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Luciano Pires -

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje temos Danilo Balu, escritor, formado em educação física, corredor. Que decide contestar certos dogmas sobre alimentação e emagrecimento, e traz uma nova perspectiva sobre os processos para perder peso. Muito bem mais um LíderCast aqui da nossa temporada, saindo de pandemia. Esse presente eu ganhei hoje aqui veio pelas mãos de uma querida amiga, da Bel Gingian, que me manda uma mensagem: Ó, estamos envolvidos num projeto aí. E eu já conhecia, ela já tinha falado para mim dessa figura aqui há bastante tempo. E a gente calhou que bateu que juntou a hora exata, cara, para se falar de saúde, se falar de se manter bem fisicamente, quebrando algumas barreiras. Então, é com muito prazer que eu, aqui nesse finalzinho de pandemia, vou receber a visita. Começa com três perguntas, que são fundamentais. Você pode chutar tudo o resto, essas três você tem que responder direitinho. Tá? Seu nome, sua idade e o quê que você faz?

Danilo Balu: Nome, Danilo… meu nome é Danilo, conhecido como Danilo Balu – Balu é apelido, não é o sobrenome – então, Danilo Balu, ou só Balu. A idade né?

Luciano Pires: Idade.

Danilo Balu: 42 para em breve, questão de dias, 43 anos.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: E o quê que eu faço? Eu sempre me apresento às pessoas como treinador e consultor em nutrição. Eu falo me apresento, porque o curso que eu fiz foi bacharelado em esporte. Como ninguém sabe que curso é esse, porque ele é muito semelhante à educação física, eu facilito a vida e falo que eu sou treinador e consultor em nutrição.

Luciano Pires: Bacharelado em esporte?

Danilo Balu: É.

Luciano Pires: Isso aí que você… tá bom. Você nasceu aonde, Balu?

Danilo Balu: São Paulo, capital.

Luciano Pires: Aqui, paulista, daqui? De que bairro?

Danilo Balu: Isso. Paulista. Eu morei até entrar a idade adulta, na Liberdade. Eu tinha amigos…

Luciano Pires: Oh, japoneses…

Danilo Balu: Sim. Amigos não japoneses, mas cujos pais não falavam português. Aquela coisa que quem mora…

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Quem morou na Liberdade décadas atrás sabe bem como que era. Onde você entrava ninguém falava português.

Luciano Pires: Aprendeu a comer uma comida japonesa esperta?

Danilo Balu: Eu aprendi a comer comida japonesa depois. Só mais velho. Na época acho que eu era muito duro, não tinha.

Luciano Pires: Legal. Você tem irmãos?

Danilo Balu: Tenho uma irmã mais velha.

Luciano Pires: Tá. O que seu pai e sua mãe faziam, cara?

Danilo Balu: Meu para era mecânico, na Ford, já falecido. Minha mãe, também já falecida, ela era funcionária pública do Hospital São Paulo.

Luciano Pires: Tá.

Danilo Balu: Ali na região da Vila Mariana, de São Paulo.

Luciano Pires: E Balu vem de onde?

Danilo Balu: Era apelido de moleque, moleque mesmo assim. Eu vou chutar, sei lá, 10/11 anos. E apelidos de criança meio que surgem, ficou entre os amigos da rua, da rua foi para…

Luciano Pires: Mas isso não tem uma origem? Da onde vem Balu?

Danilo Balu: Não tem uma origem, uma origem. E aí dali foi para a faculdade…

Luciano Pires: Não era o Babalú dos desenhos animados?

Danilo Balu: Não. Nem o Babalú, nem o – que eu não conhecia – que é o urso, o urso do menino Mogli, o urso chama Balu, só fui saber muito tempo depois. Porque as pessoas falavam: ah, o Balu do urso? Falava: não. Aí só depois que eu fui descobrir o Balu.

Luciano Pires: Você tem um apelido que não sabe da onde veio, bicho. Que dúvida para viver a vida, cara, meu Deus do céu. Mas vamos lá.

Danilo Balu: Era moleque.

Luciano Pires: Quê que o Balu queria ser quando crescesse?

Danilo Balu: Ah, acho que como toda criança, veterinário. Né? Criança, criança.

Luciano Pires: Bicho.

Danilo Balu: Depois que você entra no ensino médio, eu sempre tive enorme apresso por ciências exatas, matemática. Então, eu falei ou engenharia, ou algo relacionado à estatística, porque tinha enorme facilidade, enorme, prazer em estudar, estudava, entender matemática. E aí eu descambei para o lado da engenharia civil, que foi o meu primeiro curso lá na USP, foi engenharia civil.

Luciano Pires: Tá.

Danilo Balu: Porque eu falei: engenharia, aí quando eu entrei na engenharia que eu vi que não era… não era engenharia.

Luciano Pires: E aí cara? Você tinha alguma expectativa? Você tem um pai trabalhando na Ford, puta empresa.

Danilo Balu: Sim.

Luciano Pires: Porra. Era o sonho, era o sonho do pessoal, trabalhar nas grandes montadoras. Né? E nós estamos falando aí dos anos 80?

Danilo Balu: É. O final, o começo de 90. Né? Eu fui decidir, eu tinha que decidir o curso, ali no começo dos anos 90. Eu prestei, por exemplo, a USP, em 94. Foi quando eu entrei. Meu último ano no ensino médio. É… não, eu me via, me via como um engenheiro, assim, ali na hora de decidir o curso eu já começava… conseguia me enxergar como engenheiro.

Luciano Pires: Como engenheiro.

Danilo Balu: Mas quando eu entrei no curso aí eu vi que era muito distante. Coisa de menino, moleque. Né? Achar que a vida é de um jeito.

Luciano Pires: Que quê que pegou lá, cara?

Danilo Balu: Ah, então, eu não conseguia… lá dentro eu já não conseguia, por exemplo, eu comecei a fazer civil. Eu não conseguia me ver, literalmente numa obra, já no primeiro ano da engenharia civil, lá na Poli, a gente fazia visitas técnicas à obra. Mas assim, tudo muito cru, só para ver como que era.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Eu olhava aquilo, eu falei: não consigo me ver aqui, trabalhando. Óbvio que – de novo – você é muito novo, você não sabe… os meus amigos nenhum trabalha hoje. Dos meus amigos daquela época nenhum trabalha em obra. Mas você não tem essa visão quando você é… entrei eu tinha… eu fiz 17, 17 anos, três meses depois eu estava, eu estava lá, fazendo engenharia. Você não tem essa visão do mundo bem elaborada.

Luciano Pires: Mas você entrou em engenharia na USP, cara. É uma baita… você era um bom aluno?

Danilo Balu: No colégio sim, na Poli com certeza não.

Luciano Pires: E aí cara? Como é que faz na hora que você bate ali e fala: meu não é por aí. Você não tinha um plano B?

Danilo Balu: Não tinha um plano B. Meu plano B era estudar e vamos lá, vamos que vamos. E você tenta, aí recomeça o semestre, você se motiva. Eu realmente me motivava. Ah, primeiro semestre foi horroroso. Não, mas em agosto a gente vai para cima. Daí começava e não ia. Aí no ano seguinte: não, esse ano vai. E não ia. E eu falei: não, não vai dar para ficar aqui porque eu não conseguia me ver, na faculdade, não conseguia me ver trabalhando, não enxergava possibilidades. Não enxergava.

Luciano Pires: Quanto tempo durou essa agonia?

Danilo Balu: Eu queria largar no meu segundo ano, segundo ano eu falei: não, larguei. Aí minha mãe não aceitou de jeito algum que eu largasse e entendo perfeitamente o porquê. E aí ela… aí eu entrei no terceiro ano a contragosto. A ideia era largar no segundo ano, no terceiro a contragosto. Quando começou o terceiro ano, já no começo do terceiro ano, eu já falei para ela: não, não vai dar. Aí ela, ela viu que não ia dar. Né? Não tem como. E aí foi quando eu decidi sair e fui resolver fazer o curso de bacharelado em esporte, porque eu acompanhava o esporte como – esporte não de ver jogo na TV – o esporte mesmo, a gente chama de fenômeno. Né? Eu acompanhava com interesse essa preparação física, recuperações, competições, organização. O olho brilhava quando eu via aquilo. Jogos Olímpicos. E eu falei: é isso aí, né. Tem que fazer alguma coisa.

Luciano Pires: Cara, para a sua mãe que espera ter um filho com certificado, um engenheiro na família, cara. De repente o cara vem e fala: não, mãe eu vou dar aula de educação física. Não quero dizer que não tem nada, cara. São tão dignas uma quanto a outra, só que no sonho da mãe, daquela época.

Danilo Balu: Não. Óbvio, óbvio.

Luciano Pires: Meu filho vai ser médico, advogado ou engenheiro.

Danilo Balu: Engenheiro.

Luciano Pires: Porra, das três coisas né, que… importantes. Você chega lá e fala: nada disso eu vou dar aula de educação física.

Danilo Balu: Isso. Por isso que ela…

Luciano Pires: Como é que foi?

Danilo Balu: Não. No segundo ano foi não negociável. A minha saída da Poli era não negociável no segundo ano. Isso é um… né, 19, ainda um adolescente, você é tecnicamente um adolescente, você tem que acatar, você não tem recursos para falar: não, não. Então você: beleza.

Luciano Pires: Sim. Seu pai estava vivo?

Danilo Balu: Estava. Os dois.

Luciano Pires: E aí, o que ele? Teu pai como é que ele disse?

Danilo Balu: Ele mais… ele entendeu melhor eu acho. Falou: não tem jeito, ele não quer, não quer. Não quer. Ela acabou aceitando na marra que eu não queria porque não tinha, não tinha como ficar. Quando começou o terceiro ano…

Luciano Pires: E aí você foi conscientemente para bacharelado em?

Danilo Balu: Em esporte.

Luciano Pires: Em esporte. Tá.

Danilo Balu: Fui, fui. Eu fui lá e falei, agora entra tudo ou nada. Com 20 anos você fala: não, agora tem que ir, não tem mais.

Luciano Pires: Mas então. Quando você toma uma decisão como essa, de fazer uma mudança radical desse tipo aí. Você entrou no bacharelado lá já com a ideia de que isso seria a sua profissão? Você tinha uma visão daqui a 10 anos eu vou estar fazendo tal coisa. Eu vou naquele caminho. Quero ser técnico do Corinthians. Quero ser preparador físico da seleção brasileira de vôlei.

Danilo Balu: É. Uma coisa já ficou mais certa. Não, agora tem que sair daqui com um diploma e com uma profissão.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Acho que quando na minha segunda faculdade já ficou bem claro isso. Não, agora vai, agora vai, assim, estudando muito… na faculdade de esporte eu falo que eu me dediquei bastante assim. Estudava por conta, já mais maduro. Não precisava esperar o professor vir, eu comprava os livros que eu queria, estudava o que eu queria. Sempre por fora.

Luciano Pires: Estava curtindo. Você estava curtindo.

Danilo Balu: Sim, eu estudei. Não, eu falo que na faculdade de esporte eu me dediquei demais.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Demais.

Luciano Pires: E você saiu com certificado de?

Danilo Balu: Bacharel em esportes, esse é o título.

Luciano Pires: Tá. Muito bem. O cara, chega em casa, com certificado de bacharel em esportes. E faz o que cara? Abre o jornal para procurar um anúncio? Procura-se um bacharel em esportes. Como é que você faz?

Danilo Balu: Tecnicamente você pode trabalhar com qualquer coisa em que o esporte esteja envolvido. Qualquer coisa, qualquer coisa. Tudo que tem esporte no meio você pode trabalhar. E aí você tem gente, tenho amigos nos campos mais inimagináveis possíveis. Tudo, tudo, tudo. Então aí você vai naquilo que você… óbvio que você tem em espaço e aquilo que te – pelo menos deveria ser assim – naquilo que mais te agrada, que te dá mais vontade.

Luciano Pires: Você escolheu? Você fez uma escolha?

Danilo Balu: Sim, o meu esporte de origem é o atletismo, corrida. Então, logo no começo eu já me envolvi com isso. Então eu fui para um lado em que eu tinha enorme prazer e paixão. Então para mim não era – era trabalho, óbvio –, mas era um trabalho muito… quando é com aquilo que a gente gosta é muito mais fácil.

Luciano Pires: E você foi arrumar emprego aonde?

Danilo Balu: Cara eu fui bater, literalmente bater na porta de equipes e aí apareci e me contrataram. Me contrataram para dar treino para amadores, viram que eu…

Luciano Pires: Um clube? O quê que era?

Danilo Balu: Assessoria esportiva. Eu fui numa assessoria esportiva, na primeira que e eu achei, bati, o cara falou: beleza.

Luciano Pires: O quê que é uma assessoria esportiva, cara?

Danilo Balu: É praticamente uma academia de corredores que usa espaços públicos.

Luciano Pires: Ah, legal.

Danilo Balu: Então você está lá, Parque do Ibirapuera, você vai junto dos treinadores, dois, três treinadores e clientes e você orienta essas pessoas que querem correr. Quero correr a São Silvestre, então eu você vai lá e orienta essas pessoas, elas te pagam mensalmente, igual pagam para uma academia e você dá estrutura técnica e um pouco de suporte material.

Luciano Pires: Que acontece no espaço público?

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: É isso? Tá. Não tem…

Danilo Balu: Basicamente.

Luciano Pires: Não tem um lugar que eu vá puxar ferro, essas coisas todas não?

Danilo Balu: Não, não tem.

Luciano Pires: É só…

Danilo Balu: Não conheço alguma assessoria que tenha, entre aspas, uma academia, geralmente você usa o espaço público, espaço aberto vai, avenida, orla, o que seja.

Luciano Pires: E aí, cara? O negócio…

Danilo Balu: Aí foi indo, por que…

Luciano Pires: Você ficou feliz?

Danilo Balu: Fiquei, fiquei feliz. Eu fiquei… para mim corrida para mim é muito fácil porque eu gosto, eu leio, estudo corrida não como trabalho. Eu lia de graça, agora estão me pagando para fazer isso. Então é bem melhor. Para mim é muito tranquilo, muito tranquilo.

Luciano Pires: Tá. E aí, quanto tempo você ficou lá?

Danilo Balu: Eu fiquei dois, três anos, até que um dos sócios me chamou para ser o sócio dele. E aí eu virei sócio da, entre aspas, da minha assessoria esportiva.

Luciano Pires: Que você tem até hoje?

Danilo Balu: Não, porque daí eu falei não, não vou mais. Depois de um tempo, de alguns bons anos eu saí do mundo de assessoria, estava cansado de, literalmente de dar treino. Estava desgostoso.

Luciano Pires: Você estava no contato direto com os alunos, tudo mais?

Danilo Balu: Contato direto, direito ali, parte técnica mesmo.

Luciano Pires: Deixa eu explorar então um pouco dessa… deve ter passado um monte de gente pela tua mão. Né? Nessa coisa.

Danilo Balu: Sim, sim. Já teve muita gente.

Luciano Pires: Imagino que você… você não treinava profissionais?

Danilo Balu: Não.

Luciano Pires: Você treinava a amadorzada?

Danilo Balu: É. Ou aquele cara que almeja. Isso sim.

Luciano Pires: Tá.

Danilo Balu: Que ele almeja ser profissional, ou o cara que…

Luciano Pires: Como é que é o perfil desse povo que procura você, cara? É o gordinho que nem eu, querendo perder peso? É alguém que quer seriamente. Sabe. Galgar cara. Quero chegar num nível que está… sabe… não é o da caminhada diária, não é perder peso, eu quero realmente entrar num… se puder até competir lá na frente e… qual o perfil?

Danilo Balu: Tem de todos os tipos. Eu acho que aquele que chega um pouquinho… essa idade, vou dar um número puramente aproximado. Por volta ali dos 40 anos ou mais, vai ter gente, mais, uns 45 para mais, você vai ter gente que fala assim: preciso fazer atividade física, quero emagrecer, quero ter uma rotina saudável. E você tem também aquele que tem, sei lá, tem 35 anos e resolveu correr a meia maratona do Rio. Acontece. Hoje acontece muito aquele cara que sai da faculdade, passa um tempo fora da faculdade, e a faculdade, sei lá, ele joga basquete. Aí ele começa a trabalhar ele já não consegue mais juntar 10 caras para jogar basquete numa quadra. Ele tem que fazer exercício sozinho. E ele vai se colocando desafios. Então tem todo tipo. Tem o cara que só quer emagrecer, o cara que quer correr a São Silvestre, o cara que quer se manter ativo. Esse é o padrão geral, o típico corredor de assessoria esportiva.

Luciano Pires: Você consegue botar um número na… de cada 100 caras que aparecem lá para começar o negócio, daqui um ano quantos estão continuando?

Danilo Balu: É uma rotatividade eu não sei dizer com segurança esse número. Eu chuto, não sei, eu chutaria que dois terços, talvez ali, seus 70% daqui um ano. Daqui dois anos com certeza eu continuo…

Luciano Pires: Não. 70% do quê? Continuam?

Danilo Balu: Continuam, continuam.

Luciano Pires: 30% param?

Danilo Balu: É. E aí, sei lá, depois de dois anos esse número já cairia bem, sei lá, talvez metade.

Luciano Pires: Eu sou mais pessimista que você. Achei que seria inverso, uns trinta ficam, setenta vai pelo caminho. Né?

Danilo Balu: Não, depois de um ano eu acho que, acho que depois de um ano você consegue segurar uma turma boa assim.

Luciano Pires: Eu soltei um curso sobre produtividade há pouco tempo atrás aí. Tinha um bloco lá que era um bloco sobre você não tomar decisão, você postergar, você empurrar com a barriga e deixar de fazer as coisas lá. Né? E um módulo interessante ali que falava da… que a primeira coisa que você tinha que fazer. Com quem que eu vou assumir um compromisso? Então, quando eu assumo um compromisso público com alguém, eu tenho uma motivação para fazer. Então eu vou me encontrar com o Danilo, com o Balu, às duas da tarde. Cara, o Balu está me esperando, puta, eu vou fazer. Então isso te bota no caminho, eu vou ter que fazer, tenho data para entregar, tenho compromisso, tem gente me esperando. Então tudo isso motiva você a fazer. O problema é quando você assume o compromisso com você mesmo. Porque aí eu negocio de um montão… ai cara, levantar às cinco não vai dar certo, cara. Quando é comigo eu relaxo tudo e aí você acaba que não segue a disciplina e tudo mais, porque não há um motivador externo. Né? Por isso que tanta gente acaba ficando pelo caminho. Porque comigo eu negocio comigo mesmo. Né?

Danilo Balu: Não. Isso é muito… é bem legal, nunca tinha pensado desse jeito, é bem interessante. Eu acho que tem outra coisa, por estar esse tempo na corrida e também com nutrição. Tem uma coisa que pouca gente para, para pensar, mas tanto a corrida, quanto a nutrição elas te dão um feedback tardio de benefício. Então quando eu passo a correr hoje, vamos dizer que hoje eu estou com 42, 42 anos. Óbvio que há literalmente décadas, mas vamos dizer que eu comecei a correr hoje. Os benefícios concretos de iniciar hoje, ele só vai ser apresentado a mim daqui a literalmente muito tempo, muito tempo. E você tem outras atividades de feedback rápido.

Luciano Pires: Sim, sim.

Danilo Balu: Então, quando eu tomo uma cerveja agora, tem um prazer imediato e um custo tardio. Então você ficou bebendo muita cerveja o custo ele é tardio. Com a corrida e com nutrição é lá na frente. Tá, se eu comer, evitar açúcar hoje, comer uma dieta saudável, com poucos alimentos processados, eu vou ter uma vida boa aos 60/70 anos. Então a pessoa no primeiro desconforto, como ela não enxerga os benefícios, porque eles são tardios, fica muito fácil para a pessoa largar mão. É muito fácil, é muito fácil. A corrida. Imagina só. Você perguntou sobre os dados, quantas pessoas ficam treinando. Imagina que ele está me pagando mensalmente – isso aconteceu muito agora, comigo não, graças a Deus, mas aconteceu com muito, muitos amigos treinadores, meus, porque hoje eu não tenho mais assessoria, mas muitos amigos meus que têm assessoria sofreram agora na pandemia – você está lá, pagando mensalmente alguém, dinheiro bom, não é um dinheiro enorme, mas é um dinheiro que, interessante, e aí, de repente você já não pode mais ir no parque, porque o parque está fechado. Aí você tem tudo aquilo lá, tem que usar máscara, não dá para ficar indo e voltando, tem a restrição de movimento. É tudo que você precisava…

Luciano Pires: Para não ir.

Danilo Balu: Para não ir, cancelar, você teve todos os estímulos e o desconforto, que a corrida é desconfortável, você tem todos os motivos para cancelar o… cancelar ali a matrícula. É diferente de outros, de outras atividades que não têm essa percepção tardia de benefício.

Luciano Pires: É. Isso é interessante. Eu costumo falar para o meu filho, falo para ele: olha aqui, eu estou gordo, estou fora de forma, estou arrebentado aqui, mas quem me sustenta é o que eu fiz quando eu era moleque, cara. Futebol que nem um maluco, exercício físico, então aquela constituição que eu construí lá atrás me segura…

Danilo Balu: Hoje.

Luciano Pires: Esse meu desleixo é de hoje. Coisa que ele não vai ter. Então, cara, o que eu fiz jogando bola você está fazendo com videogame. Sabe, o teu corpo é um corpo do cara do videogame, você não vai ter essa estrutura lá na frente para segurar, então começa a se preocupar agora.

Danilo Balu: Se mexa.

Luciano Pires: Já, né? Mas é difícil, o benéfico está muito lá na frente, você não… jogar com isso é complicado. Né? Mas meu caro, esse negócio de você estar bem de saúde, estar magrinho. Tem o componente estético, que lida muito a vaidade, que a sociedade impõe bastante. Deixa a gente até com vergonha. Né cara? Você liga a televisão, todo mundo lindo. Né? Entra no Instagram só tem barriga tanquinho. Né? Esse é um componente, o outro componente é o da saúde em si, que é uma coisa que é uma preocupação que parece que fica em segundo… ela não é visível né? Você não vê aquilo acontecer.

Danilo Balu: Não vê.

Luciano Pires: E muita gente se aproveitou disso para fazer uma indústria, cara. Uma puta indústria, indústria de comida saudável, de equipamento, de… eu brinco que é a indústria do abifoda-se, o abifoda-se… você liga a televisão tem aquele anúncio: compre o abifoda-se. Aí o cara vem e faz um anúncio que dura 15 minutos, mostrando uns caras bonitão, todo mundo usando o abifoda-se. E aí chega no final, você vai compara em 25 parcelas de quatorze reais. E se você comprar o abifoda-se, você vai ganhar junto uma faca Ginjo, uma filmadora, e bá… enche o saco e você olha aquilo, e fica animado e compra. E aí o abifoda-se chega na sua casa, você abre a embalagem, vai ler o manual de instruções. Como usar direitinho o abifoda-se. Porque com 15 minutos diários você vai ficar com a barriga tanquinho. E aí lá no meio está escrito o seguinte: funciona muito bem se você fizer dieta e exercício físico.

Danilo Balu: Sim, sim.

Luciano Pires: Porra, então eu não preciso do abifoda-se, cara. Isso virou uma puta indústria. Né cara? Que trabalha, ela é bilionária. E deve ter muito interesse em manter as coisas assim. E eu sei que você começou a quebrar umas… quebrar uns conceitos que ia arrumar umas polêmicas, inclusive, porque você está numa direção que não é a direção dessa, dessa grande indústria. Entre numa academia, pague X por mês, compre o… como é que é? Como é que chama aquele…?

Danilo Balu: O abifoda-se.

Luciano Pires: Não o abifoda-se, mas os coisas que você come lá.

Danilo Balu: Os suplementos.

Luciano Pires: Compre o suplemento isso e aquilo para você ficar lindo que nem o fulano de tal. Né? E você entrou meio que quebrando e falou: mas não é bem assim, cara. Não dá para prometer que você vai ficar magrinho. Não é assim que funciona cara. Cada corpo é uma sentença e você andou desenvolvendo um trabalho. Que começou como, cara? Quando é que te dá o estalo, que você ali fala: espera um pouquinho, bicho. Essas fórmulas todas aí. Não é bem assim. Né?

Danilo Balu: Eu já tinha saído da faculdade de nutrição quando eu, quando eu vi que não era assim. Estava lendo, por acaso um livro, literalmente por acaso, que pediram que eu lesse. Sabe? Lê esse livro aqui, legal você ler para você escrever alguns artigos. E era um livro que é provavelmente um divisor de águas na nutrição contemporânea, que é o Good Calories, Bad Calories, do Gary Taubes. Esse livro não tem traduzido em português. Depois ele lançou – o mesmo Gary Taubes – ele lançou uma versão menor para leigos, vamos dizer assim, que esse sim tem em português, chama Por que engordamos? Por que engordamos é uma redução, é uma versão reduzida do Good Calories, Bad Calories.

Luciano Pires: Como é o nome do autor?

Danilo Balu: Gary Taubes.

Luciano Pires: Gary Taubes?

Danilo Balu: Isso. Americano. Esse cara foi um divisor de águas, literalmente, no mundo da nutrição. Porque ele que é físico e jornalista, ele resolveu ir atrás da, vamos dizer assim, ele foi fazer uma releitura dos conceitos de controle de peso e emagrecimento no ser humano. Porque até então, até hoje, as normas e as diretrizes, e a base ela é toda matemática e aritmética. Se eu como três mil calorias e gasto duas mil, eu engordo mil calorias diariamente. Seria um superávit ou um déficit calórico como indutor do emagrecimento ou da pessoa engordar.

Luciano Pires: Legal.

Danilo Balu: Então, se a pessoa engorda é porque ela está comendo demais, se ela emagrece é porque ela está comendo de menos, ou se exercitando demais. E o Gary Taubes falou, bom, mas tudo, tudo quando a gente fala de controle de peso no mundo animal, entre os mamíferos envolve uma questão hormonal, sempre há uma questão hormonal envolvida. Porque que um ser humano seria diferente? E, se de repente o mundo passou a engordar de forma sincronizada, ou a genética do planeta inteiro mudou ao mesmo tempo, ou talvez a gente esteja enxergando a nutrição de uma forma errada. E ele revisita esses princípios mostrando quais são as enormes falhas e limitações de você explicar o ganho ou a perda de peso por uma questão aritmética e matemática.

Luciano Pires: Quando foi que ele fez isso?

Danilo Balu: O livro, se não me engano é de – eu sempre confundo – mas o livro eu acho que… eu nunca sei, mas de 2001 ou 2008.

Luciano Pires: Ah, mas já é anos dois mil, não é, 70, 80, 90, não?

Danilo Balu: E aí ele faz isso e aí quando você lê você fala: meu não é possível, cara. A primeira vez que eu li a obra foi essa a minha reação. Não é possível que isso passou despercebido por todo mundo. Deve ter algum engano, recomecei a ler o livro, porque eu não acreditava no que eu lia. Não acreditava assim de espanto, não que ele estivesse mentindo. Mas falei: não deixa eu rever, deixa eu reler. Porque o choque é muito grande, é muito grande. E aí você, quando você começa a ler a obra você cai num mundo que foi literalmente ignorado. Não tem… não é que… eu não acredito em teoria da conspiração. Sabe? Ah, não, mataram os pesquisadores. Ou enterraram os estudos. Não, está para quem quiser ver. Só que foram vozes que foram literalmente ignoradas. Assim, literalmente ignoradas. Aí você vai ler livros antigos, que você acha na Amazon, qualquer site de busca, você começa a ler e fala: cara. Já tratava disso, tratava nos anos 60, tratava nos anos 70, tratava nos anos 80. Pô cara, não é possível isso. Não é possível. E aí, você descobre. E aí você aplica, e aí a coisa funciona. E aí a coisa faz sentido. Você fala: nossa.

Luciano Pires: O quê que é a essência que ele prega lá que quebra essas origens.

Danilo Balu: A essência, essência é: o ganho ou perda de peso tem razão hormonal, não razão aritmética ou matemática. Ou seja, o corpo, por um desbalanço, ou desregulado, ou por motivos hormonais, ele sinaliza que o corpo tem que engordar ou emagrecer. Uma frase que ele usa, bem forte, é até difícil de entender, é que ele fala: a gente não engorda demais porque estamos comendo muito, nós comemos muito porque estamos engordando. Então o comer demais é uma ação…

Luciano Pires: Está obedecendo a um comando. Obedece a um comando.

Danilo Balu: Isso. Exatamente, perfeito. Então, comer demais é obedecer a um comando do corpo para engordar. Eu vou usar um exemplo que ele não é perfeito, mas ele facilita a compreensão dessa ideia, com uma gestante. Ali a mulher tem 25 anos, engravidou. Ela ao longo dos nove meses, ela vai ter um aumento do apetite dela, ela vai comer mais. Segundo Gary Taubes, essa mulher está comendo mais porque como ela está grávida, o corpo dá sinais para que ela coma mais para sustentar ela e um bebê em desenvolvimento.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Segundo as diretrizes da nutrição, o bebê está crescendo porque esta mulher está comendo demais. Então se ela parar de comer ela não terá o bebê. Ou seja, a gravidez seria uma consequência dela comer demais. Ou então o adolescente, eu tenho dois sobrinhos, sete e nove anos agora – vão fazer sete e nove mês que vem – eles comem o dia inteiro. Segundo Gary Taubes, eles comem demais porque eles estão em crescimento. Então como eles estão em crescimento eles têm fome o dia inteiro. Segundo as diretrizes da nutrição meus sobrinhos estão crescendo porque eles comem demais. É uma inversão de causa e consequência, e é uma inversão tão banal, que impressiona que ainda não tenha caído.

Luciano Pires: E mais, se você for para o mundo da psicologia. Seus sobrinhos estão comendo porque eles têm alguma pressão familiar, eles têm alguma carência do mundo, algo está fazendo com que eles fiquem angustiados e psicologicamente eles se refugiam na geladeira atrás de comida.

Danilo Balu: Então assim, tudo é importante, e não foi com Gary Taubes, mas com outros autores, eu aprendi a ter essa necessidade de sempre olhar para a natureza, você tem que olhar para a natureza para entender o nosso mundo. Entre os humanos mesmo. Então você olha os animais, é importante, quando você olha os animais, responde muita coisa.

Luciano Pires: Você está falando, eu estou pensando aqui: porra, o leão dorme o dia inteiro, cara, ele passa o dia inteiro dormindo. Aí ele levanta, dá uma corridinha, come a gazela.

Danilo Balu: Come.

Luciano Pires: Come que nem um maluco. Né?

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: Se entope.

Danilo Balu: Se entope.

Luciano Pires: E dorme de novo.

Danilo Balu: Daí ele só come carne, porque ele pegou a gazela, ele não come… ele não vai atrás de frutas, nem de salada. Aí vêm os nutricionistas e falam o quê? Que o seu prato tem que ser balanceado. Não existe prato balanceado na natureza. Não existe.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Você não precisa. Se eu quiser comer hoje, ah, hoje o meu almoço vai ser só omelete. Ah, eu vou jantar só fruta. Amanhã o meu almoço é carne, o meu café da manhã é moída. O extremo, na natureza tudo é extremo. Não existe prato balanceado na natureza, o prato balanceado ele só existe na diretriz sem embasamento da nutrição.

Luciano Pires: Cara, que interessante essa tese. Né? Mas quando você lê esse livro, você… eu imagino que você se torna uma ovelha negra no meio de um ambiente que todo mundo pensa numa direção. Você chega lá falando: talvez não seja assim. Você começa a dar voz para aquelas vozes que estavam escondidas lá atrás. Né? Você transforma isso num método? Você transforma isso no quê, cara? Quando você entendeu essa história toda você falou: cara isso aqui está errado. Eu tenho que propor algo novo. Né? Quê que é isso? Você transforma numa empresa? O quê que você faz?

Danilo Balu: Eu. Foi engraçado porque eu sempre estive envolvido, trabalhando com corrida. Saí da faculdade de nutrição, nunca pensei: ah, vou clinicar. Nunca tive vontade. Nunca vesti um avental. Imagina, acabou a faculdade, falei: vou jogar fora esse avental, jaleco. Eu nunca vou usar isso. Não quero, não quero.

Luciano Pires: Eu quero ação. Quero ação e quero a pista.

Danilo Balu: É. E aí, isso aqui assim, eu dividia com alguns amigos. Então, não é bem assim, tudo aquilo que falam… eu falo, ou seja, literalmente… tudo que falam para você está errado, tudo. Não é que é a maioria ou parte. Tudo que te falam está errado, tudo. E aí amigos meus enfrentando problema com a balança falavam: mas como que é? Eu falava: é isso, é aquilo. Faz desse jeito. Corta aquilo, come desse jeito. E trabalhando profissionalmente com corrida. Mas ali, literalmente ajudando os amigos. Ah, toma um café? Vamos almoçar? Vamos. E aí alguns amigos falavam: cara, você precisa… como eu tinha que repetir o mesmo discurso inúmeras vezes.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Meu, faz um livro, organiza isso, cara. Porque você tem que falar a mesma coisa para todos os amigos. Está num churrasco eu explicava, daí chegava alguém no churrasco atrasado. Como que é isso? Tinha que retomar. Cara organiza essas ideias. Falei cara, vou organizar, foi bom, foi um trabalho meio egoísta, porque eu organizei as minhas ideias e foi mais fácil para mim mesmo. E aí as pessoas vinham, falava: está aqui o livro, está explicado.

Luciano Pires: Você escreveu um livro?

Danilo Balu: Escrevi um livro que é O Nutricionista Clandestino, o nome do livro.

Luciano Pires: Já publicou, existe o livro?

Danilo Balu: Já. 2015, sempre confundo, acho que é 2015. Final de 2015 eu publiquei o livro. Onde eu consegui organizar as ideias referentes à nutrição. Revisitando a questão do emagrecimento e do por que o está obeso.

Luciano Pires: O Nutricionista Clandestino?

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: O que aconteceu com esse livro? Do ponto de vista do livro em si eu sei o que aconteceu. Eu tenho nove. Tá? Eu sei o que acontece. Investe, bota e não acontece nada. Mas ele causa algum barulho, porque você com poucos livros começa o pessoal a falar, imagina se você entra numa, com uma ideia, nova. Nova em termos. Você traz uma ideia que não era de conhecimento público e bota num livro. O quê que aconteceu com o livro?

Danilo Balu: Ele foi muito bem aceito, assim, ele vendeu muito mais que eu imaginava. E é bom que aumenta o alcance, porque antes as minhas ideias elas ficavam, óbvio que o Smartphone, as redes sociais ajudaram, deram mais microfone, mas isso começou a chegar gente que eu nunca teria como alcançar.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Então as pessoas que se interessam pelo assunto, elas tinham onde buscar, porque o meu livro, O Nutricionista Clandestino, ele é o primeiro livro escrito em língua portuguesa que trata do assunto. É o primeiro escrito em língua portuguesa. Então a gente vive num mundo que nem todo mundo fala inglês, então… pô, eu queria conhecer as ideias. Está aqui ó. Primeiro livro em português sobre o assunto, originalmente em português. E aí amplificou. Então, hoje o retorno que eu tenho – retorno eu digo de Inbox, as pessoas comentando – é muito grande, uma satisfação enorme porque eu consigo organizar ideias para qualquer um que tenha vontade.

Luciano Pires: O quê que você faz hoje? Hoje.

Danilo Balu: Hoje eu presto consultoria, tanto para corredores, quanto para pessoas que querem comer melhor. Comer melhor, seja para correr melhor, seja para emagrecer, seja porque ela só quer ter mais saúde.

Luciano Pires: Você tem a Danilo Balu Ltda? Você criou uma empresa? O quê que você tem? Com é que é?

Danilo Balu: Eu sou um consultor das pessoas. Eu não tenho uma empresa, mas eu sou… pessoa me busca, como consultor.

Luciano Pires: Como se fosse um personal trainer?

Danilo Balu: Mais ou menos isso.

Luciano Pires: Você dá umas dicas em nutrição. É isso? Ou no exercício também?

Danilo Balu: Isso. Nos dois… eu trabalho os dois em separado ou juntos.

Luciano Pires: Ok. Você vai pegar um cara que nem eu. Ó o estado que eu estou.

Danilo Balu: Por exemplo, uma coisa que eu nunca falo, nunca. A pessoa fala assim: Balu. Óbvio que como a gente vive num mundo que a estética é importante, eu não acho…

Luciano Pires: Um problema.

Danilo Balu: Não, eu não acho menor isso. Não acho uma questão menor. É autoestima, tal. Aí a pessoa me procura e fala assim: ah, Balu, um amigo meu te recomendou, tal. Quero perder 10 quilos. Eu nunca, nunca, nunca. Têm duas coisas que nunca peço para essa pessoa que me busca falando que quer emagrecer. Nunca peço para ela fazer jejum e nunca peço para ela fazer atividade física. Por quê? Eu acredito 100% que a pessoa ela consegue perder peso sem jejuar e sem fazer atividade física. Não que jejuar e atividade física não sejam importantes. Dormir bem é importante.

Luciano Pires: Alô, alô. O ouvinte está vendo o tamanho do meu sorriso aqui?

Danilo Balu: E é impressionante, porque a pessoa começa a derreter e ela fala: cara. E eu tenho clientes que já falam isso antes de ouvir qualquer conselho meu. Falam assim: ó Balu, tal, me falaram, não sei o quê. Mas ó, já te aviso, não vou fazer atividade física. Eu falo: tudo bem, tudo bem. Para mim é como ela falar: não vou ao dentista. Tudo bem, você não precisa ir no dentista, porque a gente vai falar de nutrição, mas eu acho que você deveria ir. Eu acho que você deveria fazer atividade física, eu acho que deveria ter um padrão de sono bom, gerenciar estresse. Mas é peso. Quer comer melhor? Vamos se ater à comida, e só isso, e só isso.

Luciano Pires: Então vamos entrar mais fundo nessa história toda aí que agora estou ficando mais interessado ainda. Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar ao transformar o seu Smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Para assinar acesse confraria.cafe, de novo, confraria.cafe, lá você conhecerá os planos para se tornar um assinante e ter acesso exclusivo aos bastidores da temporada do LíderCast e a muito conteúdo original. Além disso, contribuirá ativamente para que este conteúdo chegue para muito mais gente gratuitamente, tem um plano lá que custa doze reais por mês, cara, doze reais, uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro fará com que você nos ajude a continuar crescendo e fazendo com que nossa voz seja ouvida por mais gente, você estará contribuindo ativamente com nossa causa pela da defesa da liberdade e da independência individual. De novo, vem para cá, confraria.cafe. Acabei de conhecer você, legal. Balu quero fazer a consultoria com você, vamos ver o quê que está acontecendo. Estou pesando aqui, estou com cem quilos, nunca estive tão gordo na minha vida, não estou fazendo exercício nenhum, dói tudo, durmo mal, blalalerolalá. Como é que você pode me ajudar? O quê que você começa a fazendo, cara? Você vai fazer…? Você vai pedir para fazer exame de sangue, cara? Vai pedir uma tomografia? O que você vai fazer?

Danilo Balu: Então, eu não peço exame de sangue, não peço. Geralmente a pessoa tem, ou se recomenda. Eu recomendo, ah, faz, não fez. Ah, não faço há… tem assim, ah, eu fiz o último há seis meses. Cara faz outro agora, depois faz outro daqui a três, quatro meses. Recomendo, eu não acho essencial. Se a pessoa ela chega, vamos dizer, a pessoa ela ganhou muito peso, você sabe que tem uma razão ali, sabe que tem uma razão alimentar. Gente, cá entre nós, a gente sabe que ninguém ganha trinta quilos comendo brócolis e ovo. A gente sabe disso, a gente sabe. O cara que falar que engordou porque comeu almeirão, está mentindo. Você sabe disso. Todo mundo sabe. Pode ser uma sequência, pode ser vindo derrapando pouco a pouco, mas ninguém ganha sobrepeso por causa de alface e rúcula. Não, a pessoa ela comeu alimentos processados, comeu alimentos industrializados, refinados. E às vezes ela tem isso no dia a dia dela, na dieta, achando que aquilo faz bem. Então ela come o pãozinho integral de manhã porque ela ouviu na TV que pão integral com margarina light faz bem. Ela toma o leite desnatado dela. Aí ela come a tapioca antes de ir para a academia, porque ela ouviu o nutricionista falar que precisa de tapioca para ter energia. Chega à noite ela come arroz e quinoa, porque ela ouviu falar que quinoa. Então todos os alimentos a gente pode falar com tranquilidade, extremamente engordativos, porque são ricos em amido.

Luciano Pires: Como cúrcuma. Vou comprar cúrcuma.

Danilo Balu: É. Daí a pessoa ela toma água com cúrcuma e come tapioca com leite condensado, porque ela ouviu que a tapioca… isso que é um pouco triste nessa história. Porque você conversa com muita gente que é extremamente, não vou falar dedicada, mas ela segue o que pediram.

Luciano Pires: Tem a disciplina, tem a disciplina.

Danilo Balu: Ela tem, ela faz o que foi pedido. Outro dia desses, bem – outro dia desses não, porque a gente perde a noção com a pandemia –, mas antes disso tudo, ou seja, mais de seis meses atrás, eu estava na academia, estava pedalando e aí do meu lado tinha uma menina bem gordinha, duas na verdade, eram duas, duas. Na ergométrica. Né? Do meu lado, e pedalando, eu lendo, que eu sempre pedalo com um e-book ali, lendo. E aí, eu nunca me intrometo, mas a menina: não porque não sei o que, ah, eu não estou conseguindo perder peso, não sei o que lá. Ela estava bem acima do peso. E eu falei: ah, desculpa. Eu entrei, eu nunca faço isso. Falei: ah, desculpa, vi você comentando. Desculpa tomar essa liberdade, mas você falou que falou que foi na sua nutricionista. Mas me fala aí o quê que ela pediu? Ela do começo ao fim, ela deu a dieta dela do começo ao fim. Eu falei: pode pedalar o Tour de France, você vai engordar com essa dieta. Não adianta ficar pedalando aqui, achando que você vai emagrecer comendo tapioca e arroz, e leite desnatado. Falei: cara, na boa, troca de nutricionista. O que ela está fazendo é uma barbaridade. Você não vai emagrecer um quilo com isso daí. A menina extremamente acima do peso, comendo a cada três horas, alimentos cheios de amido. Falei, não sei o que ela fez da vida dela, não sei mesmo. Ou seja, ela fazia tudo que era dito para ela. Não é que ah não, agora ela é safada, ela deve jantar no McDonalds. Não, ela fazia o que era dito. Ela comia tapioca, ela tomava o leite desnatado. Ela engordava porque tinha um profissional, que ela pagava fazendo ela engordar. Isso eu te falo que é a parte mais triste dessa história.

Luciano Pires: Pensando que está fazendo emagrecer?

Danilo Balu: Sim. Porque ela… quando você paga alguém para… você paga alguém você obedece. Ah, não, vou contratar professor de piano. Ele fala: faz isso. Você faz o que ele manda.

Luciano Pires: Não, mas você está pintando um panorama que é muito pior do que…

Danilo Balu: É. Para mim é irremediável.

Luciano Pires: Que eu poderia imaginar.

Danilo Balu: Para mim é irremediável.

Luciano Pires: Deixa eu fazer um paralelo. Fazer um paralelo aqui com o que aconteceu agora na pandemia. Né? Eu vou voltar um pouco no tempo. Tá? Que eu vivi nos últimos três ou quatro anos aí uma sequência de problemas, saúde na família, com a minha esposa. Cara, que terminou com dois transplantes, transplante de fígado, transplante de rim. Foi uma coisa assim, complicadíssima. Né? E eu nunca tinha vivido situações de chegar assim que você fala: cara estamos prestes a ter uma morte na família. E em três ou quatro momentos aconteceu isso. Sabe? De chegar quase, quase, quase. E aí eu notei uma coisa interessante, cara. Porque eu estava lidando com médicos, pessoa de primeira linha, a vida inteira lidando com médico, tudo. E sempre cara, cegamente o que os médicos…

Danilo Balu: Pediam.

Luciano Pires: Pediram e a gente fez e deu tudo certo. Né? Até que chegou nesse nível que parece que você… saímos do verde, fomos para o amarelo, do amarelo para o laranja. Quando entrou no vermelho, cara, que a situação ficou muito complicada, aí começou a vir a dúvida, tudo era dúvida. Você falava com aquele médico que antigamente dizia que: não, é assim. Agora já não era mais. Nenhum deles tinha certeza, todas as conversas eram: olha, pode ser que sim, talvez não. Mas o quê que vai acontecer? Nós não sabemos. Talvez isso… vamos tentar aquilo, tenta isso aqui. Então a coisa passa a ser muito complexa e assim… e o conhecimento ainda não dominou isso tudo. Né? Você mudava de médico, era uma outra conversa, mas era tudo… ninguém batia… ninguém assinava embaixo. Né? E eu olhei para aquilo, falei: cara, que interessante. Então quando a gente chega num nível de complexidade do problema físico da saúde as certezas acabam e aí ninguém mais assina embaixo. Quando começou a pandemia foi uma coisa parecida. A pandemia entrou e ninguém sabia que porra era essa, aliás, ninguém sabe que porra é essa até agora. Né? E aí começam a cagar regra, então o cara aqui, você não pode fazer isso, põe a porra da máscara, tira a máscara, fica trancado em casa. Tranca os bons, não tranca o doente, tranca… cara virou uma zona e o que ficou muito claro para mim nesse processo todo que a gente viveu agora, ou estamos vivendo ainda. Né? É que ninguém sabe direito o que acontece e começa a se tomar decisões em cima dessa… do que eu acho. Olha eu acho que vai… faz o seguinte cara, toma uma Dipirona aí, vai para casa, fica esperto lá, se começar a ficar ruim a respiração você vem me procurar. Entendeu? E coisas que você… cara isso é terrível, que é muito parecido com que você está dizendo aí. Então alguém está aplicando rotinas, aplicando uma – como é que eles chamam lá?

Danilo Balu: Procedimentos?

Luciano Pires: É. Mas tem um nome. É um protocolo.

Danilo Balu: Protocolo.

Luciano Pires: Alguém está aplicando um protocolo que foi criado por alguém que não tinha muita certeza do quê que podia acontecer ali. Né? E o que você está contando par mim agora, eu sei que tem uma indústria formando pessoas, acreditando que aquele é o caminho, que provavelmente deve dar certo com alguém. Com algumas pessoas deve dar certo. Né? E com outras não dá. Né? Mas é… e aí o problema é muito pior do que eu imaginei que fosse. Que eu… eu estava achando que a culpa era minha, eu que sou o desleixado.

Danilo Balu: Mas esse é o discurso da nutrição. Que, ah ele não emagrece porque ele é preguiçoso, porque ele é guloso, porque ele é mentiroso, ele é safado. Não falam nesses termos, mas é. Ah, não, não ser aplica, não. Pô deve atacar a geladeira de noite. E aí eu cansei de conhecer que faz o que é pedido, que faz o que é pedido. E é óbvio, a pessoa se frustra. Porque ela vai, vai para academias, às vezes a pessoa odeia pedalar, fica lá, pedalando horrores.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Só que comeu uma tapioca antes, tem que comer um lanchinho depois, porque mandaram. Alguém, algum técnico, técnico no sentido de formado, diplomado, titulado. Pediu para ela fazer. E aí não perde peso, ela acha que a culpa é dela. E aí se não funciona: ah, porque você não fez direito. A nutrição se baseia nisso, e a culpa não é da nutrição. Não é que toda nutrição é errada, é que você não se esforça. Isso é maior discurso que a nutrição usa hoje. Como ela é falha do início ao fim, quando a gente fala de emagrecimento e controle de peso. Ela terceiriza a culpa, terceiriza completamente a culpa.

Luciano Pires: Vamos voltar para aquela pergunta que eu te fiz, que a gente acabou… que é característica do programa aqui, a gente vai para as beiradas. Isso aqui tem hyperlinks, a gente envia [inint 00:42:40] para o lado. Deixa eu voltar para o caminho original aqui.  Muito bem, Balu, quero contratar você para cuidar de mim aqui. Né? Você vai dar uma conversada comigo. E aí cara, o quê que você faz? Você vai dar uma listinha: o quê que você come? Como é que você come? Onde você come?

Danilo Balu: Nessa conversa é aonde eu vou, eu tento de verdade entender onde… o quê que aconteceu para chegar onde chegou. De novo, por opção estética – que de novo, eu não acho menor – às vezes a pessoa procura por que: ah, estou 30 quilos acima do peso. E você tem que entender como. E muitas vezes a pessoa sabe por quê. Ah, entrei nesse ponto por isso, isso e aquilo. E quê que você faz hoje para reverter isso? E quando ela fala o quê que ela faz para reverter, você identifica tipo, 12 erros.

Luciano Pires: Então, mas você falou lá atrás que o problema é uma questão hormonal. Né?

Danilo Balu: Sim.

Luciano Pires: Eu estou esperando a hora do meu exame de sangue, que você vai querer olhar para ver como é que eu estou, se eu estou destrambelhado hormonalmente para um lado ou para outro. Né?

Danilo Balu: Quando eu falo hormonal, não é só um hormônio, mas a gente sabe hoje, hoje a gente sabe que – não funciona para 100% das pessoas –, mas a gente sabe que a maioria das vezes a gente está falando da insulina. Por que da insulina? Porque a insulina é o maior gerenciador do metabolismo no ser humano, nos mamíferos, na verdade. A insulina é o maior gerenciador do metabolismo lipídico, de gorduras do ser humano. Disse o maior, não disse o único. Mas como é o maior é o primeiro suspeito. Ah, deve ser a insulina, pelo que você vai, deve ser insulina. Por quê? Porque ela é o maior gerenciador do metabolismo de gordura.

Luciano Pires: Você está falando de açúcar isso?

Danilo Balu: Isso. A insulina é um hormônio que ajuda o corpo a gerenciar os níveis de glicemia, de glicose no sangue. Né? Ah, você tem excesso vamos transformar isso em gordura, tem baixo, vamos utilizar baixa insulina. O corpo tem acesso à gordura como substrato, como energia, como fonte energética. Então o que a gente tem hoje, por causa da industrialização, dos alimentos processados, do progresso econômico, tudo mais, você tem acesso irrestrito, ilimitado e muito barato de alimentos que são… que têm um grande impacto nos níveis de insulina. Que são as farinhas, o amido, o açúcar, os alimentos industrializados. A pessoa consumindo muito disso ela acaba desregulando, vamos chamar assim, vai, cria um desbalanço hormonal, falando da insulina. E aí a pessoa começa a ganhar peso. Quando você… a pessoa falando o dia a dia dela você já sabe identificar onde deu ruim. Cara é aqui que a gente está errando hein. Aí você tem que mudar aí.

Luciano Pires: Eu fui num médico, fiz lá uns exames lá e ele pegou me deu a lista do que eu não podia comer. E eu quando vi a lista eu concluí que se ele tivesse me dado uma lista do que eu podia comer…

Danilo Balu: Era mais fácil.

Luciano Pires: Era muito mais fácil, que seria uma lista muito menor, eu olhei aquilo: você está louco cara. Falei: que é isso, bicho? Eu não vou. Minha vida vai ficar em preto e branco, cara. Isso vai se um horror. Eu não vou deixar de fazer, porque o cara tirou… quando ele começou a mostrar para mim, tudo tinha açúcar, tudo tinha problema, tudo tinha glicose, tudo… de batata ao meu arroz, tinha que parar tudo. Né? Eu falei: cara o negócio é tão radical que eu não consigo dar um choque desse nível. Né? E você está propondo que não seja. Pelo que eu vi a tua postura desde o começo aqui, cara, espera aí, não precisa ser tão radical. Sabe? Não é a questão de você amanhã de manhã começar a acordar às cinco da manhã para correr duas horas, para depois comer um queijinho, um queijo magro. E não é isso. Né? Vamos fazer uma adaptação. Né? Então eu entendo que você, nessa conversa comigo, você vai querer entender meus hábitos alimentares. É isso?

Danilo Balu: É. Rotina…

Luciano Pires: Minha rotina.

Danilo Balu: Alimentares e a rotina. Isso.

Luciano Pires: Então vou te dar. Eu cortei meu café da manhã. Tá? Não tenho mais café da manhã. Então antigamente eu tinha, agora não tenho mais meu café da manhã. Meu café da manhã é um iogurtezinho industrializado.

Danilo Balu: Bingo. Já está errado.

Luciano Pires: De manhãzinha um iogurtezinho.

Danilo Balu: Aqueles de morango.

Luciano Pires: É. Aquelas coisinhas. De coco, só de coco.

Danilo Balu: De coco.

Luciano Pires: Só de coco. É um iogurtezinho de coco. É só aquilo. E aí eu vou te mostrar…

Danilo Balu: Ele é – desculpa te interromper – ele é do tipo light, clight. Ele é magro, alguma coisa?

Luciano Pires: Não. Não tem. Acho que não tem…

Danilo Balu: Se for o basicão que eu estou imaginando. Basicão. Não sei a marca, nem precisa me falar a marca, mas depois tu pode me mandar ali no mensagem.

Luciano Pires: Não. Está aqui, eu te mostro.

Danilo Balu: Eu tenho certeza, por exemplo. Você gosta de Chandelle? Ou Danette, qualquer um desses.

Luciano Pires: Talvez goste, mas não como.

Danilo Balu: Depois – você falou que está aqui – a gente vê lá. Eu aposto, e já que você me falou que não é nada light, diet, desnatado, eu aposto que ele tem mais açúcar que o Chandelle. Eu aposto com você. Tem. Eu sei disso, porque eu já olhei. Ou seja, a pessoa, ela fala: não, 2020, pandemia, vai me fazer mudar da água para o vinho, nunca mais eu vou comer Chandelle, vou comer o iogurte de coco que tem mais açúcar que o Chandelle.

Luciano Pires: Era um pão na chapa com um chocolate batido. Um Ovomaltine batido.

Danilo Balu: Mas você entendeu o ponto do Chandelle? Não vou mais comer Chandelle, tipo, eu não vou mais comer Chandelle, nunca mais.

Luciano Pires: Não. Entendi perfeitamente, entendi perfeitamente. O que eu quero dizer a você é o seguinte aqui. Eu troquei um pão na chapa com manteiga, aquela coisa maravilhoso, e um copão de…

Danilo Balu: Achocolatado.

Luciano Pires: Achocolatado batido, por um iogurtezinho pequenininho. Aí eu olhei para aquilo e: puta, que puta vantagem eu estou tirando aqui. Eu estou na vantagem ou não? Nessa troca eu estou na vantagem ou não?

Danilo Balu: A gente tem que ser meio cuidadoso porque assim – tem uma expressão que a gente usa que chama carga glicêmica que nada mais é que carga de carboidrato – por exemplo, você fala para mim: ah, não, comia esse pão e achocolatado e ia até o almoço. Estou criando cenários. De repente não, agora eu como esse iogurte, mas às dez horas tenho que comer uma porção de castanhas. A nutrição comete o enorme erro de olhar as coisas pontualmente. Então olha, vamos olhar esse prato. Ah, mas esse seu café da manhã hein. Falta fibra, falta proteína, falta gordura. Olha pontualmente, quando a gente deveria olhar mais ou menos no macro. Por exemplo, se você falasse para mim que você pula o café da manhã. Ah, não, pulo, Balu, não como nada, nada. Porque na verdade você não pula, você acha que você pula. Você não pula. Você tem uma refeição que é um copo de iogurte.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Você tem que olhar a coisa um pouquinho maior. Ah, de repente a pessoa ela come menos o carboidrato, menos quantidade. Né? Mas ela continua comendo normalmente o que é processado, e que por ser processado e ser líquido ele não dá saciedade, o ser humano ele não responde bem à saciedade. A saciedade no ser humano ela não é muito bem coordenada, regulada com elementos processados, industrializados, líquidos. Então às vezes, quando a gente olha, fala assim: pô ele perdeu um pouco de carboidrato aqui? Sim, mas quem disse que ele não arrebenta no almoço por causa desse iogurte. Né? Falando isoladamente isso é um pouquinho complicado. Porque – de novo – na minha opinião a substituição ela é muito ruim. Essa substituição que você citou ela é bem ruim. Ela é bem ruim não. Ruim não. Desculpa. Ela continua ruim.

Luciano Pires: Estou entendendo. Era isso que eu queria pegar. Quer dizer, não foi uma troca… e também, e você vai ter que olhar meu dia inteiro.

Danilo Balu: Sim.

Luciano Pires: O que aconteceu no almoço?

Danilo Balu: Sim. É o dia inteiro.

Luciano Pires: O que aconteceu à tarde? E no jantar?

Danilo Balu: Não adianta se eu for olhar isolado. Porque de repente, ou seja, você tirou… três, não, manteiga não, mas o pão e o achocolatado, elementos processados, um tem o chocolate o açúcar, o leite, calorias na forma líquida, que a gente tem que ter um enorme cuidado e evitar. E o pão que é alimento com farinha e processado. E você colocou outro alimento líquido, processado, tudo mais, que é o iogurte com açúcar. Ou seja, se você falasse para mim: ah, não, Balu, de manhã eu como…

Luciano Pires: Uma banana.

Danilo Balu: É. Uma banana, ou sei lá, um omelete. Sabe? Aí sim. Não, beleza. Está mais se aproximando daquilo que eu sei que é importante, que é comida de verdade. Banana é uma fruta rica em açúcar, talvez não seja a fruta mais adequada, mas ela é uma fruta. Ah não, só como uma porção de morangos. Pô morango fruta de baixo açúcar. Ou não, como só um omelete, que é um alimento zero carboidrato.

Luciano Pires: Quer dizer, o caminho é fugir do processado?

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: Fugir do processado.

Danilo Balu: Os carboidratos refinados. Acho que o melhor seria carboidratos refinados. Não só isso, óbvio, porque você tem que fugir dos óleos vegetais, por exemplo. Óleos vegetais, o azeite a gente tira dessa gaveta. Óleos vegetais, a gente teria que fugir dos carboidratos refinados e dos óleos vegetais, qualquer óleo vegetal, com exceção do azeite.

Luciano Pires: Caramba cara. Posso tomar sorvete?

Danilo Balu: Poder a gente pode tudo.

Luciano Pires: Você está entendendo que você está tirando a cor da minha vida, cara? Você está deixando a vida em preto e branco.

Danilo Balu: Eu também gosto de sorvete. Também gosto de sorvete. Mas, por exemplo, eu acho que eu devo ter comido mais pernil, fora da faculdade, em um ano eu devo comer mais pernil que eu comi ao longo de toda a faculdade. Porque você está lá na faculdade, eles falam: não, pernil não pode. Pernil de porco. Ah, não, porque pernil tem gordura. Ou seja, não, eu falo. Gosta de pernil? Quer comer pernil todos os dias? Você come pernil no almoço e no jantar? Dane-se, pode comer. E quando na faculdade. O quê que você tem? Não, não. Você não pode porque tem gordura.

Luciano Pires: Quer dizer, aquela gordura que está na carne, aquela ali ela não é o problema.

Danilo Balu: Não é o problema.

Luciano Pires: Porque é uma coisa natural.

Danilo Balu: A gente não pode culpar o hambúrguer pelo que o pão, o catchup, a maionese, a batata frita e o refrigerante fizeram.

Luciano Pires: Ahãm.

Danilo Balu: Você não pode. Não pode. Então hoje eu como… quando fazia nutrição, faculdade, eu comia picanha com um peso na consciência assim sem tamanho. Aí minha mãe, que não teve, não fez ensino superior. Ela não se conformava. Quando eu falava da picanha. Ela não se conformava. Falava: não faz sentido isso que você está me falando. Não mãe, mas na faculdade assim, assim, assado. Ela falava: não faz sentido o que a faculdade te ensina. Ela falava. Acho que talvez um pouco de desgosto por ter largado a engenharia? Mas ela falava: não faz sentido. Você falava para ela as coisas, ela: não, não faz sentido. E eu brigava com ela, falava: não mãe, você não sabe de nada. Estou até na faculdade e não pode. Ela falava: sua avó está aí, morreu com oitenta e tralalá, comendo isso sem restrição. E eu não entendia.

Luciano Pires: Esses regimes que vira e mexe aparece aí, o regime da lua, o regime do cão, o regime de não sei o quê e papapapá. Como é que você enxerga isso aí, cara? Isso é uma maneira de você embalar uma… ideias antigas com nome novo, marketing novo?

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: Vamos faturar?

Danilo Balu: Eu penso muito nesse sentido. Às vezes é uma leitura equivocada, às vezes é puramente comercial. Tem de tudo, tem coisas que são legais, mas assim, sempre que a pessoa começa a colocar um pouco de regra, você sabe na verdade que ela está só criando um produto. Ah, não. Uma que, por exemplo, uma que é bem interessante. Tá? Eu não posso falar que há má fé, não, é uma dieta bem interessante. É o Whole 30. Né? Ali você fala… o Whole 30, para mim é um produtão. Que é basicamente uma dieta paleolítica que o cara… que é tornado um pouquinho mais difícil. Para mim é um produto. O cara: vou fazer um produto aqui para vender. Você fala dieta paleolítica não vai vender e não tem dono. O Whole 30 tem um dono. Rola um pouco de tudo, de tudo.

Luciano Pires: Sim. Grande marketing aí. Né?

Danilo Balu: É.

Luciano Pires: E me fala uma coisa. Como é que você combina essa coisa de… eu já entendi que de um lado você tem a tua disciplina alimentar, que é cuidar daquilo que você traz para dentro de você. Não é simplesmente comer aquilo que está escrito, rótulo saudável, light, que você tem que tomar. Não é isso.

Danilo Balu: Não é isso.

Luciano Pires: A questão não é essa. Tem um passo a mais.

Danilo Balu: Geralmente se tem, aliás, se tem rótulo você já sabe que provavelmente não deveria. A coisa é tão simples.

Luciano Pires: Então. Isso é um ponto… se tem rótulo.

Danilo Balu: É. Você já sabe que…

Luciano Pires: Você já sabe que você está correndo risco ali.

Danilo Balu: Têm ingredientes? Têm. Então você já sabe que está… têm ingredientes? Tem. Ai cara, você já sabe que tem que comer pouco.

Luciano Pires: Qual que é o arroz que eu posso comer?

Danilo Balu: Cara, arroz eu não como nenhum e nem diria para comer. Ah eu gosto, porque eu amo sushi. Beleza, você pode comer. Ah, não, toda… São Paulo. Né? Todo sábado eu como feijoada. Você pode comer. Eu sempre falo para as pessoas, se quiser jantar Suflair, você janta. Poder você pode tudo. O corpo tolera mais umas coisas. Tolera menos outras. Poder arroz pode. Ah, deveria? Não deveria. O grão é um alimento não natural à dieta do ser humano. Ah, mas os japoneses. Tá bom, os japoneses… quantos anos? Quando você coloca na linha do tempo. Quanto tempo que o ser humano come grãos? O grão ele só foi acessível quando a gente dominou o fogo, que é uma parcela pequena dentro da evolução biológica da espécie, e o meu DNA ele é muito parecido com o do Piteco lá de trás, da Mônica. O DNA é o mesmo. Foi depois que de repente a gente dominou o fogo, a pessoa que fala que: ah não, mas os meus bisavós comiam arroz. Então você tem que começar a aceitar a ideia que o meu bisneto vai poder comer Brownie de chocolate todo dia. Ah, porque eu comi Brownie de… meu bisavô… eu comi Brownie de chocolate e não morri comendo então meu bisneto vai poder comer. Não, não vai poder. Não vai poder. Né? O acesso ao alimento não garante que ele seja natural à espécie.

Luciano Pires: Uhum. E onde é que a gente vai achar esse alimento natural, cara? Têm oito bilhões de pessoas para comer no mundo. Como é que você vai fazer num mundo que precisa processar alimento. Não produz na quantidade…

Danilo Balu: Mas você acha que precisa? Você acha?

Luciano Pires: Bom, para o volume… volume, logística, preço.

Danilo Balu: Você acha que as pessoas vão largar de…? Você não precisa se preocupar. Assim, se eu chamo alguém: estou com um problema no encanamento aqui em casa, no meu banheiro, não sei o quê. O cara fala: a gente tem aqui a solução, é isso, isso e isso. Você tem que comprar isso. Cara estou quebrado. Ele: não, te dei a solução, não estou falando que você… estou falando o que você tem que fazer. Não estou falando que você vai fazer, ou você tem que fazer. A minha solução é essa, quando eu venho e falo: olha o alimento da espécie é dessa forma. Eu não tenho que necessariamente… a pessoa ela vem, me procura, ela quer uma consultoria. Eu sempre… toda vez que eu falo para as pessoas. Eu falei, expliquei, é isso e isso. Se a pessoa vai comer ou não, não quero saber se ela vai. Estou te dando o caminho das pedras, eu vou ficar extremamente chateado se eu sentir que você está fazendo o que eu peço…

Luciano Pires: E não acontecer nada.

Danilo Balu: E não acontecer nada. Lógico, se você vai, não dane-se Balu, vou chamar uma pizza, pode pedir duas se quiser. Se quiser dar um pedaço eu vou, estou junto. Eu dou a solução, fica a cargo da pessoa. Eu não tenho que… eu não sou o presidente do planeta e que… não vamos lá desenhar o que o mundo comporta. Isso é uma… a gente vive num mundo extremamente heterogêneo, se eu falo: não pode comer arroz. O cara vai cagar para o que eu estou falando e vai continuar comendo arroz. Eu acho, de verdade, se amanhã o mundo. O mundo não, se um terço do mundo amanhã acordasse paleolítico, acordasse qualquer dieta que seja, a gente não tem como sustentar. Não tem. Por exemplo, a questão do arroz, o arroz e todo grão. Arroz, feijão, trigo, batata, mandioca, é um alimento não natural que entrou na sociedade para fornecer calorias a uma sociedade pobre. É isso. Batata é isso. Porque que as pessoas comem batata? Porque você tinha que dar calorias para uma sociedade pobre. Então você vai, dá batata, por quê? É muita caloria. Você dava ali a batata e sustentava a sociedade. De repente a sociedade enriqueceu, ela não precisa mais a batata. Só que batata é muito gostoso, é muito gostoso. Antes eu não… eu lembro, quando eu era moleque, batata… lembro bem. Quando era moleque, batata frita era um evento em casa, era um evento.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Olha, hoje se eu quiser comer batata toda refeição eu tenho dinheiro para isso tranquilamente. Então, antes o que determinava o meu consumo de batata era o evento. Ah, não, hoje é quinta-feira, vai ter batata frita. Hoje eu tenho dinheiro, só que meu corpo, o meu bolso tolera batata frita todo dia, meu corpo não tolera. Então assim, a gente tem que lembrar sempre que os grãos, batatas e mandiocas são soluções para uma sociedade que não tinha recurso. Hoje a sociedade, boa parte dela tem recurso, e aí só não tem a biologia que tolere tanta, tantos grãos e tantos tubérculos.

Luciano Pires: Como é que você divide esse teu trabalho entre a parte alimentar e a parte física? Quer dizer, você vai me dar a receita do bolo aqui. Você vai dizer: olha o caminho que você devia seguir é esse aqui, acho que mudando o que você está comendo agora aí. Coma coisa sem rótulo que já estou num caminho interessante. Segunda coisa, você tem que se mexer. Né? O quê que é esse se mexer, Balu? É sair correndo dez quilômetros por dia? É puxar ferro?

Danilo Balu: A gente tem vários debates na área esportiva de qual é o melhor exercício. Eu, por exemplo, eu tenho na minha cabeça algo que deveria ser buscado. Só que eu estudo isso, sou meio disciplinado, então. Hoje antes de vire para cá eu fui no estúdio treinar lá com o Léo Moratta. Metade do que ele manda fazer eu quero… fico imaginando ele em chamas assim na minha frente. Eu odeio metade das coisas que ele manda eu fazer. Porque dói horrores. Só que eu sei que aquilo é muito importante para mim. E eu sou – de novo – disciplinado.

Luciano Pires: É um treino de quê?

Danilo Balu: Ele é um estúdio, ele tem uma pegada bem de movimento, locomoção e força. Então tenta trabalhar todas as capacidades do ser humano. Envolvendo atividade física. Só que, sabe, eu sou ali, metódico. Mas eu sei que 90% das pessoas – como eu falo, o assunto atividade física – não têm essa disciplina. Então o que eu costumo falar para as pessoas: cara o quê que você gosta? Eu gosto de jogar badminton. Então é badminton que você vai fazer. Não eu gosto de dança zumba. Então é zumba que você vai dançar. Eu não fico: ah, vai correr, vai nadar. Por exemplo, eu, odeio nadar, odeio jogar vôlei. Vou num médico ele fala: você tem que jogar vôlei.

Luciano Pires: Puta. É um saco.

Danilo Balu: Eu vou jogar vôlei por dois meses. No primeiro dia que o cara aumentar a mensalidade da academia de vôlei eu vou inventar uma desculpa. Puta, não vai dar, tal, porque eu estou curto de grana. Ah não, eu gosto mesmo é de aula de spinning, mas eu sou pobre demais. Só que, meu, eu identifiquei como spinning, então vai ser spinning. Eu penso assim, que esporte bom, atividade física boa é aquela atividade física que você se imagina daqui um, dois, três anos. Por mais pobre que ela seja. E aí entra um pouco de você às vezes sair do conforto na atividade física. Beleza. Vou fazer um negocinho aqui que eu não gosto, mas vamos fazer porque faz bem. Primeira coisa que eu falo: cara, você odeia correr? Não precisa correr. Tampouco comigo. Vai. Se mexe. Eu não sei o quê que você quer, que esporte você quer. Acha algo, nem que você fique três meses em cada esporte, três meses fez futebol, três meses foi fazer crossfit, três meses natação. Você não precisa ficar.

Luciano Pires: Mexa-se.

Danilo Balu: Mexa-se, mexa-se. Esteja matriculado num grupo para se mexer, vai andar com o cachorro. Não sei, faz alguma coisa. Isso que eu falo para as pessoas.

Luciano Pires: É. Interessante cara. Isso é um modelo minimalista aí que a sociedade está indo para esse caminho aí.

Danilo Balu: Tem que ser sustentável. Né? Tem que ser sustentável. Não adianta você achar que, ah, não, tem uma academia ali de escalada que é fantástica, fica à uma hora e meia de casa. Pô cara. Não cara. Não, você sabe que a primeira dificuldade você não vai, sabe, se você vai precisar de uma hora e meia para ir.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Faça algo que seja sustentável, seja logisticamente, financeiramente. Né? Ou mesmo ali questão motivacional.

Luciano Pires: Você não tem problema nenhum com academia?

Danilo Balu: Não. Eu acho igual spinning, acho a academia um ambiente extremamente pobre. O gestual da academia é pobre, você não tem movimento, você trabalha ali, músculos, isolados. Sabe? É muito pobre, é muito pobre. Mas, cara, é tão melhor do que, assim, é incomparavelmente superior ao sedentarismo.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: É um pulo tão grande, que mesmo sendo pobre já é melhor. Mas dizer para mim que é uma atividade… se houvesse um ranking, que academia está bem posicionada. Não está. Não está. É muito pobre.

Luciano Pires: Faz seu ranking aí.

Danilo Balu: Ah, é difícil.

Luciano Pires: O seu ranking, o seu ranking.

Danilo Balu: Um que quando eu falo as pessoas até falam: pô Balu. Eu acho o crossfit, por exemplo, rico. Rico, ele trabalha movimento, trabalha força, tem ali a questão da corrida. Movimento que eu digo, ele é locomoção do ser humano, natural, ser humano. Você se pendura. Você puxa. Você empurra. Né? Você agacha. Né? Tem movimento de potência, tem ali tiro curto. Para mim o grande problema do crossfit, para mim o grande… eu sempre falo quando um cliente meu vem falar: e aí, Balu o crossfit? Cara, só não tem um sargento como treinador, porque geralmente a coisa é tão, aquela pegada tão competitiva que às vezes fica no limite do saudável. Então eu: cara, se você sentir que o teu treinador é meio over, meio sargentão. Cara dá um migué ali, rouba ali de vez em quando. Para mim o único problema do crossfit é esse. Essa pegada um pouquinho competitiva demais, mas é um exercício muito rico. Só que qual diferença do preço de uma academia de crossfit de uma academia dessas baratas que têm por aí pelo país? Sei lá, em quatro meses de academia vai pagar uma de crossfit. Um país, mesmo antes da pandemia gente, não tem uma população que possa arcar. Mas eu acho uma superalternativa. Agora academia, natação, essas coisas eu acho muito pobre, muito pobre.

Luciano Pires: Você… vocês andaram inventando moda aí. Né? Com a Bel, com a… inventaram uns negócios aí. Né? Andaram fazendo umas lives, andaram fazendo umas ações aí com um apelo social. Não é isso aí? O quê que é? O quê que vocês estão criando aí?

Danilo Balu: É. A gente fez realmente, no comecinho da… quando a gente achava que seriam 15 dias. A gente fez umas lives.

Luciano Pires: 15 dias de quarentena?

Danilo Balu: De quarentena, isso.

Luciano Pires: Era para ser 15 dias de quarentena?

Danilo Balu: [inint 01:04:48]  que era 15 dias de quarentena, até uma questão social, eu vi que estava acontecendo um monte de live. Eu falei: ah, não vou fazer live, assim, sem um fim. A gente fez duas lives, 100% beneficentes, foi um negócio bem legal. Arrecadou um dinheiro legal, quem participou. Recebeu ali o comprovante das 100% do valor doado, inclusive a um programa federal de combate, de apoio às vítimas do covid. E aí surgiu a oportunidade de levar – um pouquinho antes, na verdade, da quarentena, na verdade – surgiu a oportunidade de levar algumas dessas ideias para outras cidades que não São Paulo. Então a gente montou aí um calendário, viajou, fui para Joinville, Balneário, logo mais estaremos no Centro-Oeste, levando essas ideias principalmente do campo de nutrição, que foram ideias que nunca me foram apresentadas quando eu fazia faculdade, por exemplo.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Tudo eu tive que descobrir por conta, fora da faculdade, e acho que as redes sociais ajudaram a amplificar o alcance dessas ideias. Isso é muito comum, isso eu tenho muito. Sabe? Quantas pessoas que vêm e falam: pô fazia tudo direitinho, Balu, aí vi um texto seu, vi uma live sua e mudei e cara, e está dando certo. Então a gente pensou em fazer isso, levar essa ideia para outros lugares que não só São Paulo.

Luciano Pires: E esse evento você… vocês fazem uma palestra, é isso?

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: Batem um papo com a turma e depois vão correr, vão fazer alguma coisa.

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: Dá uma corrida?

Danilo Balu: É. Isso. Geralmente é um dia, focado em nutrição – eu não falo palestra, eu falo quase mais um bate papo – revisitando os conceitos de nutrição no emagrecimento e no controle do peso e saúde. E no dia seguinte sempre uma abordagem de corrida, focada mais em força, mobilidade e velocidade. Que para mim, para mim, são três campos muito mal – orientados, é uma palavra muito forte – mas muito mal trabalhados, no mundo da acessória, e no mundo de corrida, entre amadores. Mobilidade, força e velocidade.

Luciano Pires: Tá. Como é que é o nome desse negócio que vocês estão criando aí? Como é que chama?

Danilo Balu: Outside box.

Luciano Pires: Outside box. Fora da caixa. Deixa eu… caminhando para o nosso finalmente aqui meu caro. Você deve trombar de frente com velhas correntes, com velhas… com gente que olha e fala: meu que bobajada. O caminho é esse outro aqui. É da dieta da lua, é bebebé-bebé. Como é que é? Você tem se incomodado? Têm conflitos? Ou você navega numa praia diferente desse povo todo aí?

Danilo Balu: Cara, eu confesso que eu faço a minha, mas têm conflitos. O ambiente acadêmico, por exemplo, é extremamente vaidoso, extremamente conservador. Os caras vivem do… engraçado que o mundo acadêmico ele deveria viver de se provar errado. A gente progride quando a gente se descobre errado. Mas na parte financeira o mundo acadêmico sobrevive de um enorme conservadorismo de ideias. Eu entendo o desconforto que algumas pessoas têm quando vem alguém e fala: cara sabe o que você está fazendo? Está tudo errado. Tudo errado. Porque quando eu me descobri completamente errado. Não para o ego, mas é muito desconfortável. É muito desconfortável você ler. E até hoje amigos meus fazem, grandes amigos meus fazem piada, porque dizem: Balu eu tenho e-mail seu de 2003 falando exatamente o oposto. Falo: não, é bom que tenha isso para gente se lembrar de que a gente pode estar errado. E completamente errado. Eu lembro quando eu li o livro – que foi o primeiro que me despertou – do Gary Taubes, não é confortável, não é confortável. Sabe? E talvez a impessoalidade do livro tenha me agredido menos. Talvez fosse o Gary Taubes na minha frente, falando que eu estou errado, talvez me agredisse mais, eu ficasse ainda mais desconfortável. Então eu entendo, entendo. Né? Porque você está lá, você está pagando um cara e vem alguém e fala: então, tudo isso que você está pagando ali para aquele cara é uma tremenda de uma bobagem.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Então é natural, é natural que algumas reações sejam exageradas. Eu já me importei mais, hoje eu não ligo. Até por ter tido aula com alguns desses professores eu sei que é natural, natural. Têm professores inclusive que são picaretas de longa data, estão mamando dinheiro público há décadas, literalmente décadas. Não esperaria que eles falassem: olha, pode ser que estejamos errados. Não, o cara vive – quando falo vive é financeiramente – ele ganha dinheiro enganando, então não esperaria que eles fossem… que tratassem de outro jeito.

Luciano Pires: Ou, pelo que você falou aí, talvez até nem enganando, ele acredita naquilo tudo que ele prega e, cara.

Danilo Balu: Tem os dois, tem os dois. É que quando você tem aula você descobre que é enganando.

Luciano Pires: É. Mas você falou um negócio aí para mim, é fundamental para os dias de hoje. Né? Que é a percepção de que talvez eu possa estar errado.

Danilo Balu: É horrível.

Luciano Pires: Sabe. Talvez eu possa estar errado e aí tem um processo doloroso de cair na real. Sabe? De reconhecer e tudo mais.

Danilo Balu: E isso acontece… engraçado que isso acontece pouco a pouco. Né? Eu fico lendo horrores. Então quando acontece pouco a pouco você vai, entre aspas, se polindo.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: O duro é quando, que foi meu caso, o cara, vem um trem e bate de frente. Não você está indo para o lado errado, cara. Quando você confunde causa e consequência, é como eu achar que… sabe, que tomar sorvete aumenta… se eu tomar sorvete eu vou ser mordido pelo tubarão. Não cara, não é bem por aí. Apesar de no verão você toma mais sorvete, você vai mais na praia, acaba aumentando as chances de ser mordido pelo tubarão. Ele inverte 100% a sua linha de raciocínio como você enxergava o mundo.

Luciano Pires: O que eu estou interessado aqui, quando você fala assim. Pô uma porrada de gente leu o livro como você e descartou aquilo, falou, puta, um monte de bullshit aqui. Você levou a trombada e falou: cara eu preciso rever os conceitos e rever a forma e transformou isso no teu meio de vida. Né? Outros trombaram com o livro e falaram: cara isso é bobagem, vou jogar fora essa merda aqui, vou continuar no caminho separado lá. Né?

Danilo Balu: Até porque o que está no livro, ele é conta corrente, ele não é diretriz, ele não é a norma, então ele é muito mais fácil acreditar ou confiar na norma. Não cara. Estão falando que… a norma está falando que é diferente.

Luciano Pires: Sim.

Danilo Balu: Então vou confiar na norma. Não preciso investigar muito porque já…

Luciano Pires: Legal meu caro. Você fodeu com o meu arroz, com meu iogurtezinho, que eu estava tão feliz com o iogurtezinho. Mas eu vou querer conversar um pouco mais aí porque essa… uma coisa que você deixou claro para mim que ficou, cara… comer o que tem rótulo. Comer o que tem rótulo. Isso tromba contra tudo que a gente… com essa sociedade que a gente vive. Né? Com o capitalismo cara. Né?

Danilo Balu: Que é engraçado, que o pessoal fica num debate, até um professor brilhante meu, da faculdade de nutrição, ele está envolvido na questão de rotulagem. Eu falo: cara, você vai ficar discutindo rótulo se você sabe que rótulo não vai resolver. Ah, vamos ver colocar isso naquilo. Cara se tem rótulo já está errado. Coloca no rótulo, não coma nada que tenha rótulo. Já ajuda um bocado.

Luciano Pires: Legal. Então, mas você além desse trabalho todo que você faz, você também é um escritor e pelo jeito é prolífico. Né cara? São quantos livros são?

Danilo Balu: Ao todo quatro livros.

Luciano Pires: Quatro livros?

Danilo Balu: Quatro livros. O Nutricionista Clandestino foi o primeiro. Foi ali. Né? Como eu disse, os amigos pedindo, meu organiza as ideias, organiza o seu discurso, organizei, foi fantástico para mim. Só que a minha origem ela foi toda no atletismo, foi toda, onde tudo começou, vamos dizer assim. Eu tinha quase que um senso de obrigação moral de escrever sobre corrida. Eu tinha isso, tinha isso na cabeça. Meu um dia você precisa escrever, precisa. E aí foi quando eu lancei o meu segundo livro, O Treinador Clandestino. Tentei… escrevi. O meu intuito no Treinador Clandestino foi escrever um livro com assuntos nunca antes tratados em português. Tal qual no primeiro, porque O Nutricionista tem essa, primeiro livro originalmente em português tratando do assunto. O Treinador Clandestino foi o primeiro livro em português tratando os temas que eu trato lá.

Luciano Pires: O tema é corrida? Corrida?

Danilo Balu: Corrida, falando de jejum, de hidratação, de alongamento, tênis, lesões.

Luciano Pires: Legal.

Danilo Balu: Desaquecimento. Uma pegada técnica, mas nunca antes abordada.

Luciano Pires: Legal.

Danilo Balu: E aí depois, um terceiro livro foi quando, voltando – passei um tempo morando no exterior, na Irlanda, em Dublin – quando eu voltei a nossa cachorra que ficou aqui, a Eva, ela estava bem acima do peso, bem acima do peso. E aí eu falei: vamos emagrecer essa cachorra. Porque ela ficou numa, ela ficou numa fazenda, e ainda assim, comendo a ração mais cara que tinha, a gente mandava, e aí ela estava bem acima do peso. Um cachorro é quase um filho, você trata superbem, você tem um carinho enorme. E aí eu tive que revisitar o assunto controle de peso, nos cães, e o que eu encontrei é que é a mesma… é igual, o que fazem com os cães é igual o que fazem com os humanos adultos. Engordando e aí eu mergulhei, literalmente mergulhei, fui fazer uma pós-graduação no assunto, nutrição animal, o que eu vi foram são coisas horrorosas do que fazem com os animais. E aí eu falei: meu, deixa eu escrever um livro que é um livro que eu tenho um carinho enorme, que é O Veterinário Clandestino. Falando sobre o controle de peso em cachorro, basicamente em cachorro.

Luciano Pires: Cachorro.

Danilo Balu: E, por fim o Correndo com os Etíopes, que eu falo sobre as minhas quatro visitas à Etiópia, falando sobre a cultura da Etiópia, a cultura atlética da Etiópia, que formou alguns dos maiores corredores de todos os tempos. Fui lá quatro vezes treinar.

Luciano Pires: Você foi lá para isso. Você foi para treinar com eles?

Danilo Balu: Treinar como eles. Exatamente. Conhecer, óbvio, conhecer o país, tudo mais, mas eu saí daqui e falei: vou treinar com esses caras. Entrei em contato, achei um grupo de corrida que me aceitasse e fui treinar com os caras para entender. Pô esses caras são tão bons. O quê que eles fazem? Aí eu fui lá.

Luciano Pires: O quê que eles fazem cara.

Danilo Balu: Cara é simples, eu conto lá no livro que é muito treinamento, mas o jeito que eles encaram a corrida, ela é diferente da gente. Ela é muito mais… corrida é… é difícil explicar assim em poucas palavras, mas correr em ambientes naturais, a corrida como subsistência, a cultura de você ter o modelo ali, o modelo que eu digo de ídolo. Aquele monte de gente, se o Bikila foi eu posso também. Se o Gebrselassie foi eu também posso. Esse motor cultural que é incrível, a disciplina, o fato do país ser extremamente pobre, então o cara ele não tem o conforto e ao mesmo tempo ele tem a gana de melhorar. Então o conjunto de coisas que faz o Etíope…

Luciano Pires: Tem a genética aí também?

Danilo Balu: Também, também. O fato de morar a três mil metros de altitude. Então a pessoa quando ele desce para competir.

Luciano Pires: O bicho é um rojão.

Danilo Balu: Um rojão. Então é um conjunto, é um conjunto. Ele é tão singular que apenas lá e no Quênia você tem esse conjunto atendendo a todos esses fatores, você só vai ter lá e no Quênia.

Luciano Pires: Você conta isso no livro?

Danilo Balu: No livro.

Luciano Pires: Você fala disso aí?

Danilo Balu: Correndo com os Etíopes.

Luciano Pires: Correndo com os Etíopes. Maravilha. Meu caro, fascinante. Dá para ficar conversando sobre isso aí muito tempo ainda. Né? Você… quem quiser tomar contato então, com o trabalho de vocês aí. Com o outside box, com o Danilo Balu. Quais são os caminhos? Vamos lá. Primeiro repete o nome do teu livro.

Danilo Balu: É O Nutricionista Clandestino.

Luciano Pires: E a gente acha ainda esse livro?

Danilo Balu: Acha, acha. Mesmo em pandemia com… as livrarias já estão abertas, na Cultura você acha tranquilamente na Cultura. E caso queira entrar em contato comigo pessoalmente, é Instagram, @Danilobalu, fica “B”, “A”, “L”, “U”. O basicão.

Luciano Pires: Tudo junto. Não tem underline, não tem nada? Danilobalu.

Danilo Balu: Danilobalu, B”, “A”, “L”, “U”. Outside box, inglês, Outside box e o número três, numeral três.

Luciano Pires: Isso está no Instagram também?

Danilo Balu: Também.

Luciano Pires: A plataforma de vocês é o Instagram?

Danilo Balu: Basicamente Instagram.

Luciano Pires: Tá.

Danilo Balu: Então Outside box e o numeral três. E entra em contato, sou super receptivo, sempre respondo todo mundo que entra em contato, converso. Não tem tempo ruim não.

Luciano Pires: Meu caro, que baita trabalho, bicho, parabéns a vocês aí pela…

Danilo Balu: Obrigado.

Luciano Pires: É uma função social. Sabe? Não é…

Danilo Balu: Cara, de verdade, eu tenho essa sensação cara. É muito gratificante, muito gratificante.

Luciano Pires: Você falou uma coisa logo no começo aqui do nosso papo, que era a coisa do mundo ter engordado. É uma epidemia. Né cara?

Danilo Balu: Isso. Sincronizado.

Luciano Pires: É uma pandemia, é uma pandemia sincronizada que engordou o mundo. Né? E isso não tem a ver com ser pobre ou rico.

Danilo Balu: Pobre ou rico, ser preguiçoso. Porque isso é o que falam, isso é muito cruel da nutrição falar que: ah, o cara está assim porque ele é preguiçoso e guloso. Ele é fraco, fraco no sentido de força de vontade. É muito fácil você estar… é como o médico que te dá o remédio errado. Ó, continuo doente. Então. Você fala assim: será que eu dei o remédio certo para ele? Eu falo: você não tomou na dose certa. Eu tomei.

Luciano Pires: Lembrando. Uma última pergunta aqui que é…  e as químicas cara para resolver isso aí? Tem um cara querendo me dar injeção. Querendo que eu tome uma injeção, que injete um negócio que tire o apetite, que não sei o quê e blablablá.

Danilo Balu: Eu para mim é o último recurso. Último recurso. Engraçado, você falou de comprar briga. Uma dessas entidades que adoram dinheiro, mandou um texto para mim, falou para eu tirar um texto do ar, e óbvio que eu não tirei. E aí eu respondi para eles, eu falei: para a mesma pessoa que me escreveu, ela tinha uma declaração dela no jornal falando que… agradecendo à indústria farmacêutica. Ah, não, o uso de remédios é imprescindível no tratamento da obesidade. Falei: pô você quer dinheiro, mas você está falando que é imprescindível o uso de farmacêutica e a farmacêutica te patrocina. E você está me acusando de ser, não ser correto? A pessoa não admite que ela está errada, e além disso ela tem relações um pouco promíscuas com o mercado. Veja bem, eu não acredito, não acredito mesmo em…

Luciano Pires: Teoria da conspiração.

Danilo Balu: Não acredito, mas é que tem muita coisa errada, tem. Eu acho irremediável, mas tem gente mais otimista que eu e acha que não.

Luciano Pires: Vamos ver aonde chega lá. Muito bem então, @Danilobalu.

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: @Ouisidebox3.

Danilo Balu: Isso.

Luciano Pires: É isso?

Danilo Balu: É isso.

Luciano Pires: Está aí à disposição.

Danilo Balu: Instagram.

Luciano Pires: Cara, bem-vindo, obrigado pela conversa aqui.

Danilo Balu: Eu agradeço.

Luciano Pires: Vou lá terminar os iogurtes, e mudar para a banana. Grande abraço cara. Seja sempre bem-vindo aí cara. Grande abraço bicho. Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição desse programa é exclusiva para assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium. Lembre-se, confraria.cafe.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.