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Luciano Pires -

 

O documentário mencionado durante a conversa é este aqui: https://www.youtube.com/watch?v=s5oOBo94GC0&feature=youtu.be

 

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje trazemos Alon Lavi, bacharel Engenharia Biotecnológica na Universidade de Bem-Gurion, em Israel. Alon é diplomata de carreira e Cônsul geral de Israel em São Paulo. Uma conversa fascinante sobre Israel, Brasil e o mundo. Muito bem, mais um LíderCast, quem já escuta a gente aqui sabe que toda vez que eu começo o LíderCast eu falo: este programa é especial. Que se não fosse especial não seria o LíderCast. Né? E hoje não é diferente. Como é que esse convidado chegou até aqui hoje? A assessoria dele entrou em contato comigo. Camila, né?

Alon Lavi: Camila.

Luciano Pires: Luciano quero oferecer para você. Quando eu vi, uma surpresa. Falei: que legal. Será que ele viria? E aí nós entramos em pandemia, aquela confusão toda. Falei: bom vamos esperar a coisa chegar no final, o dia que tiver mais liberado a gente se encontra e fizemos. Deu certo, estamos aqui em São Paulo, um calor terrível lá fora. Ele me chega aqui de paletó e gravata, que é a imagem que eu não tinha do pessoal dele, porque eu imagino que lá não se usa tanto paletó e gravata, ele chega de paletó e gravata aqui. A gente vai fazer um programa bem legal aqui. Eu sempre começo com três perguntas, que são as únicas que você não pode errar. Essas três têm que ser muito bem respondidas, depois você cria à vontade. Seu nome, sua idade e o quê que você faz?

Alon Lavi: Primeiramente, Luciano, muito obrigado por esta oportunidade. Estou muito, muito feliz em estar aqui e, de verdade, verdade, Camila que trabalha comigo insistiu também que vamos fazer isso. Então muito, muito obrigado. Meu nome é Alon Lavi, em hebraico, a maioria dos nomes têm um significativo.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Alon é a árvore carvalho.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E Lavi, meu sobrenome é leão. Então, Alon Lavi significa carvalho de leão. Mais ou menos. Ok?

Luciano Pires: Sim, sim, ok. Interessante.

Alon Lavi: Tenho 40 anos, exatamente, este ano estou ainda dentro dos meus 40 anos e sou Cônsul geral de Israel.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Do Estado de Israel, aqui em São Paulo. E estamos encarregados também da região Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Luciano Pires: Cônsul de Israel. Por isso que eu falei. Toda vez que vem na minha cabeça um executivo israelense, está de camisa branca, manga de camisa e sem gravata. O que faz toda lógica. Né? Um país quente. Aí, de repente ele chega aqui, com 40 graus. Falei: coitado, obrigaram ele a se vestir com o padrão europeu-brasileiro aqui.

Alon Lavi: Mas tem… não sei se usa essa frase, essa expressão em português, mas em Roma precisa ser…

Luciano Pires: Em Roma seja como os romanos.

Alon Lavi: Sim. E a maioria dos nossos contatos, aqui especialmente do Governo, e também empresários se usa terno, etc., então eu preciso, mas na casa pode ver até, meu primeiro terno foi para minha, meu casamento, que foi com uma americana. Esta razão tive uma, mas antes nunca, nunca tive.

Luciano Pires: Você nasceu onde?

Alon Lavi: Nasci em Israel.

Luciano Pires: Mas em Tel Aviv? Onde?

Alon Lavi: Em Modi’in, em Netanya, na verdade, uma cidade na costa de Israel, um pouco ao norte de Tel Aviv, mas a maioria da minha vida passei em Modi’in, uma cidade na região de Modi’in, onde os macabeus lutaram.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Entre Tel Aviv e Jerusalém. Literalmente metade do caminho entre Tel Aviv e Jerusalém.

Luciano Pires: Sim. Não se esqueça que você está falando com um brasileiro. Né? Então quando a gente compara o Brasil com Israel, as distâncias são… você está falando comigo aqui eu estou pensando já que você deve… a distância deve ser daqui para Guarulhos. Né?

Alon Lavi: Menos. Entre Tel Aviv e minha casa é 25 quilômetros e de minha casa a Jerusalém, 30 quilômetros, pode ser.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Não. Olha, Israel é do tamanho de Sergipe, mais ou menos. Que é o estado menor, se não me equivoco, aqui no Brasil. E horizontal, vamos dizer, Oeste a Leste é nada, falamos sobre 40 quilômetros.

Luciano Pires: Que coisa.

Alon Lavi: Isto sem entrar na política.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Mas é bem, bem pequeno.

Luciano Pires: Isso certamente impacta na cultura, no desenvolvimento, em tudo. Sabe. É uma coisa que eu sempre fico imaginando, toda vez que eu chego numa cidade, que é uma cidadezinha ao pé de uma montanha, tem uma montanha muito grande e a cidadezinha. Eu fico imaginando que quem nasce naquela cidade tem a cabeça diferente de quem nasceu numa cidade como a que eu nasci. Que não tinha montanha nenhuma, é tudo liso. Né? Acho que essa coisa do ambiente, da tua… do espaço físico que você circula, isso acaba mexendo com a cabeça da gente. Sabe? Cria culturas diferentes. Né?

Alon Lavi: Claro. E não só isso, em Israel – outra vez – pela história e a geopolítica, o mesmo que, temos África de um lado, Europa quase outro lado e Ásia outro lado. Moramos… a mentalidade de uma isla?

Luciano Pires: Ilha.

Alon Lavi: Sim. Uma ilha, moramos numa ilha, porque por razoes política etc., não tem relações de comércio com os vizinhos, quase não tem turismo com os vizinhos. Alguns vizinhos têm situação de quase guerra, bem de contenção grande. E até violência às vezes. E por isso também a mentalidade que estamos numa ilha, então tudo é bem pequeno e também uma ilha. É diferente.

Luciano Pires: Você tem irmãos?

Alon Lavi: Sim, tenho um irmão maior e uma irmã menor.

Luciano Pires: Sim. Quê que seu pai e sua mãe faziam quando você era, era criança? O quê que era a atividade deles?

Alon Lavi: Sim. Minha mãe no passado, passado, quando eu era criança, teve um tipo de creche.

Luciano Pires: Ok.

Alon Lavi: E depois ficou na casa. E meu pai era – sei exatamente como se diz, ou o que exatamente tem aqui –, mas trabalhou na área de seguro.

Luciano Pires: Ah, seguro? Tá.

Alon Lavi: Seguro, como… ele revisou lojas, etc., se estão, tipo, de nível de seguro receber.

Luciano Pires: Ele trabalhava para uma empresa? É isso?

Alon Lavi: Sim. Para uma empresa.

Luciano Pires: Sua mãe, se entendi, foi uma empreendedora. Ela empreendeu? Alguma coisa assim?

Alon Lavi: É. Tentou.

Luciano Pires: Eu imagino, imagino como é que é. Vocês têm apelidos lá em Israel? Quando a criança é pequenininha, ela tem um apelido?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Você chama Alon a vida inteira?

Alon Lavi: Sim. A verdade eu, a vida inteira. Não, ainda não tenho um apelido ativo. Ok?

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: No exército, na época do exército, a maioria me chamava com meu sobrenome, Lavi.

Luciano Pires: Tá.

Alon Lavi: Mas é muito comum, muito, muito comum fazer isso. Não tenho apelido.

Luciano Pires: Interessante. Quê que o Alon, menininho queria ser quando crescesse?

Alon Lavi: Bom.

Luciano Pires: Deixa eu só entender. Você está com 40 anos de idade?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Nós estamos falando de 30 anos atrás, década de 80, alguma coisa assim. Eu imagino que você tinha, tinha todo acesso à comunicação, televisão, você tinha tudo. Você via o mundo perfeitamente quando era criança, você não estava isolado numa pequena cidade, sem televisão, sem acesso?

Alon Lavi: Não. Não, não, não.

Luciano Pires: Você tinha né?

Alon Lavi: Sim, sim, sim.

Luciano Pires: Todo esse estímulo do mundo. Quê que passava pela sua cabeça?

Alon Lavi: Não sei se posso responder desta maneira, mas posso dizer o seguinte, eu, a primeira vez que saí de Israel foi quando tive 17 anos, para uma missão da comunidade judaica, fui mandado para outro país. E foi a primeira vez fora de Israel, e desde então entendi que, sim, quero representar Israel e o mundo judaico. E desde ponto, depois do exército, que também é uma coisa um pouco diferente, mas depois do exército comecei a trabalhar no mundo judaico mundial. Quero dizer, saí cada férias da universidade para trabalhar com a comunidade judaica da Inglaterra, dos Estados Unidos, de outros lugares do mundo.

Luciano Pires: Ok.

Alon Lavi: E eu entendi que quero representar Israel. E depois da universidade uma organização me mandou à Nova Iorque por três anos, como representante, ainda no mundo judaico. E lá entendi que quero fazer mais, mas ainda como representante e entrei no Ministério das Relações Exteriores. Não sei se posso dizer que queria ser diplomata, mas sim, meu caminho e a vida, apontou esta vida desde 17 anos, mais ou menos.

Luciano Pires: Você não chegou por acaso à posição que você tem hoje, ela foi construída.

Alon Lavi: Na minha opinião sim.

Luciano Pires: Porque o que você faz hoje é o que você sonhava com 17 anos. Que era representar a comunidade.

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Que interessante cara. Porque normalmente a gente pergunta para as pessoas, eu queria ser astronauta, eu queria ser jogador de futebol, eu queria ser artista, eu queria ser músico. Não deu certo, eu virei engenheiro, virei alguma coisa assim. Mas você seguiu…?

Alon Lavi: Mas, sim e não. Porque por outro lado eu sou engenheiro de biotecnologia. Fiz uma pesquisa em Oxford, Universidade de Oxford, na área de glicobilogia, e gosto muito de ciência, por exemplo. E fui bom nos estudos, com bons resultados. Então têm muitas coisas que gosto, felizmente, mas, sim agora… e também com o tempo, agora para eu ficar mais de três anos é um pouco, estou começando a ser um pouco… ansioso?

Luciano Pires: Ansioso, ansioso.

Alon Lavi: Ansioso? Então também agora é parte da minha vida.

Luciano Pires: Quando é que você chegou no Brasil?

Alon Lavi: Há um ano.

Luciano Pires: E aprendeu a falar português onde?

Alon Lavi: Eu trabalhei na embaixada em Brasília entre 2011 e 2014. Então já é minha segunda vez aqui no Brasil. E comecei lá, e trabalhei na embaixada no México também, três anos, que me ajudou, não com português, mas com língua latina.

Luciano Pires: Você vem do México?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Você esteve onde? Você esteve no…? Um período nos Estados Unidos?

Alon Lavi: Brasília.

Luciano Pires: Brasília.

Alon Lavi: México.

Luciano Pires: México.

Alon Lavi: E agora aqui.

Luciano Pires: E Brasil?

Alon Lavi: Sim. Em São Paulo.

Luciano Pires: Você está virando um cidadão globalizado.

Alon Lavi: E tenho… minha esposa é americana, nasceu nos Estados Unidos e migrou para Israel.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E tenho um filho que nasceu em Israel. Uma filha que nasceu em Brasília e um filho que nasceu no México.

Luciano Pires: Cara você tem uma filha brasileira?

Alon Lavi: Verdade.

Luciano Pires: Ainda nasceu na embaixada?

Alon Lavi: Ela é brasiliense, porque nasceu em Brasília, mas oficialmente não é cida… não é cida…

Luciano Pires: Cidadão. Cidadã brasileira.

Alon Lavi: Cidadã brasileira. Como filha do diplomata, assinei uma carta que ela não tem cidadã brasileira.

Luciano Pires: Cara que interessante é isso, nasceu aqui, num hospital brasileiro?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: E não tem cidadania brasileira?

Alon Lavi: É verdade.

Luciano Pires: Cidadania dela é? Israelense?

Alon Lavi: E americana.

Luciano Pires: E americana.

Alon Lavi: Também, porque a mãe dela é americana.

Luciano Pires: Tá.

Alon Lavi: Americana e israelense, mas americana também. Temos passaportes de todo mundo, passaportes diplomáticos, para nós viajarmos é com um pacote, um montão de passaportes.

Luciano Pires: Deixa eu especular você um pouquinho aqui. O exército em Israel não é uma opção, todo mundo… com que idade vai para o exército?

Alon Lavi: Dezoito.

Luciano Pires: Aí é necessário homens e mulheres?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Igualmente.

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: É igual para todo mundo. Né? Quanto tempo você fica no exército lá?

Alon Lavi: Eu quatro anos. Normalmente três anos.

Luciano Pires: Tá.

Alon Lavi: Mas eu entrei com o curso de comandante, para ser oficial, qualquer, e por isso você fica mais um ano.

Luciano Pires: Tá. Quando você entra no exército lá e fica dos 18 aos 22, ou aos 21 no exército. Você só faz exército, é isso? É só exército que… ou você pode cursar alguma coisa e fazer o exército também? Como é que funciona isso?

Alon Lavi: A maioria pode fazer só o exército. Só exército. A maioria. Tem alguns que ao final, o exército é uma máquina grande, têm motoristas, tem chefes, e tem soldados que lutam, e tem pilotos e tem tudo. Então sim, têm alguns que podem trabalhar, tem outra vida. Tem também caminhos especiais para deportiste… espor…

Luciano Pires: Esportista.

Alon Lavi: Esportista, por exemplo. Se temos um esportista talentoso, três anos sem continuar, vai matar toda carreira esportiva. Então têm caminhos especiais para pessoas que são músicos bem talentosos, são esportistas, etc., etc. Pode conseguir, mas a maioria, no exército não pode fazer mais coisas.

Luciano Pires: Eu vou especular você um pouco, porque minha curiosidade é imensa lá. Porque o que acontece? Israel, pelas razões que você já comentou. A relação com os…

Alon Lavi: Alguns dos…

Luciano Pires: Que estão em volta, etc. e tal. Israel depende de ter um exército ativo e pronto para se defender e tudo mais, aquilo faz parte da cultura israelense. Logo eu imagino que a relação que a população civil de Israel tem com o exército é uma relação amistosa e é parte da vida da gente o exército. Não tem aquela, não é como o Brasil, que se olha, não o exército está lá, nós estamos aqui. Aqui têm mil questionamentos, tem mil encrencas. Lá é parte da mesma coisa, é isso? Tem uma consciência?

Alon Lavi: Exatamente. Ao final, têm algumas minorias dentro de Israel que não participam do exército, têm algumas, mas geralmente sim, todos participam. Então, minha família é nuclear, vamos dizer. Meu pai, minha mãe, meu irmão, minha irmã, todos fizeram exército.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Até se vai checar uma geração mais, meu avô, meu tio, etc., etc., todos então. Sim, é parte da sociedade, sempre você conhece alguém do exército, se não conhece alguém porque estão… sempre, sempre conhece e tem uma coisa a mais, você faz reserva. Como se diz?

Luciano Pires: Sim, você entra para a reserva.

Alon Lavi: Reserva?

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Então, muito depois desses três anos, continuam a fazer, 20 dias por ano, 15 dias por ano, não importam quantos dias, mas continuam a ter esta relação. Então, a verdade é que o exército é parte do povo, o povo é parte do exército. E acho que é parte importante da sociedade.

Luciano Pires: Sim. Que interessante esse relacionamento. Meu caro, eu tenho um interesse profundo por Israel, por diversos pontos de vista. Sabe? Do ponto de vista histórico, do ponto de vista de tudo que aconteceu com os judeus ao longo da história pelo mundo afora. Do ponto de vista da capacidade de resistência, de criatividade, do que vocês se tornaram com uma terra daquele tamainho, com tanta tecnologia, com tanta coisa. Quer dizer, por onde a gente olha você não consegue ficar indiferente à posição de Israel em relação a outros países do mundo. Né? Deixa eu especular com você um pouquinho. Israel é um país que nasceu planejado, alguém planejou. Nós vamos ocupar aquele espaço e ali vamos fazer um país acontecer, vai haver um país ali, não é o Brasil, por exemplo, o Brasil foi surgindo aqui, de repente, não veio alguém aqui e falou: põe o Brasil aqui. Isso não aconteceu. Né? Israel aconteceu dessa forma, vamos para aquele determinado local ali. Né?

Alon Lavi: Sim e não, porque tem história larga de pessoas desde os tempos do Rei David, então…

Luciano Pires: Tem aquela piada antiga. Né? Como é que é? Que os israelenses estavam tomando banho? O palestino estava tomando banho, tirou a roupa e deixou ali do lado e alguém roubou.

Alon Lavi: Não, quero dizer… sim…

Luciano Pires: Tem um lance ali de construir um país a partir do zero, e é muito recente isso. Foi outro dia. Foi aqui, 60 anos, 70 anos.

Alon Lavi: 72.

Luciano Pires: 72 anos. Isso é muito recente. Sabe? Construir um país em 72 anos, cara, é muito. Isso deve ser muito complicado. Né? E em 72 anos vocês dever ter lá o quê? Quatro gerações de israelenses? Quatro ou cinco. Quatro ou cinco gerações de israelenses. Quer dizer, é tudo muito novo. Né? Tudo muito novo. Né? E eu sei que veio gente do mundo… vieram judeus de todos os lugares do mundo para se encontrar ali. Né? Esse aqui é um programa sobre liderança e empreendedorismo. Como é que você gerencia uma empreitada como essa? Eu estou cutucando a tua lembrança histórica e a cultura do teu país. Como é que se gerencia uma empreitada como essa de juntar pessoas que vêm de todos os lugares do mundo? Depois de um trauma terrível, que foi a Segunda Guerra Mundial, e esse pessoal em conjunto construir um país com todo mundo contra eles ali em volta? Como é que é essa vivencia histórica, saber que você tem isso no teu sangue? Como é que é essa cultura? Como é que você enxerga isso?

Alon Lavi: Primeiramente é bem complicado, e até hoje têm discussões sobre o que foi feito nos primeiros dias. Se foi bom ou mal, e como foi. Pode ver, olhar minha família mesmo, eu tenho dois, avó e avô, que nasceram na Polônia e chegaram a Israel depois da guerra, são sobreviventes. Outro lado, tenho ave que chegou a Israel quando ela era criança, três anos, 1932. Muito antes no país. E tenho também um avô que nasceu em Israel, e seus avós nasceram em Israel. Então já oito gerações, podem ser nove gerações, em Israel, muito, muito tempo.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E eu acho que parte importante que nos ajudou como país é aproveitar esta diversidade, porque esta diversidade de culturas, lugares, línguas, etc., ajuda muito. E quero sim, dar um exemplo, dois exemplos interessantes. Um: imigração a Israel depois da queda da União Soviética. Um milhão de judeus chegaram, para um país com cinco milhões de pessoas.

Luciano Pires: Isso nos anos 80?

Alon Lavi: 90.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Nada.

Luciano Pires: Final dos anos 80. Sim.

Alon Lavi: E Israel precisava entender o que vai fazer com este um milhão, quase 20% da sociedade chegou.

Luciano Pires: Da população.

Alon Lavi: Da população chegou. E esta foi parte importante que tornou Israel para ser um startup nation, um país, uma Nação de empreendedores. Por quê? Muitos de origem russa. Sim? Chegaram a Israel, com conhecimento da ciência, da matemática, mas Israel não tem a infraestrutura da Rússia. Não. Não tem plantas de… plantas, etc., como Rússia tem. Então, o que pode fazer com essas pessoas? E construímos, e começamos a construir incubadoras para novas tecnologias para utilizar estas ideias e este conhecimento dos russos que chegaram a Israel, por exemplo. E muitas destas incubadoras criaram as primeiras novas tecnologias que temos hoje em Israel como startups então. O que você falou é parte, e o processo em que passou, é parte de onde nós estamos hoje.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Agora no caminho foi complicado, outro lado temos pessoas que chegaram da Etiópia, que é na África.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Um processo um pouco diferente, porque eles chegaram com malas diferentes a Israel, por exemplo. E o processo de adaptação para eles é um pouco diferente que eles que chegaram da Rússia. Então sim, Israel ainda está neste caminho, porque não terminamos, não é como o Brasil que já terminou.

Luciano Pires: É que você está falando uma coisa interessante, quando você fala desses imigrantes que chegaram, um milhão e meio. Quando a gente fala do Brasil aqui, chegaram um milhão e meio de imigrantes no Brasil. Vieram de onde? Ah, vieram venezuelanos, vieram… não são nossos. E no teu caso vieram um milhão e meio de judeus.

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: São seus.

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: São nossos que estão aí. Agora esse pessoal que chega, não é uma garotada que chega para se aventurar noutro país, chegou gente madura. E falando russo. Não sei quantos falavam o hebraico, falavam ídiche. Né? E vocês abrem o braço e falam: venham.

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Cara como é que pode isso?

Alon Lavi: Os velhos ainda não falam hebraico.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Depois a segunda geração, eles que têm hoje cinquenta anos e mais um pouco, vamos dizer, sessenta, cinquenta. Falam hebraico, mas não muito bem. E minha geração, já todos falam hebraico, exatamente como israelenses. Ou seja, chegaram a Israel de outro país ou nasceram em Israel, já falam hebraico perfeitamente então. Pode ver isso.

Luciano Pires: E vocês não têm uma divisão lá. Existe uma… a sociedade pratica algum tipo de divisão entre os que falam, os que não falam? Os que chegaram, os que não chegaram?

Alon Lavi: Não. Não tem divisão.

Luciano Pires: Eu não digo uma divisão formal. A divisão de, sabe, esses aqui são… falam não sei que… que a gente sabe que a sociedade faz isso.

Alon Lavi: Pode haver bairros onde muitos falam, vamos dizer russo, russos. Ainda muitos falam o mesmo idioma e até o supermercado tem um pouco diferentes produtos.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Ok. Porque eles têm produtos que gostam mais, gostam menos, etc. Então, sim, pode haver isso, mas cada geração, cada 10 anos pode haver isso menos e menos.

Luciano Pires: Cara com 20% de russos chegando lá, a influência da cultura russa lá em Israel deve ser grande.

Alon Lavi: Sim. E também lembra que antes chegaram russos também. E sim, russos, muitos da parte leste da Europa. Então sim, tem muita influência russa, e cultura russa em Israel, como outras também. Porque temos também muitos judeus árabes, que nasceram nos países árabes, ou descendentes dos países árabes.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E tem muita influência da cultura árabe também, na comida é israelense mais típica árabe que russa, por exemplo, comida israelense.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E a música hoje em Israel mais comum é música mais do Oriente Médio que música europeia. Então têm influências, e a parte interessante de Israel, tem influência da Europa, dos países árabes, etc. e tudo, tudo está juntando.

Luciano Pires: É interessante, porque você está batendo naquele tema da diversidade que é o tema da moda, se fala muito no mundo, mas vocês nasceram disso. Que é meio que um contrassenso, a gente quando olha aqui de fora imagina: não, era um grupo de judeus que se reuniram. Mas aí você fala: não, espera aí, não é um grupo de judeus. A única coisa eles tinham em comum é que são judeus. Agora os caras vieram de culturas totalmente diferentes uma da outra. Né?

Alon Lavi: Totalmente.

Luciano Pires: Que interessante.

Alon Lavi: Temos judeus de Yamam, de Etiópia, de Rússia, de Alemanha, de Inglaterra, de Marrocos e Tunísia, Iraque, e Síria, e todos, todos os lugares. Então muito, muito diferente. Cultura bem, bem diferente. E a influência está mudando, mas ao final somos hoje somos uma mescla, uma mistura.

Luciano Pires: Deixa eu explorar uma coisa que você falou ali que chamou a minha atenção. Você disse o seguinte, chegaram um milhão e meio de russos.

Alon Lavi: Um milhão.

Luciano Pires: Um milhão. Se assentaram aqui, como nós não tínhamos as fábricas que tinham lá, a gente começou a criar opções aqui de empreendedorismo, startups, tudo mais. Só que, o que você criou, não foram startups, ou empresas para o consumo interno, porque o mercado lá é um mercado pequeno. O mercado não é um mercado gigantesco. Né? O país é um pequeno, logo não é um mercado que… e vocês tiveram já essa mentalidade de começar a criar startups para o mundo. Para o mundo. Sabendo que você não podia fazer negócios com os vizinhos. Com os vizinhos não vai dar, vai ter que ser para o mundo. Daí que vem o Easy, vêm essas loucuras todas que vocês…?

Alon Lavi: Este já começou muito antes, porque também o primeiro empreendedorismo em Israel é na área de irrigação, por exemplo.

Luciano Pires: Tá.

Alon Lavi: Ok? Também rapidamente entendemos que não tem mercado em Israel, como você disse. Precisamos exportar, e a mentalidade mudou um pouco. Em Israel você… agora vamos… esta época é o Novo Ano judaico. Ok? E tradicionalmente usamos a Romão.

Luciano Pires: Sim. Romã.

Alon Lavi: Romã. Romã israelense, a maioria está exportada à Europa. Por quê? Porque nós sabemos como expandir a vida dele. A Romã normalmente está – não sei – setembro, outubro, em Israel pode ver isto já em agosto até novembro, dezembro. Ok. Por quê? Porque podemos vender mais na Europa. Então esta mentalidade começou muito, muito cedo e hoje é bem claro, você está criando novas, especialmente tecnologia, você está olhando o mercado global. O mercado israelense não é suficiente. E esta mentalidade está conosco e com o empreendedorismo israelense. É muito, muito importante.

Luciano Pires: E como é que o Estado vê isso? Agora eu me refiro ao Governo, independente das… de qual governo foi. Eu imagino que essa coisa só funciona se você tiver continuidade, sabe, se tem um governo que entra e breca, entra e para e começa de novo, isso não anda. Quando tem continuidade as coisas andam. E a gente olha Israel e vê que há uma continuidade, essa coisa da startup, isso vem crescendo, chegou num momento em que aquilo floresceu porque me parece que houve uma continuidade, ano após ano. Né? O Estado Israelense, ele olha para o indivíduo que quer empreender? E como é que ele está? Desde criança na escolha, vocês começam a incutir essa coisa do empreendedorismo, do faça acontecer? Que se você começar a fazer o Estado vai te suportar para você…? Como é que funciona isso lá?

Alon Lavi: Sabe, no passado, a mãe judia queria que seu filho fosse doutor, advogado, engenheiro. Hoje a mãe judia em Israel quer que o filho dela vá fazer uma startup, vá fazer – como se chama – [inint 00:29:50] vender a startup e ter muito dinheiro. E realmente este pensamento mudou nos últimos anos, e vamos começar a falar sobre a política do Governo. Já há muitos, muitos anos, eu acho que mais de 20 anos, tem uma parte importante do PIB israelense, 3,5% do PIB israelense está reinvestindo em startups de nova tecnologia, mas não como emprestar dinheiro. O Governo também toma o risco. O que quero dizer? Um startup chega, se têm requisitos suficientes ele recebe dinheiro do Governo, se tem sucesso vai devolver o dinheiro, se não tem sucesso não precisa devolver nada. Isto permite os statups, os empreendedores, de realmente inovar e tomar risco. Em startup, neste mundo, se toma risco tem sucesso. Claro que têm muitos fracos, a maioria não vão ter esse sucesso, mas precisa. O Mobi Like foi vendido por quinze bilhões de dólares. Ok? Um deste, um deste. E este é um… mundo ajuda o governo a continuar, investir, e etc., etc. Então sim, a política já há muitos anos apoia os pequenos empreendedores na área de tecnologia. E tem um sistema bem claro se eu tenho boa ideia. Como consigo Angel Money, e Seed Money, e depois dinheiro do Governo… desculpa, dinheiro dos Angels investidores, depois Seed Money, dinheiro, depois Venture Capitures, dinheiro do Governo, etc., tem um sistema bem claro. Que caminho precisa tomar para fazer isso. E qual as ferramentas que você tem para fazer isso.

Luciano Pires: Você leu alguma coisa do Taleb? Do Nassim Taleb? O livro Antifrágil, Lógica do Cisne Negro?

Alon Lavi: Não.

Luciano Pires: Você não leu alguma coisa? Então você precisa ler o livro dele chamado Antifrágil, chama-se o livro. Onde ele discute o conceito da antifragilidade que é a quem sobrevive às crises e sai mais forte. Quem quando ao invés de quebrar fica mais forte. E ele lançou um conceito, tem um conceito que ele coloca lá, que é o conceito da opcionalidade, onde ele fala que – ele veio do mercado financeiro – e fala aquela história. O quê que eu preciso fazer? Eu tenho que ter muitas opções de investimento de pequeno risco, mas todas com grande potencial de crescimento. Né? O que significa? Eu posso investir em dez coisas, sabendo que, se uma der certo aquilo valeu tudo. E se nenhuma das dez der eu perdi pouco. Né? Que é o conceito que você acabou de falar para mim aqui. Quer dizer, você tem… eu posso investir em várias e uma deu certo, e virou um unicórnio, e quinze bilhões. E isso já serve para… e você está dando oportunidade de muita gente começar, e errar e começar de novo, e errar e começar outra vez.

Alon Lavi: Exatamente.

Luciano Pires: Quer dizer, e com o tempo você soma isso, cara o que vocês têm de aprendizado e o conhecimento acumulado ali, é um negócio fabuloso. Então não é à toa que vocês estão inventando, inventado coisas, estão mudando, muda a vida da gente pelo mundo afora. Né?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Que legal.

Alon Lavi: E por isso hoje, já tem um sistema, um ecossistema bem claro, como fazer isso. Outra vez, não sempre funciona, claro, mas o ecossistema está estabelecido e por isso ajuda muito, e já as pessoas sabem o que precisam fazer, desde o empreendedor até o vice representante do Venture Captures.

Luciano Pires: Cara isso é… você está falando e eu fico comparando com a nossa dificuldade aqui. É difícil ter acesso a dinheiro, é difícil financiamento, é difícil acesso à tecnologia. Tem uma burocracia tremenda, têm taxas, impostos para pagar, e no fim, se der errado você tem que devolver, ficou com uma dívida tremenda na mão. Isso tudo vai contra essa ideia de crescimento. Porra, não é à toa que os caras estão lá. Né? Meu caro. Vocês vivem num lugar que é uma panela de pressão. Têm horas que aquilo está ebulindo, tem horas que aí… tem hora que ele cresce, tem hora que ele cai. E a gente já viu esforços, teoricamente, não vou dizer que é bem-intencionado, porque no mundo da política a gente não sabe como funciona. Mas o mundo inteiro interessado em que as coisas acalmem, que fique tudo. E as coisas nem sempre acalmam. Né? Como é que é acordar de manhã com a expectativa de que um foguete pode cair na sua cabeça? Agora, em 15 minutos e destruir tudo que você está vivendo ali. Todo dia.

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Como é que é isso todo dia?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Deixa eu só terminar, essa pergunta que eu estou te fazendo, para nós brasileiros é… eu estou falando de outro planeta. Entendeu? Porque aqui no Brasil não há essa… cara ninguém tem o menor problema. Aqui nunca vai cair um foguete aqui. Porque não há essa… e com vocês faz parte da… você nasce sabendo que isso pode acontecer. Né? Como é que é viver isso, todo dia, 24 horas por dia?

Alon Lavi: Sim. Eu acho que, primeiramente têm áreas que realmente esta é a realidade deles. No meu caso é um pouco diferente, moro numa área que tivemos no passado terrorismo, mas isto não está acontecendo todo tempo. Tem áreas que sim, no sul de Israel realmente tem cada algumas semanas um foguete que está caindo ao lado e etc. A vida é mais forte de tudo. E eu acho que a realidade, todas as pessoas podem adaptar para novas realidades. Como temos agora com a [inint 00:36:20]. E por isso, como israelense é muito difícil dizer, porque ao final é meu…

Luciano Pires: É o seu dia a dia.

Alon Lavi: Meu lar, minha casa, meu dia a dia. Então, sim, vivemos com isso de uma maneira um pouco diferente. É muito difícil entender isso de fora, que esta é a realidade e que você aceita isso como realidade. Estou de acordo com você, mas infelizmente é a vida, e se não pode se acostumar a isso não pode continuar a viver, e por isso sim, vivemos com esta realidade. Mas causas também têm repercussions, se diz em inglês, repercussões.

Luciano Pires: Sim, repercussões. Sim.

Alon Lavi: Por isso. Como o nível de estresse das crianças, quando uma criança de quatro anos precisa saber como chegar ao bomb shelter.

Luciano Pires: Sim. Um Abrigo.

Alon Lavi: Abrigo.

Luciano Pires: Abrigo de bombas.

Alon Lavi: Não é natural.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Outro lado, temos coisas que, para mim, aqui não é muito diferente, em Israel meu filho pode descer e caminhar na rua sem problema.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Aqui não acontece normalmente, não pode haver isso. Ok? Não têm crianças de 10 anos que caminham sozinhas para a escola normalmente.

Luciano Pires: E nós estamos acostumados com isso.

Alon Lavi: Exatamente.

Luciano Pires: E você não consegue entender: como é que esses caras conseguem?

Alon Lavi: Exatamente. Então, cada sociedade, cada lugar, cada povo, têm coisas que eles já estão acostumados, que para outros parece um pouco diferente. E para nós, infelizmente, sim, é uma realidade de ameaças. Têm países que ameaçam Israel, a existência de Israel. Olha, nossa, se um brasileiro ou qualquer de outro país podem realmente ter essa ideia que outro país está ameaçando a existência de seu país mesmo. É diferente. Mas infelizmente esta é a realidade nossa, e por isso temos também esta mentalidade que começamos, sim, quando começamos a falar, falamos de estar em uma ilha. Porque sabemos que somos, no fim do dia, somos sozinhos. Precisamos nos proteger e precisamos confiar só de nós mesmos.

Luciano Pires: Sim. É muito tentador eu ouvir você falar assim e falar: eu quando estou num lugar que ninguém me quer, eu vou embora de lá. Eu vou embora dali. Sabe? Eu vou embora para um lugar onde me queiram. Sabe. Onde queiram que eu esteja. Né? Porque Israel nunca resolveu ir embora de lá? E aí eu sei que não são razões – deixa eu ver como é que eu posso explicar – não são razões de logística, ou razões porque tem petróleo, ou razões. Tem uma razão cultural absoluta. Sabe. Nós estamos aqui porque é a nossa terra, não é porque é o melhor lugar para estar do mundo. Não. Essa é a nossa terra. E aí a gente volta para o começo lá. Historicamente…

Alon Lavi: Exatamente. Olha. Na Bíblia – todo mundo conhece a Bíblia – quase, não lembro exatamente, podemos depois pesquisar, se não me equivoco, 370 vezes Jerusalém está mencionada.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Ok? A cidade. Todo os restos. Ok? Quando há bênçãos.

Luciano Pires: Sim, sim.

Alon Lavi: Usamos Israel e Jerusalém, de toda a nossa história, nós contamos a história e êxodo do Egito, Israel em cada ano para os nossos filhos, cada fim de semana quando abençoamos e recebemos o dia sagrado, o Shabat – o sábado para nós – falamos sobre isso. Então é realmente parte da nossa história, nossa cultura. E esta é nossa Pátria, nossa terra e também, como mencionei, nossos bis-bisavós estão em Israel já desde não sei quando. Então, por isso Israel é o único lugar para o povo judeu.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E sim. Então, também vocês, quando alguém vai ameaçar a sua casa, primeira coisa, você vai proteger sua casa. E isso que estamos fazendo. Não se você, você disse que vai sair, mas não sei se vai isso tão fácil.

Luciano Pires: Sim, sim, sim. A menos que eu não tenha certeza que eu serei exterminado. Né? Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar ao transformar o seu Smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Para assinar acesse confraria.cafe, de novo, confraria.cafe, lá você conhecerá os planos para se tornar um assinante e ter acesso exclusivo aos bastidores da temporada do LíderCast e a muito conteúdo original. Além disso, contribuirá ativamente para que este conteúdo chegue para muito mais gente gratuitamente, tem um plano lá que custa doze reais por mês, cara, doze reais, uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro fará com que você nos ajude a continuar crescendo e fazendo com que nossa voz seja ouvida por mais gente, você estará contribuindo ativamente com nossa causa pela da defesa da liberdade e da independência individual. De novo, vem para cá, confraria.cafe. Uma coisa interessante, chamar a atenção que está ouvindo a gente aqui. Isso que a gente acabou de conversar aqui. Isso vai muito além desse monte de rótulos que se coloca por aí. Sabe? Que é muito fácil você olhar o problema e cima e falar: pô. Bota um rótulo aqui, bota um rótulo ali, esse mocinho, esse é bandido, esse é o pobrezinho, aquele é o vilão. E o mundo está muito acostumado a fazer isso, a vilanizar e criar rótulos. Então essa colocação que você fez agora ela vai muito além de… tem que realmente entender culturalmente o que acontece para tentar interpretar as coisas como é que funcionam. Né? Judeus estão presentes no mundo inteiro, e nunca estão presentes em lugares que a gente não dá atenção. Cara vocês são donos de banco, vocês dominam Hollywood. Entendeu? O dinheiro do mundo passa nas mãos dos judeus. Né? Tem tecnologia na mão de judeus. Né? Isso é histórico, isso é histórico. Sempre tem a presença. Quando você pega uma grande indústria, você cutuca, você vai chegar no sobrenome, tem um judeu sentadinho ali. Né? A pergunta que eu quero fazer a você. Isso acontece porque o judeu é mais inteligente? O judeu é mais obstinado? O judeu é mais sortudo? Deus abençoa mais os judeus? Ou isso não acontece?

Alon Lavi: Primeiramente não estou seguro se você realmente olha e analisa numa maneira profunda, vai ver os mesmos resultados sobre os judeus. Eu acho que parte de nosso desafio é que este, estes discursos são bem conhecidos e às vezes criam dificuldades, vamos dizer. Eu acho que muitos dos judeus, educação é muito, muito importante para nós, primeiramente. E a segunda coisa, esta mentalidade que precisamos sempre fazer o máximo porque senão, já temos exemplos que passou, se não temos.

Luciano Pires: Você chegou onde eu queria, seria a próxima pergunta. Mas vamos lá.

Alon Lavi: Então, se me pergunta pessoalmente, não acho que os judeus, nós, somos mais inteligentes ou mais de nada. A única coisa é… e sabe, quando falamos sobre empreendedorismo e comparamos Brasil e Israel, eu sempre digo, sabe que Brasil e Israel têm só uma diferença que o empreendedorismo e inovação tecnológica em Israel é maior. Só uma. Vocês têm científicos inteligentes, têm engenheiros, têm obra mano. Sim?

Luciano Pires: É mão de obra, mão de obra.

Alon Lavi: Mão de obra maravilhosa. Têm fábricas, têm experiências, têm universidades, têm… tudo têm. A única coisa que Brasil está faltando é a necessidade. Tem água, tem petróleo, tem gás, tem natureza, tem praia.

Luciano Pires: Você chegou no ponto que eu ia fazer a pergunta. Deixa eu só te colocar para você complementar aqui. Quer dizer, aquilo que aconteceu com vocês durante a Segunda Guerra Mundial, que foi uma ameaça real de extermínio, e realmente foram exterminados milhões e milhões. Né? Aquele choque. E não só para judeus, para a Europa como um todo. O choque daquela guerra, quando de repente você não tinha o que comer. Além de não ter o que comer se botasse a cara na rua você ia tomar um tiro, você ia morrer. Aquilo criou uma necessidade brutal e gerações cresceram com o trauma de “La Guerra” como dizem os espanhóis, “La Guerra”, pode chegar “La Guerra”. Né? Isso criou uma necessidade que o Brasil nunca teve. A gente aqui nunca sofreu uma ameaça desse tipo. E talvez a falta da ameaça, a falta de ter visto o próprio sangue rodar, como vocês viram. Né? Fez com que a gente não se esforça-se o tanto quanto… sabe? A gente não desse valor para essas coisas básicas. Cara, valor à água que eu tenho. Cara eu sempre tive água. Porque eu vou valorizar um negócio…? E você de repente não tinha cara. Como o pessoal fala: pô o chinês come gafanhoto, sim senhor cara, os caras vieram de uma época em que se não comece gafanhoto morria de fome. A alternativa era comer o gafanhoto, por isso eles comem gafanhoto. Né? Então a necessidade cria homens fortes, como se diz por aí, o homem forte nasce a partir disso. Né?

Alon Lavi: Então eu acho que esta é a diferença entre o Brasil e Israel, e isto eu acho também parte do povo judeu. Temos o holocausto e temos muitas coisas antes. Inquisição ainda lembramos. Ok, não pessoalmente, mas culturalmente o povo de Israel ainda lembra a inquisição, onde nós ou matamos, ou eles nos mataram ou fugimos e mudamos a religião. E depois pode contar muitas outras ocasiões, até também em algumas guerras que tivemos em Israel quando alguns exércitos do mundo árabe atacaram Israel juntos e quase acabaram com o país. Então esta mentalidade ainda existe. E ainda é relevante infelizmente, por as ameaças abertas que ainda têm. E também antissemitismo, o mesmo que tivemos holocausto, seis milhões de judeus morreram só porque são judeus. Ainda hoje em dia tem antissemitismo. E onde ainda pode ouvir discurso de ódio contra judeus, só porque são judeus. E eu acho que sim, esta é parte da razão que muitos dos judeus investem muito em educação e melhorar a sua vida, para proteger, porque ninguém sabe o que o futuro vai nos criar.

Luciano Pires: Que interessante isso. Eu estou rindo porque é uma perspectiva que você coloca que a gente não consegue enxergar daqui do Brasil. Aqui é tudo tão tranquilo. Né? Esse país tão violento que é o Brasil, sabe, com tanta violência aqui, na verdade é um país tão tranquilo, do ponto de vista das ameaças e de ter à disposição tanta matéria-prima, tanta água, tanta coisa, tanta, que acho que a gente às vezes se perde nessa… falta necessidade aqui. Né?

Alon Lavi: As primeiras… a primeira tecnologia em Israel, foi na área, mais ou menos na área de água e agricultura.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E por quê? Porque não tivemos água.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Então, o que precisa fazer? Vamos começar com guardar água. E como pode guardar? Com irrigação. E foi criada irrigação de gotejo.

Luciano Pires: Sim. De gotejamento.

Alon Lavi: De gotejamento. Esta foi a razão. E depois, com os anos, desceniliza…

Luciano Pires: Dessalinização.

Alon Lavi: Dessalinização de água do mar. Israel está um líder mundial. Por quê? Hoje já 60% da água em Israel é dessalinizada. Só isso. E por quê? Porque já não temos fontes de água. Então a realidade e a necessidade forçam você criar soluções. E também na área de defesa, também em muitas outras áreas. Porque Israel hoje é um líder mundial na área de segurança cibernética? Cyber Segurança. Porque temos ameaças ativas, e têm ataques contra Israel todos os dias, e sempre. Porque, grande, pequeno, mas sempre têm ataques, e por isso criamos sistemas de defesas, que hoje já são parte do mercado privado também. Mas tudo é parte desta necessidade que Israel, infelizmente tem. Mas felizmente cria muitas soluções que podem ajudar o mundo inteiro.

Luciano Pires: Você me provoca profundas reflexões sobre aquela ideia de que, cara, talvez se o Brasil tivesse passado por um momento muito complicado de necessidade sobrevivência a gente encarasse o país de uma forma completamente diferente hoje. Mas como você falou agora pouco, cada um, cada um, cada país é o seu, cada um tem sua história. Nós vamos ter que tentar construir o nosso a partir da fartura. Sabe. Construir a partir da fartura e não da necessidade. Né? Meu caro. O trabalho que você faz, que fazem os diplomatas de Israel, vocês têm uma questão adicional que – de novo – o diplomata brasileiro vai lá fora para vender o que o Brasil tem. Sabe. Quando ele chega alguém fala: está chegando um brasileiro. Futebol, Carnaval. Festa, música. Não sei o que. Historicamente é assim. Né? O diplomata de Israel, quando chega não é futebol, não é festa, não é Carnaval. É: ih, lá vem, eles são bravos, cuidado que ó. Ali é briga. Você carrega com você uma série de rótulos que vêm a partir da história. Né? Então eu imagino que você tem uma questão adicional, que é de conquistar uma simpatia, de mostrar que vocês são gente como a gente, que vocês estão dispostos a conviver em harmonia e tudo mais. Né? Isso acontece acho que no mundo todinho. Quer dizer, você morou no México, morou no Brasil, morou nos Estados Unidos. Como é que você é recebido quando chega como representante de Israel? E, por favor, eu não quero saber da questão comercial. Sabe? Quando tem alguém que quer fazer negócio com vocês, recebe muito bem. Vem dinheiro aí. Eu digo assim, do ponto de vista cultural, da sociedade que te recebe. Você é o homem de Israel que chegou numa sociedade, com a sua família, sua esposa, seus filhos, chegaram os representantes de Israel. Como é que é? Você já teve experiência em três sociedades. Né?

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Como é que é isso? Por favor, e pensa também nas histórias que os seus colegas contam.

Alon Lavi: Sim. Eu isso, Israel por melhor, todos têm opinião. Todos que nós estamos em contato, na mídia, no Governo, neste nível. Têm opinião sobre Israel. Muitos gostam muito e admiram Israel, mas têm aqueles que não também. Então eu acho que uma diferença grande entre, como eu fui recebido e talvez outros diplomatas, é que têm pessoas que imediatamente me abraçaram, mais que um diplomata de um país da Ásia, ou Europa.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Mas têm também pessoas que imediatamente não querem ter nada comigo, porque para eles sou representante de coisas que eles são contra. Isto tem aqui. Ok? Até que parte a agenda dos partidos políticos do Brasil têm atitude sobre Israel? Não vai ver atitude sobre Hungria, ou Nova Zelândia, ou Coreia. Não, sobre Israel tem. Alguns partidos, que tem atitude. E isso cria um desafio grande, e por isso estamos falando, parte desta razão.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Para mim, como diplomata, é grande a importância que a audiência de você, ouve. Sim? Escuta?

Luciano Pires: Escuta, escuta.

Alon Lavi: De mim e numa maneira direta. Não são todos que precisam gostar de mim. Tudo bem, e não precisam estar de acordo com a política de Israel. Também respeito, mas sim, é importante para mim que todos os brasileiros entendam que ao final somos exatamente como vocês. Temos desafios, temos problemas que às vezes as soluções são talvez podem ser não como vocês acham. Mas tudo chega da mesma razão, ter paz para as nossas famílias, vamos dizer. Não? Então sim, eu primeiramente a comunidade judaica abraça os diplomatas israelenses de uma maneira muito… calor…?

Luciano Pires: Calor.

Alon Lavi: Calor, com muito calor. Esta é a primeira coisa. E eu posso dizer de uma maneira bem aberta que também a sociedade brasileira geral nos aceitou de maneira muito, muito positiva. Têm algumas partes pequenas da sociedade aqui que imediatamente mostram que são contra Israel. Mas hoje é uma minoria bem pequena. Bem, bem pequena.

Luciano Pires: Tá. Como é que você educa seus filhos para isso cara? Você tem filhos com que idade?

Alon Lavi: Nove; sete e três.

Luciano Pires: Nove; sete e três?

Alon Lavi: É.

Luciano Pires: Cara é tudo pequenininho. Né? Como é que você educa um garoto judeu cara? Que não é brasileiro e que já vai crescer com alguém botando rótulo nele? Por ser judeu já tem alguém o rotulando ali. Como é que vocês…?

Alon Lavi: Não é fácil. Meus filhos estudam numa escola internacional. Têm poucos judeus. Então ninguém está mencionando Hanukkah, festa judaica em dezembro.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Eles só falam sobre…

Luciano Pires: Natal.

Alon Lavi: Natal. Agora para todo mundo é muito… ouviu falar sobre o Natal.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Mas eles não lembram que têm pessoas que têm outra religião. Então, sim, nós enfrentamos isso. E com cada criança é diferente. Cada criança é diferente porque eles têm diferentes habilidades e conhecimento, e até postura. Ok? Para ser bem honesto e aberto, meu filho está orgulhoso de ser diferente porque ele é judeu, não tem problema com isto. Minha filha não, ela prefere que ninguém saiba disso. Então, cada criança tem sua atitude, nós apoiamos muito para eles serem orgulhosos. Não porque são melhores, nada disso, porque são judeus. Então, para nós é importante que eles conheçam isso, aceitem isso e são orgulhosos. Mas também educamos eles para respeitar todas as outras religiões e nós tentamos aprender outras religiões também. Não só o cristianismo, que é muito fácil, mas islã, e budismo e muitos outros. Porque nós achamos que é muito, muito importante para eles, conhecer.

Luciano Pires: Que interessante. Uma coisa é você educar essas crianças em Israel, quando todos… e quando você tira daquele ambiente e coloca num ambiente diferente como esse aqui. Eu fico imaginando eles chegando em casa: pai, porque que com a gente é assim e com os outros meus amiguinhos, não é?

Alon Lavi: Têm, têm perguntas interessantes. Especialmente ao redor das festas.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Porque não temos, sim temos. Não marcamos, sim marcamos. Porque eles recebem presentes e nós não recebemos presentes. Têm perguntas interessantes.

Luciano Pires: Não deve ser fácil, não. Vamos lá. Você deve ter uma agenda aqui no Brasil. Você deve ter uma agenda aqui no Brasil. Né?

Alon Lavi: Claro.

Luciano Pires: Imagino que a tua agenda deve ser uma agenda de, no final das contas, manter um bom relacionamento com o Brasil, independente de quem é que está no poder do Brasil, não importa quem está no poder no momento. Mas você tem uma agenda lá de estabelecer esses canais de comunicação. Né? Qual é a função da… a embaixada fica em?

Alon Lavi: Em Brasília.

Luciano Pires: Em Brasília. Lá está a embaixada. E o consulado são os braços da embaixada que estão em alguns lugares aqui. Né? O teu papel como Cônsul aqui. O quê que faz um Cônsul? Quando você acorda de manhã você vai fazer o quê? Almoçar com as pessoas? Fazer contato? Fazer negócios? O quê que faz um Cônsul?

Alon Lavi: Sim. Bom. O objetivo é melhorar as relações bilaterais, claro, e pela importância de São Paulo como estado, foi decidido abrir aqui um consulado de Israel. É o único consulado de Israel na América Latina. Ok?

Luciano Pires: Ok.

Alon Lavi: Aqui em São Paulo. Pela magnitude de São Paulo e a importância de São Paulo na área do comércio, claro, econômico, o mundo financeiro aqui, comunidade judaica. O âmbito cultural, a mídia, a imprensa que temos aqui. Então, para mim, em cada setor estou tentando fazer coisa para melhorar as relações. O que significa? O nível político sempre está tentando de ser relevantes para o nível político para a cidade e do estado de São Paulo e estados do Sul do Brasil também. Encontros com secretários ou funcionários que podem ser relevantes, e sempre buscar onde Israel pode contribuir para a agenda do lugar. Este é um âmbito, político. Outro, comercial, como você mencionou, temos também adido comercial, adido do Ministério da Economia, ele faz business, nosso papel é mais abrir portas. Identificar oportunidades. Também promover, tipo dito dio, bitudi… business…

Luciano Pires: B2B.

Alon Lavi: Business.

Luciano Pires: Business to business.

Alon Lavi: Business para governo.

Luciano Pires: Ah, B2G.

Alon Lavi: Eu faço mais business para governo, como negócio governo, e governo entre dois governos, menos negócio/negócio. Mas sim abrir portas, identificar oportunidade. Muito trabalho com a comunidade judaica para melhorar as relações, para dar serviço consular, afinal somos consulado, pessoas precisam visto, passaporte, etc., nós damos este serviço também, que é relevante aqui. E trabalho com a mídia, e este trabalho tem, vamos dizer dois caminhos separados. Um é promover diálogo positivo, aberto com a mídia. E o segundo é monitorar e responder quando a mídia está contra Israel, porque também é algo que nós precisamos enfrentar. Muitas vezes têm publicações contra Israel. E por isso precisamos trabalhar muito com a mídia. Na área cultural nós tentamos sempre trazer cultura israelense para o Brasil então, seja um [tixer 01:02:17] show, um festival de criatividade, inovação cultural que vamos ter participação israelense. Há duas semanas Israel patrocinou o time Portuguesa.

Luciano Pires: Sim. A Portuguesa aqui?

Alon Lavi: Sim, a Portuguesa. Por quê? Porque eles celebraram 100 anos e nós achamos uma parceria interessante para este centenário especial.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Nós patrocinamos eles, trabalhamos…

Luciano Pires: Quem patrocinou? Quem?

Alon Lavi: Israel. O Estado de Israel.

Luciano Pires: O Estado de Israel patrocinou o time da Portuguesa?

Alon Lavi: Sim, sim. Eles subiram o estádio com Israel na camisa.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Um jogo. Bom Prato, uma atividade do Governo do Estado que dá marmitas, um real para gente, nós apoiamos este com comida israelense dentro do Bom Prato. Então, sempre na área cultural, vamos dizer buscamos onde Israel pode ser parte, e ao final, estar em contato com sociedades diferentes dentro do Brasil. Porque o povo do Brasil é grande, mas ao final têm católicos e cristãos, tem comunidade LGBT e comunidade negar, tem comunidade de todas as partes da comunidade aqui. Então sempre buscar onde e como podemos trabalhar com as comunidades e as sociedades diferentes aqui. Então sim, muitos encontros, hoje um pouco mais dif… um pouco mais…

Luciano Pires: Sim, por causa da pandemia que você está encontrado menos, mas…

Alon Lavi: Exatamente, mas muitos encontros, e se não encontros, chamadas, e atividades. Eu trabalho muito com a imprensa e com a mídia para sempre ter este contato. Como sempre a ideia é melhorar, é que Israel e o Brasil vão ganhar se trabalham juntos.

Luciano Pires: Muito bom. Meu caro, vamos partir aqui para a nossa reta final. Se você pensou que ia escapar daqui sem que eu lhe perguntasse sobre o holocausto você está muito enganado porque essa é uma parte que realmente eu mergulhei fundo para tentar… a minha questão toda era entender por que. Por que isso aconteceu. Né? E fui pesquisar e tudo mais. É uma história gigantesca que vira e mexe ela volta, ela sempre retorna. E tem uma coisa interessante. Esses momentos de genocídio aconteceram na história da humanidade muitas vezes. Né? Antes e depois do holocausto. Né? Mas o holocausto ganhou um lugar, ele tem um lugar especial, ele é o número um. Tanto que o nome, o nome holocausto, que é específico para o extermínio dos judeus, acabou ganhando, ele hoje é usado em cada lugar que acontece uma coisa parecida. Né? Ele ganhou uma posição de destaque porque ele nunca foi deixado para ser esquecido, ele sempre foi lembrado, ele sempre… se você pegar a obra cinematográfica, cara, o que tem de filme sobre o holocausto é uma loucura. Têm muitos deles. Sobre outros genocídios têm muito poucos. Né? Foram muito poucos mostrados. Né? Eu não quero dizer que está se valorizando mais um que outro não, eu quero dizer que houve um trabalho consciente que está por trás daquela história: que isto aqui nunca mais se repita. E que, na minha opinião, foi muito bem feito, porque está na memória de tudo mundo. O mundo inteiro se lembra daquilo. Né? E eu acho que aí tem o mérito de vocês, que foi: cara nós não vamos deixar que nunca ninguém esqueça isso aqui. Isso aqui não pode ser mais esquecido, tem que ser lembrado, e tem que ser lembrado para não ser mais repetido. Né? Vocês têm essa questão da memória do holocausto, a questão de você não deixar que seja esquecido, isso faz parte do currículo – não digo escolar – o currículo cultural do israelense? A criança israelense ela é ensinada a respeito disso? Ela é ensinada a olhar como algo que passou e ficou para trás? Algo que tem que ser sempre lembrado para não ser esquecido? Algo que tem que ser mostrado claramente para o mundo? Como é que vocês cuidam culturalmente? Porque o tempo passa e não desaparece. Né? Os anos passam e a gente, qualquer discussão que começar daqui a pouquinho, em dois minutos cai no nazismo, cai na ideia do holocausto e tudo mais. Isso está presente na cultura da humanidade como um todo. Né? Como é que vocês tratam isso aí? Como é que esse assunto é tratado?

Alon Lavi: Bom. Claro, é um assunto bem complicado e sensível. Para nós e para muitos outros. Primeiramente eu, sim creio, e não só creio, é bem claro que tem diferença entre o holocausto e outros genocídios. Esta comparação, o fato que não é comparável, é não por causa ou por just because, como se diz, não é óbvio. É porque realmente o holocausto, se você compara, foi o único lugar quando de uma maneira sistemática, industriada e religião, foi matado só por ter religião. Nada com política, nada com outros países para conquistar, judeus de países diferentes, que falam línguas diferentes. Com fé, com crença, política diferente, com afiliação política diferente. Todos foram, mataram só por serem judeus. Não pode ver isso em outros genocídios, outros genocídios foram por ser nascido num lugar, por ser nascido com uma…

Luciano Pires: Uma casta diferente.

Alon Lavi: Parte de uma casta, parte de uma tribo, etc., etc. Aqui não temos isso. Os judeus que nasceram, só porque são judeus, só porque os pais deles são judeus. E é muito, muito diferente. Este massacre industrial e sistemático não pode comparar com outros. Não tem, realmente não existe. Então esta é uma coisa. Da mesma magnitude de seis milhões de membros de um povo, de tantos países, que os nazistas chegaram até a África para matar judeus. Ok? É algo que não existe em outros lugares, e outros genocídios, então realmente é incomparável. Primeira coisa. Segunda coisa. Por isso e por a magnitude e porque o holocausto chegou depois, muito antissemitismo. E outra vez, se falamos sobre inquisição e qualquer isso. E pogroms na Rússia e outras partes da Europa. Chegou dentro de um contexto de antissemitismo, e acho por isso é para nós um sinal muito forte que pode acontecer, e que já aconteceu. E nós todos precisamos trabalhar, não só todos os israelenses, ou todos os judeus, todos no mundo precisam trabalhar para garantir que este não pode acontecer novamente. E eu acho que é parte importante de nosso papel e nosso objetivo para fazer isso. E sim, parte disso é a cultura israelense, que sempre lembramos isso, seja numa maneira pessoal, ou maneira nacional. Ok? Mas meu avô chegou a Israel sem ninguém membro da família dele. Olha você pode saber quem foram seus bisavós, até pode chegar a um cemitério, talvez. Para mim, esta parte da família não tem nada. Não tem nada. Tem nomes que ele contou, mas não tem nada, nada. Nada, nada ficou. E este ainda parte de nossa cultura, nossa história, nossa conta. Sim? Our history. Nossa… Sim? Não é nossa história do passado, nossa cultura, nossa crença, nossa Nação, até isso. Então eu acho que estas duas razões, realmente que o holocausto é, infelizmente, algo diferente. E que pode, se me pergunta, pode acontecer novamente.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: Ainda têm pessoas que estão olhando judeus como algo diferente, e menor, e falam numa maneira aberta contra judeus, só por serem judeus. Porque para mim é incrível, não posso imaginar que eu falo sobre alguém que, que… odiar alguém só pela sua religião. Não vejo qual a relevância para mim. De onde ele, é importante. O bom homem é o bom homem. Uma mulher e se não é… não. E ainda pode ver isso. Então eu acho que sim, é uma mentalidade que crescemos, que está crescendo junto conosco e espero que este trabalho, talvez vá ajudar para que uma coisa como essa realmente não vá acontecer novamente.

Luciano Pires: Não dá para dizer que ninguém quer. Né? Porque têm uns loucos que realmente pensam. E você vê. Têm cristãos hoje em dia morrendo por serem cristãos. E tem…

Alon Lavi: Por exemplo.

Luciano Pires: E não se fala nada a respeito, não se diz nada. Não é um escândalo, mata porque é cristão. Né? E acontece isso com muçulmano morrendo porque é muçulmano, e assim vai. É inacreditável isso, 2020 e a gente discutindo esse tipo de coisa. É complicado. Meu caro. Segunda Guerra Mundial, se você perguntar para um americano, para um inglês, para um russo, eles vão dizer: nós ganhamos. Você perguntar para um alemão, o alemão vai dizer: nós perdemos. O italiano vai dizer: nós perdemos. Japonês: nós perdemos. Se perguntar para um judeu. O quê que ele diz cara?

Alon Lavi: Que nós perdemos. Perdemos terço do povo judeu. Terço do povo judeu. É difícil imaginar, mas olha a sua família e tira terça, terço. É algo que não pode imaginar.

Luciano Pires: É inimaginável.

Alon Lavi: Inimaginável. Nós perdemos terço do povo judeu. Tem áreas que perdemos mais, tem áreas que perdemos menos, mas terço do povo judeu foi perdido. Só pode imaginar onde o povo judeu ficaria sem [inint 01:13:33]. Ficaria hoje sem o holocausto. Num lugar completamente diferente. Então, claro que perdemos, perdemos vidas, perdemos… a pessoa que pode curar o câncer talvez morreu no holocausto. Ok? A pessoa que pode criar ou inventar energia melhor pode morreu no holocausto. E muito mais. Nós perdemos muitos, muitos. E sem dúvida perdemos. Ok? Mas como já falamos, é parte de nossa mentalidade também olhar à frente e usar o que temos. E aproveitar o que temos para melhorar nossa vida. Então, por isso não todo mundo… nem tudo é pessimismo, não pode…

Luciano Pires: Pois é. Eu ia lhe perguntar. Minha última pergunta seria: uma mágoa desse tamanho, que é impossível de ser compreendida por quem como eu, não perdeu um terço do meu povo. Eu não consigo entender isso. Né? Uma mágoa desse tamanho, isso é uma mágoa geracional cara, é uma mágoa para marcar para o resto dos tempos. Como a gente discute hoje, lá do Egito. Né? Têm mágoas lá do Egito que são discutidas até hoje. Né? Essa mágoa está aí. E é muito recente. Né? Como é que vocês fazem para não transformar essa mágoa em ódio e tentar se vingar e dar o troco na primeira oportunidade? Como é que vocês lidam com isso? Deixa eu te explicar por que. Tem um documentário, cara eu não vou conseguir me lembrar do nome dele agora, mas é um documentário fantástico que mostra crianças israelenses e crianças da Palestina. E o documentarista vai nos dois mundos e conversa com eles. E são crianças iguais. Né? Em um determinado momento ele consegue juntar, fala com os pais e junta os dois grupos de crianças, e traz os dois grupos juntos e você vê nitidamente, as crianças, quando elas entram na sala e veem o grupo de israelenses, e os israelenses veem o grupo palestino – eu fico arrepiado quando eu lembro cara – o olhar das crianças é de pavor. Porque eles estão vendo um garoto do tamanho e da idade deles que é inimigo e eles foram ensinados de ter uma ameaça na minha frente. E ele coloca os dois grupos em frente e você vê que tem uma situação que fica complicadíssima. Um clima horroroso fica dentro da sala. Né? Até o momento que ele começa a estimular a conversa das crianças e as crianças falam de futebol. E aí pergunta: você gosta de futebol, mas de quem? Brasil, Romário, não sei o quê. E aí termina com eles jogando bola. E aí são crianças iguais, jogando bola, abraçadas de repente uma com a outra. Todo aquele clima horroroso, ele desaparece quando as crianças passam a serem crianças. Né? Quer dizer, elas conseguem superar aquilo no momento em que não veem a ameaça do inimigo ali. Né? É muito fácil você transformar essa mágoa toda no ódio para exterminar o outro lado, ou quando o outro lado chegar você se trancar. Né? Como é que vocês fazem para que isso seja controlado? Você viu esse documentário que eu te falei? Você já viu?

Alon Lavi: Sim, sim. Primeiramente, especificamente sobre o holocausto, olha, até que hoje as relações entre Israel e Alemanha são uma das melhores relações diplomáticas que Israel tem. Alemanha é um parceiro de verdade de Israel, então nós entendemos também que não pode culpar, não é o povo alemão, não é a Alemanha, é uma época, um…

Luciano Pires: Um grupo de pessoas.

Alon Lavi: Grupo de pessoas, não pode culpar os filhos deles por o que os pais deles fizeram. Então nós entendemos isso e por isso temos relações excelentes com Alemanha e outros países, Itália e quaisquer outros países que ajudaram, vamos dizer o nazismo desta época. Esta é uma coisa. Segunda coisa, geral, estamos testemunhando estes dias algo muito positivo no Oriente Médio, Israel está assinando estes dias um acordo de paz com os Emirados Árabes Unidos, foi anunciado na semana passada que também com Bahrein. Então mais e mais países árabes estão abertos para realmente normalizar as relações com Israel e dizer, olha ok, Israel é como todos os outros países. Porque é a diferença, dizer se Israel é normal ou não.

Luciano Pires: Sim.

Alon Lavi: E para nós é algo muito, muito positivo. E também, um exemplo que sim. Pode mudar isso e para não ter ódio e talvez, vou terminar com você, me perguntou sobre educar meus filhos. E eu como a maioria das pessoas que eu conheço pelo menos, educamos nossos filhos que Israel, os israelenses e os vizinhos, todos são iguais, não tem diferença. Sim, não estamos de acordo sobre soluções políticas dos desafios que temos, mas não tem diferença entre nós e eles. Somos humanos, a mesma coisa. Com a esperança que sim, chegarmos a uma solução, um lugar de paz tranquilidade e estou dizendo isso quando realmente podemos ver um avanço positivo para chegar a este momento.

Luciano Pires: Muito bom cara. Meu caro, quem está nos ouvindo aqui e estiver interessado em conhecer mais a respeito aí. Vocês têm algum canal? Redes sociais, tudo mais. O quê que a gente procura par se inteirar mais sobre a cultura e Israel.

Alon Lavi: Sim. Israel em São Paulo, em Facebook, Israel em Instagram, Israel em São Paulo.

Luciano Pires: Israel em São Paulo?

Alon Lavi: Israel em São Paulo, juntos no Facebook, Instagram e Twitter. Meu Twitter pessoal, não sei como se diz, arroba?

Luciano Pires: Arroba.

Alon Lavi: Não arroba. Alon… é…

Luciano Pires: Underline.

Alon Lavi: Underline, Lavi, underline.

Luciano Pires: Alon com “N”, “N” de navio.

Alon Lavi: Sim.

Luciano Pires: Alon_?

Alon Lavi: Lavi.

Luciano Pires: Lavi?

Alon Lavi: Underline mais uma vez por… então pode não ser… estar conosco, eu pessoalmente como Cônsul geral, muito aberto. Esta razão nós pedimos ser parte de Café Brasil, porque conhecemos que é um PodCast tradicional, importante, e estamos realmente abertos para falar com todo mundo. Então, por favor.

Luciano Pires: É meu caro. Vocês estão fazendo o jogo certo. Sabe? Que é aquela história, não há nada melhor que a comunicação para você resolver essas pendências aí, e é uma coisa que está faltando muito hoje em dia. Sabe? As pessoas estão se comunicando pessimamente mal, estão todas entrando com a desconfiança que porque é você, você vai mentir. Porque eu não gosto de você, logo tudo que você disser para mim não se aplica. Eu não vejo mais mérito nenhum em nenhuma ideia sua porque foi você que me deu. Entendeu? Isso é um horror, isso é o fim da capacidade de comunicação do ser humano. Sabe? É julgar o mérito de ideias dependendo de quem veio. Né? Se eu não gosto de você, nada do que vem… isso é terrível sabe. E quando você vem, opta por estimular o diálogo, falar, você não se negou a responder nenhuma pergunta minha, eu te avisei antes de começar o programa, falei: olha se eu tocar em algum assunto. Você falou: cara vai firme. Né? Então essa disposição pelo diálogo é fundamental e eu acho que é isso que vai acabar trazendo a paz.

Alon Lavi: Amem.

Luciano Pires: Que vocês precisam que o mundo precisa. Porque nós só temos a ganhar, a gente só tem a ganhar. Se a gente conseguir funcionar em harmonia aí o mundo inteiro vai ganhar e é por aí que a gente devia estar indo.

Alon Lavi: Exatamente.

Luciano Pires: Muito obrigado meu caro.

Alon Lavi: Obrigado você, Luciano.

Luciano Pires: Pela presença. Espero que a gente tenha a chance aí de se cruzar aí e conversar mais vezes.

Alon Lavi: Amem.

Luciano Pires: Grande abraço.

Alon Lavi: Muito obrigado pelo convite, foi um prazer.

Luciano Pires: Muito obrigado. Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição desse programa é exclusiva para assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium. Lembre-se, confraria.cafe.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.