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Luciano Pires -

 

 

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No episódio de hoje temos a jornalista e escritora, Paula Schmitt, que tem mestrado em Ciências Políticas e Estudos do Oriente Médio pela Universidade Americana e, Beirute. É autora do livro de ficção Eu Demônia e do não ficção Spice. Venceu o prêmio Bandeirantes de rádio jornalismo. Foi correspondente no Oriente Médio para o SBT e Rádio France. E foi colunista de política nos jornais: Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. Hoje publica seus textos no Poder 360 e na revista West. Paula pratica um jornalismo que não existe mais. Aquele que teima em ir contra a corrente, com investigação profunda e sem medo de opinar. Uma conversa muito interessante sobre o poder e a responsabilidade da mídia, da sociedade e de liberdade. Muito bem. Mais um LíderCast. Eu sempre começo o programa dizendo como é que o convidado chegou até aqui. Esse caso aqui é antigo. Eu sigo ela no Twitter há um tempo. Eu estou tentando lembrar como é que eu comecei a seguir. Foi a partir de um texto dela. Não me lembro exatamente onde é que eu li. Mas quando eu li aquele texto, eu falei: tem gente inteligente na imprensa. Aí eu comecei a seguir. E vi que tinha umas provocações muito legais. E uma delas sempre me deixou antenado. Ela dizer: eu sou de esquerda. Mas o texto que ela tinha, não tinha nada a ver com a caricatura da esquerda. Mandei um DN para ela pelo Twitter: Paula, eu sou o Luciano. Eu quero trazer você no LíderCast. Fui solenemente ignorado. Mas aí ela foi no 5º Elemento, os meus amigos da panela. Eu falei: agora ela não escapa. Eu peguei o contato. Então, consegui convidá-la. Ela está aqui. Eu começo o programa com três perguntas, que são as únicas que você não pode chutar. O resto você chuta à vontade. Como você é mulher, eu sou condescendente com a pergunta do meio.

Paula Schmitt: Eu até imagino:  sua idade?

Luciano Pires: Seu nome, a sua idade e o que você faz?

Paula Schmitt: Meu nome é Paula Schmitt. Eu faço jornalismo. Eu escrevo também. Eu tenho três livros publicados em inglês. O inglês tem sido a língua mais fácil para mim nas últimas décadas. Porque eu tenho consumido praticamente jornalismo e literatura em inglês. Não por nenhum complexo de vira lata. Mas porque o jornalismo de lá… o jornalismo brasileiro é quase uma cópia atrasada do que saiu lá.

Luciano Pires: Por que você falou: eu faço jornalismo? Você não falou: eu sou jornalista?

Paula Schmitt: Ah, então? Eu acho que eu sou a Paula. Sabe? Então é difícil para mim reduzir o que eu sou. Outro dia teve uma amiga que falou: você é o quê? Ela queria saber se eu era lésbica ou era heterossexual. Para ela a pergunta era tão assim: você é o quê? Eu falei: como assim, eu sou o quê? Ela falou: você é lésbica? Eu falei: mas que pergunta? Para começar então, tu reduz assim, a… ela já estava esperando que aquilo fosse o definidor. Eu falei: não, eu não sou lésbica. Mas só para dizer então: você é o quê? Talvez, a presunção seria: você é que profissão?

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Mas eu acho que eu sou inquisidora.

Luciano Pires: Mas serve o rótulo? Se eu te chamar de jornalista, o rótulo serve?

Paula Schmitt: Não. Tu pode chamar sim. E digo que hoje em dia eu preferia ser confundida com uma meretriz do que com uma jornalista. Porque a mulher que vende o corpo, pelo menos ela mantém a dignidade das suas convicções.

Luciano Pires: Eu ia te fazer uma pergunta aqui. Eu ia dizer o seguinte, se eu perguntasse para você há 10 anos atrás, talvez, você dissesse para mim: eu sou jornalista, com muito orgulho.

Paula Schmitt: É.

Luciano Pires: Hoje eu não sei se você…

Paula Schmitt: Exatamente. Eu tinha amigos no Egito que tiravam sarro de mim. Porque quando a gente ia entrar em lugar assim que, talvez, tivesse problema para entrar, eu falava: [inint 00:06:24]. Eu sou jornalista. Então p pessoal tirava sarro, tipo: meu Deus, a carteirada que a Paula dá. Hoje eu escondo.

Luciano Pires: Boa essa. Você nasceu aonde?

Paula Schmitt: Eu nasci em Brasília. Eu tento evitar dados cruzados. Eu não dou muitos dados sobre… não, porque é tão fácil hoje pegarem o teu CPF, sacanearem.

Luciano Pires: Eu não vou te especular muito então. Porque, normalmente, eu quero saber: a sua família de onde é? De onde você veio?

Paula Schmitt: Ah, então? Eu morei em tantos lugares. Eu não me sinto…

Luciano Pires: Eu sei que você tem uma carreira… dá para sacar no teu sotaque, que tem uma mistureba, que eu não sei de onde você veio. Eu escuto você falando. Tem uma gauchada aqui. Agora deu uma cariocada. Agora deu não sei o quê. É tudo misturado aí. Como era o teu apelido quando você era criança?

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Paula Schmitt: É Paula mesmo.

Luciano Pires: Paulinha?

Paula Schmitt: É. Paulinha, Paulota, Pauloca.

Luciano Pires: O que a Paulinha queria ser quando crescesse?

Paula Schmitt: A Paulinha queria ser política. Sabia? Eu tenho um vídeo. Aliás, desenterraram lá em casa, um dia desses. Nessa época, meu pai era deputado federal. A minha irmã foi me entrevistar. O que eu queria ser quando crescesse?

Luciano Pires: Onde isso?

Paula Schmitt: Em Brasília. Perguntaram: o que eu queria ser quando crescesse? O que a minha família achou mais interessante nesse vídeo… eu acho que eu tinha nove ou 10, ou 11 anos de idade. E eu estava vestida com uma saia, tinha um rombo na saia. A margem dela – sei lá como fala – estava com um rasgo.

Luciano Pires: A barra.

Paula Schmitt: A barra estava com um rasgo enorme. E o que causou espécie na minha família vendo esse vídeo hoje foi assim: poxa, a Paula já naquela época, já não dava a mínima se ela parecia mendiga ou… assim, era tão alheio a mim ter essa preocupação, talvez. E quando tu é criança tem uma coisa meio de competir ali, de estar envergonhada com… mas aí a pergunta era: o que você quer ser quando crescer? Eu falei: política. Por quê? Porque eu quero ajudar os pobres. Foi essa a minha resposta.

Luciano Pires: Que lindo. Mas você encaminhou a tua carreira nesse sentido?

Paula Schmitt: Não. Porque eu não teria o estômago de barata necessário. Eu acho que existem bons políticos sim. Só que eu acho que eles têm vida curta. Político bom tem vida curta. Ele pode até conseguir alguma ajuda para uma campanha. Mas para a segunda, é difícil.

Luciano Pires: Então? Mas isso você está falando para mim com a tua consciência de hoje. Nós estamos conversando você ter 16 anos de idade. Eu acho que não tem ainda consciência para sacar isso tudo. O que te levou para outro caminho? Que desviou? Não é política agora. Vai ser…

Paula Schmitt: Isso. Eu acho que o tédio. Eu me entedio muito fácil com as coisas. Então, deve ter a ver também com déficit de atenção, alguma coisa assim. Eu não sei. Mas sabe que eu escolhi minha carreira – eu tenho até vergonha de falar isso – eu escolhi na fila do vestibular. Porque eu fui uma pessoa que sempre nunca nem… nunca planejei coisas, talvez, com mais de um mês de antecedência. Eu não sou uma pessoa… também eu sempre achei que eu não iria viver muito tempo. Uma coisa que meio que era uma presunção natural para mim, achar que eu ia morrer cedo. Então não sei. Mas eu sei que eu estou na fila lá do vestibular da UFSC. E aí eu falei: meu Deus, o que eu vou escolher? O que não requer muito esforço e que eu não preciso ser especialista em nada? Eu não queria saber muito sobre nada. Eu queria saber, talvez, um pouco sobre muito. E aí eu escolhi Jornalismo. E em segundo, eu escolhi História. Segunda opção. Se eu não passasse para o Jornalismo, para a História. E também, quando eu fiz o mestrado na Iub, eu quis assuntos do Oriente Médio, porque eu queria reforçar um pouco o meu conhecimento, o meu jornalismo nessa área. Mas outra coisa que eu queria também era Teologia. Que daí já era mais para satisfazer essa especulação eterna, infinita do inefável.

Luciano Pires: Você se encontrou na faculdade de Jornalismo? Quando você bateu e começou a cursar, você falou: é isso. Eu nasci para isso. Esse é meu negócio.

Paula Schmitt: Eu vou te falar uma coisa: eu sempre gostei muito de cinema. Quando eu era pequena, pequeninha, quando eu tinha acabado de aprender a ler e escrever, eu queria ler resenha de filme. Eu tinha uns fichários com os diretores. Eu sempre adorei a linguagem do cinema. Mas eu sou também leitora…

Luciano Pires: Voraz…

Paula Schmitt: Voraz. Menos agora, infelizmente. Mas teatro também foi uma coisa que eu fiz. Eu fiz teatro no Macunaíma. Então na verdade, quando eu fiz o meu vestibular para a UFSC, eu fui fazer um teste para uma peça. No teste, seria coadjuvante, bem desimportante na peça.

Luciano Pires: Que ano era isso? Só para eu entender que Macunaíma era esse? Que fase do Macunaíma era esse?

Paula Schmitt: Não. Isso não era do Teatro Macunaíma. Era no CIC de Santa Catarina. Eu acho que chama CIC. E a peça era As Mamas de Tirésias. E quando eu fiz o teste para ser coadjuvante, eles acabaram me convidando para ser a atriz principal. E como tinha que estar com o peito de fora na peça, eles ainda perguntaram: quando você faz 18 anos?

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Então, a peça inaugura no dia seguinte. Mas aí quando eu falei que eu estava fazendo vestibular… tu vê que eu nem fiz cursinho de vestibular, nada. E acabei passando. Mas eles falaram: não. Se você vai fazer vestibular, você não vai ter tempo de ensaiar. Mas aí foi uma coisa assim: ali, talvez, tenha sido um momento definidor. Se eu tivesse desistido do vestibular, talvez hoje, eu estaria ganhando 5 milhões da Lei Rouanet, falando: tadinho dos índios.

Luciano Pires: Perdemos uma atriz e ganhamos uma jornalista.

Paula Schmitt: Pois é. E eu acho que foi melhor assim.

Luciano Pires: Você se encontrou ali, quando você começou a fazer a faculdade?

Paula Schmitt: Na faculdade, eu nunca fui muito de turminha. Então digamos: se encontrar como tendo achado seus pares. Nunca foi uma coisa que…

Luciano Pires: Como o talento. Porque você falou para mim uma coisa aqui, que é interessante…

Paula Schmitt: Mas escrever eu sempre gostei.

Luciano Pires: Eu não sonhava em ser jornalista. E eu acabei escolhendo na fila. Então, talvez, você não tivesse expectativa montada: estou indo fazer o Jornalismo, que é aquilo que eu sempre quis fazer.

Paula Schmitt: Não.

Luciano Pires: Eu já conversei com um monte de gente. O cara: meu sonho era fazer Administração. Em três dias eu descobri: isso não é para mim. E o cara virava e fazia outra coisa. Quando você botou a mão na matéria, quando começou a fazer. Pintou: isso pode ser uma carreira. Estou confortável aqui. Estou gostando. Como foi isso?

Paula Schmitt: Eu sou uma pessoa que… talvez, deve ser um defeito até. Eu quero otimizar tudo. Então desde pequena eu já – eu acho que eu já contei isso outra vez – eu calculava geometricamente, qual ângulo que eu tinha que atravessar para fazer o menor caminho. Eu digo que só tem uma lei que eu realmente respeito, que é a lei do menor esforço. Mas eu também queria que a minha existência, que a minha passagem por essa Terra, ou seja, lá o que for, que ela tivesse um resultado prática e benéfico e satisfatório. Porque eu acho que quando tu faz o bem, o que tu acredita ser o bem, se isso for realmente uma coisa que é de grande importância para ti, o prêmio é instantâneo. Tu te premia na própria ação, essa satisfação. Está vendo o negócio de otimizar? Então, por exemplo, eu acho que eu nunca, nem quando eu era pequena, eu nunca comi nada ou comprei nada no supermercado sem ler os ingredientes. Então para mim não existia eu conseguir gostar de alguma coisa que não fosse boa para a saúde. Isso seria um desperdício da metade da função daquilo. E eu também não como coisas só porque é boa para a saúde, que é ruim. Aí é que está: eu quero…

Luciano Pires: Equilíbrio?

Paula Schmitt: Completar o maior número de critérios. Preencher o maior número de exigências possíveis. Tem até um amigo meu que me chama de volcana. Tu entende de Star Wars?

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Eu não assisti. Eu tenho o projeto de assistir. Made force be with you.

Luciano Pires: Não. Made force be with you é Guerra nas Estrelas. Aqui é a saudação do volcanos.

Paula Schmitt: Do Spock né?

Luciano Pires: Do Spock.

Paula Schmitt: Isso. Então aí ele falava, quando eu dizia o ingrediente da minha batida, vitamina. Ele falava: meu Deus. Mas é tudo bom para a saúde. Aí que ele veio com essa de que eu era volcana. Porque eu otimizava mesmo prazer e função, propósito. Então jornalismo é uma espécie disso mesmo. Tu vê: eu nunca tive aquele sonho de ter filho. É o sonho natural de uma mulher. Eu acho que deve ser a coisa mais incrível do mundo. E autojustificável. Nossa… eu não consigo nem imaginar. Eu acho que eu nem conseguiria aguentar. Meu coração ia explodir. Eu acho que quando tu tem um filho, de certa forma, eu acredito que a vida quer viver. Se tu for pensar no propósito de tudo isso aqui. Mesmo que tu não busque uma explicação metafísica, a questão de que a vida quer viver é inegável. Todas as criaturas, o caminho delas é sempre em direção à continuidade ou da própria vida ou…

Luciano Pires: Se você gosta de cinema, isso é Jurassic Park na veia.

Paula Schmitt: Ah é? Poxa, eu esperando uma coisa supersofisticada. Jurassic Park.

Luciano Pires: Você não tem como segurar a vida. Não se segura a vida.

Paula Schmitt: E isso para mim sempre foi tão inteligível, tão óbvio, talvez, até nas pequenas criaturinhas, tudo aquilo ali. Então para mim quando tu te reproduz, de certa forma, tu já está cumprindo um propósito. E eu não digo nem um propósito moral, nada disso. Eu digo o propósito da vida mesmo, do élan vital, da existência, do que as tuas células querem. É uma coisa que precede e suprime o teu desejo, a tua razão. Ela, para mim, é sagrada. Porque se ela é tão natural e atávica, então aquilo ali é quase divino. E eu já me privando disso, não querendo, na minha cabeça… eu acho… eu sou um pouco utilitária. Aí eu acho que tem um pouco do sangue alemão do meu pai, que até no final de semana não era para acordar tarde. Ócio não. Alemão. Aquela coisa de: tem que ter uma utilidade. O dia tem que ter valido alguma coisa. Eu já sou a maior defensora do ócio. Mas eu ainda sinto culpa. O ócio improdutivo para mim requer alguns…

Luciano Pires: O teu trabalho, os teus artigos, os teus livros, são seus filhos?

Paula Schmitt: Para começar, eu acho que é uma… não que eu tenha pensado nisso ao fazer. Mas é uma… dá… te dá uma sensação de perenidade. De tu ter continuado aqui. Porque ideias também tem vida. Mas não essa vida que eu estou falando. Eu estou falando da vida mesmo. Não vamos inventar. É a vida natural, é o que eu estava querendo dizer. Agora, se tu tens ideias e elas se multiplicam e elas ajudam numa espécie – se não evolução – de progresso coletivo, eu acho sim que eu deixei alguma coisa. Eu não fui pobre de espírito suficiente, de ter passado por aqui e não ter deixado uma árvore plantada. Até isso eu acho que faz diferença. Então eu plantei uma árvore uma vez, um pé de hortelã.

Luciano Pires: A tua explicação é mais bonita que a minha. Eu acabei de lançar o meu 10º livro agora.

Paula Schmitt: Opa…

Luciano Pires: E o pessoal pergunta: como é que é? Eu falo: dá um trabalho do cão, enche o saco. É trabalhoso. O lançamento é terrível. E eu só perco dinheiro com livro. E a pessoa pergunta: então, por que você faz? Eu falo: porque quando eu me for, eles ficam.

Paula Schmitt: É.

Luciano Pires: O dia em que eu não estiver mais aqui, eles vão ficar. As pessoas que estão sendo impactadas por eles vão carregar com elas a minha memória. Então é uma questão de legado.

Paula Schmitt: Tu tens filhos?

Luciano Pires: Tenho dois. Me fala uma coisa: você quando termina a faculdade de Jornalismo. Estava na tua cabeça…

Paula Schmitt: Eu desisti. Eu desisti da faculdade…

Luciano Pires: Então, em algum momento…

Paula Schmitt: Tu vê: aliás, eu fiquei decepcionada com o Jornalismo sabe como?

Luciano Pires: Essa era a pergunta.

Paula Schmitt: Eu estava estudando. E eu não vou poder nem te explicar exatamente o que me… eu não lembro direito. Eu tenho uma memória muito ruim. Eu sempre tive. Isso é outra coisa que me incomodava. É difícil para mim reter, ter conhecimento por muito tempo, se ele não estiver na minha memória rã. Então assim, tem coisas que eu leio; artigos meus de dois anos atrás, que eu falo: caraca, eu não sabia disso. Eu falo: eu não sabia. Mas como é que eu escrevi? Quando tu deixa de lembrar, quase que tu já não sabe de novo. Tu tem que vir a saber novamente. Mas eu li Jürgen Habermas. Não sei se tu já leu?

Luciano Pires: Não.

Paula Schmitt: O Habermas, o que eu lembro de ter lido é que basicamente. E ele é de esquerda. Hoje eu o compararia um pouco a Noam Chomsky. Ele mostra como a imprensa… essa é a minha interpretação do que eu li naquela época; a gente recebia material mimeografado lembra? Ou xerocado ali?

Luciano Pires: Lembro. Opa.

Paula Schmitt: Então a gente…

Luciano Pires: Atenção: entre no Google e escreva mimeografo. Você vai ver que a gente usava esse treco.

Paula Schmitt: A pergunta da lista de três, está quase explodida aqui. Mas eu acho que era na aula de Filosofia. É uma coisa que eu sempre gostei. Então toda hora que eu podia, eu sempre elegia aula de Filosofia. Era uma coisa meio masturbatória ali. Mas aí esse professor – que adorava – nos fez ler Habermas. E aí eu me senti tão impotente diante de uma máquina, que hoje eu acredito mesmo; e hoje eu não tenho quase dúvida nenhuma, que o jornalismo corporatocrata ali, que o jornalismo é um dos braços da manutenção do poder de uma elite. A gente hoje fala: nossa… quanta mentira. Como o jornalismo está mentiroso. Não. Eu acredito que o jornalismo sempre foi mentiroso. E agora quando a gente está tendo notícia sem a mediação daquele mediador oficial e sancionado pelo Estado, aí a gente está descobrindo as mentiras. Então, a gente está tendo a chance de confrontar a versão oficial dos jornais, com a versão real. Então, eu gosto do exemplo de quando o jornal O Globo falou que tinham 60 mil pessoas numa manifestação do Bolsonaro. Eu estava lá. É obsceno. Eu não tenho como descrever o asco moral e filosófico que eu sinto, de ver um jornal mentindo tão descaradamente. Eles conseguiram achar outro instrumento do poder, que é um estudioso qualquer, que conseguiu inventar um modelo para mentir. Então assim, qualquer pessoa que estava na manifestação via que tinha milhares, centenas de milhares de pessoas. Então é daí que a gente vê como a imprensa mente. E aí tu pode extrapolar racionalmente e falar: se eles estão mentindo enquanto eu estou presente, na situação. E eu posso confrontar a realidade com essa versão deles, imagina toda a história que a gente aprendeu?

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Para a qual não estávamos vivos para pode comparar versões. Então aí tu já pode imaginar que sim, teve muita mentira. E agora está tendo um momento de despertar que…

Luciano Pires: Tem um Grouxo Marx aí: tu vai acreditar no que eu estou dizendo ou nos seus próprios olhos?

Paula Schmitt: É. Isso.

Luciano Pires: Mas a hora que você vê tudo isso acontecendo…

Paula Schmitt: Aí eu desisti.

Luciano Pires: Não. Mas eu estou nessa patota. Eu sou dessa patota…

Paula Schmitt: É. Eu não quero fazer parte dessa patota.

Luciano Pires: Você desiste. Mas não é que você desiste do jornalismo para ir trabalhar com culinária, para ser criadora de gado. Você desiste de estar na patota. Mas não do praticar o jornalismo. É isso?

Paula Schmitt: Não. Eu desisti mesmo de tudo. Aí fui embora de casa. Fui para São Paulo. Em São Paulo eu cheguei e comecei a assinar a Folha e o Estadão. E aí eu lia todo dia. Nossa… uma coisa que sempre me incomodou foi a corrupção. Eu sempre tive um pouco o ímpeto de super-herói: Poderosa Ísis, a Mulher Maravilha; sei lá. Eu sempre quis pegar os piores bandidos. Os piores bandidos são quem rouba um pouquinho de milhões e de pobre. Então eu sempre tive. Isso aí é aquele negócio que eu te falei: eu quero ser política para querer acabar com a pobreza. Então é uma coisa que já vem de um tempo ali. E aí quando eu estava em São Paulo, os meus primeiros trabalhos foram como recepcionista bilíngue de feira, exibições. Eu nunca esqueço: tinha um uniforme de crepe vermelho, que eu usava. Socorro. Ficava ali em pé. Meu Deus…

Luciano Pires: Quero uma foto sua com isso. Deve ser uma arma poderosíssima…

Paula Schmitt: Eu acho que tem até um Programa do Bolinha, que eu ajudei na roleta ali. Uma coisa assim. Meu Deus. Mas eu tinha decidido: não vou pegar nenhum dinheiro da minha família. Eu vou viver por conta própria. Eu batalhava. Eu lembro que eu acordava de madrugada para poder pegar o ônibus para ir para a feira e coisa e tal. Mas eu lia jornal. Então aí chegou uma hora que eu falei assim: eu acho que eu quero voltar para o jornalismo. E aí eu comecei tudo de novo na Cásper Líbero.

Luciano Pires: Você foi cursar outra vez?

Paula Schmitt: Outra vez. E olha só: eu odeio burocracia. Mas odeio de uma forma violenta, atávica mesmo. As minhas carteirinhas da UFSC – se elas existirem até hoje – tinha uma carteirinha para ir para a cantina. Tinha uma carteirinha para ir para acessar a biblioteca. Uma carteirinha para acessar o estúdio de fotografia. E aí eu peguei, tirei uma foto e botei numa cartolina escrito: burocracia FDP. E a minha foto. Então, toda vez que eu apresentava a minha carteirinha, eu chamava a burocracia de filha da… eu mostrava aquilo lá. E o meu ódio à burocracia é tamanho, que eu preferi fazer a faculdade inteirinha, do que ter que pegar…

Luciano Pires: A papelada toda…

Paula Schmitt: A papelada toda. E fazer a correspondência das matérias. Eu falei: Ah não, foda-se. Eu vou fazer a coisa toda. E na Cásper Líbero já me deu mais vontade de fazer Jornalismo. Tinha uns professores ali meio veteranos. E aquilo me interessava.

Luciano Pires: Você terminou ela?

Paula Schmitt: Eu terminei. Só para tu saber: eu tive que fazer Jornalismo Opinativo, um ano inteiro, de novo. Porque eu perdi a última prova para assistir um jogo do Corinthians. Porque eu sabia que podia tirar dois. Não. Eu podia tirar zero. Eu não precisava de mais nenhum ponto para passar em Jornalismo Opinativo. Então eu falei: é a última prova. Eu não vou perder o jogo do Corinthians. Eu comecei a ficar fã do Corinthians, porque o meu psicólogo era do lado do Pacaembu. Então eu falei: eu vou fazer terapia do… para quê? Vou no psicólogo, já com a Goldberg, que adoro. E vou assistir ao jogo do Corinthians. Então era assim: para mim era terapia mesmo. E no dia dessa prova, eu fui assistir ao jogo do Corinthians. E quando eu volto para a faculdade para pegar o meu… eu falei assim: ah… eu achei que eu poderia fazer 2ª época, se eu não tivesse atingido, alguma coisa assim. Mas aí o cara me mostrou que o regulamento da faculdade era: você pode até tirar zero. Mas você não pode estar ausente daquela prova. Então o fato de eu estar ausente, eu tive que fazer o curso de Jornalismo Opinativo um ano inteiro.

Luciano Pires: Meu Deus do céu.

Paula Schmitt: Por causa do jogo do Corinthians.

Luciano Pires: Quando você termina lá e finalmente pega o seu certificado de jornalista profissional na mão, você vai procurar trabalhar aonde? Você vai buscar um emprego nesses jornais que você lia?

Paula Schmitt: Na faculdade, eu fui selecionada para o curso Abril.

Luciano Pires: Eu não vou me lembrar.

Paula Schmitt: Eu acho que era isso. Era um curso bem famoso, em que todo ano, eles selecionavam. Eu acho que eram 22 pessoas, uma coisa assim, 30 estudantes para fazerem o curso nas revistas do Grupo Abril. E eu fui uma dessas pré-selecionadas ali. Então isso já me dava também uma entradinha para… daí eu fui até a Folha e consegui fazer uma prova de admissão na Folha. Eu ouvi dizer que foi uma das melhores provas. Foi o que me falaram. Mas pode ter sido uma cantada malfeita. Mas eu lembro até, por exemplo, que tinha uma pergunta ali que era sobre futebol. A prova da Folha é brilhante, pelo que eu me lembro. Duas coisas que eu lembro: ela perguntou quem era Sarah Bernhardt? Para tu ver a variedade das perguntas. E outra era sobre futebol. Mas eu acho que até quando eu errava, eu meio que me saía bem. Então quando foi a pergunta de futebol, eu acho que eles estavam perguntando: o que era impedimento? E eu não sabia explicar. Até hoje eu não sei explicar o que é impedimento. Mas eu botei. Respondi ali uma resposta muito nas coxas. E no final, eu botei assim: e aí, na trave? Então eu acho que meio que eu me saí com um jogo de cintura ali, não sei. Mas eles me chamaram. E eu acabei tendo uma coluna assinada, ainda como estudante, na Folha.

Luciano Pires: Caramba, com o teu nome?

Paula Schmitt: Com o meu nome. Eleições Online, Paula Schmitt. Eu organizei o primeiro debate para a candidatura para a prefeitura de São Paulo, pela internet. Eu lembro que eu convidei as pessoas. Eu convidei o Cacau Diegues. Convidei uma amiga minha, que era publicitária, que também podia colaborar com perguntas e coisa. Eu lembro que eu fiquei digitando para o Serra. Eu acho que era o Serra do meu lado e eu digitando para ele, rapidinho ali. A Erundina também participou. Tu vê que faz milênios. Mas foi engraçadíssimo. Eu tenho até hoje a cópia disso. É um dos chats mais engraçados que tu vai ler.

Luciano Pires: Você falou uma coisa interessante, que abre um debate legal. Você falou: a prova da Folha era brilhante.

Paula Schmitt: Era.

Luciano Pires: E a Folha lançou o Manual de Redação da Folha.

Paula Schmitt: Que era ótimo também.

Luciano Pires: Que foi uma porrada. Aquilo foi uma revolução.

Paula Schmitt: Uma revolução.

Luciano Pires: Eu sou um pouquinho mais velho que você. Eu assisti algumas revoluções no caminho. Eu vi surgir o Jornal da Tarde. No Rio de Janeiro, o Jornal do Brasil. Eu vi uma mudança gráfica acontecendo, um negócio fabuloso. E um desses momentos de virada do jornalismo no Brasil foi quando a Folha botou o Manual do Jornalismo.

Paula Schmitt: É. Aquilo lá…

Luciano Pires: Você não consegue olhar para a Folha de São Paulo sem ver a importância que ela tem na história do jornalismo brasileiro.

Paula Schmitt: E o ombudsman.

Luciano Pires: O ombudsman é outro ponto. São coisas que ela criou que são realmente impressionantes.

Paula Schmitt: Sim.

Luciano Pires: Como ela se transforma no que ela virou hoje? Que você olha para aquilo e fala… eu consigo olhar para a Folha hoje, eu falo: parece que existe uma tentativa de demonstrar que ela é múltipla, que ela escuta todo mundo. Mas quando você soma tudo e passa uma régua no final, tem uma puta de uma tendência, tem papo furado, tem fake news, tem o diabo acontecendo ali dentro; que não tem nada a ver com aquela Folha que eu conheci lá atrás.

Paula Schmitt: Não.

Luciano Pires: O que acontece no meio do caminho?

Paula Schmitt: Eu acho que essa degradação não é só profissional. É moral mesmo. É uma degradação da sociedade. Eu não estou falando da Anitta fazer um boquete na favela no clipe dela. Não é nem disso que eu estou falando. Inclusive, esse tipo de degradação não me incomoda. Eu não sou daquelas pessoas que falam: pega tão mal para a mulher brasileira ser chamada de prostituta lá fora. Ou de ser considerada fácil. Sim. Cada um é. Eu acho que a Anitta mostrou que, talvez, ela seja fácil. Mas eu não tenho nada a ver com ela. Nasci no mesmo país, mas… agora, a degradação moral que eu digo é das pessoas não se envergonharem mais de mentir, de roubar. Eu acho que quando tu elege um presidente como o Lula, onde é inquestionável que houve mesmo corrupção. Tu não consegue devolver dinheiro roubado, que não foi roubado. Então tem a materialidade da coisa ali, que é inegável. Então quando tu consegue naturalizar esse tipo de coisa, a degradação moral vem em cascata. Se ela já está vindo lá de cima. Então assim, quando o George Bush foi eleito nos Estados Unidos, uma das lições adjacentes daquela eleição é: qualquer idiota consegue se eleger para presidente. O cara mal consegue terminar um discurso. O cara é um retardado. Hoje tem o John Biden, que aquilo é ao cubo. O cara é demente. Pelo amor de Deus, ele não consegue saber para que lado ele vira quando acaba um discurso. Então a mediocracia foi naturalizada de tal jeito. Eu acho que parte também muito do vitimismo. E dessa cultura do… porque até recentemente, tu tinha que ser o melhor para fazer o que tu quer fazer. Então tu quer ser jornalista? Tu tem que ser o melhor para ser contratado por essa empresa. Isso é em todos os níveis. Meritocracia. E o mérito, na verdade, a meritocracia, o mérito não é só daquele que conseguiu aquela posição. Os outros se beneficiam pelo fato de estarem sendo alvo das ações de uma pessoa muito mais apta a fazer aquela função, do que outras. Quando tu derruba a qualidade como critério, tu derruba tudo. Porque eu acho muito louco a inversão de valores. E aí eu acho que isso é o cerne dessa inversão generalizada de valores. Que daí é: o mau é o bom. O feio é o bonito. Tu tem uma revolução tamanha dos valores que alicerçavam essa sociedade. Porque isso é bem nietzschiniano também. É bom que a gente viva numa sociedade em que a busca pela excelência seja o teu ímpeto como individuo mesmo. Então certamente isso se extrapola para a sociedade. Se isso não é o caso em ti, para ti como indivíduo, então não será também como sociedade. Porque nós somos a unidade mais minoritária desse conglomerado.

Luciano Pires: E você não está falando no interesse de você buscar excelência para ser melhor que eu. Você está falando: eu comigo mesmo.

Paula Schmitt: Exatamente.

Luciano Pires: Eu quero ser cada vez melhor do que eu sou. E não é para ganhar de você. Não. É para eu crescer.

Paula Schmitt: Exatamente. E se isso deixa de ser um motivador, tu destrói toda a organização social. Então aí tu justifica ainda mais o meu individualismo. Porque eu me considero individualista no sentido de: a minoria mais minoritária que existe. É o indivíduo. E eu sou. Para mim isso é sagrado. Por exemplo, eu lembro. Eu estudava no colégio aos 13 anos. Quando obrigaram todo mundo a ir de uniforme, eu algumas vezes fui com o uniforme do avesso. Então era o meu jeitinho, criança ainda também. Mas era o meu jeito de falar assim: não, eu não quero. Aliás, eu nem sou contra o uniforme mais. Eu acho que ele tem suas vantagens também. Aí as pessoas se concentram mais no que estão estudando, do que no que estão competindo. Eu lembro o que aconteceu quando os uniformes foram derrubados lá. Como virou uma questão de… uma competição social e econômica ali. Dava para ver assim. O Senhor dos Anéis, de forma mais suave, talvez, mas uma coisa ali. Talvez até triste, porque as crianças…

Luciano Pires: As pessoas começaram a se produzir para ir. Eu sou mais. Eu sou…

Paula Schmitt: É. E tu vê: quando eu estava no vídeo lá da saia rasgada, já existia isso. Eu estudava no Inei em Brasília. E tinha menina que até a meia tinha marca. E esse tipo de educação de (inamidade 00:38:42) sendo inculcada na cabeça de crianças, eu acho isso de uma pobreza, de uma tristeza, que isso aconteça. Agora tu vê só como é que também, por que os filhos são resultado dos pais mesmo. Porque na minha casa, quando o meu pai era deputado federal, a gente ia comprar roupa sabe aonde? Não sei se tu conhece bem Brasília?

Luciano Pires: Não. Não conheço.

Paula Schmitt: Tem um negócio que chama Feira do Guará. É um lugar onde a gente comprava roupas feitas à mão, pelas costureiras de uma área bem pobre. E meu pai falava: não. Vamos comprar roupa aqui. A gente está ajudando pessoas que fazem com as próprias mãos. Para mim, naquela época, eu acho que eu já tinha entendido. Tinha conseguido ver mais beleza em como aquele objeto chegou para mim, no propósito, em como ele foi feito. E quantas vidas ele ajudou a sustentar. Do que na competição de quem usava meia de marca na escola.

Luciano Pires: Você está falando de certa industrialização, que se ela é muito boa para você poder ter determinados confortos tecnológicos e tudo mais. Quando você traz isso para dentro das questões de comportamento, morais e tudo mais; a industrialização é um terror. Ontem eu tive a pachorra de dedicar uma hora e meia da minha vida a assistir o Grammy. Eu peguei o Grammy de três horas. E fui no Fest Ford, fui ver os momentos do Grammy. É o 63º Grammy. Eu estava olhando aquilo e falei: a coisa menos importante é a música. Esse é um prêmio criado para a música. E a coisa menos importante é a música. A música não interessa. Uma porcaria o que eu vi lá. E você vê a turma preocupado: como é que eu estou vestido? Como que eu vou mostrar que eu sou diferente? A roupa que eu uso? E é uma coisa que os Secos e Molhados faziam isso há 40 anos. E num determinado momento eu estava olhando aquilo lá e eu falei: esse negócio ainda movimenta bilhões. Eles estão numa tentativa forçada de mostrar que eles são a bússola moral do mundo. Então ali a preocupação era: como é que a pessoa vai estar aqui? Será que essa pessoa está fora dos padrões que até então? Então botam… e aí, de repente, ganha lá a Beyonce. Ela passou a ser a maior premiada da história do Grammy, homem ou mulher, da história da humanidade. Ninguém ganhou tantos Grammys quanto ela. E você pega… a Beyonce é uma baita de uma artista. Ela tem competência. Ela sabe o que ela faz. Faz muito bem feito. Só que você pega o disco dela, tem 36 produtores para uma música. Tem oito autores.

Paula Schmitt: E tem só três notas. É isso que me incomoda mais. É sempre as mesmas notas, repetidas, com o mesmo tempo.

Luciano Pires: Sim. E aí concorrendo com ela, não vou dizer… assim, no mesmo palco que ela tinha Bonnie Raitt, com 90 anos de idade. Tinha Willie Nelson, com 90 anos de idade.

Paula Schmitt: Willie Nelson está vivo? Maconheirão.

Luciano Pires: Ganhou um prêmio lá e não pode ir. Willie Nelson se basta. Ele em pé, com um violão na mão, acabou. Ele compõe, ele canta, ele faz. Você olha aquilo e chora ao ver o cara. Ele não precisa de 35 autores e tudo mais para fazer a coisa acontecer. Então, eu acho que alguma coisa se perde no meio do caminho. Outro dia eu falei isso para uma pessoa: eu consigo pegar um filme do Charlie Chaplin que tem 100 anos de idade. Eu olho aquele filme, eu me divirto, eu dou risada, aquilo é genial.

Paula Schmitt: Genial.

Luciano Pires: E era um cara. Ele escrevia. Ele dirigia. Ele fazia música. Ele distribuía.

Paula Schmitt: Desculpa. Só porque tu falou disso. Tu conhece o Eduardo Vieira?

Luciano Pires: Da onde que ele é?

Paula Schmitt: Depois eu vou te passar o contato dele para tu entrevistá-lo. Esse cara é um one man in show também. Ele é uma pessoa de convicções, que vai atrás do seu sonho. Esse cara é genial. Eu conheci agora na pandemia.

Luciano Pires: Então? É o que nós estamos comentando aqui. Em algum momento, o mercado vem, toma conta disso e fala assim: ô Seu Chaplin, vem cá. Isso que você faz está lindo e tudo, maravilhoso. Mas ele pode ser muito mais. Pode vender mais se você conceder aqui, conceder ali. Aí de repente, ele vira uma coisa massificada. E fica tudo igual.

Paula Schmitt: Exatamente. E outra: eu acho que existe um processo – proposital ou não, mas que existe é inegável – de desassociação entre a coisa e o homem. Por exemplo, quando meu pai e minha mãe falavam para a gente comprar roupa feita por aquelas mulheres que faziam com a própria mão, tu está respeitando o valor daquelas mãos e daquele trabalho, daquela existência, de uma forma que é incomparável com tu comprar uma camiseta da Gap, que é feita com o trabalho semiescravo.

Luciano Pires: Na Tailândia.

Paula Schmitt: Na Tailândia ou no Camboja ou na China. Sabe aquela dissociação que é muito nefasta: que é uma criança que não sabe da onde veio a maçã que ela comeu. Ou o ovo. Isso desumaniza. Mais do que desumaniza. Artificializa toda a tua existência natural. Então isso também acontece agora com o trabalho. E agora com esse teatro de (pitica 00:44:21), esse negócio de inteligência artificial, que eles estão respondendo, estão servido para substituir professor, enciclopédia. Eu acho que o mundo está indo para o buraco mesmo.

Luciano Pires: É um caminho muito louco. Chega a ser assustador.

Paula Schmitt: Assustador. E outra: possivelmente irreversível. Porque eles falam da singularidade. Pelo jeito eu não sei muito. Outro dia me corrigiram. Eu acho que eu falei besteira. Mas a gente está dando tanto poder para as máquinas. Veja o caso do Twitter. Tem algoritmo ali, que já está embutido na programação da coisa. Que tu já está sendo refém de uma programação, cujos critérios da programação já foram decididos por máquina. Então é assustador mesmo.

Luciano Pires: Sim. Eu tenho trabalhado com marketing digital. Vender curso e tudo mais. E é assustador. Os caras mandam para mim o material, eu falo: desculpa. Esse texto que você fez é para um imbecil. Mas esse é o texto que vende. Eu não acredito em nada. Não. Mas esse é o texto que vende. Quer vender? Ou você quer fazer o quê? Quer vender? Então vai por aqui. Tem todo um roteiro. Está roteirizado. E aí a gente volta para a mídia. Não a mídia imprensa, mas a mídia como…

Paula Schmitt: A média…

Luciano Pires: Quem construiu essa percepção de valor da camiseta da Gap foi a mídia. Foram profissionais de comunicação que conseguiram elevar aquele logotipo da Gap para um patamar, onde eu pago mil reais numa camiseta, mas não pago 100 na camiseta feita pela…

Paula Schmitt: Não. E o pior. Vai ter um cara. Por exemplo, no meu livro Eu Demônia, que é a história dessa jornalista que começa a ficar revoltada com os caminhos do mundo. E uma das coisas que ela decide é que ela nunca mais vai comprar Nike. Eu de fato pesquisei qual o salário dos funcionários da Nike. E qual o salário do garoto propaganda da Nike. Então essa é a inversão de valores. Isso é uma inversão. Um cara que use uma camiseta da Nike, que ele seja um ótimo profissional na sua área, que ele ganhe o equivalente ao salário de duas mil pessoas; em um mês, ele ganha o que elas ganham e um ano. Eu estou chutando por cima. Mas eu acho que é até pior a razão entre um e outro. Isso é obsceno. E se tu fosse um ser humano bem-educado e provido da necessária profundidade moral e intelectual, tu mesmo iria te negar a usar uma coisa de uma marca que paga para um Tiger Woods 50 milhões de vezes o que paga para o cara que trabalha seis dias por semana, 12 horas por dia. Come arroz. Muitos ficam com infecção urinaria, porque não podem sair para fazer xixi. Tem um número limitado de vezes. O vice-presidente da Nike…  eu descobri quando eu pesquisei para o meu livro, Eu Demônia. O livro quer fazer uma lista de pessoas a serem assassinadas. Então eu estava querendo ser bem criteriosa na escolha. I’m sorry. Mas aí o cara da Nike entrou ali também na lista. Porque eu vi que o vice-presidente da Nike chegou a mandar uma carta para o presidente do Camboja – ou de algum país ali daquela região – eu acho que era Camboja ou Vietnã. Mandou uma carta quando houve uma manifestação dos funcionários que ganhavam – se não me engano – 32 dólares por mês, de salário. Quando teve uma manifestação deles, eles queriam dois dólares a mais, uma coisa assim. É tristérrimo sabe? Tinha famílias ali que não viam os filhos há oito meses. Porque se eles fossem morar onde eles morassem, não teriam como chegar no trabalho. Então eles ficavam. Tu vê: uma criança privada de pais. Para que ele possa. Para que o pai possa alimentá-lo. E o vice-presidente da Nike chegou a mandar uma carta para o presidente ou autoridade do Camboja – se não me engano – dizendo que os caras que estavam se manifestando por um salário mais alto queriam cometer um golpe de Estado, contra o governo. Então é nesse nível a vilania. O Henrique sabe. A gente passou agora no shopping, eu falei: puta… pena que aquele tênis é da Nike. É lindo. Mas eu não uso mesmo.

Luciano Pires: Você está ouvindo um barulho lá fora? Uma gritaria? Paula, Paula. Está ouvindo?

Paula Schmitt: Não.

Luciano Pires: São todos os marxistas, socialistas e comunistas…

Paula Schmitt: Me apoiando?

Luciano Pires: Te apoiando e aplaudindo você. Mas que discurso maravilhoso.

Paula Schmitt: Mas eles são os consumidores mais bobos. Aí é que está. Os menos… meu Deus. Os caras estão seguindo Sleeping Giants. Está vendo como que é a inversão das coisas? O Sleeping Giants não fala nada de salário mínimo.

Luciano Pires: Ouvir o que você fala aí é perigosamente perto de demonizar o capitalismo. Porque a culpa disso tudo é o capitalismo. Que é aquela rotulagem…

Paula Schmitt: Não. E não é.

Luciano Pires: É aquela rotulagem idiota que reduz tudo. É como se fosse a mesma coisa. E não é. A gente sabe que não é. Isso não tem a ver com esse empobrecimento moral que você comentou agora a pouco aqui? A sociedade vai reduzindo.

Paula Schmitt: Sim.

Luciano Pires: E chega nesse ponto, em que você manipula as emoções das pessoas e faz com que elas se comportem de um jeito que não é bom, não para elas como indivíduos, para a sociedade como um todo. E elas vão que nem vaquinha de presépio.

Paula Schmitt: Então tu vê. Olha só: eu nunca estudei isso. E também não pesquisei, nem por cima. Mas tu vê como esse meu julgamento, o que eu acabei de te falar. É um julgamento moral. Certo? Então eu estou sendo – de certa forma – moralista no sentido de: isso está errado. É desumano. Não vou aceitar. Eu acho que esse ímpeto de uma justiça social mínima. Justiça mínima. Sempre foi um motor que dava ânimo à esquerda. Um propósito de justiça e de – eu diria até – bondade. Tu acha obsceno aceitar que certas pessoas sofram daquela maneira, numa existência que é de 90 anos ou 80 ou 70. Então tu tem essa vida, que é um presente ou é um pesadelo. E aí tu permitir que um ser humano passe por essa vida sem ter os prazeres que tu, só ao nascer na família abastada, com o qual tu já foi premiado, sem merecer. O que aconteceu? Os donos do poder conseguiram manter esse motor de justiça e bondade, que estava presente na esquerda. E mudou o alvo. Então o alvo não é mais a injustiça social ou econômica, que é muito mais dramática do que a social. Porque a partir da econômica, tu tem todas as outras injustiças. Então, o que eles fizeram? Ah, não pode chamar o preto de preto. Tem que chamar de negro. Aí mudou. Agora não pode chamar de negro. Tem que ser preto. Não pode falar gay. Tem que falar queer. Mas não pode ser… então assim, eles conseguiram pegar pessoas de mente menos inteligente, mas, talvez, de coração maior até. E conseguiram convencer essas pessoas – que já se satisfaziam em andar em rebanho – que as vítimas do mundo hoje: é a gorda que não foi convidada para o desfile.

Luciano Pires: Ou que não pode entrar no avião, etc. e tal.

Paula Schmitt: Ela vai inclinar o avião…

Luciano Pires: Você não precisa ser de direita, de esquerda, nem de centro para estar indignado com pessoas sofrendo, com pessoas sendo exploradas e tudo mais. Isso não é propriedade. Divisão de direita ou esquerda.

Paula Schmitt: Não. Não é privilégio de nenhum deles.

Luciano Pires: Sim. E, no entanto, é bandeira de alguns. Ou seja, se eu digo que eu sou de direita, automaticamente, eu sou colocado numa prateleira, onde eu sou genocida. Onde eu quero que os pobres se ferrem. Não importa se eu quebrar todo mundo. O mercado acaba. E eu vou morrer. Como eu sou mau, porque eu sou de direita. Essa rotulação também tem a ver com essa mediocrização que você comentou agora a pouco? Você falou dessa queda. Há uma queda de QI. Há uma queda de…

Paula Schmitt: Mas essa precede todas, talvez.

Luciano Pires: Então? Esse é o grande problema.

Paula Schmitt: Não importa quão bom tu for. Se tu não tiver inteligência para transformar essa bondade em algo tangível ou transformador; a tua bondade, provavelmente, vai ser usada até contra ti. Porque se a tua mente é manipulável… eu digo que tem mais maldade no mundo advinda da ingenuidade e da inocência, do que do próprio mal. Porque o mal não seria nada se não tivesse milhões de pessoas bem-intencionadas e burras, dando vazão a esse mal. Então quando tu vê um Sleeping Giants, por exemplo, que está supostamente servindo. Ele está na verdade, servindo de mediador entre esse rebanho de pessoas semi pensantes. Então é: não consome daqui. Consome dali. E qual é o critério? Se o cara falou veado. Eles nem se perguntam qual o salário que esse cara paga para a sua empregada. Então essas mentes foram cooptadas. Por quê? Porque elas estavam vazias o suficiente para serem ocupadas. Entendeu?

Luciano Pires: Aham.

Paula Schmitt: Por alguém que tinha um pouquinho mais de inteligência e soube fazer o uso daqueles autômatos.

Luciano Pires: Quando você comenta essas coisas, dessa diferença, dessa exploração e tudo mais. Você viajou?

Paula Schmitt: Na maionese?

Luciano Pires: Você viajou um bocado. Não. Na maionese não. Você viajou realmente. Você é uma viajante.

Paula Schmitt: Sou uma viajante.

Luciano Pires: Viajou pelo mundo inteiro. Você se meteu em cenário de guerra. Você entrevistou gente do Hezbollah.

Paula Schmitt: E do Mossad, que é mais perigoso ainda.

Luciano Pires: Você fez isso como correspondente de guerra?

Paula Schmitt: Não. Eu ia na cara dura. Por exemplo, quando eu estava em Herzliya, em Israel, na Conferência de Contraterrorismo. Que para mim é conferência de terrorista também. Só que eles põem o contra na frente.

Luciano Pires: Como você chega lá? Como o quê?

Paula Schmitt: Eu fui para Israel…

Luciano Pires: Eu sou freela…

Paula Schmitt: Não. Na verdade, eu tinha acabado de largar o meu trabalho na TV russa, em Berlim. Tinha detestado. Eu não consegui ficar nem três meses direito, no meu emprego. Daí o meu melhor amigo falou: vem para Dubai e fica aqui até tu descobrir o que tu quer fazer. Estou lá, num apartamento em Dubai. Meu Deus, experiência assim… enfim… eu não quero falar mal. O povo de lá é muito maravilhoso.

Luciano Pires: É outro planeta.

Paula Schmitt: A vida. A artificialização da vida ali foi entronizada. Mas enfim, eles vivem em quase shopping mall sabe? Mas lá eu falei: eu vou ser voluntária na Palestina, que era uma coisa que eu sempre quis fazer. Ir não como jornalista. Mas como cidadã. E ver qual que era a realidade ali longe das câmeras. Eu fui voluntária de um grupo que chama International Solidarity Movement. É um casal. Ele é judeu e ela é palestina. Ou vice-versa. Eu não lembro. Eles têm um trabalho interessante ali. Eu também briguei com eles, para variar. As minhas desavenças ali. E aí eu fiquei sabendo que tinha Conferência de Contraterrorismo. Eu falei: essa aí eu não vou perder. É minha praia. Eu já entrevistei o Hassan Nasrallah. Capaz que eles ainda me deixem entrar sem pagar, como jornalista. De fato, eu não precisei pagar. Não paguei. E aí eu fui aceita. E aí também, para entrevistar o Shabtai Shavit. É interessante, porque ele já tinha dito que ele não dava entrevista.

Luciano Pires: Esse é o do Mossad?

Paula Schmitt: Ex-chefe do Mossad. O cara era pancadão.

Luciano Pires: Atenção você que está ouvindo a gente, que nasceu em Marte: Mossad é o serviço de inteligência…

Paula Schmitt: Israelense…

Luciano Pires: É a CIA israelense.

Paula Schmitt: Isso. É a CIA israelense. Exato. E o Shin Bet é o FBI. Mas eles também se entrelaçam ali e coisa e tal.

Luciano Pires: Quem quiser ver como é que funciona, assista Fauda, que aparece o Shin Bet. Aquilo é o Shin Bet?

Paula Schmitt: É. Shin Bet. Tem umas coisas que não chegam aqui. Tem um documentário fenomenal de um cara. Primeiro: gatérrimo. O cara era um chefe do Shin Bet. E ele mostra como que o Shin Bet… ah, enfim, vocês têm que assistir. É que eu não vou saber o nome agora. Mas aí tu vê.

Luciano Pires: Me passa. Depois…

Paula Schmitt: Ele faz uma puta crítica ao próprio Shin Bet. Tanto que esse documentário ia ser apresentado nesse… foi anunciado que seria apresentado… como que é o nome? Eu tenho que achar. Porque é muito top. Eu falei: eu quero ver a cara dos caras do Mossad e os contra terroristas, assistindo esse documentário, com o chefe do Shin Bet. Porque ele fala. Ele faz cada autocrítica de arrepiar. E não deu outra. Infelizmente, o documentário não será mostrado. Eles cancelaram logo no primeiro dia. Já deve ter tido alguém que falou: com esse documentário aqui, a gente não participa.

Luciano Pires: Tira.

Paula Schmitt: É.

Luciano Pires: Deixa eu fazer uma pergunta para jornalista. Vou usar aquele padrão: para a jornalista imparcial ou que tenta manter a sua imparcialidade. Que quer ter uma visão crítica, distanciada, em todos os lados. Você esteve lá?

Paula Schmitt: É.

Luciano Pires: Você esteve como voluntária na Palestina. Você morou em Israel uma época.

Paula Schmitt: Morei. Se eu te contar que eu parei na rua do Benjamin Netanyahu? Parece mentira.

Luciano Pires: Você morou lá?

Paula Schmitt: Só um pouquinho. As coisas que acontecem comigo… sabe que no Oriente Médio, o default…

Luciano Pires: O padrão.

Paula Schmitt: Como é? A suspeita básica ali, de todo mundo que chega. Até eu comecei a ter esse raciocínio. É: o cara é espião. Em geral, a gente acha que é espião de Israel. Então eu também. Muita gente achava: é espira israelense. Schmitt. Deve ser judia e coisa e tal. Aliás, eu achei uma família Schmitt de [inint 00:59:55], no quarteirão judaico, na cidade antiga de Israel, de Jerusalém. Essa suspeita aí… agora, o que eu ia falar? Você tinha perguntado o que, mesmo?

Luciano Pires: Eu falei: eu vou falar com a jornalista. Eu vou falar jornalista imparcial. Você estava lá. Você morou em…

Paula Schmitt: Ah tá. Eu ia te falar do da rua. Quando eu falei: eu quero morar em Jerusalém um pouco. Eu quero saber qual que é? Eu procurei um apartamento no Craigslist; porque o Airbnb me barrou. Porque eu tentei negociar por fora. [Inint 01:01:31] eu mandei o nome em hebraico e, enfim, eu não queria ficar registrada no Airbnb; que a minha casa ficasse registrada. Então eu acabei achando um cara, Craigslist. E quando eu vou… então isso, eu já sou suspeita de ser…

Luciano Pires: Terrorista… espiã…

Paula Schmitt: Espiã. De ser espiã de Israel. Sabe que, inclusive, quando tu vai para Israel como jornalista, eles aceitam não carimbar o teu passaporte. Tu pode pedir para carimbar uma página separada, um papel separado. Porque senão, tu não pode mais voltar. Pode até acontecer, mas…

Luciano Pires: Para outros…

Paula Schmitt: Não volta nem para a Síria, nem para o Líbano. Certamente não entra… tinha vários países que negavam a entrada de quem tivesse uma estampa, um carimbo israelense. Daí eu vou para essa casa e o cara falou: a chave. Ele não estava lá. Era o Shabat. Então ele estava rezando. Ele era israelense. Não. Na verdade, ele era americano, mas judeu bem radical. Ele até largou a família nos Estados Unidos para buscar as suas origens e coisa e tal. Então ele não está nessa casa. E ele me manda pelo telefone, ele falou: a chave está debaixo do tapete na varanda. Tu pode pular o portão. Aí tu entra. Fica à vontade.

Luciano Pires: Pular um portão em Israel?

Paula Schmitt: Pular um portãozinho. Não. Só um pouquinho… mas essa eu não posso contar, senão a polícia me pega. Mas eu subi na muralha. E fiquei apreciando à vista. Mas eu pego a chave e vou fazer um café. E descubro que não tem açúcar. Eu falei: café sem açúcar, eu não vou tomar. Era café ruim. Mas enfim, aí eu saí na rua, fui procurar para comprar açúcar. E nada. Está tudo fechado. Shabat. Isso era [inint 01:02:25] o nome do bairro.

Luciano Pires: Vou bater no vizinho.

Paula Schmitt: Aí eu vi uma guarita. Eu falei: guarita? Se tem guarita, tem soldado. Se tem soldado, tem café. E se tem café, provavelmente tem açúcar. Eu cheguei e falei assim: desculpa. Eu estou procurando açúcar aqui. Está fechado hoje. É Shabat. Ele falou: é. Vocês têm? Tem. Quando o cara foi e pega o açúcar, eu falei: o que é isso aqui? Ele falou: é a casa do primeiro ministro. Não. Imagina se os libaneses soubessem que eu…

Luciano Pires: Que você estava lá…

Paula Schmitt: Que eu estava morando em Israel, no quarteirão do Benjamin Netanyahu?

Luciano Pires: Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do ecossistema Café Brasil, que você conhece acessando mundocafebrasil.com. São conteúdos originais distribuídos sob forma de PodCasts, vídeos, palestras, e-books e com direito a grupos de discussão no Telegram. Torne-se um assinante do Café Brasil Premium através do site ou pelos aplicativos para IOS e Android. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente, de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida. Repetindo: mundocafebrasil.com. Deixa eu terminar aquela pergunta que eu estava fazendo para você aqui, que é o seguinte: falando agora com a jornalista que vai tentar ter uma visão, etc. e tal. Você está num país que é minúsculo. De um lado, ele tem um oceano, de outro lado, ele tem todos os inimigos. Tentando empurrá-lo para dentro do oceano. Jogar uma bomba e liquidar com todo mundo ali. A tal ponto, em que as pessoas andam armadas. Isso é cultural. Todo mundo frequenta o exército, porque há um ódio ali presente.

Paula Schmitt: Tu está falando de Israel?

Luciano Pires: Eu estou falando de Israel.

Paula Schmitt: Ah, eu estava pensando o Líbano.

Luciano Pires: Não. Eu estou pensando Israel. Israel está ali, como um país que está colocado ali, com todo mundo tentando jogar ele de volta. Joga no mar esse treco aqui. Como é que você não responde na mesma medida? Como é que você consegue sobreviver nessa tensão diária, sem responder na mesma medida? Sem morder de volta, quando é mordido? Eu não estou fazendo julgamento de valor. Como é que você faz para sobreviver num ambiente de tensão? Onde a conversa não resolve?

Paula Schmitt: Se tu for estudar… porque a imprensa brasileira… e essa foi a primeira vez que a ficha de fato caiu para mim. Foi quando eu fui morar no Oriente Médio. E aí eu vi que tudo que eu sabia da Palestina e de Israel lendo e trabalhando na Folha e no Estadão, era quase tudo mentira. É uma história… toda essa propaganda que tu vê da pandemia, pode multiplicar por cinco. É a cobertura de Israel e Palestina. Eu posso te assegurar. Mas aí vai requerer muito… sabe quem fala isso? Einstein. Noam Chomsky. Judeus. Entendeu? Então não é a Paulinha, com seu QI de 60. É gente muito melhor e com muito mais lugar de fala. Só que…

Luciano Pires: Você voltou para a mídia.

Paula Schmitt: Tá… mas só que…

Luciano Pires: Você voltou para a mídia.

Paula Schmitt: Agora na conversa, tu diz?

Luciano Pires: Quando você me fala isso: quem é que constrói essa visão?

Paula Schmitt: Não… mas então… é claro…

Luciano Pires: Quem constrói essa cultura?

Paula Schmitt: Mas deixa eu te falar: eu morri de vergonha. Eu passei tanta vergonha em Jerusalém, respondendo a coisa errada para judeus que falavam comigo. E eu achava que eu estava sendo: ah, que bom que eu estou do lado deles. Ou alguma coisa assim. E os caras… só que isso não foi na época que eu fui voluntária. Isso já é antes. Quando eu morava no Egito, eu fui visitar Israel. Sempre fui fascinada com a história e coisa. Achava que eu entendia alguma coisa. Mas o que eu quero dizer – só para terminar o negócio de Israel e Palestina – eu acredito em dois Estados. A maioria dos judeus de esquerda, não. Eles se recusam a dois Estados. Eles querem que tenha um Estado, chamado Palestina. Pode ver.

Luciano Pires: Esses são de esquerda?

Paula Schmitt: Judeus de esquerda. Em Israel maciçamente; defendem um Estado e com o nome de Palestina. Eles acham que o que aconteceu foi o ápice do imperialismo e da desapropriação desonesta da propriedade privada e de direitos nativos ali. Agora eu, porque eu sou pragmática, para mim Israel é um [inint 01:56:52] entendeu? Ele existe. Foi decidido em 48. Não sou só eu que acho isso. Os árabes também acham. A maioria dos árabes. Quando tu vai falar com Hamas, com o Hezbollah. Hezbollah eu já não sei. Mas o próprio Hamas, eles defendem que Israel mantenha as fronteiras de 67. Tu sabe o que é isso? Isso é o árabe…

Luciano Pires: Antes das colinas…

Paula Schmitt: Não. Isso é o árabe concordando… porque a área de 48… digamos tá? Eu não vou saber agora.  Digamos: a área de 1948, ou seja, da criação do Estado de Israel é “x”. Daí teve já uma guerra logo em seguida, teve 56. A de 67, de 58, de 56… não lembro. A área de 67, o território que era “x” passou a ser – acho – 2x. Acho que dobrou de tamanho. Ficou bem maior. Os próprios árabes, líderes árabes, inclusive Arafat defendiam as fronteiras de Israel, de 67. Olha só a premissa: você ganhou numa guerra, provocada pelos árabes? Então é seu. Então até essa honestidade existe ali naquela negociação. Que é: fomos nós que provocamos a Guerra dos 100 Dias? Foi. Israel ganhou – a de 67 – Israel ganhou? Ganhou. Então as fronteiras são genuína e justamente, suas. Então, a história é supermal contada. Agora, por outro lado – e aí é por isso que as coisas não são tão simples – o medo é uma arma fabulosa. E os judeus têm toda a justificativa do mundo, de terem medo. O que aconteceu com eles na Alemanha é tão sem precedente. E foi feito de forma tão cruelmente sistemática, que tu tem toda a justificativa de achar que tu tem que ter sim um território teu. Então tu vê que eu não estou nem falando da justificativa de que Deus deu a terra para eles. Porque esse tipo de argumento, eu não compro. Deus falou que essa terra é minha. Ah é? Para ti ele falou isso? Porque para mim, eu li no meu papel higiênico que…  entendeu? Sei lá. Eu posso inventar qualquer coisa. E eu não sou obrigada a validar a fé de ninguém. Só que quando tu vê que eles foram vítimas sistemáticas de um genocídio e uma eliminação baseada apenas na etnia e na religião, daí tu entende que a vontade deles de ter um lugar para si próprio é genuína. Foi daí que foi criado o território em 48. Mas até hoje os árabes continuam perdendo território. Tem um documentário que é obrigatório, realmente é obrigatório. É feito por um israelense e um palestino chama 5 Broken Cameras. Esse aí é obrigatório. Eu digo que é obrigatório, porque ele é tão simples. E é uma história tão diária, cotidiana, que aí tu vê a realidade, a partir desse tipo de experiência. Então ali, essas cinco câmeras quebradas, é a história, que começou do seguinte: um cara na Palestina em Bil’in, na cidade de Bil’in, uma vilazinha. Eu fui visitar. Ele tem o filho. A mulher fica grávida. E ele decide: eu vou comprar uma câmera para registrar o crescimento do meu filho e a história vira 5 Broken Cameras, porque ele tem cinco câmeras quebradas pelo exército de Israel. Porque ele começa a usar a câmera para mostrar como que o assentamento ali está encroaching. Como é que fala? Está invadindo o território dele. Então todos os dias… ah, eu conheci velhinha palestina que, literalmente, dormia do lado da oliveira. Porque se ela não dormisse, no dia seguinte, estava queimada. Isso é cotidiano. Então quando tu vê que essa é a realidade da vida dessas pessoas… eu também peguei um ônibus de Ramallah para Jerusalém. Todos os ônibus de Ramallah para Jerusalém param. Vem a polícia. Não sei se é o Shin Bet. Eu acho que é o Shin Bet, ou, talvez, IDF também. Eu não sei. Mas eles entram no ônibus e falam: desce todo mundo. O turista pode ficar. Então, todos os palestinos que moram ali e trabalham em Jerusalém tinham que ser revistados todos os dias, e passar naquele negócio, tipo gado, aquela cerca. E passar pelas humilhações diárias. Assim, é uma coisa… eu conheci também uma moça, médica. Eu fiz um vídeo para o SBT. Esse dia, eu tinha ido filmar – se não me engano – uma história que eu adoro que é: como que a igreja… como que os cristãos brigam na igreja do… eu acho que é do Santo Sepulcro, talvez. Ela é dividida. Eu acho que é a Igreja do Santo Sepulcro. Ela é dividida por três grupos religiosos. Eu acho que um é a Igreja da Etiópia, que é copta. A outra é Ortodoxa, talvez, russa, alguma coisa assim, Antióquia. E a outra, talvez, Católica. Eu sei que os caras brigam tanto que a chave – há 500 anos, se não me engano – desde Salahaddin, a chave está na mão de uma família muçulmana. Porque é o fiel guardião daquela chave. Porque senão, os cristãos ali se comem. Entendeu? Então o cara ficou como sendo uma autoridade ali, distanciada e imparcial, para cuidar dessa igreja. Mas hã… eu não sei por que eu falei isso.

Luciano Pires: Não. Você está dando uma visão. Mas eu quero pegar um gancho que você me deu aí. Você falou: o medo é uma tremenda arma. É uma arma gigantesca. Eu não consigo resistir. Vamos entrar num assunto muito polêmico aqui, que é o assunto da pandemia. A gente assistiu acontecer uma coisa na humanidade, que nunca houve na história da humanidade, que é uma pandemia num ambiente de comunicação total, online ao mesmo tempo, na mão de quatro ou cinco grandes empresas. E o que a gente foi assistir é um negócio que é absolutamente incompreensível. É um problema – teoricamente – sanitário, que se transforma em político. E, depois vira moral. Então vira uma salada isso aqui. Eu não sei o que foi pior para a humanidade. Se foi o problema sanitário da pandemia… ou se…

Paula Schmitt: O que viralizou mesmo foi o medo.

Luciano Pires: Ou se a consequência social e moral de tudo isso que a gente está vivendo aqui. E me parece que essa questão do uso do medo como uma arma poderosa ficou claro. Um dia nós vamos estudar o que aconteceu com a pandemia. Nós vamos entender. Eu costumo dizer. Eu sou muito amigo do Adalberto Piotto. Você deve conhecer o Piotto. O Piotto está na Pan.

Paula Schmitt: Ah, aquele cara que está…

Luciano Pires: A parte econômica, ele faz. E eu falei para ele: Piotto, a pandemia veio para destruir reputações. Ela vai acabar com vidas de um lado. E vai destruir reputações do outro, como nunca se viu na história. Então de: médicos, especialistas, youtubers, jornalistas e tudo mais. Foi tudo de roldão ali. Mas uma coisa que ficou clara para mim ali foi como o medo foi usado para te obrigar a fazer coisas que você não faria num ambiente que não fosse assim. Tem um uso desse medo. E o veículo é a mídia. A imprensa é que fez esse medo tomar conta da sociedade. Como é que você vivenciou esse processo? Porque eu sei que você tem uma visão crítica. Eu sei que você tem opiniões que são muito canceláveis. Você entrou no rol das pessoas que deveriam ser caladas. Porque estava falando coisas que…

Paula Schmitt: É. Parece que eu estou naquela lista da empresa terceirizada, para o STF. O TSE…

Luciano Pires: Ah, sim. Aquela que…

Paula Schmitt: O meu nome está lá. Eles leem meus tweets.

Luciano Pires: Você já perdeu o teu Twitter mais de uma vez.

Paula Schmitt: Já perdi mais de uma vez. Então? Sobre o medo? Só porque tu estás falando do medo. E a gente estava falando de Israel. Então só para… assim… o medo é a melhor arma de controle do indivíduo ou de indivíduos. Isso qualquer pai e mãe sabem. Então é uma coisa tão inerente ao ser humano, que ela já começa desde que ele nasce. O medo vira o seu regulador. Então: vai apanhar se fizer coisa errada. Ou vai ficar de castigo. Então não é nem o apanhar e nem o castigo que está regulando aquele comportamento. É o medo do castigo e da palmada. Israel tem um papel crucial ali, voluntário ou não. E eu acredito que todos os donos do mundo estão mancomunados. E até as inimizades são muito bem calculadas. Porque quando eu morei no Egito, por exemplo, a gente estava sob um estado de segurança. Como é que fala? Não é estado de sítio. É quase. Segurança nacional. Eu não sei.

Luciano Pires: Eu não sei como é o nome.

Paula Schmitt: É um mecanismo legal que dá ao governo poderes extraordinários. Porque ele está nesse estado de emergência.  Por que estava sob esse estado de emergência? Porque Egito faz divisa com Israel. E Israel era – ou é – uma ameaça. Então assim, era muito útil a ditadura egípcia ou ao regime egípcio que existisse Israel. Porque era exatamente a existência de Israel do outro lado…

Luciano Pires: Que justificava…

Paula Schmitt: Que justificava as medidas. Por isso que estão querendo chamar de terrorismo aquela palhaçada que aconteceu em Brasília. Então assim, é uma mão lava a outra. Então o medo ali… o medo, ele é uma arma de condicionamento. E sim, foi o que vimos na pandemia. E a gente viu assim… ah, foi uma coisa tão… as pessoas… foi orquestrado e foi natural, em certa parte também. Porque o medo é contagiante. E eu acho que a sacanagem aconteceu bem no topo do que eu chamo de pirâmide do consenso. Mas a partir daquela sacanagem no topo, em que quem está perpetuando o medo é quem está ganhando dinheiro, bilhões, com ele. A partir do momento que aquilo fica estabelecido no topo, na pirâmide do consenso, quem está abaixo daquele cume, não necessariamente faz parte do esquema. Ele também é vítima. A gente viu. Então assim, eu acho que o poder… por exemplo, não sei se tu sabe, o Átila Lamarino? É Iamarino? Lamarino?

Luciano Pires: Iamarino.

Paula Schmitt: Então, aquilo ali é o… para mim, ele é a exponência máxima da mediocracia. Ele é um medíocre, que foi elevado à condição de autoridade científica. E ele é pago pela Pfizer. Ele até admite que ele também foi pago pela Merck. Ele tem posts. Postagens no seu Instagram, em que ele fala: patrocinado pela Merck. Patrocinado pela Pfizer. Como que pode então esse cara, ser a pessoa instalada dentro de uma televisão – que tem o dever de informar – como pode esse agente da Pfizer/Merck estar lá dentro dando opiniões sobre a Pfizer e a Merck? Isso é tão absurdo, que eu, sinceramente, eu me choco com o que aconteceu com a mente da pessoa média sabe? É interessante. Eu vou te falar de uma coisa: na pandemia, tu sabe; foi feito um estudo para ver quais os grupos tinham mais resistência a tomar essa vacina – que não imuniza. E sabe quais foram os grupos? Dos menos alfabetizados e dos PhDs. E isso para mim é perfeito. Porque o cara que tem o PhD…

Luciano Pires: Ele tem a informação.

Paula Schmitt: Ele tem a informação. Ele vai lá e faz uma meta análise. Por exemplo, no meu grupo tem prêmio Nobel. Eu não vou dar detalhes. Por que…

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Mas é gente que não é vacinada. E que bateu o olho numa meta análise lá e viu que o experimento não tinha acabado. E para o cara é óbvio. Entendeu?

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Quando eu digo: meu grupo. É grupo de WhatsApp. Então…

Luciano Pires: E o outro extremo lá tem medo?

Paula Schmitt: E o outro extremo lá… sim. Ele tem medo. Mas ele tem o quê? Ele não se deixou – por ele ser analfabeto – ele não tem como deixar com que a mérdia ou a mídia seja o mediador da realidade para ele. O mediador da realidade para ele são seus cinco sentidos: ouvido, nariz, boca, pele. Então ele vê o vizinho que tomou a vacina e pegou Covid. Já acende uma luz. Ele fala: ué? Eu cresci sabendo que tu tomava vacina para pólio, para não pegar pólio. Ou do sarampo para não pegar sarampo. Esse cara que não sabe nem ler para onde que o ônibus que ele está pegando vai. Ele certamente desenvolveu um mecanismo de defesa das sacanagens do mundo e dos caras que querem tirar vantagem dele; que o cara que se guia por um jornal, não desenvolveu. Então, o que me preocupa hoje – eu acho que é o que está acontecendo – os seres humanos; o ser humano médio alfabetizado, que consome a mídia cartelizada, esse cara está ficando mais idiotizado do que um animal.  E eu tenho convicção disso. Porque o animal não consegue obedecer às minhas ordens. Porque ele não sabe nem falar. Esse ser humano sabe o suficiente para ser mais obsequioso do que um cachorro. Tu entendeu?

Luciano Pires: Aham.

Paula Schmitt: O cachorro, se eu não der a comidinha para ele depois que ele me obedeceu, ele não obedece uma segunda vez. Ele vai… tu já viu aquele vídeo dos macacos reagindo à premiação? É lindo aquilo.

Luciano Pires: A história da banana, da…

Paula Schmitt: Um ganha uma uva. E o outro ganha um nada. O macaco que vê que ele fez a mesma coisa que o macaco da cela ao lado. E o da cela ao lado ganhou uma uva e ele ganhou uma comida inferior, ele na hora reclama. O ser humano burro já pode ser convencido: não amigão. Ele fez diferente. Ele fez o que eu mandei num ângulo de 42 graus. Você só fez de 47 graus. É maior. É pior. Entendeu? Tu consegue racionalizar isso da maneira…

Luciano Pires: Olha a revista. Olha o estudo publicado aqui na revista Xpto.

Paula Schmitt: Exactly. É. E você sabe…

Luciano Pires: Está vendo esse gráfico aqui?

Paula Schmitt: Exatamente.

Luciano Pires: Está vendo esse gráfico?

Paula Schmitt: O cara não entende o gráfico. Não sabe do que se trata aquela estatística. Mas ele é enganável. O animal não é. Porque o animal se rege por realidades menos alteráveis. Ou menos fraudáveis. Que é o cheiro. O olfato. A audição. Então é isso que está acontecendo. O homem médio está virando o servidor ideal. O serviçal ideal. O cara que sabe o suficiente. Então ele é melhor que um robô. Porque o robô não dá para fazer aquele fine tuning, que tu vai fazer o robô assim: não, só um pouquinho. Pega com mais delicadeza esse copo. Esse aqui, o cristal é mais fino. O ser humano consegue entender. O robô não. Então nesse ponto, seres humanos serão muito melhores serviçais para as elites, do que um robô mais avançado possível. Só que ele só vai ser melhor se ele for inteligente o suficiente para obedecer. E não for inteligente o suficiente para questionar as ordens que ele recebe.

Luciano Pires: Você sabe que tem mais um aspecto nessa história? É o aspecto econômico. Eu vi pouca gente falar a respeito. Os quatro shots da vacina não custaram um tostão para quem tomou.

Paula Schmitt: É de graça. Eu não consigo nem ouvir essa frase.

Luciano Pires: É de graça.

Paula Schmitt: A gente estava no Uber agora, falando disso.

Luciano Pires: Não custou um tostão.

Paula Schmitt: É de graça.

Luciano Pires: Portanto, vamos tomar. É de graça.

Paula Schmitt: Não. Até o próprio Lula, que é o cara que… ele falou: até na testa. Tu sabe que ele falou isso né? Injeção eu tomaria até na testa. Ou seja, ele quis dizer… a premissa é: de graça, até na testa.

Luciano Pires: Aí quando fala: bilhões. Da onde veio esses bilhões?

Paula Schmitt: É.

Luciano Pires: É do meu bolso que tomei o shot…

Paula Schmitt: Vai vim para as próximas cinco gerações. Pode apostar.

Luciano Pires: Sim. Que vão ter que pagar por isso tudo aí.

Paula Schmitt: Vem cá: e que produto é esse? Então, esse aí é o golpe. É incrível que as pessoas sejam tão imbecilizadas a ponto de não entender que… como é que tu pode pregar o consumo, a compra de um produto, que quanto menos funciona, mais ele vende? Essa é a premissa da riqueza desses caras. Eles fizeram um produto tão bosta, que quanto menos ele funciona mais doses tu tem que tomar. Então assim, como que isso já não serve de um alerta na tua cabeça? Falando assim: espera. Eu não posso favorecer esse tipo de lógica. A lógica que eu tenho que favorecer é: não. Eu só vou ajudar a financiar com o meu dinheiro público, um produto que seja eficaz. Agora, a partir do momento que tu já aceitou e assinou aquele cheque em branco dizendo: não. Pode ser ruim mesmo. Podem ser 10 doses, que eu vou tomar. Só se o cara da Pfizer for um burro de fazer… e, aliás, eu publiquei isso: um encontro. Teve uma reunião do Goldman Sachs, que foi gravada, que foi quando começaram as terapias genéticas. Que é o que a vacina é. É uma terapia genética. Ela usa o MRNA. No começo, quem falava terapia genética era banido do Twitter. Hoje já está mais do que aceito isso. Para as pessoas inteligentes. A maioria não me interessa. Também não uso como termômetro. Mas enfim, o que eu estava falando?

Luciano Pires: Você estava falando que as pessoas estão…

Paula Schmitt: Tão imbecilizadas…

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Que elas compram… é. Mas eu esqueci o que eu ia falar. Poxa, alguém está aí? Não tem um contrarregra aí, me seguindo?

Luciano Pires: Não…

Paula Schmitt: Mas então hã… isso já deveria ter causado uma preocupação. Ah tá. Goldman Sachs. A reunião do Goldman Sachs com pessoas da indústria farmacêutica, empresas farmacêuticas, em que estavam sendo… em que o assunto era a evolução das terapias genéticas. De como isso iria revolucionar a medicina. E aí uma das coisas que o conselheiro, um consultor da Goldman Sachs fala… isso foi publicado pela CNBC, não sou eu. Entendeu? É uma rede americana, inclusive considerada bem favorável às farmacêuticas e coisa e tal. Mas eles publicaram isso. O cara da Goldman Sachs fala: a gente precisa entender que a cura é um mau negócio. O bom negócio é o tratamento. Cada paciente que tu cura é um cliente que tu perde. E é isso que eu digo que as pessoas estão emburrecidas. Tu não precisa ter um PhD para entender isso. E o cara da favela… aliás, eu tomava cerveja durante a pandemia, na quarentena, eu tomava cerveja no pé do Cantagalo, da favela do Cantagalo, com os meus amigos ambulantes.

Luciano Pires: Lá não parou nada.

Paula Schmitt: Porra nenhuma. E a gente tomava ali. E eu falava: vocês não estão com medo? Não. Se tiver com medo, toma Ivermectina. O meu filho toma. O meu cachorro. Então, esse cara pé no chão… que, aliás, estão todos vivíssimos. A maioria dos meus amigos – pelo menos ambulantes – não tomou a vacina. Por quê? Aí que tá. Outra inteligência. Ele já viu: espera. Será que eles querem mesmo salvar vidas quando eles proíbem o ser humano de tomar um remédio que não tem nem contraindicação? Que é um remédio considerado essencial pela Organização Mundial de Saúde, que tu não precisa de receita para comprar na farmácia? Como é que pode eles estarem defendendo a vida, se esse remédio – que na pior das hipóteses – não vai ter efeito nenhum. Na pior das hipóteses. Está sendo proibido? E está sendo acusado de ter morte por falência hepática e coisa e tal?

Luciano Pires: A virulência da reação foi o que me chamou a atenção.

Paula Schmitt: Se aquilo já não ativou um alerta na tua cabeça, entendeu?

Luciano Pires: Sim. A virulência da reação foi uma coisa… sabe outra coisa que me alertou no começo também? Quando começou o lance todo da pandemia, eu falei: a hora que esse negócio chegar nas favelas, vai ser um morticínio sem tamanho. Quando chegar na África então, é coisa para bilhão.

Paula Schmitt: Isso. Então…

Luciano Pires: Mas tu viu que na África eles não tomaram né?

Paula Schmitt: Pois é.

Luciano Pires: Mas então, o que aconteceu? Então não funcionou lá? E aí começam a vir as explicações mais espalhafatosas, que sempre vão terminar num gráfico ininteligível, num…

Paula Schmitt: Mas tu viu por que… tu viu… aí é que tá. E é isso que eu aprendi no Oriente Médio também. Foi uma escola para mim morar no Oriente Médio. Porque como eles são alvo de manipulações globais, dos donos do mundo ali. Eles são o centro daquele tabuleiro da manipulação e da organização. Quem vai brigar com quem? Quem vai ser qual a fronteira aqui? Tu vê as fronteiras lá, aqueles quadradinhos artificiais ali, todos forçados, feitos com uma régua entre quem dominava o mundo. Então, quando tu te inocula com esse tipo de manipulação e tu começa a desconfiar que todas as decisões vindas do topo têm sim, motivos escusos; que não vão ser revelados. E os motivos declarados vão sempre estar travestidos de algo nobre. Então essa é uma realidade que tu tem que…

Luciano Pires: Mas é isso que eu quero dizer: quando você encurrala a pessoa com um argumento lógico, ela saca o argumento emocional e joga no teu colo. Mas a minha tia morreu. Mas o meu fulano morreu. Hoje entrou um cara com um comentário ali: quantos dos 700 mil mortos são culpa do governo federal na época. Aí você olha para aquilo e fala: eu não tenho nem como responder isso. Eu não tenho nem como criar uma resposta. Porque é tão imbecil a…

Paula Schmitt: A pergunta…

Luciano Pires: A pergunta. Eu falei: como é que eu vou responder um negócio desses? Eu não vou nem entrar nessa discussão.

Paula Schmitt: Mas então, no Oriente Médio, eles estão tão letrados. Porque eles estão vendo a realidade no chão. Aquela tangível, que eles vivem todo dia. E aí eles veem a capa do New York Times falando uma coisa que é totalmente irreal ou mentirosa. Então, esses caras estão de tal forma inoculados, que quando eu morei lá, eu comecei a ver. E foi daí que eu comecei a questionar toda a cobertura internacional que eu consumia na Folha e no Estadão. E é daí que eu disse que o jornal brasileiro é um mau repetidor. Um repetidor atrasado do que vem de lá. E é mesmo. Admito que se for de política nacional, é óbvio que é melhor eu consumir jornais nacionais. Isso explicando por que eu falo tanta palavra em inglês assim, o meu português é tão ruinzinho. É porque também eu hã… a cobertura política no Brasil, se tu for ver, ela praticamente se limita ou foca muito nas negociações de bastidores. Que é a parte novela da política. É quem dormiu com quem? Quem traiu quem? Agora, a política pública: como se faz uma lei? Como se chegou até aqui?

Luciano Pires: Isso não interessa.

Paula Schmitt: Isso não interessa.

Luciano Pires: Basta ver…

Paula Schmitt: Então eu digo que os maiores colunistas de política no Brasil é colunista social. Só que em vez dele falar dos atores das novelas, ele está falando na política. E é praticamente a mesma coisa. Daqui a pouco vai ser só sexo mesmo. Quem dormiu com quem? Quem transou com quem? E não sei o que lá.

Luciano Pires: Paula, mas não é assim por que vende jornal? É isso que o povo quer?

Paula Schmitt: Não, mas…

Luciano Pires: Não é assim por que há uma demanda?

Paula Schmitt: Não. Claro. Eu acho sim. E assim, o que ficou mais perigoso com a internet é que o imediatismo… então antes assim, os jornais ainda se valiam de uma elite sim, pensante, que habitava os jornais, os jornalistas ali.

Luciano Pires: Sim. Você tinha que saber ler. Você tinha que ler. Entender texto, para poder…

Paula Schmitt: Sim. Ali no jornal, eu lembro, eu adorava. Adorava participar de reunião de pauta. Porque ali para mim era um debate tão elevado. Aí um perguntava: por quê? E aí tinha uma colaboração um do outro. Essa história é interessante por causa disso, daquilo outro. Então assim, ao mesmo tempo – e acredito que ainda hoje – que existem reportagens nefastas, compradas, vendidas e pura propaganda. Também acho que uma hora ou outra aparece um jornalismo de verdade. Por quê? Porque os jornais são feitos por indivíduos. Então, mesmo que ele tenha uma agenda ali corporativa, ele vai ter os caras que vão conseguir introduzir. Por isso que eu digo. E quando eu escrevi o meu artigo sobre a minha experiência na TV russa, eu critico a TV o artigo inteiro. E no final, eu falo: mas eu acho que você deve continuar consumindo a TV russa. Porque se ela serve como um contraponto interpretativo do domínio da imprensa ocidental, é crucial que tu tenhas essas duas visões. Ainda que elas se arranjem de vez em quando e tenham um discurso ali, que eu acho que é meio assim: tu pode ser o bandido e eu sou o mocinho hoje? Amanhã a gente troca? Eu não duvido que exista isso. Mas quanto mais contrapontos e visões diferentes tu conseguir assimilar, melhor para a tua conclusão. É o lance que eu falo sempre. Para mim essa noção – essa eu já tenho há milênios – que é o princípio da justiça sendo um julgador, que é o juiz, se valendo dos melhores argumentos a favor da inocência dessa pessoa. E dos melhores argumentos a favor da culpa dessa pessoa. É o sistema perfeito. Porque o juiz – como qualquer ser humano – vai ser também refém das suas predileções e inclinações. Então ele tem que se valer dos dois lados, de garantir que ambos os lados estão fazendo o melhor papel que eles podem naquela função. Nós somos todos os dias, juízes. Mas então, a gente tem que se garantir de ter o melhor advogado de defesa. E o melhor promotor de acusação. Para que o teu julgamento seja o mais justo possível. Então por isso que eu digo: por favor, continue lendo sim. Se conseguir e tiver estômago; à Folha, o Estadão.

Luciano Pires: Olha como é importante o que você está dizendo aqui. Quando você instaura um regime em que você censura um dos lados…

Paula Schmitt: É isso que está acontecendo…

Luciano Pires: Paula: vou derrubar o teu tweet, porque você está falando coisas que são incomodas. Você está sonegando.

Paula Schmitt: Você pode julgar. Mas só pode ter uma defesa. Só pode…

Luciano Pires: É. Você está sonegando o contraponto.

Paula Schmitt: Não. Mas isso é a morte da verdade. É daí que ela começa a morrer. Quando ela não tem nem o direito de emergir. É muito louco. E aí a gente vê o que está acontecendo. Vocês notaram o que está acontecendo no Twitter? O tal do Scott Adams, que é o cara que faz o Dilbert, a tirinha. Ele começou falando num vídeo. Ele falou: então os anti-vacsia estavam certos? Eu vou ter que admitir aqui. Eu me vacinei. E eu fui um idiota. Porque tudo que eles falaram está se confirmando. Então ele fez um mea culpa ali. Nem é culpa. Porque ele foi vítima também. Ele se vacinou com algo que hoje ele acredita que é mais prejudicial à saúde do que benéfico. Então ele é vítima também. E aí depois tu tem quem? O Shmuel Shapira, que era o cara que estava do lado do Benjamin Netanyahu, defendendo a vacina em Israel. E ele fala: eu cometi um erro, que foi a primeira dose. Eu cometi dois erros, que foi a segunda. E três erros, a terceira. Sabe quem é esse cara? Ele é o fundador do IDF Medical Course. Ele é o fundador do corpo médico do exército de Israel. Então assim, o cara… não tem como ele ser melhor em medicina. Ele é o chefe de medicina traumática do Hospital Hadassah, de Jerusalém. Um hospital superrespeitado. E ele, acima de tudo, esteve do outro lado, recomendando a vacina para todo mundo. Ele esteve na televisão. No meu artigo da West dessa semana. Da semana que vem. Eu ponho o link para um site do governo israelense, citando esse cara. Vai dar um Google no nome dele: Shmuel Shapira. Agora. Vai ver o que vai… sabe o que tu vai achar no topo dos links? Negacionista. Anti-vacs. É obsceno como conseguiram destruir – ou tentar destruir – a reputação do cara. E tu vê. Espera. Como é que tu pode ter sido a favor da vacina há três anos e agora tu ser contra e ser considerado anti-vacsia? Porque a premissa aí é que isso é uma coisa ideológica. Tu é contra todas as vacinas.

Luciano Pires: É. A gente viu o fat chack da não sei que das quantas…

Paula Schmitt: Não me faz falar…

Luciano Pires: Detonando um prêmio Nobel.

Paula Schmitt: Não. Dois. Porque sabe que o cara que inventou a Ivermectina também ganhou prêmio Nobel. Provavelmente estava falando do Luc Montagnier? O cara que conseguiu…

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Que ganhou pela Aids lá, um negócio…

Luciano Pires: Aí ele diz: não. Isso aqui não está comprovado. Isso aqui é nada, nada.

Paula Schmitt: Não.

Luciano Pires: É tão louco isso. É tão maluco isso, que você olha e fala. Eu me questiono todos os dias. Eu me questionei. Eu me policiei de montão. Eu falei: não é possível. Eu tenho que estar errado.

Paula Schmitt: Mas eu vou te falar. Luciano, eu dou graças a Deus e à vida e à Cláudia e até ao Filipe. Eu não vou botar os sobrenomes para não comprometê-los. Mas por terem me incluído num grupo que tinha gente com 60 mil citações científicas. Porque se eu não tivesse participado desse grupo logo no começo, eu acho que eu teria ficado louca. Porque ia chegar um momento, que eu não ia mais conseguir cogitar que eu fosse…

Luciano Pires: A única voz do contrário…

Paula Schmitt: A única pessoa certa.

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Eu ia falar: não. Eu estou louca mesmo. E eu estou tão louca, que eu estou convencida que eu estou certa. É esse o nível da minha loucura. E eu te falei. Tem um prêmio Nobel de matemática. Não é um prêmio Nobel… correspondente também. Eu prefiro não falar; também está no nosso grupo. Não vacinado. E aí agora por causa… eu cheguei aqui, porque tu estavas falando da censura e de como eles eliminaram o contraditório. E a chance de tu ser um juiz justo e ter os prós e os contras expostos para a tua decisão final. Essa censura foi o que fez pessoas como Scott Adams, Shmuel Shapira, Aseem Malhotra, que é um cardiologista inglês; nem saberem coisas que a Paula Schmitt sabia. Por quê? Porque eu não estava seguindo nem as autoridades. Eu estava seguindo sabe quem? Cientista que tinha que se esconder com nome falso no Twitter. E que provava que era cientista, que tu via como eles falavam. E aí eu tinha cientistas que eu conseguia; que eu conhecia e confiava. E que corroboravam que aquilo era pura ciência. Então esses caras, por exemplo; tem o exemplo do Drastic. Foi um grupo criado organicamente entre biólogos, geneticistas, matemáticos, estatísticos; que começaram a analisar o código genético da Covid, do vírus ali. E começaram a ver que tinha uma sequência que não fazia sentido, que não parecia algo natural. Esse Drastic, esses caras, eu segui, eu acho que desde março de 2020. Então ali eu já estava vendo que a possibilidade desse negócio ter sido feito em laboratório era altíssima. Se isso não servir para tu concluir outras coisas, entendeu? Então tu está com um problema. Então assim, se tu já acha que é feito pelo homem. E aí tu já sabe que os caras patentearam coisas logo ali na hora. É isso que eu chamo de heurísticas. Heurísticas para tu tomar decisão, na ausência de conhecimento científico. Primeiro: cui bono. Quem ganha? Quem tem o seu na reta? Então, por exemplo, se uma empresa farmacêutica fala: Paula toma essa vacina, que ela é ótima. Eu vou ver. Tá. Ela ganha. Cui bono é: eu estou pagando por essa vacina. Mas ela tem o seu na reta? Porque se ela tiver o seu na reta, daí eu posso confiar. O seu na reta é o quê? Ele assinou um contrato e ele disse: se você tiver efeito colateral que te cause morte, eu vou pagar uma indenização. Esse é o seu na reta. Mas eles não tiveram o seu na reta.

Luciano Pires: Não.

Paula Schmitt: A Pfizer. É famoso isso. Um dos poucos jornais que falou disso foi o Poder 360, que chegou a publicar o contrato do governo brasileiro com a Pfizer. E a Pfizer conseguiu fazer o Poder tirar o contrato do ar. Porque disse que era sigiloso. Eu tenho a cópia. E no contrato, a Pfizer está totalmente, legalmente, imunizada de processo. Se isso não servir para você tomar uma decisão sobre tomar ou não um remédio não testado, então eu não tenho mais… não tem faculdade que te salve. Não tem livro que ajude a abrir a tua cabeça. Porque a tua cabeça tem um déficit…

Luciano Pires: Virou fé.

Paula Schmitt: É lógico. Virou fé.

Luciano Pires: Virou fé. Agora é fé.

Paula Schmitt: Tu sabe? Tem gente que não sabe disso. No contrato da Pfizer com o Brasil, eles chegam a ter uma garantia que se houver processos criminais contra a Pfizer, o governo brasileiro tem que deixar reservado… brazilian assets, propriedades da nação. Não é governo. Propriedades da nação brasileira, como: embaixadas. Como digamos…

Luciano Pires: Sim. Terrenos…

Paula Schmitt: A gente tem várias coisas lá fora. A embaixada é quase que um território nacional fora do… a gente vai ter que deixar tudo isso como garantia sabe para quê? E tem outra hein? Como é que é? Arbitragem. Isso é outra coisa que está acontecendo. Quem vai julgar se tiver um processo? Não vai ser a Corte de Haia. Vai ser uma arbitragem privada, que já trabalha para essas empresas. Tu acha que elas vão ser justas. É uma loucura o que aconteceu. É assim, a sequência de idiotias, imbecilidades completas, burrices. É inacreditável. Sério.

Luciano Pires: Eu estou tentando entender esse processo. Entendeu? Porque você está falando uma coisa interessante aí que me leva para a base de como funciona a ciência. Na ciência você tem uma ideia. Você joga essa ideia. Testa essa ideia de que forma? Tentando provar que ela está errada.

Paula Schmitt: Claro.

Luciano Pires: E aí você abre para toda a possibilidade. Me traz a coisa mais absurda que você puder. Porque se você não conseguir destruir esse meu argumento, ele é válido. Evoluiu assim a ciência. A vida inteira foi assim.

Paula Schmitt: Isso.

Luciano Pires: Então, os caras que pregam isso são os mesmos – não vou dizer todos – que estão indo para outro caminho que fala: você não precisa me trazer provas e evidências. Basta que você me diga as coisas que são convenientes. O teu raciocínio para a vacina serve para urna eletrônica. Serve para 08/01 em Brasília. Serve para o que aconteceu em Brasília.

Paula Schmitt: Sim.

Luciano Pires: Espera um pouquinho. Deixa eu ver todos os elementos que estão aqui para tentar chegar a uma solução. Não. Esse elemento você não pode. Essa imagem você não pode ver. Esse cara você não pode falar. Isso aqui você não pode tocar. Só pode olhar para esse lado.

Paula Schmitt: Isso.

Luciano Pires: E você enviesa a discussão para lá.

Paula Schmitt: E por isso, tu sabe que o meu programa favorito no Brasil era – mas assim, de longe – era horário marcado. Ninguém podia marcar nada comigo naquele horário. Era o Gazeta Meio Dia. Não sei se tu já assistiu?

Luciano Pires: Não. Não vi.

Paula Schmitt: Era com a Maria Lídia.

Luciano Pires: Eu lembro dela.

Paula Schmitt: Eu estudava na Cásper Líbero.

Luciano Pires: Mas isso é antigo? Isso faz tempo?

Paula Schmitt: Faz muito tempo. O que era o Gazeta Meio Dia? Era a Maria Lídia conduzindo uma mesa que tinham expoentes da direita e da esquerda. E eles todo dia discutiam alguma lei, alguns tópicos. Em que tu tinha, de certa forma, talvez, guardadas algumas restrições ali, algumas exceções. Tu tinha um debate com as melhores pessoas defendendo e atacando uma ideia. Então o Ives Gandra aparecia lá na mesma mesa do Genoíno. Cláudio Lembo aparecia com Afif Domingues? Domingos?

Luciano Pires: Domingues.

Paula Schmitt: E com José Dirceu. Então tu tinha gente que sabia argumentar, que tinha convicção dos seus valores e da sua ideologia. E todo dia era aquele debate. Então para mim, aquilo era uma lavação de alma, uma coisa assim. E era tão fenomenal eu ter o consolo e a convicção de que eu tinha ouvido a melhor pessoa para defender uma coisa. E a melhor pessoa para atacar. E aí eu conseguia desligar a televisão e falar: eu sou contra ou sou a favor?

Luciano Pires: Concluir. Sim.

Paula Schmitt: E isso é o que não está mais acontecendo.

Luciano Pires: Virou espetáculo, Paula agora.

Paula Schmitt: Eu falo isso. Eu tenho um exemplo, que eu mostro que a porcaria da Globo… fizeram um programa, um Fantástico ali, em que eles falam da cloroquina. E eles põem uma mulher para defender a cloroquina. Ela não é nem médica. Então eles pegaram o argumento mais idiota, da pessoa com menos autoridade. Então eles fingiram que estavam ali apresentando os dois lados. É tão… dá vergonha dos seus colegas. Daí voltamos ao meretriz do começo. Que eu preferia. Eu teria menos vergonha de dizer: não eu sou meretriz, garota de programa e coisa e tal, por que…

Luciano Pires: Indo para o nosso fechamento aqui. Dá para ficar aqui até amanhã de manhã. Mas esse tema é tão fenomenal. Porque de novo: a gente está o tempo todo permeando a mídia. Eu estou tentando colocar como essas coisas foram empurradas goela abaixo da gente. Inclusive anticientificamente. Contra aquilo que a ciência diz.

Paula Schmitt: Total. É.

Luciano Pires: É contra o que a ciência diz.

Paula Schmitt: Os anti-ciência são eles. São os caras…

Luciano Pires: Sim. É aquela história: o fascista é o antifascista.

Vozes sobrepostas [01:48:41]

Paula Schmitt: Que loucura.

Luciano Pires: Completamente ao contrário.

Paula Schmitt: Que loucura.

Luciano Pires: Como é que você combate uma situação como essa? Como é que a gente consegue combater? Porque os caras estão discutindo fake news. Que é uma bobagem. A fake news é o resfriado. Antes da fake news tem uma causa para isso. Tem uma causa raiz. Que para mim, tangencia o que você falou logo no começo do nosso bate papo ali. Você falou: tem uma queda de nível moral. Tem uma queda na sociedade, cultural, de QI. Tudo isso empurrou para baixo. E está tendo uma festa. Quando você não tem mais vozes capazes de se antepor. E quando você pega as cabeças que levantam para: eu tenho uma ideia. E corta essas cabeças. O resto está com o rabo na mão. Eu não vou abrir mais a minha boca. Se botaram 1.200 na cadeia lá, que não fizeram nada.

Paula Schmitt: Nem me fala.

Luciano Pires: Quem disse que eu vou falar? Eu nunca mais vou sair na rua.

Paula Schmitt: Você sabe que propositalmente, eu nem leio sobre isso. Porque me dá uma vontade de chorar. De ver o meu país…

Luciano Pires: Então? É o uso do medo para calar o dissenso. Como é que a gente escapa disso, Paula?

Paula Schmitt: Então? Eu vou te…

Luciano Pires: Sem virar um revolucionário de roupa cáqui.

Paula Schmitt: Sem o Eu Demônia ali, com a lista… a lista de assassinados. Mas então? Eu acho que o mundo hoje se divide. Realmente. Eu acho que os conceitos de esquerda e direita são ultrapassados. Até porque eu acho que eles não foram feitos com muita honestidade, as definições. Mas não interessa. Mas eu acho que o mundo hoje está dividido entre pessoas que vivem no mundo real e outras que aceitam o avatar.

Luciano Pires: A narrativa?

Paula Schmitt: A tua representação. É. Então assim, eu mesma já submergi nessa… eu já fui. Eu já perscrutei esse tipo de viagem. Que é assim, eu vou te dar um exemplo: tu pode… quando tu está dormindo, tu está sonhando. Aquilo não é a realidade. Mas o teu corpo não sabe. Então, se tu levar um susto enorme no teu sonho, tu pode vir a morrer de ataque cardíaco. Então o teu corpo vai produzir a mesma quantidade de adrenalina que tu produziria na vida real. Então assim, há o que se dizer da representação e da realidade. Então é compreensível que alguém fale: não. Eu não sou essa pessoa feia, gorda. Eu sou esse cara que tem um avatar ali. Como é que fala? Um perfil ali no Twitter. Eu me sinto aquilo. Que eu trans alguma coisa. Eu não sou. Mas eu me identifico. Não é isso que eles falam?

Luciano Pires: É.

Paula Schmitt: Eu me identifico como. Então assim, isso foi extrapolado de tal forma. Eu acho que isso, tem uma participação nessa hipnose coletiva, nessa histeria coletiva, que é: a realidade não interessa mais. O Bolsonaro é genocida. E acabou. Eu não quero saber se ele matou ou não. Eu falei que ele é genocida? Esse é o decreto? Então ele é. Mesmo que quem tenha… pensa bem: o médico do Lula, o Kalil, tomou cloroquina. Ele levou cinco meses para admitir. Então, o teste do seu na reta. Então aí é que está. Como é que tu pode pregar uma coisa em público e fazer outra privadamente? Como foi o caso do David Uip também, que só era o coordenador de combate à Covid do estado de São Paulo. E ele também tomou a cloroquina. Se isso não servia para tu entender qual que é a realidade… e é isso que eu digo: as pessoas cagaram para isso. Elas falam: não. Esse cara recomenda ou não? Então tu vê o que ele fala. O que sai da boca, que é uma coisa intangível. Porque é só som. Não é a realidade. É o que ele prega. Aquilo valeu mais do que o que ele fez na vida real, consigo mesmo, para salvar a própria vida. Então o mundo hoje está dividido entre pessoas que vivem na realidade e outras que aceitaram a mediação da realidade pelos meios cartelizados, pela imprensa cartelizada, pelo telefone. Então ela não vai olhar na janela se está chovendo ou não? Ela vai no Google ver qual é o tempo, a temperatura, o clima da sua cidade. E isso é um perigo. Agora, o que fazer então? Só tem uma solução, que é a dialética. Que é exatamente permitir… então assim: se tu deixar naturalmente quem defende e quem ataca se encontrar. E permitir que eu, que tenho que tomar uma decisão, tenha acesso a ambos os argumentos, daí é mais fácil, a gente tomar decisão. Uma decisão mais científica.

Luciano Pires: Tá. Mas essa elite não quer que isso aconteça.

Paula Schmitt: Não.

Luciano Pires: Tá. E quando eu falo elite aqui, não é a elite, os milionários não, né? Essa elite que controla os canais de informação, que controla… ela não quer que isso aconteça. Quando você fala assim: se deixar. Quem deveria deixar não vai deixar. Vai dizer: não. Você não vai. Eu não vou deixar. Eu vou continuar.

Paula Schmitt: Então eu vou te falar. Então assim, como uma dica. Eu adoraria fazer isso. Mas o problema é que eu sou hedonista e preguiçosa e desorganizada. Mas assim, eu adoraria estar aqui, por exemplo, com alguém que tivesse milhões de argumentos contra os meus. Porque aí eu acho… não só para a audiência, para mim também. Porque quando o cara chega para mim e fala: mas e isso aqui? Eu já tenho naturalmente a tendência de validar o meu próprio argumento. O meu julgamento. Porque no meu caso, eu já decidi: eu não tomei a vacina. Eu tomei a Ivermectina. Eu não tomei cloroquina, porque eu tenho uma arritmia. Mas tomaria também. Eu vou inclusive, estocar agora. Eu vou comprar algumas, para o fim do mundo. Mas assim, eu gostaria de ter contrapontos à altura dos meus argumentos. Aí é outro problema. Porque o contraponto desses retardados não me interessa. Não é contraponto. Ao contrário, ele reforça o meu argumento. Eu quero ter o meu argumento enfraquecido. E eu falo isso no Twitter: pessoal, não leiam apenas os meus tweets, ainda mais quando eles forem categóricos. Por favor, leiam as respostas. Porque têm respostas aos meus tweets que não só complementam os meus tweets. Às vezes, eles até negam, refutam.

Luciano Pires: Sim. E abrem um caminho para você encontrar: olha aqui…

Paula Schmitt: Claro.

Luciano Pires: Algo que eu ouvi. Sim.

Paula Schmitt: Não. E no Twitter – eu amo isso – eu digo… quando eu estava suspensa do Twitter, como eu senti essa falta. Eu sentia falta de ter um lugar onde eu testava a minha comida sabe?

Luciano Pires: Sim.

Paula Schmitt: Tu é o cozinheiro e tu quer ver se… putz, como eu sentia falta de ter assim… porra, não tem uma pessoa inteligente que fale: Paula, não está certo isso que você falou. E ali no Twitter eu tenho o Direct. Direto vem gente.

Luciano Pires: Sim. É duro, porque você tem que passar pelo monte de animais que estão ali dentro. Porque aquilo…

Paula Schmitt: Não. Sim.

Luciano Pires: Mas no meio você vai…

Paula Schmitt: Mas quando o argumento é bom, cara… nossa… eu agradeço assim…

Luciano Pires: Isso é legal.

Paula Schmitt: E quantas vezes eu mudei? Por exemplo, eu fiz um artigo uma vez, mostrando, enfim… era quando atacaram o Porta dos Fundos. Daí eu estava querendo… eu falei que era o… como é que é? O… a intolerância… como é que é? A intolerância feia e a intolerância descolada. Uma coisa assim. Porque o pessoal do Porta dos Fundos pode ter toda a intolerância com certo tipo de pessoas e é considerado descolado. Agora, a intolerância contra o…  e eu sou contra toda essa intolerância, mas enfim é… quando eu escrevi aquilo, eu mostrei que… nossa… eu esqueci o que eu ia falar. Sorry. A culpa é do… single malt scotch whisky. I’m sorry.

Luciano Pires: É a primeira vez que o LíderCast tem alguém tomando alguma coisinha aqui…

Paula Schmitt: Nossa… gente… olha… já… só um pouquinho…

Luciano Pires: Tem que ser. Tem que ser a Paula né? Mas na boa. Não. Mas é só complementando aqui.

Paula Schmitt: Estava falando que os donos do mundo não querem ter esses dois lados ao mesmo tempo.

Luciano Pires: Sim. Então quando você fala: o ideal é ter… bom. Eles não querem que tenha. Então nós vamos ter que encontrar uma alternativa. Eu vou para onde? Eu vou para a internet, que pertence às big techs, que também não querem.

Paula Schmitt: Não.

Luciano Pires: Estão impedindo. O pessoal está tentando encontrar. Vai para o Rumble. Vai para o…

Vozes sobrepostas [01:57:40]

Paula Schmitt: Mas tem que ter um com o outro confrontado, na mesma hora…

Luciano Pires: Mas então? Mas…

Paula Schmitt: Para tu poder…

Luciano Pires: Mas então Paula? Para isso…

Paula Schmitt: A Gazeta ao Meio Dia, da Maria Lídia era perfeita para isso.

Luciano Pires: Mas para isso acontecer… para isso acontecer, eu tenho que encontrar essa alternativa. Mas aí, onde eu quero trazer essa… essa discussão? É uma responsabilidade individual. É minha. Eu vou ter que sair atrás disso aí. Porque de graça, não vai aparecer. Eu não vou ligar a televisão e vai ter quatro canais. Não vai ter nos Estados Unidos, Fox News com CNN, as duas se chocando lá. Aqui no Brasil não é assim.

Paula Schmitt: É. O problema é a sacanagem. Porque quando eles fingem que tem o debate tipo, digamos com… na Jovem Pan ou sei lá…

Luciano Pires: É aí que eu quero chegar. Aquilo é um show. Eu ligo para ver…

Paula Schmitt: Eu vou te falar…

Luciano Pires: Quem vai ridicularizar o outro.

Paula Schmitt: Mas então, eu vou aproveitar para elogiar aqui. Eu vi alguns, pouquíssimos, mas eu achei bom. Que era o tal do Arruda lá, que é do Innocence Project. Eu gostava dele quando ele era só do Innocence Project. Quando ele começou… enfim. Mas é um cara que está sendo cogitado… Arruda Botelho. Obrigada à cola aqui. E o Caio Coppolla. Aquilo eu achava um debate de altíssimo nível. Porque o Caio é um excelente debatedor. E ele organiza o pensamento de forma… eu tenho que tirar o chapéu para esse cara. E o Arruda Botelho ali também não é fraco. Ele também tinha os seus argumentos. Que maravilha para mim. Digamos, só tem uma hora para decidir sobre um assunto. E ter a convicção que os dois melhores caras, de lados antagônicos, opostos, estão ali defendendo. Isso aí não é para dizer que só tem dois lados né? Têm vários. Mas, pelo menos…

Luciano Pires: Tinha duas argumentações ali.

Paula Schmitt: Conflitantes. Então aquilo me dá um consolo de que assim ó… e uma confiança de que nessa uma hora, eu consegui ter não… talvez não a argumentação mais profunda. Mas a mais ampla, no sentido de [inint 01:59:51] mesmo assim. Sabe? Amplitude. E é isso que eu acho que tinha que ser. E eu acho até que as TVs e coisa e tal, se eles conseguissem organizar…

Luciano Pires: Mas Paula, eu não consigo entender a burrice desses caras. Qual é o órgão de imprensa que cresceu assustadoramente, que explodiu de audiência, que bateu todo mundo? Quem é?

Paula Schmitt: Jovem Pan.

Luciano Pires: Por quê?

Paula Schmitt: Exatamente. Porque é um outro lado.

Luciano Pires: Não. É porque tem dinheiro do governo. Não é.

Paula Schmitt: Não.

Luciano Pires: Ela proporcionou esse tipo de debate.

Paula Schmitt: Isso. E eu vou te falar: e a Pan, ela merece um outro elogio. Porque se a Pan tivesse feito só o papel de apoiar o Bolsonaro, já teria sido um papel valioso nesse mundo, em que toda a nossa imprensa corporativa é de um lado só. Então seria um papel menor, mas essencial. Só que a Pan foi além. Porque ela também fazia críticas. Então ela conseguiu…

Luciano Pires: Ela abriu espaço para gente com…

Paula Schmitt: Isso. Então, aquilo ali foi incrível.

Luciano Pires: Sim. E é o único lugar que você consegue encontrar hoje, esse tipo de… eu fui participar do PodCast da US lá. O pessoal…

Paula Schmitt: Ah, tá. O Sem Filtro. Eu falei que sem filtro, eu não apareço na televisão.

Luciano Pires: Isso. Eu fui lá. E… não. Não foi no Sem Filtro não. Foi no [inint 02:01:07] que eu fui. Eu estava comentando com eles. Eu falei: o que me atrai na [inint 02:01:11]? Primeiro: a [inint 02:01:12], ela é transparente. Ela me diz qual é a linha dela. Ela me diz de que janela ela está vendo o mundo. Ela fala claramente: nossa visão é liberal, conservadora. E a gente olha o mundo daqui.

Paula Schmitt: Ótimo.

Luciano Pires: Então, perfeito. Maravilha.

Paula Schmitt: Que daí tu já consegue usar uma calculadora e somar e adicionar e… né?

Luciano Pires: Já entrei. Eu sei qual que é. Outra coisa: ela não tem problema nenhum de abrir o espaço para o Zé Dirceu ir lá. Se o Zé Dirceu disser: eu quero ir lá. Pode. Venha. Sente aqui e vamos conversar.

Paula Schmitt: E houve isso? Algum deles foi?

Luciano Pires: Não. Nem sei se foram. Até porque, me parece que quando são convidados por essas emissoras, eles não vão.

Paula Schmitt: Não é jabá.

Luciano Pires: Aí é o que eu estava buscando. Eu falei exatamente o que você colocou aí. Eu quero gente inteligente, se contrapondo ao outro. Eu quero assistir aquilo. E no final…

Paula Schmitt: É isso que eu quero. Vem cá, se tu leu Sócrates quando pequeno, assim, era a coisa mais linda que tinha para mim. Era ver o Sócrates, Platão né, mas assim [inint 02:02:11]. Sei lá qual que era o diálogo. Mas o Platão… o Sócrates falava digamos, defendia uma coisa. E aí vinha o Xenofontes lá e falava: não. Mas não é bem assim. Aí eu… sabe assim? Ah… aí tu vê o Sócrates mudando de opinião, assim, naquela hora. Então como a verdade vai sendo depurada com essa dinâmica permanente, constante, da coisa sendo ponto e contraponto. Argumento contra-argumento.

Luciano Pires: Nós estamos falando de liberdade aqui.

Paula Schmitt: É. A liberdade do pensamento. E olha o que aconteceu nessa pandemia. Tu foi obrigado. Tu não. Mas muitos foram obrigados a irem contra a sua convicção e o seu conhecimento. Isso é um avilte de alma, que é… sinceramente, assim, é louco que o mundo não entenda, que tenha tanta gente que não entende a violência e crueldade disso. Eu peguei um taxi uma vez, saindo do aeroporto de Santos Dumont. E o cara chorou no taxi. Porque ele falou… aquilo ali era de chorar mesmo. Porque tu via que o cara sabia as coisas que eu sabia, de participar do grupo de cientistas. Da onde que ele conseguiu? Eu não sei. Eu até falei que eu queria entrevistá-lo. Eu perguntei. Ele se negou. Se recusou. Eu falei: não. Eu queria saber. Desculpa eu estar falando isso. Mas eu queria saber como que um taxista, que passa 10 horas num carro. Então, qual era o acesso dele basicamente? A rádio.

Luciano Pires: Ele ouve PodCasts.

Paula Schmitt: Não. Então? Eu falei: eu quero saber como é que tu chegou a essa conclusão? E daí a gente vai conversando ali. E aí ele começa a chorar. Porque ele falou: eu tive que ir contra o que eu sabia ser verdade. Porque senão, eu perdia o ponto. Então…

Luciano Pires: Paula: se coloca no lugar de uma mãe que é obrigada a vacinar o filho.

Paula Schmitt: O que tem de mãe que eu conheço. Eu conheço mães procuradoras que vêm falar: pelo amor de Deus. Elas estão desesperadas. Onde é que tem uma lei que me proteja desse direito sagrado de proteger o meu filho? E aí quando eles falam: não. Mas você protege vacinando. Como que isso ainda é repetido com uma vacina que não imuniza? É uma loucura. Teve um cientista genético da Gazeta do Povo. Eu não vou falar o nome dele. Mas ele falou outro dia: a vacina para criança é desnecessária. Para mim é obsceno o que esse cara falou. Porque quando tu fala: é desnecessária… água com açúcar é desnecessário. Se ele sabe que tem consequências. E tem sequelas sérias e já sabemos…

Luciano Pires: E é ruim. Não é querer…

Paula Schmitt: Exatamente… é desnecessária. Então, esse tipo de pessoa, para mim é até pior do que o cara que… porque esse, ele, calculadamente consegue falar uma coisa para, aparentemente, se posicionar contra. E não poder ser nunca acusado de ser contra. Então assim, é o tipo mais… credo… nem quero falar disso, por favor tá?

Luciano Pires: Bom. Paula…

Paula Schmitt: Como que é? Só diz besteira? Eu… eu li besteira? Eu li besteira.

Luciano Pires: Não. A Paula está contracenando aqui com a turminha dela lá fora. Paula… é…

Paula Schmitt: A clack…

Luciano Pires: Onde você está hoje? Você tem então o teu… o teu…

Paula Schmitt: Eu estou semanalmente no Poder.

Luciano Pires: O Poder 360.

Paula Schmitt: O Poder 360, eu vou te falar. Só posso fazer uma…

Luciano Pires: Claro.

Paula Schmitt: Puxar uma palhinha? Eu sou muito orgulhosa de estar no Poder. Porque ali eles fazem jornalismo mesmo sabe? Agora publicaram os contrapontos à narrativa Ianomâmi, de um cara que nada mais é do que o primeiro… o presidente da Funai no primeiro governo do Lula. Esse cara não tem espaço em lugar nenhum. Porque no momento em que ele se contrapõe à narrativa globalista, do propósito dos Ianomâmis. É… ele já… e lá no Poder ele conseguiu comparecer. Contar a sua história. E o Poder já preparou os melhores infográficos, porque também facilitam na… então assim, para começar: um jornal que teve coragem de me publicar, quando o que eu dizia era considerado equivalente a um genocídio. Então requer coragem, inteligência, tudo isso, então… e agora eu também na West, quinzenalmente.

Luciano Pires: Me lembrei agora. Eu publiquei. Eu fiz um Café Brasil com um texto teu. Eu pedi para o Poder 360. Eles liberaram. Quando eu publiquei, o pessoal começou a dar parabéns para você e para mim no tweet.

Paula Schmitt: Sério?

Luciano Pires: E você ainda respondeu no tweet. Você falou para mim: ficou muito legal o programa.

Paula Schmitt: Poxa…

Luciano Pires: E eu fiz com um texto teu. Foi musicado e tudo mais. Com a minha narração e tudo mais.

Paula Schmitt: Espera…

Luciano Pires: E aí ganhou…

Paula Schmitt: Espera. Não foi o da Arlene Graf?

Luciano Pires: Foi o da Arlene Graf.

Paula Schmitt: Tá bom. Eu quero te dar um abraço. Eu não acredito. Sorry. Poxa… a tua voz. Primeiro, que tu tem uma voz… eu sou… [inint 02:07:15]. Eu escolho namorado dependendo da voz.

Luciano Pires: Foi o da Arlene Graf.

Paula Schmitt: Não. Aquilo lá ficou tão lindo. Poxa… o Luciano. Ah, eu não acredito. Eu não sabia que era tu. Que bom. Eu vou pedir o teu autógrafo no final aqui.

Luciano Pires: Deixamos para o final aqui.

Paula Schmitt: Nossa…

Luciano Pires: Agora que eu me lembrei como é que começou isso tudo. Aí quando você respondeu, eu falei: ela está acessível. Eu vou pegar…

Paula Schmitt: Quando eu recebi aquilo de gente me mandando no WhatsApp. E gente que conseguiu… que louco. Porque tinha uma musiquinha ali também não tinha?

Luciano Pires: Tinha música. Tinha tudo.

Paula Schmitt: Então? Eu fico até… que coisa né? O que é a apresentação? Porque teve gente que leu e não sentiu um décimo da emoção, comparado à quando eles ouviram a tua voz falando aquilo, com aquela música. E a Arlene Graf… aliás, eu quero aproveitar…

Luciano Pires: Ela entrou em contato comigo…

Paula Schmitt: Ela… não… e essa mulher eu quero dar um parabéns para ela. Por que… eu não sei se tu chegou a ver a minha história, no 5º Elemento? Que eu conto que eu botei aveia na minha varanda do meu apartamento. E no mesmo dia, eu vi um passarinho morto.

Luciano Pires: Lembro. Que aí você não dormiu de imaginar que você tinha matado o passarinho.

Paula Schmitt: Claro. E eu fui atrás de todas as explicações que me mostrariam que aveia não mata. Aí que tá. Eu tinha… toda a minha pesquisa foi desviada para a aveia. E a Arlene Graf, ela teve a coragem de ir atrás da causa real da morte do filho dela, ainda que essa causa lhe respingasse. Porque ela disse: quem levou meu filho para ser vacinado fui eu. E eu fui porque eu assistia TV no quarto. E ela disse. Eu fui na casa dela. Tinha um canal de TV, notícia, na cozinha. E outro no quarto. Então ela se achava sofisticadamente superbem informada. E ela mesmo sendo pró Bolsonaro, ela falava: meu Deus. Que gente meio atrasada, que acha que a vacina não funciona. Então ela tinha esses questionamentos. E ela teve a coragem moral e imbatível, coisa de santo, de se entender partícipe, de certa forma. E ela ainda assim se entregou ao mundo como essa participante. Não. Essa mulher aí…

Luciano Pires: E foi cancelada. Foi… porque era uma mãe buscando a razão do filho dela ter morrido. E quem não sabe da história ainda, é o Bruno Graf, que morreu logo no começo, depois de ser vacinado. Ele tomou acho que a 2ª dose. E morreu logo em seguida.

Paula Schmitt: Não. 1ª dose.

Luciano Pires: Na 1ª. Então ficou uma discussão se ele teria morrido por causa da vacina ou não? E aí foi um escândalo sem tamanho. Essa mulher foi…

Paula Schmitt: E ela conseguiu provar. Ela conseguiu provar, só porque ela tinha dinheiro suficiente para mandar o teste para a Espanha. Porque no Brasil, os laboratórios – por alguma razão – não fazem esse teste, uma coisa assim. Mas eu lembro também de um vídeo que eu vi da Arlene. E isso ali para mim é o emblema da honestidade dessa pessoa. E da grandeza moral dessa mulher. Que ela de chinelinho, um vestidinho, sozinha na calçada, segurando um megafone e falando para as pessoas: não façam o mesmo erro que eu. Então assim, aquela solidão daquela mulher. Ela está sozinha. E tem um celular ali que está filmando ela falando com o vento. Sabe? Aquilo ali para mim é tão assim: o que aquilo requereu de coragem.

Luciano Pires: Coragem de mãe.

Paula Schmitt: Mas então?

Luciano Pires: Coragem.

Paula Schmitt: Mas vai ter mãe que vai fazer, provavelmente, o que eu quis fazer com o passarinho morto, que é: eu vou viver para provar que eu não tive culpa. E ela não se opôs ao fato de que aquilo recairia sobre ela. Foi ela que dirigiu o filho. Ela que falou: você tem que se vacinar antes de ir para a Europa. Ou sei lá. Então esse tipo de nobreza de caráter, para mim é uma coisa sobre humana.

Luciano Pires: Vamos lá. A enormidade do que nós estamos falando aqui não cabe num PodCast. Isso aqui precisava de vários PodCasts aí para poder tratar a respeito. Você está então no Poder 360…

Paula Schmitt: E na West.

Luciano Pires: Que é um jornal online. Você está na revista West.

Paula Schmitt: Quinzenalmente.

Luciano Pires: Está no teu tweet, que é ainda é o Paula Schmitt?

Paula Schmitt: Schmitt Paula.

Luciano Pires: E o Schmitt da Paula é meio diferente. Que é S, C, H…

Paula Schmitt: Mas tu não sabe o que é o pior. Quando eu vou tentar identificar alguém para saber como soletrar meu nome, só tem um cara que eu conheço – que é famoso – que tem o mesmo sobrenome, com o mesmo, com o mesmo…

Luciano Pires: Oscar Schmidt?

Paula Schmitt: Não. Karl Schmitt. Porra cara. Forçou né?

Luciano Pires: O Oscar Schmidt. Tem um D ali. O teu não tem o D.

Paula Schmitt: O meu é dois Ts. Parece que esse Karl Schmitt é muito bom na economia. Tem uma coisa ali boa dele, que não é nazista. Mas eu nunca li também. Eu só sei que ele é famoso.

Luciano Pires: Sim. Mas então, eu convido vocês aqui. A Paula me atraiu ao trabalho dela, porque ela falava assim: eu sou uma jornalista. Eu sou de esquerda. Depois eu fui ver que não é esquerda porra nenhuma. Ela tem uma visão que…

Paula Schmitt: Já disseram que eu invento isso só para me infiltrar.

Luciano Pires: Só para causar.

Paula Schmitt: Mas o que eu falei da Palestina e da Nike. Já deu para ver que…

Luciano Pires: Não. Pois é. Mas ela tem uma visão ali de independência. Que tem a ver com aquele vestido rasgado lá do começo do nosso bate-papo aqui. Tem a ver com essa incontinência… não é verbal. Com essa inconformidade. Você falou logo no começo: se está todo mundo de uniforme, eu vou botar o meu do avesso.

Paula Schmitt: Isso.

Luciano Pires: Então isso é uma coisa que tem a ver com aqueles caras que não se conformam com o jeito que as coisas estão. Tem que obedecer, porque senão, você está fora da sociedade. Então você vai ter que engolir sapo o dia inteiro. Mas na primeira chance que você tiver; você vai lá e dá uma cutucada. E a Paula tem dado umas cutucadas fenomenais. Se você for no tweet da Paula, ela tem ali uma sequência de tweets ali que são de… são porradas. E eu não sei quanto tempo ela vai continuar no ar ali, mas eu acho que vale muito a gente acompanhar. Porque tem uma honestidade no texto dela, que a gente não encontra muito na imprensa. Então hoje em dia, se me perguntarem aí: quem é a jornalista que eu admiro hoje? É a Paula. E eu não consigo lembrar de outro nome.

Paula Schmitt: Poxa…

Luciano Pires: Todos os nomes que eu um dia admirei. Caiu tudo. Não sobrou quase nada.

Paula Schmitt: Eu digo: eu queria que os meus heróis tivessem morrido de overdose. Não foi.

Luciano Pires: Sabe quem é a jornalista que eu admiro hoje? É a Ana Paula Henkel, que não é jornalista. Que era uma jogadora de vôlei. E que foi se… entendeu? Que eu acho que tem alguma transparência. E por falar isso aqui agora, eu estou sendo cancelado por um monte de gente aí. Que é esse povo que odeia essa turma que fala a verdade. Então…

Paula Schmitt: Ah, pode apostar.

Luciano Pires: Paula continue.

Paula Schmitt: Poxa, muito obrigada, sinceramente, obrigada.

Luciano Pires: Imagina.

Paula Schmitt: Obrigada pelo teu trabalho.

Luciano Pires: Continue nessa luta tua. E venha mais vezes. Vamos…

Paula Schmitt: Poxa, que prazer. Muito obrigada por esse convite.

Luciano Pires: Vamos aproximar esse trabalho aí, porque eu acho que é legal. Eu acho que o pessoal vai gostar aqui.

Paula Schmitt: [inint 02:14:32].

Luciano Pires: Vamos junto aí.

Paula Schmitt: Eu vou tirar uma foto desse rótulo aí e mandar para o meu amigo escocês. Tá?

Luciano Pires: Tire já. Beijão.

Paula Schmitt: Obrigada, querido.

Luciano Pires: Tchau. Tchau. Muito bem. Termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa você encontra no lidercast.com.br.

Locutor: Você ouviu LíderCast com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portalcafebrasil.com.br.