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Julio Bessa -

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No programa de hoje trago Wagner Yamuto, CEO do Matraquinha, aplicativo de comunicação alternativa para ajudar crianças e adolescentes com autismo a transmitirem seus desejos, sentimentos e necessidades. Wagner é fundador do Adoção Brasil, uma plataforma para orientação de pretendentes à adoção de crianças e adolescentes. Nossa conversa fala sobre adoção, que é uma missão a que algumas pessoas se dedicam. Falamos de autismo e do projeto da Matraquinha, que merece estar na vitrine de qualquer um que se preocupe com o próximo.

Muito bem, mais um LíderCast, eu sempre começo contando como é que o meu convidado chegou aqui, essa história aqui é muito boa, cara, o ano é 2013, e eu não me lembro qual foi o gatilho, mas eu escrevi um texto chamado Os x-man, é o nome, e nesse texto, eu fazia uma reflexão sobre o autismo e colocava o autismo como uma possibilidade de ser uma espécie de um super poder de um novo tipo de ser humano que estava chegando aí, que tinha capacidades que a gente nem sonhava, que tinham autistas que eram absolutamente geniais dentro do seu autismo, e foi uma provocação legal ali, porque eu botava, olhem com cuidado isso aqui, porque isso não é um… como é que é, um problema mental como a gente acha que é, uma doença mental, tem alguma coisa acontecendo, isso pode até ser uma evolução do ser humano caminhando para um lugar que a gente não sabe qual é, mas esses caras têm super poderes, tem autista que senta em um piano e toca como ninguém, o outro joga bola como ninguém, o outros caras são sensacionais, então algo está acontecendo, não sei o que vai acontecer, mas para mim são os x-man, usando aquela analogia com os personagens lá de quadrinhos. Bom, passam-se não sei quanto tempo, uns dias, uma semana, um mês, não foi muito longe disso aí, eu recebo um convite para visita, quero visitar você aí, a gente ouve o Café Brasil, tá bom. Aí chega aqui, chega um casal com um garotinho, entram aqui, estão lá embaixo, eu fui recebi os caras, o garotinho inquieto, aquela coisa, aí eu tiro o meu celular, na hora que eu abro o meu celular, o garoto voa em cima do celular e arranca o meu celular da minha mão, assim, mas com uma sofreguidão, ele arranca da minha mão, aí eu, ei, ei, ei, aí o pai vira para mim e fala assim, é um x-man. E aí a gente estabelece a partir dali um contato, foi muito legal, que eu aí eu entendi o que acontecia, e aí fui conhecendo duas figuras, e a gente acaba se aproximando, acaba fazendo uma série de contatos, eles sempre tiveram nos eventos que a gente produz, sempre respondendo, comentando, e aí entraram em uma loucura aí de lançar alguns produtos, de juntar pessoas, cara, é uma história muito legal, eu falei, um dia a gente vai sentar e vai conversar. Bom, chegou esse dia, vamos trocar nossa ideia, depois você me corrige se eu errei alguma coisa aqui na apresentação. Começamos daquele jeito, três perguntas simples, que você não pode errar, o resto você chuta à vontade, então, seu nome, sua idade, e o que que você faz.

Wagner Yamuto: Vamos lá, antes do meu nome, a história realmente foi essa, então foi tudo assim que aconteceu. Eu sou o Wagner Yamuto, tenho 45 anos, vivo aqui na cidade de São Paulo, capital, e o que eu faço? Estou casado com a Grazi, pais do Gabriel e da Agatha, estou também como gerente de operações e infraestrutura, também sou co-fundador de um grupo de apoio para orientação à pretendentes à adoção de crianças e adolescentes, e o co-fundador do Matraquinha, que é um aplicativo de comunicação para autistas.

Luciano Pires: Muito bom, cara, vamos ter assunto aqui para contar à vontade. Você é paulista? Nasceu em São Paulo mesmo?

Wagner Yamuto: Nasci em São Paulo mesmo, na cidade de São Paulo.

Luciano Pires: E a Grazi?

Wagner Yamuto: Também.

Luciano Pires: Também, os dois paulistas, tá bom. Eu vou avançar no tempo, não vou ficar naquela cutucação da tua vida, da tua história, porque acho que tem um conteúdo muito interessante para a gente conversar aí. Eu quero chegar no momento em que surge na vida de vocês como um casal a perspectiva de adotar uma criança, essa adoção veio de alguma impossibilidade de ter filho, como é que surgiu essa ideia de adotar?

Wagner Yamuto: Foi, foi pela impossibilidade de ter um filho, de se gerar um filho da maneira biológica. Então, a gente casou muito jovem, a gente se conheceu em 1998 pela internet, em uma sala de bate papo, aquela internet discada, ela tinha computador em casa, mas não tinha internet na casa dela, então foi em uma festa na casa de um primo, que aí quando chega naquela hora que a festa já está com as piadas do tio do pavê, aí os adolescentes ali ocasião se recolheram para mexer na tal da internet, e coincidentemente eu estava em outro lugar da cidade também mexendo, e a gente se encontrou em uma sala de bate papo, trocamos telefone, começamos a conversar, batemos um papo, naquela época não tinha webcam, não tinha nada, e depois de alguns dias a gente se encontrou, e desde então a gente começou a namorar no primeiro dia, no primeiro dia já conheci minha sogra, meus cunhados, encontrei com ela em um shopping, chegando nesse  shopping, todas as garotas vestidas iguais, e ela me disse como iria estar vestida, perguntei para umas cinco ou seis, se ela era a Grazi, nenhuma das meninas, não sou, não sou, não sou, aí quando eu encontrei com ela, ela deu risada, porque ela me viu passando aquele mico todo, perguntando para todas, ela tinha certeza que era eu. Fui levá-la para casa, e ela foi avisar a mãe, mãe, cheguei aqui, estou em casa, o Wagner me trouxe, ela, ok, mas na rua é perigoso, pode entrar, estava na hora da pizza, então já conheci a família inteira logo no primeiro dia, conheci a minha esposa, conheci sogra, coitado, todo mundo. E anos depois casamos, então casamos em 2002…

Luciano Pires: 98, 2002, quatro anos.

Wagner Yamuto: Exatamente. E a gente sempre gostou muito de criança, a gente teve sempre contato muito próximo, meu cunhado e minha cunhada já tinham filhos também, a gente já tinha sobrinho, então a gente queria ter filhos também, e a gente começou as tentativas, e nada de acontecer, nada de acontecer, aí começa a investigar, aí chega um determinado dia que a gente descobriu que não poderíamos gerar o filho da maneira biológica, a gente fica, entra em uma espécie de um luto, porque nós somos jovens, porque eu casei, eu tinha 24. Ela tinha 21 anos de idade, como é que pode a gente jovem não conseguir gerar um filho? Então, passou um tempo para a gente entender o que acontecia e descobrimos que aí sim teria a possibilidade de ter os filhos, mas através da adoção, só o caminho que seria diferente para trilhar de encontro aos nossos filhos, e foi aí que deu o start, a gente falou, ok, então vamos entender o que é essa adoção, como funciona, onde tem que ir, e a partir daí que a gente entrou nesse mundo da adoção.

Luciano Pires: Cara, interessante, eu não consigo imaginar essa história de você descobrir de repente que eu não posso ter um filho, não terei carne da minha carne, sangue do meu sangue, mas há uma outra possibilidade, nós vamos aprofundar um pouquinho nisso aí, acho que o amor é igual, eu duvido que seja diferente, o amor de uma criança adotada direitinho, com uma criança nascida do próprio ventre, imagino que você constrói esse amor em uma…

Wagner Yamuto: É, porque para adotar, ninguém adota sem querer, como a Grazi diz, ninguém tropeça na frente do fórum e sai com um filho, você passa por um processo burocrático, você tem que levar documentação, documentos pessoais, você tem que passar por entrevistas com o setor técnico, você conversa com o psicólogo, com a assistente social, você tem que levar atestado de sanidade mental, então você tem que levar uma porrada de documento para comprovar que você está apto a ser pai, para ser mãe, esse processo todo lá na adoção do Gabriel, a gente levou basicamente nove meses de processo burocrático, de entrevistas, até conseguir entrar na fila da adoção. Então, realmente, quem entra nesse processo da adoção, ele já constrói um amor muito antes, enquanto em uma família, um filho que é gerado biologicamente tem 40 semanas de gestação, essas 40 semanas, a gente já usou só no processo burocrático, tirando o que a gente ficaria na fila, então a gente já vai criando aquele amor, mesmo sem ter aquela questão da barriga, mas a gente vai alimentando outros sonhos.

Luciano Pires: Sim, você vai criando expectativas…

Wagner Yamuto: Exatamente, então no caso mesmo do Gabriel, da primeira adoção, porque nós temos dois filhos, os dois através da adoção, o Gabriel, foram, no processo total, foram quase 4 anos de fila de espera, são mais de 200 semanas para esperar o filho nascer.

Luciano Pires: Contanto os 9 meses de…

Wagner Yamuto: Contando os 9 meses, foram mais 3 anos e um pouquinho, então é muito tempo gerando um filho, é muito tempo criando expectativa.

Luciano Pires: Cara, isso aí parece transplante de rim, bicho. Porra, como é que é essa história aí, você entra em uma fila… porque eu sei o seguinte, a demanda pela adoção por parte das crianças é gigantesca, tem muita criança para ser adotada, e me parece que a demanda por parte de pais também é grande, mas não casa uma coisa com a outra, não vai na velocidade que é necessária, o que acontece aí com essa máquina?

Wagner Yamuto: Funciona basicamente assim, eu vou trazer números aqui, eles não são exatos do dia de hoje, mas eles são bem próximos, atualmente no Brasil tem quatro mil crianças aptas à adoção.

Luciano Pires: 4 mil?

Wagner Yamuto:  4 mil que estão acolhidas, aptas para adoção.

Luciano Pires: Então quando você fala 4 mil, 4 mil estão em algum lugar…

Wagner Yamuto: Aguardando uma família, exatamente. Do outro lado, temos por volta de 30 mil pretendentes à adoção, e aí você começa a fazer a conta, mas como isso não fecha? E vale aqui uma observação muito importante que dessas 4 mil acolhidas, que estão lá aguardando adoção, temos mais 35 mil que estão acolhidas, então vamos aí somar umas 40 mil, dessas 40 mil, umas 4 mil estão disponíveis para adoção, estão aptas à adoção, e as demais estão aguardando um parecer jurídico para desvincular da família biológica, para destituir da família biológica, e aí essa máquina aqui, ela acaba não andando muito bem, porque o Brasil tem tamanho de continente, e o ECA, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente, ele prevê que o direito da criança é ir atrás da família extensa, da família extensiva, então se os pais não têm como ficar com essa criança, ou por maus tratos, ou porque realmente já não estão mais aqui, não importa, ele tem que procurar um tio, um avô, uma avó e só depois de esgotadas todas essas possibilidades, que ela entra para a fila da adoção, mas este tempo todo as crianças envelhecem no abrigo, então às vezes as crianças chegam recém nascidas, e está três, quatro, cinco, seis anos e continuam envelhecendo no abrigo.

Luciano Pires: Então, mas quem é o agente que está fazendo essa busca pelo tio, pelo avô, pelo pai, porque a criança não… ela está lá, nem sabe o que está acontecendo.

Wagner Yamuto: Ela é passiva, exatamente, ela está em um… a gente chama de abrigo, mas é casa de acolhimento, ela está lá em uma casa de acolhimento.

Luciano Pires: É uma creche, não é nem creche, é um abrigo.

Wagner Yamuto: É um abrigo, tem uma casa, normalmente são casas mesmo, e aí tem cuidadoras ali para alimentação, para saúde, para higiene básica.

Luciano Pires: E quem é o agente que está procurando o pai, o tio, a avó, é o estado?

Wagner Yamuto: É o estado, e hoje tem o sistema nacional da adoção que tenta cruzar essas linhas. Mas por exemplo, quando entro com o processo da adoção, eu posso escolher em quais estados eu quero disponibilizar o meu cadastro também.

Luciano Pires: Você como adotador?

Wagner Yamuto: Eu como… exatamente, mas a criança, ela está acolhida e depende de um sistema dar o match, fazer essa conexão entre a família, um pretendente que está disponível para adotá-la…

Luciano Pires: Então, mas antes disso, o estado teve que dizer o seguinte, esgotou, não tem tio, não tem avô… quem é que faz essa… imagina, a criança chegou lá por algum motivo que não importa aqui agora, tem milhares  de motivos, a criança chegou, foi entregue para essa entidade e lá está a criancinha sozinha na entidade lá, sendo cuidada pelas cuidadoras, nesse momento é acionado um representante do estado para pegar a ficha dessa criança e falar, muito bem, vou bater na família dela para saber se tem alguém disposto a… alguém do estado vai fazer isso?

Wagner Yamuto: Isso, exatamente, alguém do estado vai fazer esse papel. Então, por exemplo, aqui na cidade de São Paulo, que nós temos, se eu não me engano, umas 5 ou 6 comarcas, então se a criança, ela está em um abrigo na Zona Sul, de repente a comarca responsável é de Santo Amaro, então o pessoal, a parte do estado lá da região de Santo Amaro, que vai atrás dessa família extensa dela, vai procurar, mas a gente tem que lembrar que normalmente essas crianças que estão acolhidas, não é porque elas têm uma boa estrutura familiar, então é praticamente impossível.

Luciano Pires: E o senso de urgência dessa turma que vai buscar… o senso da urgência da criança é muito… ela precisa, a família que quer também é tudo muito urgente, mas esse agente burocrático…

Wagner Yamuto: E vale ainda lembrar que esse agente, ele não está só para adoção, ele está na comarca da vara da infância e da juventude, então ele não está resolvendo só questões de adoção, ele tem que sair correndo porque teve uma confusão em uma escola, aí tem que ir lá, correr para lá, aí teve um outro acidente ali, que de repente a mãe se acidentou e a criança não tem com quem ficar, aí corre para lá para resolver. Então, não querendo tirar o peso de ninguém, mas o estado também tem essas limitações porque falta braço técnico. Então, falta braço… e essas crianças acabam sendo invisíveis, ah elas já estão acolhidas, então tudo bem ficar ali. Entendeu? Então, esse é o pensamento que se tem, ela está acolhida, está sendo assistida, tem alimentação, tem onde dormir, não está desamparada, então não tem ainda uma legislação que foque nisso. Em São Paulo começou… uma das comarcas fez uma vara específica para infância e juventude, para adoção, para começar a entender como que se consegue melhorar esse processo, se não consegue, porque essas crianças estão perdendo tempo.

Luciano Pires: Estão crescendo e vão chegar em uma idade que… quanto mais velha mais difícil é encontrar gente para adotar.

Wagner Yamuto: Sim, e a conta não fecha, lembra daqueles 30 mil pretendentes para quatro mil crianças?

Luciano Pires: Sim.

Wagner Yamuto: Não fecha exatamente por causa disso, minha esposa e eu mesmo, a Grazi e eu, quando a gente foi adotar, a gente queria passar pela primeira infância da criança, a gente tinha esse desejo, e a gente respeitou muito esse desejo, até por isso a gente ficou quatro anos aí para conseguir que o Gabriel chegasse para a gente, e nesse processo todo a gente fala, ok, se demora muito na outra ponta, a criança chega lá às vezes recém nascida, mas ela já não está no perfil que eu escolhi, porque a gente optou, para quem não conhece o processo de adoção, você preenche uma ficha com o perfil da criança, essa ficha, ela tem idade, tem se você aceita menino ou menina, então tem raça também, se aceita crianças indígenas, pardas, negras, inclusive, com alguma doença pré-existente, então soropositivo, cadeirante, com deficiência intelectual, enfim, é uma ficha enorme. Em algum momento ali você se sente preenchendo uma ficha de produto, sabe, parece que eu estou escolhendo em uma prateleira, mas faz parte do processo, depois que a gente entende fica bem mais resolvido com essa história toda. Aí nessa ponta a gente estava ali para adoção de uma criança de até 12 meses, como demora muito, aí vai reduzindo esse número de crianças que teriam esse perfil com a gente, e aí hoje em dia no Brasil…

Luciano Pires: Esse funil desses 4 mil que vocês estão aí, vocês já interpretaram a quantidade de entrada de criança comparada com a saída de criança? Enquanto você tem 4 mil, entram mais crianças nesse bloco de 4 mil do que saem, ou é equivalente?

Wagner Yamuto: Entram mais, entram mais crianças.

Luciano Pires: Entra mais do que sai.

Wagner Yamuto: Porque o perfil não encontra, então o perfil do pretendente acaba não encontrando com o da criança, a maior parte dos pretendentes hoje optam por adotar crianças com até 5, 6 anos, a maior parte. Na outra ponta, a maior parte das crianças acolhidas tem mais de 8, 9. Então, tem uma hora que essas curvas trombam e não tem nunca, e aí por isso o governo faz programas… faz, mas faz pouco ainda, por exemplo, explicando adoção tardia, adoção tardia é justamente para essas crianças que são consideradas de difícil colocação em uma família. Então, como elas têm uma idade maior, porque hoje… antigamente, isso antigamente, quando a Grazi entrou no processo de adoção, crianças com até 3 anos de idade era considerado uma adoção tardia, hoje já está para 8 ou 9, porque a informação quebra muito desses mitos, porque a pessoa, ah mas eu vou pegar uma criança que já tem problema, de repente a criança já está toda com a psico quebrada, é uma porcaria, lógico, muitas crianças passaram por coisas que nem eu, nem você, acho que nunca vamos passar nessa vida, mas precisa ter um acompanhamento, e essas adoções costumam dar certo, mas precisa de informação, essas pessoas precisam… e eu conheço muitos casais que optam por adotar crianças maiores porque no dia a dia em cidade grande, eles falam, não cabe na minha rotina um bebezinho, por exemplo. Então, mas a gente sempre costuma dizer, como responsável por grupo de apoio, respeite a sua decisão, se você se preparou para adotar um adolescente, ok, vá em frente, mas se prepare, entenda os desafios que têm um adolescente, porque independente de você ter adotado um adolescente ou não, o adolescente é desafiador de qualquer forma, eu dei dor de cabeça para caramba para os meus pais, entendeu? Então isso não muda. Então, a gente tem que tomar esses cuidados só com esse ponto, mas realmente essa conta não fecha.

Luciano Pires: Pelo o que você está falando aí, se eu me candidato à uma adoção e botar na ficha que eu topo uma criança mais velha, que eu… mais velha, é mais fácil, não são quatro anos na fila, é mais…

Wagner Yamuto: Não, você vai ficar bem menos tempo na fila, possivelmente até meses, então vai ser muito mais fácil porque o número de adolescentes que estão aptos à adoção é muito maior. E aí tem outra questão também que às vezes tem grupos de irmãos e a lei também, ele dá preferência para quem opta por grupo de irmãos, então se de repente eu quiser adotar, mas aceitar irmãos, consequentemente eu fico menos tempo nessa fila porque eu optei, mas hoje em dia às vezes é difícil a questão financeira, então tem muitas pessoas que pensam nisso.

Luciano Pires: Criar um filho hoje está um pandemônio.

Wagner Yamuto: E às vezes quando a criança está acolhida, ela não tem um irmão, ela tem dois, três…

Luciano Pires: E estão todos lá juntinhos.

Wagner Yamuto: Estão todos lá e às vezes se pega, de repente, em algum juiz que não tem essa questão de pensar lá na frente e falar, mas eu vou segurar uma criança aqui porque as outras três não podem porque a lei sugere que elas sejam adotadas juntas, aí todo mundo sai perdendo, a família que está aguardando, as crianças que estão acolhidas, e você, principalmente, no Café com Leite, você sabe da importância da primeira infância, entendeu? Da importância de ter um boa noite para dormir, receber um beijo ao acordar, isso faz muita diferença no cognitivo da criança, entendeu? Enquanto isso elas ficam acolhidas, estão lá, o estado, isso que a gente não chegou no outro problema que é quando elas completam 18 anos, e não foram adotadas ainda, que é obrigado, boa sorte e o mundo é teu, sem estrutura nenhuma, e diferentemente dos nossos filhos, que você também fez isso, preparou seus filhos pro mundo lá fora, aquelas crianças, elas são protegidas nesses abrigos de tal forma, que a gente chegou a ver um documentário que o rapaz tinha 18 anos, quando foi… arrumaram um programa para ele ter um emprego, quando perguntaram do RG, ele perguntou para a assistente social, eu tenho documento? Ele não sabia se ele tinha um RG, para você ver como eles são protegidos, então isso não passa para eles, como é o mundo lá fora. Em outro ponto do documentário a pessoa pergunta, mas o que que você vai fazer? Ah, já vi aqui, morava em São Paulo, estava acolhido em um abrigo aqui de São Paulo. O que que você vai fazer? Ah, estou juntando um dinheirinho aí, já estou aí com uns 12 mil reais que eu consegui juntar em uns trabalhinhos que eu faço, aí saindo daqui com 18, vou arrumar um emprego, vou ganhar mais ou menos um salário mínimo, aí vou comprar uma casa para morar. Entendeu o ponto? Ele não sabe quanto custa uma casa em São Paulo. Para ele, esses 12 mil era muito dinheiro, talvez para a realidade dele sim, mas para viver aqui fora, não seja. Então, são tantas coisas que a gente tem que melhorar nesse processo, que realmente chega a ser impactante quando a gente começa a entender mais a fundo.

Luciano Pires: Por que que você sabe tanto a respeito disso?

Wagner Yamuto: Porque lá atrás quando a gente foi adotar o Gabriel, a gente encontrou muita dificuldade em encontrar informações sobre adoção, na internet quase não tinha, e como eu sempre trabalhei na área de tecnologia, e a gente conseguiu as informações, aí a Grazi falou, vamos compartilhar nossa história, você consegue criar um site para compartilhar como a gente conseguiu? Eu falei, ok. Mesmo antes de blog, essas coisas, aí criei um site compartilhando a história, aí as pessoas começaram a acessar, porque quase não se tinha nada na internet sobre adoção, e começavam a compartilhar as histórias delas também. Aí eu fui lá, criei um sisteminha, para que elas pudessem colocar manualmente lá, elas mesmas que imputavam as histórias. Aí a gente começou a crescer nas redes sociais, aí foi para o Orkut, aí foi para o Facebook, aí no Facebook a gente chegou a 150 mil seguidores.

Luciano Pires: Está lá até hoje?

Wagner Yamuto: Está lá até hoje.

Luciano Pires: Como é que chama?

Wagner Yamuto: Adoção Brasil, e a gente agora está no Instagram também, e com isso a gente se tornou uma referência nacional para quem opta por adotar uma criança ou um adolescente.

Luciano Pires: Sem ser uma entidade, você não virou ONG, não virou nada?

Wagner Yamuto: Não viramos nada.

Luciano Pires: Era um site? Nem CNPJ tinha?

Wagner Yamuto: Não, não tem ainda, não tem, mas a gente dá essa preparação, a gente dá cursos, a gente dá palestra, então tem encontros em grupos de apoio, eles nos chamam para a gente compartilhar a nossa vivência, a nossa história.

Luciano Pires: Tudo de graça, você não ganha dinheiro com isso?

Wagner Yamuto: Não, não ganhamos nada, entendeu? Então, a gente faz porque a gente sabe que isso acaba ajudando, e mesmo com a chegada do Gabriel, a gente entendeu que não dava para parar, porque do outro lado tem crianças que elas precisam muito de ajuda, elas precisam de alguma forma de encontrar uma família, mas só que elas estão sem possibilidade, elas não têm voz, então precisa de alguém, então a gente está aqui também, como a gente não tem amarras com ninguém, então a gente pode dar cacetada no governo quando a gente sabe que vai sair uma lei ali que não está ajudando em nada, quando em ano eleitoral vem aquele monte de PL também dizendo que vai fazer e acontecer  pelas crianças e também não acontece nada. Então, isso também nos possibilita agir dessa forma.

Luciano Pires: Hm, nada como comer uma pipoca quentinha, e esse cheirinho, hein. Mas imagine que você tem de pedir, mas não consegue dizer uma só palavra. É difícil, né? Pois é, no Brasil existem dois milhões de autistas que passam por esse desafio diariamente, não só para pedir pipoca, mas para coisas básicas, como dizer que quer ir ao banheiro, que está com sede, que está com frio. Bem, agora existe uma solução que está ajudando muita gente, o aplicativo Matraquinha, que ajuda essas crianças e adolescentes a expressarem seus desejos, emoções e necessidades. O Matraquinha tem mudado muitas vidas, e se você quiser fazer parte dessa corrente de transformação e amor ao próximo, torne-se um apoiador em matraquinha.com.br. Olha, acredite, existem pessoas honestas trabalhando para ajudar o próximo e que precisam do nosso apoio. Matraquinha.com.br.

Luciano Pires: Eu me lembro uma vez, cara, muitos anos atrás, que estava tendo uma discussão aí sobre criança desaparecida que sumia, ninguém achava, aí começaram uma mobilização, aí a própria Rede Globo colocava no intervalo da novela, entrava as fotos das crianças na Globo, aí começaram a botar a caixinha de leite com foto das crianças desaparecidas, e foi um movimento da sociedade como um todo para ajudar a encontrar, e parece que deu um resultado legal, encontraram um monte de criança e tudo mais. Então, houve uma ação da sociedade em direção de resolver um problema seríssimo, e como tudo que a gente faz, depois cai no esquecimento, quer dizer, voltou ao que era antes, não continuou esse processo. Em um caso como essa adoção, tem alguma coisa que a sociedade consiga fazer para acelerar, reduzir esse gap, porque se tem 30 mil esperando e 4 mil disponíveis, cara, tinha que acabar os 4 mil em uma semana. O que que dá para ser feito ali? Porque eu entendo que a engrenagem burocrática você não tem muito o que fazer, não dá para mexer naquilo, ô juiz, vai mais rápido aí. Não vai. O que que a sociedade podia fazer? Vocês já pensaram em soluções para…

Wagner Yamuto: Algo que já fizeram alguns testes e têm surtido efeito, porque uma coisa é eu dizer para você, tem quatro mil crianças, na sua cabeça ok, 4 mil crianças, agora se elas têm rosto e se elas têm nome, é diferente, se você ver uma foto de um Gabriel, de uma Ana, de uma Maria, de um Pedro, do João, do Ricardo, aí a coisa muda de figura, porque não são 4 mil, tem 300 Pedros, 400 Gabrieis, 500 Anas…

Luciano Pires: Mas você não pode divulgar essas fotos, não é?

Wagner Yamuto: Então, essas fotos, o ECA também não deixa mostrar foto de menor, então alguns fóruns, eles estão conseguindo para as crianças maiores, que seria dessa parte de adoção tardia dos adolescentes, são projetos específicos que aí, por exemplo, em São Paulo, tem o Adote um Boa Noite. Neste caso, eles têm autorização de mostrar foto desses adolescentes e vídeos, e aí sim, com esse tipo de ação, as adoções funcionam muito mais, porque do outro lado quem está procurando um filho, quem está em busca de um filho, quer, tem o sonho de ser pai, uma mãe, ele vê um Pedro falando…

Luciano Pires: Você tangibiliza.

Wagner Yamuto: Sim, exatamente, a palavra é essa, tangibiliza, então você consegue mostrar que existe e que o problema está lá, então esses programas têm tido sucesso, mas eles precisam expandir para o Brasil inteiro, entendeu? Então, tem que chegar… e isso está sendo pontual, é cada fórum que está trabalhando de uma forma diferente, então o fórum de São Paulo tem, aí eu também já vi programas assim no Espírito Santo, já vi um no Rio de  Janeiro, mas é muito localizado, mas não ganha visibilidade, ele precisava estar em um intervalo de uma novela, por exemplo, mostrar o garoto, ele dizendo que eu sou o Gabriel, tenho 14 anos, eu estou aqui, eu gosto de jogar bola, eu gosto de videogame, eu brinco lá de tal coisa, eu gosto disso daqui, leio livro, e aí na outra ponta, alguém vai ver e se a pessoa que está interessada em adotar, mesmo que ela ainda não esteja no perfil dessa criança, imagine que, de repente, eu coloquei lá perfil de até 10 anos, mas apareceu uma criança de 12, que me chamou atenção, eu posso chegar no fórum e falar, cara, aquela criança me tocou de alguma forma, tem como eu me conectar com ela e ver como que… se a gente consegue ter uma interação, uma adaptação? E aí sim, o fórum faz essa conexão mesmo não estando naquele perfil inicialmente previsto lá no papel. Então, o papel é uma coisa, mas aí quando vai para a prática, mas precisa de visibilidade, teria que ter o horário lá para mostrar, falar, gente, tem essas crianças, uma chamada, e o canal aberto hoje ainda é um canhão.

Luciano Pires: Por mais que tenha caído, ainda é um canhão.

Wagner Yamuto: Ainda é um canhão, se de repente você mostra, vai ficar muito na minha bolha, então a minha bolha, a bolha da adoção, todo mundo sabe que tem essas crianças, todo mundo vê o vídeo dessas crianças, mas às vezes a pessoa está entrando em processo de adoção agora, ela ainda não tem muita consciência do que acontece. E a sociedade também, porque se cai na… se isso explode, a gente joga no ventilador, todo mundo se mexe, aí a sociedade pressiona também na outra ponta, porque tem tanta criança acolhida lá sem ainda um parecer jurídico para decidir o futuro dela. Eu vi casos de crianças acolhidas que a mãe se acidentou, aí não tinha com quem deixar a criança, então a gente sabe que é um acolhimento temporário, porque ela ia passar o tempo de internação, depois, ia voltar, mas as outras não, as outras estão lá por coisas bem pesadas mesmo. Então…

Luciano Pires: Que a gente nem faz ideia do que passa ali.

Wagner Yamuto: Exatamente.

Luciano Pires: Bom, aí vocês entraram nesse processo, ficaram 4 anos na fila, como é que surge o Gabriel?

Wagner Yamuto: Então, o Gabriel, quando ele tinha 10 meses de vida… só um pouquinho antes, isso foi próximo de umas férias, nas férias de janeiro, a Grazi e eu fomos para uma praia, a gente foi no litoral norte aqui de São Paulo.

Luciano Pires: Que ano era?

Wagner Yamuto: Isso foi em 2010, ele nasceu em 2009, mas a adoção dele aconteceu em 2010. A gente passeando lá na praia, no litoral norte de São Paulo, aí eu pisei em um, eu estava descalço, eu pisei em um montinho meio quente, eu estava descalço, aí era um cocozinho, um cocô de cachorro lá, aí eu fiquei bravo, fiquei bem bravo mesmo, e a Gra começou a rir, não liga, vai lá, lava no mar, isso é sorte, isso é sorte. Falei, porra, que sorte, sorte dos outros que viram eu pisando, não vão pisar nisso aqui. Cara, a gente foi para casa, dois dias depois o telefone do fórum tocou, e a gente faz a analogia com a bolsa estourou, então a bolsa da grávida quando estoura tem que correr, o nosso, o fórum ligou, falou, tem uma criança no perfil que vocês escolheram, vocês querem conhecer essa criança? A Gra já me ligou, estava no trânsito, ela falou, encosta o carro para você não fazer bobagem, ligaram do fórum, a gente vai ser pai, aquela loucura, emoção, choro, a gente chegou em casa e falou ok…

Luciano Pires: Mesmo sem ver a criança.

Wagner Yamuto: Mesmo sem ver a criança, aquilo na gente já disparou, porque a gente ficou tanto tempo esperando esse dia chegar, o dia da ligação chegar, que…

Luciano Pires: Foi uma gravidez de 4 anos.

Wagner Yamuto: Uma gestação, a gente diz, o Gabriel já tinha ido para a lua e voltado umas 4 vezes, o Elon Musk não é nada perto do Gabriel que estava chegando aí, o Gabriel já falava 4 idiomas, era já um moleque. Então, aí ligou, falou ok, então vocês vêm aqui no fórum, a gente começou a entender, você vem no fórum, a gente vai mostrar uma foto e contar a história que a gente conhece dele. Até então, ele tinha uns 8 meses mais ou menos. A gente foi, ela contou, a história que a gente sabe é assim, do nascimento ele foi direto para o abrigo, então da maternidade ele foi direto para o abrigo.

Luciano Pires: Ele já estava abrigado há 8 meses?

Wagner Yamuto: Exatamente, ele foi recém-nascido, com 5 dias de vida já foi acolhido já, foi para o abrigo. A gente viu a foto, aí colocaram, quem é da minha geração ali, que cresceu nos anos 80, vai lembrar do filme Dennis, O Pimentinha. A foto estava igual, cabelinho lambidinho, molhadinho, uma gravatinha, uma roupinha toda bonitinha lá, e a gente se encantou pelo Gabriel, a gente viu a foto, e falou, quero conhecer. E aí…

Luciano Pires: Como é que foi esse momento, cara, porque até então você está falando de características que se descrevem, vem de… de repente materializa em uma imagem, você pega aquilo na tua mão e a tua vida vai mudar naquele momento, cara.

Wagner Yamuto: Ali a gente assim, a gente se emocionou bastante, porque realmente é muito forte você ter aquela possibilidade, eu digo que a assistente… foi, se eu não me engano, psicóloga, ela contou a história dele, que eu não me lembro uma vírgula, porque era só blá blá blá, porque eu e a Grazi estava na foto, entendeu? A gente não… realmente foi algo indescritível aquela sensação que algo realmente fosse acontecer com a gente, mas ainda um pouco na defensiva, porque tá, a gente ainda vai conhecê-lo.

Luciano Pires: E até porque tinha uma disputa, devia ter outros casais…

Wagner Yamuto: Então, nesse ponto, quando eles chamam não tem outro casal, não tem, então quando eles chamam, realmente aquela criança já está no meu perfil, a gente está naquele processo. E aí a gente ainda calhou de pegar um período de carnaval, e aí a gente viu a foto e só foi ver o Gabriel uma semana depois, porque o fórum entrou em recesso, quem tinha que assinar a autorização para visitar o Gabriel no abrigo era o juiz.

Luciano Pires: E a foto não sai de lá, você não saiu com a foto no bolso?

Wagner Yamuto: Não sai com a foto, não podia sair com a foto.

Luciano Pires: E nem fotografar a foto você pode?

Wagner Yamuto: Não, nada. E aí a gente naquela loucura, aí realmente chegou o dia de conhecer o Gabriel, a gente pegou o documento no fórum, foi para o abrigo, e a primeira vez que a gente viu o Gabriel, a gente desmonta. Eu não consigo comparar com uma gravidez, porque a gente não teve essa gravidez tradicional, e para ajudar, ele estava dormindo, eu não podia encostar nele, podia ver ele, mas não podia acordar, não podia pegar ele no colo, a gente teve que esperar ainda o bonitão acordar.

Luciano Pires: Aí o pessoal te leva até o berço…

Wagner Yamuto: Falou, ele está aqui, ele está dormindo, aí contaram mais um pouco da história dele, mas ele estava lá bonitão, dormindo do jeito que ele gosta, todo aberto lá, todo com os braços esticados, aí quando ele acordou, aí sim a gente sentiu pela primeira vez o que era ter um filho nosso no colo.

Luciano Pires: Então, nesse momento, cara, nesse exato momento, a definição, se ia ser ele ou não, era de vocês dois, se vocês disserem eu quero, acabou, já está pronto, ele já está disponível, se você quiser, é seu.

Wagner Yamuto: Exatamente, e aí foi exatamente assim, a gente já falou, então tá, onde estão as coisas dele que eu vou para casa.

Luciano Pires: Já leva?

Wagner Yamuto: Então, a gente achou que fosse, por isso que a gente criou o site, o blog todo, para explicar para as pessoas que não é assim, porque a gente tá, então tá, cadê a malinha dele? Não, não, agora a gente vai passar por um período de adaptação.

Luciano Pires: Pegaram no colo, brincaram com ele…

Wagner Yamuto: Brincamos com ele, e vai para casa sem o filho.

Luciano Pires: E devolve, deixa lá de novo.

Wagner Yamuto: Deixa lá no berço e volta para casa, mas aí nesse percurso, que o abrigo era perto de casa ainda, coincidentemente ele estava muito próximo de casa, era 10 minutos eu acho, nesses 10 minutos a gente já ligando para a família, que o Gabriel, a gente ia precisar de ajuda, porque a gente não tinha armário, não tinha cama, não tinha berço, não tinha roupa, não tinha fralda, aí mobilizamos a família inteira para correr atrás e ajudar a gente. E aí começou daquele dia em diante o período de adaptação, então a Grazi saía do trabalho e ia para o abrigo, antes de ir para o trabalho, eu passava no abrigo, quando voltava… a Grazi ficava o tempo que ela podia ficar, porque ela estava trabalhando, e ela trabalhava em um shopping, trabalhava das duas às dez da noite, então ela chegava de manhã e saía ali por volta de uma hora, meio dia, dava almoço para ele, dava tudo, dava banho, aí de noite, quando eu saía do serviço, eu chegava lá umas seis e pouca, aí ficava com ele para dar janta para ele…

Luciano Pires: Quer dizer, na cabecinha dele, ganhei dois cuidadores, são dois cuidadores novos que estão aqui cuidando de mim.

Wagner Yamuto: Exatamente. E o curioso, que eu me lembro até hoje, tinha uma garotinha que era maior, toda vez que a gente entrava, ela falava papai, mamãe, e a gente não era. E não podia deixá-la fazer entender que eu seria, então eu sou o papai do Gabriel, e a Grazi, eu sou a mamãe do Gabriel, então a gente ainda convive com essas crianças também. E aí na hora você já está meio mole, dá vontade de levar, pegar todas as crianças, colocar no colo e levar para casa, sabe?

Luciano Pires: Sim, eu achei que fosse uma coisa mais isolada, porque eu imagino na cabecinha das crianças, esse aqui conseguiu e eu não.

Wagner Yamuto: E quando elas vão ficando mais velhas, que elas vão tendo entendimento e presenciando, ah esse não é para mim, essa família não é para mim. É mais difícil de trabalhar com a cabeça dessa criança.

Luciano Pires: Sim, porque é um volume de… isso é uma rejeição brutal…

Wagner Yamuto: Porque ela não entende porque que está vindo para o amiguinho dela ali do lado e não está vindo para ela, ela não tem como ter essa consciência também, porque tem que ter alguém no perfil da idade dela, se aceita menina, por exemplo, ou de repente, ela tem uma questão respiratória, se aceita ainda com asma, com bronquite, porra, é muito detalhe para conseguir. E aí nesse período de adaptação foram praticamente 30 dias todo dia, até o abrigo, a psicóloga do abrigo, a assistente social do abrigo fazer um relatório, enviar para o fórum responsável, aí o juiz sim, autorizar, aí a gente vai com o Gabriel para casa, aí sim com a guarda provisória, para fins de adoção, então no papel ele ainda não é nosso filho, a gente tem a guarda provisória.

Luciano Pires: Enquanto você está interagindo com ele lá no abrigo, você está sendo observado pela psicóloga, então ela vai conversar com você, ver como é que é…

Wagner Yamuto: Ver como que é a interação, ela olha tudo isso. Inclusive, pulando muitos anos para frente, no processo da Agatha, como a gente já conhecia tudo, no primeiro dia que a gente foi encontrar a Agatha também, mesmo já tendo vivenciado tudo aquilo, foi emocionante da mesma forma, mas ela era uma garotinha que chorava muito, e aí eu até falei, poxa, será que é porque no ambiente aqui do abrigo são só mulheres, são só cuidadoras, ela de repente vê uma figura masculina, ela está assustada, ou alguma coisa desse gênero, a psicóloga falou, não, não tem nada a ver, ela estava estranhando mesmo, no terceiro dia dela chorando, no terceiro dia seguido dela chorando quando a gente chegava, eu cheguei para ela e falei, filhinha, está vendo aquela tia ali, ela está olhando tudo o que está acontecendo aqui…

Luciano Pires: Que idade a Agatha tinha?

Wagner Yamuto: Tinha 10 meses.

Luciano Pires: 10 meses, então ela não ia entender o que você estava falando.

Wagner Yamuto: Não, mas era para tirar o nosso peso, que a Grazi estava junto. Então, está olhando tudo, se você continuar chorando aí, a tia não vai ajudar a gente, a gente vai demorar para sair daqui, sabe? Brincando com ela nesse sentido, porque era algo que a gente estava meio agoniado, será que ela não está adaptando com a gente? Mas no final, realmente era adaptação, ela precisava de um tempo maior porque eram dois estranhos e ela também, coincidentemente, 10 meses acolhida também, então ela chegou para a gente com 10 meses, o Gabriel com 10 meses, então foi tudo muito parecido, tempo, e até a experiência que a gente teve. Mas passa por isso, tem alguém na ponta lá anotando tudo como está esse período de adaptação, e quanto maior a criança, mais tempo leva esse período, e se ela já é adolescente, ela também tem um lugar de fala, então ela também vai ser questionada, você aceita esse pai, essa mãe, você quer viver com esse pai, com essa mãe, aí o processo fica um pouco mais complicado nesse sentido, tem que escutar a outra ponta também.

Luciano Pires: Que doideira isso, cara. Mas vamos lá, o Gabriel chega em casa, a vida de vocês mudou completamente do dia para noite, ele chega com 10 meses, é isso? 10, 11 meses, é por aí, não é? Família aceita, aceitação total, a partir daquele dia, não importa se veio da barriga, se não veio, era o filho de vocês ou vocês tiveram que impor isso na família? Eu digo porque, eu sou de uma família mais antiga que a tua, não sei se eu tenho idade para ser seu pai, mas mais ou menos por aí, e eu me lembro que havia na minha família lá atrás, coisas de avós e bisavó, aquela coisa toda de tipo assim, as crianças que eram filhos do ventre e as que eram agregadas, havia uma certa diferença ali, essa não veio do ventre, como se aquilo fosse uma… ninguém tratava ninguém mal, mas a criançada sabia que tinha uma diferença lá porque vieram de lugares diferentes, como se fosse um preconceito antigo, eu não sei como que era. No teu caso, na tua família, o acolhimento foi total ou vocês tiveram que impor de alguma forma para a família, como é que foi isso?

Wagner Yamuto: É, a gente teve o acolhimento total, a gente não teve nenhuma outra questão negativa com a nossa história da adoção, a família foi super bem receptiva, não sei se boba ou não, mas lógico que a gente tinha, principalmente com as gerações mais antigas, mas pelo contrário todo mundo foi super bem receptivo, nunca teve nenhuma discriminação, o Gabriel era da família, já era o neto, já era o primo, já era o sobrinho, então realmente a gente não teve, a gente sabe de histórias que isso acontece, mas a Grazi e eu, a gente estava muito bem resolvido com essa história, entendeu? A gente queria muito ter um filho independente de como fosse, então acho que isso transmitiu para todo mundo também, e a gente informou para a família também de todo o passo a passo, acho que isso ajuda bastante também, então às vezes a gente até brinca…

Luciano Pires: Vocês fizeram uma festa de nascimento do bebê, como é que foi? Porque no dia do parto está todo mundo no hospital, está aquela confusão, como é que é, chegou o bebê, gente, venham em casa porque nasceu.

Wagner Yamuto: Aconteceu assim, quando o Gabriel chegou, ele tinha 10 meses quando a gente conheceu, ele chegou para casa, ele tinha 11 meses, pertinho do aniversário de um ano, então a gente fez a festona de 1 ano, para família, para aos amigos, para todo mundo, porque todo mundo vivenciou com a gente, eu tive que pedir atestado, a Grazi também, de idoneidade moral, eu tive que pedir um atestado para amigos, falar, cara, escreve aí que eu sou uma pessoa legal, assina e registra em cartório, então os amigos estavam envolvidos nisso, entendeu? Estava todo mundo envolvido, aí foi uma baita festona, foi muito legal, aí a gente apresentou o Gabriel, e o Gabriel na ocasião, ele estava começando a andar também, então do engatinhar ali que a gente conheceu, ele já estava dando os primeiros passos, ele deu uma semana depois do aniversário, mas já ficava de pé, já tinha o desenvolvimento dele ali, de acordo com o esperado para a idade dele.

Luciano Pires: Legal, legal. Quando vocês começaram a perceber que tinha um x-man na família?

Wagner Yamuto: Isso foi logo em seguida que ele começou a andar, que a gente já tinha ali na ocasião, já tinha dois sobrinhos, três. Já tinha três sobrinhos já, e a família é muito unida, muito próxima, então a gente entendia como era o desenvolvimento de criança, então a gente falou, o Gabriel está legal, mas ele não está falando, ele não fala, não fala. E a gente começou a investigar, será que ele é surdo, mas eu sabia que ele não era surdo, porque o Gabriel é bom de garfo, quando eu abria um saco de bolacha, um salgadinho, ele olhava e ia correndo, eu falei, surdo, ele não é. A gente foi ver se tinha alguma questão de cordas vocais, fez… revirou o menino de ponta a cabeça, nada, ele não falou, o tempo passando, aí ele já estava, por exemplo, com dois anos, ele ainda sem falar, sem falar nada, a gente opa, ele só resmunga, fazia um gemido aqui, outro ali. A gente colocou, falou, vamos colocar ele em uma escolinha, matriculamos ele em uma escolinha, na rua em frente de casa assim, só atravessar a rua, uma escolinha particular, falou ok, a gente conversou lá, teve uma entrevista com uma psicomotricista, e a gente falou, o Gabriel é assim, ele tem esse comportamento, desse jeito, para mim de qualquer criança, mas uma questão é que ele não fala, a gente acha que porque ele ficou acolhido por 10 meses, não teve estímulo suficiente, seguimos a vida, ela falou ok, vou ficar aqui com o Gabriel. E depois de um mês, ela chamou a gente de volta, falou, observei o Gabriel, fiz um relatório aqui e eu preciso que vocês procurem um neuropediatra e levem esse relatório, e a gente ok, a gente sempre foi muito aberto. Marcamos a consulta, chegamos na consulta, o Gabriel entrou na sala, do jeito dele, igual entrou aqui, já curioso, olhando em tudo, mexendo em tudo, a neuropediatra olhou o relatório dessa psicomotricista, conversou com a gente, observou ele, 10, 15 minutos no máximo. Seu filho é autista. Sem rodeios. E para gente foi um silêncio…

Luciano Pires: Vocês já tinham ouvido isso, autismo?

Wagner Yamuto: Quando ela falou autismo, que ele é autista, eu me lembrei de matérias que eu vi na televisão, na televisão eles mostram casos muito severos, e aquilo veio na minha cabeça, o chão se abre na hora, você sem entender o que está acontecendo, e aí eu já falei, eu pensando na minha cabeça, como que eu vou processar essa maluca que não conhece meu filho, faz 10 minutos que ela está conversado comigo e dá um diagnóstico desses, como que eu arrebento com essa clínica aqui sem parecer que sou maluco? Não foi bem assim. A gente foi para casa, a gente já chorando no carro, a Grazi e eu, sem entender o que estava acontecendo, olhava pelo retrovisor, o Gabriel olhando para fora como se nada tivesse acontecido para ele, falei, não deve ser, aí a gente entrou em um segundo luto, a gente passou pelo luto da infertilidade lá atrás, e veio um luto de um filho que a gente criou uma expectativa, é a tal da expectativa, a gente criou uma expectativa por quatro anos que naquele momento, todas aquelas idas à lua, os idiomas, eu não sabia o que era autismo, eu tinha que entender o que era isso. A gente passou um período difícil nas nossas vidas ali para entender, para absorver, então teve a negação, teve a aceitação, a gente passou por todo aquele processo como se fosse um luto mesmo, que a sensação que teve foi, e agora? Não era o filho que eu tinha 10 minutos atrás, mas ele estava lá. Então, realmente são pensamentos muito conflitantes que a gente tem naquele momento, é muito forte, foi muito difícil a gente passar por aquilo, superar aquilo, e entender… e aí quando a gente começou a estudar um pouco sobre o que era autismo, antes de entrar com um processo contra aquela médica, aí a gente começou a entender que tem estereotipia, a estereotipia às vezes ficar balançando os braços, ou ficar dando pulos, ou chacoalhando o corpo, e aí a gente começou a ver os vídeos caseiros de quando ele chegou lá no abrigo, e aí com um olhar um pouco mais treinado, você fala, porra, estava lá, a gente que não percebia.

Luciano Pires: E no abrigo também não, e as cuidadoras também não, e a psicóloga do abrigo também não e ninguém viu.

Wagner Yamuto: E se tivessem visto, o Gabriel não teria chegado na nossa família, porque no meu perfil não estava autismo, então… o universo às vezes trabalha de uma forma que a gente não entende, não consegue compreender, mas naquele momento a gente parou, falou ok, ele tem autismo, ele é autista, vamos lavar o rosto, vamos enxugar, e vamos trabalhar o que ele precisa agora, o que que ele precisa para ter autonomia, vamos trabalhar agora esse tal de autismo aí, vamos dar mais qualidade de vida para esse garotão aí.

Luciano Pires: Deixa eu ser um pouco perverso aqui, porque eu acho que essa conversa nossa aqui pode ajudar um monte de gente, inclusive, lá. Passou pela cabeça de vocês, de alguma forma, em algum momento assim, tipo assim, cara, veio com defeito, vou devolver, me enganaram, me enganaram, me ofereceram algo e eu peguei, veio com defeito, vou devolver. Passou pela cabeça de vocês em algum momento algo assim?

Wagner Yamuto: Em nenhum momento, o Gabriel já era nosso filho independente do modo como ele chegou até a gente, então aqueles 4 anos de espera, depois que o Gabriel chegou, parece que não aconteceu, então realmente era o nosso filho e nunca passou pela cabeça. Mas a gente escutou…

Luciano Pires: Histórias, imagino que deve ter histórias…

Wagner Yamuto: Não, a gente escutou de pessoas próximas perguntando se a gente não podia devolver, que estavam no nosso círculo ali.

Luciano Pires: E nesse teu trabalho com adoção e tudo mais, você deve ter trombado com casos assim aos montes.

Wagner Yamuto: Sim, no caso da adoção, por exemplo, a gente já tem… assim, a gente escutou relatos de profissionais do fórum que a criança foi devolvida porque ela não sabia usar um talher, por exemplo, ela não conseguia usar um garfo e uma faca.

Luciano Pires: E essa devolução é um processo normal, posso devolver do jeito que eu devolvo um carro que eu não gostei?

Wagner Yamuto: Como você tem um período de adaptação, está com as guardas para fins de adoção, e aí lógico, cabe ao juiz, ao setor técnico entender o motivo disso, e hoje em dia, é cada vez mais comum famílias serem processadas e obrigadas a arcar com os custos dessa criança até a maioridade.

Luciano Pires: Mesmo não ficando com a criança?

Wagner Yamuto: Mesmo não ficando com a criança.

Luciano Pires: O pior cenário é obrigar a ficar com a criança, imagine.

Wagner Yamuto: Imagine na cabeça dessa criança, ela ter ido para uma família, para um lar, e depois ter sido rejeitada e voltado ao abrigo, voltado para o acolhimento.

Luciano Pires: Quer dizer, por isso esse cuidado todo.

Wagner Yamuto: Por isso que tem essa proteção toda.

Luciano Pires: E acho que além dessa proteção toda que o estado faz, tem uma parte da própria família que, de repente, está entusiasmada, está encantada, peguei o garoto no colo, peguei a criança no colo, estou aqui feliz e esquece, cara, tem uma carga filha da mãe vindo junto.

Wagner Yamuto: A responsabilidade de ser pai e mãe, você conhece muito melhor do que eu, tem filhos adultos, entendeu? Uma coisa é você brincar com sobrinhos, outra coisa é você acordar no meio da noite porque a criança está com febre, ter que correr com a criança para o hospital.

Luciano Pires: E saber que você é o recurso dela, fulano… o recurso é você…

Wagner Yamuto: Então, esse processo realmente é demorado, porque o setor técnico, mesmo com tanta entrevista que faz, às vezes passa um caso desse, que é como se todo o processo tivesse falhado, e o setor técnico se sente péssimo com isso, você fala, caramba, essa criança voltou e eu fui o responsável, eu dei o ok para ir para essa família, e do outro lado, o cidadão encrencou porque a criança não sabe usar um talher, ou de repente porque ela é malcriada, falou palavrão, mas e o lado da criança, como que ela chegou ali? É um buraco muito mais embaixo, e é superimportante essa sua pergunta sim, para a gente, o Gabriel sempre foi nosso filho, independente do que viesse a acontecer.

Luciano Pires: Bom, vocês tiveram que escalar uma montanha desgraçada para entender o processo da adoção, passar por aquilo tudo, entender como é que era, foram tão fundo que tiveram a grandeza de juntar isso tudo para contribuir, criaram uma área onde as pessoas podem entender. Pintou o autismo, chegou a hora de começar do zero outra vez, porque agora eu vou ter que entender o que é, vou ter que estudar o que é, para entender o que que eu vou ter que fazer, porque acho que junto com essa… com a definição de que vocês tinham um quadro ali de autismo, onde você tem uma criança fisicamente saudável, que tem capacidade de escolher coisas, ela sabe o que quer, mas ela tem alguma dificuldade ali de comunicação ou de cair em um ambiente, entrar em um ambiente do jeito normal de ser, digamos assim. Isso implica não só, você vai ter que ter uma puta paciência, você vai ter que aprender como fazer, vai ter que aprender a como se comunicar com ela, vai ter um custo, você vai gastar uma grana também, porque eu sei que a terapia não é uma terapia simples, quando vocês começaram a mexer nisso, vocês fizeram em dois, foram estudando isso para entender como é que era, foram visitar agente, foram conversar, como é que vocês fizeram esse processo de entendimento do que estava acontecendo?

Wagner Yamuto: Primeiro foi muito estudo, a gente descobriu que tinha um site, se não me engano, chamado Autism Speaks, que não tinha muito material no Brasil, pelo menos que a gente conhecesse na época, então encontramos esse que era referência, por ali a gente estudou bastante…

Luciano Pires: Autism Speaks, era em português o site?

Wagner Yamuto: Não, inglês.

Luciano Pires: Inglês, Autism Speaks.

Wagner Yamuto: E aí por ali a gente entendeu muito, começou a estudar muito e começamos a procurar terapia, então, ele não fala, vamos procurar uma fonoaudióloga primeiro, que a gente ainda sem base do que procurar. Aí a gente foi em uma fonoaudióloga, mas generalista, não específica em autismo, e aí a coisa também não estava funcionando, a gente não estava gostando muito de como estava sendo a abordagem utilizada com ele, e nas pesquisas, minha… a Grazi, ela chegou a olhar um vídeo assim na internet, se eu não me engano foi no Facebook mesmo, na timeline assim, uma amiga dela de infância postou o vídeo de uma ONG que faz terapia com autistas, que proporcionava terapias para autistas, em uma ONG. Ela viu e falou, nossa, minha amiga é fono, ela trabalha nessa ONG. Aí na hora ela mandou uma mensagem para ela, falou, oi Paloma, aqui é a Grazi. Elas viajavam juntas e tudo quando eram crianças. Falou, meu filho é autista. Ah eu sou fono especializada em autismo. Aí a gente começou a fazer a terapia com ela, mas não na ONG, então na ONG ela trabalhava o dia inteiro, e a ONG para captar algum tipo de recurso também, disponibilizava salas no final do dia para que as terapeutas pudessem fazer particular e uma parte da receita ia para a ONG, então a gente passou a levar ele nessa ONG, aí a gente conheceu lá uma psicóloga e uma terapeuta ocupacional, aí que a gente entendeu o tamanho do buraco que a gente estava começando a entrar. Falar, então ele precisa disso. Isso era o que a gente podia pagar também, que é uma armadilha que a gente cai quando a gente é pai, você sempre quer prover do bom e do melhor, chega em um momento, e a gente caiu nessa armadilha, a gente deu uma quebrada financeiramente, porque chegou em um ponto que a gente estava pagando mais terapias… a gente não conseguia mais pagar conta, porque só pagava terapia, e aí você vai se sentindo um merda, porque você olha para a grama do vizinho do lado, enquanto meu filho fazia 8 horas semanais de terapia, outro faz 40, você fala, porra, meu filho não vai evoluir nunca, sou uma porcaria, tenho que tentar outro trabalho, tenho que fazer alguma coisa. E é outro processo que a gente tem que trabalhar na cabeça também, não é só o autismo, não é só os desafios do dia, é a pressão da sociedade, essa coisa de olhar para o vizinho para saber como é que está a história lá do vizinho, falar, cara, o que eu posso pagar são três horas semanais e é que eu posso fazer, entendeu? Plano de saúde, você tenta, é uma luta, vem profissional que não é qualificado, não é especializado, ao invés de ajudar, vai só atrapalhar.

Luciano Pires: O estado não te provê… não tem um SUS que te dê…

Wagner Yamuto: O SUS, ele tem algo que eles chamam de CAPS, não sei se você já ouviu falar do CAPS, mas o CAPS, uma sessão de CAPS é uma sessão em um conjunto, e uma sessão de CAPS pode ser que tenha alguma pessoa ali que está se recuperando do vício de droga, de álcool, um autista e alguém que tem algum transtorno bipolar, alguma coisa.

Luciano Pires: E no caso do autismo, ele precisa de atenção plena para o problema dele, para a questão dele.

Wagner Yamuto: Full time. Porque cada… assim como todo mundo é um indivíduo, autista também…  E o desafio dele é diferente do amiguinho do lado, então não tem como.

Luciano Pires: Quer dizer, duas crianças com um grau de autismo parecido se comportam de forma completamente diferente, não é que tem um padrão parecido ali que você fala…

Wagner Yamuto: Não tem, não é uma fisioterapia para quem operou o joelho.

Luciano Pires: Deu catapora, se os dois tem catapora, vai aparecer umas marquinhas iguais, no caso, não é.

Wagner Yamuto: Não é, tem crianças que têm seletividade alimentar, por exemplo, então só come alimento amassado, outras só comem alimentos que tem crocância, outras só por cor, só comem alimentos que tem cor amarela, outras não conseguem dormir em uma cama se o lençol tiver dobrado, se ela sentir uma dobra do lençol, incomoda ela, por exemplo. Então, são vários desafios, não tem como realmente generalizar e falar, então são atendimentos individualizados, personalizados para cada demanda. E aí que a gente vai entendendo, fala, ok, começou a terapia, e a terapeuta, doutora Paloma, ela sempre falou, ele não fala, mas a oralização não é a única forma de se comunicar, ele pode se comunicar de outras formas também. E ela entrou com uma prancha de comunicação, que seria um fichário com figuras de objetos e lugares que ele gosta de frequentar, coisas que tem em casa. E foi a partir daí que ele começou a se comunicar com a gente, mostrando a figura, pegava a banana, mostrava a figura da banana para a gente, a gente sabia que ele queria comer banana, ou que ele queria ir no banheiro, ou que ele queria brincar, e aí que ele começou a se comunicar com ele, porque até então, era de perguntas, mas eu tinha que adivinhar, e ele se frustrava, porque a gente chegava em um restaurante, em uma lanchonete, falava, filho, você quer tomar suco ou refrigerante? Ele queria comer uma coxinha. Porra, como que eu vou adivinhar que ele quer comer uma coxinha, então eu vou na tentativa e erro, mas na tentativa e erro, uma hora ele se frustra, ele se irrita, aí ele acaba entrando em crise, entrou em crise, pode se machucar, vai se morder, vai tentar correr, então vai ficar muito mais perigoso para ele. E para quem está em volta também, porque hoje ele tem 14 anos e tem minha altura, se ele entrar em uma crise hoje e de repente ele der uma braçada e tiver passando alguém do lado, vai machucar essa pessoa.

Luciano Pires: Se ele tem a altura, ele é o dobro da Grazi.

Wagner Yamuto: Exatamente.

Luciano Pires: Como é que segura um molecão desse tamanho, cara?

Wagner Yamuto: Ah, mas ela é mãe, mãe chama junto, não importa o tamanho.

Luciano Pires: Ele tem mais medo dela do que você.

Wagner Yamuto: Entendeu?

Luciano Pires: Entendi.

Luciano Pires: Você está ouvindo o LíderCast, um PodCast voltado para liderança e empreendedorismo, de onde veio este tem muito mais, por exemplo, a mentoria MLA, master life administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional, comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança, o MLA é mais do que isso, é um mastermind para profissionais com encontros mensais, presenciais e online promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências. Olha, tem vagas disponíveis, se você se interessa em estar comigo acesse mundocafebrasil.com, e clique no link para saber mais.

Luciano Pires: O desafio de você saber que você tem um cronograma, eu acho que essa terapia não é uma coisa simples, não é que você vai lá e uma hora depois você busca, terapia é uma coisa complexa, e aí tem uma luta para você conseguir incluir essa terapia… bom, onde é que eu quero chegar? Você resolve em algum momento, fala, bom, eu estou aqui trabalhando para resolver o problema do meu filho, mas eu acho que eu posso ampliar isso aqui, já aprendi como é que eu fiz com a adoção, vou tentar aplicar a mesma coisa aqui, reunir essa informação para mais pessoas. Vocês pensaram nisso?

Wagner Yamuto: Foi na linha da comunicação, então a gente pensou em algo parecido, porque como eu sempre trabalhei com tecnologia, aquela prancha de comunicação, que eu comentei agora há pouco, que ele pega a figura e mostra o que ele quer, então ela deu a voz a ele, então ele passou a se comunicar, mas a gente começou a ter um outro problema, quando vem uma solução, parece vem um problema em seguida, aquela figura na escola era curiosidade para todo mundo, então ele fazia, os amiguinhos queriam ver, às vezes o fichário não voltava para casa, então é como se a língua dele tivesse ficado na escola.

Luciano Pires: Alguém pegou a prancha dele…

Wagner Yamuto: A professora esqueceu de colocar na mochila, por exemplo, ou as figuras se perdiam, porque o amiguinho achava aquela figura engraçada, colocava lá, não que tenha alguma maldade, mas é porque é curiosidade de criança, ou então, a gente esquecia também, a gente como pai e mãe, você vai sair de casa, você leva uma porrada de coisa, aí esquecia da prancha, aí vinha uma crise, porque ele queria comer lá a coxinha e a figura da coxinha não estava mais lá, porque eu não levei o fichário, e eu tinha que levar aquele trambolho de fichário, imagina o vocabulário de uma criança de 7, 8 anos, quantas palavras têm no vocabulário dessa criança? Ela tem que basicamente estar impressa em papel, em figura, é difícil transportar isso, aí começou a vir a ideia de digitalizar aquilo, eu falei, como que eu consigo transformar isso em uma parte mais tecnológica, aí celulares e tablets já era mais usual, pensei, vou criar um site.

Luciano Pires: Então, dá uma pausa aqui agora, a gente volta aí. Como é que foi o momento em que vocês, entre o momento em que vocês descobriram que ele tinha o autismo, até o momento de que chegou a hora dele ir para a escola, passou um tempo entre isso ou foi tudo ao mesmo tempo? Ele já estava na escola? Como é que era? Minha questão é a seguinte, chegou o momento em que eu tenho que socializar essa criança, e ela vai como diferente em um grupo de crianças que são muito cruéis, criança é um bicho cruel, não tem meias palavras ali, o bullying deve ser um negócio pavoroso, então entre o momento em que vocês descobriram o que ele tinha, até chegar na escola, quanto tempo passou, como é que foi isso?

Wagner Yamuto: A gente descobriu, recebemos o diagnóstico de autismo, ele já estava na escola, então ele tinha sido matriculado, porque a gente queria que ele socializasse para ver se desenvolvia a fala, então até então a escola não sabia que ele era autista, e a gente também não, a gente só tinha uma desconfiança que tinha algo diferente ali.

Luciano Pires: Isso com dois anos?

Wagner Yamuto: Com dois anos e meio. Passado um tempo, essa escola chegou a um ponto que assim, como ele tinha essa necessidade especial, que ele precisava de um atendimento personalizado para ele, nessa época, a escola tinha duas professoras em sala para 12 alunos, escola particular de bairro, era pequena, mas uma das professoras começou a se dedicar muito a ele, porque ele trazia essa demanda, não porque a gente pediu, porque ele tinha muitos desafios, e ele precisava dessa demanda, enquanto uma criança com dois anos e meio já está conseguindo comer sozinha, ele não conseguia, não conseguia ir no penico, no banheiro, essas coisas. Aí os outros pais começaram a questionar a escola, falou, mas como assim, eu quero uma professora para o meu filho, tem um garotinho lá que tem uma professora só para ele. Mas o garoto é autista, que não sei o que. Então, alguns pais começaram a vir com essa demanda para a escola. Até que a escola chegou para a gente e falou, a gente não tem como atender as demandas do Gabriel, então a sugere que de repente procure uma outra instituição que consiga atender o que ele precisa, para a gente, lógico, estavam pedindo para ele se retirar da escola. A gente não tinha força para brigar, força psicológica para brigar com essa escola, porque é lei, as escolas não podem, tem que aceitar essa criança. Ok, a gente foi para outra escola, também na outra escola, já sabendo que era autista, na entrevista com a escola, meu filho é autista, assim e assim, porra, não, aqui, a gente acolhe bem, a gente entende, sempre tem um exemplo, tem o fulano e o ciclano que é autista, a mesma história, ele começou, passado o tempo, tem até um episódio bem interessante, que seria a formatura para ele ir para o primeiro ano, então ele já estava com 5, 6 anos ali, ele ia para o primeiro ano, e aí falou, vai ter a festinha de formatura, a colação de grau para ele ir para o primeiro ano, mas ele não vai participar porque a gente entende que ele precisa de mais um ano aqui para desenvolver melhor e tudo, e aí a Grazi e eu falamos, ok, vocês que são especialistas na área da educação, se entendem que ele tem que ficar mais um ano aqui, para a gente ok, não estou preocupado com isso dele estar equiparado a faixa etária, o importante é ele. Aí ok, passados 15 dias depois, então a gente não ia mais para essa festinha, passados 15 dias depois, entraram em contato de novo, a gente viu aqui que pela idade, ele tem que estar no primeiro ano, ele não pode ficar aqui, e as necessidades dele a gente não vai ter como comportar no primeiro ano. A mesma história que a gente ouviu lá atrás. Falei, ok, então já que ele não pode ficar aqui, então ele vai participar da formatura que é um direito dele, ele vai ter que passar, então, pelo o que você me disse, se a lei não permite que fique na mesma série, tem que ir para o primeiro ano. Ah, mas aí não tem como ele ficar, porque a gente não ensaiou, a gente não fez isso, não fez aquilo, vai ter atração, vai ter dança, vai ter música, vai ter coral. Eu falei, tudo bem, ele não precisa dançar, ele não precisa recitar poema, mas ele vai pegar o canudo dele, vocês não têm a beca? A gente tinha lá ficha para alugar a beca, o preço da beca, tudo, eu só quero que ele pegue o canudo. Ah, mas ele vai se incomodar, vai ser difícil. Colocando um monte de problemas assim. Aí eu falei, eu vou ficar com ele lá em cima, aí o combinado resumindo a história toda foi, eu fiquei na coxia com ele, aí duas crianças, antes de chegar nele, eu entrei com ele lá no palco, junto com as outras crianças, sentei, e toda criança que recebia o canudinho, aquele canudo de formatura dedicava, para o meu papai, para a mamãe, para a vovó, eu falei, porra, o Gabriel, não fala, aí ele não fala, mas ele fala um mamã, que seria de mamãe, aí eu cheguei, chamaram o Gabriel, fui de mão dada com ele até lá no palco, aí cheguei no microfone, cheguei no ouvido dele e falei, chama a mamãe, e aí ele falou, mamã, aí quebrou a gente, aí mostrou, falou, está vendo, tipo, o problema é a instituição de ensino, não é a criança, ele está lá para fazer, ele tem potencial. E aí partindo dali, a gente foi, a gente teve isso que foi super emocionante, a Grazi se emocionou para caramba, como sempre a gente chorão, a gente chorou demais. E o primeiro ano, então tá, ele vai para o primeiro para onde? Aí cansei de brigar com escola particular.

Luciano Pires: Aí você teve que procurar escola?

Wagner Yamuto: Teve que procurar escola no final do ano. Falei, porra e agora, a gente cansou de gastar dinheiro, a gente… cansou não, a gente não tinha mais dinheiro para gastar. Falamos, vamos procurar uma escola estadual, porque como é lei, o estado vai ter que dar um jeito, vai resolver isso aí, porque a escola particular está difícil, eu já não tinha dinheiro, ia arrumar advogado para brigar com a escola sem saber o que ia acontecer?

Luciano Pires: Eu não consigo imaginar a dimensão que é para um pai, uma mãe ouvir que a escola não quer o seu filho, cara, nós não queremos o seu filho aqui.

Wagner Yamuto: É punk, é punk, quando você… e você conhecendo as leis, eu tenho mais acesso à informação, eu sabia tudo o que estava acontecendo, e aí um ponto eu falei, tá bom, eu vou brigar, a escola vai colocar, mas de repente, não vão coagir ele fisicamente, mas ter o meu filho em uma escola para ele ficar sentado em um canto olhando para a parede, é muito pior, então não faz sentido só penalizar a escola, vai ficar aí porque eu quero que vocês fiquem. E aí a gente foi para o Estado, e aí no estado, como ele já tinha laudo, tinha tudo, a gente falou, ele precisa de uma cuidadora, nisso a Grazi já tinha aberto mão da carreira dela, da profissão dela, a gente foi atrás da cuidadora, aí o estado falou, está em uma fila de espera, tem que ver se chega, e a Gra ficou… a Grazi, ficou um ano e meio como cuidadora do Gabriel, indo todo dia para a escola com ele, às 7 da manhã, saindo meio dia, sentada ao lado dele, cortando material, recortando, adaptando o material, porque o estado também não oferece material adaptado para essas crianças, então isso com o conhecimento que ela tinha, porque ela chegou a estudar, cursar pedagogia com ênfase em educação especial, antes mesmo da gente pensar em ter filhos, então com o conhecimento que ela tinha, experiência de mãe e de acompanhar em terapia, ela foi adaptando o material, foi trabalhando e ficou aí um ano e meio com ele em escola, até o estado arrumar uma cuidadora para ele, para a gente poder aí, sim, ela respirar um pouco, porque ela dedicada à mãe 300%.

Luciano Pires: Não importa se veio do útero ou se veio por escolha.

Wagner Yamuto: Quando é para o filho, e mãe é forte, e a Grazi, ela arrebenta, você conhece ela, ela é pequeninha ali, mas a bicha é braba.

Luciano Pires: Volta ali então, você pega e fala, vou digitalizar essa planilha aqui, vou digitalizar essas imagens.

Wagner Yamuto: Isso, aí voltando ali para a digitalização, eu falei, eu vou criar um site, que era o que eu sabia criar na época ali, falei, mas espera aí, já olhava para o Gabriel, ele não sabe escrever, vai depender de ter uma internet nesse aparelho aqui para ele mexer, acho que não vai funcionar. Aí coloquei na gaveta, que hoje em dia eu descobri que é pivotar, pivotei aquela ideia lá, então o site não vai funcionar, aí passado um tempo, falei, poxa, mas essa prancha aqui está sendo boa, mas por outro lado, vira e mexe, dá um probleminha aí que figura… aí nada, falei, caramba, não consigo encontrar outra solução. Até que um dia, almoçando com o Adriano, que é meu irmão, a gente trabalhava na mesma empresa, a gente foi almoçar, ele falou, cara, vou começar a estudar desenvolvimento de aplicativo, você topa? A gente sempre foi muito unido, a gente sempre viveu junto, o tempo todo, a gente nunca teve problemas, trabalhamos juntos. Falei, cara, vamos, achei legal a ideia dele, falei, vamos aí. Aí ele falou, mas o que que você quer fazer? Tem alguma ideia, vamos fazer alguma coisa para adoção, porque na época eu falava muito da Adoção Brasil, aí eu lembrei da minha gaveta lá que eu tinha guardado, falei, cara, a prancha de comunicação, está aqui, vamos pegar aquelas figuras e colocar nesse aplicativo aqui. Aí desse almoço até sair a primeira versão do aplicativo, levou uns 3 meses ali. E aí eu fiz um aplicativo e o Gabriel foi testando, então nesse meio tempo o Gabriel foi fazendo o teste, eu fazia e dava na mão dele, e aí o Gabriel mexia…

Luciano Pires: Ele já era fascinado por telas.

Wagner Yamuto: Já era fascinado por telas desde pequenininho, então deixei na mão dele, a usabilidade, a usabilidade aqui não está boa, não, ele não está entendendo como encontrar a figura, a gente foi ajustando, quando ficou razoavelmente bom para ele mexer, a gente colocou nas lojas de aplicativos, mas coloquei assim de maneira despretensiosa.

Luciano Pires: Já tinha nome?

Wagner Yamuto: Já tinha, Matraquinha, porque o Matraquinha surgiu porque mesmo ele sem falar, tem dias que ele acorda inspirado para caramba, e aí ele fica lá no ba ba ba, ele fica balbuciando, ele fica tentando se comunicar, e a gente já falava, que às vezes eu não conseguia conversar com a Grazi, falava, filho, parece uma matraquinha, você não para de falar, deixa eu conversar com a mamãe, brincadeira lá de casa interna, aí o Matraquinha já tinha. Então, o nome, porque quando a gente saiu do almoço, eu já registrei o domínio já, falei, cara, vamos chamar de Matraquinha, aí já fui ver, o domínio estava liberado, a gente já registrou na hora, já saiu com o nome e pouco tempo depois eu coloquei na loja de aplicativos para os familiares poderem instalar também. E aí entre uma terapia e outra, enquanto os pais estão compartilhando as derrotas, as vitórias, às vezes só precisa de um ombro só, porque é uma jornada difícil, assim, a gente fala o lado bom, mas tem gente que romantiza demais, mas tem o lado pesado também, então compartilhando, aí ah que legal, aí instalou, o outro instalou, outro instalou, e quando a gente foi ver já tinham milhares de instalações assim do aplicativo funcionando. A gente falou, opa, tem coisa diferente aí. E foi aí que a gente começou a entender, ok, isso aqui é o Matraquinha, e a gente se inscreveu em um programa de aceleração do Google, do Google for Startups.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Wagner Yamuto: Isso em 2019, então 2018 saiu o aplicativo, a gente lançou de maneira… como projeto mesmo…

Luciano Pires: E botou gratuito, ninguém pagou nada, baixou quem quis…

Wagner Yamuto: Todo mundo usando, e aí em 2019, como eu sempre gostei de tecnologia, eu estava lá… eu estava inscrito no mailing do Google, eles têm um coworking aqui perto da Avenida Paulista aqui, e aí eu recebi lá um aviso, a gente está procurando startups que tenham… que sejam… de repente que não tiveram investimento ainda, essa coisa toda, eu olhei, e falei, bom, vou me inscrever aqui, não custa nada, a gente fez a inscrição, teve lá centenas de inscritos, e a gente passou, a gente foi um dos 12 que passou para esse programa. Aí entrando lá dentro do Google, aí eu entendi, comecei a entender, o Adriano e a Grazi, o que que era uma startup, o que que fazia, o que que estava envolvido no sistema de startup e a gente teve um programa, um intensivão de 3 meses que foi esse programa de aceleração, aí começamos a entender. Falar, ah ok, startup então é isso, então a gente tem uma startup, para a gente agora, legal, então isso aqui pode ser um produto, pode virar uma empresa, a gente não tinha CNPJ ainda, mas é para ser empresa, então é interessante a gente ter um CNPJ, então a gente começou a correr atrás. Então, a gente primeiro fez um produto, e depois correu atrás de uma forma de formalizar este negócio. E passando por ali, nos anos seguintes, a gente passou… em 2019, em 2020 a gente passou por um outro programa de aceleração do Sebrae, 2020 foi o ano da pandemia, né?

P; Foi.

Wagner Yamuto: Então, a gente chegou a fazer uma mentoria presencial, entrou a pandemia, foi tudo para o online, aí 20 a gente fez aceleração pelo Sebrae online, em 21 a gente passou por duas acelerações, inint 01:18:51 e pelo Hospital de Amor de Barretos, que tem o Rick Prata. Então, a gente passou por esses dois programas de aceleração também…

Luciano Pires: Mas até aí você está bancando do teu bolso?

Wagner Yamuto: A gente tirando do nosso bolso.

Luciano Pires: Não tem dinheiro entrando lá?

Wagner Yamuto: Não tem dinheiro entrando, a gente ficou esse tempo todo…

Luciano Pires: E a Matraquinha sendo baixada?

Wagner Yamuto: E a Matraquinha sendo baixada, já os terapeutas utilizando, todo mundo utilizando, hoje, no momento aqui da nossa conversa, tem 50 mil usuários ativos no Matraquinha, entendeu? Então, nos últimos 28 dias tem 50 mil ali que usam o Matraquinha, de instalações, a gente está próximo dos 450 mil, alguma coisa assim. Tem crianças que não se adaptam, e ok também, não tem nenhum problema quanto a isso, então a gente… mas a gente tem um número ativo muito expressivo usando o Matraquinha. E o Matraquinha a gente entrou nos desafios de monetizar esse aplicativo, porque a gente… muita gente usando.

Luciano Pires: Chegou a hora, chegou a hora que o bicho vai pegar, cara, que é a hora de como é que monetiza um treco desse.

Wagner Yamuto: A gente tem um impacto social, como que vai passar a cobrar um aplicativo que tem alguém na comunidade utilizando e vai perder essa voz, e aí a gente entrou em um dilema, o que que eu faço agora? Então, a gente passou a colocar, por exemplo, propagandas no aplicativo, então tem publicidade.

Luciano Pires: Você passou a vender publicidade para empresas, empresas que queiram…

Wagner Yamuto: O que a gente fez foi ativar o serviço do Google, o Google tem um serviço desse, que para aplicativo, eles chamam de admob, então eu coloco propagandas do Google, da rede do Google, então o anunciante, vamos imaginar que o Café Brasil esteja anunciando no Google…

Luciano Pires: Ele pode aparecer lá.

Wagner Yamuto: Pode aparecer no rodapé do Matraquinha, do aplicativo.

Luciano Pires: E você não tem controle sobre o que vai entrar, entra…

Wagner Yamuto: Vai entrar de acordo com o comportamento do usuário.

Luciano Pires: É o Google Ads no aplicativo.

Wagner Yamuto: Isso, exatamente.

Luciano Pires: Mas também que te paga uma ninharia isso.

Wagner Yamuto: Então, pelo número de impressão que a gente tem só para ter uma ideia, o ano passado foram mais de 110 milhões de frases ditas pelo Matraquinha, essa molecada tem muito o que falar. E aí o Google vê esses números e fala, vamos melhorar essa publicidade, vamos melhorar a exposição, vamos jogar propaganda na tela, vamos abrir popup, vamos explodir. Eu falo, cara, eu não posso, porque se eu fizer isso, eu vou impactar diretamente uma criança que já tem uma série de desafios e que vai ficar nervosa, e vai ser pior para ela.

Luciano Pires: E até porque a propaganda não é para ela.

Wagner Yamuto: É, exatamente.

Luciano Pires: A propaganda não é para o usuário.

Wagner Yamuto: Não é para o usuário, é uma forma de monetizar se tem um clique ou outro ali sem querer.

Luciano Pires: Cara…

Wagner Yamuto: E aí a gente fica nesse dilema, a gente sabe que dá para melhorar, mas não pode, eu não posso fazer isso, porque o primeiro a me xingar vai ser o Gabriel, porque ele usa, e aí a gente começou a criar materiais complementares, ebooks, livros físicos, e inclusive, recentemente uma assinatura também, então a gente tem uma assinatura para personalizar o aplicativo.

Luciano Pires: Sim, aí a coisa começa a ganhar uma certa coerência, quer dizer, o teu negócio não pode ser monetizado como venda de produto, eu vou vender produto, não, é um outro tipo de… que cara, é muito próximo da dificuldade que eu tenho com os podcasts, é bem perto isso aqui, embora seja diferente, o consumidor do podcast é um consumidor, não é uma criança, é um consumidor, mas a gente também encontra o mesmo tipo de problema, você não pode me comparar com o programa da Eliana, eu sento na frente do marketeiro, o cara quer… desculpa cara, não vem com essas planilhas para mim, eu não funciono com IBOPE, não é assim. E no teu caso, então, é pior, porque tem um componente social aí.

Wagner Yamuto: Sim, é muito desafiador, então é algo que a gente está nesse momento aqui trabalhando pesado nisso, a gente entende que para o usuário final tem que acabar sendo gratuito mesmo, não tem como, a assinatura, hoje o aplicativo, ele conta com 250 figuras de comunicação…

Luciano Pires: Eu estou, enquanto você está falando aí, eu estou mexendo no celular aqui, porque eu acho que eu salvei, eu estou tentando achar aqui, uma mensagem quando você colocou lá que ia no shark tank, aquela coisa toda, alguém entrou e botou uma mensagem falando da mãe, que teve um problema, teve um câncer e perdeu a capacidade de se comunicar, e ela usou a Matraquinha durante todo o período final da mãe, a mãe se comunicou com ela usando a Matraquinha, cara.

Wagner Yamuto: Foi, a gente recebe alguns relatos assim que realmente é super impactante para mostrar o potencial que ele tem, porque a gente está focado aqui em autismo, mas porque é uma coisa que a gente aprendeu lá atrás, vamos fazer com excelência para esse público aqui, porque se atender bem, enfermidades que impactam a fala tem dezenas por aí, então a gente vai conseguir chegar nessas pessoas. Mas aí quando eu vou para um investidor ou algum lugar assim, se eu vou muito amplo, eu não tenho dado suficiente, e aí eles vão me pegar no contrapé, então no mundo do autismo que é o mundo que eu vivo já há mais de dez anos, eu conheço bem, conheço os números, aí fica mais tangível também de eu dizer e falar, é isso aqui que acontece, então se você estiver investindo em mim, você está investindo porque meu público é desse tamanho, eu vou chegar a ter esse tipo de alcance, futuramente pode ser mais? Pode, mas agora eu estou chegando nessa turma aqui, os outros…

Luciano Pires: Então, eu acompanhei você bem nessa luta aí dos… você falava, estou no acelerador tal, e eu perguntava, e aí entrou grana, cara? Tem grana? Porque na minha concepção o que estava acontecendo ali, cara? Se vocês conseguiram no teu tempo livre, sabe, sem poder se dedicar 100% montar a matraquinha e fazer com que ela acontecesse, imagina se conseguisse dedicação total, consegue montar um projeto que remunere vocês, que pague você, pague a Grazi, pague o teu irmão, pague a turma toda que está envolvida nisso e vocês se dediquem 100% a fazer esse negócio andar, isso não é feio, cara, pelo contrário, isso daí vocês estão ajudando 1 milhão de pessoas, então quanto mais grana entrar, mais capacidades vocês vão ter de sofisticar o projeto, mas para isso tem que entrar dinheiro, e eu não vejo realmente um patrocinador, sandália havaiana entrando lá para vender havaiana, não vai, tem que entrar alguém com uma consciência diferente, espera aí, eu estou ajudando a fazer um negócio que tem um impacto social, aí quando começou essa história de ESG, eu falei, finalmente, agora sim, as empresas vão se abrir e merda nenhuma, é só papo furado, só conversa. Mas aí pintou essa história de espera um pouquinho, por que não o usuário remunerar, 50 mil usando, se cada 1 der 1 real por mês, 50 pau, aquela conta que eu fiz no podcast, 350 mil caras me ouvindo, se cada um me der 1 real, acabou o meu problema, só que a hora que você vai executar, não é bem assim que acontece. E quando você trombou com esses caras de startup, esse pessoal é um pessoal muito, cara, já tinha isso na minha época lá atrás, qual é o payback, eu quero saber o seguinte, para cada dólar que eu botar aí, quanto e quando vai voltar? E eles começavam tratar a coisa como um business, sendo que você está na tua mão com uma ação social, essa transição de transformar essa ação social em um business, cara, é um puta de um desafio, não é à toa que eu vi você envolvido… onde você vai, o pessoal premia, que projeto do caralho, que coisa maravilhosa. É aquela coisa… outro dia eu falei, acho que na gravação que eu fiz ontem anteontem, que é aquela história do muito bem, muito bem, muito bem, lembra que eu já falei? Chegou lá, o cara está mostrando o trabalho, muito bem, muito bem, muito bem, legal, quer patrocinar? Veja bem, veja bem, veja bem. Imagino que isso aconteceu de montão.

Wagner Yamuto: É, inclusive com as tais letrinhas, ESG, a gente se enquadra nelas, a gente está ali, mas aí quando a pessoa olha o payback, fala, mas no outro ali vai voltar 10 vezes mais, então com você a gente conversa… mais tarde a gente conversa.

Luciano Pires: Eu vou falar o português castiço, foda-se o social, entendeu? Ali com aquele projeto eu mostro muito mais as minhas virtudes do que com o teu, o teu ninguém vai ver, e aqui eu apareço virtuoso, entendeu? Foda-se o social, essa é a pegada, cara.

Wagner Yamuto: Então, a gente passa por muito disso, então é super desafiador mesmo, então a gente vai, a gente é premiado, a gente é reconhecido, e chega uma hora também que os seus recursos também começam a ficar mais limitados, então a gente poderia estar muito mais avançado, independente, ter um negócio saudável, eu entendo que hoje o Matraquinha, o pessoal fala de startup, é unicórnio, unicórnio, talvez não seja o caso do Matraquinha ser um unicórnio, mas ele vai causar um impacto ferrado na sociedade, um impacto que é imensurável, porque essa criança que hoje não tem o seu lugar de fala, ela não consegue se comunicar, ela não consegue pensar na educação primária, no fundamental, ensino médio, faculdade, nem mercado de trabalho, entendeu? Então, a partir do momento que ela consegue uma forma de se comunicar, abrem-se as portas para ela também. E você está se referindo à criança, o entorno dela é impactado de uma forma brutal, você imagina um pai e uma mãe que, de repente, consegue descobrir o que a criança precisa, o que que ela quer, simplesmente usando a… com a Matraquinha falando por ela.

Wagner Yamuto: Porque experiência com a família, porque muitas vezes, isso é muito comum, a gente mesmo lá em casa, uma vez ou outra, já deixou de sair porque falou, lá vai ser difícil, porque o ambiente a gente não conhece direito, vai ter aquilo, então para preservar tanto o Gabriel, quanto a gente, a gente fala, ok, são raras às vezes, mas já aconteceu, ela tendo a experiência de se comunicar, uma viagem em família fica muito mais atrativa, entendeu? Não vai ser uma viagem de estresse, porque às vezes a gente sai com o pensamento assim, cara, se der alguma merda aqui, o que que eu vou fazer, entendeu? Mas aí não, a partir do momento que ele tem essa voz, você sabe que as crises vão reduzir dessa criança, então ela realmente vai conseguir dizer se está gostando do lugar, se não está, se está muito barulho, se ela quer ir para a piscina, se ela quer ir para a praia, então essa comunicação melhora a experiência do entorno mesmo. E para os pais, eu como pai, não é porque o Matraquinha foi desenvolvido por nós, mas realmente é muito… assim, é muito gostoso de você poder sair e curtir o movimento, por exemplo, a gente sempre viaja com o Gabriel, a gente nunca deixou de viajar, nos passeios quando a gente acha que vai ser roubada, a gente evita, mas viagem que é planejado, não, vamos, vai ser difícil? Vai. Vou lá no museu, porra, vamos mesmo? Vamos gastar? Vamos tentar? Porque pode ser que ele fique 10 minutos, pode ser que ele fique uma hora e meia lá dentro, para gente poder, a gente tem que apresentar o mundo para ele também, porque a Grazi e eu não vai estar aqui o tempo todo, se tudo correr, como deve correr aí pela lei natural da natureza…

Luciano Pires: A irmã já entendeu que ela tem um irmão diferente?

Wagner Yamuto: Ela já entendeu, mas para ela é supertranquilo, para ela é o irmão que não fala…

Luciano Pires: Ela nasceu ali, cresceu ali, faz parte…

Wagner Yamuto: Então, ela já perguntou, já perguntou, por que que o Gabriel não fala?

Luciano Pires: Eu lancei agora um episódio do Café Brasil, acho que há duas semanas atrás, que vem uma… tem um depoimento de uma ouvinte, não sei se você chegou a ouvir, mas ela conta a história dela, ela fala, meu irmão sofreu um acidente terrível e perdeu completamente a mobilidade… você ouviu esse daí?

Wagner Yamuto: Ouvi, ouvi, que…

Luciano Pires: Que ficava um som no fundo… e ouvi aquilo, mas era um som muito alto, interferindo naquilo lá, e ela contando, minha vida, eu desisti de tudo e eu cuido do meu irmão, que é um homem de 40 anos, com um metro e setenta e tantos de altura, que não se mexe, que não… e aí eu mandei um comunicado para ela, falei, vem cá, esse ruído no fundo é o seu irmão? E ela, puxa, é o meu irmão, faz tão parte da minha vida que eu nem ouço mais. Entendeu? Eu não escuto mais, para ela aquilo era o normal do… imagino que para a família dela como um todo, o filho, a filha, a mesma coisa, no caso da irmãzinha é a mesma coisa, meu irmão é assim.

Wagner Yamuto: Meu irmão é assim, ele não fala, ela já questionou, mas ele não fala, papai? Ah filhinha, ele não consegue falar ainda, ele faz terapia, ele faz tudo, talvez um dia ele consiga, mas ele usa o Matraquinha aí quando ele quer pedir alguma coisa para a gente.

Luciano Pires: Ela usa o Matraquinha também, ela deve se divertir com o Matraquinha.

Wagner Yamuto: Ela se diverte, ainda mais como ela pegou todo esse crescimento do Matraquinha, ela pegava ali e mostrava os animais, então ficava, macaco, abelha, banana, aí ela ficava replicando também.

Luciano Pires: Até para uma alfabetização o Matraquinha serve…

Wagner Yamuto: Porque foi nomeando os objetos que ela não conhecia, então de certa forma, ela também foi ali usando ali, e lógico, a gente tem o livro do Matraquinha, o livro físico, aí tem o do Gabriel, que junto com o tablet dele, ele também sempre anda com o livro para cima e para baixo, mas ela queria ter o dela, ela queria ter o livro do Matraquinha, então a gente tem o personagem menino, o personagem menina, e ela tem o livro do Matraquinha dela, que ela falou, meu irmão tem um livro desse, eu também quero ter.

Luciano Pires: Bom, você passou por Google, passou por uma porrada de lugar e aí pinta na vida de vocês um tal de shark tank, você manda uma mensagem para mim, te contar uma história aí, estou no shark tank, que é o lugar das startups, é o lugar do business, é o lugar do negócio, onde você vai ter diante de você, sei lá, são quatro, cinco caras ali, caras que estão olhando você como uma máquina de fazer dinheiro, então eu vou te entender com a possibilidade de você dar um payback legal, para saber se eu vou ou não entrar no teu negócio. E bom, eu assisti, foi muito legal, foi superinteressante, os caras para pra para, sai da sala, vem aqui que nós vamos conversar entre nós, puta projeto social, vamos arrumar, vamos… como é que pintou isso aí, foi um esforço teu, você foi lá no shark tank, bateu lá para aparecer, você sabia que essa visibilidade podia ajudar ou foi alguém que te inscreveu lá e você recebeu uma carta convidando, como é que foi isso?

Wagner Yamuto: Não, então, nós estamos em 2023, o ano passado eu cheguei a fazer inscrição para o shark tank, porque agora como a gente está em busca de recursos, falei, bom, lá de repente é uma boa opção, apesar de ser um programa, entretenimento, e é uma coisa que eu aprendi assim, realmente as coisas acontecem de verdade, não é tudo fake, a coisa acontece mesmo, o nervoso é de verdade. Então, eu fiz a inscrição ano passado, a gente não passou nem da primeira etapa, mas assim eu fiz uma inscrição meio que em cima da hora e confesso que foi meio que relaxada, eu fiz a inscrição, falei, vou fazer, mas aí como não passou, eu sou uma pessoa muito persistente, sabe, eu sou uma pessoa muito resiliente assim, eu vou em busca, eu paro para analisar tudo, aí eu já fiquei com aquilo na cabeça, ano que vem vai sair isso de novo, e se sair eu vou me inscrever, mas agora eu vou arregaçar, vou fazer a inscrição direito mesmo. Aí veio a inscrição, fiz com atenção, me dediquei para fazer a inscrição, não foi só, vou preencher esse formulário e acabou, preenchi, mandei, tudo o que pediu eu fiz, você tem email com material complementar, tenho, tenho artigos que a gente apareceu na imprensa, tenho post, tem tudo, aí mandei, aí a gente recebeu o primeiro email, parabéns, você passou para a próxima etapa. Aí falei, eita, tudo bem que eu queria, mas eu falei, já balançou… aí a Grazi também falou, eita… aí foi para a segunda etapa, foi para a terceira, aí foram basicamente uns cinco, seis meses de processos, de etapas que a gente foi passando, até o momento que falou, ok, você passou, a gente vai gravar.

Luciano Pires: Teu case vai ser gravado.

Wagner Yamuto: A gente vai gravar. E aí falou, uou, aí deu um nervoso, porque até então eu acompanhei bastante o shark tank, porque eu sempre gostei de estudar, sempre… menti, você falou que podia mentir um pouquinho lá, mas assim eu comecei a estudar empreendedorismo lá para 2014, 15, eu queria entender melhor. Aí eu falei, estou entendendo melhor, o Matraquinha surgiu nesse meio tempo, então aquela coisa que eu estava aprendendo antes não se perdeu, parece que a gente sempre vai fazendo as coisas nesse sentido. Aí estudei, falei, ok, a gente passou lá no shark tank, falei, tá, já sei o que que eu quero, a gente tinha passado por uma experiência no ano anterior, você lembra que você acionou o MLA, a turma do MLA?

Luciano Pires: Lembro, lembro.

Wagner Yamuto: Então, que a gente participou do desafio da Hotmart.

Luciano Pires: Isso, você veio, você fez uma apresentação para nós da Matraquinha.

Wagner Yamuto: Isso, eu fiz para vocês…

Luciano Pires: Aí o nosso pessoal te deu uma… você teve uma mentoria, foi legal…

Wagner Yamuto: Aquilo lá não tem como pagar, aquilo lá foi imensurável também, aquilo não tem como precificar aquela mentoria lá, reuniu uma turma lá, no shark tank eu conversei com os tubarões, mas os caras lá não são tão diferentes não. A turma do MLA é fera. Aí eles me ajudaram a montar uma apresentação, valuation, aquela coisa toda, o próprio Rodrigo Mendonça também. Aí eu já tinha toda essa bagagem, fui no shark tank falei, ai é agora, aí eu já assisti o shark tank, mas quando a gente começou a passar no processo evolutivo ali, eu parei porque eu não queria ser influenciado para saber o que que o cara quer ouvir, eu não queria…

Luciano Pires: Você parou de assistir.

Wagner Yamuto: Eu parei de assistir. Falei, eu vou parar, porque primeiro, eu não quero ser influenciado, eu não quero ir com respostinha pronta para convencer algum shark, eu vou com a minha verdade, eu vou com o meu produto, com a minha verdade e com a minha história. Se fizer sentido ou não para eles, vai funcionar de qualquer forma, então já fui nesse… parei de ver, e eu parei de ver também por causa do valuation, que é onde muita gente acaba se ferrando, no programa, digamos assim, porque às vezes exagera no valuation, e olhando assim, às vezes você olha com aquela síndrome de vira-lata, eu vi umas soluções assim nos programas, caramba, que negócio bacana, e o cara está pedindo só isso, nas minhas contas aqui, para fazer minimamente andar, eu tenho que pedir o dobro do que esse cara pediu, aí eu também parei de ver, porque isso aí vai me dar um… e eu vou fazer bobagem lá. E aí eu fui, fui lá com o valuation, então eu defini lá o quanto que a gente queria, quantos %, que na ocasião eu pedi 400 mil por 15%, falei, então é isso que eu preciso e eu sabia porque eu precisava disso, porque eu preciso de equipe de comercial, preciso de marketing, preciso investir em mão de obra, em recursos humanos e mais em parte de marketing também. Então, isso para mim já estava muito bem resolvido, então eu não tinha como me enroscar nesses pontos. E aí foi o dia da gravação. Então, teve a preparação, aí gravação, aí lá na gravação é tenso, porque você vê o estúdio, a gente até então não tem acesso a nenhum dos sharks, então a gente tem uma espécie de treinamento para você saber como se comportar, porque tem uma porrada de câmera, para tudo quanto é lado tem câmera, então só para você não ficar de costas para uma câmera em uma hora que estiver conversando com alguém, não invadir o espaço X, Y, então além do seu pitch que você tem que montar na cabeça lá…

Luciano Pires: Você tem a parte cênica que você tem que respeitar.

Wagner Yamuto: Que você tem que respeitar, então você adiciona mais esse agravante na sua apresentação, porque às vezes a gente fica vendo assim de fora, fala, porra, o cara estava muito nervoso, é difícil para caramba, mexe com o psicológico de uma tal forma, porque o Matraquinha não ia deixar de existir independente do resultado, mas você quer transmitir o seu produto da melhor maneira possível, porque independente disso, tem exposição, como você mesmo disse, é um programa que no meio do empreendedorismo é muito visto, é reconhecido, e aí foi a hora de chegar lá e conversar com eles, de entrar lá no tanque.

Luciano Pires: Mas você foi super bem, cara, falando como quem conhece, quem viu a tua evolução, você foi muito bem lá, foi bem legal. E acertou na mosca, porque os caras… deram uma brecada no meio do caminho, para quem não viu, depois eu vou ver se eu coloco o link aqui, é muito legal, ele para, para, para, Wagner, sai da sala, fica lá esperando, que nós vamos conversar aqui. E aí tem uma conversa muito legal entre eles ali.

Wagner Yamuto: E aquilo eu não tenho acesso.

Luciano Pires: Você não viu o que aconteceu lá dentro?

Wagner Yamuto: Eu não vi, e na televisão parece que foi 30 segundos, mas tipo uns 10 minutos os caras lá conversando, eu me recolho, vou lá para uma outra área, e os caras conversando.

Luciano Pires: Só para quem não assistiu, eles se reúnem, e falam, cara, isso é um projeto social, não é necessariamente um business, acho que nós podemos aqui ajudá-lo a ter um alcance muito maior do que ele tem aí, então vamos nos juntar e foi muito legal ali, dois não quiseram, mas os outros…

Wagner Yamuto: Aí foram quatro, foram quatro, nesse dia em específico tinha mais um shark convidado, então tinham seis. E quando começou, começou com o inint 01:40:31 falando, não, não é para mim, a Monique já tinha falado alguma coisa que não, aí o Sérgio Zimmermann, que é o CEO da Petz, ele para, para, para, quando começou a vir aqueles não, a gente veio tomando não faz cinco anos, na história da ESG, aí quando veio os nãos, aí tipo, eu só estava na minha cabeça assim, pelo menos eu saí da apresentação, da minha conversa, do meu discurso, cara, eu falei o que eu precisava e o que eu queria, então eu já tinha saído satisfeito dali porque…

Luciano Pires: Ganhei a exposição que eu precisava.

Wagner Yamuto: E a minha apresentação tinha sido boa dentro das minhas possibilidades e dentro do que eu imaginava, o que eu tinha como régua, queria conseguir fazer bem feito e de acordo com o que eu tinha planejado, então para mim já estava bem já. Aí quando o Theo para, e na volta, e na volta ele ainda faz uma firula, ainda fala, você tem deficiência em vendas, você tem deficiência em marketing, você tem… aí eu falo, puts, então a gente não vai conseguir, eu achei que de repente ia rolar até uma mentoria, mas eu vou disponibilizar minha agenda aí para bater um papo com você. Aí quando ele falou, não, mas os quatro vamos fechar, aí eu fiquei sem reação, eu não consegui entender, eu falei, caraca, é verdade…

Luciano Pires: Porque ele te propõe uma negociação e você tem que resolver na hora, você não tinha um time lá fora para, moçada, espera um pouco, vamos conversar. Aí eu senti a tua agonia lá, porque eu vi, ele vai ter que dar a resposta agora.

Wagner Yamuto: Porque o Adriano e a Grazi, quando eu falei, vocês querem ir lá junto? Os dois correm de câmera. Ele falou, não, vai lá, porque você é o cara do Matraquinha, você vai falar, você está acostumado a falar. Falei tá bom…

Luciano Pires: Você teve que tomar a decisão sozinho.

Wagner Yamuto: Tive que tomar a decisão. A gente tinha uma margem para decidir, mas a gente no final ali entendeu que a exposição e tendo essas pessoas junto com a gente, os quatro investidores lá, o Bruno Playhard, a Carol Paiffer, o Joel Jota, e o Sérgio Zimmermann, o impacto vai ser muito grande, a gente vai conseguir impactar muito mais pessoas, então por um lado, contrabalanceou. Até conversando recentemente com uns amigos, eu falei, mas aí o meu valuation baixou, porque a gente tinha pedido 15% e foi para 32. Aí ele falou, cara, na verdade, tenta olhar com outra visão, eles pagaram barato, mas a partir do momento que eles entraram, pode ter até aumentado.

Luciano Pires: Você quer 100% de 50 ou você quer 10% de um milhão, esse é o lance.

Wagner Yamuto: Entendeu? O que eu falei, baixou, mas a gente já não estava preocupado com valuation, a gente quer o impacto mesmo, a gente quer o que vem depois. Ele falou, mas olha por esse lado, eles pagaram barato, eles negociaram um valor inferior ao que você tinha pedido, mas por outro lado, eles entrando, talvez você esteja até maior já.

Luciano Pires: Não aconteceu nada ainda?

Wagner Yamuto: Não, não, o investimento ainda não entrou, a gente está no due diligence, a gente está nessa parte, então é documentação fiscal, contábil, essa coisa toda.

Luciano Pires: Quer dizer, 2024 promete grandes emoções aí.

Wagner Yamuto: Grandes emoções. Mas assim, mesmo antes de acontecer, eles acolheram super bem, a Carol Paiffer também, a Carol Paiffer tem uma aceleradora, por exemplo, para os investidos dela, que ela já forneceu para gente, tem mentoria quase toda semana, capacitação, entendeu? Joel Jota também já se colocou à disposição, já fiz uma reunião com os quatro já, então eles estão dispostos também, então você vê que realmente só está lá porque está no palco, está lá porque eles realmente querem fazer acontecer e está muito claro isso com eles, então isso deixa a gente muito feliz também.

Luciano Pires: Bom, tamo junto aí, cara, espero que a coisa aconteça aí, vocês merecem, o trabalho de vocês é super legal, e eu sonho em ver um dia aí a Matraquinha Inc, Matraquinha Incorporated com vocês sendo remunerados muito bem pelo o que estão fazendo e muito mais gente entrando, porque acho que tem realmente um acréscimo muito grande aí, tomara que dê certo. Quem quiser entrar em contato, quem quiser saber, como é que é, matraquinha.com.br entra no site…

Wagner Yamuto: Matraquinha.com.br entra no site, matraquinhaoficial no Instagram, procura Matraquinha aplicativo a gente vai aparecer em qualquer lugar.

Luciano Pires: Loja de aplicativo, IOS…

Wagner Yamuto: É Matraquinha.

Luciano Pires: Pode baixar ali, e vai baixar gratuitamente, vai pagar nada…

Wagner Yamuto: Baixa a versão gratuita, aí se quiser se tornar assinante, aí você personaliza a sua prancha de comunicação, aí tem uma assinatura.

Luciano Pires: E esse personalizar significa o que? Você pode botar figuras…

Wagner Yamuto: Você consegue colocar fotos dos próprios parentes, dos objetos, dos pets, dos lugares da sua casa, do sítio…

Luciano Pires: A voz da Matraquinha.

Wagner Yamuto: A voz da Matraquinha, nesse caso, ele vai ficar com a voz sintetizada, ele fica com uma outra voz.

Luciano Pires: Não, mas de quem é essa voz que está lá sintetizada?

Wagner Yamuto: Ah não, o Matraquinha, as figuras que já estão prontas, é uma dubladora, a gente tem uma dubladora, a gente tem dubladora.

Luciano Pires: Sim, você tem uma dubladora, a banana vai ser com a voz dela lá, eu não consigo botar a minha voz, a voz do pai e da mãe…

Wagner Yamuto: Ainda não, esse é o próximo passo.

Luciano Pires: Vai chegar uma hora que você vai botar lá.

Wagner Yamuto: Aí vai ter realmente com a voz do cuidador dessa criança, do responsável dela, hoje é só foto, essa primeira versão são só com a foto, aí esses assinantes que já são assinantes hoje, conforme essas funcionalidades forem entrando, por terem apostado logo nesse começo, vão receber gratuitamente, sem nenhum acréscimo de mensalidade por causa disso, porque eles já estão apostando desde agora na gente. E a gente já tem os assinantes rodando aí, então a assinatura anual, inclusive, a gente manda um kit também de boas vindas, aí vem com cordão de girassol, que é aquele cordão para identificar deficiências consideradas invisíveis, ali tem um jogo para computador que a gente oferece também a chave…

Luciano Pires: Quanto custa a assinatura?

Wagner Yamuto: A assinatura para o plano é 300 reais por ano, equivalente a 25 reais por mês.

Luciano Pires: 25 por mês.

Wagner Yamuto: Isso, e se fizer no plano mensal, é 45, tem o plano mensal, semestral e anual. E além disso, a gente tem material complementar, tem o livro físico, esse livro que a gente comentou agora há pouco, e para complementar a experiência do aplicativo.

Luciano Pires: Que você compra também, está vendendo na lojinha de vocês?

Wagner Yamuto: Exatamente, no site do Matraquinha encontra o livro também. Então, a gente…

Luciano Pires: Bom, você que está ouvindo a gente aqui, independente de usar ou não o Matraquinha, sabe, esses 25 reais aí pode fazer uma diferença brutal para quem precisa usar, então é uma ação social, você está preocupado aí em saber como você pode ajudar a sociedade, é assim, é ajudando as pessoas que estão botando a cara para bater e que estão fazendo, então vai lá, assina, não precisa receber o kit, não precisa nem usar a Matraquinha, mas só o fato de você fazer parte desse hall de pessoas que estão financiando, acabei de botar um post agora há pouco falando da revista Oeste, ontem o Adalberto Piotto entrou na Oeste, legal aquilo lá, aí um cara botou um comentário embaixo do meu post, acabei de renovar a assinatura da revista. E eu acabei de fazer um post falando assim, cara, vir na mídia social para falar mal de jornalista canalha é interessante é muito bom, mas isso não muda as coisas, sabe o que é que muda as coisas, é você dar ou não dar audiência para esses caras, portanto, assinar a revista Oeste é a melhor ação efetiva que você faz, porque você está dando força para caras que estão fazendo acontecer, para caras que estão fazendo o jornalismo que presta por aí. A mesma coisa vale para a Matraquinha, cara, igual, tem um pessoal mobilizado para tentar fazer acontecer, que quer transformar isso em um business, que quer ser remunerado para poder mergulhar de cabeça e melhorar cada vez mais, e eu como indivíduo, eu posso contribuir, eu sozinho, com 25 reais, não faço diferença nenhuma, mas bicho, 10 caras, 100 caras, 1000 caras podem mudar a história da vida de milhares de famílias aí Brasil a fora. Cara, muito legal, bicho, eu adorei a história aí, vou fazer a minha parte, o Matraquinha vai entrar como patrocinador do Café Brasil de alguma forma aqui. Então, eu vou combinar com você, a gente vai fazer as chamadas e entrou, é a minha parte para contribuir com isso aí. Vou botar vocês nos podcasts aí, quem sabe a gente não consegue atrair mais gente, vamos fazer, vamos fazer. E aí você sabe, pode contar com a gente sempre, bicho, porque o trabalho de vocês é sensacional e nós precisamos de mais gente assim, capaz de se doar da forma que vocês se doaram, vocês são admiráveis, quem já viu como eu vi o trabalho que é segurar essa garotada, levar, ir para os eventos, levam o Gabriel no evento, a gente vê que é difícil você segurar o bichinho, mas vocês não fazem questão, levam, fazem questão de levar, fazem questão de colocar ele junto com a gente lá, ele é uma figura…

Wagner Yamuto: Ele já foi em saraus…

Luciano Pires: Já foi em tudo, senta em um cantinho lá, fica lá cuidando para fazer com que ele curta o que está acontecendo ali, e quem já viu sabe, cara, que baita trabalho que dá, e cara, com a parte da adoção não tenho nem o que dizer, adotaram a primeira, adotaram a segunda e…

Wagner Yamuto: A Agatha está aí firme e forte, bagunceira para caramba, enquanto o Gabriel tem autismo, ela tem muita curiosidade, ela é danadinha, ela adora as trilhas também do Café Brasil.

Luciano Pires: Ela gosta do Café com Leite?

Wagner Yamuto: Gosta.

Luciano Pires: Gosta da Babi?

Wagner Yamuto: Gosta, adora, aí ela fica perguntando se tem no dela, que a gente tem um velhinho lá que a gente libera de vez em quando para uma coisa ou outra, ela fala, cadê a Babica aqui? Aí tem que colocar o podcast lá dentro para ela falar, está aqui. Uma ideia de um aplicativo para a Babica interagir. Será que sai um Matraquinha com a voz da Babica?

Luciano Pires: Vai, é só conversar, quer fazer?

Wagner Yamuto: De repente pode ser, a versão feminina pergunta para a Babica o que que ela acha dessa história aí, quem sabe?

Luciano Pires: Acho que ela vai topar, ela vai adorar, vai querer sim. Cara, bem-vindo, bicho, obrigado, viu, vamos continuar esse contato nosso aí sempre, sabe que você pode contar com a gente aqui do Café Brasil sempre que precisar e o que a gente puder fazer, nós vamos fazer, essa luta tua aí, é nossa também, cada um na sua área fazendo a mesma coisa, entendeu? Cada um fazendo e o final a gente sabe qual que é.

Wagner Yamuto: Impactando positivamente a vida de todo mundo.

Luciano Pires: É isso aí, grande abraço.

Wagner Yamuto: Valeu, obrigado.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast, a transcrição deste programa você encontra no LiderCast.com.br.

Voz masculina: Você ouviu LíderCast com Luciano Pires, mais uma isca intelectual do Café Brasil, acompanhe os programas pelo portalcafebrasil.com.br.