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Luciano Pires -

Luciano PIres: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje trazemos Marcio Brant, que é CEO e fundador da WePod, produtora de conteúdos focada na inteligência em PodCast e para grandes marcas. Márcio é produtor musical há 15 anos e membro da Latin Grammy Academy, vem se dedicando também a impulsionar e acelerar várias carreiras independentes e já estabelecidas, através da aprendizagem com uma metodologia própria de gerenciamento de carreira artística. Além disso, Márcio tem experiência acadêmica de 20 anos nas áreas de sound design para animação, games, marcas e cinema. Uma conversa entre dois caras que amam o som.

Luciano PIres: Muito bom, mais um LíderCast, como sempre eu começo contando como é que o meu convidado chegou aqui, isso aqui foi uma mensagem de uma agência de comunicação, tem um cliente, não sei o que… PodCast, opa, deixa eu ver do que se trata, entrei em contato, como a figura não é aqui de São Paulo, a gente demorou um pouquinho para conseguir se arrumar aqui, mas no fim deu tudo certo, então vamos hoje ao nosso bate papo aqui. Três perguntas para começar o programa, que são aquelas que você não pode errar, o resto você chuta à vontade, essas três você tem que seguir na linha, seu nome, sua idade e o que que você faz.

Marcio Brant: Primeiro, um prazer estar aqui com o super Luciano, no LíderCast. Marcio Brant, 42 anos e qual a terceira?

Luciano PIres: O que que você faz, cara?

Marcio Brant: Cara, eu trabalho com áudio, desde que eu me entendo por gente assim, há muito tempo, e atualmente estou fazendo PodCast, que é a grande parte da minha vida aí.

Luciano PIres: Esse sotaque teu é carioca?

Marcio Brant: Super carioca lá de Minas, carioca de Minas.

Luciano PIres: Já entrou aqui com trem, já foi para lá e para cá. E sobre o nome Brant, então, meu Deus do céu, tem alguma coisa a ver com o Clube da Esquina?

Marcio Brant: Pois é, Fernando Brant é primo do meu pai, então eu falo que assim, lá em Belo Horizonte você balança uma árvore, cai uns 5 Brant, então todo mundo tem alguma coisa a ver com o Clube da Esquina, tem a ver com música, a gente tá… a música está muito entranhada na história do mineiro.

Luciano PIres: É impressionante aquilo, cara.

Marcio Brant: E na minha família é assim, é desse jeito.

Luciano PIres: Eu sou daqueles caras que cresceu com o Clube da Esquina, fez parte da minha juventude, você sabe que tem uma tese aqui que é a seguinte, o melhor filme da tua vida, a melhor viagem da tua vida, a melhor música da tua vida é aos 20 e poucos anos de idade, quando você tem de 20 a 30, naquele momento acontece, não porque seja a melhor de verdade, mas é porque o momento que você está vivendo da tua vida, cara, você é um buraco negro, você está assimilando o mundo em uma velocidade brutal, e de repente, entra uma música e aquilo muda, a tua vida fica em função daquela música. E uma delas, na minha época foi o ramalhete, Tavito, também era da turminha toda lá. E aí quando ele morreu, eu fiz um programa para ele, eu fiz um Café Brasil especial chamado O Ramalhete, ficou lindo o programa, uma puta homenagem para ele, e aí um pouquinho depois eu fui para Minas fazer uma palestra, estava lá palestrando, aí terminei de fazer o evento, tudo, saí com o cara, falei, vem cá, bicho, a Rua Ramalhete é longe daqui?

Marcio Brant: Cadê a Rua Ramalhete?

Luciano PIres: Ele, é meio fora de mão. Eu falei, bicho, você se incomoda de passar lá? Não, eu passo lá. Aí passou, parou e eu subi três quadras andando a rua, até achar a plaquetinha que tem na rua, a Rua Ramalhete, e a sensação de estar na Rua Ramalhete onde o Tavito contou aquilo. Então, todas as histórias contadas nas músicas do Clube da Esquina tiveram a ver comigo, então a cultura mineira e tudo mais está entranhada aqui, mesmo eu sendo de Bauru, em São Paulo, mas Minas está no coração.

Marcio Brant: Cara, uma das grandes felicidades que eu tive recentes, a gente teve agora recente o musical baseado no livro do Marcinho Borges, O Sonho Não Envelhece, e eu tive a oportunidade de assistir lá em Belo Horizonte, natural, lotado, sessão lotada, aquela coisa toda e tal, mas eu tive no Rio, estava no Rio e consegui assistir, um alvoroço, lotado, e todo mundo cantando louco, assim realmente emocionados com essa história. E ali eu fiquei pensando, cara, essa história não é uma história de Minas somente, é um movimento musical, o mais importante que a gente viveu, um dos mais importantes do Brasil, e que toca muitas pessoas mesmo, e eu que já tive oportunidade também de viajar com o Bituca, vários lugares no mundo assim, cara, uma das coisas mais bizarras talvez assim, aquelas coisas bizarras que acontecem na vida.

Luciano PIres: Você que nasceu em Vênus, Bituca é o Milton Nascimento.

Marcio Brant: É, vulgo Milton Nascimento, Bituca foi fazer um show em Tel Aviv, em Israel, estava lá, e cara, era incrível, você vê um monte de gente que não fala português, uma outra cultura cantando e chorando, se emocionando com aquilo, é de arrepiar, brother, é de arrepiar. Você fala assim, não, sou do mundo, sou Minas Gerais.

Luciano PIres: Exatamente, cara, algo tem ali, e essa coisa sagrada da música, né, a música é isso, você está falando agora e eu me lembrando, o Brasil teve vários movimentos assim, tem o movimento da Bossa Nova, tem o movimento do pessoal lá da Bahia, a turma dos baianos que vem, então teve várias ondas que vieram de vários lugares, e cada uma delas traz dentro dela embutido uma cultura que você não consegue, cara, você não consegue ouvir Bossa Nova sem imaginar o Rio de Janeiro, sem imaginar os anos 50, sem imaginar um Brasil diferente, você não consegue ouvir as músicas do baianos, aquela coisa da baianidade sem ter uma malemolência, tem uma cultura embutida, a de Minas é assim, só que Minas, cara, Minas é o Brasil condensado aquilo, que se você pegar Minas Gerais e olhar, Minas Gerais tem tudo ali, se você pegar Minas aqui embaixo, Juiz de Fora, aquilo é carioca, o time do coração é o Flamengo.

Marcio Brant: É, X Fora é um bairro do Rio.

Luciano PIres: Você vai para o norte de Minas, aquilo é o nordeste, já é nordeste do Brasil, você vem aqui para baixo, perto de São Paulo, Uberaba, aquilo é São Paulo aquilo ali…

Marcio Brant: Você vai para o Triângulo… Mato Grosso.

Luciano PIres: Então, o Brasil está ali, não à toa nas eleições o pessoal usa Minas Gerais como o que der em Minas vai dar no Brasil.

Marcio Brant: E você sabe que é muito interessante, você está falando isso do que acontece, eu já ouvi isso de alguns artistas, que eles testam, Chico Buarque é um cara que faz isso, ele testa a turnê em Minas, em BH, ele começa a turnê lá, a Bebel Gilberto falou isso uma vez testando uma turnê, falou, eu começo em Belo Horizonte, porque se vai mal, vai dar ruim.

Luciano PIres: Eu tinha ouvido que o pessoal começava, o Jô Soares falou uma vez que ele começava em Curitiba, porque é o pior público do Brasil, ele falou, é o pior público do Brasil, por ser um público frio e muito crítico, então ele falou, cara, se der certo lá, vai dar certo em qualquer lugar do Brasil.

Marcio Brant: Exato, BH tem isso assim de realmente, o público também é crítico, a gente não tem tanta produção assim, quando vai, óbvio que São Paulo tem muito mais coisa, Rio tem mais coisa e tal, mas na hora que vai, o pessoal fica assim atento, crítico a detalhes de produção, de cenário, de iluminação, de som, é crítico alto nível.

Luciano PIres: Você nasceu em Belo Horizonte?

Marcio Brant: Nasci em BH.

Luciano PIres: Nasceu em BH mesmo, viveu a vida inteira lá?

Marcio Brant: A vida inteira lá.

Luciano PIres: Você tem irmãos?

Marcio Brant: Cara, tenho uma irmã de pai e mãe e mais três agregados de padrasto, então a família de cinco pessoas aí que vieram chegando e virou um familião, BH, Minas tem disso também, aquela família mineira tradicional.

Luciano PIres: Aquele almoço mineiro não tem igual.

Marcio Brant: Pouca comida, aquela comida que ninguém gosta e é desse jeito.

Luciano PIres: Seu pai e sua mãe faziam o que ou fazem o que?

Marcio Brant: Cara, meu pai, ele é administrador, trabalhou em mineração durante 40 anos.

Luciano PIres: Em minas?

Marcio Brant: É, minas da Samarco, é, trabalhou na Samarco, e minha mãe professora e depois psicóloga, e depois uniu a psicologia trabalhando em prol da educação, como ajudar crianças, adolescentes a se darem bem na escola, então se guiou por aí. Meu padrasto depois veio complementando a minha educação aí, ele é médico, oncologista e aí seguiu-se…

Luciano PIres: Seu pai separou da sua mãe, morreu, o que que foi?

Marcio Brant: Não, separou, eu tenho pai, mãe, padrasto e madrasta, olha que beleza, tem a família inteira e minha madrasta é advogada, e que complementaram, chegaram e uma idade… quando eu tinha 10 anos, então chegaram complementando, então…

Luciano PIres: Você tem duas casas para correr, então?

Marcio Brant: Duas casas para correr, é maravilhoso.

Luciano PIres: E aí vem com o seu padrasto, vem dois irmãos, é isso?

Marcio Brant: Vem três irmãs.

Luciano PIres: Já vem com as irmãs.

Marcio Brant: É, eu falo que ele pegou a merendeira, assim, ele casou com a minha mãe já com a mala pronta, com dois filhos e ainda trouxe 3…

Luciano PIres: Que idade você tinha?

Marcio Brant: Eu tinha 10.

Luciano PIres: De repente ganhou 3 irmãs.

Marcio Brant: Três irmãs, eu sou o único homem da história e as irmãs estão aí, advogada, enfermeira…

Luciano PIres: Que doideira, que evolução deve ser isso, como é que é isso na cabeça de um moleque de 10 anos, bicho?

Marcio Brant: Cara, você sabe que essa responsabilidade veio depois, eu nunca… de olhar para as irmãs, de ver as irmãs saindo, os namorados chegando, as namoradas chegando também, então assim, é muito carinho, porque eu acho que eu abracei todas assim, cada qual a seu modo, entendo como irmã todas e porque é isso, quando o casal separa, eu entendo isso, hoje casado e pai também que sou, quando o casal sai em um momento desse, meu filho coincidentemente está com 10 anos, mas eu estou sem separação agendada, eu vejo que é um momento que você olha assim, cara, a casa encheu, a casa tem mais gente, e tem mais coisa e tal, e o seu papel ali de irmão vai sendo formado, que era uma passar para mais gente.

Luciano PIres: Que louco isso. Qual era o apelido que você tinha quando era criança?

Marcio Brant: Cara, legal essa pergunta, já fui o Presuntinho, cara, do Tiny Toons, cara, eu já fui o Presuntinho, é engraçado que eu nunca fui chamado de Márcio, eu sempre fui chamado de Marcinho, sempre, para quem está nos escutando aí, eu sou um cara alto, de 1,90 metros, então eu sempre fui o Marcinho e continuo sendo o Marcinho. E eu lembro que o Presuntinho, eu era gordinho, não que eu fiquei sarado e era baixinho e gordinho, aí ficou esse…

Luciano PIres: Virou Presuntinho?

Marcio Brant: Virei Presuntinho, cara, assim, e era muito doida essa coisa de apelido, e em uma época que a gente não falava de bullying, assim…

Luciano PIres: Não, cara, bullying era parte da educação para vida, vai pintar o bullying, você vai se ferrar e aí se vira, moleque.

Marcio Brant: E aí se vira, e hoje isso virou um negócio… for chamado de Presuntinho hoje, você está tendo isso, está tendo aquilo.

Luciano PIres: O que que o Presuntinho queria ser quando crescesse?

Marcio Brant: Cara, começou aos 15 anos, eu lembro disso porque foi a primeira vez que eu fui para a terapia, porque eu queria ser astronauta, acho que toda criança, todo adolescente quer ser astronauta, mas eu era um pouco freak, porque eu tinha um caderno que eu desenhava os foguetes, eu tinha uma Barça em casa, Barça para quem não sabe também era uma enciclopédia de 15 volumes.

Luciano PIres: Alô geração Z, houve um tempo em que não tinha Google, então a gente vivia… então respeite seu pai e a sua mãe porque eles cresceram e fizeram a vida deles sem Google.

Marcio Brant: Exatamente, e eu lembro que na sessão de Astronomia e tudo mais, e eu lembro que meu padrasto também comprava Super Interessante, que era uma revista maravilhosa, e aí eu comecei a falar, que legal os foguetes. E eu desenhava os foguetes, só que assim, isso nunca ia rolar porque eu tenho labirintite, eu não gosto de altura, e está tudo errado.

Luciano PIres: Bom, tamanho para ser astronauta você tem, pequenininho, não vai dar problema para ninguém, né…

Marcio Brant: Mas aí depois de um tempo eu falei assim, não, vamos… depois de muita terapia, eu falei, vamos aterrissar na Terra e ver exatamente o que que a gente vai fazer, e música sempre esteve na minha vida assim, meu padrasto me deu meu primeiro violão com 15, compus muito… compunha todo dia, o tempo todo e muita composição, aquela coisa toda, e eu falava, cara, a música está ali, mas a terapia me ajudou a colocar a música como academia, como assim, eu posso ser músico e fazer uma faculdade e viver disso, eu acho que esse foi o ponto assim, de que música não era só a bandinha, a minha banda de adolescente.

Luciano PIres: Por que você foi parar na terapia com 15 anos de idade, cara?

Marcio Brant: Dúvida, o que que eu quero fazer da vida assim.

Luciano PIres: Mas você perguntou, pai, mãe, não sei, não sei, não sei, bota esse moleque em um terapeuta aí…

Marcio Brant: Tinha um negócio… como é que era o nome? Filho de psicóloga, todo… o caminho é a terapia, mas agradeço a minha mãe por isso. Mas o ponto do… o ponto da terapia foi muito aqueles… testes vocacionais que tinham, e aí o meu teste deu um monte de coisa, aí o caminho foi a minha mãe falar assim, não, vai para a terapia e tal, e conversa lá, e aí foi maravilhoso, agradeço, agradeço ter ido para a terapia, que foi o momento de conversar sobre esses pontos.

Luciano PIres: E o momento certo, não é?

Marcio Brant: E o momento certo, 15 para 16 anos já estava indo para…

Luciano PIres: Você vai tomar decisões para o teu futuro ali.

Marcio Brant: E tinha a história da banda, eu tinha… acho que todo bom mineiro sempre teve uma banda assim, umas que deram certo, outras que deram errado, algumas poucas deram certo, muito certo, Jota Quest, Skank, Pato Fu, Sepultura, e tal, bandas nacionais, mas a gente tem muita tradição de bandas de garagem, de estúdios de ensaio em Belo Horizonte, e eu tinha uma banda, nome Lobo Guará, era o nome da banda.

Luciano PIres: Lobo Guará.

Marcio Brant: E mal sabia eu que iria acabar a banda, porque o Lobo Guará entrou em extinção, pior nome de banda não existiria, mas é isso assim, a banda… foi o momento da banda, de falar, e aí eu vou viver da banda, vou investir nisso aqui ou vou fazer vestibular ou vou estudar? E aí foi o momento que a terapia me ajudou a falar, não que eu vou viver da banda, mas que a música pode ser um caminho. E graças a isso a coisa vem acontecendo.

Luciano PIres: Mas você foi fazer o quê? Definido isso você foi fazer uma faculdade de música?

Marcio Brant: Foi, formei em música, fiz licenciatura em violão, em seguida fiz o meu mestrado em trilhas sonoras para cinema, foi seguido assim, passei a graduação inteira pensando no meu projeto de pesquisa e já entrei no mestrado, então 6 anos já era mestre. Mas tem um passadinho antes da faculdade de música, que eu não conseguia passar no vestibular, porque era um vestibular… sempre foi um vestibular muito concorrido, eu vim aqui para São Paulo, fiz USP, Fuvest…

Luciano PIres: Para fazer música aqui também? Sempre música?

Marcio Brant: Sempre música, fiz vestibular… eu lembro que eu fiz, o primeiro vestibular mesmo eu fiz, UFMG, eu fiz USP e fiz Unicamp, e passei nos três, aí passei nos três assim, na primeira etapa, e aí falei, cara, não vou mudar de cidade não, acho que eu vou ficar em Belo Horizonte mesmo, e aí fui para… beleza, fiz, tirei um notão e não passei, e aí eu comecei a entender a prova de aptidão, que é um trem complexo, é tipo um e milhão, porque você tirava uma nota muito grande, mas são poucas vagas. E aí eu passei três anos fazendo vestibular, quase uma faculdade fazendo vestibular, e aí eu fui fazer publicidade, eu falei, cara, não vou ficar mais um ano em cursinho, eu fiz dois anos de tentativa, falei, não vou fazer isso não, de jeito nenhum, vou para uma faculdade, fazer alguma faculdade, se não vou fazer… se não vou tirar diploma de cursinho aqui, não vai dar certo. E fiz publicidade, pensando, falei, cara, acho que publicidade pode ter a ver, porque eu tinha essa coisa da… sempre gostei muito de cinema, sempre gostei muito de trilha sonora, eu falei, cara, acho que tem a ver com isso aqui, fui fazer publicidade, aí fiz um ano e meio, e fui fazer vestibular de música escondido dos meus pais, falei, passei, toma aqui, passei, está tudo certo, mas continuei fazendo por baixo dos panos o vestibular, e aí quando eu passei, no ano seguinte eu passei em música, falei, galera, tenho uma boa e uma má notícia, a boa é que eu passei no vestibular, a ruim é que eu estou largando publicidade porque eu vou investir total, é uma faculdade que te puxa muito assim, ficar o dia inteiro na faculdade e como as disciplinas são teoricamente de graça, então você acaba fazendo muita coisa.

Luciano PIres: Quando você se forma você sai o que? Você sai bacharel em música?

Marcio Brant: Pois é, você tem duas… tinha duas linhas, depois criou-se a terceira, você tem bacharel em algum instrumento e licenciatura, pronto, então você podia, por exemplo, ser bacharel em trombone, bacharel em percussão.

Luciano PIres: E onde vai trabalhar um cara desse, um bacharel em trombone vai ficar à disposição para fazer trilha sonora, vai entrar em orquestra?

Marcio Brant: Vai fazer concurso para orquestra, alguma banda, professor, então, normalmente são esses caminhos, normalmente o mais querido é orquestra, que é onde entram os concursos, e muitos também querem ser professor e tudo mais, que também entra na área de concurso. E aí a faculdade de música, uma coisa que eu… até hoje a Federal de Belo Horizonte é a melhor faculdade de música do Brasil, então também algum dos motivos de eu ter ficado lá, e tinha licenciatura, que era o que eu queria, de alguma forma eu queria também, eu nunca fui assim, o melhor violonista, o melhor instrumentista do mundo, falava, cara, eu não quero ser músico concertista, eu quero usar a música em prol de alguma coisa e estar ali dentro do universo e tal, eu falei, cara, vou fazer licenciatura, que aí pelo menos eu saio de lá, eu vivo esse universo da universidade, da academia e também posso ser professor, era o que eu imaginava ali naquele momento, o que viria a ser, e aí tem muito a ver com essa pergunta, e aí o que faz? Essa é a grande incógnita das pessoas…

Luciano PIres: Porque músico para mim, cara, o mundo da música é que nem jogador de futebol, tem um Neymar para dois milhões de caras brigando o dia inteiro para ganhar um dinheirinho pequenininho, e a música é muito parecida, para cada… eu não vou nem no Caetano Veloso, para cada cara que estoura aí, para cada Ludmilla, entendeu, tem sei lá quanto… falei Ludmilla aqui em homenagem a ela ter esquecido o hino nacional ontem, e a cara de pau de depois dizer que foi o som que apagou, apagou o som do microfone. Mas para cada Ludmilla, tem 10, 20 mil meninas iguais a ela que não vão, não vai acontecer nada, vai passar o resto da vida cantando em barzinho e não vai acontecer nada, então é uma coisa que na hora de você fazer uma escolha, você olhar… se eu vou escolher ser médico, eu não estou mirando em um médico estrela, até porque nem sei se tem, não tem esse espaço na mídia toda, mas se eu for um bom médico, eu posso garantir, fazer minha vida aí sendo um bom médico, se eu for um bom músico, nada garante que eu vou conseguir ter sustentação lá na frente.

Marcio Brant: O Luciano, você está falando uma coisa que é o seguinte, inclusive é um dos pilares da minha vida, a gente… eu acho que quando a gente tem filho, depois você começa a ficar pensando em legado, o que que você vai deixar, aquela coisa toda, e cada vez mais eu tenho visto que esse é um dos legados assim, e tem a ver com a sua pergunta do que que o músico faz. Cara, a gente vive em um país em que o empreendedorismo, ele é nulo, não se ensina isso nas universidades e aqui eu nem estou falando da música só, qualquer uma, o médico sai sem saber ter um consultório, o advogado sem saber ter um escritório, e o músico não seria diferente. E hoje uma das coisas que eu trabalho muito é isso assim, a música, ela fica, ela sempre ficou no lugar do lazer, em um lugar muito… ah é a arte, é a arte, o cara, fala, espera aí, mas como é que eu vou pagar meus boletos com isso aqui? E eu tenho honra de falar, meus boletos são pagos com a música desde sempre, como que eu configurei a música para ajudar a me pagar os boletos que é a minha questão.

Luciano PIres: Lembra dos disquinhos coloridos, uns dos mais importantes lá era a Cigarra e a Formiga, que era exatamente essa questão, era a Cigarra, o que que ela faz? Ela canta, quando chega o inverno, não tem comida, ela morre de frio. Tinha uma pegada dessa, o artista, nós não precisamos dele, acabou o dinheiro, corta a verba do artista, tira a grana dele, o mundo não precisa de artista.

Marcio Brant: Pois é, cara, e isso para mim eu acho que é um dos grandes problemas assim, tem um caso que aconteceu comigo, que eu fiquei muito impactado, eu fui para um congresso de música e negócios em Nashville, eu tinha… deixa eu ver, isso tem… 2017, então tem 6 anos, eu tinha 36 anos, eu cheguei lá, meu querido, tinha um monte, uma garotada de 17 a 20 anos, sabendo tudo de negócio e música, tudo, não era um congresso de tocar…

Luciano PIres: Era um congresso do business.

Marcio Brant: Era um congresso de negócio, de direito autoral, de como entender e entender… a gente estava… estava se discutindo coisas assim que nem estava chegando aqui ainda, de como que ia ser o cálculo do streaming, como que o negócio ia rolar, como é que você ia pagar, com a diferenciação de cadeia produtiva, como que você gerava, como é que era uma economia criativa… menino de 18 anos lá nos Estados Unidos, então esse é um salto de qualidade que o nosso país, ele precisa ter com relação à música, eu faço várias palestras em universidades para falar assim, galera, vocês passam 4 anos da faculdade treinando repertório, tocando, eu tenho que terminar o curso sabendo essas músicas aqui, o cara do trombone, ele tem um repertório para cumprir até o final do curso por dificuldade, maravilha, mas o quanto de tempo que ele passa pensando como é que ele vai pagar os boletos dele? Ele não pensa, cara, nem os professores estão pensando.

Luciano PIres: E esse é lado, eu não quero dizer sujo, porque sujo é muito feio, mas é o lado não artístico da coisa, eu tenho a coisa da arte, o que você está falando é muito próximo do meu trabalho, da minha vida, sempre foi assim, como cartunista, depois eu passei um período como executivo de uma indústria, onde aposentei tudo, depois quando eu voltei para onde eu estou hoje, é exatamente isso, cara, tem um lado do artista que é sentar ali, produzir um PodCast, escrever um PodCast, gravar um PodCast, que isso é sensacional, muito legal, mas isso é um pedacinho só do tempo, a outra maior parte do tempo, que eu pratico muito menos do que eu precisaria praticar, é exatamente lidar com essas coisas mundanas, cara, como é que eu vou vender isso? Como é que eu vou mostrar para o cara o valor que o que eu estou fazendo tem? Porque tem um valor que é inestimável, cara, você não vai conseguir botar preço, como é que eu boto preço em um episódio de PodCast que tem um cara chorando… ah ontem escreveu um cara para mim dizendo o seguinte, ele me segue porque ele adora meu material todo e porque uma vez eu dei um conselho que mudou a vida financeira dele. Eu falei, o que? Vida financeira? Eu não entendo picas de economia, não sei nada de vida financeira, eu nunca daria um conselho da área financeira, mas alguma coisa eu falei em algum programa, que botou esse cara aí, ele entrou em um trilho, ele falou, cara, isso mudou minha vida financeira. Como é que você põe preço em um episódio que causa esse tipo de impacto da vida de um cara?

Marcio Brant: Não tem, uma coisa é o seguinte, tem uma música que faz parte da minha vida, mora no meu coração, toda vez que eu escuto essa música meu olho enche de lágrima porque me remete a um momento, me volta atrás, eu vou lembrar de coisas, me dá uma emoção que, cara, tem vezes que o meu cérebro pede, pelo amor de Deus, toca, eu preciso procurar, e eu tenho que tocar aquela música que é a mesma coisa… eu preciso comer um sorvete de chocolate, a música é igual, eu preciso ouvir aquela música, e aquele momento em que eu escuto aquilo me dá um prazer, me dá uma sensação, bota preço nisso.

Marcio Brant: E eu vou além, sabe, Luciano? Qual que é o problema você botar preço nisso?

Luciano PIres: Não tem nenhum, aliás, não deveria ter nenhum.

Marcio Brant: Não deveria ter.

Luciano PIres: Não deveria ter nenhum.

Luciano PIres: Hm, nada como comer uma pipoca quentinha, e esse cheirinho, hein. Mas imagine que você tem de pedir, mas não consegue dizer uma só palavra. É difícil, né? Pois é, no Brasil existem dois milhões de autistas que passam por esse desafio diariamente, não só para pedir pipoca, mas para coisas básicas, como dizer que quer ir ao banheiro, que está com sede, que está com frio. Bem, agora existe uma solução que está ajudando muita gente, o aplicativo Matraquinha, que ajuda essas crianças e adolescentes a expressarem seus desejos, emoções e necessidades. O Matraquinha tem mudado muitas vidas, e se você quiser fazer parte dessa corrente de transformação e amor ao próximo, torne-se um apoiador em matraquinha.com.br. Olha, acredite, existem pessoas honestas trabalhando para ajudar o próximo e que precisam do nosso apoio. Matraquinha.com.br.

Luciano PIres: Depois de 18 anos com PodCast, aconteceu um negócio assim inusitado, há uns meses atrás entra uma mensagem para mim, Luciano, sou seu ouvinte, adoro ouvir você, ouço você há 10 anos, é o seguinte, cara, eu vou casar e eu queria saber se você pode celebrar o meu casamento, eu e minha noiva a gente ouve você, a gente te adora, então é muito louca essa ideia, eu sei que o não eu já tenho, eu estou te perguntando, você toparia celebrar o meu casamento? É uma… foi um pedido tão inusitado, tão maluco…

Marcio Brant: Imaginei, imaginei.

Luciano PIres: É claro que eu vou. E ele, a gente procurou celebrantes para contratar, os caras cobram tanto assim, eu estou disposto a pagar tanto. Eu falei, não, cara, eu vou na boa, e o cara, então, ele me contratou, eu fui contratado para celebrar um casamento, coisa que eu nunca tinha feito na minha vida, fui lá, celebrei o casamento, foi fantástico, foi muito legal, foi engraçado, foi completamente inusitado, foi legal para eles, legal para mim, mandaram para mim uma mensagem maravilhosa, emocionados e tudo mais, aí depois eu botei no grupo nosso lá… e aí a turma veio lembrar, ganhou… aí depois eu fiquei falando, espera um pouquinho, o fato de eu dizer que eu fui pago para fazer aquilo, imediatamente empanou o brilho da coisa, se eu tivesse dito, eu topei, eu fui de coração e fiz, seria lindo, quando eu falo, eu topei, fui, fiz de coração, mas eu recebi para isso, ah então não é tão lindo, e eu estava pensando isso ontem, por que que não é tão lindo? Qual é o problema de você ser remunerado para fazer um trabalho, por que que um pedreiro não receberia para subir um muro? Qual é a diferença do pedreiro subindo um muro usando as habilidades deles para construir algo, de eu usando as minhas habilidades para construir alguma coisa, atender uma necessidade que alguém tem? Não tem diferença nenhuma, cara, por que que remunero um, por que que eu não remunero outro? E essa discussão toda veio com uma puta força quando eu comecei a lidar com monetização de PodCast, vou monetizar PodCast, começou uma puta gritaria, imagina, que eu vou pagar por um treco que é gratuito. E aí começou uma tremenda de uma briga que foi botar preço, coisa que eu acompanhei com amigos meus que são músicos a vida inteirinha, o cara, bicho, como é difícil botar preço naquilo que eu faço. Pega o violão aí e toca no boteco lá, eu te dou 50 reais e um prato de comida e está feito. Não, bicho, espera um pouquinho, isso que eu vou entregar para você é um produto, e esse produto deu um puta trabalho para conseguir fazer, precisa de uma habilidade e se ele for bem feito, ele merece ser bem remunerado, qualquer tipo de trabalho deveria ser assim. Mas tem uma cultura que não é, e música é assim, música não é.

Marcio Brant: Tem uma frase de um conhecido, não vou nem falar amigo não, lá em BH a gente fala conhecido, que é “não me pede de graça o que eu ganho para viver”. Mas isso durante…

Luciano PIres: Essa frase, se eu não me engano, cara, não é a Clarice Lispector, é uma atriz, cara, como é que era o nome dela? Meu Deus do céu, uma atriz da antiga aí, que já morreu, a frase dela era “não me peça para te dar de graça a única coisa que eu tenho para vender”, era exatamente isso.

Marcio Brant: Pronto, é isso aí, e que foi sendo repaginado ao longo dos anos, e isso… mas aí eu descobri uma coisa, depois de muito tempo xingando, porque você tem aquele momento adolescente, isso é um absurdo, aí você não leva o violão, porque todo mundo te pede para levar o violão para o churrasco, não, leva o violão no churrasco. Espera aí, você quer um show? Aí você tem que pagar no seu churrasco. E aí eu comecei a ver que é o seguinte, isso… e tem até historicamente o César Menotti e Fabiano lá em BH, que eles eram a dupla que mais tocava em churrasco, todo mundo que queria fazer um churrasco em Belo Horizonte, com eles, com os gordinhos…

Luciano PIres: O César sentou aí nessa cadeira.

Marcio Brant: Pronto, aí super certo, meu amigo, meu padrinho de casamento, inclusive.

Luciano PIres: Foi uma delícia o programa com ele.

Marcio Brant: E aí você pensa assim, eles transformaram aquele negócio e virou, é uma das maiores duplas do Brasil assim, então não tem problema fazer isso, e aí isso que eu ia te contar. A culpa é nossa, a culpa não é do outro, a culpa é nossa, como é que a gente se posiciona, e é muito interessante porque voltando aí no que você me perguntou sobre a minha escolha profissional, quando eu… eu culpava demais meu pai, eu falava, não, meu pai é um absurdo, porque meu pai não aceita eu ser músico. Não tem isso aí? Até hoje todo mundo fala, não, mas meu pai não quer que eu seja artista. Eu faço o caminho inverso, eu falo assim, como é que você convence seu pai de que vale a pena ser artista? Quando eu virei essa chavinha eu falei, pronto, porque é natural para o pai, e isso também foi quando eu virei pai, é natural para o pai falar assim, cara, a vida de artista será, será que vai rolar, será que vai dar certo, será que tem oportunidade, será que não tem, o pai nasce assim, cara. Meu pai é de uma geração que é medicina, engenharia e direito, advocacia, e olhe lá…

Luciano PIres: Doutor, quero meu filho… ser doutor.

Marcio Brant: Doutor, quando o filho vai lá e decide, não, pai, eu quero ganhar dinheiro com música, ele desespera, ele fala, cara, não sei como é que é isso, é um buraco negro, ele não sabe como é essa história? Então, parte da gente, por que que nos Estados Unidos hoje os adolescentes escolhem ser músico, compram guitarra, compram instrumento, e isso não faz tanto alarde para o pai e para a mãe, porque lá a coisa… o empreendedorismo está aqui. E aqui eu não estou fazendo apologia que os Estados Unidos tem que ser certo ou errado não, mas é a forma nossa de como que a gente lida com a música, eu já vivi muito assim, eu tive um estúdio durante 15 anos, estúdio de produção musical, eu tinha alguns amigos e aí nem sei se era tão amigo assim, que via aquele estúdio montado, bonito e falava assim, Marcinho virou empresário, com desdém, quer dizer que música não pode dar dinheiro, eu não posso ter grana, e não é porque eu sou… tenho jatinho ou músico famoso, nada disso, mas você entendeu? Você não pode ganhar. Então, esse é um caminho que eu falo muito assim para os músicos que estão ouvindo, inclusive, a gente, bata no peito que música dá dinheiro sim, você tem que construir uma carreira… e posso pagar… música não tem que ser hobby.

Luciano PIres: E é uma coisa interessante, porque depois que o cara atinge determinado patamar, ele se torna um sucesso, é normal que ele seja o cara que ganha grana, é normal imaginar que esse cara de sucesso tem jatinho, passa a ser normal, mas até ele chegar ali, cara, ele está naquele… apanhando, ele é um cara igual a mim, esse cara nunca vai ganhar porra nenhuma, não vou pagar o que eles estão pedindo, aí depois que o cara vira um sucesso, aí ele detona.

Marcio Brant: E quem disse que a grana tem que ser essa do jatinho? Eu tenho vários amigos que pagam a escola do filho, que tem uma vida legal, tem sua casa, está tudo certo, longe de ter jatinho…

Luciano PIres: Eu vou te contar como é que eu acabei conceitualizando essa história toda aí. Tem um livro chamado A Cauda Longa, que fala exatamente dessa… e aí lendo aquele livro, depois um dia me deu um insight, que eu falei, deixa eu ver se eu consigo dividir direitinho, o que que eu tenho? Eu tenho o mainstream, aquele lugar onde vive a Anitta, a Anitta mora lá, o Michael Jackson morava lá, esses caras moram lá, bilionários, ganham dinheiro que nem uma loucura e onde bota a mão faz grana, se você chamar a Anitta para tocar no teu churrasco, você sabe que vai custar 200 conto só para ela botar a cara dela lá, e olhe lá. Aí você tem o underground, que é onde está o motorista de Uber se fudendo para conseguir uma graninha, para conseguir gravar uma coisinha, fazendo a musiquinha dele, não consegue trocar o violão, está fudida a vida dele, esses dois extremos. E no meio tem aquilo que eu chamei de meio stream, quem é? É o cara que está pagando a escola dos filhos, está pagando as contas dele, está pagando o mercado, está comendo, nunca vai ter um apartamento em Paris, nunca vai ter um avião, vai viver honestamente a vida dele, vai pagar as contas dele no meio stream.

Marcio Brant: Tranquilo.

Luciano PIres: Essa turma do meio stream tem uma coisa que é sagrada, que a turma do mainstream lá não tem mais, que é liberdade, a Lady Gaga não pode ir no mercado fazer compra, não pode coçar a bunda no meio da rua, nada que ela fizer, está todo mundo de olho ali, vou explodir. Eu saio na rua, ninguém sabe quem eu sou, sou um mané, vivo minha vida, então eu tenho uma liberdade que conforme eu for galgar o… eu vou perder, se um dia eu for aparecer na televisão, virar um apresentador de PodCast na TV, acabou a minha vida, porque eu passo a ser reconhecido, a ser observado e a ser falado onde eu estiver, então eu perdi, ganhei grana, ganhei fama, fiquei conhecido, mas perdi completamente a minha liberdade. Então, o segredo é você saber em que camada do meio stream eu estou aqui, eu estou mais perto do underground fudido, ou eu estou encostado lá em cima no mainstream sem querer passar, eu não quero cruzar para o outro lado, não quero cruzar, e eu já vi histórias maravilhosas, sabe, de cara que falou, eu cresci, eu me desenvolvi, até que eu cheguei em um ponto em que eu olhei e falei, daqui para frente não sou mais eu, agora eu sou escravo das gravadoras, agora eu vou ter que gravar a música que eles querem, agora eu vou ter que abrir mão de tudo aquilo que eu tinha e que me trouxe até aqui, não quero, desculpa, estou fora, e desiste de fazer a campanha de superstar e continua tocando a vida dele em busca dessa liberdade.

Luciano PIres: Você sabe que o Márcio de 15 anos que foi para a terapia, ele queria estar no mainstream, e natural, essa pessoa fala, ah não quero… quer, quer, quer estar naquele lugar e tal, e aí é muito interessante que agora quem está no mainstream, você pergunta, se você tiver oportunidade de falar assim, cara, vem cá, microfone ligado, na minha, o que que você queria? Ah, eu queria voltar a ser não reconhecido e tal, mas com o dinheiro que ele tem hoje. Então assim, é muito difícil depois de um certo tempo olhando para o mainstream, e enxergando esse meio stream que você conceituou, você começa a ver que esse lugar é muito bom, porque você consegue ter as suas coisas, você consegue ter a sua liberdade, ganhar grana com isso sem precisar falar assim, vou criar outra… vou fazer outra coisa que não a música ou que não que eu tenho vontade de fazer, porque trabalhar com o que não gosta deve ser uma bosta, entendeu?

Luciano PIres: É uma bosta quando você tem 30 anos, quando você tem 50, cara…

Marcio Brant: É pior ainda, cara, você vai ficando ranzinza, você vai… e tal, e assim…

Luciano PIres: É uma infelicidade constante, entendeu? Como é que falava lá o Odair José? Felicidade não existe, o que existe na vida são momentos felizes. Aos 50 trabalhando com o que você não gosta, nem momentos felizes você tem.

Marcio Brant: E isso eu tenho muita… assim, eu até fiz um post outro dia no Instagram que deu o que falar, dividiu opiniões aí, que é a questão do trabalho, o quanto que eu gosto de trabalhar, o quanto que eu gosto de trabalhar porque eu trabalho com o que eu gosto, assim, eu fui me reformulando, me organizando, então assim, eu tenho essa… acho que eu tenho essa capacidade de falar eu tinha um estúdio, eu não vou morrer no estúdio e pandemia se eu tivesse o estúdio físico produzindo musicalmente, talvez eu teria falido, então eu soube me organizar, sou reinterpretar ali o meu conhecimento, e comecei a fazer os gerenciamentos de algumas carreiras e comecei ainda produzindo, então eu soube lidar…

Luciano PIres: Isso pré pandemia?

Marcio Brant: Isso pré pandemia.

Luciano PIres: Você diversificou o teu negócio, você não era só um dono do estúdio de gravação?

Marcio Brant: Não, e isso vinha de antes, quando veio a pandemia, e isso foi uma das coisas que eu mais falei na época de pandemia, que é essa capacidade nossa de se reinventar, quando você está em uma maré legal, você está ali, beleza, é uma coisa, veio a pandemia, que tirou todo mundo do prumo, quem não consegue se reinventar ou não consegue pensar outras formas e tudo mais, cara, tensão…

Luciano PIres: O Nassim Taleb, o cara do Antifrágil, ele chama isso de opcionalidade, ele fala o seguinte, se você não tiver opções, válvulas de escape, caminhos para escapar, você está fudido, vai pintar a pandemia e, de repente, você é dono de uma churrascaria, e não tem delivery de churrasco, na tua não tem, na tua churrascaria você não tem, e você nunca pensou nisso como uma oportunidade. Quando pintou a pandemia de forma terrível, uma porrada de restaurante quebrou porque não tinha o que fazer, as pizzarias arrebentaram, porque pizzaria o delivery é uma beleza de pizzaria, ou seja, muita gente entendeu que tinha que ter organizado o seu delivery há muito mais tempo, teria uma opção de onde sair, que é um exemplo bem boboca, mas é um exemplo real o que aconteceu ali. Pega o teu caso, o cara que é dono de um estúdio de gravação, que vive da presença dos músicos, de demanda do mercado, para a pandemia, ninguém mais pode ir, como é que você faz, cara? Ah, agora tem tecnologia, dá para o cara gravar na casa dele, mas isso não é assim, não é…

Marcio Brant: E muitos artistas fizeram gravações em casa e editaram aqueles vídeos, parecia um mosaico, eu falei, cara, isso não vai rodar.

Luciano PIres: É temporário.

Marcio Brant: Pouco antes da pandemia, Luciano, assim, eu já vinha acontecendo o movimento comigo que era o seguinte, então para contextualizar, produtor musical, diretor artístico de show, adoro fazer, muito legal, muito bacana, criei um produto que fez muito sucesso lá em BH, que era o famoso One Day, a pessoa chegava com a música no violão 9 da manhã e 5 da tarde ela já estava masterizada.

Luciano PIres: Que legal.

Marcio Brant: E aí o artista falava assim, como assim? Não, a gente criou um modelo, eu e meu antigo sócio, criamos isso e tal. Então, era produção em série e vamos fazendo, e era um dia um sertanejo, outro dia um gospel, outro dia um hip hop…

Luciano PIres: E era uma prestação de serviço?

Marcio Brant: Uma prestação de serviço.

Luciano PIres: O pessoal da Panela Produtora, que são muito amigos meus, eles fizeram uma coisa parecida, mas mais radical que a tua, eles chegavam de manhã, abria o jornal, escolhia uma notícia, compunha a música e no final do dia eles tinham a música pronta, gravada e tudo mais. E eles falavam, a gente fazia questão de fazer a partir de um jornal, porque era para sair zerado, abria, essa é a notícia, e no final do dia saía a música pronta lá. Mas não era uma prestação de serviço, era curtição deles.

Marcio Brant: Curtição. Não, o nosso era transformar essa ideia para pagar os boletos. Aí eu comecei a entender que em um dia de produção musical, as pessoas me perguntavam demais o que que eu tinha que fazer para a minha carreira, eles ficavam perguntando, então a gente fazia o musical, mas o tempo inteiro a coisa estava acontecendo assim, mas Márcio e depois, e o como é que eu faço, e como é que eu lanço, e a minha carreira, e eu faço uma próxima, e eu faço como? Um monte de pergunta. Eu falei, cara, tem negócio aí, tem 20 anos que eu estou fazendo, tem sei lá, 15 anos que eu estava fazendo produção musical, eu falei, eu sei um pouquinho desse negócio, e baseado, inclusive, na minha experiência quando eu fui fazer o meu primeiro disco, o meu pai me deu uma grana, me viu em um show, falou assim, nossa, ele é talentoso, aí me deu uma grana boa para fazer um disco. Aí eu fiz o… saí gastando, vou gastar no melhor estúdio com os meus amigos músicos, pagar todo mundo bem e quando eu vi o dinheiro acabou, eu não tinha nem feito a capa do disco ainda, o problema do planejamento financeiro aí, não tinha, então baseado nesse erro e mais depois os 15 anos de processo de produção, eu falei, eu vou montar um método, vou ajudar a galera, o que que tem que fazer e comecei a fazer isso antes da pandemia. Então, ou seja, esse processo de reinvenção me ajudou muito na pandemia, e a WePod nasce, inclusive, desse momento. Eu estava te contando aqui no bastidor que eu lembro de um cliente, meu primeiro cliente de PodCast, ele falou comigo o seguinte, Márcio, eu queria muito, eu sou… adoro o Café Brasil, é o meu PodCast que eu mais amo, será que eu consigo fazer isso aqui para a minha empresa? Eu falei, ué, conseguimos, vamos fazer, vamos organizar. Só que o meu trabalho era só gravar, eu ia, chamava o pessoal no estúdio, gravava e tal e certa vez a gerente de marketing me chamou, depois de seis meses, melhor contrato da época, ganhava uma grana boa todo mês e tal, seis meses depois ela chegou para mim e falou assim, vou… a gente está querendo cancelar o contrato com você, porque a gente comprou aqui 4 microfones, tem um estagiário que a gente contratou, comprou uma mesinha, e eu acho que a gente não precisa mais de você. Fiquei puto, fiquei puto na hora, falei, como assim você vai reduzir o meu trabalho a só um estagiário, 4 microfones e uma mesa? Aí ela foi e falou assim, ué, não é não? Cara, tempos depois eu agradeci ela demais, agradeci, falei, você é responsável pela empresa que eu tenho hoje. Porque a WePod, ela vem exatamente desse… ela vem de dois momentos, ela vem do momento de eu não ser percebido como simplesmente a pessoa que aperta o rec, então a gente entrega um formato, a gente pode falar disso, um formato total, e outro que é o papel que eu tinha no meu lado B da produtora também, que era fazer o offline…

Luciano PIres: Que é a consultoria, o consultor, quando eu te compro… eu não te compro o técnico que liga o microfone, não, consultoria…

Marcio Brant: Exato.

Luciano PIres: Só para não perder o embalo aqui, uma curiosidade, por que que ao invés de WePod, não chama Nós Pod?

Marcio Brant: Total, e foi muito engraçada, nasceu… é óbvio que a empresa chama WePod, aí eu estava em uma reunião com a Hotmart, que depois virou um cliente nosso e tal, e o cara falou assim, cara, o nome seu é muito legal, mas vocês nunca pensaram em ser Nós Pod, não? E eu… e isso é um projeto que está guardado nosso, de ter uma Nós Pod, mas com um propósito um pouco mais social, para as pessoas poderem usar o PodCast como canal de falar, sabe assim, esse é um projeto que está guardado, acho que ano que vem a gente consegue tirar da gaveta, por causa do Nós Pod.

Luciano PIres: Quer dizer, então, esse bichinho do PodCast aparece por uma demanda de um cliente que chegou para você e falou, dá para fazer? Ué, quem grava música, grava PodCast também.

Marcio Brant: É isso, surge com essa demanda muito mais da gravação, eu sempre tive um lado meio comercial assim de apresentar para as agências e tal por causa do offline, também passei 15 anos produzindo, e aí eu nunca fui ouvinte de PodCast, nunca fui o cara mais podcaster da vida, mas entendia ali como um meio para conseguir aquele objetivo que ele queria, então eu sabia conectar essas coisas, ficava bem bravo, inclusive, porque eu não conseguia fazer isso com as agências, eu lembro uma vez, daqui a pouco eu volto nisso, mas só para fazer essa ponta, eu comecei a estudar sobre sound branding, o famoso plim plim da Globo, eu falei, cara, vou vender isso, comecei a estudar, estudar, vou vender esse negócio, não vendi nenhum, vendi nenhum. Mas porque eu tinha uma coisa de ir nas agências e eu nunca queria falar com o RTV ou com o mídia, eu falava, cara, eu quero entender como é que o áudio vai te ajudar e não como é que o áudio vai ser uma música de fundo da sua campanha. E isso travava, como diz meu filho hoje, isso bugava a cabeça da galera da agência…

Luciano PIres: Na nossa época era dava tiuti.

Marcio Brant: Dava tiuti, exatamente, dava tiuti é isso aí, que era exatamente como que eu como produtora de áudio, eu tinha um caminho certo, ir no RTV, no produtor da agência, não tinha… ah vou conversar com planejamento, vou conversar com diretor de criação, e sempre fui chato, o pessoal, não, então você quer apresentar a produtora, então você vai aqui no RTV, não, cara, eu quero falar com o diretor de criação, cara, ninguém deixava, poucos deixavam. E aí eu conheci alguns diretores de criação, cara, vamos pensar alguma coisa, como é que a campanha nasce do áudio, como é que você pode usar isso junto assim. E o sound branding, nasce aí, eu falei, cara, por que que a campanha… por que que você não tem um sound branding? Nunca consegui vender isso.

Luciano PIres: Você está ouvindo o LíderCast, um PodCast voltado para liderança e empreendedorismo, de onde veio este tem muito mais, por exemplo, a mentoria MLA, master life administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional, comunidades online oferecem conexão, compartilhamento, apoio, aprendizado e segurança, o MLA é mais do que isso, é um mastermind para profissionais com encontros mensais, presenciais e online promovendo uma sensação de comunidade e uma troca muito valiosa de experiências. Olha, tem vagas disponíveis, se você se interessa em estar comigo acesse mundocafebrasil.com, e clique no link para saber mais.

Luciano PIres: Você está falando uma coisa interessante, eu há uns 4 anos atrás, 5 anos atrás, eu desenhei um esqueleto de um curso de PodCast para ser dado como uma cadeira de pós-graduação nas universidades, então está tendo uma pós-graduação em marketing, uma cadeira que seria PodCast. E aí fui conversar, conversei com duas, inclusive, uma universidade grandona aqui de São Paulo, fui lá conversar com os caras, tudo, e não houve, não teve como tirar da cabeça dos caras que o que eu estava propondo para eles era uma disciplina de RTV, de rádio e televisão, eu diria, não, você entendeu, bicho, eu quero botar a disciplina PodCast na pós-graduação de engenharia, eu não quero botar ela na área de RTV da comunicação, do mesmo jeito que o engenheiro tem que aprender a lidar com uma planilha Excel, eu quero que ele entenda que o PodCast pode ser um puta caminho para ele, também estabelecer um canal de comunicação, é uma puta ferramenta, eu não quero ficar restrito à área de RTV como ferramenta de comunicação ali, eu quero… ela é estratégica, então cabe em qualquer pós de qualquer lugar, há… médico não é proibido de fazer propaganda, não pode ter propaganda de médico, mas o médico pode ter um PodCast, por que que ele  não aprender PodCast? Por que ele está fazendo medicina? Mas não teve jeito, não consegui, aí quando cheguei na RTV, os caras, ah nós já temos aqui, aí você vai ver o que era, era a disciplina de rádio que os caras achavam que era a mesma coisa, não rolou.

Marcio Brant: Luciano, eu tenho muita tranquilidade de falar, porque assim, depois de 15 anos dando aula em universidade, 17, que eu comecei, eu levei lá em Belo Horizonte uma disciplina chamada sound design, montei dentro do curso de design gráfico, depois eu entrei na faculdade de publicidade, depois de jogos digitais, depois de computação gráfica, então eu criei metodologias de ensinar essas pessoas a lidar com áudio, seja editando, seja recebendo um material, seja sincronizando e tudo mais. Então assim, eu tenho muita tranquilidade de falar que a academia está em um problema gigante, a academia está com um problema muito sério, principalmente porque hoje o ensino, ele é on demand, então é essa coisa dos cursos digitais, que é um caminho sem volta, hoje você consegue comprar uma série de cursos on demand, ali no self service, onde eu vou comer isso, vou comer isso, vou comer aquilo…

Luciano PIres: É o conceito de PodCast, por que que eu tenho que ser refém da programação de alguém se eu posso montar a minha?

Marcio Brant: Montar a minha, exato.

Luciano PIres: Só para fechar aqui, eu vou dar um exemplo de sound design para os nossos ouvintes aqui, que eles vão entender exatamente do que nós estamos falando aqui, vamos ver.

(…)

Luciano PIres: Ouviu a… de novo, vamos prestar atenção.

(…)

Luciano PIres: Eu fiz questão quando eu fui trabalhar com negócio de PodCast…

(…)

Luciano PIres: A molecada fica enlouquecida para ouvir… deixa eu ouvir a xicrinha.

Marcio Brant: Cara, isso mexe com o seu inconsciente, isso… o áudio, ele tem… eu tenho essa brincadeira infame que é falar assim, o quanto que o áudio é importante no áudio visual, inclusive a palavra vem na frente, então assim, o áudio é mais importante, e infelizmente ainda o áudio na indústria do audiovisual, inclusive, ele é tratado como pós produção, está lá no final, e eu não esqueço uma entrevista do Randy Tom, que é o sound designer do Forest Gump, que ele fala isso em uma entrevista, que a parceria dele com os Zemenski é uma parceria tão foda, porque eles falam o seguinte, se eu tratasse o som como pós produção, eu nunca conseguiria o som das bicicletas que ele alugou lá na produção daquela cena que os meninos… que sai a prótese, que vai sair na prótese dele, ele conseguiu o som porque ele captou isso lá no coisa, não tinha como um ano depois ele falar, qual bicicleta que eu peguei para eu fazer overdub daquilo ali e tal. Então, é muito importante esse som e existe uma potencialidade do sound design que é o que eu sempre ensinei, e tento mostrar isso para as pessoas, dentro do design isso foi maravilhoso, a gente conseguir levar para… termos como intermídia, que hoje é um termo que é bem óbvio para as pessoas, mas eu sinto que a universidade, quando você fala desse exemplo de levar o PodCast para fora do curso de comunicação, que é não ser óbvio, porque ter no curso de graduação é óbvio, mas você levar para outros cursos é maravilhoso, porque você oferece o meio para fins diversos, e esse é o ponto que não rola. Então assim, a universidade, ela vive esse problema assim, se ela não sai da caixinha dela…

Luciano PIres: E ela é lugar teoricamente de sair da caixinha.

Marcio Brant: Ela é o lugar de você explodir.

Luciano PIres: E está terrível, está cada vez mais fechada, é complicado. E nesse on demand que é as pessoas se organizarem, isso é um dos pontos quando eu fiz universidade, por isso até que eu larguei a publicidade, eu cheguei lá no primeiro semestre da universidade de música e falei, cara, eu posso fazer o que eu quiser? Quantas disciplinas eu quiser? Tinha conta nenhuma para pagar, eu falei, ah bicho, estou vivendo com a minha mãe ainda, vamos embora. Eu fiz 13 matérias no primeiro semestre, passava o dia na universidade, até reger coral, eu regi. Que eu falei, cara, eu tenho… quanto mais conhecimento eu adquirir…

Luciano PIres: Mais ferramenta na tua caixinha.

Marcio Brant: Mais ferramenta para eu fazer… 20 anos depois eu conseguir no meio de uma pandemia falar, cara, eu vou fazer isso aqui. Hoje eu estou aprendendo, o meu desafio é data science, eu estou estudando é isso, como é que eu apresento números, dados, tempo de retenção, como é que o sound design me ajuda, estou pirando a minha cabeça, agora isso veio da base de eu falar assim, cara, eu ensino isso para o meu filho, tem que estudar, a gente tem que estudar o tempo todo.

Luciano PIres: Você então começa a produzir PodCast, como é que pinta a ideia da WePod? Porque até então você é uma agência que presta serviços de PodCast para eventualmente quem quiser, não é o teu produto, e vai virando produto, quando é que isso dá um salto para deixar de ser uma produtora de áudio para ser uma… eu não sei que nome que você dá para a WePod…

Marcio Brant: É, quando eu saio… sou demitido por esse contrato que a menina me trocou pela mesa e pelos microfones e o estagiário, eu falei, se eu vou entrar nessa brincadeira, se eu vou entrar nessa história mesmo, eu preciso construir valor nisso que eu estou entregando e criar uma metodologia que é um pouco, do fato ser professor, de trabalhar com isso, eu falei, cara, tudo precisa ter uma metodologia muito bem aplicada e muito bem embasada. Daí nasce a WePod, hoje a gente faz… a gente é uma produtora de conteúdo em PodCast, e aí a gente entrega desde a criação do projeto até a análise da audiência. Então, passando aí, então o que a gente faz, criação, planejamento, gravação, distribuição e a gente chega até essa análise de dados, que a gente tem uma equipe de dados hoje que faz uma análise de audiência. Então, hoje na hora… o cliente, ele pode até querer, inclusive, a gente tem cliente assim, que grava, que tem toda uma equipe de produção, que tem isso dentro da própria empresa, faz… a gente atende, por exemplo, o Ministério Público lá em Belo Horizonte, que comprou todos os equipamentos antes da gente chegar, e a gente usa os equipamentos dele, está tudo certo lá, a gente cria esse… tem uma equipe jornalística…

Luciano PIres: Até porque equipamento deixou de ser o bicho, eu fico imaginando… você está na área de produção de áudio há quanto tempo?

Marcio Brant: 20, mais de 20.

Luciano PIres: Quanto custava uma mesa decente de áudio há 20 anos atrás, cara?

Marcio Brant: Cara, eu comprei… eu lembro, não sei quanto, porque tem mesa de mais de 100 pau assim, mas eu lembro de ter dado, investido 35 mil em uma mesa.

Luciano PIres: Lá, naquela época, 20 anos atrás, 35 mil lá hoje… hoje devia ser o que?

Marcio Brant: Em uma C24 que era uma mesa da inint 01:00:00 que tinha acabado de lançar.

Luciano PIres: Eu me lembro, os amigos do estúdio Bandeirantes, a gente conversando com a turma lá, os caras falavam em mesa de 100 pau, cara, de 100 mil, hoje em dia, quer dizer, o preço de entrada, o custo caiu barbaramente, hoje em dia, de novo, qualquer um com 4 microfone, um laptopzinho ali, acabou.

Marcio Brant: Isso não é valor, isso não é valor.

Luciano PIres: Não tem mais valor o equipamento, e o que o pessoal não entende é isso, eu consigo dar valor quando eu enxergo as coisas, estou vendo os microfones, estou vendo a mesa, estou vendo um monte de botão, isso aqui é complicado. Agora, o conhecimento para gerenciar isso tudo aí, é difícil você botar valor nisso.

Marcio Brant: O que eu me realizo acho que todo dia hoje na WePod e entregando o que a gente entrega está muito no lugar da estratégia, que é o que eu nunca consegui fazer com o offline, que é falar assim, cara, para que que serve o PodCast? Tanto que hoje assim, e eu entendo isso não como prepotência, eu entendo isso como… como assim, cara…

Luciano PIres: A tua especialidade, cara.

Marcio Brant: Como realista, o cara chega para mim, ah Márcio, eu quero fazer 3 episódios, eu falo, cara, não faça, faz não. Às vezes as agências… de novo eu falando aqui, aqui não é ódio às agências não, tá, gente? Não é falar mal de agência, mas a gente precisa entender que assim, fazer 3 PodCasts não é criar uma estratégia de PodCast.

Luciano PIres: Cara, se você não fala, eu falo, agência é muito burra, cara, esse pessoal de agência, eles são muito burros, eles não têm nenhum interesse em ampliar o alcance, outro dia eu tive um pau com uma agência aqui, uma montadora, o cara entrou em contato comigo, vou fazer, não sei o que, eu queria fazer duas participações no PodCast. Eu falei, cara, não faça isso, você vai jogar dinheiro fora. Não… mas você não entendeu ainda, o negócio do PodCast é construir o rapport com o ouvinte, você tem que estar comigo aqui durante 4, 5, 6, 8 episódios, para que em um determinado momento esteja presente na cabeça do ouvinte que você vai entrar porque aquele é o teu momento, é o momento da tua entrada, é ali que você vai fazer a marca, a tua marca… se eu tirar você vai ficar um buraco, o ouvinte vai falar… ué, cadê o… eu cansei de fazer isso com clientes. Eu falava, então eu prefiro, eu faço até um preço melhor para você, para você fechar comigo seis meses do que dois episódios. Cara, não teve jeito, o cara gastou uma nota, jogou fora, porque ele fez duas participações, eu falei, também não vou rasgar dinheiro. Então vem, fez as duas e aí me manda o material da agência, veio o texto, e eu cara, uma coisa que eu não vou abrir mão é o seguinte, o texto é meu, não… bicho, me manda o teu texto, eu vou pegar o teu texto, vou transformar no meu texto, mando para você, você aprova e está tudo feito, tá bom? Não, não pode… você não vai escrever um texto para ser lido, eu sei como eu tenho que ler, eu sei o tamanho que tem, eu vou brincar na hora, eu vou botar caco, não dá para fazer, é um locutor locutando, eu sou um PodCast, eu vou brincar. Não, mas… fiz, mandei para o cara, aí cheguei para o cara, falei, o texto de vocês não tem um CTA, um call to action no final, você tem que terminar o texto dizendo… o teu texto termina o seguinte, entra em contato conosco para fazer um test drive.

Marcio Brant: Onde?

Luciano PIres: Onde, mané? Não, manda para o site, não, o site é genérico, .com, tem que ter o lugar que o cara entra e aplica. Posso botar @ e o teu Instagram e você põe na bio? Link na bio, está resolvido? Não… aí mandaram para mim a url, www o nome do veículo, .com.br/agendar/teste/

Marcio Brant: Não, já perdeu o cara.

Luciano PIres: Espera aí que eu vou ler isso aqui para você, você só escuta eu falando. Não, mas… não dá bicho. Cara, foi uma dureza, aí consegui convencer o cara a só falar, www o nome da .com.br/agenda, alguma coisa assim. Mas eu estava discutindo com agência, entendeu? E eu estava entendendo que do outro lado tinha um cara que não tinha a menor ideia do que que ele estava fazendo, ele não sabia com o que que ele estava mexendo, ele não sabia escrever para PodCast, e estava cheio do… era o cara que… é o grande, eu sei, eu sei como é que é, então ele jogou dinheiro do cliente fora, porque o resultado deve ter sido pífio, não construiu o rapport com a minha audiência porque ele entrou e sumiu, ninguém percebeu que ele estava lá. Então, esse é o perfil de qualquer agência. E eu já lidei com… cara, do w não sei o que, até o mané da esquina, é a mesma coisa, não tem diferença.

Marcio Brant: E você sabe que uma coisa que a gente vem defendendo e lançamos agora no mês passado, um manifesto, inclusive, que é o Yes, We Pod, focando nisso assim, hoje 95% dos nossos clientes são empresas diretas, a gente vai na empresa, a gente mostra que existe a necessidade da criação de uma cultura do PodCast, de que não é um resultado a curto prazo, de que você não é um influenciador que vai ter milhões de players no primeiro momento e nem na sua vida toda.

Luciano PIres: Quem é que vai acessar o teu PodCast da tua empresa para ouvir você falar do teu produto, cara?

Marcio Brant: E inclusive, isso assim, é como você fala, porque se você usar como canal de venda específica, compre batom, você não vai vender, não é assim, entendeu? Então, o nosso dia a dia tem sido educar, como você estava falando comigo, a evangelização do PodCast, ela ainda está no mesmo… assim, a sensação que eu tenho é que por mais que a gente está falando de PodCast desde 2004, a gente ainda está falando de PodCast em 2024, 20 anos se passaram e o mercado da comunicação ainda não entendeu a potencialidade que existe, tudo bem, em 2004 a gente não tinha a acessibilidade que a gente tem hoje, as plataformas, era mais difícil, era download, rss, era uma coisa mais complexa, mas mesmo hoje a gente ainda está no processo de evangelização para tentar entender…

Luciano PIres: E hoje, PodCast é uma live no Youtube, virou uma live no Youtube.

Marcio Brant: E aí a gente ainda entra nesse caso, que hoje fazer uma live no Youtube e colocar uma mesa e uma televisão e falar isso é PodCast, é uma coisa que eu acho assim, não é o caso, não é isso, se você coloca hoje uma mesa, uma televisão, e se eu fizer um teste ali falar, qual PodCast que é esse, você não sabe a diferença.

Luciano PIres: Até porque os estúdios estão de montão, troca a luz aqui, eu estou gravando para todo mundo.

Marcio Brant: Luciano, outro dia chegou um orçamento para a gente falando a seguinte coisa, a gente conta o santo… como é que é? Conta o milagre, mas não conta o santo. Falando assim, cara, o orçamento tinha, estava lá a descrição do orçamento que eu tinha que colocar, aí tinha embaixo assim, o estúdio precisa ter uma cortina preta. Eu, oi? Para que isso? Qual que é o motivo de ter uma cortina… é cenografia, uma direção cênica? Ah não, porque todo estúdio de PodCast tem uma cortina preta. Ou seja, chegou em um absurdo que a cenografia de um PodCast hoje está baseado no que o mainstream, voltamos a falar de mainstream, dita. Eu falei, cara, espera aí, velho, você tem uma liberdade cênica se você quiser fazer vídeo que é a sua identidade, faça o que você quiser, faça o que você quiser, põe um sofá, põe duas cadeiras, não põe, põe todo mundo em pé, pinta a parede de roxo, coloca a marca da sua empresa, sei lá, cara, cria uma história para isso, entendeu? E não fala assim, eu vou fazer porque é igual. Eu tenho uma máxima que eu falo que é a seguinte, vários artistas chegavam no estúdio e falavam assim, e normalmente é pai de menina, pai e mãe de menina falam isso, ah eu queria que minha filha fosse… a música fosse igual à da Anitta. Aí eu sempre falo o seguinte, para ouvir a Anitta eu vou na Anitta, para que que eu vou ouvir sua filha? Cara, referência, benchmark é uma coisa, cópia é outra. Ah eu queria que tivesse esse estilo, legal, agora vamos criar a sua identidade? Entendi que você gosta desse estilo aí, legal.

Luciano PIres: Você imagina como é que era lá em 2004 para 2005, quando tudo era grama, o que que era PodCast? Era dois gordinhos gritando, três gordinhos gritando, esse era o modelo. E eu apareço com o PodCast de um cara sozinho, eu sozinho falando, tinha o Cristian fazendo lá o Escriba Café, que era um sujeito contando história, e eu entrei em uma outra praia que era eu falando de vida, de coisa, mas eu sozinho, e na cabeça dos caras, como assim, cara, como é que alguém pode segurar 30 minutos falando sozinho, porque o modelo dos caras era o modelo, era o rádio, era o cara entrava, falava uma coisa, entrava uma notícia, não sei o que, música, e eu trouxe mais ou menos esse modelo, mas entrei quebrando essa estrutura, porque quantos PodCasts tinham na época que eram um cara sozinho? Cara, era um, dois, três, o resto, a maioria eram três, quatro caras falando. Então, cria-se esse estereótipo, como se criou agora, que PodCast é uma live, é um programa no Youtube feito por um influencer, por um gamer, por um standuper, por qualquer coisa e aí criou uma… roubaram, roubaram da gente o termo.

Marcio Brant: E para mim, o pior dessa história é que você enfraquece o tema, você enfraquece o conceito, tem uma coisa horrível, que eu falo que, inclusive, é o maior desafio, é quando você faz um PodCast de uma marca que já fez errado. Outro dia a gente esteve com uma grande marca, aí a marca falou assim, mas a gente fez o PodCast e deu errado. Olha que bosta, deu errado, cara, mas espera aí, o que que deu… como é que foi? Aí eu fui analisar, mas cara, deu errado porque você fez tudo errado, o problema não é do PodCast não, uai, o problema é o jeito de ser feito. Então assim, eu acho que a gente tem que tomar muito cuidado com isso e eu acho que você está aí, Luciano, há um tempo capinando esse mato, e a gente está chegando agora também há pouco, mas dessa evangelização que continua assim, não vai parar nunca, porque na hora que você fala assim, mas PodCast é assim, cara, você perde a possibilidade do narrativo, dos crimes reais, de você ter essa proximidade que a gente tem aqui do áudio.

Luciano PIres: Onde eu bato… só para o pessoal entender aqui uma coisa que eu bato sempre, o que que PodCast é? PodCast é um sistema de distribuição, ponto, o que está sendo distribuído não interessa, o sistema é que define se é PodCast, você pode ter um PodCast com planilha PDF, com planilha Excel, eu conheço um PodCast nos Estados Unidos que é em código morse, pi pi pi, só isso ele faz. Então, o que vai ser transmitido não interessa, então se o que vai ser transmitido são dois caras conversando, quatro caras, conversando, alguém cantando, alguém rezando, um sujeito falando baixinho para você dormir, não interessa, desde que o processo de distribuição seja o processo de PodCast, ou seja, tem dois caras conversando aqui, tem o microfone captando a gente, o nosso som está indo, está indo para uma máquina que está codificando esse som, até aí é igualzinho programa de rádio, igualzinho rádio, a diferença é que o rádio vai pegar esse código, joga em uma torre e essa torre espalha aquele sinal pelo mundo afora, broad, broadcasting, qualquer que pessoa que tiver no alcance desse sinal e tiver nas mãos um aparelhinho e que seja capaz de decodificar esse sinal, e esse aparelhinho é um aparelho de rádio, é um televisor, ele consegue capturar aquilo lá, mas ele vai capturar o sinal que está no ar, na hora que o sinal está no ar, se ele quiser capturar daqui a 10 minutos o sinal que passou há 10 minutos, não tem mais, isso é o broadcast. PodCast, então, é a mesma coisa na primeira parte, só que o sinal ao invés de subir para uma torre e explodir para o mundo, ele sobe e vai para um arquivo em um lugar e esse lugar distribui esse PodCast para as pessoas a hora que elas quiserem, entendeu? Então, a pessoa tendo na mão o aparelhinho que é o celular que está no bolso dela, não tem que ser um aparelho de rádio, não tem que ser um televisor, ela acessa aquilo e fala, bom, eu quero ouvir agora os caras conversando, bate no botão, então essa liberdade é o que faz a diferença. O que chegou até ele? Não interessa, chegou algo, chegou um vídeo, chegou no áudio, não importa, se veio por esse caminho é um PodCast.

Marcio Brant: Por isso que a gente bate muito nessa história de que PodCast é meio e não fim, e aí está o erro talvez das campanhas de agência, de enxergarem o PodCast como fim, ele é uma linha no plano de mídia do Excel ali, ele tem que colocar…

Luciano PIres: Portanto, você não pode dizer, eu faço PodCast?

Marcio Brant: Não, exato.

Luciano PIres: Não, cara, eu faço um programa em áudio que eu distribuo como PodCast.

Marcio Brant: Em formato de PodCast, por isso que a gente… a gente não é uma produtora de PodCast, a gente é uma produtora de conteúdo, e que algumas empresas fazem vídeo, então tanto a gente até não fala… ah, mas então é VídeoCasts. Eu falo, não, cara, é PodCast em áudio e PodCast em vídeo, então vamos assumir isso aqui como PodCast em vídeo e vamos trazer dessa forma.

Luciano PIres: Ah eu vou pôr no Youtube. Não, então isso é outra coisa, isso não é PodCast mais.

Marcio Brant: Isso.

Luciano PIres: Isso é uma outra coisa, se você pegar o áudio desse programa ou o vídeo desse programa e colocar no caminho do PodCast, que é subir até o agregador, descer, aí ele vira… ele pode até virar PodCast. Cara, a confusão é tão tremenda, é tão grande que quando eu vi o Pânico no Rádio ganhar o prêmio de PodCast do ano lá no iBest, eu falei, bicho, ninguém está entendendo porra nenhuma do que está acontecendo, um programa de rádio ganhou o prêmio de PodCast do ano no Brasil.

Marcio Brant: É um… eu volto a dizer, é uma cena que a gente precisa olhar com muito cuidado, e eu falei isso no Rio to See desse ano, que eles estão lá, estavam falando de criar um outro nome para PodCasts narrativos, que tem que ser podnovela, pod isso, eu falei, cara, em uma cena em que a gente está em um processo de evangelização há tanto tempo, difícil de explicar para o mercado publicitário, para as marcas o que que é, você mudar o conceito e despirocar na história do que que é, isso enfraquece, porque aí a agência fala, mas não é VídeoCasts? Aí outro dia o Javier que é diretor do Spotify falou assim, ah não, mas é voidcast, eu falei, cara, não inventa outro nome.

Luciano PIres: Voidcast agora?

Marcio Brant: Voidcast, eu falei não, não inventa outro nome. Quanto mais nomes a gente inventar, mais difícil a apreensão, o mercado fica…

Luciano PIres: Põe fodecast de uma vez e já deu está…

Marcio Brant: É difícil, isso é complicado, eu acho que é entender, acho não, tenho certeza, é educar, falar, cara, é essa aqui a ferramenta, entendeu? Ninguém chamava outdoor de qualquer outra coisa, mudou o produto, virou…

Luciano PIres: Eu sou um outdoorista, eu sou um outdoower, eu sou um produtor de outdoor.

Marcio Brant: Não, cara, porque isso enfraquece, televisão é televisão, está lá, ganha dinheiro e faz comercial, os comerciais são caros, porque ela é televisão, ela não mudou de nome, então a forma, é o streaming, é o Globo Play que é diferente do sinal aberto, tudo bem, mas é televisão.

Luciano PIres: Mas eu não sei se é possível ter esse alcance, esse é um problema que é insolúvel, a menos que apareça uma tecnologia nova aí, com um nome novo aí, não vai mudar nunca, porque o que nós estamos falando aqui, por que que você fala, eu sou radialista e não pode falar eu sou podcaster? Entendeu?

Marcio Brant: Não, pode, ué.

Luciano PIres: Entendeu, o rádio é um sistema de… o próprio mercado, ele toma conta, ele pega o nome, ele dá o que ele quiser, o que me deixa revoltado é o pessoal carregar esse nome para outros lugares, então quando ele bota… por mais que você pegue, rádio é rádio, não tem diferença, sempre será aquela coisa do broadcast, aquilo é rádio… aí criaram o web radio, legal, funcionou porque ficou claro o que que é um rádio na web. Mas quando você pega um PodCast e diz que uma live no Youtube é um PodCast, aí mudou tudo, bom, mas essa discussão está virando…

Marcio Brant: E de qualquer forma, acho que para entrar no racional assim dessa discussão, eu acho que a gente precisa, as pessoas que estão fomentando esse mercado nosso do PodCast, a gente precisa ter um protagonismo nessa história, a gente está conseguindo fazer um pouco isso com relação às agências assim, de primeiro estar com os clientes, estamos agora concorrendo, por exemplo, ao Prêmio Jatobá, com um PodCast da MRV, exatamente para mostrar assim, é um canal importante, é um canal importante para as marcas, é uma mídia que não… que futuramente é uma mídia proprietária onde você tem controle dos seus dados, aonde você tem controle da sua audiência, você não precisa estar necessariamente só no Spotify, só no Youtube, só nas plataformas, você pode ter um canal dentro da sua própria empresa, que você fale isso e tal. Então, moral da história, acho que a gente precisa defender essa questão da importância do áudio, voltei, fazer todo esse… falar, cara, o áudio é importante, é uma aquisição de ferramenta, você que está ouvindo a gente, está ouvindo provavelmente correndo, ouvindo dirigindo o carro, que você não vai ver o vídeo, você não vai dirigir vendo o vídeo, você não vai correr vendo o vídeo, então…

Luciano PIres: Até porque não tem nada para ver aqui no vídeo.

Marcio Brant: Não tem, somos lindos, mas…

Luciano PIres: Se eu fosse agredir você, te dar uma porrada, aí deixa eu ver, deixa eu complementar o que está acontecendo lá, mas não é essa a proposta do PodCast, tanto que eu nunca me preocupei aqui, falei, cara, eu vou fazer na minha salinha aqui e está legal, não estou preocupado se tem… está bonito, não, porque nós estamos transmitindo a coisa em… quando eu fui criar agora o Café com Leite, foi exatamente isso, qual é a mola mestra do Café com Leite, é ser um programa infantil ou para crianças e suas famílias em áudio, ponto, ele não é em vídeo, ele é em áudio, eu estou subindo ele agora para o Youtube, com uma imagem fixa no fundo, e o áudio em cima, para usar o Youtube para distribuir áudio, é por isso, eu não estou indo para o Youtube…

Marcio Brant: Não, ele é uma plataforma de distribuição.

Luciano PIres: Ah, mas você tem que produzir vídeo, eu não vou produzir vídeo, cara, eu não vou… a minha Galinha Pintadinha nunca será azul com bolinha branca, ela será da cor que a criança quiser, ela será com a bolinha… ela vai ser do jeito que a imaginação da criança quiser, e isso é a alma do programa, o Café com Leite tem uma personagem, que é a Babica, que é um avatar, e nós estamos com uma puta encrenca, porque há uma demanda para que nós mostremos a Babica, por outro lado, se eu mostrar a Babica, eu corto o barato de todas as crianças que já imaginaram a sua Babica. Então, tem um menino que mandou um desenho para a gente, a Babica dele é negra, é negra, e a nossa Babica, ela é avatar da Bárbara, que é loira, então teria que ser uma menininha loirinha para ser o avatar da apresentadora, e uma criança ouviu aquilo e enxergou como negra, como é que eu vou cortar o barato dela? Como é que nós vamos transformar… ah, mas tem que fazer porque o personagem vende, porque você pode fazer merchandising, eu falei, bom, então eu virei escravo de um processo…

Marcio Brant: De uma narrativa…

Luciano PIres: E se eu for para o Youtube com a Babica, eu vou virar escravo do Youtube.

Marcio Brant: É, você sabe que a gente tem um caso muito legal, a gente fez uma rádio dentro da Vale, isso pré WePod, que era uma rádio, chamava Na Escuta, que foi um dos grandes projetos exitosos com agência, que a gente fez a quatro mãos e foi incrível. Eram 24 episódios por mês que as pessoas ouviam no canal de comunicação do rádio, aquele radinho que você troca o canal do intercomunicador. E aí, por exemplo, a pessoa no administrativo ou lá no caminhão no meio da mina, ela conseguia ter um canal de notícias ali, e aí fizemos esse canal, chamava Na Escuta, para sei lá, quantos mil funcionários e deu certo para caramba, um projeto super exitoso, até dar os problemas que deram e cortaram as verbas de comunicação. Mas por que que eu estou contando essa história, a gente tinha uma locutora que fazia… ela que lia todas as informações, que vinha de tudo, desde você sabia que você tem um desconto na farmácia de Itabira e tal, até a palavra do presidente. Beleza, aí um certo dia eu fui até a Vale conversar sobre planejamento de ano, aquela coisa, o pessoal, aí todo mundo falando assim, cara, a gente não quer que para a Renatinha de jeito nenhum. Aí eu assim, quem que é Renatinha? Cara, eles deram um nome para a locutora, era a hora da Renatinha, e o nome dela é Ciça, tipo, era uma locutora que não tinha nada a ver…

Luciano PIres: Era uma voz.

Marcio Brant: Era uma voz e que eles tomaram aquela voz para eles, e isso é muito legal, esse é o poder que o áudio tem e fechando essa história do poder do áudio, eu volto com aquela história do Chico Felitti, um amigo meu que falou assim, fez A Mulher da Casa Abandonada, que certa vez ele chegou para um cara e falou, o cara falou, por que que você não foi com uma câmera para filmar lá na porta da casa? Ele falou, cara, porque aí seria um documentário e não, o meu é um PodCast narrativo, documental aqui com uma…

Luciano PIres: Que é o jogo que a turma… e aí eu preciso entender porque que isso acontece, porque as pessoas não entendem o papel que elas têm em montar esse cenário desse PodCast, e eu estou fazendo um programa, estou fazendo uma narração, botei um fundo, amanhã vai sair um Café Brasil, depois de amanhã que começa com um dilúvio, cara, então trovão, chuva, aí o pessoal falando, aquela… eu criei toda uma ambientação para que a pessoa complete aquilo na cabeça dela, eu sei que o meu trabalho é só uma parte, aquilo que eu fiz foi uma narração de uma pedaço do que é o PodCast, o outro pedaço é na cabeça, é como se a pessoa tivesse uma tela, eu vou lá e vou tentar jogar as tintas e vou tentar pintar, ela que vai pegar aquilo tudo e vai terminar aquela tela. Então, eu sei que cada um vai terminar de um jeito, então cada tem sua história, cada um vai pensar de uma forma, e cada um vai criar o seu cenário na sua cabeça, logo, há uma coprodução do ouvinte junto ao PodCast, tanto que eu termino o Café Brasil, eu falei, esse programa é feito por quatro pessoas, eu, Lala, a Ciça e você que está ouvindo, porque é na cabeça dele que termina aquilo, eu nunca sei como é que termina, eu… aquele cara que me escreveu falando que eu dei um conselho que mudou a vida financeira dele, que isso, cara? O outro que me escreve chorado ou manda um áudio chorando, ouviu alguma coisa no programa que ele entrou em lágrimas, e eu nunca imaginei que aquele texto que eu ia falar ia fazer lágrimas em alguém, mas pegou o cara no momento certo, ele precisava ouvir aquilo, aquele texto bateu nele de um jeito que não bateria no vizinho dele. Essa complexidade está dentro da pessoa, isso tem um valor que no momento que eu pego e transformo em um vídeo, eu jogo tudo fora.

Marcio Brant: Você sabe que isso tem nome, não é? Chama teoria das mentes.

Luciano PIres: Teoria das mentes?

Marcio Brant: É, das mentes, que é exatamente o poder que o áudio tem de fazer você construir, está muito parecido com a história do livro, de você… quando você está lendo um livro, que as pessoas pararam de ler muito livro de história, que você constrói no seu imaginário, e a teoria das mentes fala do poder que o áudio tem frente ao vídeo, de dali você conseguir falar, mas é isso, é aquilo, e aí quando o… o surround está aí para ajudar a gente, os pans da vida, que nos ajudam a fazer isso e que pararam…

Luciano PIres: Você vê que é uma escala, eu lendo um livro, eu consigo imaginar um cenário, e se eu mergulhar naquele cenário, eu viajo naquele cenário. Aí entra um puto e põe um barulhinho, aí além da minha mente, da minha visão lendo aquele livro, porque lendo o livro eu não tenho audição, a audição de um livro é um barulho de virar a folha, de repente entra alguém, eu falei que o gato mia, entra o miado do gato, cara, eu fui automaticamente jogado dentro daquele ambiente.

Marcio Brant: Total.

Luciano PIres: O cara descreve uma sala, eu começo a ouvir a sala, uma pessoa entra andando, que é a sonoplastia…

Marcio Brant: Sonoplastia, é. Você sabe que eu comprei um livro uma vez, inclusive roubaram esse livro de mim, sabe, que era um livro do Star Wars, que era um livro grandão contando as histórias e tal e tinha uns botões do lado, que você ouvia…

Luciano PIres: Ah você apertava o botão e ouvia…

Marcio Brant: O botão e ouvia o som do R2D2, da espada de sabre, do… como é que era o malvadão lá?

Luciano PIres: Darth Vader.

Marcio Brant: Darth Vader, pronto. Cara, eu ouvia isso, e o livro tinha a interação, eu falava, cara, muito… era caro para caramba, e eu comprei esse livro, eu falei, muito legal. E é isso, o áudio, ele possibilita coisas que faz isso que você acabou de falar, que é jogar você para dentro.

Luciano PIres: E aí você se transforma em dono dele.

Marcio Brant: É seu.

Luciano PIres: O episódio é teu, não é mais meu, o que que o Luciano fez? O Luciano produziu o episódio e jogou no ar, você pegou o episódio que eu fiz, incorporou para você, entrou dentro de você, você compôs aquela… e virou teu. Então, aquilo que eu falava, a Babica não é minha, a gente… cada um tem a sua, como é que eu vou chegar lá e falar, me dá de volta isso aqui?

Marcio Brant: E você entende como é que as agências estão perdendo a possibilidade criativa de fazer isso?

Luciano PIres: Como é que você falou sound branding?

Marcio Brant: Sound branding, é.

Luciano PIres: Então, de usar isso tudo, cara, que é aquilo que eu te falei, os caras não entendem essa minúcia toda e tem de ser do ramo para entender e para usar, e as pessoas depois não vão entender o que que está acontecendo, o que é isso, por que é que eu fiquei maravilhado com esse barulhinho da xicrinha? Ele foi feito para isso, ele foi feito para te conquistar, eu criei alguns truques no Café Brasil, eu falo um absurdo qualquer e eu derrubo o disjuntor da pessoa, entra um barulho… caiu o disjuntor… aquilo vira uma marca, chega um momento que eu não vou precisar falar mais nada, só o barulho sozinho, ele já definiu que caiu o disjuntor ali.

Marcio Brant: Cara, o plim plim, ele era, historicamente, para fazer em uma sociedade machista, que ainda mais, que a mulher ia lavar a louça, ia para a cozinha, voltava entre uma mudança do filme, o plim plim era o som para falar assim, voltou o filme. Então, olha que genial, você cria um sinal sonoro que vai fazer você entender uma mensagem, só que bicho, isso perde total, por isso que eu não vendi, porque não tem esse pensamento, então se a gente não continuar o processo de evangelização, eu vou morrer, vai continuar, vai vir outra geração e nós vamos continuar discutindo a mesma história.

Luciano PIres: Dando murro em ponta de faca aqui, discutindo a mesma coisa. Muito legal, cara, um papo de gente de áudio é sempre uma delícia. Como é que a gente faz aí, então, para encontrar vocês, como é que eu conheço a WePod, como é que eu faço para encontrar vocês, tem um site, tem Instagram, tem rede social, como é que é?

Marcio Brant: Importante o CTA, você falou aí do CTA, não é um CTA grande… wepod.com.br, a gente está…

Luciano PIres: We de nós, em inglês…

Marcio Brant: We de nós, pod.

Luciano PIres: WePod.

Marcio Brant: Isso, a gente está no Instagram também, que é a nossa rede principal, junto com o nosso site.

Luciano PIres: @ wepod.

Marcio Brant: @ wepod.

Luciano PIres: Esse nome é muito bom, cara, muito bom.

Marcio Brant: Que bom. Coisas que vem da… foi supernatural, porque tem nome que você fala assim, tem que pensar, pensar. Não, é um nome que veio e deu certo e está super legal assim. E eu falo que a gente é um caminho também, sabe, hoje a gente não tem o nosso PodCast, a gente tem o PodCast dos nossos clientes, estamos construindo uma história muito legal com as marcas…

Luciano PIres: Você só faz trabalho para empresa, você não faz PodCast para indivíduo?

Marcio Brant: Cara, a gente começou fazendo para todo mundo, você faz PodCast? Faço, para todo mundo e tal. Mas a gente viu no meio do caminho que as empresas… a gente estava estruturando uma entrega muito mais valorosa para as empresas, e obviamente, como eu falei aqui, a conta tem que fechar, a gente não conseguia fazer isso em escala para os influenciadores em termos de valor, e eu sou um cara que assim, eu valorizo que abram mais empresas de PodCast para lidar com essa ferramenta, tem muita gente querendo fazer PodCast, muita gente me procura, muito influenciador, muito médico, psicólogo, muita gente que quer produzir conteúdo hoje em dia, o marketing de conteúdo ele veio e vai ficar, e vai ficar por muito tempo, e tem que surgir outras empresas que façam, que deem vazão a isso e tal. A gente criou agora recentemente o WePod Academy, que é para tentar potencializar, ajudar as pessoas a desmistificar e, mais do que desmistificar, desglamourização, a gente hoje, o que a gente não tinha antigamente, a gente tem um celular, um estúdio móvel que a gente pode… que as pessoas podem começar, eu falo que o primeiro… ah, mas eu vou fazer o meu PodCast sempre pelo celular? Não, óbvio que não.

Luciano PIres: Começa e vai sofisticando.

Marcio Brant: Mas começa, cara, pega o gostinho, vê como é que é legal você fazer o seu conteúdo uma vez por semana, eu falei isso em uma palestra outro dia, eu falei, eu vou continuar falando isso para sempre, a gente manda áudio o tempo todo pelo WhatsApp, então a gente já exercita gravar o áudio. Então… só que essa brincadeira vai ficando… tem que ficar profissional para não virar um hobby. Ah não, PodCast é meu canal, então invista, contrate uma produtora local, faça o seu investimento ali para isso virar uma ferramenta de venda para o seu negócio, para você, para o seu produto, para a sua clínica, para tudo isso, entendeu? Que funciona, funciona, nós estamos aqui, inclusive, no PodCast falando que funciona, metalinguagem pura.

Luciano PIres: Eu imagino se nós ia falar mal de PodCast, que isso, cara?

Marcio Brant: Você tá é doido, nunca, nunca.

Luciano PIres: Cara, bem-vindo, você continue essa luta aí  porque ano que vem eu completo 18 anos de Café Brasil, vou fazer… hoje eu fiz as contas aqui, acho que em 11 de novembro de 2025 vai sair o episódio mil, cara, mil episódios, é uma quantidade de conteúdo inacreditável, mas é um legado, é isso aí, está ficando, está se construindo uma coisa interessante aí, a briga continua igual, hoje eu apanho, como apanhava 18 anos atrás, o mercado continua não entendo direito o que é, mas é aquilo que você falou, enquanto não se estabelecer melhor a tecnologia, a gente não definir direitinho, e pode ser que amanhã apareça um maluco qualquer aí, inventa um treco novo que transforma isso tudo aqui em pó, uma coisa não vai acabar, alguém vai estar falando em um instrumento que vai capturar a voz dele e que vai codificar essa voz e vai mandar para algum lugar de algum jeito, isso não vai mudar nunca, que é o espírito do rádio, e sabe, a trilha sonora, o barulhinho, o tesão do áudio, isso não vai mudar nunca, cara, a forma de levar ele adiante é que muda com a tecnologia.

Marcio Brant: A gente tem o nosso slogan lá da WePod, é contamos boas histórias, porque não tem nada mais antigo do que sentar em volta de uma fogueira, a gente está aqui, sentado, em um local juntos contando histórias, contando histórias um do outro, agradeço demais, acho que o Café Brasil é emblemático na minha carreira, porque como eu disse aqui, foi a experiência inicial nossa com um PodCast, quando um cliente falou que é fã do Café Brasil, então fico muito feliz e honrado de estar aqui falando com ocê…

Luciano PIres: Com ocê.

Marcio Brant: É isso aí, tem que terminar bem mineiro, mas te agradeço demais, Luciano. Valeu.

Luciano PIres: Cara, grande abraço.

Luciano PIres: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast, a transcrição deste programa você encontra no LiderCast.com.br.

Voz masculina: Você ouviu LíderCast com Luciano PIres, mais uma isca intelectual do Café Brasil, acompanhe os programas pelo