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Luciano Pires -

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Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo, com gente que faz acontecer. No episódio de hoje temos Kathia Alves, uma paulistana que se vê grávida aos 16 anos e precisa se virar. Mesmo sem terminar o segundo grau, começa uma jornada de empreendedorismo, na base da tentativa, erros e acertos. No meio do caminho, Kathia tem contato com o programa Empretec do Sebrae e, mais à frente, com um curso de gestão da Fundação Getúlio Vargas. Pronto! Hoje ela é CEO da VIP Solutions, empresa de tecnologia de voz em nuvem, que se prepara para integrar a Inteligência Artificial a seus processos. Uma história de empreendedorismo à brasileira, daquelas que a gente gosta de contar. Muito bem, mais um LíderCast, eu começo sempre contando como que no caso a minha convidada chegou aqui. Eu estou eu trabalhando, quando chega uma mensagem da Hug Comunicação dizendo mais ou menos assim, “cara, estou com uma convidada imperdível, olha que é que é”. “Como que é? Qual é a história dela?”. “É uma empreendedora, assim, assim, assado”. Eu falei, “pode parar, manda que a gente vai conversar”. Então estamos aqui, nesse comecinho de janeiro de 2024, abrindo o ano, eu vou começar com 3 perguntas que são as únicas que você não pode errar. Como você é mulher, eu abro mão de uma delas, se você não quiser responder você não precisa, mas a pergunta vai ser feita igual, depois você pode chutar à vontade. Essas 3 você vai lá. Preciso saber seu nome, sua idade e o que que você faz.

Kathia Alves: Ah legal, obrigada, muito obrigada, feliz ano novo. Obrigada por ajudar nessa questão feminina, não precisa falar da idade. Mas, eu sou a Kathia Alves, tenho 43 anos e está tudo bem, mãe de 22 filhos e avó de 3 netos.

Luciano Pires: Avó com 43 anos de 3 netos?

Kathia Alves: Com 3 netos, a gente vai falar dessa história.

Luciano Pires: Sim.

Kathia Alves: Não se preocupe. Nb tgyy

Luciano Pires: Começou cedo você.

Kathia Alves: Pois é, e estou CEO da VIP Solutions.

Luciano Pires: VIP Solutions.

Kathia Alves: Isso.

Luciano Pires: Vamos contar essa história então aqui. Você nasceu onde?

Kathia Alves: Eu nasci em São Paulo.

Luciano Pires: Capital?

Kathia Alves: São Paulo, capital, lá no Perola Byington, e hoje sou de São Caetano do Sul, ABC Paulista.

Luciano Pires: ABC, está ali do ladinho. Tem irmãos?

Kathia Alves: Tenho 1 irmão, que inclusive é meu sócio.

Luciano Pires: Que legal.

Kathia Alves: Irmão mais novo.

Luciano Pires: Você tem família?

Kathia Alves: É, tenho família, ele está comigo já há mais de 20 anos.

Luciano Pires: Também nasceu em São Paulo?

Kathia Alves: Sim.

Luciano Pires: Tudo aqui?

Kathia Alves: Todo mundo aqui.

Luciano Pires: Seu pai e sua mãe faziam ou fazem o que?

Kathia Alves: Então, minha mãe já é aposentada, meu pai ainda trabalha, são separados, eles separaram quando eu tinha 7 anos de idade.

Luciano Pires: Caramba, 7 anos.

Kathia Alves: É, não foi tão fácil, não é um relacionamento amigável que eles têm.

Luciano Pires: Ainda não tem?

Kathia Alves: Ainda não tem.

Luciano Pires: São 36 anos depois da separação?

Kathia Alves: É, 36 anos depois.

Luciano Pires: Ainda não é amigável?

Kathia Alves: Não, ainda não é amigável, e a gente sabe o que acontece, né? Eu sou a mais velha, e apesar de ser mulher, vamos ter as responsabilidades aí de uma vida adulta.

Luciano Pires: Como é que é para uma criança de 7 anos ver pai e mãe, você entendeu o que estava acontecendo?

Kathia Alves: Nada, absolutamente nada. Eu lembro exatamente do dia, eu estava sentada no sofá fazendo minha lição de casa em um domingo de manhã, meu pai sentou do meu lado e falou, “olha, papai está indo embora, mas eu vou continuar te vendo, mas agora eu vou morar em outra casa”. “como assim?”. E daí começou.

Luciano Pires: Você não tinha nem pistas de um relacionamento estranho, nada disso?

Kathia Alves: Nada. Não, eles tinham muitas brigas, eu não entendia muito bem o motivo, mas depois com o tempo a gente vai começando a encaixar ali as pecinhas do jogo, e eu entendia as questões relacionadas a traição e tudo mais. Mas, é complicado.

Luciano Pires: Eu imagino, para uma criança de 7 anos. Se ele não foi embora, pelo menos no dia dos pais ele estava lá?

Kathia Alves: É, alguns estava, alguns momentos.

Luciano Pires: Como era seu apelido quando era criança?

Kathia Alves: Eu sempre tive Ká, Katita, agora graças ao Latino virou Katchaça.

Luciano Pires: O que que a Ka queria ser quando crescesse?

Kathia Alves: Eu sempre tive muito essa questão de liderança. Minha mãe fala que quando eu brincava eu sempre tomava à frente das coisas, das brincadeiras, trabalho de escola, sempre eu me virava para fazer, mesmo que existia um grupo. Então, eu gostava muito de brincar de escritório, sabe quando você pega a folha de sulfite, você dobra ela na pontinha e finge que é uma máquina de escrever?

Luciano Pires: Sim.

Kathia Alves: Fazia muito isso, brincava de escolinha, dava aula para o meu irmão. Então, a gente se criou muito junto, porque era só nós 3, então eu brincava muito com ele. E é engraçado, porque eu nunca gostei de brincar de boneca, eu nunca gostei de boneca.

Luciano Pires: Era meio moleca?

Kathia Alves: Totalmente.

Luciano Pires: Mas a ideia, quando eu crescer eu quero ser o que? Dona da firma?

Kathia Alves: Não falava dona da firma, mas queria fazer alguma coisa sozinha, queria fazer algo, eu ainda não tinha… pensei em advocacia, tinha algumas pessoas como referência, achava muito legal. Mas, nunca tinha em mente exatamente ser empresaria, muito pelo contrário, até por conta de criação, cultura, essa questão de você empreender, “como assim, não vai ter carteira assinada? Não vai ter benefícios?”. Então, era algo muito distante da minha realidade. Mas, eu sempre pensei em fazer algo, algo que eu pudesse por, a me dedicar, mas sempre pensei em algo sozinha.

Luciano Pires: Você foi para a escoa, você fez universidade, fez faculdade, alguma coisa assim?

Kathia Alves: Deixa eu te contar uma história?

Luciano Pires: Claro, nós estamos aqui para ouvir histórias.

Kathia Alves: Eu não tenho 2º grau completo.

Luciano Pires: Nem o 2º você completou?

Kathia Alves: Não, porque eu tive filho cedo, eu tive minha filha com 16 anos. Que acaba se tornando uma consequência. Com 7 anos, eu comecei a cuidar do meu irmão. Tinha um episódio onde a minha mãe me deixava sentada na cama, olhando para um relógio, era aquele rádio relógio que era analógico, então ia passando as horas. Meu irmão trocado do lado, “Kathia, quando for 7:00 você leva o Jé para a escola tá?”. “Tá bom mãe”. Dormi. Quando eu olhei no relógio, 7:05. Aí minha mãe, no final do dia, “Kathia, por que você não levou o Jé para a escola?”. Falei, “mãe, eu olhei para o relógio, estava 7:05”, eu não sabia se era muito, se era pouco, mas não era 7:00, e eu não levei meu irmão para a escola. Isso é só o início do que eu tive que me acostumar a cuidar do meu irmão, a esquentar, minha mãe deixava em uma panela só arroz, feijão e a mistura que tivesse. Eu colocava o ouvido pertinho da panela, porque ela falava, “quando tiver chiando, é que está quente”.

Luciano Pires: Ficava os 2 sozinhos em casa?

Kathia Alves: Os 2 sozinhos em casa.

Luciano Pires: Seu irmão é mais novo quanto tempo?

Kathia Alves: 4 anos.

Luciano Pires: Então ficava uma menina de 7, e um menino de 3?

Kathia Alves: 3 anos. E aí com…

Luciano Pires: E a mãe ia trabalhar?

Kathia Alves: Ia trabalhar. Ela chegava, a gente estava dormindo.

Luciano Pires: Deixa eu conversar com uma mãe assim para saber como é que faz, como que você faz para ir trabalhar, sabendo que sozinha em casa.

Kathia Alves: Dona Marlene, é.

Luciano Pires: Hoje em dia quando a gente sai e deixa o cachorro sozinho, já é um… meu Deus. Imagina deixar duas crianças sozinhas.

Kathia Alves: Para trabalhar, porque tinha que correr atrás do sustento, para sobreviver.

Luciano Pires: Isso te amadurece.

Kathia Alves: Muito rápido.

Luciano Pires: Porque de repente você tem que ter uma responsabilidade ali.

Kathia Alves: Muito rápido, e por consequência, engravidei com 16 anos.

Luciano Pires: Espera aí, o que que tem a ver a consequência com isso?

Kathia Alves: Porque eu tomei muitas responsabilidades, e comecei a ter uma certa liberdade aos 13 anos, de sair, de me envolver com namoradinho na escola, de poder trazer um namorado para casa.

Luciano Pires: Já que a mãe não estava lá.

Kathia Alves: Então com 14… quando ela não estava também, mas deixa isso para lá, essa parte onde não estava. Mas, eu comecei a namorar cedo, porque até então eu comecei a trabalhar com 13 anos. Com 13 anos, eu fui trabalhar em uma livraria. Então, foi um dos primeiros trabalhos que eu tive.

Luciano Pires: E começou a ganhar seu dinheirinho.

Kathia Alves: E aí eu comecei a ter uma certa independência, uma certa liberdade, comecei a namorar, o namorado frequentava a minha casa, com 16 anos eu engravidei. Na verdade, eu engravidei com 15, minha filha nasceu dia 23 de março, dia 27 eu fiz 16.

Luciano Pires: Que idade ele tinha, o pai?

Kathia Alves: Ele era, eu estava com 15, ele era 4 anos mais velho que eu.

Luciano Pires: Ele estava com 19?

Kathia Alves: 19 anos.

Luciano Pires: Então ele já era maior de idade, transando com uma menor de idade, o que o colocaria na cadeia sem dúvida nenhuma.

Kathia Alves: Casei.

Luciano Pires: Mas então, você não vai pular essa história. Como é que você descobriu que você estava grávida? Você suspeitou?

Kathia Alves: Então, suspeitei.

Luciano Pires: Não, tipo assim, antes de sentir qualquer coisa.

Kathia Alves: Não.

Luciano Pires: Vocês foram, transamos, não sei o que, ascendeu uma luzinha, “acho que deu merda”?

Kathia Alves: Não, não ascendeu.

Luciano Pires: Desculpe o “deu merda”.

Kathia Alves: Sim, lascou, tudo bem. Quando o corpo começou a mudar, e eu já trabalhava, eu falei, algo de errado não está certo por aqui, estou me sentindo meio diferente. Só que assim, periferia da zona leste, já trabalhava das 8 da manhã as 6 da tarde, pegava transporte público, então era quase 2 horas para ir e 2 horas para voltar. E médico? Não tinha convenio, vou marcar consulta como? Como é que faz?

Luciano Pires: Sua mãe estava junto?

Kathia Alves: A minha mãe morava comigo, eu morava com ela.

Luciano Pires: Você contou para ela?

Kathia Alves: Não, deixa eu te contar o que aconteceu. Falei cara, na época, o pai da minha filha, falei, “João, negócio é o seguinte, eu acho que deu ruim aqui”. “Sério?”. A gente começou a se planejar, porque eu falei, a hora que eu contar isso, lembra aquela história, eu vou contar a minha mãe vai me colocar para fora de casa. Era assim as histórias. E a gente se preparou para isso, para contar para ela, eu contei para a minha mãe no dia 05 de janeiro. A minha filha nasceu dia 23 de março.

Luciano Pires: 2 meses depois.

Kathia Alves: Eu ia trabalhar, porque eu ficava o dia todo fora trabalhando, eu trabalhava em pé, minhas pernas inchavam porque estava trabalhando em pé.

Luciano Pires: Quando você contou para a sua mãe você já estava com 6 meses. Não dava para ver ainda que…?

Kathia Alves: 6 meses, e nenhuma consulta.

Luciano Pires: E nada de…?

Kathia Alves: Nenhuma consulta.

Luciano Pires: O João não foi com você?

Kathia Alves: Nada, imagina, não tinha nem noção do que fazer, de como fazer, por onde começar, nada. Ninguém sabia.

Luciano Pires: E a noção anterior, ninguém contou para você que se botasse aquilo naquilo, podia dar…

Kathia Alves: Contou, contou. Mas a gente acha que nunca vai acontecer com a gente.

Luciano Pires: Tudo certo.

Kathia Alves: Não vai acontecer, imagina. E foi. Minha filha nasceu, quando eu contei para a minha mãe, eu lembro que ela chorou por 1 hora, eu já estava preparada para ir embora, eu já estava com um dinheirinho guardado de um salário para ir embora. Aí ela volta, agora tem que ver enxoval, passar no médico, e aí…

Luciano Pires: Ela começou a fazer coisas de adulto que até então você não fazia.

Kathia Alves: É, foi onde eu fui fazer consulta, mas praticamente minha filha nasceu sem pré-natal.

Luciano Pires: Bom, temos um insight interessante aí, né? Porque quanto tempo entre descobrir que estava grávida. Espera aí, como que é que você descobriu que estava grávida, se você…

Kathia Alves: Quando a minha menstruação parou.

Luciano Pires: Ali você falou, bom, então foi. Então quanto tempo entre descobrir que estava grávida, até você contar para a sua mãe?

Kathia Alves: Tem uns 5 meses.

Luciano Pires: Quer dizer, 5 meses você deixou de fazer um pré-natal?

Kathia Alves: Eu ia trabalhar de calça jeans, apertava, entrava dentro do ônibus e soltava a calça. Apertava de novo e ia trabalhar. Meu chefe também não sabia, aí eu contei, no dia que eu tive a minha filha eu fui trabalhar. Era um sábado, eu trabalhava em uma livraria, e cheguei lá com dor, saí de manhã e falei mãe, estou com dor. Ela, toma um Buscopam, vê se melhora. Fui trabalhar, meio dia eu falei, não estou aguentando. Aí o chefe, vai embora senão você vai parir essa criança aqui. Fui para casa, vamos no médico, fui lá no Hospital Santa Marcelina, lá em Itaquera, fui lá no hospital, “vamos internar”. Oi?

Luciano Pires: Já vai nascer.

Kathia Alves: Oi? Como assim?

Luciano Pires: Você tinha feito a conta? Estava no timing?

Kathia Alves: Imagina, para mim eu estava de 6 meses.

Luciano Pires: Meu Deus do céu.

Kathia Alves: Olha as loucuras.

Luciano Pires: Olhando isso tudo que você passou, imagina que tem uma menina de 15 anos nos ouvindo aqui agora, e que corre o risco de passar por uma situação parecida com essa. O que que você diria para ela hoje?

Kathia Alves: Fale.

Luciano Pires: O mais rápido possível.

Kathia Alves: Fale, fale porque não só você está colocando em isco a vida desse bebe, mas a sua também, porque existem uma série de complicações que você pode ter nesse meio tempo. Então assim, já aconteceu, se já aconteceu, vamos tratar.

Luciano Pires: Sim, vamos fazer com que seja… sim.

Kathia Alves: E uma coisa que a minha mãe falou, ela falou, “criança é sempre uma benção. A gente não está falando de uma doença”. Então, a gente não está falando de algo ruim, é uma criança.

Luciano Pires: Sua mãe chegou do trabalho, foi trabalhar, voltou do trabalho e virou avó.

Kathia Alves: Tipo isso.

Luciano Pires: 3 meses depois ela estava com o neto no colo. Quer dizer, você deu um upgrade na vida dela que foi uma doideira.

Kathia Alves: Minha filha hoje tem 27 anos.

Luciano Pires: Como chama ela?

Kathia Alves: Isabela.

Luciano Pires: Isabela.

Kathia Alves: 27 anos, e chegou, foi essa loucura.

Luciano Pires: Você casou?

Kathia Alves: Casei, casei no cartório, igreja, polícia, onde podia casar, eu casei. Minha mãe fez eu casar, fez meu enxoval.

Luciano Pires: Ele não teve problema nenhum?

Kathia Alves: Na família? Imagina, família grande, sabe, vem mais um e vamos.

Luciano Pires: Você foi incorporada na boa?

Kathia Alves: Superacolhedora.

Luciano Pires: Que legal.

Kathia Alves: Foi muito legal.

Luciano Pires: Está com ele até hoje?

Kathia Alves: Não.

Luciano Pires: Tá.

Kathia Alves: Estou no terceiro casamento.

Luciano Pires: Vamos lá, é uma empreendedora.

Kathia Alves: Sou uma empreendedora.

Luciano Pires: Mas aí, uma menina de 16 anos com filho no colo, e marido. Vocês foram morar juntos os dois?

Kathia Alves: Sim, casamos, fomos morar juntos.

Luciano Pires: Em uma casinha, tudo mais?

Kathia Alves: Ele trabalhava.

Luciano Pires: Você virou dona de casa então?

Kathia Alves: Entre aspas, porque comecei a empreender praticamente ali.

Luciano Pires: Saiu do trabalho da livraria que você estava?

Kathia Alves: Sim, ele fez as minhas contas, porque a criança tinha acabado de nascer. Saí do emprego, e eu com uma criança de 6 meses, precisava de renda. Peguei na época, a gente está falando de 27 anos atrás, peguei R$ 50,00 com a minha mãe, fui até a região do Brás e comprei meias soquete, cueca, calcinha, todas essas coisas, uma mala. E eu morava na Cohab José Bonifácio, Conjunto Habitacional, tudo que tem ali é prédio.

Luciano Pires: Para quem está nos ouvindo aqui e não é de São Paulo, o Brás é uma região, eu não sei se ainda é hoje, acho que ainda é, mas naquela época era uma região que tinha mil confecções ali. Então era muito claro, e as confecções que faziam roupas legais, que depois recebiam uma etiqueta e iam ser vendidas por 70 vezes mais caras em um shopping center. Mas ali quando a pessoa descobria os canais, então os sacoleiros iam lá, enchiam a sacola de roupa barata e vendiam para todo mundo.

Kathia Alves: É um mundo, o Brás é um mundo, e fui até lá na época com R$ 50,00. Talvez hoje fosse sei lá, R$ 500,00 por exemplo.

Luciano Pires: E voltou com uma mala?

Kathia Alves: Voltei com uma mala, e a minha rotina era, de manhã eu cuidava da casa, cuidava da Isabela, almoçava e saía. A minha rotina era da 1 da tarde as 6 da tarde, bater de porta em porta com uma sacola, oferecendo meia, entrando nos prédios.

Luciano Pires: Você calculou aqueles R$ 50,00 quanto virou?

Kathia Alves: Olha, em 1 semana eu devolvi os R$ 50,00 para a minha mãe, que eu tinha pego emprestado, e fui fazer uma nova compra, porque eu fazia isso de segunda a sexta, e de sábado eu ia atender algumas clientes que me faziam encomendas. Você vai, me traz tal coisa, preciso disso. Percebi que eu conseguia atender um público ali de pessoas com mobilidade reduzida, que não conseguiam descer as escadas do prédio. “você consegue trazer tal coisa? Queria tal meia, queria tal roupa”.

Luciano Pires: Isso na sua região ali, no envolta, na sua redondeza ali?

Kathia Alves: No raio de 2 quilômetros.

Luciano Pires: Evidentemente com CNPJ, emitindo nota fiscal.

Kathia Alves: É claro que não. Era caderninho no fiado, dinheiro.

Luciano Pires: Ká, a quantidade de gente que sentou nessa cadeira aí, e que tem empresas, começa a história igual você, é tudo assim. Teve cara que roubava cavalo, vendia bosta de cavalo, assim, ia buscar muamba no Paraguai, e vinha com tudo. E um belo dia esse cara, e a empresa dele… quer dizer, o começo é o que dá.

Kathia Alves: Pois é. E aí o casamento com o pai da minha filha que é um cara incrível, durou 1 ano e meio, de você olhar e falar, o que é que a gente está fazendo? Existia muita amizade, mas eram duas crianças. Aí foi onde nós rompemos. Já fui caixa de supermercado, nessas andanças vendendo meia, eu peguei uma rede de mercados da região que precisava de uma caixa. Fui lá, fiz meu currículo e fui chamada para trabalhar como operadora de caixa.

Luciano Pires: E aí parou?

Kathia Alves: Parei de vender as meias, e dali foi para outros trabalhos, já fui vendedora de consórcio, nossa, já fui auxiliar administrativo, auditora de ISO 9001, e nessas andanças conheci outra pessoa, pai do meu filho, que já era da área de Telecom, já era da área de PABX.

Luciano Pires: Que ano isso?

Kathia Alves: 98/99.

Luciano Pires: Pré internet então, tudo isso pré internet?

Kathia Alves: Pré internet, telefonista, 98/99.

Luciano Pires: Tá, já tinha sido privatizada a telefonia e tudo no Brasil, né?

Kathia Alves: Telefônica? Já, era Telefônica. Veio de Portugal. E aí entrei, comecei a me relacionar com ele, ele já era da área de Telecom, era o famoso EUpresa, porque ele fazia tudo sozinho, e eu virei assistente de marketing na Honda. Eu nessas andanças aí, sabe como conseguir um trabalho…

Luciano Pires: …sem diploma nenhum?

Kathia Alves: Nada. Eu tinha um amigo, ele gostava muito de Harley, e não tinha dinheiro para comprar uma Harley. E ele gostou muito daquela Shadow, que é um modelo estradeira da Honda. Kathia, eu queria tanto comprar uma dessas, eu vendia consórcio. E consórcio é 100% comissão. Ele, “mas eu queria financiar, não quero esperar o consórcio”. Eu falei, eu vou encontrar uma moto para você. Ele queria um modelo que na época era roxa, linda. Saí caçando nas concessionárias. “Você tem? Quanto custa? Se eu financiar cm tanto de entrada?”, tudo por telefone. O que o pessoal hoje faz na internet, com Mercado Livre, com um monte de site de buscas, a gente fazia em Primeira Mão. Lembra do Primeira Mão?

Luciano Pires: Como não? Eu acompanhei muito de perto o Primeira Mão. Antes dele tinha um outro, eu não me lembro o nome do outro, era bem mais rudimentar. E aí o Primeira Mão, chegou com bala na agulha.

Kathia Alves: Eu acho que eu lembro.

Luciano Pires: Eu não vou me lembrar o nome dele aqui agora.

Kathia Alves: Ele era amarelo.

Luciano Pires: Era os classificados do Estadão, que era, o bicho era aqui.

Kathia Alves: Isso, domingo.

Luciano Pires: Aí surge esse outro pequenininho, e aí vem o Primeira Mão, que o Primeira Mão revoluciona tudo, aquilo era uma loucura cara.

Kathia Alves: E eu fui caçando Shadow.

Luciano Pires: Então, para os meninos novos que nos escutam aqui, que não sabem do que nós estamos falando, eu já falei isso em um programa anterior, porque nós tocamos nesse assunto aqui. O Primeira Mão era um jornal tabloide só com anúncio de classificado.

Kathia Alves: Só com anúncio de compra e venda.

Luciano Pires: Então você tinha para vender ali um computador velho e você ligava lá, botava um anúnciozinho, e a pessoa ia lá e comprava. Então, meu primeiro videocassete, advinha se não foi Primeira Mão? Liga para o cara, vai na casa do cara, faz a compra e vende, era uma doideira aquilo.

Kathia Alves: A primeira guitarra do meu irmão ele comprou no Primeira Mão. Eu lembro que eu cheguei, eu estava subindo as escadas do prédio, meu irmão já estava na janela me esperando para mim ir com ele até a casa do fulano, porque ele comprou a guitarra lá no Primeira Mão. Lá vai eu junto com ele lá para as bibocas, pegar a bendita da guitarra. Aí o cara da Shadow, eu encontrei uma loja que tinha uma condição legal, tinha moto a pronta entrega, falei cara vamos lá, liguei, falei com o gerente, “olha, eu tenho interesse na Shadow, seu vendedor já me deu as informações, e agora eu quero ver com você para levar o comprador até aí, eu quero saber quanto que eu ganho com isso”. O gerente, oi? É sério Luciano.

Luciano Pires: Você foi pedir uma comissão?

Kathia Alves: É lógico, eu estava entregando um cliente para ele, para ele vender uma moto.

Luciano Pires: Eu ia perguntar isso para você agora, mas você está fazendo a troco de que? Você está trabalhando, está gastando tempo aí, só para agradar um amigo, como que é isso aí?

Kathia Alves: Eu cheguei para o gerente, eu não ia cobrar do meu amigo.

Luciano Pires: E aí?

Kathia Alves: Cheguei para o gerente, “quanto você me dá de comissão?”. Ele falou, “vamos conversar, aí eu fui antes, negociei com ele, consegui um trabalho, entrei na Honda”, ele falou, preciso de uma menina dessas.

Luciano Pires: Ele te chamou?

Kathia Alves: Para trabalhar. Ganhei uma comissão.

Luciano Pires: Legal. Então era uma concessionaria, isso?

Kathia Alves: Era. Ganhei uma comissão, entrei na concessionária e vendi a moto para ele. Meu amigo saiu feliz e contente com a moto dele. Nisso, eu trabalhando na Honda, eu estava namorando o pai do meu filho, meu filho tem 21 anos, o Vitor. E ele já era dessa área. Engravidei, a gente casou, tudo, e quando eu tive que voltar da licença, no tempo que eu estava de licença eu ajudava ele no que eu podia ali, eu não conhecia nada tecnicamente, mas mandar uma proposta, falar com fornecedor, coisa simples. E eu ficava muito brava, porque as vezes o pessoal ligava para ele e falava, “você ficou de vir aqui e não veio, você ficou de passar a proposta e não passou”, porque ele não conseguia ter tempo. E eu fiquei, será que eu saio e vou ajudar ele? Fiquei 1 semana, pedi as contas, falei, se não der certo eu arrumo outro trabalho, e fui empreender. Minha mãe quase me matou.

Luciano Pires: Você e ele então?

Kathia Alves: Eu e ele, na empresa dele.

Luciano Pires: Ele tinha uma microempresa?

Kathia Alves: Sim, já tinha, ele tinha um CNPJ, ele fazia já emissão de notas.

Luciano Pires: Era sozinho, era só ele que se virava?

Kathia Alves: Sim, no quarto de casa.

Luciano Pires: Vocês continuaram no quarto de casa, só que dessa vez você…

Kathia Alves: Eu ajudando. Na época eu comprei um Vesper para poder fazer as ligações, ligava para as empresas, “você tem PABX, tem alguém que faz manutenção?”. Comecei a entrar na área. Tinha uma internet discada, para a gente que gosta de tecnologia.

Luciano Pires: O Vesper para quem está nos ouvindo?

Kathia Alves: O Vesper era uma operadora de telefonia, se não me engano da Embratel, e ela fornecia um telefone, como se fosse um celular, mas ela tinha mais cara de um telefone fixo, tinha uma antena gigante daqueles bem antigão, e ele tinha um valor fixo, na época era R$ 79,90 para você falar à vontade. Olha que revolucionário, imagina, 2002 isso, olha isso. E aí eu comprei um Vesper, e no nosso quarto tinha o canto do meu filho, o nosso guarda-roupa e a cama, e tinha um arquivo, uma mesa, um computador, um Celeron 133. Para quem não conhece, o Celeron 133, eu acho que o celular mais básico do mercado…

Luciano Pires: Esse seu relógio que você está usando aí…

Kathia Alves: É mais tecnológico, mais avançado. Tipo isso, e uma internet discada.

Luciano Pires: Cadê sua filha?

Kathia Alves: Minha filha está morando comigo, está ótima e maravilhosa.

Luciano Pires: Não, na história. Porque você falou, eu tinha o quarto do meu filho, cadê ela?

Kathia Alves: Então, minha filha, como eu morava com a minha sogra, minha filha estava com a minha mãe. Ela ficou um tempo com a minha mãe, um tempo com o pai dela, e quando eu saí da casa da minha sogra, eu trouxe ela para morar comigo. Eu falei para ele, eu conversei com o pai dela, falei estou indo, segura aqui, fica com ela aqui, daqui a pouco eu venho buscar. Ela ficou com ele 1 ano e meio, foi o tempo que eu saí da casa da minha sogra, e fui…

Luciano Pires: A empresa de vocês começou a voar?

Kathia Alves: Começou, começou a engrenar. É claro que nada aconteceu de uma hora para outra e nem de um dia para outro. Isso foram anos. Eu lembro até hoje que a minha mãe trouxe, ela queria falar comigo, a gente estava procurando um carro, precisava de um carro, porque para fazer instalação, levar cabo, ferramenta, porque a gente fazia telefonia convencional. Minha mãe, eu falei, “preciso ver um carro”, e a gente estava olhando muito em leilão. Minha mãe chegou um dia e falou, “Kathia, eu preciso falar com você e tem que ser hoje”. Falei, pronto, o que que será que aconteceu? Ela saiu de Itaquera na época, veio até o Ipiranga, 10 horas da noite, ela abriu os bolsos e tirava dinheiro. “Mae, o que que você está fazendo?”. Menina, eu falei para uma moça que recebeu uma indenização, que o marido dela morreu, no trabalho, falei que você precisava comprar um carro e ela emprestou dinheiro, R$ 1500,00 reais”. E aí a gente foi caçar um carro e a gente comprou em um leilão um Monza Hatch 87 vermelho, por R$ 1.900,00 reais. Aquilo era o máximo Luciano, porque a gente não estava mais a pé, e fomos para cima e para baixo. Nisso, meu irmão começou a trabalhar com a gente, porque para passar cabo você precisa de duas pssoas, não dá para fazer com uma só.

Luciano Pires: Vocês estavam fazendo instalação então?

Kathia Alves: Instalação.

Luciano Pires: PABX e tudo mais?

Kathia Alves: Cabeamento.

Luciano Pires: Representavam uma empresa, alguma coisa assim?

Kathia Alves: Não, a gente vendia Intel Brás, Panasonic, Siemens, dependia da necessidade e do bolso de cada cliente.

Luciano Pires: Morava na Santa Efigênia?

Kathia Alves: Não, era mais fácil pedir e eles entregavam. Mas, ali assim, o point de tecnologia estava tudo ali, de cabeamento e tal. Meu irmão começou a trabalhar com a gente para ajudar nessa passagem de cabeamento, eu fazia a parte administrativa, e na época o pai do meu filho começou a fazer a parte técnica e comercial, e ali a empresa começou a caminhar, aí as coisas começaram a acontecer.

Luciano Pires: Já era VIP?

Kathia Alves: Não, ela era VCom, era outro nome. Em 2014, crash total tanto da sociedade quanto do casamento, e aí foi onde eu assumi, eu criei e assumi a VIP junto com meu irmão, porque a gente começou a entender desse movimento de migração da voz para nuvem, para a internet.

Luciano Pires: 14, né, a internet já estava voando.

Kathia Alves: Já estava muito melhor, a gente viu isso em 10/11. E foi onde nasceu a VIP.

Luciano Pires: Então, nesse momento, quando aconteceu, começou aquela virada toda, eu me lembro da primeira telefonia via internet, não me lembro mais o nome aqui, tinha um sistema que você podia falar via internet ao invés de telefonia normal. Tinha uns treco qualquer, não era nem aplicativo na época.

Kathia Alves: Tinha TelexFree.

Luciano Pires: Sei lá, mas começou a ficar claro que alguma coisa ia acontecer ali e isso ia colocar em risco toda uma estrutura antiga, da telefonia antiga ia mudar de alguma forma ali.

Kathia Alves: Exato.

Luciano Pires: Vocês perceberam isso e falaram, cara, nós estamos em risco?

Kathia Alves: Sim, porque a gente enxergava essa movimentação da telefonia indo para a internet, o futuro relacionado à internet, porque na época muito se falava sobre nuvem, Orkut, armazenamento de imagens, então já estava falando muito sobre isso. E a gente enxergava que não era tanto a questão da tecnologia, e sim da infraestrutura de internet no Brasil que era muito difícil fazer isso rodar. Mas teve uma época ali, 2007/2008 que deu aquele boom do Voip, um monte de gente quis fazer, vários se traumatizaram porque não funcionou bem.

Luciano Pires: Inclusive multinacionais, teve grandes cases, Editora Abril, Globo, todo mundo quebrando a cara.

Kathia Alves: Pois é, porque não estava rolando. Então em 2014 nasceu a VIP junto com meu irmão, meu irmão ele é CTO, então ele veio, toda essa parte da telefonia convencional e ele se especializou, ele foi correr atrás do curso, ele foi fazer faculdade, ele entendeu também a necessidade de ir para essa área, e hoje ele está como nosso CTO. Então, toda a parte de sistemas, do que a gente entrega hoje de solução para o cliente, é feito por ele. E aí só uma coisa que a gente esqueceu, eu não tenho 2º grau.

Luciano Pires: Eu ia perguntar para você agora, a dificuldade que você teve por não ter o seu diploma, seu certificado, como que foi?

Kathia Alves: Eu nunca enxerguei essa dificuldade de não ter o diploma, eu acredito que um dos maiores desafios que eu tive foi um pouco da resistência por ser uma mulher à frente de uma empresa de tecnologia. Infelizmente o preconceito ainda existe. Então isso é uma coisa que eu senti bastante, de várias reuniões em que as pessoas me perguntam, “mas a VIP é quem?”. “Depende, você está falando desse projeto? Esse projeto quem vai tocar sou eu, você vai falar comigo”. “Mas tem mais pessoas?”. “Tem uma equipe, tal”, mas você percebia que era difícil você se posicionar como conhecedora do assunto para poder entregar um projeto para uma empresa, principalmente empresas maiores. Era sempre complicado. Então em relação aos estudos não, eu sempre gostei muito de estudar, eu sempre fui muito atrás, e o que aconteceu? Eu vi uma grade, um curso em uma escola muito renomada e eu queria fazer esse curso. Era como se fosse uma pós-graduação.

Luciano Pires: Que escola, pode falar?

Kathia Alves: Na GV.

Luciano Pires: Fundação Getúlio Vargas, você não foi nada menos que a Fundação Getúlio Vargas.

Kathia Alves: Luciano, na hora que eu olhei aquilo, eu olhei aquela grade e falei, eu preciso disso aqui. Preciso saber isso aqui, gestão de negócios.

Luciano Pires: Era uma pós, o que que era aquilo?

Kathia Alves: Eles chamam de PEC.

Luciano Pires: Tá.

Kathia Alves: E eu fui até lá, “não, você não pode, não tem graduação”. Eu falei, “mas eu não quero diploma, eu quero saber, eu quero participar”. E aí foi, passei por entrevista, passei por prova para me qualificar para fazer o curso, e eu fiz 1 ano e meio desse curso, 2014 e 2015.

Luciano Pires: Você conseguiu entrar mesmo sem ter o certificado?

Kathia Alves: Consegui.

Luciano Pires: Você teve que provar alguma coisa para isso?

Kathia Alves: Eu tive que provar que eu tinha condições de acompanhar a turma, eu tinha que ter condições de acompanhar a turma, de ter uma bagagem anterior que me desse condições de acompanhar dali para frente. Eu fiz uma prova e uma entrevista, porque eu já tinha uma empresa, eu já tinha um negócio.

Luciano Pires: Sim, e foi um curso de gestão de negócios?

Kathia Alves: Gestão de negócios.

Luciano Pires: Quanto tempo durou?

Kathia Alves: 1 ano e meio, 2 vezes por semana. Cara, aquilo foi um divisor de águas, quanta coisa eu aprendi, quanta coisa eu coloquei em prática. Aquilo me abriu os olhos para tanta coisa do que a empresa poderia ser, do que ela poderia fazer, e continuo, ainda preciso resolver essa situação da graduação. Isso é uma coisa que hoje não me atrapalha, mas me incomoda hoje. E é uma coisa que eu preciso resolver.

Luciano Pires: Tem um cara aí que não fez curso de merda nenhuma, e é Presidente da República. Então…

Kathia Alves: É, a famosa politicagem.

Luciano Pires: O título honoris causa em tudo quanto é lado. Então você está tranquila, fica tranquila que você vai chegar lá.

Kathia Alves: Mas foi por aí.

Luciano Pires: Quando nasce a VIP, qual é a visão, que visão vocês tiveram? O que que ela era diferente do que tinha até então?

Kathia Alves: Qualidade, serviços, então a gente enxergava as plataformas que estavam sendo entregues de PABX, a grande maioria eram ou soluções open source gratuitas, que alguém ia lá, coloca marca e vendia no mercado, ou eram soluções de fora, que você tinha que representar e na hora que você precisasse de um suporte, de um auxílio, era um Deus nos acuda. Então falei não, a gente precisa ter algo que atenda PME’s, que atenda essas empresas que querem fazer essa atualização tecnológica, que enxergam esses benefícios de você ter gestão, ter controle, ter gravação, ter relatórios para melhorar, para aumentar produtividade, para melhorar atendimento ao cliente.

Luciano Pires: Por que que não era assim na empresa anterior?

Kathia Alves: A empresa anterior estava muito arraigada a questões de infraestrutura, então eu tinha equipe técnica de instalação, eu não tinha uma equipe de programadores.

Luciano Pires: Então, eu estou interessado nesse salto. Não é que você era uma empresa de telefonia que trabalhava com instalação de PABX, etc. e tal, e que ficou melhor, maior, abrangeu mais. Não, você mudou a razão do seu negócio?

Kathia Alves: Total.

Luciano Pires: Como é que chama hoje em dia? Pivotou.

Kathia Alves: Pivotou, muito bem, dicionário das startups. A gente pivotou.

Luciano Pires: O que que foi essa pivotada?

Kathia Alves: Ela demorou uns 2, quase 3 anos para acontecer.

Luciano Pires: Isso não estava na cabeça do seu ex-marido?

Kathia Alves: Estava na cabeça dele também.

Luciano Pires: Vocês já estavam enxergando que…

Kathia Alves: Já, inclusive o início da confecção da nossa plataforma, trazer programadores, começar a desenhar esse projeto e começar a enxergar, começar a dar cara para isso, aconteceu durante a gestão dele. Quando ele saiu da empresa em 2014, já estava 70% pronto, e aí a gente foi para as cabeças e jogou os 30% para terminar e lançar. E de lá para cá, só veio nessa crescente.

Luciano Pires: Vocês lançaram o que?

Kathia Alves: Uma plataforma de PABX virtual, com todos os recursos necessários, até além do que o mercado estava oferecendo.

Luciano Pires: Já tinha isso?

Kathia Alves: Tinha, mas bem… não confiável, não era confiável. Eram servidores que as vezes as empresas colocavam dentro de casa e ficavam dependentes de um único programador que sabia manipular aquilo em uma linha de programação. Então para você tirar um relatório, para você não era intuitivo, não eram cliques, você dependia de um técnico o tempo todo para fazer isso. Então, para muita gente não funcionava e ainda era algo muito caro. Então a gente veio com esse intuito de trazer essa plataforma bem mais simples, bem mais prática, e em paralelo a isso, licenças junto à Anatel.

Luciano Pires: Então Ká, vamos lá, desenvolver uma plataforma dessa é um inferno sobre a Terra. Eu não consigo, é pior do que fazer uma reforma em casa.

Kathia Alves: Eu acredito que é.

Luciano Pires: Porque é um inferno. Eu vejo a minha, eu uso a minha plataforma do meu Café Brasil Premium, que é uma plataforma White Label, eu pago um aluguel para alguém que é o dono da plataforma, e aquilo é um inferno, para mudar uma vírgula de um lugar lá, meu Deus do céu, é um pandemônio. Já entrou em produção, daqui 6 meses nós vamos conversar, é um negócio pavoroso. Eu imagino que vocês olharam para uma folha de papel em branco e falaram, vamos desenhar esse treco? Vocês não foram lá fora ver o que tinha, trazer para o Brasil e dar uma tapeada?

Kathia Alves: Não. As melhores ideias, o que o sistema tem de melhor, veio de clientes.

Luciano Pires: A demanda que eles tinham lá.

Kathia Alves: Começa com o básico, não precisa fazer o café e a pipoca, vamos começar com o básico.

Luciano Pires: Vem cá, você tem que ter um puta time de desenvolvedor, isso leva tempo, grana, é um horror. Como é que… vocês tinham grana para isso, vocês se prepararam?

Kathia Alves: A gente fez uma preparação de quase 3 anos para poder pivotar, para fazer essa mudança, contratamos programadores. É claro que nesse meio tempo vários saíram e outros entraram. Mas por exemplo, a frente desse setor tem o Jeferson, que é meu irmão, nós temos também o Salomão, o Salomão está comigo há 10 anos, o Salomão está comigo. Agora em janeiro a empresa fez agora 10 anos, é o tempo que o Salomão está comigo, é um dos programadores.

Luciano Pires: Deve ser ver são 4.0, 8.2 dele já.

Kathia Alves: Mas é, nosso careca. E meu primeiro registro está comigo até hoje, o carinha que ajudava o Jeferson, porque com o tempo precisa de gente para ajudar o Jeferson a passar cabo. Vem o Felipe, e o Felipe veio, aprendeu, Felipe, vamos começar a fazer rede de computadores? Vamos. Como que é? Estuda. Felipe, vamos fazer Voip? O dia que esse menino conseguiu fazer um telefone se comunicar com outro no nosso escritório, que era uma placa de madeira que não tinha acabamento nenhum, esse menino chorava. Isso a gente está sei lá, em 2010, esse menino chorava. Esse menino está comigo até hoje, porque a movimentação, a atualização fez com que a gente fosse para a nuvem, fosse para cloud. Hoje toda a nossa estrutura fica na WS, na Amazon. A gestão desse tráfego hoje é feita pelo Felipe, ele está comigo há 16 anos.

Luciano Pires: Quanto tempo levou esse desenvolvimento? Vocês se prepararam por 3 anos, eu imagino que não foram 3 anos com o programador sentado programando.

Kathia Alves: Não.

Luciano Pires: Quanto tempo você levou, tipo assim, estamos maduros, grana põe na mesa, moçada, vamos desenvolver, temos 6 meses para botar o W One.

Kathia Alves: A gente teve assim, sabe trocar o pneu com o carro andando?

Luciano Pires: Sei muito bem.

Kathia Alves: Então, a versão básica foi para o ar em 2014, depois de 1 ano de desenvolvimento. Depois disso, ela continua em atualização até hoje.

Luciano Pires: E vai continuar.

Kathia Alves: Até hoje. Mas a gente demorou algo em torno de 1 ano para colocar ela para rodar. E depois que começou a rodar é que você percebe os bugs, você percebe…

Luciano Pires: E os clientes aceitaram isso, de boa?

Kathia Alves: Muitos clientes sabiam que a gente, tanto é que a gente tinha valores reduzidos, e não tinha tipo, vamos pôr a grana na mesa. Isso nunca aconteceu, nunca aconteceu. A gente sempre trabalhou com recursos próprios, não tem investidor, não tem endividamento bancário, não tem nada, é tudo recurso próprio.

Luciano Pires: Como faz isso?

Kathia Alves: Então, você olha para trás e fala, caramba, como é que a gente fez isso? Mas fez.

Luciano Pires: Pois é, a moça do Monza vermelho, comprado no…

Kathia Alves: Leilão.

Luciano Pires: Como é que você faz, como é que levanta uma grana dessa? Como é que você faz com recurso próprio? Porque imagina o seguinte, legal, dá para fazer, vou dar uma apertada aqui, mas vocês têm um limite. E eu sei que desenvolvimento come dinheiro que é uma coisa maluca, você bota o cara sentado programando, bicho, desculpa, para segurar um programador hoje em dia é um pandemônio, essa coisa consume. E tem um limite, você não consegue correr à revelia de um banco, à revelia de pegar dinheiro em algum lugar. O que que vocês fizeram? Roubaram um banco, o que fizeram?

Kathia Alves: Não, uma coisa que a gente sempre teve de cultura, e isso acontece até hoje, “a Kathia é CEO”. Grande coisa, ela tem salário, ela recebe dia 5 e dia 20 igual todo mundo. Então a gente nunca ficou “chupinhando” da empresa, todos os recursos que a empresa gerava, era para ela. Durante muito tempo, eu não tinha dinheiro de pró-labore, eu pagava as minhas contas e ponto final. Eu já tive carro na garagem que eu pegava trem para ir trabalhar, porque eu não tinha dinheiro para pôr combustível. Então o que a gente fazia de recurso dentro da empresa, e graças a Deus a gente sempre correu muito atrás de cliente, a gente sempre se posicionou muito, tipo, com muita transparência. Tem clientes que estão comigo desde o início. Desde o início da concepção desse sistema, até hoje.

Luciano Pires: Quanto tempo isso?

Kathia Alves: 10 anos.

Luciano Pires: 10 anos. O que que segura um cliente 10 anos com você?

Kathia Alves: Um monte de pequenas coisas.

Luciano Pires: Você faz o cabelo em qualquer cabelereira?

Kathia Alves: Não.

Luciano Pires: Você faz em uma?

Kathia Alves: Uma.

Luciano Pires: Quanto tempo?

Kathia Alves: Uns 3 anos.

Luciano Pires: Está pouquinho, mas 3 anos.

Kathia Alves: Não sou tão fiel a essas coisas.

Luciano Pires: Mas por que com ela?

Kathia Alves: É relacionamento, é afinidade, é transparência. É você realmente, poxa, pode dar problema? Pode, mas estou aqui resolvendo, é você ter essa proximidade. E muitos clientes, nós não somos fornecedores, nós somos parceiros.

Luciano Pires: Não é para esse prazo não, não é para esse prazo que resolve o assunto?

Kathia Alves: Não.

Luciano Pires: Hoje em dia com a “chinesada” vendendo a preço de banana.

Kathia Alves: Na nossa área, em alguns casos, depende muito do pensamento do cliente. Tem alguns clientes que ainda olham para preço e prazo, e aí quem vem pelo preço, ele vai pelo preço. Agora, eu tenho vários clientes que são muito fieis, que é aquele cara que da mesma forma, sabe a história da sua plataforma que você pede um botãozinho, “ah, entra no radar”. Não, “cara, o que que você precisa?”. “Puts, eu preciso deum botão aqui, para fazer tal coisa, porque vai me ajudar nisso”. Beleza, a gente trata e entrega. Essa parceria tem que acontecer, mas se o cliente vem por preço, ele vai por preço, e a gente sempre vai ter esse pessoal também. Mas, eu tenho clientes que estão comigo há 10 anos, e a gente nunca ficou de “chupinhar” empresa. “Vai lá para fora para ver o que está acontecendo”. Cara, não tinha grana para fazer isso, não tinha. E se falar que até hoje a gente ainda não fez isso, esse é o próximo momento de pivotagem que vai acontecer dentro da VIP, esse momento está próximo de acontecer também.

Luciano Pires: O momento de acontecer o que?

Kathia Alves: De você olhar para o mercado, de você olhar para fora e você entender como que a telefonia, como que a voz está se comportando lá fora, o que que está sendo feito lá.

Luciano Pires: Quando você diz lá fora, é lá no exterior?

Kathia Alves: No exterior, isso.

Luciano Pires: Vocês têm ido?

Kathia Alves: Não, mas a gente já tem programação para ir, porque hoje a nossa plataforma de PABX virtual junto as nossas outorgas, junto à Anatel, para que a gente entregue um serviço com qualidade, da forma que tem que ser, porque a telefonia em nuvem ela também sofre um pouco as questões de falta de normas. Não existe leis específicas para telefonia Voip, a gente se encaixa dentro da telefonia convencional, que é o STFC. Então, isso também é um ponto de observação que traz a qualidade do nosso trabalho, e esse reconhecimento por parte do cliente.

Luciano Pires: Deixa eu entender o que que mudou nisso aí, eu tenho uma empresa pequena, minha empresa é uma nano empresa. Mas, houve uma época que eu tinha 5, 6, 7 pessoas trabalhando comigo lá, e a gente tinha um mini PABX. Que era um telefone, com meia dúzia de botãozinho que ascendia. Lembra quando dava pau, tinha que trocar placa, era aquela coisa toda lá. Mas eu entendia o que que era aquilo, entrou uma ligação, “Luciano atende aí”, e atendia lá. O que que mudou nisso hoje? Hoje eu não tenho mais esse aparelho telefônico que luzinha ascende, hoje eu não tenho mais uma… é meu computador que está integrado com… o que que mudou, como que é hoje?

Kathia Alves: Tudo.

Luciano Pires: Se eu chamar você aqui e falar, “preciso instalar um aqui”. Você vem fazer o que aqui?

Kathia Alves: Eu não venho aqui.

Luciano Pires: Você nem vem?

Kathia Alves: Não. Eu falo, onde você quer receber as suas ligações? Seu PABX que antes ficava instalado dentro da empresa, hoje ele fica na Amazon, ele fica em uma nuvem.

Luciano Pires: Tá.

Kathia Alves: O seu ramal que antes ficava em cima da sua mesa, ele pode ficar no seu celular, ele pode ficar no seu computador. Essa linha que você tem ou que você tinha ali num telefone lá no cantinho empoeirado, se alguém ligasse para ele, quem ia atender? Quem estivesse ali por perto, se estivesse. Essa ligação, eu transporto esse número para a internet, eu faço a portabilidade dele, você quer atender aonde? Você quer atender no seu celular, você quer atender no seu computador? Eu quero que a Kathia atenda, só que eu vou trabalhar da minha casa. Tá bom, a Kathia atende da casa dela, e direciona para você. “Só um minuto”, e manda a ligação para o Luciano, aonde o Luciano estiver. Tudo acontece via internet, eu não chego com um cabo “onde que eu espeto aqui?”. Não, não tem mais isso. E essa plataforma, além de oferecer esse recurso da mobilidade, porque agora depois da pandemia, as empresas enxergaram que dá para produzir remoto. A gente fala de trabalho remoto há mais de 20 anos. E agora depois da pandemia que o pessoal enxergou, puts, dá para produzir, dá para reduzir custo. E as vezes se produz até melhor.

Luciano Pires: A pandemia quebrou uns paradigmas bem pesados. E um deles que é sensacional é aquele de você, eu não tenho que me preocupar se você mora perto da minha empresa ou não, você mora na Paraíba, e estamos aí.

Kathia Alves: O importante, você é um bom profissional, você entrega aquilo que está sendo solicitado? Cara, não importa, o quanto você quebra questão de oportunidades. PCD’s, por que que um cadeirante tem dificuldade para arrumar trabalho? Tem pessoas incríveis que tem problema de mobilidade.

Luciano Pires: Exatamente, antigamente ele tinha que se locomover de um lugar para outro.

Kathia Alves: E são incríveis, para programação para atendimento, para suporte, para “N” trabalhos. Então, esse tipo de possibilidade, você entrega com uma solução dessa. Então muita coisa mudou de lá para cá, você conseguir enxergar o que que a Kathia está fazendo, esse colaborador que mora lá na Bahia, que mora lá no Sul, você consegue ver a produção dele em tempo real. É um vendedor, é um pós-venda, você consegue enxergar a produtividade. Poxa, fiz um marketing, seja na internet, na TV, quantas ligações eu recebi? Dessas ligações, quanto gerou de vendas? Você tem dados. Então há tempos atrás, 2017, a gente falava que dados era o novo petróleo, e o que está acontecendo agora cada vez mais, a voz ela é importante? Ela é. Mas existe uma série de outros canais de comunicação que o cliente pode fazer contato com você através dele também. Então esse é o momento da VIP em transformar essa plataforma de central PABX para central de relacionamento e atendimento, porque aí eu vou conseguir conectar o famoso Omni Channel.

Luciano Pires: Você está indo para um outro lugar onde está cheio de gente.

Kathia Alves: Mas, qual é o nosso core? É a voz. O que que nós estamos estudando para que essa nossa plataforma tenha ali a sua cerejinha no bolo? Extrair dados da voz. Eu quero ter mais informações quando eu converso com esse cliente. Sabe aquele perfil comportamental do disk, se a pessoa é dominante, se ela é cautelosa. Eu começando a conversar com o Luciano, a partir de 100 palavras eu já começo a descrever o perfil do Luciano.

Luciano Pires: Você está botando a IA na jogada?

Kathia Alves: Estou colocando IA na jogada.

Luciano Pires: Pela entonação da minha voz, ela vai saber se eu estou nervoso ou não?

Kathia Alves: Vai saber, e pelo que você fala e vai acionar para o operador alguns insights, para que ele saiba como lidar com aquele cliente, e para o gestor, falando dá uma olhada nessa ligação aqui nesse atendimento? Então os insights agora vão ser o novo petróleo, e é isso que a gente está enxergando depois de 10 anos, com toda a bagagem que nós temos de extrair cada vez mais dados da voz, porque a voz nunca vai acabar. A telefonia morreu? Não, muito pelo contrário, porque hoje se alguém manda uma mensagem, você responde quando puder. E se alguém liga? É urgente. E a gente precisa conectar cada vez mais, essa é a missão que a VIP tem, conectar cada vez mais pessoas através desse elo de comunicação tão poderoso que é a voz, porque na voz você sabe se a pessoa está triste, se ela está feliz. Quantas vezes você já quis comprar de algum lugar e você olha e fala, “mas qual que é o telefone fixo de vocês? Só tem um telefone de celular”. Você já pensa, poxa, mas se eu precisar de alguma coisa, aonde eu vou ter suporte? Então ainda faz muito sentido para as empresas terem o serviço de telefonia em nuvem. Mas, hoje ela precisa começar a trazer mais informações, vamos buscar tudo que a gente puder de informações sobre a voz, porque dados por si só eles já trazem.

Luciano Pires: Eu já entrevistei pessoas aqui que me contaram coisas do arco da velha, um deles que veio aqui foi muito legal, ele tinha um sistema conectado ao Twitter, e o sistema dele acabou do dia para a noite, porque o Twitter simplesmente cortou a comunicação, então é aquelas loucuras de hoje em dia que o pessoal se apoia em, constrói a casa em um terreno que não é dele, sabe? E ele contou uma história aqui deliciosa, que ele falou que o sistema dele estava conectado em redes sociais, e que ele tinha uns imputs que, o SBT por exemplo, o programa do Gugu estava no ar e ele passava os imputs para o programa do Gugu. Manda o Gugu botar o paletó de novo, porque ele tirou o paletó caiu, o pessoal está gritando lá na ponta. Então ele juntava toda essa informação que estava lá e transformava em uma… cara, faça isso que deu certo, na hora. Gugu, bota o paletó de volta, ele estava no ar. Então, ele apontava insights em cima de um… E nos Estados Unidos, eu vi um outro lance, eu fui em um evento lá de palestrantes, mas o pessoal mostrou um sisteminha lá que eles têm, é um sistema inteligente, que ele olha para a plateia e pega o rosto de todo mundo. E conforme o palestrante está falando, as expressões vão alimentando esse sistema, e o sistema dá o imput para o cara. “Meu, a turma não está gostando, muda de assunto. Isso funcionou, o pessoal está maravilhado. Pessoal está dizendo que não”. O sistema olhando as pressões, ele alimenta o palestrante, e o palestrante muda conforme ele está na hora. Quer dizer, essa coisa de você pegar os insights não-verbais inclusive, e que é a entonação da voz, o cara está estressado, não está, e transformar isso, isso é o próximo passo, porque hoje eu falo com um robô pentelho. Eu ligo para lá, não, isso não vai me fazer ouvir…

Kathia Alves: Trocentas opções.

Luciano Pires: Eu queria um ser humano que eu pudesse gritar com ele, ele ficasse, “calma seu Luciano, vamos devagar”. Então me parece que esse vai ser o próximo passo então?

Kathia Alves: Vai.

Luciano Pires: Esse sistema vai entender isso?

Kathia Alves: Existe pouca coisa explorada ainda nesse sentido, e é onde a gente está trabalhando, olhando muito para isso, 2024 para 2025 ter essa oportunidade, e aí a gente tem cara, um oceano de oportunidades.

Luciano Pires: É, porque você não é mais telefonia. Hoje, como é que você se define hoje? Você se define telefonia fixa em nuvem?

Kathia Alves: É, telefonia, porque todo tipo de solução relacionada a telefonia, hoje a gente atende. Então eu tenho desde aquele cliente que tem o seu escritório com 2, 3 pessoas, com 20, 100, 1000 pessoas, tenho aquelas empresas que querem colocar a sua solução dentro da sua plataforma o recurso da voz. Então muitos CRM’s por exemplo, eu tenho parceria com eles, “Kathia, eu quero colocar a telefonia da VIP dentro do meu CRM. Eu quero que quando o cliente liga, clica lá, faz a ligação, terminou a ligação eu quero que o link da gravação já fique no cadastro do cliente. Assim fica fácil para mim entender o que está acontecendo na negociação”. Então eu tenho vários CRM’s que são integrados hoje com a VIP, seja por API que já é uma documentação pronta para fazer esse trabalho, seja por um desenvolvimento exclusivo, porque a nossa equipe de programadores, ela consegue desenvolver algo que se encaixe com uma necessidade específica para cada cliente.

Luciano Pires: Como é que você vai definir essa próxima coisa que está vindo aí? Não vai ser mais telefonia, está além da telefonia. Isso que você acabou de falar para mim, é outra coisa. Digamos que a telefonia é o hambúrguer, pensa no Mc Donald’s, é o hambúrguer. Agora em torno daquilo cara, tem toda aquela loucura que a molecada quer ir lá, tem o parquinho, o bonequinho, eu vou lá porque é um grande evento onde tem o hambúrguer. Se não tiver o hambúrguer, não dá para fazer o evento em voz. Então a telefonia vai ser o hambúrguer, né? O que que vai ser essa coisa de volta, vocês já pararam para pensar nisso?

Kathia Alves: Nossa, não, mas…

Luciano Pires: A proposta de valor que você vai levar para os caras? Cara, além de falar, você ainda vai receber uma porrada de insights. Isso é uma maravilha, cara.

Kathia Alves: Assim, a voz ela vai gerar muito impacto, e o objetivo de tudo isso é aumentar a produtividade, principalmente na área de vendas, na área comercial, melhorar cada vez mais a experiência de atendimento ao cliente. O cliente precisa ter essa experiência boa com a sua empresa, e você precisa ter recursos para isso.

Luciano Pires: Você é uma empreendedora há 22 anos, nós estamos em 24, isso dá 2002.

Kathia Alves: É.

Luciano Pires: Você pegou um período interessante aí, pegou umas viradas malucas. Um pouquinho antes, era pior ainda. Lá atrás, era pior ainda.

Kathia Alves: Quando era CLT ainda.

Luciano Pires: Nas inflações de 80% ao mês, você não pegou isso como empreendedora, né?

Kathia Alves: Não.

Luciano Pires: Mas olhando para trás agora, para esse seu negócio, vamos pegar os insights que você falou. Quer dizer, você não se formou no MIT, não tem o seu diploma maravilhoso, você não é filha de rico, pelo contrário, você saiu do Monza Hatch do leilão.

Kathia Alves: Monza Hatch vermelho 87, andou 3 meses sem motor de arranque.

Luciano Pires: O que que explica, fala para mim, eu estou vendo você uma pessoa, você conversa fácil, você é simpática, você sabe conversar. Então, eu entendo que isso foi importante, isso foi muito importante. Você não é um nerd enfiado em uma caixa que não sabe falar direito. Você tem essa pegada. Mas, olha para trás e me conta o que que é, o que que você enxerga que você fala, “cara, tem 3 ou 4 coisas que foram fundamentais”?

Kathia Alves: Primeiro, foi ter essa vontade de aprender sempre. Então eu tive uma primeira virada de chave quando eu fiz Empretec no Sebrae.

Luciano Pires: Atenção você que está nos escutando aqui, quem ouve LíderCast já ouviu falar do Empretec mais uma vez.

Kathia Alves: O Empretec é sensacional.

Luciano Pires: Empretec não é um curso, Empretec é um processo feito para provar para você que você não serve para aquilo. Você entra, os caras vão te bombardear com uma porrada de coisa, e vão argumentar, “vem cá, você serve para ser empreendedor?”. E você sai de lá falando eu sirvo.

Kathia Alves: É o Exército.

Luciano Pires: Ou então, não é para mim, esse tipo de coisa. E é legal do Sebrae, muita gente que passa por aqui fala cara, aquilo foi um momento de virada.

Kathia Alves: Porque se eu não tivesse como, se eu não enxergasse que eu daria conta, que tipo, eu quero fazer, ali eu pararia, ali eu pararia fácil. Então Empretec foi um momento de virada de chave que eu falei, não, é isso que eu quero. De trabalhar dia e noite, o dia inteiro no escritório, e anoite fazendo os projetos do Empretec para entregar no outro dia, e o dia inteiro de Empretec, eu falei, não, é isso que eu quero.

Luciano Pires: Ontem eu ouvi um trecho de uma entrevista do José Victor Oliva, lembra, o antigo dono do Gallery, essas coisas todas, no Ticaracaticast, o PodCast que tem aí, e ele comentando sabe, ele falou com 24 anos de idade, eu estava fundando o Gallery, e depois eu era o Playboy com o carro do ano, ganhando e vivendo no meio de tudo quanto é gente famosa e tudo mais. E a molecada, o que que você fez? Cara, você tem que ser consumido pela sua ideia, entendeu? Aquilo tem que tomar conta de você, e tem que te consumir, você tem que comer, beber e dormir aquela ideia. É aquilo que eu quero, é lá que eu vou fazer. Se você não for consumido por ela, ela não vaia acontecer. Isso não é mágica, pelo contrário, é aquela história do cara, estou tão focado e tão envolvido e quero tanto fazer, que você acaba encontrando meios de fazer a coisa funcionar. Ele contando de ele indo buscar dinheiro, cara como assim bicho? Bota aqui, põe ali, de repente os caras tinham R$ 1 milhão na mão. Mas é mais ou menos isso que você está falando.

Kathia Alves: Você sabe que algumas pessoas, eu falo isso para algumas pessoas, e é muito verdade. Dos 20 aos 30 anos, eu não lembro de ter feito outra coisa que não tenha sido trabalhar. Sabe quando parece, eu não lembro de ter viajado, eu não lembro de ter ido a festas, de verdade, eu não lembro.

Luciano Pires: Se arrepende disso?

Kathia Alves: Um pouco, porque eu acho que tudo na vida é uma questão de equilíbrio, é uma coisa que eu falo muito para os meus filhos, meu filho principalmente, que foi para o mercado financeiro, que é puxado, é aquela tensão, eu falo muito para ele, tenha equilíbrio. Porque eu sei que um pouco do que eu, eu fui a melhor mãe que eu pude ser. Mas, os meus filhos sofreram um pouco a minha ausência por conta do meu trabalho. Então, hoje nós estamos onde estamos pelas escolhas que foram feitas. Então eu fiz escolhas e me trouxe até aqui. Mas talvez eu mudaria, talvez não, com certeza eu mudaria alguns pontos que poderia demorar um pouquinho mais. Mas, eu chegaria no mesmo resultado, talvez até melhor. Então acho que algumas coisas não justificam, mas a gana de fazer o negócio acontecer, de você enxergar o futuro, de você falar não, você não enxerga o fracasso. É muito engraçado, porque você olha, não tem R$ 1,00 real no bolso, mas você tem tudo tão assim claro na sua cabeça, você fala, não vai dar errado. Eu nunca enxerguei o fracasso disso. É claro, seus altos e baixos, até recentemente a gente organizando lá a documentação da empresa, coisa que pode jogar fora e tal, que ainda era em papel, eu tinha a planilha A, B e C. O financeiro quando ouvir isso, vai… E a planilha A é aquela que tem que pagar, não tem jeito, faça chuva ou faça sol você tem que pagar, pessoas, infraestrutura. A planilha B é tipo, se der paga. E a C, é a que vai pedalar. Até tipo 4 anos atrás, a gente estava falando disso, sabe? Então tem esses altos e baixos. Até que ponto você está disposto? Só que a visão era tão clara, ela sempre foi tão clara, que eu nunca pensei em fazer algo diferente. E não consigo pensar em fazer outras coisas em paralelo. “Vai fazer palestra”. Não consigo, porque o meu foco está ali, a VIP hoje é o que eu faço, assim, é a minha dedicação é 100% no crescimento dela.

Luciano Pires: E olha que interessante que você está falando aqui, Empretec foi um momento de virada, e a Fundação Getúlio Vargas foi outro?

Kathia Alves: Outro momento.

Luciano Pires: São momentos diferentes, quem vem primeiro?

Kathia Alves: Empretec veio lá no começo, lá no começo. Que era aquele momento de tipo, pedi as contas da Honda, fui empreender, mas será que eu sirvo para isso? Será que eu vou dar conta? Empretec.

Luciano Pires: Eu fui fazer uma palestra em um evento do Sebrae, cara, o nome dela era Jane, e a cidade eu não vou me lembrar o nome dela mais, mas era alguma coisa lá no Pará. Estou lá no meio do Pará. E era um evento, a sala lotada, pessoal do Sebrae e tudo, e antes da minha palestra tem algumas apresentações e uma dessas foi dessa Jane. Essa Jane chegou lá, cheguei aqui com a mão na frente e outa atrás, a gente veio não sei de onde, vendemos tudo que a gente tinha, conseguimos comprar aqui duas terrinhas, e eu e meu marido começamos a criar um boizinho, tudo “inho”, fazendo, tocando a vida, aquela coisa toda, e um belo dia eu trombei com uns consultores do Sebrae que vieram, e ali eu comecei a ter algumas aulas com eles e comecei a perceber algumas coisas que eu não tinha entendido. Então fui perceber como confinar o gado, como tratar o gado, que tipo de comida dar, e ela vai contando histórias e projetando imagens. Até que um dia eu comprei meu tratorzinho. Aí aparece o tratorzinho dela. Aí ajudou a gente, o banco ajudou, e de repente ela bota a foto de um puta de um trator, e esse é o trator que nós acabamos de comprar avista. E a plateia, uau, aplaudindo aquilo lá. Mas, o que eu quero dizer com isso aqui, ela deixou muito claro que no momento em que ela buscou o estudo, e ela entendeu como as coisas funcionavam, a vida dela virou de ponta cabeça. Até então, o que que era, vamos fazendo, faz como dá. Não, não é assim que faz, não é desse jeito, você tem que botar sal na comida do bicho, tem que fazer assim, e quando ela foi aprendendo aquilo, a vida da mulher virou uma loucura. Eu sei que depois ela virou candidata a prefeita. Mas é isso que você falou, eu vou estudar e ao estudar eu vou ampliando a minha visão. Quer dizer, o não ter um diploma, não é impeditivo nenhum.

Kathia Alves: Não, não é, nenhum impeditivo, porque você aplica tudo ali no seu negócio, você não precisa mostrar para ninguém que você sabe. É bonito, é legal, é bacana, mas a gente sabe mesmo que a maior faculdade está lá fora. Está fora da faculdade, está fora daquelas paredes, é o dia a dia, é a vida. É claro que você ter um diploma é superimportante para que você tenha uma base para você iniciar, e tudo, é engraçado que tudo o que eu fazia, tudo o que eu tinha vontade de fazer, eu ia estudar. Programador, eu não sabia, eu fui estudar. O que que é isso, para que que serve? Anatel, as licenças da Anatel, como que é, o que que precisa, como funciona, o que que eu tenho que fazer? Quando eu fui auditora ISO 9000, numa confecção que eu trabalhei, eu achei aquilo o máximo, e detalhe, era ISO 9000 tudo no papel, que a gente está lá em 97, 96.

Luciano Pires: Se eu te contar a minha história, você vai chorar. Eu fui auditor, pré ISO, antes da ISO, num programa chamado, existe um programa prêmio de qualidade nos Estados Unidos chamado Malcolm Baldrige. Imagina uma ISO up, muito maior que a ISO, um negócio assim pavoroso, que veio para o Brasil, a minha empresa trouxe para o Brasil virou o prêmio Dana de qualidade. E eu muito metido, mando memorando dia para um diretor cheio de recomendações. Eu não me lembro o que que era, alguma coisa tinha na empresa que não estava funcionando, passo um memorando para o vice-presidente. Cara, isso é assim, assim, assim. Ele me chamou na sala, vem cá, como é que está seu inglês? Tá legal. Maravilha, então você vai juntar com aqueles outros 3 engenheiros, vai para os Estados Unidos e vai trazer o prêmio da qualidade para cá. Sabe aquela loucura toda que você aprendeu, aquele linguajar da qualidade na ISO, que é um terror, é muito complicado, eu fui fazer em inglês. Aquilo foi absolutamente infernal, e eu voltei para cá para implementar, então também fui auditor como você. Só que era um auditor de uma coisa muito maior do que a ISO, porque a ISO olhava determinadas coisas muito específicas ali, o Malcolm Baldrige olhava o business inteirinho, olhava o negócio como um todo. Foi um negócio pavoroso, eu sei bem o que você passou ali, mas valeu, valeu muito.

Kathia Alves: Imagina, hoje a gente quase não ouve mais falar sobre ISO 9000, mas na época lá, 96/97, quando eu tive que aprender para aplicar na empresa onde eu trabalhava, eu achei aquilo sensacional.

Luciano Pires: Foi uma revolução.

Kathia Alves: Gente, dá para controlar, não sei o que. Ali eu aprendi muito, eu tirei ISO 9000 na VIP, falei eu quero. Fui fazer curso no SENAI, para entender todos os parâmetros, bases, requisitos, o que é cada coisa, as não conformidades, aprendi tudo.

Luciano Pires: Para quem está nos ouvindo aqui e não está entendendo o que nós estamos falando, a ISO 9000 é um processo de certificação de origem europeia, que tem como função mostrar para as pessoas que você sabe o que você está fazendo. Então, eu tenho controle sobre aquilo que eu estou fazendo. O que que você faz? Eu faço bosta em lata, mas eu sei exatamente…

Kathia Alves: O Leo faz bosta em lata.

Luciano Pires: O Leo já teve aqui. Então, o produto final é bosta em lata, mas eu tenho todo um processo, eu tenho todo um controle, eu sei o que eu estou fazendo, eu meço as coisas, entendeu? Então há uma qualidade na produção. E a ISO serviu para você mostrar para o mundo, eu fui certificado na ISO, logo ode confiar que eu sei o que eu estou fazendo.

Kathia Alves: Nós somos.

Luciano Pires: Era isso.

Kathia Alves: Nós somos certificados ISO 9000. Eu amei, assim, quando eu contei, porque na empresa somos 3 sócios, eu o Jeferson e a Gabriela. A Gabriela, eu falo que é o casamento mais longo que eu tive, porque eu estou no terceiro casamento, graças a Deus o último, mas quando eu cheguei para a Gabriela, falei Gabi a gente vai tirar essa certificação. Ela entrou para trabalhar comigo como RH, passou por várias áreas, todas essas mudanças que aconteceram na empresa, sempre voltada para pessoas, depois iniciou em processos, principalmente por conta no início da ISO 9000, e aí 2018 eu falei, Gabi, casa comigo? Processos e pessoas, é com ela, e aí a gente deu uma parte da empresa, e hoje ela é uma das sócias. E ela e implementou a ISO 9000. Quando ela conseguiu entender o que ela tinha na mão, a cabeça dela fez boom. E aí foi aonde a questão de tração, falando um pouco dessa questão, o vocabulário das startups, a gente passando cada estágio, 2023, 2022, foram anos de tração. Automatizar, processos, qualidade, metrificar os indicadores, tudo, e a gente tem a ISO 9000. Cara, isso foi assim…

Luciano Pires: E agora você está na colheita, né?

Kathia Alves: Agora a gente está na colheita, agora é escalar. Escalar, porque a gente tem uma estrutura totalmente preparada, o nosso software ele tem registro junto ao INPI, porque a gente fez questão de registrar justamente por conta dessas empresas que tem software gratuito, que não tem expertise do assunto, nosso software é registrado. Então são questões que a gente traz a qualidade.

Luciano Pires: Quantas pessoas tem hoje na VIP?

Kathia Alves: 22 pessoas.

Luciano Pires: A moça do Monza, dá emprego para 22 hoje?

Kathia Alves: 22 pessoas.

Luciano Pires: Que legal.

Kathia Alves: E a grande maioria, são pessoas com mais de 4, 5, 7 anos de empresa. Tenho um time muito, muito legal.

Luciano Pires: Saiu do Brasil já, ou não?

Kathia Alves: Não.

Luciano Pires: Tipo assim, você não tem nenhum cliente na Bolívia, no Paraguai?

Kathia Alves: Não, eu tenho empresas…

Luciano Pires: Mas a sua tecnologia permite?

Kathia Alves: Sim, sim. Eu tenho empresas que tem pontos em outros locais, importação e exportação, mas a sede é no Brasil, e aí a gente configura os ramais lá fora e o pessoal usa tranquilamente, os clientes que fazem muitas viagens colocam lá no celular, não precisa de home, aquela coisa toda, mas já tive convite para explorar, para dar uma olhada, Portugal, Espanha, França, para colocar nosso serviço lá. Mas, eu acho que é uma questão de prioridades, não enxergo nesse momento isso como uma estratégia para a gente a curto prazo não.

Luciano Pires: Qual é o próximo passo então? É essa mudança, essa próxima pivotada aí que vocês vão dar?

Kathia Alves: É, essa é a próxima atualização.

Luciano Pires: Tem uma parte de inteligência ali dentro, cara, você vai virar um bicho poderoso, e alguém vai olhar, opa, deixa eu comprar essa moça aí.

Kathia Alves: A gente já teve umas sondagens aí, mas graças a Deus a gente não está com a corda no pescoço. Então eu acho que essa questão, por exemplo, de investimento, que já veio bastante para a gente, é legal, é bacana, pode dar uma acelerada? Pode, mas dinheiro por dinheiro a gente pega no banco. Então, qualquer coisa que venha para vir com nome da VIP, precisa fazer muito sentido, precisa ter um smart money assim muito em sinergia com o que a gente está pensando. Porque a gente sabe, não é fácil.

Luciano Pires: Nunca é, ser empreendedor no Brasil, é o fim da picada. Eu conversei com o cônsul de Israel em São Paulo, sentou aí nessa cadeirinha, e a hora que ele me contou o desenho do estado de Israel para dar suporte para o empreendedor, você chora ouvindo o cara, é de chorar. Que você imagina o seguinte, se você inventa uma VIP Solutions, no papel, chega no governo e fala gente, eu tenho essa ideia aqui, essa é a minha startup, eu vou montar a empresa que vai fazer assim, assim, assado. Os caras dão uma olhada, legal, pé e cabeça muito bem, quanto você precisa? Preciso de R$ 1 milhão de dólares. Tá aqui o dinheiro, você vai e executa. Aí você volta 6 meses lá e fala assim, quebrei a cara, deu tudo errado, me ferrei, vai dar errado, vou fechar o negócio. O cara fala, aprendeu? Aprendi. Então vai embora, volta com outro projeto aqui. E aquele R$ 1 milhão? Já era. O Brasil, você sai devendo R$ 4 milhões, você recebe R$ 1 milhão, quebra, fica devendo R$ 4 milhões, está com a sua vida fodida para o resto da vida e não vai ter mais nada para fazer.

Kathia Alves: E o governo pisando em cima.

Luciano Pires: E lá o cara fala, cara, que loucura é essa? Não, é muito simples bicho, a gente fez uma conta lá, cada mil caras que quebram, um dá certo, só que esse um é o Waze, e vale R$ 5 bilhões, entendeu? Então o que acontece, a gente quer mais gente inventando, mais enquanto mais inventar, e eu sei que um monte vai quebrar. Mas está no jogo, quebrar a gente já sabe. Então nós vamos perder um pouco com esses caras, mas quando acertar, ninguém segura.

Kathia Alves: Que é muita jogada de investidor.

Luciano Pires: Exatamente isso, as opcionalidades ali. Bota o dinheiro um pouquinho em casa lugar, eu sei que um monte não vai dar certo, mas 2 ou 3 vão dar certo. Isso é uma visão completamente distinta do que nós temos aqui no Brasil.

Kathia Alves: Total, a gente está celebrando porque consegue tirar um CNPJ em alguns dias.

Luciano Pires: Exatamente.

Kathia Alves: Para conseguir dinheiro do governo, meu Deus do céu.

Luciano Pires: Nada, eu tentei, eu chamei os caras aqui do BNDES, fui assistir uma apresentação do BNDES, puta discurso maravilhoso, terminou, falei para o cara, “eu sou esse cara, quero conversar com você”. “Toma meu cartão”. Aí liguei, veio o cara aqui, posso levar meu banco que faz a operação junto? Pode. Veio o cara com o Bradesco aqui, sentou, contei minha história para ele, não era nada demais, e o cara não você não pode nada, faz com o Bradesco aqui, o Bradesco faz. O Bradesco, legal, você tem apartamento? Tenho. Então você me dá ele em caução. Cara, você está me propondo empréstimo pessoal? Infelizmente… tudo papo furado, era tudo conversa.

Kathia Alves: É muito complicado.

Luciano Pires: Impressionante, não tem como, não tem moleza.

Kathia Alves: Não, é muito bonito de ver, mas na prática, a época da pandemia, os empresários tudo correndo atrás de linha de crédito para poder manter os negócios porque não estavam produzindo, quantos conseguiram? E assim, com documentação ok, é muito complicado.

Luciano Pires: O seu negócio não foi afetado pela pandemia?

Kathia Alves: Não, muito pelo contrário, ele cresceu.

Luciano Pires: Você era fundamental para… interessante esse nicho.

Kathia Alves: Ele cresceu, a gente aplicou ainda mais esse formato de híbrido, hoje a empresa trabalha no formato híbrido, mas durante a pandemia trabalhamos, eu acho que foi muito mais difícil você trabalhar com a cultura das pessoas. Então a gente entrou com acompanhamento psicológico para os colaboradores, acompanhamento financeiro, porque olha, vai sobrar uma graninha agora que você não vai precisar ficar indo para a empresa, vamos investir, vamos guardar, vamos fazer tal coisa?

Luciano Pires: Vocês deram isso para o pessoal de vocês? Que legal.

Kathia Alves: Para os colaboradores, isso. A gente colocou lá um sistema chamado “Se cuida aí”.

Luciano Pires: Que legal.

Kathia Alves: E tinha acompanhamento psicológico, tinha nutricionista para ver a parte de alimentação, que o pessoal engordou bastante. Tinha aulas laboral para o pessoal, a gente viu a economia de todo mundo. O que você precisar, leva. Levaram mesa, cadeira, monitor, suporte, para ter ergonomia em casa.

Luciano Pires: Sim, que legal.

Kathia Alves: Fazia festa online, mandava entregar os saquinhos de festa junina, fazia festa online. É bem a nossa cara. Mas durante a pandemia, a gente teve um crescimento legal. Não foi fácil, porque da mesma forma que entraram clientes, a gente também precisou ajudar clientes que estavam na base, segurando pagamento, dando desconto. E assim a gente passou, mas deu tudo certo, graças a Deus.

Luciano Pires: Legal. Quem quiser conhecer então a VIP, quero conhecer você, quero saber o que que você faz, quero contratar você para trabalhar, e quero trabalhar com você. Vai onde, vai para onde?

Kathia Alves: Site vipsolutions.com.br. Tem muita informação legal. LinkedIn, as redes sociais, tudo @vipsolutionsbr. E eu sou uma empresa de telefonia, então 0800 580-2001.

Luciano Pires: Que coisa ultrapassada! Muito bom ter você aqui, muito obrigado pela visita, pelo papo.

Kathia Alves: Eu que agradeço.

Luciano Pires: Sucesso, eu fiquei curioso agora, vamos ver como é que funciona, quem sabe eu boto aqui umas loucuras aí.

Kathia Alves: Bora lá!

Luciano Pires: Beijo.

Kathia Alves: Beijo.