segurança. Ou por conta da infraestrutura. Ou por conta da falta de mão de obra. Mas também por conta da falta de credibilidade. Quem presta serviço público não vai querer trabalhar com um governo corrupto. Quem não presta está sujeito aos órgãos de fiscalização, de controle, que são muitas vezes, corruptos. Então você tem que voltar a falar: aqui é lugar de gente séria. Isso é uma questão de ordem.

Luciano Pires: Eu entrevistei a Hortência do basquete, uma vez. E ela contou para mim. Elas ganharam das cubanas em Cuba, aquela vez lá. E ela contou uma coisa interessantíssima, que eu não tinha imaginado. Ela falou: a gente entrava em quadra, perdendo no uniforme. A gente perdia no uniforme. A gente já entrava com uniforme pior. Com preparação pior. Com tudo pior. O tênis era pior. Tudo era ruim. A gente já entrava perdendo. E quando aconteceu aquele negócio. Estavam jogando. Chegou na hora do intervalo, que elas estavam sentadas lá. Falaram assim, escuta: nós chegamos até aqui. O que sobra fazer? Vamos ganhar esse jogo. Entraram e ganharam o jogo. Que é exatamente essa mudança do mindset. Nós estamos entrando em jogo perdendo. A cabeça diz o seguinte: eu não vou ganhar esse jogo. Eu estou entrando perdendo. E se você conseguir mudar isso aí para recuperar o que tinha. O Rio dos anos 60, que era a cidade maravilhosa. A música é a melhor do Brasil. O samba é o melhor do Brasil. Tudo que estava acontecendo aqui. O Rio contaminava o Brasil culturalmente com o que tinha de melhor que esse país tinha para acontecer.

Paulo Ganime: Luciano, eu estou com 39. 20 anos atrás, eu viajava com os meus amigos para passar carnaval. Coisa de garotada e tal. As pessoas falavam do carioca com admiração. Era até legal ser carioca naquela época. Hoje as pessoas falam o que do Rio? É chacota. Você está falando dos anos 60. Eu estou falando dos anos 90, 2000. De 20 anos atrás. E o próprio carioca. Quando você fala da corrupção no Rio, não é aquela coisa: eu não aceito corrupção. É: todo mundo é corrupto mesmo. O cara já está resignado.

Luciano Pires: Culturalmente o carioca comprou o rótulo. Comprou esse estereótipo. E aí vai ser difícil viu?

Paulo Ganime: E o cara que não se adapta hoje. Está todo mundo ali. Caiu o caminhão ali com comida. Vai todo mundo pegar. O cara que não vai, ele é o otário. Ele que está errado. Não dá. Não pode. E não é a maioria. E eu acho que o exemplo muda isso. O exemplo vem de cima. E a gente tendo um exemplo: aqui agora, a gente está fazendo um negócio certo. Tem que trazer a população para perto. Tem que trazer a mídia para perto também.

Luciano Pires: Isso que eu ia te falar. A imprensa era fundamental para…

Paulo Ganime: A imprensa é fundamental.

Luciano Pires: Para levar. Eu me lembro que aqui em São Paulo estava tendo uma discussão uma vez, com o problema da violência em São Paulo, aquela loucura. E eu não me conformava. Eu falava: por que até hoje o governador do estado não chamou os donos das maiores agências de publicidade. Os donos das redes de televisão. Botou todo mundo numa sala e falou: ajuda a gente a arrumar isso aqui. A polícia não é bandida. Nós temos que dar um jeito que a população entenda, colabore. E a gente construa uma segurança melhor aqui. Mas eu dependo de vocês. O pessoal da agência: me ajuda com a campanha de comunicação. Vocês da mídia me ajudem com a divulgação disso aqui tudo. Eu falei: por que até não aconteceu isso? Ou será que aconteceu e ninguém está nem aí? Se ninguém está nem aí é complicado. Sozinho o governo não vai conseguir.

Paulo Ganime: É. Eu acho que fora do governo – como eu estou hoje- eu tento fazer algo assim. E muitas vezes, as pessoas falam: estou contigo. Estou dentro. É isso aí. Você vai ser meu candidato. Eu vou te apoiar. E tudo mais. Eu: legal. Como você pode ajudar? Não, então? Mais para frente a gente vê. Eu sinto muito que muita gente quer que isso aconteça.

Luciano Pires: Mas não quer se envolver.

Paulo Ganime: Não quer se envolver. Não quer se expor. Por quê? Porque como a máquina lá. E como tudo está tão ligado ao governo de alguma forma. O empresário, as pessoas que têm alguma relevância no Rio hoje, econômica.

Luciano Pires: Não querem se colocar em risco nenhum.

Paulo Ganime: Não querem se colocar em risco nenhum. Por quê? Porque se ele me apoia hoje e eu não sou eleito, amanhã ele está ferrado. Alguns não. Alguns estão brigando com a gente. Mas muita gente não tem coragem de assumir e colocar o deles na reta e falar: estamos juntos. Vamos mudar esse negócio.

Luciano Pires: E se não tiver esse lance do: estamos juntos. Vai ser complicado mudar.

Paulo Ganime: É.

Luciano Pires: Meu caro: batemos o nosso timing aqui, de papo. Qual é a tua mensagem para as pessoas que nos ouviram aqui. Para os teus colegas cariocas. Para o povo do Rio de Janeiro. Como é? O que você tem a dizer?

Paulo Ganime: Eu vou começar a falar um pouquinho lá do nacional, que foi o início da conversa. A minha mensagem é que eu tenho muita esperança. Eu acredito muito que nós temos ondas. E que se a gente aproveita algumas dessas ondas, a gente consegue passar e resolver os problemas. Eu acho que a gente teve uma oportunidade muito grande no início do governo atual. Era uma onda em que a população, o governo, tudo estava acontecendo para ir por esse caminho. E a gente se perdeu por vários fatores. Desde polêmicas, pandemia e tudo mais. Mas eu acho que, se em algum momento, a gente retomar. Se tiver um novo pico com commodity alta. Até mesmo agora, a gente aprovou várias reformas estruturantes importantes, que a gente ainda não viu resultados. Marco legal das startups, Lei do Gás, cabotagem, saneamento, tudo isso. Pode ser que daqui a pouco, isso aí dê um boom. Só que o grande ponto é esse: o país tem que estar unido para pegar isso aí e falar: vamos embora. Se tiver, eu acho que a gente consegue avançar. A gente teve vários pontos de oportunidades ao longo da nossa história recente, que a gente não soube aproveitar. Eu acho que a liderança é importante nisso. E eu acho que esse é o papel também nosso, seu como um influenciador. Eu hoje como político, como cidadão também. É pensar o seguinte: nós temos que fazer a nossa parte. A gente tem que assumir um protagonismo. Na eleição todo mundo tem voto. Nas redes, todo mundo tem o seu papel, perfil e tudo mais. Não tem nada que é impossível. Eu não era ninguém como político. E fui eleito deputado federal. Claro, não é fácil. Mas não é um negócio assim: é algo intocável. Algo impossível. Então eu acho que a política é feita por pessoas. Então se as pessoas participam como puderem: na comunicação, como cidadão, na rede social. A gente consegue fazer as mudanças que a gente precisa. O que não dá é parar e aceitar a derrota. Isso para o Rio, eu acho que é mais forte ainda. A maioria que eu converso meio que aceitou a derrota. E acha que não tem jeito. Será que não tem jeito? A gente vai continuar vivendo assim? E o ponto do Rio é que se a gente continuar vivendo do jeito que está. Não vai ficar do jeito que está.

Luciano Pires: Vai piorar.

Paulo Ganime: Vai piorar. A gente não está numa coisa de estabilidade. A gente não está estável na merda. Desculpe o termo. A gente está afundando na merda. Não está parado. Está uma bosta. Mas está parado. Não. Está afundando. Está submergindo. E o negócio vai ser cada vez pior. Daqui a pouco não vai ter lugar no Rio que o Estado entre. Vai ser só milícia e tráfico. Eu não sei se chegar nesse ponto, a gente vai ter uma grande…

Luciano Pires: Convulsão social…

Paulo Ganime: Convulsão social, com forças armadas. Alguma coisa que vai mudar isso aí. Pode ser que aconteça. Mas eu acho difícil. Porque as pessoas vão se acostumando. O caranguejo ali na água fervendo e não vai vendo. Esse é o Rio. O Rio não aconteceu do nada. Foi aos poucos. E deixou do jeito que está. Mas se a gente não fizer nada vai ficar do jeito que está. E tem que acreditar. Tem que fazer. Tem que ir lá. Eu vou fazer a minha parte. É difícil? É. Mas se cada um fizer a sua parte, a gente consegue mudar essa realidade e pegando o boi, cortando em pedacinhos. E resolvendo o pedacinho aos pouquinhos. Eu estou confiante. Eu sou muito otimista. Realista também, em alguns momentos. Mas eu acho que o otimismo e o realismo não são antagônicos. As pessoas, às vezes, acham que otimismo e o realismo são antônimos. Mas não. O antônimo de otimismo eu acho que é pessimista. Então você pode ser otimista e realista; que não é impossível. Essa é a minha situação. E aí também, eu acho que quem quiser já tem meu contato. Mas entra em contato com a gente nas redes sociais. Tem meu WhatsApp também, que sempre passo também. É o meu pessoal: (21) 99260-3030. Pode entrar em contato também. Sou eu que respondo. E vamos mudar isso aí. Obrigado.

Luciano Pires: Repete o teu site. Pauloganime.com.br/?

Paulo Ganime: Plano colaborativo.

Luciano Pires: pauloganime.com.br/planocolaborativo. Maravilha.

Paulo Ganime: Isso aí. Se não achar, manda WhatsApp também, que a gente está recebendo. Tem ideia para tudo lá. O pessoal está participando. É bem legal. Cai dentro e mudar esse negócio. É uma coisa interessante Luciano, que você falou: três anos atrás, a gente estava aqui conversando. Eu sendo um deputado iniciante, com um nível de motivação. Hoje eu não estou frustrado. Eu não estou resignado. Tem um lado de frustração sim. Tem um lado que está P da vida sim. Mas tem o lado: tem que fazer mais ainda. É aquela coisa, eu acho que é uma responsabilidade. Talvez não. Mas é uma responsabilidade juvenil que eu tinha, talvez, em 2019. Talvez eu tenha uma responsabilidade até mais responsável.

Luciano Pires: É. Você está querendo levar para outro patamar ainda. Você vai botar a mão no… você sai do legislativo e vai para o executivo. O bicho pega. O problema no Brasil nunca foi o executivo. Ele não é o problema principal. Têm outros problemas. Hoje em dia, se for a nível federal, o problema do Brasil é judiciário. É o legislativo. E depois vem o executivo. É tudo atrelado lá. Mas se você está com esse brilho no olho para fazer acontecer. O Rio de Janeiro precisa. Se eu estivesse lá, meu voto já seria seu.

Paulo Ganime: Obrigado. Luciano, eu acho que o executivo tem muita força. Eu concordo contigo que não dá para botar toda a ficha no executivo. Mas que o executivo tem muita força. É uma máquina pesada, inclusive para manobrar o próprio legislativo. Então o executivo consegue fazer muita coisa. Eu acho que hoje no Rio para a gente conseguir mudar não adianta a gente tentar eleger 70 deputados estaduais, por exemplo, que é a nossa ALERJ. Eu acho que o nosso governo consegue. E o exemplo de Minas é um bom exemplo. A gente está mudando Minas. Depois da destruição do Pimentel do PT, a gente está conseguindo mudar muita coisa. Inclusive peço para as pessoas que estão ouvindo a gente que tenham atenção aos cargos do legislativo. Mas o executivo consegue ser a condução desse processo também.

Luciano Pires: Legal. Tendo uma liderança forte. Está aí. Obrigado pelo convite. Boa sorte nessa tua missão.

Paulo Ganime: Obrigado.

Luciano Pires: Não vai ser fácil. Até porque tem uns ali que estão na fila, concorrendo, que o bicho é brabo. Mas eu espero que você consiga. Eu espero que muita gente escute isso aqui. E tenha a consciência de que sozinho você não vai conseguir fazer nada. Se o povo do Rio de Janeiro não se levantar e falar: isso que nós estamos vendo não é o melhor que nós podemos fazer. Esse é o grande problema. Se eu olho esse lixo todo e falo: isso é o melhor que eu consigo fazer. Não tem mais jeito.

Paulo Ganime: Não.

Luciano Pires: Mas é olhar e falar: eu não me conformo com isso. Eu preciso mudar. E fazer a coisa crescer.

Paulo Ganime: Cada um tem um voto. Cada um tem a sua responsabilidade. Todo mundo fazendo a sua parte, a gente consegue mudar. E, de repente, eu volto aqui como governador.

Luciano Pires: Eu vou entrevistar o governador do Rio de Janeiro.

Paulo Ganime: Não precisa ser daqui a três anos. Pode ser antes.

Luciano Pires: Eu vou cobrar. Obrigado mais uma vez.

Paulo Ganime: Luciano, obrigado.

Luciano Pires: Vamos conversando.

Paulo Ganime: Com certeza.

Luciano Pires: Conte comigo onde puder ajudar.

Paulo Ganime: Obrigado.

Luciano Pires: A gente está junto nessa missão. Tá bom? Um grande abraço.

Paulo Ganime: Um abraço.

Luciano Pires: Muito bem. Termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa você encontra no lidercast.com.br.

Locutor: Você ouviu LíderCast com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portalcafebrasil.com.br.