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Luciano Pires -

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje temos Silas Colombo, que é o CEO da Motim, a primeira aceleradora de reputações do mundo. Silas tem uma visão bastante interessante sobre uma atividade da velha economia, o serviço de Relações Públicas, o PR, que precisa ser adaptado à sociedade das narrativas. Focado no universo das empresas inovadoras e start ups, Silas desenvolve um trabalho de comunicação que vai muito além de contar boas histórias. Uma conversa fascinante entre dois profissionais de comunicação de gerações diferentes, conectados pela paixão por contar histórias. Muito bem, mais um LíderCast, sempre começando contando como é que o meu convidado chegou aqui. Eu recebi um e-mail de uma agência de public relations, ou relações públicas, dizendo que tinha um cara legal, etc. e tal, o cara era o CEO da própria empresa. Mas o conceito era muito interessante, e eu falei, vamos lá, marquei, aqui estamos. É o caminho natural, se você tiver uma agência de comunicação ou tiver alguém que você gosta e quer trazer até aqui, manda um e-mail para nós. Se você mandar para o lidercast@lucianopires.com.br, chega na nossa caixa, a gente vai dar uma examinada, tendo o perfil para estar aqui, está convidado. Três perguntas para começar o programa, você já conhece o LíderCast, sabe que as três são as únicas que você não pode errar, o resto você chuta à vontade, essas três, não.

Silas Colombo: Vim preparadíssimo para essas três.

Luciano Pires: Então, seu nome, sua idade e o que que você faz.

Silas Colombo: Maravilha. Bom, muito bacana estar aqui participando da conversa, eu acompanho sempre. Meu nome é Silas Colombo, eu tenho 33 anos, e o que eu faço é ajudar um monte de empreendedor incrível a colocar a sua história dentro de uma linha que faça sentido para que as pessoas possam saber do so0nho deles, e isso se transformar em um grande gerador de valor para a sociedade.

Luciano Pires: Legal. Você nasceu onde, Silas?

Silas Colombo: Eu sou de São Bernardo do Campo, aqui no ABC paulista. O “R” vai ser bem puxado hoje.

Luciano Pires: Eu sou de Bauru, então a festa vai ser um “tar” de papo aqui. Você tem irmãos?

Silas Colombo: Eu tenho uma irmã, que por incrível que pareça ela também é da área de relações públicas, inclusive trabalha junto comigo na Motim. Então, não é um negócio de família, mas a gente tenta tornar isso o mais próximo possível.

Luciano Pires: Seu pai e sua mãe faziam o que, fazem o que?

Silas Colombo: Eles fazem ainda, graças a Deus, meu pai é caminhoneiro, e por muito tempo a minha mãe foi a financeiro, logístico, jurídico do meu pai, porque ele é muito bom no volante. Mas todo o restante é ela que cuidava, e já faz alguns anos que ela tem, pegou, o bichinho do empreendedorismo picou ela também, e ela hoje tem uma corretora de seguros de saúde, que também é um negócio de família, ela também trabalha com a irmã dela, deve ser alguma coisa que está no nosso DNA.

Luciano Pires: O seu pai é independente, isso? É um caminhoneiro independente?

Silas Colombo: Isso, é autônomo.

Luciano Pires: Cara, que pegada.

Silas Colombo: Isso, ele é um caminhoneiro um pouquinho diferente, porque ele não é aquele caminhoneiro tradicional que a gente conhece, que viaja o Brasil e fica semanas, meses fora de casa, porque para a sorte ou azar dele, não sei, minha mãe nunca ia deixar ele fazer isso. Então ele sempre trabalhou aqui por perto de São Paulo, ele tem 48 horas para estar de volta em casa. Então isso desse pequeno.

Luciano Pires: Tem um alcance definido. 200 quilômetros, a batida é até 200 quilômetros.

Silas Colombo: Isso, exatamente, porque o radarzinho ali não é nem o car system, é a dona Maria Antonieta na orelha dele.

Luciano Pires: Legal, como é que é seu apelido quando você era criança?

Silas Colombo: Cara, apelido bonzinho, nenhum.

Luciano Pires: É que apelido bom é aquele sacana, que deixa você puto. Qual que era seu apelido sacana.

Silas Colombo: Exato, exato. Tem alguns, mas hoje os meus amigos, o que eu carreguei mais da adolescência, os meus amigos me chamam de sigilo.

Luciano Pires: Sigilo?

Silas Colombo: Exatamente, porque eu ainda bem, consegui reunir um grande grupo de idiotas para serem meus amigos, e eles tem capacidade zero as vezes de resolver conflitos entre eles, entre a vida, e sempre chega para mim, e aí eles conseguem resolver a coisa no sigilo.

Luciano Pires: Tá bom, mas quando você era moleque, bem molequinho, o que que era? Porque Silas não dá diminuitivo, Silinhas não dá.

Silas Colombo: Meu pai e minha mãe me chamam de Sisi.

Luciano Pires: Sisi, tá bom, esse é bom, para a próxima pergunta é excelente. O que que o Sisi queria ser quando crescesse?

Silas Colombo: Olha, eu como sou do ABC, e na época que eu comecei a entrar na minha adolescência ali de 2004 a 2006, começou a surgir uma coisa ali no ABC, que era o movimento do Emocore, e eu já era um apaixonado por música e comprava todas as revistinhas de, eu sei a história do Kurt Cobain pelas revistas. E aí começou a chegar esse movimento, e eu não sabia tocar nenhum instrumento, fui tocar o instrumento de quando você não sabe nada de música, que é bateria. Aí tive algumas bandas de Emocore, e queria até os meus 15 anos…

Luciano Pires: Cara, você falou Emocore, eu já entendi com H, emo com coração, falei, não é, emo sem H.

Silas Colombo: Isso, emo mesmo, galera da franjinha e da choradeira.

Luciano Pires: Cara, você não consegue entender, você não vai conseguir entender nunca o impacto para um cara de 67 anos, ouvi o sujeito falar, “quando eu era adolescente em 2004…”. Meu, cara, 2004 foi ontem, eu já era velho em 2004.

Silas Colombo: Eu tenho a mesma sensação, só que 2004 foi há 20 anos atrás.

Luciano Pires: Outro dia cara, impressionante. 2004 eu lancei o Brasileiros Pocotó, foi o livro que deu praticamente o pontapé para tudo isso aqui. Você foi emo então?

Silas Colombo: Fui emo. Eu não consegui ter franjinha, porque o tipo de cabelo não permite.

Luciano Pires: A natureza não deixa.

Silas Colombo: Mas a gente tocou, tinha várias casas de show por lá, então até os 15, 16 anos, eu queria ser músico. Na verdade, eu não queria ser músico, eu queria ser o pop star. E tudo isso, foi por água abaixo, quando você tem que cumprir o seu dever de São Bernardense, de batateiro, que é ir fazer Senai. Uma cidade industrial…

Luciano Pires: E trabalhar em uma montadora.

Silas Colombo: Isso, foi isso que eu fiz no final ali de 15 para 16 anos, fiz o Senai e fui trabalhar de montador de caminhão na Mercedes Benz, que é lá em São Bernardo.

Luciano Pires: Era um grande cliente nosso lá, trabalhei muito com o pessoal da Mercedes.

Silas Colombo: E foi um período muito bacana, foram 6 anos ali montando caminhão, colocando pneu em caminhão.

Luciano Pires: Isso é sempre um aprendizado sensacional. Mas e aí, ali você achou que ia fazer sua carreira ali, ou, eu quero descobrir onde é que o bichinho do empreendedorismo te dá uma picada, cara.

Silas Colombo: E ali quando eu entrei ali, falei bom, agora estou tranquilo, tenho emprego até a velhice, só que eu quero ser engenheiro. Aí comecei a procurar onde ficam os engenheiros, que eles não ficam nem perto de peãozada montando caminhão, e aí eu encontrei o prédio da engenharia, falei que eu queria ser engenheiro. Os caras falaram, vem aqui, passa um tempo com a gente, entende. Alguns meses depois de conhecer os engenheiros vivendo ali o dia a dia deles, eu falei, eu nunca quero ser isso. Nossa senhora, se tudo der certo, é aqui que eu vou acabar? Nem ferrando.

Luciano Pires: Eu tenho uma experiência deliciosa, eu fui, não me lembro que ano era, acho que foi 97, 99 ou 2000, uma coisa assim, foi por ali, eu cheguei a ser convidado a me mudar para os Estados Unidos e trabalhar na Dana, que era a empresa que eu trabalhava, lá nos Estados Unidos. Só que antes de o pessoal convidar e de aventar a possibilidade de eu ir para lá, não, minto, isso foi em 93/94, eu fui para lá e fiquei 1 mês lá, e desse 1 mês eu fiquei um período trabalhando dentro do head quarters da empresa. Cara, que era um prédio maravilhoso, um negócio impressionante aquilo, lindo, era o sonho de todo mundo. E eu fui e passei, arrumaram para mim uma baia e eu fiquei numa baia durante uma semana trabalhando ali. Cara, você escutava barulho de papel caindo, todo mundo falando baixo, o cara vinha conversar com você no corredor, tudo baixinho. Meu, eu aqui no Brasil, acostumado com aquela feira livre, gritaria. Eu sou o cara da adrenalina, eu quero todo mundo gritando, eu quero agitação, porque isso contamina todo mundo. Vamos lá cara, quando eu chego lá, falei o que? Mas de jeito nenhum. Agradeci muito aos caras e não fui. Que é aquilo que você falou, depois que você vai e vê o ambiente, convive e olha em volta ali, muda a sua ideia.

Silas Colombo: Exato, e eu tive uma visão de 20 anos na frente, eu não aguento 20 anos isso daqui. Eu acho que eu me jogo na frente do caminhão sem freio antes de chegar a 20 anos. Só que eu sempre tive uma facilidade para me comunicar escrevendo. No Senai tem umas aulas de redação, para que serve isso no universo do Senai nunca saberemos, mas sempre tive esse processo. E o meu pai tinha uma relação com jornal muito grande. Então domingo de manhã eu acordava cedo e tinha que comprar o jornal para o meu pai na banca, e ele lia e falava, comentava. Meu pai é um cara que estudou até a sexta série, apesar de ser uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço, ele teve muito pouco estudo, e o momento do jornal para ele era bem bacana, um momento eu e ele no domingo. Falei quer saber de uma coisa, eu me comunico bem, eu gosto de escrever, uma visão bem curtinha da vida, eu falei, vou estudar jornalismo, vou ser jornalista, vou estar lá no jornal que o meu pai lê. Trabalhando na linha de produção, fui estudar jornalismo.

Luciano Pires: Aonde você foi?

Silas Colombo: Na Universidade Metodista de São Bernardo do Campo, que era na época uma das melhores faculdades de jornalismo do país, privadas. Hoje em dia Rip, finada, mas…

Luciano Pires: Como que é, houve uma época em que você falava com o maior orgulho, eu sou jornalista. Hoje tem que pedir desculpa, você pode me desculpar, sou jornalista…

Silas Colombo: Desculpa incomodar, você não tem uma moedinha? E eu fui para o universo do jornalismo, comecei a viver aquilo, quase uma vida dupla montando caminhão e falando de comunicação, de política, aquela coisa toda. E aí no meio da faculdade, eu encontrei um cara que ele tinha um portal de notícias sobre transporte e logística. E eu falei, eu monto caminhão, gosto desse universo, meu pai é caminhoneiro, estou querendo ser jornalista, deixa eu largar esse empregão maravilhoso com estabilidade de anos, para ir fazer um estágio para ganhar R$ 400,00 reais aqui.

Luciano Pires: Que portal que era?

Silas Colombo: chama Portal Transporta Brasil, ele existe até hoje, muito bem tocado pelo Leonardo Doca, e ele me deu essa primeira oportunidade de começar a escrever. Um universo que eu conhecia, que eu gostava, tinha essa ligação de família, e eu poderia colocar questões de reportagens e escrever.

Luciano Pires: Você começou lá já formado, ou em processo?

Silas Colombo: Não, estagiário, moleque ali, sem barba na cara e com cabelo ainda em todos os lugares. E aí comecei a fazer esse processo, e juntou paixão com algum pouquinho de talento, e começou a chamar um pouco de atenção, e eu fui convidado para migrar de estagio para a Veja São Paulo, que era a edição regional da Revista Veja.

Luciano Pires: Você já vai para a Abril cara?

Silas Colombo: Já fui direto para a Abril. E foi uma experiência transcendental, porque ali…

Luciano Pires: Você foi parar no prédio da marginal?

Silas Colombo: Lá na marginal Pinheiros, andar alto, vista da marginal, toda a suntuosidade que um dia o jornalismo já ofereceu para as pessoas.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Silas Colombo: 2011 ou 12.

Luciano Pires: A Veja ainda não tinha entrado em banca rota.

Silas Colombo: Eu fui talvez uma das pessoas que ajudou a colocar eles na rota de buraco, mas eu peguei provavelmente a última leva do jornalismo corporativo ali, aquela coisa da empresa com dinheiro. E foi uma experiência muito bacana, porque a revista eles não tinham, obviamente, ela é uma revista conhecida pelo roteiro de restaurante, de passeio, de cultura, mas eles estavam em um momento de incluir reportagens mais robustas de São Paulo. Então a gente, eu cobri administração pública, política, fiz algumas matérias ali, abriram CPI na Câmara Municipal de São Paulo, tudo isso sendo um estagiário ainda lá.

Luciano Pires: Tem muita gente do Brasil inteiro ouvindo a gente aqui, que talvez não tenha os detalhes aí. Mas a Veja São Paulo era uma revista independente da Revista Veja, porém era um encarte, ela ia dentro da Revista Veja, e circulava na cidade de São Paulo. E ela era focada para a cidade de São Paulo. E era obrigatório aquilo, porque todo o calendário de eventos, se eu queria ver uma peça de teatro era lá que você ia ver, queria buscar um restaurante legal, era lá que ia buscar. E era uma coisa bem legal, lá teve um impacto cultural importante, enquanto ela durou e esteve bem, ela teve um impacto importante na cidade, porque ela era mandatória, sabe? Aliás tem coisas na comunicação que a gente vê que tem, outro dia eu estava comentando aqui, falando do Jornal Primeira Mão. Cara, tinha um impacto cultural no Brasil inteiro, um jornal. A Veja São Paulo, então tem alguns que são bem específicos aí e que marcaram uma época. Existe ainda a Veja São Paulo?

Silas Colombo: Existe. Você sabe que hoje deve ter 2 ou 3 veículos de comunicação no Brasil que eles não vêm precedidos da pergunta, existe ainda? Mas ela existe, existe e ainda tem uma força. Por incrível que pareça, a Abril existe ainda, é uma empresa infinitas vezes menor do que um dia já foi.

Luciano Pires: Nem sei na mão de quem está hoje, quem comprou, porque eu sei que ela foi vendida.

Silas Colombo: Não faço ideia, ela foi sendo quase que uma batata quente. Agora é a sua vez de cuidar dessa bucha. Mas eles vão bem ainda, a Veja tem alguma relevância. E nessa época que eu comecei a trabalhar na Veja São Paulo, eles abriram essa oportunidade de a revista regional que era focada em roteiro cultural, ter essa pegada muito mais de dia a dia da cidade, tanto de política, tanto de movimentos, de transformação na cidade. E no final das contas, o único maluco sem responsabilidade em criar filho e sem horário para voltar para casa, era o estagiário. Então, eu era colocado em todo tipo de furada, nossa, conheci canto desse São Paulo aí que eu nem sabia que existia, cobertura no Grajaú na madrugada, fazendo medição de nível de iluminação pública no fundão do Marsilac, uma coisa assim, foi uma experiência de aprendizado muito grande. E aí depois quando…

Luciano Pires: Mas você estava feliz lá?

Silas Colombo: Estava feliz porque eu era jovem e besta.

Luciano Pires: Você tinha se encontrado ali? Montando pneu de caminhão, você um belo dia falou que não é aqui que eu vou fazer o meu futuro, né? Ali, lidando com a coisa do jornalismo, você falou é aqui que eu quero ficar, não necessariamente naquela função, mas é nesse segmento que eu vou ficar, é aqui que eu vou fazer meu negócio?

Silas Colombo: Exato, eu pensei o seguinte, aqui eu vou fazer, toda semana eu tenho que fazer uma reportagem, mas toda semana vai ser alguma coisa diferente. Então isso que foi o maior divisor de águas do meu trabalho anterior, que era fazer a mesma coisa todos os dias, até os meus joelhos aguentarem eu me aposentar, para um ambiente em que assim, literalmente, toda segunda-feira eu poderia desde curtir ali, fazer um roteiro dos 5 restaurantes mais gostosos da cidade, até ir me sujar de esgoto em algum canto da Zona Leste. Então aquilo era muito empolgante para mim, e é isso, a melhor coisa para o jornalista, os dois ingredientes para um bom jornalista hoje na minha opinião, é o cara ser jovem e besta, porque não faz sentido como carreira, né, o repórter.

Luciano Pires: Cara, isso é um pleonasmo, jovem e besta é um pleonasmo. A juventude é uma doença, mas felizmente ela tem cura.

Silas Colombo: Pois é. E a evolução para chegar no bichinho do empreendedorismo, é que chegou uma época que obviamente você vai ficando menos jovem, menos besta e você vai entendendo um pouco mais como as coisas funcionam, e aí começou a ter um boom ali por volta de 2014, 2015, do universo da nova economia. Umas empresas de tecnologia. A gente ouvia muito falar do Vale do Silício lá fora, o Facebook na época, e aí começou a pipocar muito isso aqui no Brasil.

Luciano Pires: Milhões, né.

Silas Colombo: Dinheiro que você não tem nem noção das cifras que estavam movimentando, e milhões de pessoas usando aquilo, uma transformação social mesmo. E aqui em São Paulo era obviamente um dos epicentros dessa nova economia, e eu louco para contar essa história. E nas reuniões de pauta, eu devo ter proposto pelo menos umas 30 vezes, fazer o Vale do Silício paulistano, aonde estão as principais start ups aqui. Eu não conseguia fazer isso, por um motivo bem simples que é, os caras que estavam fazendo essa revolução de tecnologia, eles eram da grande maioria programadores, pessoal das ciências da computação, engenheiros ou especialistas em áreas muito específicas, e bom, você que é um conversador profissional, você sabe que tem alguns tipos de perfis de pessoas que não conseguem explicar o que está dentro da cabeça deles. Então você via uma start up com uma baita de uma ideia, cara, isso aqui vai mudar o mundo. E você chegou a conversar com o fundador, o cara não conseguia explicar aquilo de uma forma que vendesse o tamanho do impacto que ele estava propondo para a sociedade. E era difícil fazer reportagem com esses caras. E uma hora me bateu o seguinte, olha, cada dia está surgindo duas, três, quatro, cinco novas, o mercado está se transformando e alguém precisa pegar esse monte de nerd na época e ajudar eles a vender, contar uma história.

Luciano Pires: É engraçado, porque o mundo do start up é um mundo que popularizou a história do pitch, o me dê o seu elevator pitch, me conte uma história, mas esse negócio vem com uma inversão total. Eu tenho uma palestra minha que eu sempre falo para o pessoal, cara, nós somos a era Disney. A gente aprendeu, cresceu, contando história com começo, meio e fim. Sempre foi assim. Aí a internet chega, e apresenta para a gente um trecho chamado hipertexto, onde você está seguindo numa linha, clica num treco azul, ele te joga para outro lado. Aí você vai parar num vídeo que não tem nada a ver com aquele, e que abre um outro mundo que você começa a andar de lado na história. Até trombar com o lance do elevator pitch, que os caras chegaram e falaram, cara, me conta uma história, mas eu quero que você comece pelo final. Eu quero ouvir o fim, para saber se vale a pena eu ouvir o começo. Inverte a contação de história, o que para nós que somos Disney, é um nó, é muito complicado. Começa com o fim da piada, deixa eu ver se ela tem graça. Se eu gostar eu quero ouvir o começo.

Silas Colombo: Mas assim, pelo menos você tem uma noção do que é uma estrutura de história. Tem gente que ainda está um passo atrás, que nem tem essa noção. E no começo ainda tinha muito estigma americano, do “start upero” ser o renegado, ser o nerd de computador, ser aquela pessoa mais reclusa. O ideal do Mark Zuckerberg, que é o cara programando, e é meio neuro divergente, não consegue se relacionar com as pessoas. Só que quando você precisa transformar isso num negócio, e quando você precisa principalmente pedir dinheiro para banco para financiar a sua ideia, você não pode chegar lá… tem uma mão cheia de pessoas que conseguem chegar num grande fundo de investimento com um chinelo e o cabelo despenteado, e falando loucuras, e consegue um cheque de milhões de reais. A grade maioria massiva, precisa criar uma história, uma narrativa, engajar as pessoas, mover o público para aquele movimento poder chamar a atenção do mercado, na hora de chegar no mercado. Precisa saber amarar muito bem os pontos e as incertezas, e a proposta de valor, o proposito, para que aquela ideia, aquela união de amigos de faculdade vire uma empresa.

Luciano Pires: Eu tenho dito nos textos e tudo mais, que a gente saiu na sociedade da informação e entrou na sociedade da narrativa. O que manda agora é narrativa, não é mais o fato em si, mas é a forma como o fato é contado. Então a gente vê uma sequência de acontecimentos aí recentes que é eleição de Trump, Bolsonaro, pandemia, Israel, e cara são fatos assim que você escuta versões, meu, o cara transforma um negócio ruim em bom, o bom em ruim. A gente chegou ao cúmulo de criar elementos químicos de direita e de esquerda.

Silas Colombo: Exatamente.

Luciano Pires: Apoiado em uma narrativa. E é assustador, a gente já sabia, isso já existia há muito tempo, mas não da forma como está hoje em dia, ode se cria uma narrativa sem pé nem cabeça e mesmo com ferramentas que nunca existiram, de você chegar lá e desmentir, aquilo tem uma capilaridade tão grande, que mesmo desmentido, não adianta, a narrativa grudou. Como grudou, o Bolsonaro até o fim da vida será conhecido como o cara que gastou R$ 15 milhões de reais em leite condensado. Não interessa que é mentira, não importa que não era nada, não importa, ele é o cara do leite condensado. Isso é assustador, porque cara, isso causa um dano que não tem volta, irreparável.

Silas Colombo: Mas isso é muito do perfil de comportamento de comunicação que a gente tem hoje. Na minha época, falar na minha época com 30 anos é complicado, mas mudou muito rápido. Antes a gente tinha a imprensa de massa, que você realmente podia falar, eu sou um veículo de impacto nacional. Hoje, são pouquíssimos veículos de comunicação que tem esse impacto nacional. A gente está falando muito de uma comunicação por nicho.

Luciano Pires: Cara, eu fui lançar meu livro e tomei um susto, porque meu último livro foi em 2015, e eu fui lançar agora, em 6 anos mudou, não tinha mais onde botar o livro, cara. Cadê o Programa do Jô, que mostra livro? Essa imprensa de massa que você falou realmente ela foi implodida.

Silas Colombo: Ela foi implodida, porque a personalização, antes você recorria à imprensa para saber mais ou menos o que você ia pensar sobre um assunto. Hoje você recorre a imprensa para validar o jeito que você pensa daquele assunto. Então, se eu penso daquele jeito, eu vou consumir informação que fale o que eu estou pensando. Do mesmo jeito que eu criei na minha cabeça, eu preciso de uma validação externa.

Luciano Pires: Sem contar que a imprensa perder o poder que ela tinha de esconder determinados temas. Não fale nisso, logo não existe. A internet vem e põe aquilo à claro. A mídia tradicional, como é que eles falam, a mídia tradicional ela escolhe não falar de um assunto, mas o Twitter não perdoa, a rede social vem e traz aquilo a baile. Então mudou completamente a forma.

Silas Colombo: O jornalismo do cidadão que tem pouco de jornalismo, e muito menos de cidadão, na grande maioria das vezes, que é o jornalismo do Twitter ali, ele realmente, nenhum assunto está fora de alcance. Mas por exemplo, antigamente a gente tinha artistas, músicos, que eram de conhecimento, que todo mundo conhecia. Você podia não gostar, mas você conhecia, porque a comunicação era muito mais ampla. Hoje em dia as vezes você descobre que tem um cara que está fazendo show para 1 milhão de pessoas, 1 bilhão de visualizações no Youtube, e você nunca ouviu falar dessa pessoa. Então, são muitos grupos, nichos de pessoas que tem todo um ecossistema de comunicação para validar o que esse povo fala. Então o controle da narrativa hoje em dia, antes, vamos ser bem sinceros. Antes a gente parava para ler uma reportagem, a gente lia a reportagem. Hoje em dia, a gente consome a informação por fragmentos. Um título que a gente viu no Facebook, um comentário sobre a notícia que a gente viu no Twitter, aquele trechinho no rádio que a gente pegou no Uber, desceu e foi fazer outra coisa. Então a gente vai construindo por fragmentos das histórias, juntando com a nossa própria visão de mundo, e cada grupo desses tem uma visão diferente do que a realidade. É muito difícil controlar uma narrativa hoje.

Luciano Pires: E isso traz também um outro ponto que eu bato também muito, que é, mudou a forma como eu como consumidor de informação, não só busco, como me relaciono com ela. Caiu no meu colo uma responsabilidade que eu não tinha antes. Antigamente, Cid Moreira falou, como é que eu vou… Hoje em dia cara, tem… E eu costumo falar para o pessoal, cara, gaste no mínimo o mesmo tempo que você gastou para ler a notícia, na área de comentários. Leu a notícia, agora vá no comentário e gaste ali, porque ali dentro vai aparecer o complemento, a negativa, o fato em si verdadeiro e tudo mais. Então isso muda a dinâmica. Então ficou muito mais rico o acesso à informação, porem para mim como consumidor, é muito mais difícil eu consumir hoje, do que era antigamente.

Silas Colombo: Que uma das profissões mais difíceis no universo do jornalismo é a do editor, que é o cara que vai garantir que aquela informação está coesa, está bem apurada, ela tem base em verdade, tem todo um respaldo para aqui estar publicando. Hoje o editor é o leitor, a informação está aqui, você vai saber se ela faz sentido, se ela está bem escrita e se é verdade ou não.

Luciano Pires: E você tem que saber se aquilo é uma opinião ou uma informação. Isso é um fato ou é uma opinião, tem viés ou não tem viés?

Silas Colombo: Hoje em dia está bem difícil de fazer essa diferenciação. E tem uma coisa muito bacana, tem estudo do Washington Post que mostra muito bem como a gente consome informação hoje. Eles conseguem monitorar no site deles reportagens que tem 4 parágrafos e entender quantas pessoas leem o primeiro, quantas pessoas avançam para os dois próximos, e quantas pessoas leem o último parágrafo. Então é aquilo, 80% das pessoas leem só o primeiro parágrafo, e aí 19% passam para o segundo e para o terceiro. Só 1% dos leitores deles, rolam até o último parágrafo. Então quer dizer, você está consumindo informação, mas não informação completa.

Luciano Pires: Você simula uma narrativa pela forma como você diagrama a sua escrita. Eu posso pegar o dado mais importante, colocar no último parágrafo, não, mas eu falei a verdade, está escrito aqui. Mas ninguém chegou lá, bicho.

Silas Colombo: Exato, e não sei se você já reparou nisso, mas geralmente eu pego, vou fazer uma matéria acabando com você, acabando com a sua reputação, e aí no último parágrafo, “Luciano diz que nenhuma prova é concreta”, e que isso é mentira. Acabou.

Luciano Pires: Nós temos um fato maravilhoso que não tem como não usar porque aconteceu na cara da gente, é a Rede Globo falando do porteiro que ligou para a casa do Bolsonaro para o cara entrar. A matéria vem escandalosa, no final, “Bolsonaro não estava na casa dele”.

Silas Colombo: Mas não é bem assim, só que até esse não é bem assim chegar nos grupos, a percepção já está construída. Hoje é mais um processo de consumo de informação por percepção, do que pelo fato, pela apuração do fato.

Luciano Pires: Bom, cadê o bichinho do empreendedorismo, o que que te tira. Aliás, o que que te tira não, como é que você percebe que tem um nicho de mercado aí para você atuar?

Silas Colombo: Então, nesse primeiro momento foi mais uma sensação de revolução no mercado mesmo. A gente via uma empresa que acabou de nascer, e 1 ou 2 anos depois ela estava sangrando uma empresa que fazia do modo tradicional há 40 anos. Eu falei, não é possível que isso seja uma febre de momento. Então eu quis abordar um mercado de inovação como um todo. Só que daí o mercado de inovação realmente foi se desenvolvendo, foi crescendo, e eu tenho um bichinho antes do empreendedorismo que é de resolver bucha. O fácil ele me entedia muito rápido, e aí obviamente a primeira onda de start ups eram aquelas coisas sensacionais, Ubers da vida, aquela coisa que era sexy de fazer.

Luciano Pires: O adolescente que criou o aplicativo que é vendido por U$ 1 bilhão de dólares para o Google.

Silas Colombo: Já é uma notícia sozinha, precisa de pouco esforço para embala isso. Mas aí começou todo um processo de transformação de tecnologia mesmo do nosso dia a dia, e começou a surgir as start ups que são as tecnologias de back office, vamos dizer assim. O cara que ele não é sexy, ele não tem uma história, um arco do herói, do empreendedor. Mas a solução que ele está propondo, ele resolve uma dor muito latente do mercado, coisas que hoje a gente não saberia viver sem. Assim, aplicativo de banco hoje é uma coisa que lógico, tem que ter. Mas cara, essa percepção de tempo passado que a gente tem, isso é muito recente. Não é uma coisa que está aí desde os primórdios. Pagar por aproximação, fazer sistema de pagamento de folha dos funcionários, de salário, antigamente se colocava dinheiro num envelope ou dava o dinheiro para o cara ir sacar no banco. Isso mudou muito mais o jeito como a gente se relaciona como sociedade, do que só os Ubers, AirBnbs, Nubanks da vida. Então esse cara ele precisa de ajuda, esse realmente é o cara que precisa de ajuda. E é mais difícil, é bem mais complexo, bem mais complexo, porque geralmente algo muito técnico, geralmente algo, geralmente não, 100% das vezes, não é nada sexy você transformar essas histórias. E aí quando você consegue traduzir essa coisa complexa para qualquer pessoa entender, e transformar essa história em uma história sexy, você vê que eu tenho um talento para fazer esse tipo de coisa, eu estou gerando impacto. A gente mede mais o nosso sucesso dos nossos projetos lá, do impacto disso no negócio do cara. Não só se ele ficou famoso, ou todo mundo conhece ele. Você vê que eu tinha um sonho, tinha uma ideia, montei uma empresa que me ajudou a transformar isso num movimento de mercado. E aí o bichinho me pica todo dia de manhã…

Luciano Pires: Mas aí começa uma transição, quer dizer, você percebe que não se trata de contar uma história como jornalista, mas de transformar essa história em uma ferramenta. Então você faz a migração do jornalismo para relações públicas?

Silas Colombo: Exatamente, saio da redação ali, porque é um trabalho enlouquecedor, e eu sempre tive essa vontade de ser o jornalista, e cutucar político, e eu fiz isso e não é tão gostoso quanto parece. E chegou esse momento, eu simplesmente saí, fiz a loucura de sair da redação, que para um jornalista que nessa época mais recente é complicada, porque tem poucos veículos de comunicação, e se você não sai de um já amarrado em outro, você sai do mercado, para você voltar para ser repórter em outro veículo é uma maluquice. Então, eu falei, vou fazer do jeito que me feche realmente as portas para isso, para eu ter a motivação para fazer dar certo.

Luciano Pires: Vou queimar o navio.

Silas Colombo: Vou queimar o navio para aprender a nadar no mar aberto. E aí eu conheci, isso é muito bacana, eu conheci o meu sócio, meu primeiro sócio, nessa época, que eu já era formado e já tinha uma carreira. Meu primeiro sócio estudou na mesma sala que eu na faculdade, a gente nunca tinha conversado. Eu conheci ele anos depois, conheci ele como, eu sabia quem ele era, mas fui conhecer a pessoa, o tipo de profissional, saber de onde o pai e a mãe eram, 6 anos depois que eu já estava formado. E a gente falou beleza, dividi a ideia com ele, ele tinha uma ideia similar, a gente falou, só que a gente precisa testar essa hipótese. Então, a gente não foi logo abrindo uma empresa, a gente foi procurando empresas que deixariam a gente testar a hipótese de que isso funcionava.

Luciano Pires: Qual era a ideia?

Silas Colombo: A ideia era poder, por exemplo, o mercado de relações públicas ele era um mercado tão tradicional, mas tão tradicional, que ele era inacessível para novas empresas, para empresas que estavam sendo construídas. Ele era totalmente feito para manter reputações. Então por exemplo, eu sou um Itaú, uma Volkswagen, eu tenho uma reputação de ser de tal jeito. Então toda a infraestrutura era construída para manter esse tipo de coisa. Só que estava surgindo um monte de empresa nova, a gente tinha uma hipótese de que se a gente encurtasse o caminho para o jornalista entender aquela história, então a gente economizava tempo do jornalista e ajudava a empresa. Se a gente conseguisse ao invés de fazer o bendito do press release descritivo, chato, sobre um tema, um fato, mandasse para o jornalista, fizesse o encontro de relacionamento, em algum momento ele ia fazer uma matéria positiva para a gente. Se a gente mudasse isso para capítulos de histórias mais interessantes ao longo da jornada da empresa, a gente não conseguiria uma recorrência dessa exposição, e o público ia perceber que aquilo não é só um produto, é uma empresa, um movimento de transformação. Então preciso olhar com mais atenção.

Luciano Pires: Legal, porque você como jornalista, você era vítima desses press release, né?

Silas Colombo: Nossa senhora.

Luciano Pires: Quando chegava na sua mesa, e aquilo chega uma hora que não…

Silas Colombo: É quase você ler um manual, você compra um produto, ninguém lê o manual do produto. E a coisa era… porque era do ponto de vista de gente, isso aqui é do release do Itaú, você sabe o que que é o Itaú. Então deixa eu explicar o fato. E era um processo muito chato, muito chato. Então o produto não funcionava para essas marcas da nova economia, e o perfil das agências, dos profissionais, assim, você colocar um “start upero” e um profissional de relações públicas 10 anos atrás.

Luciano Pires: Nem o idioma é o mesmo, eles falam línguas diferentes.

Silas Colombo: Parece que você está fazendo o primeiro contato com uma civilização alienígena. Então a gente quis, tanto de postura, porque assim, eu tinha 25 anos a gente fez isso, era um moleque. E aí a gente poder levar isso para um cara que acabou… é o seguinte, o cara era um jovem com uma ideia que ele não sabia como desenvolver, em um mercado novo que ele não sabia como desenvolver, ele estava com um cheque de R$ 10 milhões de reais na mão, com um grande banco na orelha dele, e aí quando ele ia pedir ajuda, chegava para um cara de terno e gravata na Faria Lima, “porque as relações públicas, não sei o que…”, ele ficava desesperado, e aí a solução do problema dele, vamos dizer assim, era um outro moleque de 25 anos. Então foi um processo de testar isso na prática, em nenhum momento a gente podia falar, nossa, a ideia é boa. A gente sempre tinha que chegar com case primeiro, com os números provando…

Luciano Pires: O fim da piada, para depois te contar o começo.

Silas Colombo: Isso mesmo, antes de você deixar eu sentar e te explicar o que eu faço, olha o impacto do que eu faço. Aqui é a prova real. Senão o pessoal nem deixava a gente entrar no prédio. E esse desafio foi dando um calorzinho no coração.

Luciano Pires: Nasceu a empresa ali?

Silas Colombo: Aí nasceu a empresa ali. A gente testou por um ano, a Motim.

Luciano Pires: De onde veio o nome Motim?

Silas Colombo: A Motim veio justamente dessa sensação de a gente reunir pessoas diferentes que não estão recebendo o apoio necessário para crescer no mercado, para a gente se reunir, fazer diferente, fazer esse Motim, brigar contra o status quo, romper o ruído de comunicação, que é todo mundo falando igual, do mesmo jeito, a narrativa controlada, a gente criar os nossos próprios caminhos.

Luciano Pires: Que ano foi isso?

Silas Colombo: Foi em 2016. A gente vai fazer 8 anos agora no meio do ano. E parece pouco, mas para o mercado de inovação, mercado já mudou umas 3 ou 4 vezes.

Luciano Pires: 8 anos em tempos de internet, é um século. 2016 para cá, cara, PodCast do jeito que se pensa que é hoje, aquelas lives no Youtube que chamam de PodCast, não existia em 2016. E hoje é uma febre.

Silas Colombo: E o comportamento do público foi mudando muito. A gente criou toda uma metodologia, testou, otimizou e fez um negócio incrível, e veio a pandemia. Tudo isso, não digo que foi por agua abaixo, mas ele teve que ser completamente readaptado, reensinado. O público que não comprava online começou a comprar online, o cara que tinha uma solução dependia do tête-à-tête, dependia de um ponto físico, sumiu do mercado de uma hora para outra. A gente teve que refazer todo esse processo.

Luciano Pires: Deixa eu te contar uma experiência minha, essa do lançamento do meu livro. Eu fiz todo o processo de lançamento do meu livro, o livro mais recente é o Merdades e Ventiras. Você vai ganhar um no final aqui, que é o cachê do evento.

Silas Colombo: Já valeu a pena.

Luciano Pires: E eu fui fazer o processo de lançamento, então era final de 2002, setembro ou outubro de 2022, eu com tudo engatilhado, o livro para sair, falei bom, vou trabalhar o lançamento do livro. Vamos lá, vamos procurar, e saí atrás de agências de comunicação, e eu me lembro, me deram uma dica, tem duas mulheres que são boas, marquei com as duas e fiz um Zoom com as duas. Meu, eu me senti em 1991, as duas falando e eu olhando aquilo, meu, nada disso funciona mais, não tem mais isso. O caderninho de endereço delas já morreu metade de gente que estava lá.

Silas Colombo: A tinta já estava apagando.

Luciano Pires: E a proposta, era uma proposta muito antiga. Eu não conhecia você na época, não sabia como que era… aliás, estou conhecendo hoje. Eu ouvi aquilo, cara, isso já foi, isso tudo foi atropelado, nem a linguagem dela serve mais, não existe. E eu meio que brochei, cara, não vou gastar dinheiro mais com assessoria de imprensa, com PR, porque eu sei que eu vou jogar dinheiro fora e não vai acontecer mais coisa nenhuma. E fiquei com um nó na cabeça, bom, fui fazer pelo meu canal, pelo meu caminho. Então me parece que ficou muito mais difícil você atuar hoje em dia com essa… não tem mais aquela coisa que você falou á atrás. Era um negócio tão formatado e tão tradicional, que era um caminhão que você punha a ciosa lá e ela andava sozinho. Agora não tem mais isso cara.

Silas Colombo: Não tem mais isso, e vou te falar, hoje a gente deve ter quase 80 projetos diferentes na casa. Nenhum é igual ao outro, mesmo empresas de segmentos parecidos, porque assim, não é que o mercado em si mudou, mas as pessoas mudaram muito. E aí essas agências, a gente tem dois perfis, tanto de pessoas que a gente contrata quanto de clientes que a gente traz, eles têm um traço em comum que eu acho muito bacana. Bacana de observar, não bacana do que acontece, mas o cliente geralmente chega para a gente, a gente não é uma empresa de entrada, não é a primeira que você vai conseguir contratar, o cara chega traumatizado. Cara fala, meu, gastei, já investi um monte, já tentei 2 ou 3 e não funciona, mas eu também não conheço outro jeito de resolver, eu quero que você resolve, mas eu não sei exatamente como. Não confio em você, e estou traumatizado, tudo o que você fala, ele não acredita.

Luciano Pires: A sua agência é de marketing digital por um acaso?

Silas Colombo: Não, graças a Deus não.

Luciano Pires: Que a conversa é igualzinha, é a mesma coisa. Cara, gastei tubos e não funcionou.

Silas Colombo: Então a gente tem um processo, não é só de receber o cliente e fazer um bom trabalho, mas a gente quase que um trabalho de psicólogo, de ganho, de reconfiar no processo de PR, e um processo didático mesmo de ir mostrando, olha, isso que está acontecendo, está impactando nisso. Sabe essa coisa bacana que aconteceu? Foi por causa disso aqui. Então não é só fazer, mas a gente entende que a gente tem essa obrigação de também ser didático, porque o mercado ele passou por uma crise de identidade muito grande recente, então a gente precisa fazer isso também.

Luciano Pires: Saiu um PR agora, quem está ouvindo a gente aqui e não pescou, PR é PR, public relations, PR. Então é relações públicas.

Silas Colombo: Perfeito. E do mesmo jeito, o profissional de PR, de relações públicas, ele também é uma figura que a gente, grande parte do investimento do que a gente faz é em cultura, é em acolhimento desse cara, porque ele vem de alguns lugares, o profissional de relações públicas do jeito que a gente gosta de trabalhar. Ou ele vem da redação, e ele está completamente destruído, ele tem o conhecimento dele dentro ali do cérebro dele, mas tem o stress pós-traumático da vida de repórter, então isso tem que ser reconstruído e redirecionado. Ou então, o perfil que a gente mais gosta de trazer é o cara que ele é um comunicador talentoso, ele é um comunicador habilidoso, mas ele está dentro da empresa que faz do modelo tradicional. Então ele está sobre uma carga de frustração tão grande, que assim como o cliente, a gente tem que reconvencer esse cara de aplicar o talento dele em alguma coisa que dá impacto, que gera uma transformação, porque ele chega também. Às vezes a gente vai fazer… os causos de entrevista de emprego lá na Motim são tema recorrente no happy hour. Que as vezes a gente conversa com um cara que está numa grande agência de PR, atendendo uma grande conta, uma Uber da vida, e aí você vai fazer uma entrevista com um cara, primeiro que ele está com aquele olho vazio, olhando para o nada. E ele não quer, as primeiras perguntas do cara é, o plantão aí é como? A aprovação, eu tenho que passar por quantas pessoas, para uma ideia, sabe? A pessoa está moída por um sistema que está servindo alguém que eu não sei quem é. É engraçado a gente observar de fora, porque a gente está ajudando a mudar. Mas é sofrido.

Luciano Pires: Tem um lance interessante aí, que tem aquela história da separação da igreja e estado. Então você entra num veículo antigo, você tinha a redação e você tinha a área comercia, e os dois se odeiam. A redação não podia ver a área comercial, porque sabia que os caras iam se meter ali para aquilo. Pior, atua com o pé nas duas, ele tem um pé de cada lado, então ele está tratando de um interesse comercial, porém ele tem que lidar com interesse jornalístico.

Silas Colombo: Editorial.

Luciano Pires: E é muito desconfortável isso, porque você tem que…

Silas Colombo: Nossa, é um cara que tem que ter um talento para negociação, até gestão de conflitos, no caso aqui de interesses. Mas, eu sempre procurei desse o começo é, qual que é o calcanhar de Aquiles dessa sinuca de bico? O jornalista ele gosta de boa história. Se ele tiver a oportunidade de contar uma boa história, principalmente o jornalista de hoje em dia, que é o cara mais multitarefa e ocupado do mundo, se essa boa história chegar de um jeito simples para ele construir, é muito difícil ele negar entendeu? Então se a gente pegar, por exemplo, um jornalista comum, eu gosto muito de números, de falar as coisas muito baseada em dados, esse tipo de coisa. O jornalista tradicional, ele recebe em média 450 sugestões de pauta por dia.

Luciano Pires: Dia?

Silas Colombo: Dia. Por e-mail, por… então quer dizer, se você está querendo contar sua história na imprensa, você está entrando numa fila, até o cara conseguir ler tudo isso. Agora você senta nessa fila com um jornalista, antigamente por exemplo, a Folha de São Paulo tinha o setorista de aviação, setorista de naval, setorista de rodoviário. Hoje tem um cara que cobre infraestrutura América Latina. Quer dizer, o jornalista é um cara sem tempo. E aí você coloca você como profissional de relações públicas, é um assessor de imprensa, coloca a pauta do seu cliente nessa fila de um jeito chato, que o jornalista vai ter que olhar para aquilo e ter um baita de um trabalho para saber se aquilo é uma história boa ou não, cara, você vai ficar nessa fila para sempre. Agora traz uma história legal, você já sabe o jeito mais ou menos que aquele veículo conta aquele tipo de história, você já traz bem mastigadinha, olha, se quiser expandir para cá, tem essas opções de especialista e personagem. A gente tem esse cara aqui que corrobora muito bem com essa história na empresa, dados de mercado, que é o famoso, o cara pega ali um dia, faz as entrevistas, entende, checa as cosias, cruza os dados e tem uma baita de uma matéria, a gente ajuda o cliente a furar essa fila, contar uma história mais legal, mais robusta, e a gente ajuda o jornalista também a contar melhor as histórias, ao invés de ficar só replicando coisa que está todo mundo falando.

Luciano Pires: Você está citando muito jornalista. Vamos falar um pouco de rede social, cara. Porque você tem aquela história, eu tenho os blogueiros, o Twitteiros, eu tenho os digital influencers, os quais eu vou conversar e ele vai me cobrar R$ 40 mil reais para fazer um post dizendo que a minha botina é a melhor botina do mercado, e assim vai. Isso é uma fauna completamente diferente da fauna jornalística. Primeiro que ele não tem esse interesse na boa história, não está nem aí. Ele não tem interesse em saber se aquilo é verdade ou não. Se der like cara, está valendo. E você é o cara que vai ter que chegar lá e transformar essa compulsão toda em resultado para o negócio. Como é que é lidar com essa fauna toda?

Silas Colombo: É muito interessante, porque é justamente isso. A gente começou como assessoria de imprensa porque a gente entendia muito do mercado de jornalismo, e o público, como a gente começou falando, começou a mudar e cada um foi para o seu nicho específico, e vários desses nichos a imprensa não chega ou ela chega de uma maneira diferente da que a gente está acostumado. Então a fauna, o ecossistema de comunicação, é relação pública. Para chegar no público, a gente tem que ter relação com todos os bichinhos dessa fauna. E é muito maluco porque o seguinte, a história do, esse microfone é preto, ela vai ser contada e trabalhada de um jeito na imprensa, de um jeito pelo influenciador, de um jeito pela rede social, e eles são jeitos bem diferentes de a gente poder explicar que o microfone é preto. Então, não é o release padrão, não é a mesma narrativa, não é o mesmo profissional. Todo mundo, tem algumas agências no mercado que o jornalista assessor de imprensa também é o cara que faz o blog da empresa. Cara, assim, beleza, dá para fazer, vai ter post no blog. Agora, se aquilo vai estar gerando tráfego, gerando interesse, porque realmente são bichos diferentes, são habilidades de comunicação muito diferentes. O talento, a estratégia, o X da questão aqui é como que você conecta tudo isso, porque realmente hoje em dia, para você chegar no seu nicho, no seu público, você tem que se comunicar de maneiras diferentes, e quem define quais são essas maneiras é o seu público. É o que mais existe hoje, é marca, empresa, falando sozinha. Nossa, mas eu invisto tanto aqui no meu site, no meu blog, e não me dá resultado nenhum. Beleza, você está vendendo para quem? Estou vendendo para o cara que só usa Tik Tok, que a última vez que ele leu um texto completo na vida, foi para apresentar um trabalho na escola. Então, o público está cada vez mais variado, e essas ferramentas elas ajudam a gente a penetrar nessas bolhas que o pessoal constrói. Mas assim, eu acho que quando a coisa começa… que uma coisa é você ter uma fauna, outra coisa é você ter um zoológico, que é quando a coisa começa a perder um pouco do sentido.

Luciano Pires: Chegamos lá. Você trabalha, o resultante do seu trabalho, acaba sendo a reputação, do produto, da empresa, você é um consultor de reputação.

Silas Colombo: Perfeito.

Luciano Pires: E você acaba de tocar num tema agora importante que é esse, cara, quando a coisa começa, nós vamos invariavelmente trombar na Mind 8, no Choquei, no algoritmo, nós vamos bater no algoritmo. E de repente se revela para nós que não tem nada por acaso, a Luísa Sonsa não virou o grande nome da música popular brasileira porque ela tem… não cara, aquilo foi tudo trabalhado para ser assim. O cara define, você é a bola da vez e faz com que isso aconteça, e funciona na política, em qualquer lugar. Tem gente manipulando o processo, que é diferente do que acontecia lá atrás. Eu conseguia levar alguma coisa para botar no Estadão, botar alguém na capa da Vejinha.

Silas Colombo: Um artista colocar no Caderno 2.

Luciano Pires: Uma dupla sertaneja contar no Faustão, chegou ali, está feito o barulho. Não é mais assim, não basta chegar ali, aliás, não tem nada a ver com o seu talento nem com a qualidade do trabalho, tem a ver com os impactos que você consegue fazer com essa narrativa. Cara, isso é assustador, para mim como público é assustador. Está muito claro para mim que eu sou otário, sou tratado como otário, e não há maneira de eu deixar de ser um otário, porque mesmo que eu não queira ser quem está em volta de mim está sendo. E isso é um movimento que carrega a sociedade.

Silas Colombo: Você não é um otário, você é um consumidor, que eu não sei o que é pior.

Luciano Pires: Eu sou um otário cara.

Silas Colombo: Mas esse processo, porque assim, esse processo por exemplo no caso da Mind 8, da indústria da fofoca, ele é nada mais do que uma versão, uma evolução, não sei se dá para chamar evolução, do processo de relações públicas. Só que antes ele era baseado em um processo de construção de uma imagem, de uma credibilidade. No caso deles, a grande diferença é o seguinte, por exemplo, a gente trabalha com empresas de tecnologia para o setor financeiro, as Fintechs, que é basicamente você tirar seu dinheiro de um banco com 50, 100 anos de credibilidade, não ter roubado seu dinheiro e ter dado golpe nas pessoas e colocar dentro de um aplicativo no seu celular. Eles, o processo de construção de reputação ele é baseado em credibilidade, nunca nenhum ponto da construção de narrativa de uma marca como essa, você pode usar a máxima “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. Não, se o cara começar a desconfiar que você dá golpe ou não, o cara tira o dinheiro de lá. Então, não existe. Só que por exemplo, para o artista, o músico, para subcelebridade, não importa a qualidade da informação. Então eu vou dar um exemplo clássico, independente se eu gostar ou não da Luísa Sonsa, todo o bafafá que a indústria da fofoca criou e alimentou, me fez entrar no Spotfy e clicar na música Chico que ela fez para o cara que traiu ela. Então quer dizer, funcionou, eu fui um consumidor.

Luciano Pires: É aquela história daquela esquina que tem 4 botecos. Tem um boteco lotadíssimo, outro um pouco lotado, outro menos e um vazio. Você chegou lá, qual boteco que você vai?

Silas Colombo: Exatamente, vai no cheio.

Luciano Pires: Tem vaga no vazio, mas eu não quero, eu quero ir no que está cheio. Isso você chegou lá e viu acontecer. Mas quando alguém chega para você e conta para você, “meu, está todo mundo ouvindo fulano, está todo mundo seguindo ciclano”, quando não está todo mundo seguindo. Você olhou para aquilo e falou, eu também vou nesse boteco, mas você foi conduzido para uma coisa que não é real.

Silas Colombo: Isso, porque você foi pegando fragmentos da informação ao longo do caminho. Você viu o seu primo adolescente falando. E aí depois você viu no Twitter, no trend toppics, e aí você viu no seu story, e aí uma hora…

Luciano Pires: E você comenta com um amigo, abre o Instagram e aparece.

Silas Colombo: Aparece na sua cara. Em algum momento, está na imprensa tradicional. Gente, e aí o ser humano pela qualidade natural dele, a gente é um bicho de grupo, a gente quer, a gente tem medo de não fazer parte de um grupo. Então quando a gente começa a fazer, ver todo esse movimento acontecendo, você fica com FOMO, que é o fear of missing out, medo de ficar de fora. Então pelo menos ir lá e dar uma espiadinha, falar, o que que é isso que está acontecendo? Ou dar um cliquezinho no Youtube, ou dar um cliquezinho no site de fofoca, ou um play no Spotfy, que é o resultado final do que para isso essa indústria da fofoca foi criado, para fazer esse direcionamento, porque os fins, nesse caso, justificam os meios.

Luciano Pires: Então, tem uma linha ética aí que ficou complicada, cara. Se você falou para mim agora pouco, você falou o seguinte olha, tem um editor que é o cara que se assegura de que aquilo é verdadeiro, etc. e tal, esse era o cara, aquela figura que estava lá atrás. O Augusto Nunes fala muito disso, o Augusto fala, “minha vida inteira eu fui editor de todos os grandes veículos, cara, batia em mim e se fosse ruim, não passava. Hoje em dia você olha e fala, não tem mais editor coisa nenhuma, o cara publica o que ele quer, do jeito que ele quer”. Quando chega num momento como esse que nós estamos discutindo, tem uma linha ética ali que cara, eu estou com um produto ruim, e vou fazer com que ele pareça bom, para que você consuma, e dane-se, se o like vier o meu negócio está feito. Então, como é que é, quem acha que o dinheiro pode tudo, pode tudo por dinheiro. Então se é a grana que interessa, eu não estou nem aí. E aí você cara, você fode a educação, você fode a sociedade como um todo.

Silas Colombo: Isso, tem uma linha ética, mas a gente também tem que ter uma percepção de que cada ator da sociedade tem a sua própria linha ética, não dá para comparar banana com maça. A gente pensa na linha ética, do ponto de vista do jornalismo, como a gente acabou de citar esse exemplo. Tem a responsabilidade do editor, tem a responsabilidade do veículo.

Luciano Pires: Isso impede que você aceite determinados clientes?

Silas Colombo: Isso impede, lógico, com certeza.

Luciano Pires: Por exemplo, eu até hoje não topei nenhum site de aposta, que faz fila. Não aceitei nenhum site de aposta. Já vieram propostas bem apetitosas aqui, mas isso porque eu tenho um pensamento, cara, não é que eu nunca aceitarei, é que está tão obscura a coisa, que eu não me sinto seguro.

Silas Colombo: Perfeito a pergunta, porque é o seguinte, tem essa linha tênue do qual linha de ética que a gente está se baseando. Tem a linha do jornalismo, que ela é muito mais clara. Mas quando a gente, por exemplo, olha para a indústria da fofoca, a gente não pode usar a mesma linha de ética, porque eles não são a mesma coisa, eles não são jornalismo. E a gente entende muito bem isso. Então por exemplo, hoje a gente é uma empresa com processo de compliance bastante apurado, justamente porque quando a gente está falando do mercado de inovação, tem coisa nova que surge, que a gente não tem uma linha de ética, não sei se aquilo é bom ou ruim até aquilo acontecer. Então a gente tem alguns parâmetros que a gente usa para negar ou não um cliente. Então desde os mais óbvios do mundo, se é varejo, se é produção de produto, onde é produzido, se tem as certificações de responsabilidade com trabalho. Mesmo sendo no Brasil e na grande maioria das vezes é em países da Ásia, se tem todas as certificações, principalmente esse tem a responsabilidade de força de trabalho ali mais direta, se o pessoal tem processo trabalhista por abuso moral, abuso não sei o que, esse tipo de coisa. E aí o que é mais tangível, que é o primeiro ponto de conversa com a marca, é qual é o impacto que você quer criar? Qual que é o impacto que você quer gerar na sociedade? Então as vezes é muito claro. E também é muito claro, por exemplo, eu quero, eu tenho o objetivo de otimizar a gestão financeira das empresas, eu tenho o objetivo de dar segurança cibernética para o desenvolvimento da tecnologia, eu tenho o propósito de criar alimentos mais sustentáveis e saudáveis para as pessoas. Isso é muito fácil de você identificar. Uma casa de aposta, por exemplo, aí entra numa linha tênue de você saber qual régua de ética que você vai usar, que é o seguinte, uma casa de aposta, qual que é o impacto que ela quer gerar para a sociedade?

Luciano Pires: Eu acho um business válido, tá? Eu não sou contra nada, pelo contrário, o que me segura é o estar muito obscuro, está muito estranho. Agora você vai para uma Las Vegas que é uma cidade feita em cima do jogo, cara é totalmente válido aquilo, aquilo para mim vai quem quer, usa como quer, ganha, perde, etc. e tal, não tem nenhum problema com aquilo lá. E aquilo é muito claro, até porque quando aparece uma sacanagem, é um escândalo, cadeia e tudo mais.

Silas Colombo: Que para eles não é interessante ter a reputação de que seja não idôneo aquilo, mas nesse caso específico, por exemplo, o propósito de impacto social deles, é vamos chutar a linha, entretenimento. Porque não vai gerar impacto positivo nenhum, entretenimento. E aí tem uma diferença que é o seguinte, eticamente não está errado, o que a gente tem que olhar é idoneidade. É armado? É construído de uma forma suspeita que vai roubar dinheiro das pessoas? Aí a gente não está nem olhando a linha ética do tipo de negócio, a gente está olhando a forma como ele é gerido. SE o cara idôneo, se ele tem uma auditoria externa, se ele está fazendo o processo de apostas do jeito que manda a regulamentação por exemplo, cara, eu não tenho problema nenhum de fazer isso, porque daí tem as convicções pessoais da soberania do indivíduo. Você que sabe onde você está se metendo. Tem uma regulamentação, o governo regulamentou, agora está pagando imposto, vai começar a pagar imposto, está liberado, não é ilegal, aí meu amigo, você tem que vestir a camisetinha de adulto, chapeuzinho de responsável e saber se você vai atuar ali ou não. Porque o objetivo é entretenimento, e a empresa é bem gerida.

Luciano Pires: Como é que a inteligência artificial está batendo no seu negócio, porque eu estou aproveitando o embalo, nós estamos falando de uma… talvez, tem que tomar cuidado, pode enganar as pessoas, não tem como não bater na inteligência artificial. Eu não sei se você viu ontem, andou circulando, eu não fui profundamente, eu só li o primeiro parágrafo, não desci, de um golpe que acontecei na Ásia, que os caras criaram uma reunião fake e acabaram pegando um monte de dinheiro de uma grande empresa com um negócio que não existia.

Silas Colombo: Exatamente, tudo que surge de novo vai ter a versão do porquê que ela foi criada, a versão para o golpe e a versão para a pornografia. Tudo que é criado. Se a gente cria uma água, vai ter água para beber, água no filme adulto, e água para aplicar golpe. Então a inteligência artificial não foge disso. Agora, para o nosso mercado, cara incrível, é uma transformação incrível de como a gente consegue entender melhor e atuar melhor em cima da complexidade de como o público consome informação. Vou te dar um exemplo aqui, quando a gente vai fazer uma estratégia para um cliente, uma história complexa, uma jornada que a empresa quer construir complexa, e aí eu tenho que estudar o mercado, as vezes o produto é muito inovador e não tem tanta similaridade. E eu consigo pegar esse material, colocar dentro do… eu uso muito o ChatGPT4, a última versão que tem, organiza para mim, encontra os pontos de conexão. Eu ganhei 6 horas de trabalho fazendo isso.

Luciano Pires: Ontem me perguntaram, “como é que você está usando?”. Eu falei, “cara, eu estou usando como um ajudante de cozinha. Eu não tenho que picar o legume. Agora o seguinte cara, quem cria o prato e quem dá o charme final no prato sou eu. Agora, eu parei de fazer uma porrada de coisa que eu fazia, que ele está fazendo para mim”.

Silas Colombo: Exato, e eu acho que é esse que tem que ser o objetivo da inteligência artificial, principalmente para o universo criativo. Eu não vou falar que eu nunca tentei, já tentei várias vezes, mas eles ainda não conseguem criar uma linha de conteúdo melhor que um ser humano. Ele consegue criar uma linha de conteúdo? Ele consegue criar uma linha de conteúdo boa, mas ele não consegue conectar todos os pontos da estratégia. Isso é uma ótima coisa. Só que, que valor eu estou gerando para um profissional de RP talentoso, o cara tem que ficar no Google 2 dias pesquisando dados de mercado, para depois ele analisar os dados. Eu não estou gerando valor nenhum, nem para o meu cliente, nem para esse profissional. Quero dados de tal coisa, não sei o que, e vamos para a parte que só o humano importa, que é a parte de conectar esses pontos. Então inteligência artificial está ajudando muito a gente. E uma coisa, uma dificuldade que eu busco superar sempre, é a dificuldade de comunicação entre equipe. Tem uma coisa, uma frase que ela ficou ofensiva ao longo do tempo que é, “você entendeu ou quer que eu desenhe?”. E agora tem vezes que tem algumas inteligências artificiais de imagens, cara, por que não desenhar o que eu quero, entendeu? Eu descrevo o que eu quero e gere uma imagem que ilustre isso aqui. Não me custou zero de tempo, e eu mandei a descrição do que eu quero para o cara do meu time, e uma imagem que ajuda ele a ilustrar.

Luciano Pires: É fascinante imaginar onde que vai estar isso daqui 5 anos cara. Meu Deus do céu. Outro dia eu estava comentando com um cara muito mais velha que eu, e que não tem as manhas de tecnologia, nada disso aí, e ele perguntando, eu falei para ele, “sabe o que vai acontecer com você cara? Você vai poder daqui a 5 anos, entrar na Netflix, conectar ali e assistir Indiana Jones com você no lugar do Indiana”. Mas eu não quero a Linda Mulher com a Julia Roberts, eu quero a Linda Mulher com…

Silas Colombo: A minha esposa.

Luciano Pires: “Mas não é possível”. Eu falei, “cara, vai, você vai poder assistir o jogo da Copa de 70 com Neymar em campo, ao invés… vai tirar o Pelé e vai botar o Neymar”.

Silas Colombo: E do ponto de vista da arquibancada, achando que você está lá dentro.

Luciano Pires: Exatamente. Então é ilimitado. E de novo, tudo isso é muito assustador, porque vai chegar um momento, já está assim, que o que separa a realidade da narrativa, vai ficar absolutamente impossível. Hoje de manhã entrou uma matéria lá dos Estados Unidos, de uma professora em uma escola do interior dos Estados Unidos, a vida dela acabou porque os alunos pegaram o rosto dela e botaram em uma cena de sexo explícito.

Silas Colombo: Tudo que é criado, vai para essas 3 coisas.

Luciano Pires: Foi parar nos professores, e os professores se negam a deixar os filhos ter aula com essa professora, mesmo os caras mostrando… cara, imagina onde vai chegar isso?

Silas Colombo: Porque a tecnologia, ela invariavelmente vai evoluir muito mais rápido do que a nossa capacidade de gerar leis para controlar ela.

Luciano Pires: Você entende que isso torna ainda mais difícil a minha posição como consumidor, quer dizer, é cada dia mais difícil. Eu como consumidor vou ter que tomar todos os cuidados do mundo. Eu estou vendo uma foto, calma, espera, vamos examinar essa foto. E eu vou ter que aprender a trucagem, como é que eu faço para saber se essa foto é real ou não. Olha o vídeo…

Silas Colombo: Vai ser complicado.

Luciano Pires: Olha o vídeo do padre, como é que é isso aqui? A discussão hoje está em cima do se é fake ou não.

Silas Colombo: Exatamente, e tem algumas coisas que não dá para responder. O público normal, sem a presença de um perito, não consegue saber, não consegue.

Luciano Pires: É muito louco. E você que é o cara que entende de reputação, você vai ter um trabalho desgraçado.

Silas Colombo: Vai ser muito complexo, não só com inteligência artificial, mas no universo que a gente passou recentemente, de fake news mesmo, de manipulação de informação.

Luciano Pires: Você vai ter que criar um processo de “desver”. Eu vou botar aqui um processo para que as pessoas elas vão “desver, desler e desouvir”, porque senão…

Silas Colombo: É aquele dispositivo do Homens de Preto, de dar o flash e o cara começar do zero aqui a história.

Luciano Pires: Cara, nós estamos brincando bicho, mas isso é muito sério.

Silas Colombo: Sim, mas você sabe que a gente, obviamente, não tem um dispositivo que faça isso, mas o jeito que a gente divulga informação, ele já faz isso de uma certa maneira. Porque hoje é dia é mais difícil você controlar toda essa conversa, porque as vezes ela acontece em bolhas gigantescas que você nem sabe que existe. A fake news, as deep fakes com inteligência artificial.

Luciano Pires: O cortezinho, não precisa nem… o cortezinho, cara.

Silas Colombo: Exatamente, fora de contexto, é muito difícil controlar. Mas, você reorganizar uma narrativa, reposicionar uma marca, é muito mais rápido. Não é mais fácil, mas é mais rápido, porque a conversa hoje em dia ela é muito mais dinâmica. Antigamente, você precisava de muito mais tempo para construir uma nova narrativa de reposicionar uma marca. Por que? Porque a gente tem um dispositivo de “desver e desler”, que é, como é muita informação, é muita coisa, a coisa se transforma em uma velocidade muito rápida, as pessoas realmente esquecem de um fato quando outro novo assunto do momento chega. Então as vezes tem muita notícia ruim para uma reputação de empresa, um caso ruim, que você analisa de todos os ângulos, e a melhor forma de você conter aquilo é, crie outro fato de outra empresa.

Luciano Pires: Só você olhar o político, olha o cenário político é exatamente isso.

Silas Colombo: Exatamente, porque essas pessoas…

Luciano Pires: Jogue um fato em cima do outro, e o próximo apaga o anterior.

Silas Colombo: Exato, elas aprendem mais rápido sobre uma coisa, mas também elas esquecem muito rápido sobre uma coisa que não está mais no alvo de interesse ali.

Luciano Pires: Cara, esse tema é incrível, e está muito perto da minha área de atuação. A minha vida inteira, você entrou aqui e falou, comecei… eu comecei como cartunista, que é exatamente contar história. Hoje eu conto história, meu negócio é contar história. E isso está se transformando em uma, é um atributo fundamental para qualquer carreira que você queira fazer na vida. Não importa o que você vai ser, se você não souber contar uma boa história, você já perdeu, cara, alguém te atropela no meio do caminho.

Silas Colombo: Você fazer uma entrevista de emprego hoje, depende de como você consegue contar bem a história da sua carreira. Então, não importa a profissão, não é só a gente que tem que ter esse talento.

Luciano Pires: Você está sendo demandado para gestão de crise?

Silas Colombo: Sim, bastante, demais, mais do que deveria.

Luciano Pires: Então, por que? Por tudo isso que a gente falou?

Silas Colombo: Não necessariamente por isso, porque…

Luciano Pires: Deixa eu só completar. Me parece que com todas essas ferramentas que nós temos, nós nunca tivemos tão fragilizados como estamos hoje em dia. É muito fácil eu destruir a sua reputação apertando um botão.

Silas Colombo: Exatamente, perfeito, você tocou no ponto certo. Não exatamente por fake news, esse tipo de coisa, porque isso a gente está falando ali muito mais de figuras high profile, políticos, celebridades ou grandes empresas. Mas, por exemplo, a gente teve recentemente um movimento no mercado de inovação, que é, sumiu o capital de investimento por causa da mudança de taxa de juros, saturação de mercado, e muitas das start ups começaram a fazer o processo que eles chamaram de lay offs, ou demissões em massa. Então basicamente todas as start ups fizeram demissões em massa nos últimos 1 ano e meio. E aí quando você está num processo de construção de reputação, muitas vezes a gente está baseado na construção de um movimento de transformação, e tem informação de que aquele movimento não está indo tão bem perde muita força. Então a gente foi muito demandado durante o período que o mercado batizou de inverno das start ups, para fazer a gestão de crise desse processo de demissões em massa, porque a reputação ainda é frágil de uma start up, e a gente precisa controlar muito bem a narrativa disso, para que tudo que foi construído não se perca. Mas aí o que você falou, é muito fácil destruir uma reputação. Hoje em dia, como a gente criou um método de fazer essa gestão de posicionamento, gestão de crise, marcas maiores, mais tradicionais, fugindo do mercado de inovação, eles procuram a gente pelo seguinte. Antes, o cara comprava um refrigerante no mercadinho do interior do Piauí e vinha sem gás. Ele voltava no mercadinho e fala, “está sem gás, me dá outro”. Hoje ele vai para o Reclame Aqui, ou ele monta um grupo, “gente, alguém mais comprou dessa marca e estava sem gás?”. E esse povo todo vai para as redes sociais da marca, e fala, “vocês são um lixo”. Quando você vê, você nem sabia que o cara do mercadinho estava gerindo mal o estoque dele e agora tem mil pessoas falando que a sua marca é uma bosta no Instagram. Então esse processo de massa, ele impacta muito as grandes marcas, porque eles dificilmente vão ter controle sobre todo esse público que eles impactam, para todo mundo que eles vendem, só que quando a coisa se volta contra eles, é assustador. Por exemplo, uma construtora, você vai fazer um grande empreendimento, você está falando de 160 apartamentos. Se atrasou a obra, 160 apartamentos, porque tem 5 mil pessoas falando na minha rede social que eu não cumpro meus prazos. Meu, deveria ter 160 ou pelo menos 160 X 4 que é a família desse pessoal. Da onde surgiu esse tanto de gente falando mal de mim? Porque o detrator, ele tem uma capacidade de juntar gente em volta dele, até de uma forma mais fácil do que o influenciador, o embaixador da marca. Então o pessoal está sofrendo muito nas redes sociais, justamente por isso. As vezes realmente teve um problema de marca que impactou 10 pessoas, ou impactou 1000 pessoas.

Luciano Pires: Mas a questão física cara, a resistência do ar, a merda é muito menor do que o elogio, entendeu? Se você taca um pedaço de merda, a velocidade que ela vai não tem resistência nenhuma cara, ela vai para todo lado. O elogio para aqui, para ali, ele é mais…

Silas Colombo: Isso, é impressionante, isso toma uma escala que as vezes, juro para você, o problema é tão simples quanto você entrar num chat da empresa e falar, deu esse problema no meu produto. O cara fala, beleza, ou faz isso aqui que arruma, ou beleza, estamos te mandando outro”. Era só isso, mas acho que é gostoso, engaja você ir para a sua rede social, você falar do problema, o outro falar tive um problema similar, e começar a juntar essa comunidade de gente denegrindo a sua marca.

Luciano Pires: É um custo que os caras não costumam olhar, assistência técnica e tudo mais. Eu tive um problema com um Laptop meu da Sony, eu tinha um Sony Vaio maravilhoso, um laptop. E um belo dia começa a derreter o conector onde você põe na energia elétrica, sem perceber. Eu olho, que isso, começa a derreter. Que isso, cara? Eu tinha comprado, e aí começa aquela confusão, derretendo, eu entro dar uma olhada no Google, cara, é um problema de projeto que está dando merda lá fora. Aí eu estou no Brasil, ligo lá, meu estou com um problema aqui. O que? Ninguém entendia o que eu estava… os caras nem entendiam do assunto. Aí eu fui na concessionaria dos caras, está aqui, estou com um problema aqui. Deixa aí que nós vamos olhar. Passa 2 ou 3 dias, eu ligo para o cara, o que que é? Não, a gente vai repor o laptop para você. Espera um pouquinho cara, eu botei na sua mão um puta laptop. O cara falou para mim, você vai gostar. Eu fui lá, entrei, a hora que eu cheguei eu virei atração, “você que é seu Luciano?”. O cara veio, e me trouxe o laptop, botou na minha mão, está aqui, senhor pode levar. Mas e aí? Senhor tem que assinar esse papel aqui, saí de lá, não entendi nada. Depois que eu fui olhar, aquela merda estava quimano perna dos caras no mundo inteiro, e os negos entrando com ações contra a empresa, indo para a mídia social, dizendo que aquilo é uma merda, e veio uma ordem, cara, troque imediatamente para calar a boca de todo mundo, que é o processo de gestão de crise.

Silas Colombo: Exatamente. Cara, vou te falar uma coisa, você está aqui trabalhando, seu laptop começa a pegar fogo, derreter, você grava um vídeozinho, coloca na sua rede social. Um baita de um conteúdo, não ia atingir umas 10 mil pessoas, que aí elas iam contar na festinha de família depois.

Luciano Pires: E você ia ver a cena, né? Ia ver a cena da coisa acontecendo. Olha abarata aqui.

Silas Colombo: A coisa foge do controle de uma maneira muito rápida, e é um telefone sem fio também, do rato em uma Coca-Cola e a Coca-Cola derrete o órgão das pessoas, é questão de 1 mês e 3 ou 4 pessoas diferentes passando… E depois você não controla mais esse tipo de coisa.

Luciano Pires: Então pelo que você está falando para mim, eu já estou entendendo que além, minhas despesas fixas vão aumentar. Além do meu contador e do meu advogado, eu vou ter que ter também o meu relações públicas para gerir essa bagunça toda, porque só com advogado e contador eu não consigo mais controlar essa…

Silas Colombo: Com advogado você só vai poder resolver depois que já aconteceu, o problema com o seu contador que ele está te avisando que você não tem mais dinheiro.

Luciano Pires: Então aproveitando o embalo aqui, a gente vai para o nosso encerramento, preciso dos seus préstimos, quero saber, como é que a gente encontra vocês, me fala o nome da empresa de novo. Motim.

Silas Colombo: Perfeito, nós temos a Motim, a primeira aceleradora de reputação do mundo. A gente está no Instagram e no LinkedIn, no @motim.cc. (Motim.ConsultoriadeComunicacao, CC).

Luciano Pires: Você tem um site?

Silas Colombo: Site motim.cc, tudo que você jogar lá você vai, inevitavelmente, chegar em nós. E se quiser também eu falo um pouco sobre comunicação, sobre esse processo de conexão de marcas com negócios no LinkedIn também, aí silas.colombo, é só me achar lá.

Luciano Pires: Você está no Instagram também?

Silas Colombo: Não, só estou no LinkedIn.

Luciano Pires: silas.colombo.

Silas Colombo: Perfeito. No Instagram só posto foto na praia, e ninguém merece ver isso. Luciano, muito obrigado.

Luciano Pires: Esse tema é muito legal, a gente pode ficar aqui horas e horas falando, e a gente vai ter chance de voltar e falar um pouco mais. Seja bem-vindo.

Silas Colombo: Maravilha, muito obrigado pela chance de poder bater esse papo. Um abraço.

Luciano Pires: Valeu.