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Luciano Pires -

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje o convidado é o mineiro Thiago Ferraz, um engenheiro civil que, depois de duas décadas construindo casas, descobre sua verdadeira vocação: construir relacionamentos. Thiago se formou como psicanalista, para se transformar num coach de relacionamentos, orientando as pessoas como fazer para conseguir um amor. Veja bem, não é “como conquistar outra pessoa”, mas como amar outra pessoa. Uma conversa fascinante sobre um tema que merece um episódio muito maior. Muito bem, mais um LíderCast, eu sempre inicio contando como é que o meu convidado veio parar aqui, né? Estou eu navegando pelas ondas internéticas, e recebo acho que um… eu não me lembro mais se foi um comentário no Twitter, no X, ou no Instagram.

Thiago Ferraz: Instagram.

Luciano Pires: Instagram, que você mandou uma DM para mim, uma coisa assim, né? Pô, que legal, bater um papo, uma hora dessas vem aí, deixa eu ver o que esse cara faz. Eu falei, pô que legal, ele está lidando com um lance, uma visão diferente de relacionamento. Eu falei, isso dá um papo, uma hora dessas vamos conversar, estamos aqui, então foi um encontro e aí ele chegou aqui, acabei descobrindo que o cara me segue há 152 anos, e a gente vai bater um papão aqui. O programa só tem 3 perguntas que são fundamentais, o resto você pode chutar à vontade, as 3 que você não pode errar são seu nome, sua idade e o que que você faz.

Thiago Ferraz: Eu sou Thiago Ferraz, tenho 39 anos e sou consultor de relacionamento.

Luciano Pires: Consultor de relacionamento cara, isso deve ser bom. Como era o nome antigo disso?

Thiago Ferraz: Psicólogo.

Luciano Pires: Tá bom, isso aí, dá para cobrar mais caro até. Legal, legal. Nasceu onde, Thiago? Esse seu sotaque carioca mostra que você veio de onde?

Thiago Ferraz: Eu vim de Belo Horizonte, mas eu já morei 5 anos no Rio, 1 ano em São Paulo, 2 anos em Porto Alegre, 2 anos em Maceió, e trabalhei em 12 estados do Brasil. Então ele é bem misturado mesmo.

Luciano Pires: Mas esse “mesmo” não tem como te ouvir e não falar que você é mineiro. Você nasceu em BH?

Thiago Ferraz: Em BH.

Luciano Pires: Tem irmãos?

Thiago Ferraz: Tenho 1 irmão, a nossa diferença é de 2 anos, um homem já muito bem casado, está morando do outro lado do mundo, e seguiu a profissão que eu larguei para fazer o que eu realmente acreditava.

Luciano Pires: Qual é a profissão?

Thiago Ferraz: Engenharia.

Luciano Pires: Você chegou a fazer? Bom, nós vamos chegar lá. Seu pai e sua mãe faziam ou fazem o que?

Thiago Ferraz: Meu pai é um vendedor de flores, que ensinou seus filhos a encontrar seus amores. Ele é paisagista, trabalhou muito tempo no IEF, fiscalizando…

Luciano Pires: Repete, isso é muito bom cara. É um vendedor de flores…

Thiago Ferraz: …que ensinou seus filhos a conhecer seus amores.

Luciano Pires: Muito bom.

Thiago Ferraz: E ele trabalhou muito tempo no IEF, na prevenção do desmatamento e depredação de reservas, não só em Minas Gerais, mas toda aquela região, em outras regiões do Sudeste e minha mãe é cabelereira, tem uma empresa há 45 anos em Belo Horizonte.

Luciano Pires: Que legal, e deve ter clientes há 45 anos.

Thiago Ferraz: Sim.

Luciano Pires: Eu tenho uma palestra minha, não vou me lembrar qual delas que é, que em um determinado momento eu faço uma brincadeira com a plateia, que a gente está falando sobre… estou me lembrando o que que era, que fala, o que define você é o jeitão. O que define uma empresa e quem trabalha na empresa não é o produto que ela vende e nem o serviço que ela presta, mas é o jeitão com que ela faz isso. Esse é o conceito. E eu vou falar dessa coisa do jeitão e uso um exemplo assim, bom, as mulheres da plateia sabem muito bem isso. Você aí, corta o cabelo em qualquer cabelereira? Ela, de jeito nenhum. Você corta onde? Corto na fulana de tal. Há quanto tempo? Há 8 anos. Por que que você corta lá, é por causa da instalação que ela tem, é o equipamento, é o prêmio? De jeito nenhum, eu corto lá porque ela tem um jeitinho que é só dela. Isso é bem claro, você pega sua mãe, imagina as histórias que ela deve ter para contar, se torna amiga, confidente de quem é cliente dela e ficam 10, 20 30, 40 anos…

Thiago Ferraz: Esse jeitão, é o que está nos unindo aqui Luciano. Você se conecta com a pessoa, então você cortou o cabelo com algumas pessoas e teve uma dessas pessoas que você sentiu que o resultado fazia mais sentido. Talvez esteticamente nem foi o melhor resultado, mas fazia sentido para você, isso é conexão, que é o jeitão que o pessoal usava antigamente e hoje a gente tem que criar essa conexão até para um atendimento médico, faz toda a diferença.

Luciano Pires: Hoje a gente baixa um aplicativo para fazer isso. Como era seu apelido quando você era criança?

Thiago Ferraz: Pacato.

Luciano Pires: Pacato?

Thiago Ferraz: Isso. Eu era goleiro, e o pacato do Gato Guerreiro, eu assim, só jogava quando estava valendo, que eu pegava muito. Então, eu era o pacato. Quando era jogo, eu virava o Gato Guerreiro. E aí todo mundo me chamava de pacato.

Luciano Pires: O que que o pacato queria ser quando crescesse?

Thiago Ferraz: Eu queria ser publicitário. Tinha muita vontade de trabalhar com essa coisa de produzir conteúdo, e de estar dentro da mídia para eu poder fazer parte daquilo que vai influenciar as pessoas. Sempre tive.

Luciano Pires: Nós estamos falando de 30 anos atrás?

Thiago Ferraz: 30 anos atrás.

Luciano Pires: Nós estamos falando de 1994?

Thiago Ferraz: Eu tinha 10 anos em 94, Romário ganhando a Copa para a gente.

Luciano Pires: 94, quando a propaganda estava voando cara, ainda era o auge dela, né? Os grandes filmes, as grandes propagandas, os grandes publicitários, todo moleque queria trabalhar com isso. E você seguiu esse caminho, ou não?

Thiago Ferraz: Não. A minha família não era uma família que podia deixar eu escolher esse caminho. É claro que nunca houve uma restrição, mas eu precisava de algo que me desse algum respaldo financeiro imediato. E pensando nisso, eu queria estudar paisagismo, que era o que meu pai atuava na época. Só que o curso abriram-se as inscrições, mas não saiu o edital do curso superior de paisagismo. Como não saiu, eu fui fazer Engenharia Civil, porque eu tinha um primo que trabalhava nessa área, um primo muito próximo, foi, a gente cresceu juntos na mesma casa, e ele estava iniciando a empresa dele. Meu pai já tinha trabalhado com construção, porque paisagismo e construção se unem em vários pontos, e eu resolvi estudar engenharia, porque ali eu via que eu tinha esse respaldo financeiro imediato.

Luciano Pires: E você se deu bem, quando entrou e começou engenharia, você falou pô, aqui vai dar…

Thiago Ferraz: Muito bem, sempre fui muito bem em todas as minhas, assim, eu costumo dizer que eu nunca perdi uma entrevista de emprego. Todas as, eu trabalhei em 6 construtoras, e todas as entrevistas de emprego que eu ingressei, eu fui contratado. Com exceção de uma, eu estudei em uma faculdade particular, e lá em Minas a gente tem a cultura de que as faculdades públicas são as melhores e quem estuda ali tem o melhor currículo. E eu me vi em uma grande empresa, em um processo seletivo, onde tinham 11 candidatos, e eu era o único de uma faculdade particular. Eu vi que as minhas chances eram pequenas, e realmente nesse momento eu não consegui progredir nesse processo. Fora aí, tirando isso eu tive muito sucesso em todas, não só sucesso para ser contratado, mas na minha vida profissional como engenheiro, porque eu sempre fui muito bom com pessoas, e como eu sempre trabalhei com execução, eu lidava muito mais com pessoas do que com números. E por isso, os meus resultados eram muito bons. Tao bons que me desviaram do meu estudo, porque eu comecei a trabalhar assim que eu comecei a estudar, e acabei prolongando um pouco mais a minha faculdade.

Luciano Pires: Você chegou a tirar o certificado de engenheiro?

Thiago Ferraz: Sim.

Luciano Pires: Então você é engenheiro civil com diploma?

Thiago Ferraz: Sim, trabalhei 22 anos no mundo corporativo, prestei serviço diretamente para o Banco do Brasil, Caixa Econômica. A própria presidente até então, a Dilma, recebeu uma obra das minhas mãos, foi até o meu empreendimento, porque eu trabalhei muito tempo com a Minha Casa Minha Vida, mas nós vamos chegar lá. Eu demorei para me formar, e quem estiver nos ouvindo que escute esse conselho, começando uma carreira, para sempre focar no objetivo final e não no que está acontecendo no momento. Quando você está começando. Eu tinha 2 salários, carro da empresa, gasolina, alimentação, e quando eu comparava o que eu tinha aos meus amigos de faculdade, eu era rico. Até que o tempo foi passando e eles foram se formando, e nessa mesma empresa que eu estava, eles contrataram uma engenheira, porque a gente começou, a gente iniciou as edificações em uma mina de ouro em uma cidade próxima, e essa engenheira chegou para mim e falou, “Thiago, eu não sei o que eu faço. Eu cheguei na reunião, você fica do meu lado, porque eu não sei o que eu falo, eu não sei o que eu faço, é meu primeiro emprego”. E até então eu pensei, tudo bem, é claro que eu vou ajudar, é uma profissional que está ali me pedindo ajuda. Só que o responsável pela administração da obra, era eu, e o salário dela passava pelas minhas mãos, e era o triplo do meu. Aí eu pensei, meu Deus, eu perdi muito tempo na vida. Nesse momento, eu deixei, não exatamente nesse momento, mas pouco tempo depois disso eu deixei esse emprego, consegui um outro emprego mais próximo de casa, foquei nos estudos, para que pudesse fechar a faculdade o mais rápido possível. E foi uma pena a vida ter me colocado dessa forma, eu não ter enxergado isso sozinho antes. Mas voltei a ter sucesso, voltei a me destacar dentre as pessoas que trabalhavam nessa outra grande empresa, e eu mandei uma carta para a minha universidade para que eu recebesse o diploma com antecedência, porque a empresa tinha pressa para me contratar. E é muita felicidade, para um formando uma construtora dizer assim, olha, anda logo que nós temos um salário de engenheiro aqui, que você está perdendo a cada mês. A faculdade recebeu de braços abertos, eu tive uma cerimônia de graduação, não sei se é graduação, formatura, tem um nome, uma cerimônia de formatura antecipada, e fui contratado para trabalhar no Rio de Janeiro. E era uma felicidade porque…

Luciano Pires: Com que idade?

Thiago Ferraz: 28 para 29 anos.

Luciano Pires: Isso é um sonho, cara.

Thiago Ferraz: Um sonho.

Luciano Pires: Solteiro?

Thiago Ferraz: Eu já estava namorando nessa época, já tinha um namoro sério, mas eu nunca tinha chegado perto de um salário inicial de engenheiro. E quando eles me contataram, eu senti que a diretora de RH estava meio com a voz preocupante do que ela ia me oferecer. Ela me ofereceu carro, casa na praia, gasolina, 2 passagens de avião, alimentação, um salário de engenheiro e mais 25% por não estar na minha cidade. Aí eu falei, vou pensar. Eu fui lá para aceitar metade do salário de engenheiro e eu me virasse com o resto. Então foi muito bom, comecei a trabalhar no Rio, e aquele momento foi assim, muito marcante, porque eu sei que muita gente que se forma tem que passar por muito para chegar ali, e aquilo chegou de forma antecipada. Só que tudo que é bom, dura pouco. Então, eu fui contratado com todos esses benefícios, porque a missão era muito difícil. Eu trabalhava em uma obra em Belford Roxo, eu morava no Recrio dos Bandeirantes e trabalhava em Belford Roxo. Para ilustrar para quem está nos ouvindo e não é do Rio, eu gastava 1 hora e 40 minutos para chegar em Belford Roxo, e gastava 2 horas e meia para voltar para casa. Então, eu viajava todos os dias. Até aí tudo bem, o problema é que eu trabalhava em uma das cidades mais perigosas da América Latina, no lugar mais perigoso dessa cidade, que é o bairro Santa Tereza em Belford Roxo. Se alguém que estiver nos ouvindo jogar no Google, vai ver o que eu estou dizendo, só vai ter notícia ruim. E para piorar…

Luciano Pires: Que obra era essa, no cemitério lá?

Thiago Ferraz: Era basicamente, não basicamente, me desculpa a brincadeira, morreram muitas pessoas assassinadas durante a obra, e eu vou contar umas historias terríveis aqui, mas era uma obra do Minha Casa Minha Vida. Aquelas edificações gigantescas que o Governo Federa começou a promover e subsidiar.

Luciano Pires: Que antigamente era um conjunto habitacional.

Thiago Ferraz: Isso aí, não deixa de ser. A diferença é que agora com… esses projetos estão ficando cada vez mais avançados. Não basta só construir um prédio e deixar o morador se virar. Ele vai precisar pegar ônibus, ele vai precisar de saneamento, então só a edificação, mas toda a estrutura. Para ilustrar, eram 2220 apartamentos, 110 prédios, toda a infraestrutura, inclusive com estacoes de tratamento, alimentação de água e de energia. 155 mil metros quadrados de construção. Então era uma coisa gigantesca. E eu estava lá para resolver um problema de desvio de verbas que outros engenheiros, outras pessoas na gestão, na administração causaram para a construtora. Qual que foi a estratégia da construtora? Vamos contratar os meninos de casa que estão começando, que gostam da nossa empresa, que vestem a camisa, porque a gente precisa de gente nossa lá. E foi assim que eles me colocaram naquele lugar, chegando lá eu me deparei com uma equipe sensacional, inclusive meu chefe na época era paulista, meu então chefe supervisor, e outros engenheiros na equipe, porque a obra era gigante. Mais uma vez me destaquei de uma forma brilhante, do ponto do presidente da empresa me colocar no jatinho, ir para a obra comigo para entender o que eu estava fazendo, porque ele estava tocando mais 6 dessa, e ele precisava replicar o meu modelo de entrega. Eu me senti o melhor de todos, estava tudo muito bom. O problema é que essa obra ficava entre 2 facções criminosas, e uma área de milícia, sendo disputada. Para que você possa trabalhar essa negociação tem que estar muito clara. Basicamente para quem está nos ouvindo, era assim, “Thiago, eu quero te informar que essa área é minha, e o pagamento relacionado à segurança”, todo mundo entende que a gente pagava segurança para ser seguro, mas isso tinha um destino que era autorização para trabalhar, “vai ser passado a mim”. Passava uma semana, a pessoa me ligava, “Thiago, olha, eu queria te falar que eu sei que fulano de tal te ligou, mas a segurança é minha, quem manda aí sou eu”. Bom, como que eu resolvi isso? Eu liguei para os dois e disse, “olha, eu vou emitir a nota dia 05, quem estiver aqui eu emito a nota. Vocês não precisam me provar quem é dono, me dizer quem é mais perigoso, é dia 05, quem estiver aqui dia 05 eu emito a nota”. Então, foram desafios como esse que eu tive que vencer, ao ponto de algumas pessoas da minha equipe serem agredidas, meu chefe foi demitido, no outro dia eu fui promovido como chefe, e eu não queria assumir aquilo mas acabei assumindo. E fui até o final, entreguei, tudo aconteceu de uma forma maravilhosa, que me deixou com uma estabilidade e com uma projeção dentro da empresa muito boa.

Luciano Pires: Me fala um pouquinho, em volta da obra que você estava fazendo. Isso é uma obra de uma dimensão tão grande, que ela muda a cidade onde ela está sendo feita. Depois que ela tiver pronta e funcionando, ela muda a realidade de todo mundo que está lá.

Thiago Ferraz: É uma cidade.

Luciano Pires: Havia essa consciência da comunidade de proteger vocês, para que a obra saísse? Porque você está falando para mim que vocês estavam lá entre a cruz e a espada, né? Podiam tomar um tiro na saída lá, se bobeasse ia sequestrado e tudo mais. Havia o resguardo da sociedade, o pessoal da região, de proteger vocês, ou não, ou cada um por si?

Thiago Ferraz: A proteção cada um fazia, para que você consiga visualizar o que a gente passava, a Polícia Militar não podia entrar. Tinha uma ponte a 6 quilômetros da entrada da obra, a Polícia Militar não podia passar por essa ponte. Só ia quando ia de caveirão, e já era trocando tiro. A vantagem é que os apartamentos eram todos de concreto, paredes de concreto. Então onde você estivesse, você estava protegido de um tiro de fuzil. Mas quando a gente via o caveirão, já aconteceu de eu estar trabalhando, e a obra ela atravessava ruas, a gente atravessava ruas e eu trabalhando, o caveirão passar a 120 por hora em uma rua que não passa uma bicicleta, passando assim. E podia me atropelar, podia estar trocando tiro com alguém, eu não vi. Naquela coisa rádio, sempre comunicando com rádio em obra, eu não vi. Então assim, 6 pessoas contratadas da empresa foram assassinadas dentro da obra, só que a gente tinha mais de 2 mil funcionários terceirizados. Eu não sei números de quantas pessoas foram mortas durante esse período, porque existia uma disputa pelo tráfico de drogas pelas pessoas que trabalhavam na obra. Eram 3 mil consumidores, vamos colocar assim, pelo menos 300, 400 consumidores de drogas diário. Então, quem fazia o tráfico queria disputar aquilo, então existiam vários problemas. Problemas esses, que levaram o meu então gestor, o paulista, que era filho de militar, a confrontar certas atitudes, principalmente da vizinhança, não dos comandantes lá das facções, da vizinhança, e por isso ele foi agredido e quase morto dentro da obra, se não fosse um grande esquema de tentar apaziguar tudo. E assim eu fui promovido, sempre fui promovido da seguinte forma. O queque aconteceu? Depois que ele foi agredido e quase assassinado, a gente tirou ele da obra, e eu era o engenheiro que poderia assumir. E eu no outro dia estava apresentando o escritório da empresa e falando, “eu quero ser demitido, eu não quero passar por isso na minha vida não”. O então diretor, um homem extremamente sábio, que eu admiro demais, ele me disse, “Thiago, está tudo bem, mas o seu gestor ele está lá em Belford Roxo”, que tinha um gerente que ia de uma obra para a outra, mas ele não era o responsável. “Então, se você quiser realmente pedir demissão, você pode ir lá”. Beleza, liguei para ele, ele não ia estar lá nesse dia, ia estar lá no outro dia, fui dormir, lembrei de todos os boletos que eu tinha para pagar, mesmo assim decidido eu fui. Quando eu fui, tinham 6 bandidos me esperando, eles estavam sempre de fuzil, eu já sabia quem eram eles e tal, desci do carro, pensei, poxa vida, agora eu perdi minha vida porque eu fui seguir o conselho de um diretor. Esse bandido chegou para mim e disse assim, “doutor, eu queria te dizer que de todo mundo que trabalha aqui, você é a pessoa que a gente mais gosta, que respeita a comunidade, e que nunca o que aconteceu com esse…”, aí xingou o cara de tudo que é nome, meu chefe, “vai acontecer com você, porque você respeita todo mundo aqui e você sempre vai ser respeitado. A gente sabe que você quer pedir conta, mas eu só queria que você soubesse disso”. É claro que não foram nessas palavras, mas esse foi o recado. Aí eu entrei no escritório, com uma proposta para ser, entre aspas, promovido, e acabei aceitando e finalizando a obra.

Luciano Pires: Quer dizer que os bandidos foram o seu… foram o gatilho que te fizeram aceitar, porque se o bandido já sacou que eu sou do bem e tudo mais. Cara, só no Brasil… não sei se é só no Brasil, mas essas histórias, não é novidade o que você está contando, ou já ouvi historias bem do arco da velha. Meu cunhado era da Shell e vendia gás, e eles resolveram vender gás nas comunidades doo Rio de Janeiro. Adivinha cara, “espera aí, você vai conversar com o Batman e o Robin”. Ele falando, “cara, você não faz ideia do que era a conversa que esses caras aí”. É um universo paralelo aquilo, né? Você imagina você estar conversando com um cara com um fuzil na mão. “Doutor, tudo bem, gostamos do senhor”, e o cara com um fuzil na mão.

Thiago Ferraz: Eu ia até chegar nessa parte. Quando a gente… eu estava falando de Belford Roxo, a gente tinha mais interação com o tráfico de drogas, que são realmente as facções criminosas. Só que quando eu concluí essa obra, e com destaque, eu fui responsável por várias obras para conclusão, e a gente chamava de terminalidade. Era Cidade de Deus, e Santa Cruz, que era a região onde começou a milícia, e se citou dois heróis aí, que são extremamente famosos lá. É completamente diferente Luciano, lá quando você faz essa… sai da facção e entra na milícia, a organização, forma de conversar, é completamente diferente. No começo você pensa assim, poxa vida, como é mais fácil, como eles são mais organizados. No final das contas, o risco é 10 vezes maior.

Luciano Pires: Conversando com a milícia do que com a…

Thiago Ferraz: É muito maior. Quando alguém muito perigoso conversar com você educadamente, saiba que ali você está correndo real risco, sua vida está em risco. Quando a pessoa diz um palavreado bem chulo e ser bem explicita nas intenções, você pode ficar mais tranquilo e ser também explicito nas intenções com essa pessoa. E aí passei perrengues do tipo, no meio da reunião, a gente negociando serviços, que além de segurança prestavam serviços, colocarem duas granadas na mesa, para que a gente pudesse chegar no preço que eles queriam. Então assim, foram muitas coisas. Até que as obras terminaram, um grande volume de dinheiro acabou, o governo saiu né, o governo do PT saiu do poder e aí o programa parou. E nesse período, eu tinha muita estabilidade, 3 escritórios em 3 áreas, porque depois da terminalidade eu fui cuidar da manutenção dessa empresa, e como eu tinha terminado todos, estou falando aí em um total de 14 mil unidades que já tinham, que a empresa fazia lá há 10 anos.

Luciano Pires: Entregou?

Thiago Ferraz: Entreguei tudo, e essa entrega era a entrega para os engenheiros da Caixa e do Banco do Brasil. A gente não podia entregar para o morador, sem antes o engenheiro conferir e dizer que estava tudo certo. Que é uma outra evolução desse programa, Minha Casa Minha Vida. E aí depois que eu entreguei tudo, eu estava em uma situação muito cômoda, e o meu melhor amigo no Rio de Janeiro, colega de trabalho, foi promovido a diretor da empresa. Eu e ele éramos muito ligados na política da empresa, como que a gente podia atuar, o quanto que a gente tinha que entregar para ser bem visto. E ele é o profissional que eu mais admiro na minha vida como engenheiro, que eu vi fazer na minha frente, e eu fiquei extremamente feliz por ele, e eu tinha tranquilidade, o meu melhor amigo era diretor da empresa, não tinha motivo para sair. Até que um dia a gente conversando, a gente gostava muito de sair para tomar whisky nas terças-feiras que ele ia para lá, e depois de muito whisky sai muita verdade, até que eu disse para ele, “cara eu estou muito tranquilo aqui”. Ele falou, “pois é, você sabe que onde você está, toda vez que você estiver tranquilo na vida, é um lugar extremamente perigoso, porque você só sai do lugar quando você não está tranquilo. E aí ele me disse, “você entrou no lugar de pessoas que estavam aqui há 20 anos, amanhã você vai ser essa pessoa que está aqui há 20 anos. Então, a decisão de estar tranquilo ou continuar se colocando a prova, querendo prosperar, é sua”. Nessa, eu recebi uma proposta de outros amigos meus de ser sócio de uma empresa que construía para o varejo, Burger King, Mac Donald’s, Localiza, esse tipo de coisa. Larguei tudo, aceitei essa proposta e fui pela primeira vez como sócio, e não como funcionário, tocar esse negócio.

Luciano Pires: Aos 30?

Thiago Ferraz: Acho que foi 35, 36. Eu fiquei acho que 8 anos nessa outra empresa. E aí comecei a rodar o Brasil inteiro, e eu pulei uma parte importante que nesse período do Rio, eu me casei e me divorciei. E o divórcio culminou nessa saída. Eu estou tão ligado aqui no profissional que eu acabei esquecendo de falar de amor, que é o principal ponto aqui da nossa conversa hoje. Quando eu fui para o Rio e comecei a trabalhar, eu também pedi a minha então namorada em casamento.

Luciano Pires: Ela é de Minas?

Thiago Ferraz: De Minas. E a gente ficava sempre em BH – Rio, toda semana eu voava. Ela era uma pessoa maravilhosa, que eu gostava muito, mas eu tinha uma imaturidade emocional tremenda. O que eu tinha de maturidade profissional, não tinha de emocional. E comecei a, a data do casamento começou a chegar. E nessa loucura de trabalho, de perigo, essa vida, eu misturava isso com uma fuga que muitos homens fazem, que é assim, “estou no Rio, vou para a noitada no Rio para me divertir, porque eu mereço”. Mas eu esqueci que eu tinha um compromisso com uma pessoa que me amava, e quando eu marquei o casamento, numa das despedidas de solteiro, eu conheci uma pessoa, e a gente teve um contato, e depois que eu casei, 3 meses depois eu descobri que essa pessoa havia engravidado. E eu seria pai novamente. Eu já era pai, meu filho tinha nascido antes de eu começar a estuar engenharia, eu tenho um filho de 19 anos.

Luciano Pires: Mas com essa…?

Thiago Ferraz: Não, com outra pessoa. Tenho um filho de 19 anos, e descobri que seria pai então de outra pessoa. E o sonho dela era ser mãe, e ela era pediatra, ela era alucinada com criança e o sonho dela era ser mãe, até que eu contei para ela, e disse que eu seria pai. Todo mundo diz, você conhece a sua mulher quando você se separa. Ela me disse, “eu te amo demais, eu tenho noção o quanto você vai precisar de mim emocionalmente, o quanto você vai sofrer, mas eu não vou poder ficar do seu lado. Então essa você vai encarar sozinho”, e a gente separou. Na separação, na semana da separação, eu recebi a proposta para poder sair dessa construtora e rodar o Brasil fazendo obra. Falei, se tem um momento para eu poder mudar completamente a minha vida, é esse. E assim, diferente do que eu pensei, foi ali que eu comecei a trabalhar de verdade. Quando é a sua empresa, você começa a trabalhar 3 vezes mais. Eu estou dizendo de… eu já virei o sábado trabalhando, entrar na obra, e a obra roda 24 horas, vocês devem ter visto Mc Donald’s, Burger King, varejo você entrega em 20 dias, o que você entrega em 6 meses o comercial. E aí nessa loucura de virar, foi quando eu comecei a me questionar assim, o que que eu estou fazendo, por que que eu estou fazendo? Isso faz sentido para mim? Porque o Thiago escolheu engenharia para ter o respaldo financeiro que ele não tinha. Agora, não que tivesse, mas já tinha uma certa tranquilidade. E aí já dava para poder pensar no que queria para a vida. E eu vi que não fazia sentido, eu nunca gostei de fazer obra, eu gostei de me conectar com pessoas. E nisso eu era muito bom, de entender, de acessar.

Luciano Pires: 37?

Thiago Ferraz: 37, não, 36 para 37.

Luciano Pires: Volta um pouquinho aí, para aquele momento que você, a data do casamento chegando, já é uma pressão, você descobrindo que vai ser pai, tendo que contar.

Thiago Ferraz: Não, eu descobri depois, na volta da lua de mel.

Luciano Pires: Ah, você casou?

Thiago Ferraz: Casei.

Luciano Pires: Eu achei que foi antes. Então, você casou, voltou, descobriu…

Thiago Ferraz: Não, na despedida de solteiro, uma das despedidas, depois eu me casei, depois do casamento é que eu descobri.

Luciano Pires: Então, eu estou interessado, com você psicólogo, você vai entender aqui. Cara, o volume de pressão é para todo lado. Você tem uma pressão do trabalho que você tinha, que era um lugar perigoso, complicado, cheio de rolo, você vai chegar lá para discutir com o cara com a granada na mesa, já é uma pressão considerável ali. Ao mesmo tempo, esse lance de que vou me casar, não estou na minha terra, estou fora da minha terra. Vou trazer ela para cá comigo. Descubro que vou ser pai, vou contar para ela. Cara, isso aí para ficar louco é um estalo de dedo, né? Coo é que você segurou esse volume de pressão toda concentrada ao mesmo tempo?

Thiago Ferraz: Se a gente for estudar como são feitos os diamantes, é um carvão que passou por uma pressão extrema. E eu me vejo dessa forma. Foi justamente na pressão extrema, quando eu contei, quando deu, tinha tudo para eu pirar, foi que eu olhei para o lado e vi, espera aí, ainda tem mais uma coisa que eu não fiz. Então talvez seja esse o momento de mudar, e ser uma pessoa diferente, ser uma pessoa melhor. Foi essa a minha válvula de escape. Se eu tinha todos os ingredientes para enlouquecer, claro que eu tinha. Para fazer alguma besteira, claro que eu tinha. E entender aquilo como procurar sempre uma saída, foi o que me deixou vivo.

Luciano Pires: Você não falou com ninguém? Você tinha algum mentor?

Thiago Ferraz: Falei, meu mentor era você, eu escutava os seus programas para poder entender o que que era certo e errado nessa vida. E eu tinha os meus amigos. Eu não contei para a minha família, porque existe um processo até o nascimento de uma criança, e eu queria que esse processo se concretizasse. Eu só tinha a mim e meus amigos, poucos amigos, claro, não podia contar isso para muita gente. E aí é justamente essa proposta de trabalho que eu tenho hoje Luciano, colocar o seu coração como bússola para a sua vida. Se você vai onde seu coração aponta, você consegue passar por qualquer coisa. Foi essa a minha saída.

Luciano Pires: Você se arrepende?

Thiago Ferraz: De forma nenhuma, não me arrependo.

Luciano Pires: Não da decisão de… do que você fez antes.

Thiago Ferraz: Eu me arrependo pelo sofrimento que eu causei em uma pessoa que me amava muito, ela não merecia de forma nenhuma viver aquilo. Mas o reflexo que isso trouxe na minha vida, é uma coisa que não tem preço. Da mesma forma que é uma bomba que destrói muita coisa que está em volta, mas que deixa o terreno limpo, né? Daí dá para construir muita coisa. Eu já era engenheiro mesmo, então vamos construir.

Luciano Pires: Isso aqui dá para virar um programa, dá para ir longe aqui, cara. Vamos lá, você toma a decisão, aí você muda da água para o vinho, porque você tem um papel de liderança importante numa empresa, mas você não é o dono da empresa, a empresa está lá. Se você precisa de recorrer a alguma coisa, chama o jurídico aí, alguém fazia por você.

Thiago Ferraz: Isso.

Luciano Pires: Agora você estava na sua empresa.

Thiago Ferraz: Eu era sócio de uma empresa.

Luciano Pires: Sim, onde decisões iam passar pela sua mão também, quer dizer, se der errado você tinha muito a perder, muito mais do que na outra lá. Como é que isso cai no seu colo, cara? Tipo assim, sou o dono da firma agora, e eu preciso pensar duplamente nas minhas decisões, porque não são mais decisões para eu manter o meu emprego e crescer na empresa. Agora, é para a empresa ficar saudável, porque se eu errar, se eu pisar na bola e ela quebrar, quebra todo mundo junto comigo. Como é que foi esse impacto, você entendeu isso, demorou para entender?

Thiago Ferraz: Demorei para entender, porque a primeira sensação é maravilhosa, você pensa, eu sou dono, agora não tem mais burocracia, eu não tenho mais que passar por isso, isso e isso.

Luciano Pires: Chego a hora que eu quiser, saio a hora que eu quiser, tiro férias quando quiser.

Thiago Ferraz: Basicamente. E fui aproveitar disso, né? Pensei, bom, eu posso ultrapassar processos, porque eu sou a pessoa mais interessada do início ao final, para que que eu vou seguir os processos? E como eu sempre fui bom com pessoas, eu sempre odiei a burocracia, que eu acho que ela é o esconderijo da ignorância e da estupidez. E poder ter a chance de passar por cima daquilo que eu mais odiava que era a burocracia, é o que mais brilhava nos meus olhos. Até que eu percebi que nenhuma empresa cresce sem processos, e foi justamente por isso que eu não consegui seguir na empresa, porque eu tinha que me dobrar diante dos processos e aceitar esses processos. E eu me vi mais uma vez, agora como dono, mais preso ainda do que como funcionário, porque eu tinha que além de cumprir os processos, dar exemplo. Aí eu pensei, ah não, de novo não, e agora trabalhando 10 vezes mais, não eram duas vezes, era muito mais. E tinha uma projeção de resultado legal? Tinha, mas era o sofrimento ali pegou muito quando a gente relaciona isso a processo principalmente. E foi nesse momento…

Luciano Pires: Você saiu de um ambiente terrível, você saiu de Belford Roxo, das balas voando para todo lado, para um ambiente tranquilo, né, e mesmo assim ele mais incomodou você do que o ambiente anterior.

Thiago Ferraz: Sim, porque agora eu não podia nem dormir mais. Então, era muita loucura.

Luciano Pires: Mas você era o dono da empresa, cara. Playboy para cacete, andando de carro do ano, explorando seus empregados, não é assim a ideia que passa do dono da empresa?

Thiago Ferraz: É exatamente isso, só que não. Eu era um cara sem dormir, com olho vermelho, sujo, dentro de uma obra que parecia uma barraca do Gugu, sabe aquelas barraquinhas que a gente não vê, até que a fechada começa a ser revestida. Eu parecia muito mais com pedreiro, porque qual que era a minha missão na empresa? Eu era a pessoa responsável pelas obras fora de Minas Gerais. Dentro de Minas Gerais, a empresa já existia há 5 anos, e eu tinha que desbravar, criar, iniciar escritório, aquela coisa toda. Até eu construir e constituir uma equipe de confiança, eu tinha que fazer muita coisa, e esse muita coisa literalmente tudo, de fechar o negócio até entregar a obra. Então, eu estava realmente ali muito apertado, uma demanda gigantesca, e isso pegou muito para mim. Mas não foi determinante, a burocracia foi determinante, os processos me derrubaram.

Luciano Pires: Sim, engraçado isso, porque você, quanto tempo você estava na engenharia?

Thiago Ferraz: 22 anos.

Luciano Pires: Cara, você esperou 22 anos para descobrir que o processo…

Thiago Ferraz: Sim.

Luciano Pires: Porque na engenharia não tem como não ser para o processo, né? Demorou 22 anos para te encher o saco de vez. Aí você falou, vou mudar de novo.

Thiago Ferraz: Nessa hora eu pensei, não vou mudar de novo não, não é mudar de eu vou procurar algo. Eu pensei, não é isso, não é aqui dentro, a minha vida não é aqui. Eu fiz 22 anos para chegar num ponto que eu vejo que não faz o menor sentido. Eu recebo elogios de todo mundo, sei que eu sou um bom engenheiro, eu sei os resultados que eu já entreguei, mas não estou feliz. Então eu vou fazer pela primeira vez, eu sou seguir meu coração, eu vou escutar o que que ele está dizendo. Cara, vamos dar ouvidos para esse cara aqui. Eu sempre restringi o que ele dizia, porque eu pensava, deixa de ser bobo, não vai emocionar, vamos calcular o começo, meio e fim, que a gente chega onde a gente quer. E é justamente o contrário. Para chegar onde a gente quer, a gente só precisa calcular o que a gente não quer. Se você não quer mais viver isso, todo o resto do universo é possível ser vivido. Só não aceita aquilo que te machuca. Mas eu não tinha chegado nessa conclusão ainda não. Eu falei, eu vou largar tudo e vou abrir a minha empresa, dentro da minha casa, fazer do meu jeito, com o processo do jeito que eu quiser.

Luciano Pires: Uma empresa de engenharia?

Thiago Ferraz: Não, eu abri um glamping. São essas acomodações não convencionais no meio do mato, cabana no meio do mato romântica. Abri um glamping, pode fazer jabá aqui?

Luciano Pires: A vontade.

Thiago Ferraz: Chama cabana.we, a gente só trabalha pelo Instagram, quem for de Minas Gerais, cabana.we, se quiser um momento maravilhoso em casal, esse é o lugar. Então, foi a primeira vez que eu falei, vou fazer aquilo que eu realmente tenho vontade. Tinha um amigo meu, eu estava já procurando algo para fazer diferente, tinha um amigo meu que estava trabalhando com Airbnb no Rio de Janeiro, tinha alugado uns apartamentos, estava alugando e estava me contando resultados maravilhosos. Até que um dia ele me ligou e falou, cara eu vou devolver os apartamentos. Ué rapaz, você está tendo resultados maravilhosos, é só alugar, você não tem… Ele riu da minha cara e falou, “cara, ninguém ganha dinheiro sem trabalhar não, Thiago. Estou tendo vários problemas, por mais que eu tenho um volume legal de entrada, meu vizinho é juiz, o outro é desembargador, pessoal aluga para fazer uma festa, vem a Polícia Federal para terminar a festa”. Então assim, ele dizendo as dificuldades desse negócio. E ele falou, “cara, mas eu não vou parar não. A minha mãe tem um terreno, e junto com ela eu vou construir uma cabana”. Eu pensei, minha mãe também tem um parado, minha mãe estava recém viúva, um terreno parado, eu falei com ela, “mãe, o que que você acha de a gente fazer um negócio assim e assim? “. Ela falou, “o que você quiser fazer. Com você? Faço qualquer coisa”. E aí nessa época eu morava em São Paulo, nessa empresa eu morei em Rio Grande do Sul e São Paulo, saí de São Paulo, voltei para Minas para dentro de casa, para criar uma empresa dentro de casa.

Luciano Pires: E aí cara, e o tamanho do choque? Porque agora você virou empreendedor.

Thiago Ferraz: Agora eu virei empreendedor de vez.

Luciano Pires: Agora você é empreendedor, e saiu do zero, na casa da mãe.

Thiago Ferraz: Eu fiquei 6 meses, 9 meses como um louco no meio do mato, fazendo um negócio no meio do nada. Eu lembro que você disse que quando você saiu da Dana, o Luciano da Dana e o Luciano Pires, do Café Brasil, que não existia ainda o Café Brasil. Eu lembro de você contando esse choque de não representar mais uma empresa, de não representar uma compra milionária, um contrato milionário. Aconteceu comigo a mesma coisa. Eu ilustro isso de uma maneira que a mais fácil de entender, para as pessoas entenderem o quanto a gente perde a importância quando aquela marca que a gente carregou sai de trás da gente. Eu sempre fui uma pessoa que teve uma vida social supernormal, cultivei meus amigos e tenho grandes amigos, e minha vida é muito normal. Eu fiz meu aniversário acho que de 37 anos ou 38, não vou lembrar, e foram 3 pessoas no meu aniversário, 3 pessoas. Dessas 3 pessoas, aquele amigo meu diretor da empresa, ele é diretor de Minas, Rio e São Paulo. A chance de ele estar, a gente calculou na hora, era de 17%. A chance de ele estar e não ter compromisso era incalculável, e eu fiz aniversário em um lugar que nesse dia estava fazendo um frio, e ele foi com a então esposa, e mais um amigo. Então assim, foram 2 que a probabilidade de ir era quase zero, e mais um amigo. Naquele momento ali, naquele dia, eu falei, cara, eu sempre quis gravar conteúdo para a internet, nunca gravei com vergonha de ser julgado, de pessoas que nem no meu aniversário vem, porque agora eu não represento mais uma possibilidade de emprego, um contrato ou nada disso. Eu falei, quer saber? Foda-se todo mundo, amanhã eu pego meu telefone e começo a gravar. No outro dia, eu peguei esse telefone e virei, eu tinha um jargão que era assim, e aí gente, vocês estão bom? E comecei a falar, sem o menor propósito, sem nenhum planejamento, só comecei.

Luciano Pires: Sem ter Instagram grande, nada.

Thiago Ferraz: Nada, eu comecei a falar. E aí gente, vocês estão bom? Bom dia para vocês, estou aqui em casa, minha cabana está terminando ali e tal, falando, simplesmente falando. Eu sempre tive essa vontade, aquele menininho de 9 anos lá que queria fazer alguma coisa na mídia, eu falei é agora, agora eu não ligo mais para ninguém, não quero saber mais da opinião das pessoas naquilo que me faz feliz. Eu vou primeiro ser feliz, depois eu vou perguntar. Comecei a fazer esse conteúdo, muito também porque a cabana estava ficando pronta, minha primeira unidade, e eu precisava bombar o Instagram dela, e comecei a postar coisa no Instagram, falei, por que não fazer comigo? E comecei a fazer, a cabana inaugurou, graças a Deus deu muito certo, ela teve um sucesso extraordinário.

Luciano Pires: Uma cabana?

Thiago Ferraz: São 2, vão ser 6. Eu concluí a segunda em julho do ano passado, e agora eu espero terminar o período de chuvas, para continuar o projeto.

Luciano Pires: Aonde isso, BH?

Thiago Ferraz: Esmeraldas, fica a 37 quilômetros do epicentro, eu não sei nem se eu posso usar essa palavra para cidade, o centro mesmo, o pirulito da Praça 7 de Belo Horizonte. Então é bem próximo. São 2 unidades, eu tive um sucesso muito grande na primeira e também na segunda, o dobro do que eu esperava de resultado, o que foi maravilhoso e o que me deu tranquilidade financeira para poder realmente fazer aquilo que eu amava com tempo livre. Porque um engenheiro que cuidava de obras em 3 estados, administrar uma cabana no meio do mato, me sobrava tempo. E comecei a fazer esse conteúdo, e comecei a pensar no que eu podia fazer. E aí são várias, é uma propriedade de 20 mil metros, uma propriedade rural, e eu fiquei pensando o que que eu podia investir, o que eu podia fazer para me gerar renda, para me gerar ocupação ali. Até que no casamento de uma amiga, eu virei a câmera do telefone e falei assim, olha lá, ela com o marido dançando, eu solteiro, podia ser nós 2, mas você não colabora. Isso viralizou assim, primeiramente no Tik Tok, viralizou. Viralizou que eu falo, para quem está começando, hoje para mim é um vídeo normal. Mas na época, deu 170 mil visualizações, o que me trouxe 7 mil seguidores em 1 semana. Então cresceu muito rápido para quem não tinha nada, e quando eu começava a falar de relacionamento eu via que eu me conectava profundamente com as pessoas, que eu recebia, está acontecendo isso comigo, que legal sua visão. E eu vi que fazia muito sentido, porque eu sempre me dei bem nas minhas relações pessoais, seja amorosas, sejam profissionais, fazia muito sentido mostrar a visão, mostrar o meu jeito de ver como a gente pode ter um relacionamento saudável. Só que eu não podia fazer isso simplesmente porque eu achava legal. Eu era um engenheiro, eu entendia de exatas. Foi nesse momento que eu comecei a estudar psicanálise. Você até me disse no começo, que eu sou psicólogo, eu sou psicanalista.

Luciano Pires: Psicanalista então? Tá.

Thiago Ferraz: Como já tinha uma graduação, pensei, não vou entrar em outra graduação agora, eu vou ver o que eu posso fazer que vai me credenciar a possivelmente fazer um atendimento, e mais do que isso, atender ou conversar com essas pessoas com uma responsabilidade emocional, que era o que estava guiando agora os meus passos. E aí eu estudei psicanálise, me formei e comecei a atender como consultor de relacionamento, não como psicanalista. Por que essa diferença? O psicanalista ele vai entrar na vida da pessoa de uma forma extremamente profunda. Ele não, num primeiro momento, sugere um tratamento. Ele tem que mostrar para a pessoa, o psicanalista é o espelho daquela pessoa, ele mostra aquilo que a pessoa não consegue ver por si só. E isso para mim era chato, aprofundar na vida, fazer parte daquele paciente, aquela coisa toda. O que eu queria era fazer uma modelagem emocional para que a pessoa conseguisse ver com facilidade, com objetividade, como as coisas realmente são. Para que a dificuldade que a pessoa tivesse vivendo com relacionamento, ela pudesse sanar através de uma pessoa que sempre teve facilidade com isso. E aí comecei a atender, comecei a fazer conteúdo, aí meu Instagram começou a crescer, meu Tik Tok começou a crescer. Fui chamado para fazer vários PodCasts, vários conteúdos.

Luciano Pires: Então, mas qual é o CNPJ aí, é o da cabana?

Thiago Ferraz: Então, CNPJ é da cabana, eu não tenho CNPJ.

Luciano Pires: Não nasceu uma empresa?

Thiago Ferraz: Não nasceu uma empresa, eu não sou um empresário consultor de relacionamento. Talvez agora como palestrante, porque eu recebi a dica de um grande amigo, mas até então, não.

Luciano Pires: Que interessante isso aí cara, porque você acabou… espera um pouquinho, você monetiza isso?

Thiago Ferraz: Sim.

Luciano Pires: O atendimento é pago?

Thiago Ferraz: Pago.

Luciano Pires: E você pode receber, porque você é psiquiatra?

Thiago Ferraz: Psicanalista.

Luciano Pires: Desculpa, psicanalista, deve ter o CRM, sei lá como que é o nome desse negócio.

Thiago Ferraz: Mas eu não uso isso para atender, porque como eu não atendo como psicanalista, é claro que eu tenho o número, mas eu não atendo como. Então, eu não emito um recibo de psicanalise, é uma mentoria, eu sou um coach de relacionamento.

Luciano Pires: Ok. É, está num lugar que eu não consigo situar muito bem ainda, por siso que eu te perguntei qual é o CNPJ, é o da…?

Thiago Ferraz: É parecido com o seu.

Luciano Pires: Pois é, mas eu tenho uma empresa chamada Café Brasil Editorial Ltda., está descrito no contrato social tudo o que eu faço aqui, e eu emito uma nota a você porque está tudo coberto. Eu não tenho uma cabana para alugar e ao mesmo tempo faço atendimentos, está tudo comum aqui. No meu caso, dá para entender. O seu, você está atuando em um lugar onde tem 1 milhão de pessoas atuando agora, que é essa penumbra, quando você bota eu sou um coach, é de qualquer coisa, você pode ser um coach de qualquer coisa. Basta eu ter determinado conhecimento e ter o respaldo para poder cobrar por isso de alguma forma. Mas, é interessante, onde é que eu quero chegar cara, você vem de uma puta empresa, você vem de processo, você vem de dono da empresa, e de repente você entrou em um negócio que é o empreendedorismo na essência. Você não tem um prédio, você não tem um escritório montado.

Thiago Ferraz: Eu tenho um escritório montado, porque nessa propriedade existe uma cede, e é ali que eu moro. Eu modo na cede da propriedade onde a gente tem as cabanas. Eu tenho 2 funcionários que fazem a manutenção da propriedade e limpeza das cabanas, esse meu filho de 19 anos também trabalha me ajudando nessa interação, principalmente com os hospedes e o pessoal que chega. Agora, no meu processo, o titiferraz do Instagram, sou eu e um produtor que trabalha online. Por exemplo, eu estava respondendo as caixinhas agora, e assim que eu vendo meu serviço, começo a responder perguntas de relacionamento, até que no meio dessas perguntas eu falo, gente, se você tiver uma questão e quiser um atendimento individual, eu atendo, manda eu quero aqui. Então, tem outra pessoa logada que está fazendo essa negociação, montando a minha agenda que eu recebo e faço atendimento dessa cede.

Luciano Pires: Entendi.

Thiago Ferraz: Então, eu estou sempre na empresa fazendo o que tiver para fazer.

Luciano Pires: Entendi. O que que é o titiferraz, cara?

Thiago Ferraz: O meu apelido da internet, é titi. Meu nome, como consultor de relacionamento, é o titi. Apesar do meu arroba ser thiagoferraz, e a Meta restringiu a gente a colocar o nome, eu sou o titi, todas as pessoas me chamam de titi, e era o titiferraz, o arroba inicial, depois eu consegui meu nome. Mas, as pessoas que me conhecem me chamam de titi.

Luciano Pires: E aí nasceu o titinder?

Thiago Ferraz: Titinder. Titinder está fazendo muito sucesso, estou impressionado com isso.

Luciano Pires: E aí bicho, eu vi um pedacinho, quando a gente conversou, eu não sabia qual era a sua praia. A gente bateu um papo, você andou aquela mensagem para mim, trocamos uma ideia, eu não tinha a menor ideia do que que era. Aí eu bati o olho, que puta cara de pau, o cara abriu uma caixinha, e tem uma pergunta que eu sei lá o que vem ali, cara. Tem que ter muita, como que eu vou dizer, muita fé no seu bastão, para você abrir uma caixinha e falar, manda o que quiser. Eu sei lá o que vem cara, de repente vem uma pergunta que não tem como responder. Eu tenho dificuldade com isso, é como o pessoal fala, você tem que fazer mais live. Eu falei cara, eu não consigo abrir uma live e sair falando, eu tenho que preparar cara, eu tenho que sair e entrar, alguma coisa eu tenho que ter preparado ali. E você quando você faz isso, eu sou muito amigo do Jordão, o Ricardo Jordão, o Jordão trabalha com vendas e ele faz igual, abre a caixinha e o nego mete uma pergunta que é a mais maluca, e o bicho vai para cima e dá a resposta. Você tem um processo para isso, para estudar a pergunta, etc. e tal, como que você faz isso?

Thiago Ferraz: A pergunta não, eu tenho um processo que eu criei para poder dar mentoria. Então dentro da mentoria, eu dividido em conhecer a pessoa, preparar a pessoa, preparar as redes sociais dessa pessoa para conectar com quem ela quer. Depois de conhecer e de preparar, isso é basicamente o mesmo com todas as pessoas, claro que quando eu falo de conhecer a pessoa, cada pessoa tem a sua individualidade. Essa preparação, ela é muito parecida. Mas, a estratégia não, ela é individual. Então eu conheci a pessoa, eu preparei a pessoa, eu vou bolar uma estratégia, isso eu estou falando de ação.

Luciano Pires: Alguém que está procurando um relacionamento.

Thiago Ferraz: Onde procurar essa pessoa, o que que eu vou falar com essa pessoa, a partir dos estímulos que ela me der. Titi, recebi um foguinho no story, o que que eu falo? Parece obvio, mas o que que a gente fala quando recebe um foguinho no story, um coraçãozinho no story? E ter isso bem definido, mais do que bem definido, passar para a pessoa o conceito do porque o homem manda aquele estimulo e o que ele espera com esse estimulo, faz com que a pessoa por si só consiga transitar dentro da estratégia. Porque se eu passo uma estratégia e no meio da conversa ali com o pretendente foge, a pessoa vai ficar perdida. Se eu passo o conceito, ela consegue transitar dentro da estratégia. E a minha ideia é passar esses conceitos e depois bolar uma estratégia. Como os conceitos estão criados dentro do meu trabalho que eu estou doido para transformar em um livro, que é a minha bíblia, eu consigo responder essas perguntas, não só… respondendo agora a sua pergunta tá Luciano, o que eu preparo para as caixinhas? Nada. E é no segundo ali. Claro que as vezes eu dou uma gaguejada, e respeito, mas é ali, eu respondo imediatamente. Tanto faço isso, que fiz um show agora em São Paulo, dona Cristiane Regina né, conseguiu a pauta lá do My Fucking, que é a casa do Danilo Gentili, para que eu fizesse uma apresentação ao vivo, e eu bolei parte da minha palestra misturado com a minha caixinha de perguntas ao vivo. Então fiz isso com microfone na mão ali para a plateia.

Luciano Pires: Com o pessoal perguntando na hora lá?

Thiago Ferraz: Com o pessoal perguntando na hora.

Luciano Pires: É um stand up sério de relacionamento? De improviso?

Thiago Ferraz: Não tem muito a ver com stand up, não é um show de comédia, é realmente para que quem foi lá entenda um pouco mais do universo de relacionamento e tenha a oportunidade de ter a sua dúvida sanada.

Luciano Pires: Cara, isso aí tem um mercado bilionário, não tem não?

Thiago Ferraz: Tem demais. Se a gente parar para pensar, e é uma coisa que eu sempre digo, principalmente para vender o meu produto, é quantas pessoas financeiramente bem-sucedidas você conhece, mas que não estão felizes no amor? E quantas pessoas são completas, amam de verdade e tem um relacionamento ideal? A gente conhece mais ente rica do que gente que ama mais. Moral da história? Amar verdadeiramente é mais difícil do que ficar rico. Logo, eu estou vendendo algo mais caro do que dinheiro. É isso.

Luciano Pires: Bom, isso é bom. Mas cara, imagina o seguinte aqui, quer dizer, nós estamos vivendo uma sociedade que está meio destrambelhada, os relacionamentos estão superficiais. Você falou uma palavra para mim que eu não gostei, não quero mais, está tudo muito fácil. Eu saio na balada à noite, meu negócio é beijar o máximo possível. Eu sou de uma época em que cara, levava algum tempo até beijar a garota, tinha todo um lance de, a corte, tinha todo um… você gosta de falar de processo, tinha todo um processo na minha época, que era um negócio bem complicado cara. A gente não tinha essa loucura que tem hoje, que tromba com o conceito que é o conceito da… o mundo que vivia era uma escassez… que que falava? Eu sou de uma época que era muito difícil comer gente. Eu acho que era o Chico Anysio, alguém falava assim, que era muito difícil comer gente naquela época lá. Acho que foi o Chico Anysio. Eu sou dessa época, era muito difícil, havia uma escassez, para uma época em que essa escassez deixou de existir. Hoje é muito fácil eu ter acesso as pessoas, eu não preciso exatamente estar lá. Olha só, na brincadeira dançante de sábado à noite, no clube de Bauru, era onde tinha que ir para isso acontecer. Hoje em dia, eu não preciso estar na brincadeira dançante, eu estou aqui no celular, eu estou me relacionando com alguém. Então ficou muito fácil. E ficou tão fácil o acesso, que parece que a escassez desapareceu, e as coisas perdem o valor. Cara, eu dava um puta valor para uma fita cassete na Blockbuster, com um filme bosta, eu chegava em casa e eu assistia o filme inteirinho, aquilo tinha um valor, porque não tinha, aquilo era uma coisa muito rara. Então assistia o filme inteiro. Hoje em dia cara, com a Netflix, dane-se o filme, eu começo o filme, largo, assim, um atrás do outro. Não tem mais valor aquilo, né? E me parece que nessa questão do relacionamento, alguma coisa aconteceu na sociedade, que por essa superexposição, essa grande facilidade, você perde o valor do relacionamento. Eu estou viajando? Eu não sou do ramo, você que é.

Thiago Ferraz: Sim, eu não concordo com esse conceito, de que por ser fácil a gente perdeu o tesão que existia. Eu acho que a gente perde por estar velho. Eu com 40 anos, eu não sou mais aquele cara que pegava o carro e andava 100 quilômetros para uma exposição em uma cidade do interior de Minas, que ia ter umas meninas que eu não tinha visto. Jamais eu vou fazer isso, e ficar solteiro amanhã. A gente vai envelhecendo e as coisas vão perdendo a graça. A gente tem que pensar sempre na cabeça daquele jovem, daquela jovem. E o que mudou muito, eu que sou um cara otimista cresci escutando Luciano Pires, então eu tenho uma visão muito positiva do mundo, foi que o machismo está deixando de existir. Quando o Chico falava que era muito difícil comer gente, na cabeça das meninas, elas não podiam. Eu quero dar. Não podia. Cara, olha o quanto é legal a mulher hoje poder falar assim, eu quero sentar no cara, e é isso, eu não estou a fim de um relacionamento agora, eu só quero sentar no cara. Ter essa liberdade, está proporcionando para as mulheres algo que elas nunca tiveram. E essa tal facilidade, é simplesmente as mulheres falando assim, não, calma, você não precisa disso não, eu quero é sexo. Eu posso querer? Beleza. Se os dois querem relacionamento, maravilha, mas não necessariamente tem que ser assim. Se a gente vê que as mulheres estão vivendo algo que elas nunca viveram, que elas nunca puderam viver. A gente entende esse momento de uma forma libertadora e maravilhosa, e não de banalização, que muita gente quer colocar simplesmente pela mulher estar se libertando. O que acontece muito no meu perfil principalmente, são mulheres mais velhas dizendo que estão se relacionando com homens mais jovens, os novinhos, o que é sensacional. Eu digo na minha geração, a mulher não teve opção de dizer que eu quero um cara mais novo, nenhuma mulher podia dizer. E só de poder falar e poder viver isso ainda nessa vida, ver essa cultura mudar em via, é muito bom. É claro que as próximas gerações vão pegar mais, mas toda vez que a gente está relacionando a liberdade do ser humano independente do homem ou da mulher, que é o que para mim está acontecendo, a sociedade toda ganha, a gente tira aquele peso do sexo. O sexo teve um peso muito grande nas nossas vidas, sempre conectado a religião de uma forma desmedida. Então a gente tirar esse peso, eu acho que faz muito bem para a alma, faz bem para a vida e para a sociedade como um todo. É justamente embasado nisso, quando a gente tira o peso, que a gente consegue realmente viver o amor. A minha concepção de amor, que é o que eu ensino na mentoria e é a base do meu conteúdo, eu sou sempre o cara que falo, gente eu vou te preparar para amar, e não para pegar um cara. Eu não sou o Ritchie titi, o conselheiro amoroso, não. Eu sou o cara que vai te preparar para amar, e como a gente prepara para amar? A gente define aquilo que a gente não quer, porque o amor vem do que a gente não conhece. A gente precisa ser surpreendido. Então, entendendo que está muito mais fácil definir hoje pelas experiências que a gente pode viver o que a gente não quer, eu acho que hoje está mais fácil amar profundamente do que antigamente. O que acontecia muito antigamente é você ver relacionamento longos e infelizes. E recebo muito, principalmente em caixinha, titi, eu estou em um relacionamento, eu não estou feliz, mas eu estou aqui pelos meus filhos, porque eu preciso dar essa base familiar para os meus filhos. Eu respondo sempre da mesma maneira, que assim, nossa, que ótimo, você está passando duas mensagens ruins para o seu filho. Primeiro, você está chegando para ele e dizendo, se tiver uma merda o seu relacionamento, sua vida, continua passando por isso pelos seus filhos. Segundo, a vida é uma merda mesmo, se acostuma logo. Então estar em um relacionamento para que os filhos tenham uma base familiar, é ensinar duas vezes que a vida está errada para os filhos. E isso está muito relacionado a forma de amar, a gente está progredindo nisso.

Luciano Pires: Você não acha que liberação que você disse que as mulheres estão vivendo agora, isso não está assuntando os homens, cara? Os homens estão preparados para isso, não estavam preparados, isso não está de alguma forma… eu tenho a impressão que tem uma desconexão sabe, o homem não amadureceu na velocidade que a mulher amadureceu. Talvez a mulher, a gente olhasse e fala, a mulher estava tão presa que a hora que a gente solta a amarra, ela expande, e o homem não estava preso, então não tem amarra para soltar. Ele fica parado ali, e a mulherada expandiu. E o homem agora, ele assusta. Você acha que isso acontece?

Thiago Ferraz: Com certeza, com certeza. A gente está vivendo um período de choque cultural, são culturas se chocando literalmente. Mas o que que acontece, de onde vem esse cara assustado? Eu vejo muito relato de homem falando assim, “ah porque a mulher tem o poder do sexo com ela, então para nós homens as vezes é mais difícil entrar nesse jogo, a gente fica inseguro”. Eu sei de onde vem esse discurso, desse medo. Sim, o homem ele está diferente culturalmente, você colocou de forma brilhante, existe esse choque. Ponto, isso é uma coisa. Só que o que que acontece na realidade, numericamente nós temos mais mulheres que homens, então as mulheres estão perdendo o jogo. Qualquer pessoa estando assustada ou não, qualquer homem estando assustado ou não, ele tem vantagem no jogo da sedução, do amor e do relacionamento. Só que alguns homens usam essa desculpa para dizer o porque eles não estão jogando, porque eles estão sozinhos, porque eles não estão felizes. E dizer que eu não estou conseguindo jogar o jogo porque estou assustado com as mulheres, para mim é pura desculpa da incompetência de alguns homens se relacionarem com mulheres. E algumas vezes, eles descobrem lá na frente que não era isso que eles queriam, nem era com mulheres que era para se relacionar, eles ficam com homens. Mas culturalmente sendo tão oprimidos, eles não conseguem ver esse caminho em um primeiro momento, e descontam no comportamento das mulheres. Sobre as mulheres estarem passando por um processo que agora depois de anos, elas estão soltando sabe, as vezes de uma forma desmedida, é supernormal no comportamento humano. Se você nunca pôde fazer e agora pode, é normal você errar a dose ali. É o que acontece com a maioria das pessoas.

Luciano Pires: Interessante, eu estou olhando meio de longe, com 67 anos de idade você olha em volta e fala, meu que loucura está essa sociedade. Só o fato de você existir, como essa figura que você é, já é um nó na cabeça, né? Porque até então, o consultório sentimental, era um negócio não conta para ninguém, quietinho. Agora o pessoal bota caixinha em público. É claro que eu não sei exatamente quem mandou a pergunta, mas essas coisas são expostas em público, né? Isso durante muito tempo era trancadinho, era tudo muito restrito.

Thiago Ferraz: E eu posto o que eu posso postar, imagina o que eu não posso postar, o que chega.

Luciano Pires: Então, chega muita baixaria, cara? Porque é muito fácil confundir as coisas. Você falar, eu estou aqui preparando alguém para amar, não estou preparando para pegar aguem, né? Mas, é muito fácil você confundir as coisas, falar, esse cara é o Ritchie titi, o conselheiro amoroso. O pessoal confunde mesmo, é normal?

Thiago Ferraz: Demais, confunde muito, e erra muito naquela intenção de, Thiago eu quero recuperar um amor, eu quero conquistar uma pessoa, eu estou apaixonada por… E para todos, é a mesma resposta. E não só para quem eu atendo, para quem tiver nos ouvindo e pensando assim, tá bom, eu entendi o que esse cara falou sobre amor, legal. Mas, eu estou apaixonada por um cara. O que eu faço para conquistar esse cara? Você tem que entender a primeira coisa, o amor é um jogo sem volta, você é kamikaze. No amor você é kamikaze. Você não tem várias tentativas, senão você vai acabar entrando em uma relação forçada, que daqui 3 ou 4 anos vai acabar em nada. Sabe o que é pior que um relacionamento de 4 anos que não deu certo?

Luciano Pires: Um de 8.

Thiago Ferraz: Exatamente, um relacionamento de 4 anos e 1 dia. E o meu trabalho é transformar esses 4 anos, em 1 dia. Antes de você traçar uma estratégia para ficar com a pessoa, e quero muito, pense primeiramente em você. Quais são os limites, até onde você está disposto a ir? Até onde… porque você está apaixonado por uma imagem que você criou daquela pessoa, você não convive com ela, você não se relaciona com ela. Por mais que você seja amigo, está ali, mas não está dormindo junto, não, está tudo dentro da sua cabeça. Entender que é um jogo sem volta, qualquer tentativa na maioria das vezes vai ser kamikaze, vai te fazer mais tranquilo, você tem uma chance. Se você foca todo o seu emocional para que aquilo aconteça com aquela pessoa, você vai se frustrar. Agora, se você procura se preparar para amar a partir dali, pensando assim, tudo bem, se não der certo com essa pessoa eu não vou sair de onde eu estou, eu não vou abrir mão dos meus princípios, para entrar na vida de ninguém. Aí a sua chance de ser feliz, é muito maior.

Luciano Pires: Tem um lance aí da oferta e da procura, você definir o que quer e agora você precisa se expor. Aquele lance, eu tenho que me expor, esse ser que eu estou em busca eu não sei onde está, eu não sei de onde ele vem, como é que eu faço para me expor? Como é que você lida com isso aí, como é que você aponta, onde eu vou buscar? Em que lagoa eu vou pescar? Como é que você faz?

Thiago Ferraz: Sobre estar preparado, quando a gente diz onde eu vou conseguir uma pessoa, está muito relacionado ao perfil de cada um. Então primeiro eu preciso entender o perfil. Mas, eu vou dar umas dicas aqui que são regras básicas que a gente precisa ter quando o assunto é, quero conquistar alguém. Se você sai de casa em busca de um relacionamento, você precisa necessariamente ir para lugares que tenham música ao vivo. É gigantesca a diferença de um lugar que não tem música ao vivo, para um lugar que tem música ao vivo. A interação que acontece entre as pessoas nesses lugares é muito maior, e é justamente o que você está querendo. Titi, mas eu sou mais reservado, eu não sou um cara de sair, eu não sou uma mulher de sair. Quando eu digo música ao vivo, não é para você ir para um mega show não, pode ser um restaurante que tenha música ao vivo. Ali vai ser mais fácil de ter interação.

Luciano Pires: Qual é a explicação, cara?

Thiago Ferraz: Luciano, eu não tenho uma explicação para isso.

Luciano Pires: Você fala ao vivo, não é um lugar que tenha música, é música ao vivo.

Thiago Ferraz: Isso, eu não tenho uma explicação teórica para te dar, eu só posso dizer que a gente tem muito mais interação a partir dos estímulos da banda. A banda nunca está ali tocando, a banda nunca fica tocando a música, a banda mexe com o pessoal, chama o pessoal, tira o pessoal da cadeira. E o fato de tirar da cadeira proporciona interação. A minha ideia é te levar para um lugar onde tenha o maior número de interações. Então na dúvida, todo mundo vai ter um lugar com música ao vivo perto de casa. Sempre fica, onde que eu vou? Tem um lugar que é muito bom, mas não tem música ao vivo. Sai dali, procura um lugar que tenha, que você vai ver que você vai interagir mais. A partir de interação, é que a gente traça como que a gente vai responder. E se eu puder dar uma dica dessa conversa, como é que a conversa vai, onde ela vai, o que eu faço? A dica que eu dou é, fuja de fazer perguntas ou de entrar em assuntos que terminem em sim ou não. Já reparou que, você não, você é um homem casado e está vendo de cima, mas tem uma demanda muito grande que é sobre a conversa acabar. Você conheceu uma pessoa ali em um barzinho com música ao vivo, e aí, como é que você está, o que que você faz? Eu faço isso, isso, desse e desse jeito. Então tá bom, então beleza. Se você pergunta isso, a pergunta é objetiva, a conversa acaba. Sempre que você tiver naquela interação, pense em perguntas que não vão terminar em sim ou não, e nem vão ser objetivas. Como que você faz para treinar o nosso grande e maravilhoso “Tindão”? Entrar em um aplicativo de relacionamento Tinder, Inner Circle, Bumble, Happn, são vários aplicativos hoje, e treinar essa interação para até no Instagram ou quando você encontrar pessoalmente, você está ali já conseguindo, dependendo da conversa, levar para onde você quer, vai fazer toda a diferença na hora.

Luciano Pires: Você recomenda esses aplicativos de relacionamento?

Thiago Ferraz: Profundamente. A gente precisa usar. A gente estava falando em off ali que o quanto é importante a gente sair do círculo social. Muitas pessoas não conseguem entrar em um relacionamento novo, porque convivem com as mesmas pessoas. E o mais engraçado é que eu escuto das pessoas assim, titi, eu tenho vergonha de alguém me ver no Tinder, eu já sou uma senhora. E o que eu falo é, quando a senhora chega em uma festa de aniversário da sua família, pessoal já olha para o Paulo que é o vizinho novo que eles chamaram e falam, a Ivone está solteira, Paulo. Você já é a solteira, você já está exposta quer você queira, quer não. Então você é uma mulher solteira que não deve nada para ninguém, você está com vergonha do que as pessoas vão pensar, elas já pensam assim, é o obvio do obvio. Então primeira coisa, a gente precisa ter essa, parar de ter vergonha de estar ali.

Luciano Pires: Isso é uma quebra cultural.

Thiago Ferraz: Isso.

Luciano Pires: Isso é uma quebra cultural, né? Porque você… na cabeça da turma, o estar ali é uma confissão de fraqueza.

Thiago Ferraz: Para algumas pessoas, sim.

Luciano Pires: Eu estou vulnerável, me tornei vulnerável, entendeu? Estou aqui porque eu não consigo me dar bem por minhas próprias contas, então eu vou usar essa muleta para ver se eu pesco alguém. E aí todo mundo vai me ver. Eu vi o Luciano lá no Bar do Cristal, eu vi ele lá, estava no bar lá.

Thiago Ferraz: Na pizzaria.

Luciano Pires: Ele estava lá cara, mas quem está afim de um caso rápido, não sei o que. Então frequentar esse lugar, traz para a gente uma certa, como eu falei para você, eu vou me expor cara, esse cara está querendo o que aqui no Tinder né? Mas é um ponto, porque eu também acho que tem muito preconceito com relação a esses sites de relacionamento. Porque a impressão que você tem é quem está lá é para putaria. A gente comentou, já vi cara pelado, já veio gente querendo, me manda um nude, aquela história toda. Eu nem sei como filtrar isso, bicho, eu nunca entrei num Tinder, não tenho a menor ideia. Eu não sei como é que funciona, nunca entrei. Mas a impressão que eu tenho, é que tem de tudo, né, e você tem que filtrar ali no meio, vai tomar porrada de montão. Eu não sei se tem hater, sabe de você, botei minha cara lá, olha o gordo, velho, se enxerga aí. Podem destruir a minha pequena auto estima ali, né? É assim?

Thiago Ferraz: Não, não, não tem assim… é claro que pessoas ruins a gente vai achar em qualquer lugar. Mas esse hater não existe porque você não tem um perfil igual no Instagram, que a pessoa consegue ler seu comentário. É tudo, as interações…

Luciano Pires: One to one.

Thiago Ferraz: Exatamente, então não tem.

Luciano Pires: Eu consigo ver sua foto, seus dados básicos lá, mas não vou conseguir ver sua interação com ninguém.

Thiago Ferraz: Exatamente. Mas, respondendo ali antes um pouco sobre o que você falou do, a pessoa se ver exposta ali, e eu bato na tecla do, sim, ela se vê exposta mesmo, porque ela já está, não é novidade para ninguém ela estar exposta. Ela está exposta. Se ela não sabe, eu preciso demonstrar isso. Quando ela chega na festa de família, ela é a solteira, todo mundo toca nesse assunto. Então por mais que você se sinta, saiba que você já é. Agora, sua escolha ou não viver o que você já tem o direito de viver. Mas aí quando a gente entra no Tinder e essa é sempre uma das maiores questões, qual que é a grande questão? Titi, entrei no Tinder, um tanto de gente mandando foto de nude, foto pelada, e falando de forma agressiva, baixaria, aquela coisa toda, e eu não quero isso para a minha vida, eu não quero lidar com isso. E a resposta é, a gente acabou de falar aqui o quanto o amor ele é raro e difícil ser atingido nas nossas vidas. Se você não gastar energia para amar, você vai gastar energia com o que? Então o que que é gastar energia para amar? É estar disposta a ir para um date com uma pessoa, é ir para um lugar que tem música ao vivo, é drenar essas interações para poder afinar esse contato e levar a pessoa para onde você quer, quando eu digo onde você quer, são lugares emocionais. E também fazer essa seleção nas redes sociais, até paciência com aquele cara escroto que está falando o que não deve, e simplesmente bloquear e não conversar. Você fez um programa sobre isso falando, cara, a vida mudou no dia que eu descobri o unfollow. Eu não tenho que ficar provando para ninguém quem eu sou, encheu o saco, unfollow. Se a gente faz isso no Tinder, você pode, você tira o cara do seu feed ali e acabou, você nunca mais vê. Fazer esse filtro é muito bom poder fazer, porque as vezes a gente vive em um meio social que não pode. Teve uma pessoa que já falou alguma coisa, ou já até assediou uma mulher, ela não pode tirar. Na rede social, sim. Vendo por esse lado, só vai te dar trabalho. Então, se você não encarar o amor como algo gigantesco, e como tudo que é gigantesco nas nossas vidas, vai exigir trabalho, aí você vai se frustrar. E a grande vantagem de usar os aplicativos de relacionamento, é romper ali a possibilidade de você, “fulano de tal conheceu algum de outro estado, fulano de tal conheceu alguém de outra turma”. É através dali. A única diferença é que vai dar mais trabalho.

Luciano Pires: Qualquer idade?

Thiago Ferraz: Qualquer idade.

Luciano Pires: Uma coisa que eu vi numas caixinhas que eu li tua lá, é essa história do novinho. “Estou com um novinho”, né? E você fala, “vai fundo”.

Thiago Ferraz: Senta no novinho. Na dúvida, eu falo com as mulheres, gente, senta no novinho que vocês merecem, é tempo demais. Eu ouvi vários tios meus falando com as minhas tias, fica esperta porque senão eu te troco por duas de vinte. Hoje quem tem que ficar espertos são eles. Isso é ótimo, ter essa liberdade. Agora, obvio que sempre ali a gente tem que tomar cuidado até com o próprio novinho, né? Nós já fomos um dia o novinho. Então, ter esse cuidado emocional com a pessoa que está na nossa frente, é fundamental, tanto para o homem quanto para a mulher.

Luciano Pires: Então, essa era a próxima pergunta que eu estava aguardando aqui para jogar para você. São dois, tem duas pessoas envolvidas, do outro lado também tem alguém que talvez esteja procurando tanto quanto eu, e que essa pessoa vai ser ferida, vai ser bajulada, vai… tem o outro lado, e você tem que carregar com você uma responsabilidade. Como é que é a história lá do Pequeno Príncipe?

Thiago Ferraz: Você é responsável por tudo aquilo que cativas.

Luciano Pires: Aquela história toda lá. Você fala dessa consciência também, você também explica sobre o respeito pelo outro?

Thiago Ferraz: Sempre. Tenho uma coisa muito interessante a dizer sobre isso, que as pessoas costumam achar que por deixar tudo claro verbalmente, a situação está resolvida. Vou dar um exemplo, você tem um relacionamento, está ficando com uma pessoa, e aí você vê que essa pessoa, tanto homem quanto mulher, balançou, demostrou sentimentos, sentiu golpe, falou “poxa, queria que a gente tivesse mais do que esses encontros esporádicos e pontuais”. E você dizer claramente para essa pessoa, “olha, eu não quero não. Eu quero esse sexo gostoso que a gente tem, essa coisa rápida, isso é o que eu estou buscando. Então eu quero ser bem honesto com você, honesta, e dizer que é isso que a gente vai ter”. Para a pessoa que disse, parece que está resolvido, ela foi honesta e disse. Mas, na verdade não. O que acontece é que a gente precisa ter a responsabilidade emocional, é saber que mesmo sem bater, a gente abre a porta do coração das pessoas. E sentir que está abrindo a porta uma vez que você não tem intenção de ficar, é sua obrigação sair. Não é só dizer, a gente precisa ter essa sensibilidade para poder respeitar o outro indivíduo que está ali. Isso é muito importante.

Luciano Pires: E você encontra muito caso assim?

Thiago Ferraz: Demais. Eu encontro muito caso, porque a mulher, tiveram alguns coachs, igual você disse, o coach ele está em uma penumbra ali que do nada o cara chega com uma regra. O pior é quando ele chega com uma regra, com explicação quântica, e aí já vem… eu prefiro a explicação de, não sei, eu acho e vamos lá. Criaram a regra dos 90 dias, não sei se você já ouviu falar.

Luciano Pires: Não.

Thiago Ferraz: Falaram assim, olha, você não pode transar com um cara com menos de 90 dias. Ou você não pode pedir em namoro com menos de 90 dias. E todas essas regras relacionadas a datas, elas só servem para atrapalhar. Você tirou o sentimento, você está ali para sentir. Você tirou o sentimento e começou a usar estratégia de planilha. Não vai acabar bem. E muitas mulheres chegam para mim com a seguinte questão, Titi, estou ficando com um cara há 1 ano e meio, como é que eu transformo isso em um namoro? Não transforma mais, você já perdeu tempo. Eu costumo dizer que a diferença entre posicionamento e imposição, é o tempo. Se a pessoa fala uma coisa no momento certo, ela se posicionou e ela pode atingir os objetivos de uma forma brilhante. Se ela deixou passar o tempo certo, ela vai ter que impor. Impor, na maioria das vezes, é bem mais difícil. Não estou dizendo para quem está nos ouvindo aqui, que se você tem mais de 1 ano de relacionamento, é impossível que você consiga transformar esse relacionamento em algo sério. Mas, é muito mais difícil, porque por mais que a gente tenha mudado, o homem ainda age a partir do seu ímpeto sexual. E quando a mulher consegue usar o ponto máximo desse ímpeto sexual, ela consegue atuar nesse acesso as emoções dele de uma forma muito mais assertiva. O que prejudica muitas mulheres com relação a esse tempo, é tentar achar o momento certo a partir do comportamento do home, ou sempre acreditar naquele cara que está brincando com os sentimentos dela, que fala assim, “não estou no emprego que eu quero, ou não estou pronto para isso, ou acabei de terminar”. Que fique claro para todo mundo que está ouvindo a gente, não estou pronto, não estou no emprego que eu quero, acabei de terminar, é tudo não, não, não e não. Não, melhor você sair fora, você está perdendo tempo. Diferente disso, você sempre vai pensar o seguinte, o cara não consegue lidar com o lado emocional dele, principalmente o jovem. Quando a mulher chega para esse cara e diz assim, vamos mudar, ao invés de ser essa ficada aqui, vamos transformar isso aqui em algo realmente sério, planejar um futuro, o que que essa mulher está dizendo para ele, ela está acessando o emocional dele, algo que ele não está acostumado a acessar. E fala, eu gosto dessa mulher, eu tenho sentimento por ela? Porque eu tenho tesão, não é sentimento. E a maioria dos homens corre. E o ideal é quando a mulher consegue fazer isso de dentro para fora. Ela precisa usar o ímpeto sexual dele, para poder chamar ele para dentro da relação. Então ela tem que fazer, propor isso, existem várias maneiras e aí a gente entra com reais estratégias a partir de cada caso, para que ela use isso para transformar. Quando ela perde, acaba nisso que você disse, nesse sofrimento por irresponsabilidade emocional. Eu não quero ser o cara bonzinho aqui, que passa o pano nos homens e diz, não gente, o homem não sabe lidar com os seus sentimentos. Às vezes ele erra, não percebe o quanto ele está prejudicando a vida da mulher. Mesmo que ele não perceba, ele não tem direito de fazer isso. Então, é muito difícil para a pessoa que já está envolvida emocionalmente dar um ponto final, e dizer, eu não aceito mais se for dessa forma. E as vezes quando diz, o cara sai pela tangente e a pessoa sofre mais ainda. Então, o grande conselho é se ligar ao tempo, tempo faz toda a diferença nesse jogo.

Luciano Pires: E não tem uma receita, né? Esse negócio do tempo tem receita?

Thiago Ferraz: Tem, não de tempo, eu não tenho aquela coisa do, com 2 meses. Mas, tem uma receitinha, essa eu passo na minha mentoria inclusive, quem estiver ouvindo é só mandar quero no meu Instagram, que eu explico para vocês como que funciona, como que a gente acessa o emocional do homem de dentro para fora.

Luciano Pires: Quanto tempo você está nessa estrada?

Thiago Ferraz: 2 anos.

Luciano Pires: E isso vem evoluindo, vem crescendo?

Thiago Ferraz: Demais. Eu fiz até um show agora.

Luciano Pires: Meu Deus, estou sabendo do show. Mas a quantidade de gente que te procura, a maior parte é mulher, é homem?

Thiago Ferraz: 95% mulher.

Luciano Pires: Mulheres.

Thiago Ferraz: Depois que eu comecei a fazer conteúdo com a Cris Paiva, a minha namorada, ela que é uma pessoa que tem um contato emocional muito forte nas redes sociais, as palavras dela geram conexão com muitas pessoas, aumentou muito meu público masculino. Então, eu tenho recebido demandas de homens, mas eu atendo muito mais mulheres do que homens.

Luciano Pires: Que interessante, e idade?

Thiago Ferraz: Aí varia de tudo, de 22 a 70 anos. Não tem uma idade. Eu podia dizer que está ali perto, entre 35 a 40, mas varia muito, muito mesmo. E é muito bom, o que me deixa mais feliz com isso tudo, é o feedback que eu recebo dos atendimentos que eu faço. Eu não me canso assim. Lembra, a gente contou toda a história da minha vida até aqui, passando por grandes empresas, formação em engenharia, e eu sei, eu faço ou não faço o que eu tenho vontade? Até que eu chego num ponto de ver uma pessoa chorando na minha frente, dizendo assim, “cara, conversar com você mudou minha vida”. Esse papo aqui de 1 hora, eu sei que existe uma metodologia, mas parece que Deus te colocou na minha frente para me dizer isso, que eu precisava. Eu recebo muito feedback positivo emocionante, que realmente naquele momento tudo que eu vivi, tudo que eu passei, faz todo o sentido. E eu tenho certeza que aquele Thiago lá em Belford Roxo, com duas granadas na mesa no meio de uma reunião, tirou muita coisa boa de lá para trazer para cá.

Luciano Pires: Sem dúvidas, você só é o resultado daquilo tudo, cara. Se não tivesse a granada, você estaria fazendo outra coisa, não sei onde, mas não tem como. E aí nós estamos entrando na seara do “e se”. Não tem como lidar com “e se”, né cara? Você foi resultado daquela construção toda, não tem por onde. Mas vem cá, uma coisa que você falou quando a gente se encontrou ali, você falou que você escuta o Café Brasil desde 2006 cara?

Thiago Ferraz: Eu não vou lembrar o ano precisamente, mas eu sei que eu escuto o Café Brasil desde que você tinha o programa de 5 minutos na Transamérica.

Luciano Pires: Sim, isso estamos falando de 2004/2005.

Thiago Ferraz: Isso aí, acho que é 2004.

Luciano Pires: Você está com 39.

Thiago Ferraz: Isso.

Luciano Pires: Tirando 20, quer dizer, você me escuta desde os 19 anos de idade?

Thiago Ferraz: Isso aí.

Luciano Pires: Puta responsabilidade cara.

Thiago Ferraz: Já li vários livros seus, e nós podemos falar daquilo que mais me conectou com você?

Luciano Pires: Claro.

Thiago Ferraz: Para quem segue o Luciano e admira o trabalho dele, ouvir sobre a soma das tolerâncias mudou a minha vida completamente. Eu uso isso até na área emocional. Eu podia explicar aqui, mas eu guardo isso há tantos anos, que eu queria que você explicasse. Não sei se está fresco na sua memória igual está na minha. Você explicou o acidente de 99 na TAM.

Luciano Pires: Então, teve o acidente da TAM, aquele acidente que o avião atravessou a pista e veio a cair, nós estamos pertinho aqui do lugar, inclusive, né? Atravessou a pista, caiu e matou cento e tantas pessoas ao bater em um prédio. E depois que eu estava examinando o que tinha acontecido, eu falei pô, é o limite da tolerância, né? Eu vejo de uma indústria de autopeças, onde a gente lidava com isso, e o que eu conto naquele texto, naquele programa, é que a gente quando lançou um produto lá que era coroa e pinhão do Mercedes Benz, é uma engrenagem que é uma coroa e tem um pinhão girando ali, aquilo tudo vai muito apertado dentro da caixa, e as vezes se você está com… as peças nunca saem da máquina com a mesma dimensão, elas têm uma pequena variação, e essa variação chama tolerância. Então olha, ela tem que ter 10 milímetros, mas ela pode ter 10,1, ou 9,8. Esse de 9,8 para 10,1, é a tolerância, então há um limite até um ponto em que passou disso, a peça é descartada porque ela está fora do limite de tolerância. Só que se você pega um pinhão com a tolerância máxima junto com uma coroa, com a tolerância máxima também, os dois ficam tão apertados, que não gira. Então, eu aceitei, está toda a tolerância, só que se pegar os dois no mínimo, fica muito folgado. E eu explico aquele acidente dizendo o seguinte, vamos lá, limite de tolerância, a tripulação estava com horas de voo no limite da tolerância. O avião estava lotado, estava no limite da tolerância. A pista, estava chovendo, com muita chuva no limite da tolerância, as ranhuras na pista não estavam prontas, logo estavam no limite. Tudo, quando você somou todos os limites de tolerância, o avião caiu, deu o acidente ali. Quer dizer, quando você aceita lidar com tudo, vai juntar tanta coisa no limite da tolerância, que dá errado lá na ponta. Então você vai falar, “está tudo certo”. É, mas está tudo no limite, tão no limite, que a soma disso derrubou o avião. É essa explicação que eu botei, era isso, né?

Thiago Ferraz: De lá para cá, apaixonei com esse cara, falei, “não deixo de escutar isso nunca mais”. Eu já sabia o horário do programa, passava acho que 6 e meia da manhã, e eu estava ali indo para a obra, a gente começava a obra as 7 da manhã e nunca mais deixei de ouvir. Depois passou para, eu não sei como, mas eu acho que eu escutei na rádio você dizendo do Café Brasil, e fui atrás.

Luciano Pires: Foi um, aquele programa que estava na Transamérica, não, acho que era Nova Brasil, você ouvia Nova Brasil na época. Depois mais na frente foi Transamérica. Não era?

Thiago Ferraz: Não, porque não existia Nova Brasil em Belo Horizonte, eu não sei como isso chegou em Belo Horizonte, eu sei que era na Transamérica lá.

Luciano Pires: Então foi depois cara, então foi… não foi 2004 não, bom, não importa. Em 2005 eu vou para a rádio com o Café Brasil na Mundial aqui, e não sei se não foi na mundial, mas não era 5 minutos, era um programa de 25 minutos lá. Aí a coisa rodou, e o PodCast surgiu com uma necessidade, como é que eu faço um programa de rádio poder ser ouvido, mesmo quando não foi ao ar? E aí nisso surgiu a ideia do PodCast, mas isso eu estou falando em 2006. Mas o que eu quis dizer aqui, cara, você está com 39, você começou a me ouvir com 18. Então, isso é 20 anos, é muito tempo. Obrigado por continuar.

Thiago Ferraz: Que isso, o prazer é todo meu, e não só ouvir, uma ciosa que você fala muito, todo mundo que me conhece sabe de você, todas as pessoas te conhecem. Tem gente, meu filho mesmo, ele não consegue ouvir o programa Café Brasil, eu tentei tantas vezes, quando ele ouve a vinheta ele já sai da sala. Assim, eu até errei, se eu tivesse introduzido da maneira correta ia ser até legal. Ele não consegue ouvir de tanto que eu tentei. Todos os meus amigos, quando eu contei que eu vinha para cá, muita gente ficou muito feliz por mim. Então quem te escuta há mais tempo, é muito importante passar essa mensagem de que tem um conteúdo aqui, que não pode ser perdido. Quem acompanha o LíderCast e ouviu o LíderCast do Ozires Silva, eu chorei igual menino naquilo ali. Aquela história, aquilo ali, você conta um pedaço do Brasil naquela história.

Luciano Pires: Naquela cadeirinha, que você está sentado nessa cadeirinha aí, cara. Aquilo foi sensacional, não sei se eu vou conseguir fazer outro igual aquele lá. Aquele foi, porque tinha um envolvimento ali, vamos juntar as tolerâncias, né? Tinha um movimento, cara, primeiro que o fato de ele ser de Bauru, ser amigo do meu pai, entendeu, então tudo veio trazendo. E tem uma história, que é, não dá para repetir mais aquilo. Mesmo que aparecesse hoje um outro cara com o mesmo espírito, seria impossível fazer o que ele fez naquela época, porque havia quase que uma inconsequência. Lembra a história que ele fala de o general abrir o mapa e falar, vai ser aqui. Vai lá, se vira, faz a Embraer e põe ali. Eu preciso de dinheiro. Toma o cheque aí, e se vira. E ele contando, indo no banco e abrindo uma conta, para uma empresa que não existia. Cara, é muito louco isso, tem um grau de confiança nesse processo aí, que é inacreditável, é coisa que eu não consigo ver mais hoje em dia, não dá mais, a sociedade não aceita isso mais, abrir uma planta e falar vai ser aqui. Mas legal cara. Bom, você está em Belo Horizonte, então você fica lá?

Thiago Ferraz: Fico lá.

Luciano Pires: E vem para cá?

Thiago Ferraz: Eu vim para cá para ver a Cris, e como ela tem muitos compromissos aqui midiáticos, eu estou sempre acompanhando ela com tudo isso. A gente pensa em fazer algumas coisas juntos, mas então eu venho por amor.

Luciano Pires: Você mudou sua vida para falar de amor. Como é que foi essa chegada na Cris cara, como é que aconteceu isso? Ela foi fazer um show?

Thiago Ferraz: Não, ela me cantou no Instagram. Eu fiz um vídeo que viralizou muito, que eu estava quebrando, tentando quebrar a tela do telefone, e dizia assim, eu estava batendo assim, tinha uns amigos atrás, e eles falaram, “o que que você está fazendo, Thiago?”. E eu respondi, “estou tentando quebrar a tela desse telefone para dar um beijo na boca dessa moça aí”. Teoricamente, a moça que estava vendo o vídeo. E esse vídeo viralizou como nenhum outro vídeo, foi o vídeo mais sucesso da minha conta, chegou em outras pessoas que publicaram, mas ela me respondeu assim, “já tirei a película da minha tela, já pode vir aqui quebrar”. E aí eu falei, e aí bom, já trabalhava com isso, pensei, então agora Thiago, chegou o nosso momento, vamos fazer isso aqui dar certo, porque eu já seguia, já admirava, já gostava, já conhecia, já gostava e já admirava. Claro que nunca tinha mandado nada para ela, o que me ajudou muito, e partiu dela. Mas, quando ela viu que eu já seguia, com certeza ela ficou mais confiante em mandar, sentiu mais à vontade. Quando ela mandou, eram 3 e meia da manhã, de uma quarta-feira. E eu vi, eu tenho umas insônias de vez em quando, vi, só que eu pensei, ela deve estar bêbada, artista, deve estar com as amigas dela falando, “esse novinho aqui na internet, eu vou sentar nele”. Pensei. Aí eu falei, cara, o que que eu preciso fazer? O que que eu quero com essa mulher? Que é justamente tudo aquilo que eu ensino, vamos entender o que que a gente quer nessa relação. Bom, eu quero conhecer essa mulher, porque eu tenho muita coisa para conversar com ela, que eu adoro o conteúdo dela. Então, tem que ser mais profundo. O que que eu vou fazer? Vou esperar ela acordar, para ver se era uma brincadeira, ou se ela quer realmente me conhecer. Se é só um beijo, ou se ela gostou também do que ela ouviu ali. Quando eu a vi online no outro dia, mandei mensagem respondendo, falando, “me fala seu endereço que eu vou aí então te dar esse beijo”. Ela falou, “mas eu moro em São Paulo”. “Não, não tem problema nenhum, só me passa o endereço que eu chego aí”. E a partir daí, minutos depois, a gente fez uma chamada de vídeo, que é superimportante para saber com quem que a gente está lidando.

Luciano Pires: Já na hora assim? Já foi…

Thiago Ferraz: Eu propus para ela, e ela também gostou da ideia, de a gente se certificar com quem a gente estava falando. Porque então vamos marcar? Vamos. Não vou lembrar dos detalhes da conversa, mas eu fui extremamente direto, uma vez que eu já tinha decidido o que eu queria. E quando ela me deu o feedback positivo, eu falei, então beleza, eu quero fazer uma chamada de vídeo, para a gente certificar de que está falando com a pessoa, e fizemos. Naquele momento, a coisa já mudou completamente.

Luciano Pires: Vem cá, homem fazer uma chamada de vídeo, homem passa a mão no cabelo e abre o vídeo e sai falando. Mulher não abre vídeo assim, abre o vídeo. Espera aí que eu vou dar um trato, etc. e tal.

Thiago Ferraz: Exatamente.

Luciano Pires: Ela tem essas…

Thiago Ferraz: Claro, não foi na hora. Foi exatamente isso que você está dizendo, primeira coisa, a gente precisa, quando vai propor uma chamada de vídeo, deixar claro que está todo mundo vestido e que é uma coisa respeitosa, porque muita gente tira a roupa achando que vale tudo. E é obvio que ela me pediu esse tempo para dar uma produzida, que faz parte do universo feminino. E depois dessa conexão, a gente não conseguiu mais parar de se falar, e aí quando a gente começou a se falar, essas conversas duravam 3, 4 horas. E tudo encaixava muito. Aí eu vim para São Paulo para ficar 1 dia. Outra estratégia, pensei, se for bom ela vai lembrar que foi bom, se foi ruim dá para corrigir, que é 1 dia só. Maravilha, fiquei 5 dias. A gente ficou 1 dia, eu tinha a passagem comprada para o segundo dia, ela falou comigo, não vai embora não, fica aqui. Por milagre, a agenda dela ficou livre de quarta a domingo, ela trabalha muito e várias coisas aconteceram naquela semana. Ela falou, vamos lá para casa, você fica lá esses 4 dias. Eu falei, “você está ficando doida, você nunca me viu”. Eu não preciso te conhecer mais não, já entendi que você é uma pessoa boa, e não tenho medo de te levar para casa não. E aí fiquei 5 dias, daí para frente com 1 mês a gente estava namorando, eu fiz um pedido de namoro que também viralizou, foi fantástico, em uma das minhas cabanas. O pedido fantástico, viralizou, e a gente começou a realmente ter um relacionamento sério. Eu tenho um filho adulto, ela tem uma filha adulta, nossas famílias são muito parecidas, então a gente vive momentos muito parecidos da vida. Então deu um match muito certo, e muito bom.

Luciano Pires: Como é que a distância funciona para vocês? Ela é um… ela funciona como algo a ser vencido, ou como aquele componente que ajuda a gente a criar mais, cara, quando eu encontro eu estou mais disposto, eu quero ver, eu estou com saudade, eu não estou vivendo o dia a dia ali, como é que a distância funciona?

Thiago Ferraz: Hoje está funcionando, ajudando muito a resolver as nossas diferenças. Somos dois adultos com a vida já completamente trilhada, a gente já sabe o que quer, cheio de manias e cheio de defeitos. E ter essa distância facilita demais essa conexão. Mas, eu recebo muito essa demanda do relacionamento a distância, e o que eu penso sobre isso é o que eu faço da minha vida. É possível você se relacionar a distância quando você tem um planejamento, mesmo que a longo prazo, para que essa distância diminua. Então hoje nós dois estamos trabalhando para diminuir essa distância. São várias maneiras, então a gente ataca tudo, para ver se uma dessas vai dar certo. E eu acho que não só o meu relacionamento, mas quem estiver se relacionando a distância, que tiver nos ouvindo, se não tem um planejamento para não terminar essa distância, possivelmente esse relacionamento não vai dar em nada. Quando der a gente se encontra, não vai dar em nada. Mas hoje tem ajudado demais Luciano, essa distância. Então tá bom, cansei, estou indo embora, é muito bom.

Luciano Pires: Isso é liberdade cara, chama-se liberdade isso. É sensacional. Cris, vai fundo aí, que o novinho aqui.

Thiago Ferraz: Nossa diferença é bem pequena, são só 3 anos, mas eu brinco que eu ou novinho.

Luciano Pires: Mas é. Mas legal cara, e aí, vem o livro?

Thiago Ferraz: Pois é, eu vim alar com um cara que já publicou vários livros, ver se eu pego umas ideias aqui para ver como é que eu faço, mesmo sem CNPJ, como é que eu faço esse livro.

Luciano Pires: Não tem problema, fazer livro não é difícil não, fazer livro é a coisa mais fácil do mundo. Só não espere que ele vá vender, e vá fazer muito barulho. Você já está com meio caminho andado, porque tem um monte de gente seguindo e tudo mais, mas cara, o livro virou um negócio complicadíssimo. De novo, tem tanto, e os canais de distribuição acabaram cara. Qual é o programa de televisão onde você pode levar seu livro, fala para mim?

Thiago Ferraz: Não me vem nada em mente.

Luciano Pires: Acabou, cara, acabou. Jô Soares morreu, acabou o programa dele, não tem mais. Onde é que eu anuncio livro? Me fala da grande rede que eu posso botar meu livro? Acabou. Então, o mercado do livro deu uma degringolada aí, ficou bem complicado. Mas, quem tem internet e quem está atuando bem nela, tem um caminho bem legal ali, porque você já tem um público cativo, já tem seu canal, então você tem um holofote grande ali. Agora, executar o livro em si, a parte industrial do livro, isso é bobagem cara. É a coisa mais fácil do mundo, eu te dou 10 dicas. Você já tem ele na cabeça?

Thiago Ferraz: Tenho.

Luciano Pires: Então é só fazer, terminando aqui eu vou te dar umas dicas.

Thiago Ferraz: Maravilha, eu quero muito.

Luciano Pires: Mas qual é o projeto à frente? Vai pintar um CNPJ do coach?

Thiago Ferraz: Olha, muita gente me procura, na verdade eu conversei com duas pessoas que realmente queriam fechar esse curso, ao invés de ser a mentoria individual, vender esse curso para muita gente, comprar o gravado. E eu não consegui me conectar a essas pessoas Luciano, eu sou aquele cara, eu estou falando de gente muito grande, sabe? Eu sou aquele cara que não faz mais nada por dinheiro única e simplesmente por dinheiro, ou por ser uma pessoa que vai, que está abrindo mercado. Tem que fazer sentido para mim, tem que estar dentro daquilo que eu acredito, e eu estou tendo dificuldade de me conectar com as pessoas nesse ponto, de realmente cara, vamos trabalhar? Vamos. Não é sobre quanto vou ganhar, mas tem que fazer sentido. E a maioria das pessoas, maioria dos coachs, essa galera que vende o conteúdo gravado na internet, tem uma métrica, olha, agora você tem que fazer live assim, assim e assado, você tem que falar isso, tem que falar aquilo, tem que esquentar seu público. Não, não vou fazer, não quero fazer, posso estar fazendo amanhã, mas da forma que me propuseram, eu não vou fazer.

Luciano Pires: Sim.

Thiago Ferraz: Se alguém me convencer de uma outra forma, ou eu sentir que vale a pena, beleza. Mas, desse jeito…

Luciano Pires: Eu passei por tudo isso aí cara, isso são momentos de… o mercado mudar, ele mudou de novo, ninguém mais tem saco para isso tudo, e eu não sei qual é o caminho ainda. Mas, eu acho que em algum momento, essas coisas vão se encaixar, e essa… A última vez que o cara mandou para mim, ele mandou 163 passos que eu tinha que fazer antes de lançar meu curso. E ali tinham 12 vídeos, 125 e-mails, não sei o que. Cara, eu vou passar o dia inteiro fazendo isso? Não, e anda com isso na mão, toda hora você grava. Bicho, desculpa, eu tenho uma vida para viver, não dá, e acabou que eu parei por causa disso também. O processo, o maldito processo, a burocracia, falei não dá cara, e também dei uma caída fora. Mas aí te dou umas dicas também, a gente fala aí. Cara, bem-vindo, obrigado pelo papo. Interessante a sua mudança, essa sua virada de o engenheiro que fazia casas para o cara que constrói relacionamentos, é legal, é interessante. É até um simbolismo bem legal, dá para você botar o nome, o engenheiro do amor. Quem quiser encontrar, vamos lá, o mais difícil agora, como que é? Arroba o que?

Thiago Ferraz: @thiagoferraz.

Luciano Pires: É único cara, não tem um monte de Thiago Ferraz lá?

Thiago Ferraz: Pois é, eu consegui esse arroba. Eu consegui porque eu tinha ele há muito tempo, sou um cara ligado à internet há muito tempo.

Luciano Pires: Esse é o canal, @thiagoferraz no Instagram?

Thiago Ferraz: Isso.

Luciano Pires: Tá bom, então espero que você que está nos ouvindo aí.

Thiago Ferraz: E @cabana.we, que é a minha empresa.

Luciano Pires: Vou conhecer lá, um abração cara.

Thiago Ferraz: Valeu demais, prazer estar aqui.