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Luciano Pires -

Um “nerd” fascinado por matemática e por big data, que fica cismado com as informações desencontradas sobre a epidemia da Covid e decide preparar seus próprios gráficos, lançando um pouco de bom senso na gritaria.

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No programa de hoje temos Lorenzo Ridolfi, um nerd, fascinado por matemática e por Big Data que fica cismado com as informações desencontradas sobre a epidemia da Covid e decide preparar seus próprios gráficos lançando um pouco de bom senso na gritaria. Muito bem, mais um LíderCast, como sempre eu vou contar como é que a figura veio parar aqui. Eu no auge do começo da pandemia, aquela loucura, aquela gritaria, ninguém sabia nada, cada lugar vinha uma informação diferente, eu me lembro que eu estava fazendo uma série de posts, me incomodando com um monte de gente e um dia alguém entrou num comentário de um post meu do Facebook e falou: cara, vai dar uma olhada na página, tem um cara chamado Lorenzo aí que está fazendo um trabalho legal. Falei: deixa eu dar uma olhada. Entrei no site, vi um trabalho superminucioso, com umas estatísticas, com um palavreado de matemática e tudo mais, falei: cara, o homem deve saber das coisas. Aí fui acompanhar no Facebook, se lá no gráfico tinham os gráficos com comentários, no Facebook tinham os comentários pessoais dele. Aí eu comecei a ver que tem sentido aqui, de lá para frente eu não parei mais de acompanhar e realmente quando eu quero saber o que está acontecendo eu vou no site dele olhar, vou lá no Facebook da página dele olhar. E aí anteontem, três ou quatro dias atrás ele colocou um post, eu li e post e falei: cara, não é possível, eu vou ter que falar com esse cara. Mandei uma mensagem para ele no Facebook: vem cá cara, vamos conversar? Ele na hora me respondeu no e-mail, eu comecei a trocar uma ideia com ele e descubro que ele é meu vizinho. Mora aqui do lado. Vem cá cara, vamos conversar então. Pronto, dois dias depois do contato, nem isso, um dia depois do contato basicamente, nós estamos aqui juntos, vamos gravar um LíderCast aqui porque tem acho que muita informação importante relativa à pandemia, Covid e tudo mais. Três perguntas são fundamentais, as únicas que você não pode chutar no começo da conversa. Então vamos a elas: seu nome, sua idade e o que é que você faz.

Lorenzo Ridolfi: Boa tarde, bom dia ou boa noite. Meu nome é Lorenzo, Lorenzo Ridolfi, eu tenho parentesco italiano, meu pai era italiano, bem machista, me deu um nome imenso italiano que se eu falar o meu nome inteiro acho que vai gastar uma hora inteira do PodCast.

Luciano Pires: Mas você vai falar, agora vai ter que falar.

Lorenzo Ridolfi: Tá bom. É Lorenzo Francesco Giovanni Dino Maria Ridolfi, para ter uma ideia não cabe nem na carteira de motorista, está abreviado lá. Isso me dá problema esse nome gigantesco. Eu sou carioca, mas estou em São Paulo há três anos e fiz há pouco tempo agora, um mês atrás 54 anos. E estou há três anos aqui em São Paulo. Mas quero aproveitar e agradecer você, Luciano, pela oportunidade de mostrar o trabalho que eu acho que é um trabalho importante, tem muita gente mal informada sobre a Covid, realmente é uma preocupação que eu tenho muito grande em levar informação correta para as pessoas.

Luciano Pires: O que você faz?

Lorenzo Ridolfi: Eu sou um nerd que gosta de muita coisa de tecnologia, desde parte de computação gráfica, cores, ciências de dados, que tem a ver com esse trabalho da Covid que eu estou fazendo, e a parte de computação de nuvem. Ou seja, gosto de – eu chamo brincar com tecnologia, que é um prazer tão grande em lidar com essas coisas no dia a dia que eu chamo de brincar, mas lógico, estou no caminho profissional que eu tenho nesse sentido.

Luciano Pires: Você nasceu no Rio mesmo? É carioca da gema?

Lorenzo Ridolfi: Da gema.

Luciano Pires: Da gema?

Lorenzo Ridolfi: É.

Luciano Pires: Legal.

Lorenzo Ridolfi: Eu fui casado com uma paulistana e ela brincava que arrumou o carioca mais paulistano que ela conheceu, por ser filho de italiano, meus pais falarem italiano em casa, então, segundo ela era o carioca com menos sotaque.

Luciano Pires: Seu pai era italiano da Itália mesmo? Não era…

Lorenzo Ridolfi: Médio. É uma história engraçada, que meu avô veio para o Brasil para fazer um safári, só que ele errou de continente. Em mil novecentos e pouco, então ele chegou com aquela roupa de safári, acho que até o pessoal do consulado estava lá no porto na época, claro, navio, mil novecentos e pouco. E óbvio que ele não fez safári nenhum, mas gostou, ficou um tempo aqui, só que conheceu a minha avó, que era italiana também, só que meu avô da região de Florenza, a minha avó napolitana, se encontraram aqui, casaram, tiveram os filhos aqui e depois tiveram a infeliz ideia – porque estourou a guerra – de voltar para a Itália. Só que essa parte era engraçada que o meu pai era tão… então ele morou alguns anos na Itália, acabou voltando, mas oficialmente ele era italiano. Copa do mundo ele torcia pela Itália, não torcia pelo Brasil. Então ele era, se a gente falasse para fora que ele nasceu no Rio ele não gostava muito não, ele não chegava a desmentir, mas do tipo, não era um assunto que ele gostava muito não.

Luciano Pires: O que ele fazia?

Lorenzo Ridolfi: Ele foi diretor de várias empresas, ele foi administrador de empresas e advogado também, trabalhou muito tempo atrás – eu sou temporão, então meu pai se aposentou eu era novo ainda – mas ele trabalhava, se não me engano o último cargo dele foi na indústria naval, estaleiro do Rio, uma outra época, muito tempo atrás.

Luciano Pires: Nesse programa aqui eu faço um baita de um preâmbulo para entender a pessoa para depois a gente conversar sobre liderança, empreendedorismo. O teu caso vai ser diferente, porque o teu tema é tão do momento aqui que eu vou dar uma abreviada aqui, eu vou chegar.

Lorenzo Ridolfi: Perfeito.

Luciano Pires: Você estudou matemática? Você se formou em quê?

Lorenzo Ridolfi: Coisa curiosa, eu tenho uma formação matemática acho que boa, mas muito em função começando no primeiro grau, porque eu estudei no Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, que é um colégio muito bom, e lá acredito que seja igual até hoje, mas nunca seguiu a cartilha do MEC, então, a gente teve aula de lógica na quarta série primária, que hoje seria a quinta. Então eu sempre fui meio, nunca gostei muito de estudar, não fui àquele cara, nunca fui CDF, mas até que às vezes me dava bem nas provas, aí fiz faculdade de engenharia na época novidade, engenharia de computação, aí fiz logo em seguida logo mestrado, aí fui trabalhar em informática, trabalhei em várias multinacionais, sou bem rodado, brincando. E aconteceu até uma coisa curiosa que eu parei para fazer um doutorado no meio do caminho, quis fazer um sabático, aí até eu virei mais matemático em si, porque eu estava trabalhando muito com computação gráfica, cores e acabei fazendo uma matéria no IMPA, que era de matemática pura, que eu brincava que eu não entendia as piadas no começo. Então na época eu nem me dei conta como era uma coisa importante.

Luciano Pires: Era um doutorado em quê?

Lorenzo Ridolfi: Em computação gráfica, particularmente em precisão de cores.

Luciano Pires: Cores?

Lorenzo Ridolfi: É. Uma história, eu conto muitas histórias. Mas eu estava num projeto de consultoria superpesado em 2001, daqueles brabos e voltei a malhar, estava sentindo uma dor na barriga, não é dor de barriga, dor na barriga. Aí fui no médico e tinha uma tomografia antiga, tomográfica nova e o médico falou assim: cara, muito estranho, você tem trinta e poucos anos, você está com Diverticulite, você vai ter que operar, mas para operar tu tem que ficar três semanas em casa, mas descansando mesmo. Aí, minha irmã que não entende nada de informática, ganho do marido na época, que era caríssimo, uma primeira câmera digital, e eu estando em casa ela foi lá, deixou a câmera comigo para eu ter o que fazer. Eu tirava fotos com a câmera digital, estava a cor na câmera de uma maneira, no monitor na outra, se imprimisse ficava diferente.

Luciano Pires: Uma terceira cor.

Lorenzo Ridolfi: Ferrou.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: Eu passei três semanas entendendo o porquê daquela merda. Aí eu continuei trabalhando com TI, mas isso virou meu hobby à noite, entender coisas de cores. Aí surgiu uma oportunidade de eu fazer o doutorado e eu fiz doutorado e meio que… ainda trabalho muito em TI, mas também tem esse lado de cores, eu tive o prazer de fazer as cores da cerimônia de abertura da Rio 2016.

Luciano Pires: Cara tem alguém sendo pago para isso?

Lorenzo Ridolfi: Não, foi até uma coisa, foi uma coisa…

Luciano Pires: Deixa eu dar uma dica aqui. Eu sou da parte de artes gráficas, então eu também mergulhei muito em cores, andava com Pantone no bolso, com a escala Pantone no bolso. Então, cara, isso eu trabalhei de montão com cores e tudo mais, e tinha uma grande preocupação na época com a fidelidade do que a gente estava mostrando para o cliente e aquilo que ia ser impresso lá na frente.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: Mas não era no nível que você está colocando aí, quis saber o nível de… a gente chegava, eu preciso de uma aproximação, tem que sair parecido com o que eu tenho aqui. E a gente ali tinha umas loucuras lá, mas eu imagino que você foi muito mais fundo que isso. Porque você está falando de trazer o eletrônico para o papel.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: E aí deve ser um nó sem tamanho.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. E o trabalho da Olimpíada foi uma coisa muito curiosa, engraçada, essa firma, eu tenho uma firma que presta serviços disso, que começou pequena, já fiz uns trabalhos grandes, por exemplo, a Olimpíada, mas eu faço até impressões com [inint 00:09:30] de cor, então acho que mais de seis meses antes da Olimpíada me procurou uma pessoa querendo imprimia uma reprodução de um quadro da Beatriz Milhazes com uma fidelidade grande de cores, uma impressão normal, tamanho A3.

Luciano Pires: Em offset?

Lorenzo Ridolfi: Não, maior qualidade possível. Eu tenho umas impressoras que fazem uma qualidade um pouco maior, são dez cores.

Luciano Pires: Não era uma coisa para imprimir milhares de pôsteres? Não. Ele queria fazer uma reprodução?

Lorenzo Ridolfi: Uma amostra, digamos assim.

Luciano Pires: Ok.

Lorenzo Ridolfi: E eu fiz uma impressão, não sei, deve ter custado cem reais, duzentos reais o serviço, alguma coisa assim. E a pessoa estava no Centro do Rio de Janeiro – Estelinha, se você estiver ouvindo aí, revelando isso para você – aí encontro uma menina de skate com o cabelo azul. Ok. Então entreguei a impressão, ela nem sabia direito como me pagar porque era uma empresa nova. Ok. Depois a gente acerta. Tranquilo. Aí ela me liga e fala assim: você conseguiria fazer essa impressão com 40 metros de tamanho? Falei assim: não existe nenhuma impressora com 40 metros de largura, a maior que eu conheço tem 5 metros. Não, não, eu sei que a gente tem que fatiar. Sim, sim, até eu trabalho, já calibrei algumas gráficas que têm essas impressoras, eu consigo fazer. Claro que eu fiquei curioso, liguei para um amigo meu que tem uma gráfica que imprime em grande formato, ele falou: já sei, 40 metros é a largura do palco do Viva o Rio. Deve ser um show do Viva o Rio, ainda mais a figura de cabelo azul, skate. Pensei: alguém ligado a artes. Então estava crente, 40 metros, ela falou assim: ah, beleza. Meu chefe vai falar com você. Mas você consegue fazer realmente grande? Aquela coisa toda. Consigo sim. Beleza. Aí tem uma terceira reunião, numa casinha no Bairro do Humaitá lá no Rio de Janeiro, até perto de onde eu morava – também coincidência – eles chegam, para a gente começar a conversa me dá uma pilha de – devia ter umas cem páginas lá – você vai ter que assinar isso.

Luciano Pires: Confidencialidade.

Lorenzo Ridolfi: Aí eu vi que era da Rio 2016. Aí eu estava com o pessoal da Radiográfico, que foi um pessoal fantástico que fez toda a programação visual, e eu explicando: para você fazer… eu sou uma pessoa muito aberta, tipo, se eu posso compartilhar, compartilho. Aí eu falei: tem que fazer isso, isso, isso outro. Aí eu olhando, aí o chefe, o Mauro olhava para o pessoal da Radiográfico, o pessoal da Radiográfico sinalizava com a cabeça assim do tipo, não seguro essa onda não. Aí no final das contas acabei ficando responsável por – lógico, seguindo o design da Radiográfico – fazer a transposição desse quadro – todo mundo morrendo de medo da Beatriz Milhazes, que ela é muito fanática por precisão de cores do quadro dela – e eu fiquei responsável por esse cenário que seria a apoteose, o cenário em teoria mais importante, e na negociação, ao invés de eles pedirem desconto na minha proposta eles disseram: então faz um negócio, você trabalha na concepção desse daí e supervisão do resto do cenário inteiro. E foi um trabalho realmente sensacional.

Luciano Pires: Cara tem então o teu dedo na abertura da Olimpíada, foi isso?

Lorenzo Ridolfi: Foi isso. Aí teve um episódio engraçado em que falei assim: cara a gente vai ter que encarar a Beatriz Milhazes. E eu fiz uma impressão usando em Canvas, que é um tecido para impressão que você imprime em Inkjet, mas é muito semelhante a um quadro, realmente é um material muito bom. E eu fiz uma simulação do quadro só que o mesmo quadro que eu imprimi em A3 eu imprimi em tamanho maior, talvez A1, A0, tamanho grande, num Canvas e o pessoal da produção foi lá conversar com a Beatriz Milhazes, e foi engraçado que voltaram: é Lorenzo, ela gostou tanto que ela roubou a amostra. Então com isso fechou o cenário e o resto é história, foi um trabalho muito legal que eu fiz.

Luciano Pires: E aí você vai fazer esse doutorado então nessa área de cores e cai no teu colo uma cadeira de matemática. Isso?

Lorenzo Ridolfi: Exatamente, eu xingava o meu orientador.

Luciano Pires: O que matemática tem a ver com isso?

Lorenzo Ridolfi: É porque eu estava fazendo um espaço de cores para você poder realmente fazer. Você tem que fazer um bando de contas em cima de cores para você tipo, você aumentou um pouquinho a saturação aqui no vídeo, por exemplo, aumenta proporcionalmente na impressora, era uma questão mais básica, então você tinha que ter um modelo matemático preciso. Então precisava de uma matemática um pouco mais avançada e a gente descobriu isso daí, realmente precisa disso, aí o meu orientador sem dó e nem piedade, vai lá e faz essa cadeira no IMPA. Eu brincava que eu não entendia as piadas, no começo foi desesperador.

Luciano Pires: O que é o IMPA?

Lorenzo Ridolfi: É Instituto Matemática Pura e Aplicada do Rio de Janeiro.

Luciano Pires: Cara, matemática já dá medo, agora pura e aplicada é para sair correndo.

Lorenzo Ridolfi: É nível internacional, teve um estudante lá que ganhou a medalha Fields de matemática.

Luciano Pires: Que é o Nobel da matemática.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Então um pessoal realmente muito bom. E depois passada a tese, passada aquela correria que me caiu a ficha que aquele negócio era algo interessante, aí eu comecei a estudar, terminei o meu doutorado já faz algum tempo, 2012, então ao invés de estudar cores, cores já virou parte da profissão, minha curiosidade passou a ser Data Science, Ciência de Dados, e que levou a esse trabalho, mas eu já adianto, começando a falar um pouquinho da Covid.

Luciano Pires: Não, não, não. Não entra nele ainda não.

Lorenzo Ridolfi: Tá bom.

Luciano Pires: Deixa eu só esgotar essa situação aqui então. Você quando… você então virou um empreendedor, dono de uma empresa, você tem uma empresa que presta consultoria com essa parte de cores para todo mundo.

Lorenzo Ridolfi: Isso. Mas nunca me afastei de TI também.

Luciano Pires: Sim. Tua área de atuação. Mas você começou a se interessar por matemática por causa da Data Science?

Lorenzo Ridolfi: Isso, isso.

Luciano Pires: De Data Science. Então, quem lembrar aqui, eu já fiz alguns programas aqui falando de Data Science, que é aquela que está se falando muito em inteligência artificial e tudo mais, e a raiz dela é o Data Science, que é a maneira como você vai… leva essa… eu estou rindo aqui comigo, porque você está falando e eu estou me lembrando eu mexendo no Pantone, e o Pantone põe 20% de cyan, 5% de vermelho e 3% de amarelo e aí vai dar uma tonalidade tal. Quer dizer o máximo de matemática que eu cheguei foi essa misturazinha, eu usava aerógrafo, fazer a cor do aerógrafo e tudo mais. Cara, então isso era a minha matemática, você está indo para um nível de Data Science que é quando a matemática começa a ser quase que uma inteligência própria, ela começa a tomar até decisões.

Lorenzo Ridolfi: Exato, exato.

Luciano Pires: E aí você começa a curtir isso aí em paralelo? Não é o teu negócio?

Lorenzo Ridolfi: Eu consegui até unir os dois, porque o Data Science é, vamos dizer um framework, um arcabouço que você precisa ter uma aplicação, tem que ter uma aplicação prática. Qual a aplicação prática que eu tinha na mão? Cores, eu tinha clientes de cores. Então ao invés de – isso é uma coisa que eu já faço a algum tempo – de usar softwares comerciais – e softwares não são baratos, com o dólar caro então, um software bom de cores começa em três mil, cinco mil dólares, e eu tenho vários – e eu comecei a desenvolver os meus usando técnicas Data Science que na minha visão são até melhores que os tradicionais que não usam Data Science. Então é até hoje um diferencial que eu tenho, mas foi mais por interesse pessoal do que pensando na empresa, acabou calhando de realmente funcionar, mas não era o objetivo, era usar como exercício, e calhou de dar certo.

Luciano Pires: Isso tem tudo a ver com estatística.

Lorenzo Ridolfi: Sim.

Luciano Pires: Tem tudo, se alimenta da estatística, trabalha com ela e tudo mais.

Lorenzo Ridolfi: Não, estatística começou muito em função do erro, o percentual de erro de cor, e algo que eu comecei a ficar meio vidrado nessa questão, muito mais por uma missão do erro da cor, erro da medida, qual o erro tolerável.

Luciano Pires: Isso nos últimos oito anos?

Lorenzo Ridolfi: Até antes.

Luciano Pires: Você disse que em 2012.

Lorenzo Ridolfi: É. Isso quando eu terminei, mas eu comecei em 2007. Então eu comprei equipamento, um medidor de cores, não foi nenhuma fortuna, mas seria o equivalente a uma câmera fotográfica cara, na época eu era casado, a minha mulher olhava para mim: agora você vai ter que fazer dinheiro com esse negócio.

Luciano Pires: Mas então. Então você estava intelectualmente preparado para discutir estatística, quando chegasse alguém com uma planilha e botasse margem de erro, essas coisas, você tinha todas as ferramentas para discutir isso à vontade.

Lorenzo Ridolfi: Sim, sim.

Luciano Pires: Muito bem, chegamos lá. Chegamos lá. De repente no ano de dois mil da graça pinta uma tal de pandemia, uma tal de Covid, começa essa loucura e do dia para a noite a gente começa a ser jogado na cara da gente gráfico em cima de gráfico, média variável, mortalidade daqui, índice de lá, foi uma loucura o que aconteceu, eu me lembro que eu tentei acompanhar no começo depois eu desisti e falei, cara. Tem uma lei da economia que diz – como é que é – para cada economista dizendo uma coisa, existe outro igual dizendo exatamente o contrário e os dois podem estar errados. Então é a lei da economia. E aí eu apliquei aqui, vale para médico, vale para todo mundo, porque eu via chegar um cara com um baita discurso maravilhoso, falava: que interessante. No minuto seguinte aparecia outro cara falando o contrário dele, com um discurso maravilhoso também, se chocavam os dois e não tinha nenhuma conclusão. E nós estamos aqui a sete meses de pandemia e continua ninguém sabendo de porra nenhuma ninguém sabendo para onde vai, não sabemos se vai parar, se está morrendo. Você liga a televisão continuam dizendo que está morrendo e não para. E aí vem a estatística e fala não, espera um pouquinho, já caiu. Quando essa loucura toda aconteceu você bateu o olho e falou: tem coisa aqui. É isso?

Lorenzo Ridolfi: Não, foi uma coisa curiosa, embora eu seja nerd, eu não sou um cara que gosta muito de celular, é uma coisa curiosa, então eu gosto muito de Desktop, até a gente falou agora a pouco, a parte de monitores, então eu uso o WhatsApp, mas uso muito pouco. Então tem um grupo de colegas do colégio, de muito tempo, e lá bem no início da pandemia um colega que é médico, é até cardiologista em um hospital grande do Rio de Janeiro, me mandou um trabalho sobre o professor Didier e a Cloroquina. O curioso é que esse médico agora meses depois ele nem acredita na Cloroquina, é uma coisa curiosa.

Luciano Pires: Esse que te mandou.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Ele me mandou como curiosidade. Mas aquilo me chamou muito a atenção, por ter feito doutorado, tem uns rankings de pesquisadores e eu vi que o cara – não sei se eu posso falar essa palavra – mas era o pica das galáxias de vírus, o cara tinha mil e não sei quantos trabalhos.

Luciano Pires: O Didier.

Lorenzo Ridolfi: O Didier Raoult.

Luciano Pires: Isso. Isso que eu ia te perguntar agora. Vamos ver quem é o Didier.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. É um pesquisador do sul da França, o artigo dele, eu falei assim: o cara tem que ser muito bom. Artigo de meia página, tipo falando: eu acho que isso daqui pode ser bom.

Luciano Pires: E isso aqui era a Cloroquina?

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Isso mês…

Luciano Pires: Isso lá em março?

Lorenzo Ridolfi: Em março, justamente. E eu comecei a ir atrás, falei com alguns amigos meus que entendem, e começamos a estudar, ver isso daí e naturalmente começou interesse também em entender mais do Covid como um todo. E aconteceu uma coisa curiosa, eu não me lembro quem achou um gráfico superdiferente, que era um gráfico [inint 00:21:12], ou seja, bem para quem gosta muito de matemática e que era interessante, você conseguia ver o número total de óbitos e o crescimento num gráfico só. E eu comecei uma coisa muito simples no Facebook – talvez março, abril, bem no começo mesmo – a todo dia de noite dar um print desse gráfico do site, eu colocava o Brasil mais alguns países relevantes, e fazia alguns comentários. E começando a falar da situação do Brasil.

Luciano Pires: De onde vinha esse gráfico? O que é esse…

Lorenzo Ridolfi: Era um site, até eu cito o nome no meu site que eu criei, o Zero Bias, não me lembro de cabeça, mas era um físico que criou ou difundiu, não sei se foi criação dele esse tipo de gráfico, eu achei bem diferente e você conseguia ter uma visão bem geral de vários gráficos num só. Então no começo eu simplesmente ia todo dia de noite, eu acho que era, me lembro que era oito e meia, nove horas da noite que atualizava os países todos no site que ele publicava, chegava lá, selecionava os países, era uma coisa muito tranquila, dava um Print Screen e publicava e fazia uns comentariozinhos. E o Brasil sempre teve um problema, que é constante até hoje, que – eu não sei se é o pessoal da Secretaria de Saúde, pessoal do Ministério da Saúde –, mas eles não gostam de apurar óbito no final de semana. A primeira decisão foi: como têm muitos assintomáticos, olhar caso não quer dizer nada, porque você tem que olhar caso em relação à quantidade que foi testada.

Luciano Pires: Claro.

Lorenzo Ridolfi: Se você não sabe quantos que foram testados, você pode ter 80% de assintomáticos ou pessoas com sintomas leves que não motivaram a fazer o exame, então olhar casos é uma variável muito louca, não quer dizer muita coisa. Então, infelizmente tem que olhar óbitos porque existe todo o registro civil para balizar, então é uma medida mais certa, triste, claro, mas é uma medida mais correta. Então eu passei a fazer esse gráfico de óbitos e notava realmente o número de óbitos apurados no final de semana era metade dos dias úteis. Então o gráfico parecia um eletrocardiograma.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: Então a primeira coisa que me deixou realmente aflito no sentido das pessoas não terem informação, foi assim, num gráfico parecendo um eletrocardiograma ninguém consegue ver uma tendência da curva. Uma coisa simples. Se está subindo, se está descendo, o negócio oscila que nem uma bola quicando, não dá. Aí eu fiz um programinha – sou nerd, gosto de programar – muito simples, que simplesmente pegava o gráfico do cara e dava uma suavizada para tirar a ondulação. Então fiz um programa pequeno e comecei a publicar esse gráfico. E não me lembro se já existia há muito tempo ou eu só percebi e notei duas coisas que me facilitava muito a vida, que o Ministério da Saúde começou a publicar uma planilha com todos os óbitos, casos, diariamente e eu descobri que – não vou entrar no detalhe até –, mas tudo o que eu tinha feito simplesmente para imprimir e mostrar no computador eu podia facilmente levar isso para a web, era uma coisa tecnicamente tranquila para mim, por sorte, pela maneira que eu fiz, que eu usei um pacote de software que também tinha uma versão para ser publicada na web. Eu falei assim: caramba, para eu criar um site em cima dessa planilha que tem muitos dados, eu consigo ter dados por estado, e dados por município, não dá para eu chegar e postar não sei quantos gráficos no Facebook, vou ter que fazer um site. Isso foi um trabalho até, não sei, foram uns 15 dias de trabalho para fazer isso.

Luciano Pires: E nasceu o Zero Bias.

Lorenzo Ridolfi: Nasceu o Zero Bias.

Luciano Pires: Zero Bias.

Lorenzo Ridolfi: Que a ideia é independente de posição política, o que eu falo lá é o que eu estou vendo. Eu procuro tentar interpretar no sentido de dar uma visão pessoal o mínimo possível. Abrindo um parêntese, tem uma amiga minha que ela é filha de militar e o pai dela foi alocado na OEA, e ela me deu um presente – não vou citar o nome dela, mas se ela ouvir ela vai saber que é – que era um relatório da CIA de análise de dados, infelizmente quando eu me mudei para São Paulo eu perdi esse relatório, é um documento confidencial, claro, de como treinar um agente, um analista – um negócio muito interessante – a interpretar um dado. Metade do livro – é até encadernado, ela imprimiu – era como tirar o seu Bias pessoal.

Luciano Pires: Ok.

Lorenzo Ridolfi: Então por isso que eu pensei.

Luciano Pires: Bias pessoal para quem não entendeu ainda, bias é o viés, todo mundo tem viés, você tem um viés. Eu votei no Bolsonaro, ele é meu candidato, eu já estou enviesado, se alguém vier me contar alguma coisa dele, eu como votei nele como meu candidato, eu tenho o viés a achar que eu vou defendê-lo, ah não, eu tenho o viés de direita, o viés de esquerda, que é uma praga, porque hoje em dia esse negócio virou futebol, virou torcida de futebol.

Lorenzo Ridolfi: Depois a gente chega lá, mas claro, isso afeta muito a Covid. Então nasceu esse site que realmente cresceu bastante e é impressionante.

Luciano Pires: Deixa eu te perguntar uma coisa aqui. Eu me lembro que um dos conflitos que eu entrei, quebrei o pau com um monte de gente, foi quando eu estava fuçando e fui descobrir, alguém me deu a dica também, descobri lá o site lá da transparência dos cartórios, que aparecia o gráfico e tinha uma tese que dizia o seguinte: não existe nenhum dado mais confiável no Brasil do que cartório dizendo que morreu, porque tem o registro, tem o carimbo lá, está lá morreu, não tem como fingir.

Lorenzo Ridolfi: Exato, exato.

Luciano Pires: E a gente sabe que tem uma demora, que o cara morreu imediatamente entrar lá, então tem uma demora. Quando apareceram aqueles gráficos lá a gente começou a levar um susto, porque os gráficos eram consistentemente de caída.

Lorenzo Ridolfi: Sim.

Luciano Pires: Aí eu olhei pela primeira vez e falei: cara o que está acontecendo? Todo mundo dizendo que estava crescendo e o gráfico mostra que estava caindo, aí veio a explicação: não, espera um pouquinho, esse gráfico tem 35, 40 dias de atraso.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: Quando você olhar o gráfico hoje você está vendo, está faltando um monte de gente aí. Então você tem que olhar 45 dias atrás para saber o que é. E aí como estava no começo a gente não conseguia ter ainda a visão. Foram passando as semanas e aquele gráfico foi começando a ter uma certa consistência, uma linha leve de queda.

Lorenzo Ridolfi: Sim, sim, mas até hoje tem uma diferença grande. Isso é uma coisa até que o Ministério da Saúde faz muito mal, falando honestamente, existe até um protocolo, um padrão internacional, a maneira como o Brasil divulga não é diferente dos demais países, o Brasil não faz diferente, o pessoal fala que o Bolsonaro quer esconder número. Não, acho que tem muita incompetência no Ministério da Saúde, não tem dúvida, mas tinha dia que a planilha vinha em branco, tinha dia que a planilha não vinha, vinha com dados errados. Então realmente tem muita incompetência lá, eu falo isso aí abertamente. Mas qual é o protocolo internacional? Quantos óbitos foram descobertos naquele dia.

Luciano Pires: No dia.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Não significa que aquela quantidade de pessoas morreu naquele dia, pode ter morrido no passado e dependendo do exame, no Brasil acredito que até têm lugares que seja digitação ainda, interior e por aí vai. Então tem todo um atraso. E o Ministério da Saúde publica, mas quase que escondido, clandestinamente – isso é uma coisa que é impressionante como que não se divulga isso – uma base muito transparente, até eu não cheguei a ver essa base no começo, eu descobri um pouco depois, talvez em maio, alguma coisa assim, que antes tinha até o CEP das pessoas. Então, cada caso de Covid que alguém procurou uma cidade de saúde do Brasil, em teoria, lógico, se a unidade não reportou o Ministério da Saúde não vai saber, mas existe um cadastro – têm umas questões nesse cadastro, daqui a pouco a gente fala – mas que a pessoa preenche e vai lá. Então, todos os casos de pessoas com possíveis, com suspeita de Covid que procuraram uma unidade de saúde cadastrada. Seja particular, do SUS, em teoria tem que estar nesse sistema, e claro, os óbitos estão lá. Deve ter talvez alguns óbitos de pessoas que talvez morreram em casa, alguma coisa assim, não foi acionado, mas seria uma exceção. Até a diferença dos números já foi muito grande, já teve diferença aí de sete mil óbitos entre o reportado e o que eu achava na base. Hoje estamos acima de cento e trinta mil óbitos – nem me lembro do número mais, realmente eu olho muito mais a variação do que o total – e a diferença da base hoje é dois mil, então até essa diferença está convergindo. Então essa base é a única que tem a data real do óbito e a data onde entrou no sistema. Então pude fazer uma coisa que ninguém fazia, e era uma coisa interessante porque até foi, vamos dizer, o ápice do sucesso do site, mas mostra o quão ruim está a informação que o Ministro na época já era ex-Ministro, Teich, referenciou o site o único lugar que alguém media o raio do atraso.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: Eu comecei a medir o raio do atraso por estado. E realmente hoje diria que 50% dos óbitos, média do Brasil, varia muito de estado para estado, me lembro que o Maranhão era muito ruim, mas tem estado do Nordeste que é muito bom, mas 50% dos óbitos em até oito dias estão registrados.

Luciano Pires: Ok.

Lorenzo Ridolfi: 75% demora um pouquinho mais, em 18 dias estão lá. Isso é o último número, da semana passada, e para registrar os 100%, fora os casos absurdos, têm casos com mais de 160 dias de atraso, porque é um outlier, é um número fora da escala, demora até 42 dias. Então isso é o retrato, então esse número que você vê anunciado todo dia, na verdade pouquíssimos ocorreram, praticamente zero ocorreram…

Luciano Pires: Agora.

Lorenzo Ridolfi: É. Exatamente. Nesse intervalo mais ou menos de oito dias que 50% desse número está e o resto são óbitos mais antigos, então quando você vê a curva do registro civil, ou a curva da base SRAG, que é o nome dessa base, Síndrome Respiratória Aguda Grave, que tem todos os casos de gripe, que o Covid é uma gripe – pessoal, não sou médico, acabei até falando umas coisas, se algum médico achar que eu estou falando bobagem, beleza, mas eu acabei entendendo alguma coisa – então é uma base de gripe que têm as informações lá e não são divulgadas, se você não sabe programar a base está lá realmente, está disponível, aberta, mas você tem que saber programar para poder fazer o gráfico. Muita gente critica o Mandetta pelo fique em casa, mas realmente na gestão do Mandetta ele publicava, não lembro se semanalmente ou diariamente, um boletim que pelo menos tinha o gráfico dessa base, um dos gráficos que eu tenho no site hoje. Mas quando entrou o Teich sumiu, nem isso mais tinha. E vale registrar que, que eu me lembre, posso estar errado aqui, mas apenas três estados que publicam isso daí, que são Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas, nenhum outro estado publica os óbitos reais. Então até recentemente teve uma subida, colocando muitas aspas nesta subida, uma subida de números notificados no Rio de Janeiro, que eu olhava todo dia, que essa base SRAG infelizmente só sai semanalmente, então só consigo ter uma visão, vamos dizer precisa, uma vez por semana, mas no caso do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Amazonas, eu consigo ver todo dia. Então eu publiquei “n” vezes, porque todo mundo fala, não, está subindo, está subindo, pessoal está aqui, site oficial do Rio de Janeiro, aí era print mesmo, mostrando aqui a queda. Lembrando que nos últimos dias realmente é normal ter menos porque ainda não foi apurado, mas você vê, descartando os últimos 15 dias, para pegar…

Luciano Pires: Tinha uma tendência de queda lá.

Lorenzo Ridolfi: Está estável, um pouquinho para queda no Rio de Janeiro. Diria assim há um bom tempo.

Luciano Pires: É que começou aquela aposta, de repente aí um mês atrás a pessoa começou a ir para a praia, então: olha aí, está todo mundo na praia, vai ter uma subida, vamos esperar 15, 14 dias aí, vamos ver o que vão acontecer.

Lorenzo Ridolfi: E tem uma confusão que eu estou – não digo que eu estou vendo porque eu estou em São Paulo, não estou mais no Rio, embora eu sendo carioca, mas alguns médicos estão reportando que aumentaram o número de internações lá, é uma informação muito desencontrada, um médico chegou a dizer para mim que mudou o protocolo em que até pacientes leves, tendo leito e sendo do grupo de risco, estão internando por via das dúvidas, mas os números oficiais, realmente o estado divulga todo dia, estão dizendo que estão em queda. Então o único ponto de dúvida que eu tenho hoje grande é o número de internações no Rio de Janeiro, sendo bem sincero.

Luciano Pires: Isso é uma coisa que você estava falando aí e eu estava pensando comigo aqui o seguinte: você conseguiu encontrar um banco de dados que tem uma confiabilidade na quantidade de casos que estão aparecendo ali. Mas isso depende de que alguém definiu que o caso é Covid, alguém examinou alguém foi lá, fez o exame e falou: muito bem, isto é Covid, joga na planilha. Então se tem uma… tem um perigo aí, se o cara que definiu, definiu errado e não era Covid, foi para a planilha e vai dar um erro também. E aí – agora eu me lembrei – o que me fez chamar você aqui, tem a ver com esse assunto, foi o post que você acabou de fazer falando daquela calibragem dos exames da medição, que aquela calibragem muda completamente a história.

Lorenzo Ridolfi: Isso.

Luciano Pires: Fala disso.

Lorenzo Ridolfi: Até antes deixa eu ressaltar um ponto interessante, você entrou nessa base com suspeita de Covid, o resultado é: confirma ou não o Covid, teve alta ou teve óbito. Então se a pessoa tem suspeita de Covid e morreu de ataque cardíaco, essa base não dá essa informação.

Luciano Pires: Só dá óbito.

Lorenzo Ridolfi: É. Eu não conheço o detalhe de como o pessoal pega os dados dessa base e gera os outros relatórios, mas acredito que entrou naquela base virou Covid, e isso realmente é um problema. Porque tem aquela questão, morreu de Covid, ou morreu com Covid? Isso é possível, sem dúvida.

Luciano Pires: Teve um número nos Estados Unidos que diz que só 6% da – fizeram um levantamento lá – só deu que 6% eram realmente de Covid.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Mas indo a questão do exame, o exame PCR ainda, que têm todos, o que a medicina chama de Golden Standard, o padrão, tudo.

Luciano Pires: PCR é o que enfia o canudo no nariz da gente.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente, exatamente. Eu não sou médico pessoal, mas é um exame que examina fragmentos de DNA, de RNA, sendo mais preciso – me corrigiram várias vezes, que tem DNA e tem RNA, para ver como é que eu entendo de medicina – em que – isso eu descobri muito recentemente – que detecta fragmentos de vírus. Então agora entrando mais nesse assunto, coisa bem recente, alguns médicos falaram comigo: é, detecta fragmentos de vírus. Mas primeira coisa, você não sabe se aquele fragmento está vivo ou está morto, é a primeira coisa, então você pode ter tido Covid, ter fragmentos do vírus, mas já está curado e o exame dá positivo. Mas por que pode acontecer isso? É justamente por esse fator de amplificação, que está tendo uma confusão nos Estados Unidos agora, nos Estados Unidos os estados, maneira de viver americana tem muito mais autonomia, e descobriu-se que existe um número de rodagem, um número de ciclos que você usa para aplicar o exame, que cada ciclo você digamos potencializa o sinal digamos, a capacidade do exame de descobrir…

Luciano Pires: Como é que é isso? Eu não entendi essa história do ciclo. Como é que é isso?

Lorenzo Ridolfi: Eu não tenho detalhes, mas você aplica “n” vezes. Vai repetindo, cada vez vai aumentando a potência, ou seja, você vai amplificando, que nem fosse amplificando áudio, digamos assim.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: E o padrão americano varia entre 30 e 40, dependendo do estado, e alguns médicos me falaram que acima de 34, por exemplo, tem muita chance de você encontrar vírus morto ou fragmento de vírus morto. Então tem gente que questiona – e é uma coisa que eu estou entrando agora – o valor de 40. Aí eu fui procurar referências no Brasil, só achei um laboratório, não vou nem citar o nome, porque estava dizendo que o padrão do Brasil segue um padrão Alemão, que por acaso foi o primeiro exame, primeiro protocolo, feito bem no início, um dos primeiros, que evidentemente já têm protocolos melhores e o padrão da OMS são 45 ciclos.

Luciano Pires: Então que é muito mais sensível para capturar vírus mortos inclusive.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: Fragmentos mortos do que…

Lorenzo Ridolfi: Exatamente, mas ninguém sabe de fato qual é o padrão que está sendo usado, porque isso não é divulgado, pode ser até, não sei, eu não conheço, eu não sou médico, de novo, talvez seja caro fazer com 45 ciclos, ou 40, os laboratórios façam 30 para ser mais barato. Sendo sincero, pode ser até que isso seja menor, talvez o custo varia por ciclo. Então é mais uma caixa preta aí que a gente tem que entender.

Luciano Pires: Isso que é importante dizer aqui, que dizer, para o pessoal não pensar que nós estamos especulando aqui. Não, espera um pouquinho, a minha ideia aqui ao conversar com você era determinar a quantidade de incertezas que nós temos ainda para poder chegar e peremptoriamente dizer: cara faça assim, é desse jeito, fique aqui. E chegar naquele maldito, aconteceu comigo cara, eu estava trabalhando aqui um dia, comecei a me sentir mal, de um jeito que eu nunca tinha me sentido, dor no corpo, estava mal, falei: cara é a Covid. Saí correndo, fui para o hospital, dei entrada lá no Pronto Socorro, os caras já me botaram lá num cantinho lá, segregado, fez o exame, tudo, o cara falou: é o seguinte, volta para casa, toma Dipirona e se você ficar mal você vem aqui. Eu não me conformava, falava: como assim? Vai para casa, espera ficar ruim, se ficar ruim você volta aqui. Eu falei: cara cinco meses de crise e ainda está assim? Volta para casa e se ficar ruim volta aqui. Quer dizer, volta aqui se precisar internar. Então eu fiquei com essa impressão de que havia caixas pretas e de que nenhuma delas foi aberta, e aí tem só incerteza, incerteza em cima de incerteza.

Lorenzo Ridolfi: Sim. Uma entrevista, ou várias entrevistas que eu vi da doutora Nise, ela esclareceu várias questões importantes, esse negócio do fique em casa, surgiu na Europa, ela citou bastante se não me engano a França, a Espanha, se não me engano talvez a Itália, ou seja, alguns países que tiveram bastante problema com a Covid, o grande medo era entupir os hospitais e não atender as pessoas, só que descobriram mais tarde que a evolução da Covid não é de você ficar com falta de ar, não é uma coisa que vai aumentando aos pouquinhos, chega um ponto que de repente a pessoa sente muita falta de ar, não é uma coisa, vamos dizer linear. Então isso levou a muitos óbitos na Europa porque a pessoa quando chegava no hospital já estava braba. E um fator também, já entrando um pouco nas estatísticas também, não é que distorce, mas que mostra uma realidade que talvez espero que não se repita, que dependendo do país da Europa, mais de 60% dos óbitos foram de idosos de asilo.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: Estados Unidos é quarenta e poucos por cento.

Luciano Pires: Eu me lembro o governador de Nova York lá, o prefeito de Nova York, desesperado falando: cara estou chocado que 86% das mortes aqui foram idosos em asilo.

Lorenzo Ridolfi: Sim, então.

Luciano Pires: Trancados. Pessoal que estava segregado, trancado dentro do asilo foi quem mais morreu.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Pode falar de lockdown, ok, talvez fosse necessário, tinha pouca informação, daqui a pouco entro no assunto. Mas que realmente ninguém olhou para os asilos, lógico, eu não sou profissional de saúde, jamais me ocorreria isso daí, mas seria algo que deveria estar planejado.

Luciano Pires: Aqui em São Paulo o pico foi no hospital do Prevent Senior.

Lorenzo Ridolfi: Sim, sim.

Luciano Pires: Lembra? Que ali, de repente o maior volume de mortes foi ali.

Lorenzo Ridolfi: E eles encontraram um protocolo, isso é o curioso, que funcionou, mas não atendia os padrões, vamos dizer de pesquisa, e foi ignorado. É aquela coisa, se não for perfeito, que nem aquele cara que está comprando fruta, se não for fruta perfeita a fruta é ruim.

Luciano Pires: Sim. Tem o meio de campo. Como é que é aquele exemplo que você deu lá do cara, da mulher que está traindo o cara? Como é que é? Uma piada de estatístico. Como é que é?

Lorenzo Ridolfi: Não, a questão é a seguinte, explicando, isso é importante falar, para lançar um remédio novo, uma droga nova, é uma responsabilidade muito grande, então existe o equivalente ao Ministério da Saúde americano que é o CDC, não lembro a sigla agora, mas que cuida realmente da… seria entre Ministério da Saúde e ANVISA, então tem todo um protocolo bastante rígido, faz sentido em situações normais de você ter um processo rigoroso para aprovar um remédio, então são testes randômicos para você evitar placebo, evitar várias coisas, mas é um protocolo muito rígido.

Luciano Pires: Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar ao transformar o seu Smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Para assinar acesse confraria.cafe, de novo, confraria.cafe, lá você conhecerá os planos para se tornar um assinante e ter acesso exclusivo aos bastidores da temporada do LíderCast e a muito conteúdo original. Além disso, contribuirá ativamente para que esse conteúdo chegue para muito mais gente gratuitamente, tem um plano lá que custa doze reais por mês, cara, doze reais, uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro fará com que você nos ajude a continuar crescendo e fazendo com que nossa voz seja ouvida por muito mais gente, você estará contribuindo ativamente com nossa causa pela da defesa da liberdade e da independência individual. De novo, vem para cá, confraria.cafe. Nós temos a história da Talidomida, que foi um momento de virada, era uma droga que foi criada lá no final dos anos 50, começo dos anos 60.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Para evitar justamente novas…

Luciano Pires: E que provocou que as crianças que nasceram depois, todas com problemas de…

Lorenzo Ridolfi: Exatamente, perfeito.

Luciano Pires: De defeito de formação, coisa assim.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Só que nós não estamos numa situação normal, primeira coisa, vários médicos questionam que esse protocolo, por exemplo, fala de você dar o remédio para 50% pessoas e para as 50% das demais darem placebo. Mas fazer isso com gente morrendo é um pouco mais complicado.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: Mas mesmo assim fizeram vários exames e um dos fatores é que realmente estão saindo muitos estudos, a comunidade científica está correndo atrás, mas normalmente usa uma amostra pequena de pessoas. Até pela rapidez, pela pressa. E fazendo isso você acaba tendo um erro estatístico – não vou entrar em detalhes técnicos – maior do que 5%. E com isso existe um dogma, que eu chamo assim, se o erro, o possível erro estatístico está acima de 5% o pessoal ignora, e digo mais, muitos médicos confundem…

Luciano Pires: Ignora a experiência?

Lorenzo Ridolfi: É. Não. Diz que foi inválido.

Luciano Pires: Inválido? Tá.

Lorenzo Ridolfi: E confundem se é uma experiência com mais incerteza com uma experiência que não deu resultado prático, que são coisas completamente diferentes, mas muitos médicos confundem isso daí.  Deu uma estatística acima de 5%? Descarta. Lixo. E não é o caso. A brincadeira que eu falo é se alguém chega para você e fala: sua mulher ou seu marido está te traindo, mas eu não tenho muita certeza. Você olha, pode até ignorar, beleza. Mas quando a décima pessoa chega para você e fala assim: eu acho que seu marido ou sua mulher está te traindo, mas não tenho muita certeza. Você vai ficar parado? Então é mais ou menos isso que aconteceu, são vários estudos que não têm tanto rigor estatístico e começaram a mostrar eficácia da Cloroquina, da Cloroquina. E os números, eu faço parte de um grupo de estudo que têm vários matemáticos do IMPA, têm médicos, fui convidado, uma honra participar desse grupo, que estão estudando a fundo isso daí. Então o conjunto da obra já mostra quem têm evidências sim, mas não é a bala de prata, não é aquela coisa que resolve 100% dos casos. Os números até foram atualizados ontem, eu não estou tão no pé, seria que a Cloroquina sozinha tem uma eficácia entre 20 e 30% dos pacientes, junto com a Azitromicina pode chegar a 50%, que é coisa para burro, é muita coisa. E uma coisa interessante que os médicos me lembram é o seguinte, que esse protocolo todo, que faz sentido ter, não estou falando que não faça, porque o RCT double blind, hoje se você ver a lista de procedimentos da cardiologia, que é uma das áreas mais importantes e mais padronizadas, apenas 9% dos procedimentos da cardiologia têm esse rigor todo, na Europa têm mais procedimentos normatizados, seria 14%. Então assim, em cardiologia que é uma área supercrítica, no máximo se a gente olhar do ponto de vista europeu, 14% só dos procedimentos que são assim. E numa situação de guerra, onde literalmente é salve-se quem puder, se tem alguma alternativa, trata, resolve, tem muito com essa postura de não, toma uma aspirina e vai para casa.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: E como tem a Cloroquina aí, até agora já têm evidências estatísticas que realmente funciona.

Luciano Pires: Até porque para matar alguém de Cloroquina é complicado, você não mata alguém de Cloroquina, morreu porque tomou Cloroquina, eu não ouvi nenhuma história. Teve aquele teste maluco feito lá em Manaus que deram um caminhão, aquilo foi um crime até, aquilo foi criminoso.

Lorenzo Ridolfi: Sim, um absurdo.

Luciano Pires: Mas me deram um exemplo bom, falou o seguinte: o avião está caindo, aí te dão um paraquedas e você fala: não vou soltar porque não tem o selinho do INMETRO. Tem selo do INMETRO? Não. Então não vou usar o paraquedas e vou cair junto com o avião.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Até fazendo uma analogia, eu trabalhei muito em TI, em empresas grandes, e quando tem um problema em TI que para uma empresa, existe uma metodologia para os nerds que nem eu, só para citar, chamada ITIL, que fala que quando você tem um problema isso é um incidente, e para resolver um incidente…

Luciano Pires: Repete, como que…

Lorenzo Ridolfi: Você tem problema, normalmente o que as pessoas chamam de problema, problema tem outro significado, dentro desse conceito, dessa metodologia ITIL, que seria um incidente. O que é um incidente? É alguma coisa que está acontecendo, que está atrapalhando alguma coisa da empresa ou da informática, que você tem que resolver. Cara, aí vai usar esparadrapo, Band-Aid, amarrar com fita, é a maneira como é que você resolve problema de TI. Parou a sangria, digamos assim, fazendo uma analogia com medicina, aí que você vai estudar o problema que é muito mais entender a causa raiz, estudar a fundo. Para quê? Para evitar que novos incidentes iguais aquele…

Luciano Pires: Mas você estancou a sangria.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Então acho que isso é básico para a medicina, caramba, se em informática a gente é ensinado, treinado para agir assim, que é lógico, no máximo que você vai deixar uma empresa com menos dinheiro, talvez, já trabalhei muito com empresas de telefonia, realmente, você pode deixar talvez até hospitais sem telefone, então, mas tem todo esse protocolo. Acredito que medicina – não sou médico, de novo – deve ter coisas semelhantes. E como é que um médico não tem essa visão de tem que improvisar, tem que fazer?

Luciano Pires: Eu acho que tem essa visão, o que eu acho que aconteceu, cara, isso é uma visão que eu tive, eu vivi uma experiência interessante, eu vivi um problema de saúde na família, bem complicado e foi a primeira vez que a gente chegou num momento de ter risco de vida. Com risco de vida. E eu tenho a vida inteira, vi tudo no hospital, tratei de problema de saúde da família inteira e tudo mais e eu não me lembro de ter chegado tão perto de uma situação de risco de vida como essa. E o tratamento dos médicos para conosco mudou, conforme foi chegando perto da luz vermelha o tratamento dos médicos mudou, acabaram todas as certezas. Entendeu? Então, quando era uma coisa simples, estava lá na luz amarela acesa, a gente, ah não, é isso aqui, aquilo lá, você está com isso, está com aquilo, toma isso, toma aquilo, tinham certezas que a gente, a vida inteira foi assim. Vai nascer o bebê, vamos lá ver. Todo mundo tem certeza, quando chega próximo da área de risco as certezas acabam, aí ninguém mais sabe de nada. E me deu uma impressão muito clara que é um problema de dificuldade de assumir uma responsabilidade, de chegar para você e falar o seguinte: o problema teu é este e você tem que fazer tal coisa. Se não há certeza eu não posso dizer isso, eu não posso assumir. E aí como a certeza nunca existe, fica tudo no ar. Então, aquele médico que era certo na luz amarela, quando chega na vermelha ele para de ter certeza e aí nenhum deles quer se comprometer. No Brasil, você imagina nos Estados Unidos, você falou uma bobagem o cara te mete um processo ali, um milhão de dólares na cabeça. Aqui, me parece que chegou um momento que falou, opa, eu não vou me… então o que a entidade disse? A entidade disse para ir para casa, tomar Dipirona, então é isso que eu vou dizer. E não me pergunte minha opinião pessoal porque eu não tenho. E aí eles começam, a ciência não provou, não tem, a gente não sabe ainda.

Lorenzo Ridolfi: É que nem, a impressão que eu tenho é que quase que você sair desse protocolo, vamos dizer do combinado, até pegava mal para os médicos perante a classe. É a visão de fora que eu tenho. O que é um absurdo, eu acho que tem que tentar tudo, não sei.

Luciano Pires: É um cenário de guerra, que você falou para mim.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: Cenário de guerra cara tem que dar um jeito aqui. Deixa eu fazer um lembrete aqui. Porque deve ter gente gritando do outro lado, um bando de negacionista. Negacionista o cacete. Eu estou falando com um cara aqui na minha frente que é ciência, ciência, ciência, esse cara é matemático, ele está olhando para os gráficos dele e fazendo contas e falando: cara as minhas contas estão mostrando coisas que estão diferentes do que eu estou ouvindo por aí. Isso não nega o problema, isso não diz que não morreram cento e quarenta mil, em momento algum você está dizendo que o problema não existe. É claro que o problema existe, ele está aí. E porque é importante esse bom senso nessa análise? Porque as conclusões que se tiram dessas análises determinam políticas públicas, e aí o pessoal vai definir onde vai botar o dinheiro, vou botar vinte milhões numa porra de um hospital de campanha que nunca foi usado, e esse dinheiro foi embora e podia ter salvado vidas se fosse colocado em outro lugar. Então essas medições, essas decisões implicam em políticas públicas. Você diz para mim que a taxa de mortalidade é 25%, eu vou sair daqui apavorado. Mas se não for 25, e se for três? Muda completamente a história.

Lorenzo Ridolfi: Sim. Até você tocou num ponto importante e que boa parte dos problemas da Covid, na minha visão pessoal mesmo, tem com o fato de ter começado na China, que é um país que faz parte da política externa deles ocultar informações. Basta você entrar no… o Google Maps da China, de propósito as coordenadas são meio que embaralhadas um pouquinho para você não saber os locais. Mas por política pública da China. Ou seja, divulgação, transparência de dados é uma coisa que a China claramente não faz. Então quando a epidemia explodiu na China havia muita incerteza. E eu fiz até uma cronologia, o bicho pegou mesmo foi em março, os primeiros casos saíram da China no final de janeiro, começaram a contaminar gente na Europa, nos Estados Unidos, começou a morrer um pouquinho de gente em fevereiro, mas o negócio explodiu mesmo foi em março.

Luciano Pires: Em março na Itália.

Lorenzo Ridolfi: E nos Estados Unidos também, mas num ritmo menor. E a grande merda – desculpe falar assim – foi em março, março foi o pico do mundo, depois você vê que a situação melhorou muito. Mas só que essa incerteza a gente está pagando até agora, não é que o problema não exista, mas realmente o pior mesmo foi todo em março, você vê o crescimento em março, em março a gente chegou a quatro mil óbitos por dia, se não me engano, na Europa, que é um número muito grande. Mas o que aconteceu nesse meio do caminho? A Inglaterra não estava com uma política totalmente de lockdown, questionava-se, uma questão – eu não tenho nenhuma certeza sobre isso – se levando as crianças, deixando as crianças na escola, ou seja, não fechando as escolas, você não estaria protegendo os avós. Era uma questão que estava sendo…

Luciano Pires: É essa tese, a criança podia ser o agente para trazer o vírus para dentro de casa.

Lorenzo Ridolfi: Aí vim para casa, eu reli, eu fiz um histórico, que é tanta coisa que aconteceu, a famosa, o famoso trabalho do Imperial College, que foi publicado no meio de março e claramente é o seguinte, eles tinham certeza, praticamente está isso escrito no relatório, que tratava de uma pandemia igual ou pior do que a gripe espanhola de 1918, que teve uma taxa de mortalidade acima de 3%, que é uma coisa muito alta, entre as pessoas que estão contaminadas.

Luciano Pires: Aquele foi o trabalho que o Neil Ferguson dirigiu.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. E que as premissas estavam totalmente erradas. E o que mais me espanta é que eu vi e eu fiquei revoltado com isso, que teve um laboratório perfeito – eu estou até olhando aqui no meu histórico – que não sei se você se lembra do caso do navio Diamond Princess, que foi um navio que no final de janeiro entrou um cara acho que de Hong Kong, e contaminou o navio inteiro. Então o navio ficou de quarentena praticamente do início de fevereiro, quase que o mês de fevereiro inteiro, digamos assim. E era um navio com cerca de três mil e setecentas pessoas a bordo, muitos idosos, e ficaram de quarentena porque ninguém queria aceitar a droga do navio.

Luciano Pires: O navio não podia aportar em lugar nenhum.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Aquilo então foi um laboratório perfeito, porque era um experimento, claro, ninguém desejou isso, mas que colocaram três mil e setecentas pessoas e transformaram em três mil e setecentos ratos de laboratório, no fundo isso que aconteceu. E o interessante é que muitos dados daquele experimento, que já tinham dados no início de março, foram ignorados, e hoje a gente vendo a realidade agora, eu sei que é muito mais fácil você falar depois, aquela coisa, criticar é depois, mas isso aí estava gritando na época e fico feliz que pelo menos eu postei, caramba, ninguém está olhando isso daí, saiu até um editorial do Wall Street Jornal falando que ninguém olha para isso. Porque os números do navio eram muito, muito, muito melhores, imagina um bando de pessoas da terceira idade, uma média de idade muito maior, só teve 17% de contaminação entre todo mundo confinado num navio.

Luciano Pires: De contaminação e não de mortes.

Lorenzo Ridolfi: Não, de mortes…

Luciano Pires: Contaminação.

Lorenzo Ridolfi: Mortes foram zero ponto oitenta e poucos por cento. E uma população com idade média de 58 anos de idade.

Luciano Pires: 0,8%?

Lorenzo Ridolfi: É. Depois tem uma dúvida, deixando bem claro, que morreram sete pessoas e sete bem mais tarde, então tem gente que questiona se essas sete pessoas que morreram bem mais tarde, tipo um mês depois, também estariam relacionadas. Mas realmente todos os estudos que eu vi – talvez por questão de pressa, pode ser – confiam nesses números. E os números atuais, o pessoal fala que seria em torno de 0.6% de mortes da Covid.

Luciano Pires: O que quer dizer, vamos inverter o número, 99,4%, não vão morrer de Covid.

Lorenzo Ridolfi: Dos que pegaram a doença.

Luciano Pires: Sim, de quem pegou a doença, 99,4 não morrem de Covid. Agora tem outro número que é o seguinte, isso é de quem pegou a doença.

Lorenzo Ridolfi: Desculpa. 99.4 de quem pegou a doença e teve sintomas.

Luciano Pires: Ah tem mais essa, pegou a doença e teve sintomas.

Lorenzo Ridolfi: Pegando os assintomáticos, aí já gera mais dúvidas, tem gente que fala em 0.26, 0.3.

Luciano Pires: É. Teve um trabalho publicado agora do Canadá. Você chegou a ver do Canadá?

Lorenzo Ridolfi: Não, esse eu não vi.

Luciano Pires: Depois de quarenta mil testes que eles fizeram lá, eles fizeram um trabalho e apontou que 99,72% de chances de não morrer de coisa nenhuma é o que esse trabalho apontou lá. É um número tão, tão grotesco, que você fala: a gritaria toda está sendo feita por causa de 0,2, e aí se você diz isso você não tem coração, fala isso para a pessoa que perdeu. Cara essa não é a discussão.

Lorenzo Ridolfi: Sim, para ter uma ideia, o índice da gripe comum e 0.1, e esse tem 0.6, realmente é bem pior do que uma gripe comum, não é uma gripezinha. Vamos usar o termo que deve estar na cabeça de muita gente. Mas também não é 3%, que nem uma gripe espanhola, e as medidas que foram feitas foram pensando numa gripe espanhola. A Suécia o pessoal teve cojones de agir diferente, a Inglaterra ela estava nesse caminho, mas veio esse estudo que previa quinhentos mil mortes. Por acaso eu anotei o número de mortes hoje na Inglaterra estava em quarenta e cinco mil, e o cara prevendo quinhentos mil nesse ano. Então, ou seja, dez vezes menos, que nem, eu prefiro não citar nomes que o nome dessa pessoa me dá asco, sendo bem claro, que tem um blogueiro aqui no Brasil que previu milhões de mortes, seguindo e foi ouvido até por autoridades do TSE e coisa do tipo, que eu acho realmente…

Luciano Pires: Você viu o trabalho de um cientista alemão que falou da Dark Matter, da matéria escura?

Lorenzo Ridolfi: Sei, conheço a Dark Matter.

Luciano Pires: É. A Dark Matter que ele falou ele disse o seguinte, a tese dele é interessante, ele fala: pandemia não respeita fronteira, na fronteira não segura pandemia, ele falou, então quando dá pandemia ela pega todo mundo, ele falou: então porque é que o desempenho da pandemia na Itália é diferente da Alemanha, que é diferente da França? Se a pandemia não respeita fronteiras, alguma coisa tem no meio do caminho aí que está causando uma diferença. Porque a África não foi dizimada?

Lorenzo Ridolfi: Sim.

Luciano Pires: Entendeu? A tese dele é a seguinte: é que existe algo que ele não sabe direito o que é, que pode ser uma combinação de alimentação, vacinação, uma porrada… genético.

Lorenzo Ridolfi: Poluição.

Luciano Pires: Poluição, uma porrada de coisas que aquilo cria a tal da Dark Matter, que aquilo faz com que as pessoas que têm a Dark Matter não vão nunca morrer da doença, ou se pegarem a doença não vão nem sentir a doença. E ele fala: e pelo meu cálculo 85% da população mundial têm a Dark Matter e não vai morrer da doença, portanto, o cálculo lá do Imperial College está correto. Sabe qual foi o erro? Eles aplicaram aquele cálculo em 100% da população. Não, eles tinham que ter aplicado aquele cálculo naquele percentual minúsculo que é de quem não tem a Dark Matter.

Lorenzo Ridolfi: Faz sentido.

Luciano Pires: Como não se sabe qual é a Dark Matter, não tem ideia do que pode ser, nós não descobrimos o que é ainda, não dá para você entender porque o Brasil reage de um jeito e o Paraguai de outro, cruzar fronteira.

Lorenzo Ridolfi: Sim. Têm muito poucos dados ainda, nós estamos sedo bem claros, é uma doença nova, com uma evolução diferente, os padrões até de uso de respiradores, entendi que são diferentes – os médicos me corrijam – ou seja, é todo um esquema diferente que ninguém estava acostumado antes – e realmente avançou de novo – março sendo um mês absurdo que realmente foi terrível, principalmente na Europa, depois, um pouco depois nos Estados Unidos.

Luciano Pires: E aí a discussão que começou a pegar foi das pessoas que estão preocupadas com o além da doença em si. Então tem o problema da doença, ela está acontecendo, agora ela está provocando coisas além dela, então tem uma consequência econômica fenomenal, tem uma consequência na saúde que é terrível, tem um médico que está com o nosso esquema, no nosso, na Confraria Café Brasil e tudo mais, ele trata de câncer no seio, e ele falou: sabe o que aconteceu cara? Nós estamos recebendo gente aqui agora com o estágio muito mais avançado da doença, essas pessoas vão morrer porque elas não vieram se tratar a tempo, estão a três, quatro, cinco, seis meses paradas, não vêm de medo do hospital, quando elas estão chegando aqui elas estão chegando com um quadro muito mais avançado, e nós vamos perder essas pessoas. Ou seja, elas vão morrer por causa da Covid.

Lorenzo Ridolfi: Sim.

Luciano Pires: Então olha como essa coisa é complexa.

Lorenzo Ridolfi: Tem um estudo na Inglaterra, de novo, pode estar errado também, que nem o – vamos ser justos, o Neil Ferguson errou, pode ser que este esteja errado – mas que prevê duzentas mil mortes adicionais por questões como câncer, doenças cardíacas, diabetes, uma porção de doenças que demoram um pouco mais para digamos matar a pessoa, vamos falar no português claro, que estão agindo lentamente, que os tratamentos foram paralisados em função os lockdowns, e uma coisa, não sei nem a visão do pessoal, é a seguinte, eu não sou aquele cara contra o lockdown, claro, alguma medida tem que ser feita para parar o avanço. Mas quando você fala em lockdown, no sentido, qual é a impressão que me dá? De novo, bom senso, bom senso que é importante. Você está dizendo o quê? Que não existe contaminação dentro de casa? Num país que tem muita gente que mora em favela, em espaços confinados. Tem um estudo da Universidade de Chicago, que é uma coisa interessante, que relaciona vários países e no Brasil apenas 25% dos trabalhadores têm condições de fazer o famoso Home Office, ou o Work for Room, como os americanos preferem falar. A maioria das pessoas, ou seja, os outros 75% que estão aí trabalhando, vamos dizer, o pessoal do comércio, você vai no supermercado tem gente lá, vai na farmácia tem gente lá.

Luciano Pires: E eu não vou nem discutir a questão moral dessa história toda. De porque é que a caixa do supermercado pode ser submetida a pegar a doença e morrer e eu não? Porque eu posso ficar em casa bonzão e ela tem que ir trabalhar? Então, mas uma coisa que me deram interessante aqui, um amigo meu que tem um condomínio, aliás, ele mora no condomínio, ele estava me contando lá. O condomínio botou uma regra lá que é a seguinte: prestadores de serviços, pessoa externa que chega aqui, o cara da pintura, encanador, não sei o que, tem que entrar pela entrada B, o pessoal que mora no prédio e as empregadas entram pela entrada A, para não misturar um com o outro. Só que a empregada vem junto com o cara no mesmo ônibus. Então eles chegam juntos e entram um em cada lugar porque não pode se contaminar. Cara, não faz o menor sentido, o ônibus lotado, metrô lotado. E o pessoal não fica indignado como fica quando vê a praia lotada.

Lorenzo Ridolfi: Teve um estatístico que publicou, tentando correlacionar diversas cidades nos Estados Unidos que estavam com mais lockdown, menos lockdown, várias variáveis tentando correlacionar com o número de óbitos. A que estava mais presente, que ele achou mais correlação era o percentual da população que usa transporte público, era o item que mais estava relacionado com óbitos, mais do que o lockdown e “n” outros fatores.

Luciano Pires: Claro.

Lorenzo Ridolfi: Então é algo que realmente…

Luciano Pires: E cara, lockdown significa cortar transporte público, isso é lockdown, para, você não tem que ficar trancado em casa. Agora bicho, o que vai acontecer? Vamos morrer de fome, de sede.

Lorenzo Ridolfi: É. É um país que tem quase 50% dos trabalhadores informais, que não têm como parar, ou em atividades que também precisa, então acho que é uma coisa que tem que ser pensada como parar. E de novo, falando de números, estava falando dos 3%, realmente para idoso, para cima de 70 anos de idade o índice pode chegar a 7 ou 8%, então realmente para o idoso é mais grave que uma gripe espanhola, tem que deixar claro, então tem que proteger esse pessoal. De novo, voltando ao erro grande dos asilos, das casas de repouso que não foram – não sou médico, não teria visto isso – mas acredito que as autoridades tinham o dever de olhar para essa população que, sabe, contaminou um devasta.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: Isso é óbvio. Então acho que essa estratégia de enquanto que o índice para adolescente é zero ponto zero não sei das quantas a chance de morrer, então são realidades muito diferentes, então são escalas de problemas bem diferentes. Por isso que o famoso – como é que é – o lockdown vertical, horizontal – sempre confundo essas coisas – mas, ou seja, tratar diferente quem realmente tem mais risco faz todo sentido.

Luciano Pires: É a primeira vez na história que se tranca em casa quem está saudável.

Lorenzo Ridolfi: Exato.

Luciano Pires: Deixa eu fazer mais um statement aqui que acho que tem a ver com essa, a gente começo a falar aquele negócio de bias, do viés e tudo mais, aí o pessoal pergunta: então você é contra o lockdown? Cara eu não sou contra porra nenhuma, eu não tenho a menor ideia do que está acontecendo. Ah, mas você usa máscara. Sim senhor. Eu estou usando tudo aquilo que a sociedade está dizendo que tem que ser feito porque eu posso estar errado, eu posso não acreditar em nada, eu posso estar errado e posso contaminar a minha família porque eu sou um teimoso que estou errado. Então, como eu não sei o que é o certo eu estou seguindo o protocolo que todo mundo está seguindo, se der errado para todo mundo vai dar errado para mim também. Entendeu?

Lorenzo Ridolfi: Sim. Eu falo em questionar, não no sentido de negar, temos que questionar, temos que validar. É uma coisa interessante que saiu uma recomendação em junho, a União Europeia tem muito essas coisas de recomendações para todos os países, então o documento chega a ser engraçado, que é recomendação de como os cientistas devem dar orientações técnicas para governantes ou políticos. E sempre tem que deixar claro, uma coisa que você acabou de falar, a incerteza daquela informação.

Luciano Pires: Sim.

Lorenzo Ridolfi: Ou seja, eu estou falando isso daí, mas não sei se vai acontecer não. Mas do jeito, por exemplo, o caso lá do Imperial College, cara vai ter uma nova gripe espanhola aqui que vai matar, não sei, 3% da população, ferrou. Caramba, falavam com uma certeza muito grande que se hoje a gente não tem essa certeza, imagina naquela época, em março. Entendo a preocupação.

Luciano Pires: Outra. Vai vir a segunda onda. Está vindo a segunda onda, a segunda onda vai chegar. Então fique dentro de casa. Até onde vai isso? Não se sabe, e de novo, não é uma questão de questionar o que está sendo feito, a questão toda é: se ninguém sabe, fico eu com meu, sabe, acho por acho, acho mais eu do que você. Agora eu quero ver, agora você vem com as tuas planilhas aqui, bota na minha frente: opa. Estou vendo algo aqui realmente que não dá para ser no achismo.

Lorenzo Ridolfi: Dentro desse grupo de estudos que eu faço parte, que – de novo, se o grupo de estudos achasse a conclusão de que a Cloroquina não faz resultado a gente falaria, a gente não quer, a gente não tem um dogma, a gente não gosta da Cloroquina ou odeia a Cloroquina, a gente está procurando uma solução, algo que já existe, está pronto, não tem patente, que é um medicamento barato e aparentemente para as pessoas desse grupo, que nem quando eu li o paper do Didier lá [inint 01:09:28], isso me parece fazer sentido, quero investigar mais. E eu seria o primeiro a dizer: pessoal, canoa furada, não vale a pena. Claro, eu não tenho o menor objetivo, não tenho nenhuma ação de companhia que vende Cloroquina, sendo bem claro, acho que é toda uma questão realmente de bom senso, de você estudar o que está acontecendo. De novo, lockdown, a questão das crianças versus avós. Acho que é fato relevante, que tem que ser levado em conta. As crianças em Nova York, que a grande maioria pegou em casa mesmo, estavam de lockdown e foram para o hospital porque estavam doentes. Tem até uma amiga minha, muito irônica, que ela fala assim: você só é 100% independente, pode fazer o lockdown completo se você plantar o seu próprio capim. Porque nem que você peça uma pizza, fique em casa, você sempre vai ter alguma interação, sociedade não é…

Luciano Pires: Impermeável.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: Você não tem como isolar.

Lorenzo Ridolfi: E outra coisa, o vírus está aí e vai ficar. Nem quero entrar se foi de laboratório, tal, mas é um vírus que está presente e não vai embora, não adianta o pessoal se esconder em casa que o vírus vai morrer.

Luciano Pires: Isso já aconteceu com a AIDS, a AIDS já foi assim, a AIDS foi assim, surgiu do nada, foi um terror, durante anos aquilo foi um estigma, e hoje se convive com ela, ela está aí, não se nega, ela está aí, continua, exige cuidados, mas a gente convive com ela. Convive com Tuberculose, que eu acho que mata muito mais do que qualquer Covid, e a gente convive com a Tuberculose como se ela não existisse.

Lorenzo Ridolfi: Eu tenho uma situação curiosa, um amigo meu, mora no Rio, mora no Leblon, num bairro bom, ele pegou Tuberculose, não lembro porque motivo, se ele viajou nada, mas ele pegou. E tem todo um protocolo, que eu acho que ele tinha – devo estar falando alguma besteira aí – mas alguns procedimentos, tipo ir ao Posto de Saúde para… e ele tinha o médico particular dele, estava se tratando e se esqueceu desse procedimento, bateu a polícia na porta dele, isso tem dois, três anos essa história. Porque tem que ter um controle, porque Tuberculose é um problema nesse país. Porque o cara não foi no Posto de Saúde dar satisfação, bateu a polícia lá: meu amigo, o que está acontecendo aí? Então têm coisas que são tão grandes quanto a Covid, Dengue, por exemplo, não vejo nenhuma estatística da Dengue, de repente sumiu a Dengue, não sei, pode ser até que tenha sumido, mas está um foco muito grande na Covid que – não estou falando que não tem que ter foco nenhum – mas tem que ter foco também nas outras coisas. Não é desmerecer a Covid, é lembrar que existem outras coisas.

Luciano Pires: É sair dessa posição histriônica sabe, eu chamo de mortômetro, é você parar de ficar olhando para o mortômetro, sabe, vamos olhar para o curômetro, se você olhar para o curômetro, ele fala de noventa e nove vírgula setenta e poucos por cento, o mortômetro fala de zero vírgula alguma coisa, nem um dos dois negam o problema, o problema não é negado, ele está aí.

Lorenzo Ridolfi: Tem que medir para entender o tamanho.

Luciano Pires: Isso é porque ninguém morreu na tua família. Essa não é a discussão, nós não estamos discutindo se vale ou não vale, se morreu ou não morreu, a discussão toda é que tamanho esse problema tem e qual é o impacto dele nas políticas públicas, tem alguém tomando decisões. E eu não estou nem falando dos caras que estão metendo a mão no dinheiro aí, roubando, não estou, nem aí eu cheguei, eu estou um passo antes. Sabe, tem alguém tomando decisões. E onde é que eu vou colocar o esforço?

Lorenzo Ridolfi: Sim, exato.

Luciano Pires: E tem gente morrendo porque essa decisão está ainda sendo tomada em cima desse achismo com nome de ciência, ciência, ciência, e não é nada disso cara, é complicado, o assunto é bem complexo.

Lorenzo Ridolfi: E uma coisa, uma boa notícia é que dentro desse grupo que estuda a Cloroquina tem uma médica, uma brasileira na Espanha, até ela deu algumas entrevistas, eu não vou citar o nome dela que eu não falei com ela antes, mas ela está acompanhando, vamos dizer, esse novo crescimento na Espanha, realmente tem um número maior de casos e têm relatos até que são positivos, ela viu pacientes que estavam com o resultado da Tomografia, que é importante, infelizmente é caro, mas você tem uma comprovação boa se você tiver os pulmões comprometidos numa certa forma “x” que, de novo, não sou médico, mas para o médico fica claro que aquilo é Covid. Ela viu pacientes com uma Tomografia bem comprometida, que antes talvez tivesse quase que entubado mal, e hoje estavam com sintomas leves. Então é sinal que, se isso for segunda onda ou não, mas vamos dizer, esse novo crescimento que está tendo na Europa o vírus, o número de casos está muito alto – aí de novo, pode ser a questão do PCR? Pode, eu não sei. Pode não ser. Realmente pode estar aumentado o número de casos – um médico sugeriu, caramba, porque não pegam uma percentagem dos PCRs e jogam num microscópio eletrônico? Dando um exemplo, para ter um controle de qualidade, que nem o pessoal faz, fazendo uma analogia, pesquisa eleitoral, você não precisa perguntar para todos os cidadãos do Brasil em quem ele vai votar. Você pega um percentual dos testes e faz um teste mais rigoroso. Uma coisa que qualifica bastante o doutor Didier, porque ele tem um laboratório que tem uma permissão para manipular o vírus vivo, então a pesquisa dele não usa PCR, mas não é uma coisa prática, porque o nível de segurança que você tem que ter, porque isso no fundo é uma arma biológica.

Luciano Pires: Claro.

Lorenzo Ridolfi: Então, mas porque não, de novo, pegar um pequeno percentual, talvez ter um, dois, três laboratórios, não sei qual seria o número necessário, mas alguns laboratórios no Brasil que fariam uma revalidação para a gente ter um controle de qualidade um pouco melhor em cima disso? Ou seja, é usando um pouco de ciência para…

Luciano Pires: Nós não estamos nem testando direito, o Brasil nem implementou uma política de testes agressiva, é muita bateção de cabeça. Tem um lance de incompetência muito grande, tem um lance de burocracia terrível, sabe, esse sistema mastodôntico nosso aqui que você não estala o dedo e sai resolvendo, não. Aí você viu aí, vê essa palhaçada toda que nós estamos vendo aí, os caras desmontando hospital de campanha que nunca foi usado, aí você vai questionar e o cara: não, mas e se tivesse dado problema? Então no e se, foi o investimento. Muito bom meu caro. O que mais você tem aí? O que mais você viu nos seus números? Mais alguma coisa que é importante para a gente atentar? Ele trouxe uma lista aqui grande.

Lorenzo Ridolfi: É que o histórico é tão grande.

Luciano Pires: E é interessante, eu até recomendei para ele, como nós vamos estar no áudio não dá para mostrar os gráficos porque se tivesse os gráficos a gente ia fazer uma festa aqui com você mostrando e dando a dica dos gráficos. Mas os gráficos estão todos lá no?

Lorenzo Ridolfi: Zero Bias…

Luciano Pires: Zero Bias “ponto”?

Lorenzo Ridolfi: Info.

Luciano Pires: Info, zerobias.info, é o nome do site do Lorenzo. E você está no Facebook como Lorenzo?

Lorenzo Ridolfi: Ridolfi.

Luciano Pires: Ridolfi.

Lorenzo Ridolfi: Mas também tem a página Zero Bias também.

Luciano Pires: Também está no Facebook.

Lorenzo Ridolfi: Tem lá no Facebook.

Luciano Pires: E ali ele tem uns posts ali com uns comentários bem ácidos ali que vale a pena dar uma olhada, vale a pena ver.

Lorenzo Ridolfi: Acho que a gente cobriu tudo mesmo.

Luciano Pires: É a gente falou… então, mas de novo, você não é médico, eu também não sou, eu só sou um curioso, eu sou vítima desse sistema aí, como todo mundo que está ouvindo a gente aqui, e a ideia aqui não é discutir ciência, nada disso, eu estou muito preocupado com as pessoas que estão tendo o bom senso de olhar e não entrar na gritaria, sabe. Não entrar nessa coisa, que a mídia como um todo criou um ambiente que é um ambiente de pavor absoluto. Então não dá nem para ligar, noticiário eu parei, parei com aquilo tudo porque eu falei: cara eu vou alimentar o meu pânico com essa visão de pânico que vem o tempo todo aí.

Lorenzo Ridolfi: É. E claro, e deixando claro que o governo tem uma participação disso, porque os números têm esse atraso todo, o processo, ou seja do Ministério da Saúde, ou seja da Secretaria Estadual, ou Secretaria Municipal, não sei, eu não conheço o processo, mas tem alguma quebra, ou mais de uma quebra nesse caminho aí que, por exemplo, não se reportam muitos óbitos nos finais de semana, então o gráfico até hoje é meio oscilante, tem esse atraso muito grande em alguns estados e não necessariamente é estado rico, estado pobre, tem estado do Nordeste, ou da região Norte, não me lembro, que o delay, o tempo de notificação é muito baixo. O pior que eu me lembro é o Maranhão, mas por exemplo, São Paulo e Rio, pelo que eu me lembro não eram os melhores. Só para ter uma ideia, não é uma questão de tamanho do estado, ou riqueza do estado.

Luciano Pires: Não, o problema da máquina burocrática, da competência ou da incompetência das pessoas que estão à frente, das cabeças que estão lá e estão preocupadas ou não. Meu caro, falamos um montão aqui, mas não chegamos nos finalmentes. O que a gente faz? O que nós fazemos?

Lorenzo Ridolfi: Cara. Acho que é muito mais a gente pensar nas dúvidas que a gente tem do que nas certezas, no fundo é isso. Eu tenho dúvidas só, eu não tenho muita certeza da Covid não, eu tenho os números que eu consigo ver. Entendeu? Alguma coisa e que está realmente baixando no Brasil hoje, tem sinais, fazendo um resumo, estudos, mas engraçado que esses estudos são meio que vistos como, quase que como umas coisas obscuras, da própria FAPESP que acredita que em Manaus, com cerca de 20% dos casos, de novo, batendo com o navio que eu citei a pouco, 20% já seria a famosa imunidade de rebanho, que é quase que um termo proibido, mostrando realmente todos esses fatores que ninguém conhece muito bem ainda, e os imunologistas falam que realmente a ciência não avançou ao ponto de entender uma coisa normal, uma imunologia, mas realmente nunca a gente teve um problema, talvez com tanta informação e tanta falta de informação ao mesmo tempo. Engraçado, com tanta rede social, com tanta mídia, tudo, a ciência muitas vezes acho que andou para trás, sendo bem sincero, eu me considero parte da ciência, não sei se eu tivesse numa posição talvez se eu até tivesse errado, errado também fazendo… eu pensei realmente em fazer alguns modelos, por exemplo, lá de Data Science, mas no meu caso particular me assustou muito o Imperial College. Quem sou eu para tentar fazer um modelo onde está todo mundo errando? O foco que eu fiz no meu site, deixa eu tentar traçar uma tendência, ou seja, tirar o ruído, você enxergar a tendência pelo menos ter uma ideia da progressão da doença no curto prazo. Isso que eu procurei fazer. Acho que eu consegui alguns gráficos legais com isso daí, que conseguem orientar as pessoas, mas acho que o nível de informação que eu tenho me permite fazer isso. Acho que mais gente devia tentar, não estou dizendo que eu seja um exemplo, mas não sei, acho que temos muito mais dúvidas do que certezas. Isso que seria a minha visão hoje.

Luciano Pires: É. Eu vou repetir o que eu escrevi logo que começou isso tudo eu fiz um pequeno PodCast lá, escrevi depois, apanhei que nem um doido, mas aquele PodCast eu terminava dizendo o seguinte: tenha medo, mas não entre em pânico. Entendeu? É para ter medo, mas não é para entrar em pânico. É para fazer que nem você faz com a AIDS, tenha medo, mas não entre em pânico. Tenha uma vida que tem que ser vivida, tem que ser levada, talvez não seja ainda o momento de você dizer que não existe nada, sair por aí lambendo corrimão, como diz aquele cara, vou sair lambendo corrimão. Não é para fazer isso, nunca foi, o básico lá, lave a mão, isso nunca foi diferente. Mas a questão toda aqui agora tem pânico cara, tem um pessoal absolutamente em pânico e tem gente criando pânico sem entender como é que essa coisa se recicla.

Lorenzo Ridolfi: Sim. Um amigo meu fez uma analogia muito boa, é que nem o medo de avião, tem muita gente que tem medo de avião, porque é claro, o avião está a dez mil metros de altura, qualquer probleminha que tenha lá o avião cai e você morre. Mas se você olhar as estatísticas, o taxi que você pegou no aeroporto é não sei quantas vezes mais perigoso do que o avião. O avião claro que é sujeito a falhas, mas tem um processo muito mais rigoroso de controle de qualidade, espera-se pelo menos, e a gente não está vendo muito acidente por aí. Então acho que faz parte disso, mas mesmo assim, claro, quando caiu um avião tem muito mais estardalhaço do que num acidente de táxi.

Luciano Pires: Sem dúvida nenhuma, e aí se mostra para todo lado. E isso daí pega pelo emocional. E é esse o lado, está pegando pelo emocional, está todo mundo emocionalmente abalado, porque é a primeira vez na história que a gente vive isso. Você fala, não, a gripe espanhola foi assim. Não, espera. A gripe espanhola não tinha rede social, a gripe espanhola não tinha avião cruzando o continente que nem cruza hoje em dia, não tinha a rapidez com que foi. Não tinha a forma como a informação… e na gripe espanhola não se trancou em casa quem estava bom.

Lorenzo Ridolfi: Isso.

Luciano Pires: Então é a primeira vez na história que nós temos uma crise desse tipo.

Lorenzo Ridolfi: Eu me lembro, até eu fiquei bastante preocupado, tinha uma época que eu tinha insônia, há alguns anos atrás, eu via muito, falar o nome, o Discovery Channel, e tinha um programa era madrugada mesmo que eu via, eu não escolhia os programas muito pela qualidade, era pela capacidade daquilo me dar sono, então tinha um de aeroporto que era muito monótono, que mostrava a rotina de aeroportos, era mais numa época o Brasil e a América Latina, e isso me veio à cabeça logo depois que estourou a Covid e chegou no Brasil, porque vinha, e esse programa foi gravado talvez anos antes de existir Covid, deixando claro, mas tem um voo semanal, ou existia pelo menos um voo semanal que era direto da China para São Paulo, aqui para Guarulhos, e chegava tanto bicho esquisito, morcego, essas coisas todas, que existia quase que um esquema especial – teve um programa dedicado só a esse voo – da vigilância sanitária para dar uma limpada, porque vinham coisas muito esquisitas como… da cultura dos chineses, tentando passar. Eu pensei assim, cara estou imaginando esse avião chegando aqui cheio de morcegos, cheio de coisas, mas é uma preocupação que todo mundo tem, mas as decisões no fundo – também de novo, não sou psicólogo, não sou médico – mas são muito mais emocionais, aquela questão do risco, de [inint 01:24:30], geralmente você pode ganhar um ou perder um, você considera muito mais peso o perder um do que a possibilidade… isso é padrão do mercado financeiro, do mercado, então isso aí… ainda mais para coisas mais sensíveis, como vidas, é muito mais difícil, isso é normal da natureza humana.

Luciano Pires: Vou dar uma recomendação, você que nos ouve aqui, que por acaso você não ouviu, mas procure o PodCast Café Brasil, O poder do mau é o nome dele, Café Brasil, O poder do mau, é mau com “U”, O poder do mau que é um PodCast de 2hs55mins que trata exatamente disso, de como é que as cosias ruins têm um poder muito maior, de impacto muito maior sobre a gente do que as coisas boas. Sou teu amigo há 20 anos e por causa de uma coisa que você falou para mim eu desfiz nossa amizade, esquece tudo o que aconteceu de bom, essa coisa ruim é o suficiente para desfazer a amizade e o ser humano funciona assim. Então esse é um momento muito precioso para a gente parar, para pensar um pouco, falar: cara baixa acalma os ânimos aí, vamos olhar o lado que está funcionado, os números que estão interessantes, se você então quiser ver a informação sem bias, ou baias, sem baias, sem viés, acesse o.

Lorenzo Ridolfi: Zero Bias, ou Zero Baias.

Luciano Pires: zerobias.info e veja lá. Você está no Instagram também?

Lorenzo Ridolfi: Eu estou no Twitter também. É lorenzoridolfi, tudo junto.

Luciano Pires: Tá bom. Grande Lorenzo, cara que trabalheira que você está tendo aí, você não está tendo paz também. Mas eu acho que você está prestando um serviço interessante aí, mostrando dados e informações aí que…

Lorenzo Ridolfi: Eu posso falar, recebo muitas mensagens de pessoas, muitas vezes pessoas mais simples, literalmente desesperadas, com uma visão muito pior.

Luciano Pires: Apocalíptica.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Um caso dentro das atividades aí que eu faço, uma que eu faço é, não é muito frequente, mas tem alguma frequência, é recrutamento, e bem recentemente, um mês, dois meses atrás, estava procurando um profissional, nem me lembro que perfil, mas claro, um profissional de TI, entrevistei eu acho que um rapaz da Baixada Fluminense, quem conhece o Rio de Janeiro, uma região mais humilde, de pessoas com menor poder aquisitivo, um rapaz de 30 anos de idade, não morava com os pais, ou tinha idosos, ou seja, grupo de risco, perfeitamente saudável, era um trabalho remoto, mas que o cliente passou essa recomendação, eventualmente, durante esse ano, talvez, talvez necessite de uma ida semanal para uma reunião, eventualmente não é certo, o rapaz nem quis começar a conversa. Ele falou assim: esse ano eu não saio de casa. Eu falei assim: entendo, mas eu nem consigo começar a entrevista com você a partir desse princípio, porque um pedido do cliente, o cliente está sendo muito flexível, mas fala, pode acontecer um problema, uma situação, eu acho isso verdadeiro, que exija uma reunião presencial das pessoas, e se for o caso ele vai chamar, ou seja, cliente bem criterioso, bem, vamos dizer tomando as medidas que eu acho bastante flexíveis, e mesmo assim essa pessoa – não sei se a pessoa realmente tinha uma poupança, estava numa situação tranquila.

Luciano Pires: Estava apavorado, ou estava apavorado.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Mas assim, o que motiva são as pessoas que eu acho que eu consigo passar um pouquinho de tranquilidade mostrando os números. E de novo, se a situação… e eu não quero passar pano, situação piorar eu vou ser o primeiro a falar, pessoal, não está dando certo, vamos resolver, vamos mudar de estratégia. Acho que tem que mostrar o que eu estou vendo, já que eu conheço um pouquinho mais de matemática, então eu consigo ajudar dessa forma. Mas a ideia não é mostrar estar tudo maravilhoso.

Luciano Pires: Você está apanhando muito também?

Lorenzo Ridolfi: Já apanhei mais, mas eu também tenho uma regra, sendo bem claro, block é vida. Porque discutir com alguém que não quer discutir eu acho perda de tempo. Então quem está a fim de me ouvir, ninguém está recebendo nada, eu não estou pagando nada.

Luciano Pires: Não precisa nem concordar.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: Não precisa concordar com você, basta ouvir.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente. Eu posso estar errado, não tem problema nenhum, se eu estiver errado, por favor, me avisem.

Luciano Pires: Ou me traga o argumento que me esclareça, me traga luz.

Lorenzo Ridolfi: Exatamente.

Luciano Pires: Eu estou errado. Ou então eu não gostei. Então me dê luz, me bote no caminho certo, por favor, como esse caminho certo parece que não existe, nós estamos aqui na correria. Meu caro guarda esse material todo, vem um livro maravilhoso aí, quando passar isso tudo você vai poder escrever um livro muito legal.

Lorenzo Ridolfi: Boa ideia.

Luciano Pires: Conta essa história toda aí que vai merecer sim. Muito obrigado cara, grande conversa. Valeu.

Lorenzo Ridolfi: Valeu.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição deste programa é exclusiva para assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium. Lembre-se, confraria.cafe.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.