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Luciano Pires -

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje trazemos Gabriel Lima, CEO da Enext, uma das mais jovens referências dos negócios digitais no Brasil. Autor do livro Líderes Digitais, um ensaio como gerir negócios digitais na visão de 21 líderes brasileiros. Muito bem, mais um LíderCast, outro convidado que chega para mim através de uma agência de comunicação. As agências sacaram qual é o caminho, mandam uns e-mails para mim, supereducados, Luciano, estou com uma dica aqui, tem uma pessoa assim, assim assado, e a gente vai especulando um pouco e acaba que alguns dos convidados excelentes têm chegado aqui através de agências. Então, se você tem uma agência de comunicação aí, está interessado, manda para a gente, entrando no perfil do programa, a gente convida e fazemos esse bate papo gostoso aqui do LíderCast. Né? Três perguntas para começar o programa, as únicas três que você não pode chutar, o resto você pode chutar à vontade, essas três não. Seu nome, sua idade e o quê que você faz?

Gabriel Lima: Legal, eu espero que eu acerte essas três primeiras. Né? Vamos lá, primeiro obrigado pela oportunidade da gente poder conversar, espero poder ser bastante produtivo aí, elucidativo para toda a audiência. Eu me chamo Gabriel, tenho 38 anos e eu sou publicitário de formação, e eu sou fundador de uma consultoria especializada em negócios digitais, chamada Enext. Empresa fundada lá em 2008, e desde então aí eu venho trabalhando nesse ambiente digital aí para ajudar as empresas e as organizações a acelerarem esse processo tão desafiador e que acabou recebendo uma iluminação muito grande aí durante a pandemia, por conta de todas as restrições aí de circulação e todos os desafios que a gente enfrentou.

Luciano Pires: Você está na crista da onda cara. Você nasceu aonde?

Gabriel Lima: Eu nasci em São Paulo aqui, em capital.

Luciano Pires: Tá.

Gabriel Lima: Mas eu fui criado em Arujá ali, aqui na região do Alto Tietê. Né?

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: E hoje por conta da pandemia eu moro em Santa Isabel que fica a 60 quilômetros mais ou menos de Arujá, mais para o interior ainda.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Que foi uma decisão que eu tomei com a minha família.

Luciano Pires: Nós vamos chegar ali, eu vou querer saber como é que você tomou essa decisão aí.

Gabriel Lima: Sim, sim.

Luciano Pires: Você… teu pai, tua mãe faziam o quê quando você era garoto?

Gabriel Lima: Meu pai é publicitário também, esse foi inclusive um dos motivos pelos quais eu acho que eu acabei seguindo aí o caminho, fui cursar publicidade na SPM. Meu pai também se formou na SPM, quer dizer, ele não chegou a se formar, isso foi na década de 70, no começo dos anos 70 ali.

Luciano Pires: Ele é da época de ouro da propaganda brasileira.

Gabriel Lima: Exatamente. E ele… mas ele trabalhava com revista, então ele trabalhou na revista da Varig, trabalhou na revista da VASP, entre outras revistas. E tem até um ditado curioso que eu ouvi nos Estados Unidos uma vez, que “a maçã nunca cai muito longe da árvore”.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Então acho que deve ter sido mais ou menos isso que acabou me fisgando aí para ir para esse ambiente da publicidade, mas. E minha mãe é arquiteta, e a minha mãe é arquiteta, minha esposa é arquiteta também. Então também, mais ou menos a mesma coisa acaba acontecendo.

Luciano Pires: Você tinha irmãos?

Gabriel Lima: Tenho um irmão que trabalha comigo que é um dos fundadores aí da Enext junto comigo.

Luciano Pires: Legal. Qual era o apelido que você tinha quando era criança?

Gabriel Lima: Olha. Eu nunca tive muito apelido, me chamavam de Ga.

Luciano Pires: Ga?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: Quê que o Ga queria fazer quando crescesse cara. Você já tinha essa ideia de que ia seguir os passos do seu pai? Ou imaginava uma outra coisa?

Gabriel Lima: Não. Eu assim, eu sempre fui muito curioso. Né? E eu queria no inicio ser – quando era bem pequeno – ser piloto de avião para poder viajar pelo mundo inteiro. Aquela percepção maluca que a gente tem quando é criança.

Luciano Pires: Criança pode tudo.

Gabriel Lima: Pode tudo.

Luciano Pires: Quem é a criança da minha idade que não quis ser astronauta cara?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: Eu quando crescer eu quero ser astronauta.

Gabriel Lima: Não. O mais curioso é que eu tenho medo de avião. Cada coisa que acontece na vida né? E eu queria, mas aí logo na época da adolescência, também jogava muito tênis quando eu era adolescente, passava o dia na quadra, à tarde na quadra jogando tênis. E aí também teve um dia que falei, cara não vou…

Luciano Pires: Não dá.

Gabriel Lima: Não, não dá. Têm pessoas que têm talento, têm pessoas que não têm talento e eu acho que eu vou focar meus esforços em outra coisa porque para ser tenista não tenho talento. E curioso que depois eu nunca mais joguei tênis na vida, foi tanto tênis que eu joguei, não… cheguei a ser confederado, tudo mais. Mas não…

Luciano Pires: Perdeu o gosto.

Gabriel Lima: Perdi o gosto.

Luciano Pires: Perdeu o gosto.

Gabriel Lima: Meu irmão ainda joga, e tudo mais. Eu não consigo. Curioso. Até agora na pandemia eu estou pensando em voltar porque é um esporte que é bom para jogar. Né?

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Fica do outro lado da quadra ali, tudo mais, mas não sei. E aí eu resolvi prestar vestibular para administração, economia e publicidade. Acabei passando em economia e em publicidade, e aí eu falei: olha eu acho que eu vou seguir publicidade, porque é uma área de negócio aí que eu tenho afinidade.

Luciano Pires: Teu pai deu força?

Gabriel Lima: Ele…

Luciano Pires: Não, não interferiu.

Gabriel Lima: Não interferiu. Ele falou: faz o que você achar que é melhor para você. E acabei seguindo aí nessa… mas o meu primeiro emprego foi no mercado financeiro, eu comecei trabalhando em banco.

Luciano Pires: Que ano era isso?

Gabriel Lima: Isso foi no começo dos anos 2000

Luciano Pires: Tá.

Gabriel Lima: Não consigo lembrar, de 2000/2001, alguma coisa assim.

Luciano Pires: Tá.

Gabriel Lima: Foi logo que eu entrei na faculdade. Eu já entrei na faculdade nos anos… eu fui passar um tempo nos Estados Unidos para fazer um intercâmbio aí no último ano e quando eu voltei para o Brasil, foi naquela loucura que teve que o Fernando Henrique estava numa pressão danada com o Gustavo Franco ali que… foi um dos negócios bem antigos, mas depois a gente vai passar para coisa mais bacana e mais nova. Né? Aí ele mandou o Gustavo Franco embora. Não sei se você lembra isso daí. O dólar que era 1, virou 2, do dia para a noite.

Luciano Pires: Eu lembro. Aquela loucura, e logo depois em 98 foi a reeleição dele, na sequência o dólar explodiu. Né?

Gabriel Lima: Isso.

Luciano Pires: 98 veio crise Russa, teve crise que não acaba mais. 2000 a virada do milênio, teve o bug do milênio. Que tem uma molecada ouvindo a gene aqui que não sabe direito o que é.

Gabriel Lima: Exato.

Luciano Pires: E aí teve o estouro da bolha. Né?

Gabriel Lima: Sim.

Luciano Pires: E a bolha estoura no começo de 2000. Em 2001 teve o atentado às Torres Gêmeas.

Gabriel Lima: Torres Gêmeas.

Luciano Pires: Na sequência estoura a bolha, quer dizer, cara, eram anos intensos. Eleição do Lula, tudo isso acontece uma atrás da outra. O que nós não tivemos na virada do milênio foi paz. Né cara?

Gabriel Lima: Não, a gente acha que a gente está vivendo uma época conturbada, tudo mais. Mas sempre foi né?

Luciano Pires: Cara. Eu tenho 64 anos de idade, bicho. Quando perguntam para mim como é que é o Brasil sem crise eu falo: eu não sei.

Gabriel Lima: É. Então, aí nessa trajetória, eu acabei indo para lá, mas mais uma crise, tudo mais. Meu pai falou que acabou o dinheiro, volta para o Brasil e tudo mais. Não dava. Voltei para o Brasil, entrei na faculdade. Eu acho que também fui sempre muito motivado por desafios. E aí, na época a SPM era a escola mais difícil que tinha de passar de publicidade. Essa daí que quero. A mais difícil.

Luciano Pires: Ótimo.

Gabriel Lima: Aí, trabalhar no mercado financeiro, na época eu lembro que na época tinha saído uma matéria na Veja que falava: o Citibank tem dois mil candidatos por vaga para o programa de estágio, mais concorrido que a faculdade de medicina, tudo mais. Eu falei: cara eu vou me candidatar nesse negócio aí. Me candidatei, passei e era o que eu queria. Não sei se era o que eu queria fazer ou não, mas era o desafio que eu queria ter, acabei entrando no mercado financeiro, gostei bastante.

Luciano Pires: No Citi? Você entrou no Citi?

Gabriel Lima: No Citibank, é.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Aí eu fiquei um tempo no Citi, uns três, quatro anos, mais ou menos. Foi uma puta experiência para mim, mas eu acho que o Citibank nem sabe que eu trabalhei lá, e isso era um negócio que também estava me deixando um pouco inquieto. Eu queria algo que fosse de fato relevante, que preenchesse a minha ânsia aí para fazer as coisas acontecerem. Aí eu tive uma oportunidade para ir trabalhar com o pessoal do Garantia. Né?

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: O Jorge Paulo Lemann, o Beto. Isso foi em 2004/2005 mais ou menos. E aí eu falei: esses caras construíram umas coisas muito interessantes, são pessoas inteligentes, acho que eu quero ver qual que vai ser o negócio deles. E fui trabalhar no Submarino. Ninguém nem sabia o que era o Submarino, eu também tinha tido pouco contato com internet até então, um pouco na época que eu morei nos Estados Unidos, um pouco trabalhando em banco, mas nunca comercialmente da forma como era o Submarino. E falei: não, eu vou muito mais pelos caras do que pelo modelo de negócio em si. Vamos ver qual é que é. E durante esse período eu tive a oportunidade de ter uma reunião com o Jorge Paulo Lemann, que ele dormiu, foi um negócio fantástico assim. Pô, até assim, na vida inteira, preparei apresentação, apresentar um modelo de negócio para o cara e tudo mais, aí ele dormiu, e depois aquela coisa… “Ah, desculpa, ele acabou de chegar da Suíça, estava cansado”. Ele ficou a dormindo assim na reunião. Foi uma cena curiosíssima, mas tudo bem, foi mais um aprendizado.

Luciano Pires: Faz parte cara. A molecada cresce assim.

Gabriel Lima: É. Exatamente, minha mão suando lá e o cara dormindo.

Luciano Pires: Eu ia até te perguntar, porque há uma lenda no mercado aí que diz que trabalhar nas empresas do Lemann é uma demanda…

Gabriel Lima: Absurda.

Luciano Pires: Bruta, ela te consome até o bagaço, né cara.

Gabriel Lima: Sim. Mas você aprende muito. Né?

Luciano Pires: Mas eu me lembro que teve uma vez uma entrevista que foi feita com ele e perguntaram isso para ele. Falou: como é que é? Como é que você tem a sua empresa, tem as pessoas que você tira até o bagaço da pessoa. Como é que você consegue? Ele falou: cara quem trabalha aqui já sabe a regar do jogo.

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: E aqui tem uma seleção natural, se o cara não vem para ficar até o bagaço, ele não fica. Quem está aqui é porque aceitou a regra do jogo e eu vou retribuir muito bem essas pessoas. Tanto que… outro dia eu vi um número aí que se pegar a relação dos 100 maiores bilionários brasileiros, cinco ou seis é da turma dele, que ficou bilionário junto com ele. Né?

Gabriel Lima: Exato.

Luciano Pires: Né?

Gabriel Lima: Assim, tem um negócio superbacana da época que eu estive lá, é que quando eu estava no banco, os recursos eles são meio que – você não tem noção direito do que as coisas estão acontecendo – se você precisa de alguma coisa, você vai lá, mostra o negócio e acontece. E eu tive um choque de realidade trabalhando como ele porque lá de fato você percebe que os recursos são limitados, e se você quer empreender, você quer montar um negócio, o Lemann te mostra como é que é. Que não é fácil, a vida não é fácil.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Então isso foi um processo interessantíssimo de aprendizado, de uma dinâmica completamente diferente. Então eu acho que o legal do meu processo evolutivo aí como profissional, foi que o banco me deu uma formalização muito boa, uma disciplina muito boa, a gente tinha até uma brincadeira que a gente falava no banco que a parte mais sensível do corpo das pessoas é o bolso.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Então a gente tinha que ter mais responsabilidade até do que médico. Né? Porque a gente estava lidando com esse ativo. E aí isso foi muito bacana por um lado. E um outro lado foi essa questão de fazer as coisas acontecerem, de empreendedorismo, de que não tem nada fácil, de que tudo é suado, que veio através de trabalhar numa empresa do… investida do Garantia.

Luciano Pires: Que idade você tinha quando você estava lá?

Gabriel Lima: Putz, eu devia ter… eu entrei lá com uns 23/24 anos mais ou menos.

Luciano Pires: Novinho ainda, ainda está…

Gabriel Lima: Novinho.

Luciano Pires: Tem muito gás para queimar lá. Né?

Gabriel Lima: Então…

Luciano Pires: Quanto tempo você ficou lá?

Gabriel Lima: Eu fiquei mais ou menos uns três, quatro anos lá também, aí eu saí em 2008, para montar o negócio da Enext. E por conta dessa pegada de empreendedorismo.

Luciano Pires: Então, deixa eu investigar isso aí um pouco. Teu pai era um publicitário, tua mãe era uma arquiteta. Tua mãe tinha a empresa dela ou trabalhava para alguém, como é que era?

Gabriel Lima: Não, minha mãe não exercia assim, ela ficava mais cuidando da gente.

Luciano Pires: Nenhum dos dois então…? O bichinho do empreendedor não estava na tua casa?

Gabriel Lima: Não.

Luciano Pires: O empreendedorismo estava lá?

Gabriel Lima: O meu pai sim, ele acabou saindo e montando os negócios deles, o meu avô também é empreendedor, avô por parte de mãe, tinha uma corretora de seguros que era a maior da região, então.

Luciano Pires: Então já tinha uma coisa no sangue aí.

Gabriel Lima: Já tinha.

Luciano Pires: Porque você começa, Citibank, as empresas do Lemann. Bicho, dá para fazer uma carreira fabulosa nesses dois lugares aí cara. Você pode ficar a vida inteira lá dentro e sair muito bem, fazendo acontecer, empreendendo internamente. Dá para fazer uma carreira maravilhosa. Né? Mas garotão, na pinta da onda, de repente você acorda um dia, abre a janela, uma luz vem e fala alô, é hora de montar teu próprio negócio. Como é que foi isso?

Gabriel Lima: Não. Nunca é tão simples assim. Né? Nunca é estalo. Né? Ah, não, Big Bang. Não, assim, não. Tudo é processo eu acho. É uma coisa atrás da outra e eu nessa eu época trabalhava no Rio de Janeiro, morava no Rio de Janeiro, na B2W, que era a empresa que tinha comprado o Submarino, e eu via que… Um negócio muito interessante, que tinha um processo de aceleração e crescimento muito grande das vendas on-line. Né? E muitas empresas procuravam a gente lá para: cara me ajuda a montar o e-commerce, me ajuda a montar, estruturar minha operação digital. Como é que eu faço para poder fazer negócio digital? E aí eu falei: essa demanda é bastante grande, acho que tem chance de eu errar. Se eu sair, montar meu negócio, alguns clientes eu devo pegar. E de fato, em 2008, que foi no meio de crise, eu pedi as contas em julho de 2008, a crise estourou em…

Luciano Pires: Setembro.

Gabriel Lima: Setembro cara.

Luciano Pires: Eu sei por que eu pedi minhas contas em abril de 2008, montei um negócio, em setembro o mundo acabou. Meu negócio de palestra acabou em setembro. Né?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: Eu lembro perfeitamente, 2008 foi um ano complicadíssimo cara.

Gabriel Lima: Mas eu acho que foi curioso, porque as crises são momentos de reinvenção também. Né?

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: E nessa época muitas empresas falaram: pô quanto custa para poder montar um? Cara é barato para você montar uma operação. Relativamente, né? E a gente tinha muitos varejistas, muito contato com varejistas, e aí é mais barato do que abrir uma loja no shopping. Vamos tentar? Vamos tentar e estava num processo de crescimento e acabamos conseguindo alguns clientes aí e o negócio foi indo super bem.

Luciano Pires: Você tinha uma espécie de uma consultoria, é isso?

Gabriel Lima: Sim.

Luciano Pires: Você prestava uma consultoria.

Gabriel Lima: Iniciou como uma consultoria para poder ajudar as empresas a estruturarem seus processos de negócios digitais.

Luciano Pires: Você estava sozinho? Tinha alguém com você?

Gabriel Lima: Primeiro era eu sozinho. Era o embrião do que a gente hoje chama de transformação digital, e tudo mais. Né?

Luciano Pires: Sim, sim.

Gabriel Lima: Naquela época não tinha esse nome tão destacado que nem tem hoje. Era muito mais tático mesmo, muito mais operacional. E aí eu comecei numa salinha bem pequena, devia ter uns três, quatro metros quadrados de fato, a sala no Itaim aqui em São Paulo. E em três meses, quatro meses – o meu irmão trabalhava no Santander também, no banco, na mesa de operações – e ele falou: cara, está muito louco isso daqui, não consigo dormir e tudo mais, correndo. Eu falei: meu, estou com uma demanda muito grande aqui, vem para cá, vem trabalhar junto comigo. Foi aí que ele veio, que a gente formalizou a empresa e que a gente começou de fato o negócio. E aí foi indo, hoje são…

Luciano Pires: 2008 tudo isso aí?

Gabriel Lima: Isso foi… é, o Dante acabou entrando no comecinho de 2009 aí, no final de 2008, começo de 2009 que foram acho que eu peguei um projeto, dois projetos, estava lá, que estava sozinho. Aí começou a chegar o terceiro, quarto e: cara você vai precisar me ajudar e aí a gente começou a…

Luciano Pires: Você diria que você chegou na hora certa cara? Você pegou… porque é uma coisa, se você tivesse começado isso um pouco antes, você ia pegar um mercado que não tinha a menor ideia do que era e-commerce, e aí você ia ter que evangelizar os caras. Né? Cara senta que eu vou te explicar o que é, é assim que funciona. Depois que vários entram, a turma começa a olhar, os caras estão ganhando dinheiro, está dando certo. Espera aí, eu também quero. E aí cria-se uma demanda gigantesca. Foi nessa faze que você entrou?

Gabriel Lima: Não, eu entrei um pouco antes, eu precisei conversar com muita gente, explicar para muita gente.

Luciano Pires: Você foi evangelizar as pessoas?

Gabriel Lima: É e aí você ainda pega um moleque de 27/28 anos falando sobre isso daí, fala: cara eu vou montar um negócio que vai representar 5% do teu negócio em três anos, ninguém acreditava. Né?

Luciano Pires: Não.

Gabriel Lima: Foi difícil.

Luciano Pires: Mas não mesmo.

Gabriel Lima: Poucas gentes, poucas pessoas acred… aí, mas a partir de 2010 essa inflexão mudou, que foi quando a gente teve um volume de investimentos massivo de fora para empresas de tecnologia, foi na época que surgiu a Dafit, foi na época que a Netshoes bombou.

Luciano Pires: Quando as Fintechs amadureceram todas também né? Sistema de pagamento.

Gabriel Lima: Isso, exato. Foi quando elas passaram a dar uma experiência consistente, segura e que… A gente tem que associar aí outro fator também, que nessa época a gente já estava com um percentual da população na casa dos 40 a 50% conectado. Né?

Luciano Pires: Tá.

Gabriel Lima: Através de… seja através de dispositivos móveis ou seja através de desktop. E também foi na época que começou a ter uma aceleração do processo de adoção dos Smartphones, então foi meio que uma conjuntura aí. Amadurecimento da tecnologia e uma escala que permitia com que os negócios de fato crescessem.

Luciano Pires: A cultura também, a cultura começa a admitir. Eu sei exatamente o que você está falando. Tá? Porque eu estava vivendo no olho do furacão, meu negócio é PodCast e foi quando o PodCast começou a…  até então era um nó aquilo lá, de repente o pessoal descobriu que no bolso ele tinha o acesso. Entra o Smartphone, o Smartphone que bota no bolso do cara o acesso ao mundo, ele começa a mudar tudo a partir do amadurecimento da tecnologia. Esse é um ponto interessante aí, quer dizer, muitas vezes a gente tem até a visão do que a gente quer, mas você não consegue implementar porque a tecnologia não chegou lá ainda. E eu me lembro que, cara, eu estava discutindo naquela época, há muito tempo atrás, cara, acho que 12/14 anos atrás o lance de criar uma assinatura para PodCast, mas o dinheiro era tão pouco, assinatura era tão pouquinho dinheiro, e era tão complexo você passar um cartão de crédito pela internet que o negócio não funcionava. Até que, de repente, lá por 2010/2011 a coisa: ó, está maduro o suficiente para a gente começar a fazer. E acho que foi em 2018 ou 2017, que aí explodiu de vez, assinatura recorrente e tudo mais. Então passou a ser muito fácil você fazer pequenas operações, baratas, movendo pouco dinheiro e pagando pouco por isso, o custo da operação passou a ser… a tecnologia chegou no ponto. Né?

Gabriel Lima: Exato.

Luciano Pires: E aí dá para você inventar moda, aí vamos inventar à vontade. Né?

Gabriel Lima: Exato. É, e tem até uma teoria acadêmica que fala que a tecnologia ela vai reduzindo muito o custo ao longo do tempo.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: E ela vai melhorando também e aí isso gerou um impacto muito positivo no mercado, porque de fato ficou mais barato e muito melhor. Então além da experiência ela ser consistente, ficou barato para as empresas poderem operar isso aí. Inclusive, esse foi um dos motivos pelos quais eu resolvi escrever o livro, o Líderes Digitais, porque ao longo dos 10 primeiros anos do negócio, de 2008 até 2018, que você mencionou, a tecnologia era um dos principais fatores de diferencial competitivo, era custoso, você tinha que ter um investimento em cima desse negócio para poder – não custoso do ponto de vista de preço de custo, mas de energia da organização para poder fazer com que esse negócio funcionasse. E depois disso deixou de ser, e aí eu comecei a me perguntar: o quê que é que está fazendo de fato com que as empresas elas consigam ter uma performance superior? Consigam se sobressair em relação às outras dentro desse mercado. E a única reposta que eu cheguei foi a liderança, as pessoas que guiam essas organizações, que tomam as decisões, que engajam as pessoas, que fazem com que esse negócio aconteça. Né?

Luciano Pires: Que é tudo aquilo que o dinheiro não compra.

Gabriel Lima: Exato.

Luciano Pires: Dinheiro não pode comprar. O resto, a tecnologia dinheiro compra, cara, tendo grana dá aqui que vai.

Gabriel Lima: Exato.

Luciano Pires: Agora o que fazer com ela, como lidar com ela, como não deixar que ela seja mais importante do que a relação entre as pessoas é que é o nó da… mas nós vamos chegar no teu livro ainda. Deixa eu só esgotar essa coisa desse amadurecimento dessa tecnologia e tudo mais. Então você teve que catequizar algumas pessoas, mas você tinha cases na mão, você já tinha coisa para mostrar, já tinha empresas começando a acontecer. E eu me lembro que quando estava assim na era de ouro do mercado olhar para o digital e falar: cara têm grandes caminhos. Então os caras contavam umas histórias lá, iam montar lojas, que as lojas iam acabar. Eu tive um embate uma vez com um cara da GM, foi terrível, num evento onde os caras dizendo: porque nós estamos à frente, que papapá. E eu teimando com o cara que era impossível comprar um carro pela internet. E ele: é possível. Bom, nós chegamos quase que a apostar um automóvel ali na hora. E eu dizendo para ele: cara não dá para comprar um carro na internet. Eu sabia que não dava, porque você não conseguia terminar a operação. Você podia até ver o carro, escolher o que você queria, a cor, etc. e tal. Mas na hora de comprar não tinha como, não tinha como fazer a… transacionar ali. Né? E era esse o meu ponto lá. Mas se desenhava uma coisa fabulosa. E um monte de gente quebrou a cara, porque achou que era só… transição digital era só, bota aqui, faz um sitezinho legal, põe. E cara esqueceram que tem todo uma operação por trás, não só operação da loja em si, da mecânica, da fintech, do pagamento, tudo mais, como uma operação logística que não é igual à operação da loja. Não estamos na loja vendendo. Né? Você passou por isso, esse teu processo de ajudar os caras a implementar as lojas também tratava da questão logística de…?

Gabriel Lima: Sim.

Luciano Pires: Era o [break and worter 00:23:00] e digital ao mesmo tempo? As duas coisas?

Gabriel Lima: Demais. Putz, foi um dos… a questão logística também foi um desafio muito grande aí durante esse início. Hoje ela está muito bem resolvida também. Eu, entre os anos de 2017 e esse ano aqui, eu tive uma experiência extremamente interessante, que eu fui membro de um conselho da Unido, que é um dos braços da ONU, para poder tratar sobre comércio eletrônico e negócios digitais entre os países BRICS, tive a oportunidade de conhecer o mundo inteiro por isso também.

Luciano Pires: Legal.

Gabriel Lima: E acho que realizei meu sonho de ser piloto de avião aí nesse sentido. Fui para a Índia, fui para a China, fui para a Áustria, todos esses lugares representando o Brasil e falando sobre a nossa realidade de comércio eletrônico e de como que a gente realiza os negócios digitais por aqui. E aí a gente tinha mesas de discussões entre os países e a gente sempre comparava a infraestrutura de um com a infraestrutura de outro. E quando a gente olha a parte de infraestrutura logística do Brasil, tirando a China desses países BRICS, a gente é melhor que todos os outros. A gente é muito melhor do que a Rússia, a gente é muito… a Índia então…

Luciano Pires: Nem se fala.

Gabriel Lima: Nem se fala. A África do Sul a gente é melhor, apesar de tudo a gente tem uma infraestrutura melhor do que a da África do Sul.

Luciano Pires: E você não está se referindo a Sul, Sudeste e litoral?

Gabriel Lima: Não.

Luciano Pires: Você está falando do Brasil como Brasil?

Gabriel Lima: Estou falando, assim, óbvio que quando você vai falar da Amazônia, aí é…

Luciano Pires: Sim, mas não é o extremo de lá, nem e o extremo de cá? Está se referindo às capitais todas?

Gabriel Lima: É. Não, a infraestrutura… pô a gente, assim, eu não sei, você vai para o Nordeste, cara têm cidades incríveis. Você pega Fortaleza é ótima, você pega Recife é ótima. Cara assim a gente tem os nossos desafios? Obviamente que a gente tem os nossos desafios, mas a gente tem condição de construir. A gente tem clientes nossos que são varejistas na região Norte/Nordeste que estão indo extremamente bem na operação digital. A gente, óbvio, têm os desafios, a gente não tem a mesma… se a gente quiser comparar a nossa infraestrutura com a infraestrutura dos Estados Unidos a gente não vai conseguir.

Luciano Pires: Claro.

Gabriel Lima: É outra realidade. Mas a gente tem, a gente tem essas competências. Então, alguns dos processos logísticos e operacionais eles foram ajustados aí e faz com que a gente não esteja tão atrás. Cara, eu considero, inclusive, que a gente está, mesmo nesse do… nesse grupo de países do mediterrâneo, de países de alguns países desenvolvidos periféricos ali, a gente tem as mesmas condições aí hoje para poder atuar, tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista de infraestrutura. Mas o desafio de fato que a gente tem no Brasil é o fiscal e o burocrático. Né?

Luciano Pires: Sim. Exatamente.

Gabriel Lima: Esse daí, cara, eu estava na China, no Instituto de Estudos Econômicos, Socioeconômicos de Xangai, fazendo a apresentação do comércio eletrônico brasileiro, na mesa tinha um russo, tinha um indiano, tinha um representante da ONU, americano e tudo mais. E aí estava passando os slides, mostrando os cases, mostrando os exemplos, eu falei assim: olha pessoal, agora eu vou entrar numa questão tributária, a questão tributária do Brasil de fato é a mais complexa, e a mais complexa de todos os países. O indiano deu risada, falou: cara, você não sabe como é que é a tributação na Índia. O chinês deu risada também, falou: a gente é um país comunista. Deu risada e tudo mais. Aí eu falei: então vou explicar. Aí eu comecei a explicar, eu olhava para todo mundo em silêncio assim, olhando né. Aí terminou o negócio, falei: não, mas o que aconteceu? Aí todo mundo: mas não é possível que essa daí é a estrutura do Brasil. Falei: cara, olha eu acho que eu expliquei direito, não tenho certeza se eu consegui cobrir tudo.

Luciano Pires: Eles tomaram contato com o manicômio tributário brasileiro.

Gabriel Lima: Cara, surreal, a galera falou: não é possível.

Luciano Pires: É.

Gabriel Lima: Então, de fato, aí eles foram lá, principal problema do Brasil, fiscal e tributação. Check. E o mais louco de tudo, que isso é um problema que nós criamos.

Luciano Pires: Claro. De novo, e é um problema que o dinheiro não compra. A infraestrutura você resolve com grana, dinheiro e investimento, isso aí é discussão política, é interesse, é lobby, é lei. O negócio vai longe.

Gabriel Lima: Então, e aí durante esse período inclusive, eu visitei Brasília algumas vezes para falar sobre isso daí. Assim, até tem um interesse genuíno do Governo Federal de querer desamarrar – não é nem só desse, é de outros governos também – desamarrar essa questão tributária brasileira. Pior que não… guerra fiscal entre estados, isso aí eu não tenho solução para a gente poder desamarrar, porque é muito complexo, muito complexo.

Luciano Pires: Você… nós estávamos em 2008, você parou ali em 2008. Você montou tua empresa e vem com ela de lá para cá. Já são, [vai indo 00:28:07]  para 12 anos agora, 12 anos com ela aí. E você viveu o boom da tecnologia, o boom da internet, a gente… eu me lembro de… cara, no final, um pouco antes, no final dos anos 90 cara, eu estava nas montadoras e criei uma palestra chamada “E-Agora?”, era o nome dela. “E”, traço agora. Falando agora, você fala: ah, eu já vi essa bobagem. Em mil novecentos e noventa e poucos ninguém sabia. E lá eu fui, eu apresentava para os caras: o quê que era esse treco que estava aparecendo? Essa coisa de internet. Né? E eu me lembro que eu abri a palestra mostrando quem eram os caras que estavam à frente, então tem um chinesinho no Yahoo, o fulano… tudo uma molecada né? Tudo garotada, e falava: eu vou mostrar para vocês agora uma coisa que tem a ver com esses moleques. Então a veiarada que está aí, cuidado que eu vou contar uma história dos moleques. E ali eu contava o que era a Amazon, os caras não fazia ideia, sabe. E eu contava qual era o processo de comprar um livro na Amazon. É assim que funciona, tatá e o sistema aprende que é você, ele vai te… ficava todo mundo maravilhado com aquilo, né. E ali tinha um gráfico que mostrava o quê que ia acontecer. Uma dessas consultorias gigantescas mostrou o quê que ia acontecer, e ele apontava para um determinado momento, a partir de 2005/2006, alguma coisa assim, que a internet cresceria, teria uma implosão, um monte de gente ia quebrar, ia cair depois ela retomava e vinha um treco chamado pós-internet. Que os caras não sabiam direito o que era ainda. Né? Mas que a gente acabou assistindo. Quer dizer, o momento em que ela se incorpora no dia a dia da gente, que você olha hoje e não consegue imaginar: como será que era a vida sem o celular na mão? Sem o Smartphone. Como é que eu vivia sem banco, sem ter um caixa automático, né? Como é que eu sobrevivia sem… eu estou prestes a parar de usar dinheiro nesse momento aqui. E você vivenciou exatamente esse momento. Quer dizer, ficou madura a tecnologia, vamos pegar e o mercado vem como um todo. E me parece que nesse momento aqui nós estamos vivendo o momento da transição, quando toda aquela geração antiga está desaparecendo e a geração nova está retomando. Então as duas coisas estão se cruzando, você tem esse digital exuberante chegando e ao mesmo tempo o tijolo e cimento que não terminou ainda, tem grandes empresas e tudo mais, mas tem um momento de transição. E eu estou fazendo essa introdução aqui para chegar no lance da liderança que você abordou ali. Né? Você conseguiu ao longo desse tempo aqui. Você vê claramente essas duas ondas? A onda que está – eu não quero dizer terminando –, mas a onda que está perdendo a força dela, e essa onda nova chegando e as duas se cruzando com todo problema de geração, de entendimento, o velhinho de 64 anos que não sabe ligar o celular e eu aqui que com 64 estou pulando para lá e para cá. Quer dizer, tem mil e uma gerações se cruzando ali. Você conseguiu vivenciar isso?

Gabriel Lima: Sim. Eu acho que tem dois fatos muito interessantes aí nisso que você está mencionando. Eu acho que o primeiro deles é o seguinte: a gente fala do processo de transformação digital e de que inteligência artificial vai chegar, e na internet… cara isso já é nossa vida, a tem um mundo hoje… informação do Banco Mundial, tem 7 bilhões de pessoas, sendo que dessas, 4 bilhões de pessoas têm um dispositivo móvel.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Ou seja, praticamente toda a população economicamente ativa. Se descontar criança e você descontar os muito idosos e aqueles que hoje infelizmente estão muito abaixo da linha de pobreza, tudo mundo está conectado.

Luciano Pires: 4 bilhões você falou?

Gabriel Lima: 4 bilhões de telefones celulares, e Smartphones são 3 bilhões.

Luciano Pires: Mais quatro? Não?

Gabriel Lima: Não. São dentro desses quatro.

Luciano Pires: Desses quatro 3 bilhões?

Gabriel Lima: 3 bilhões de Smartphones.

Luciano Pires: 3 bilhões. É por isso que eu afirmo categoricamente para você que disco voador não existe.

Gabriel Lima: Se tivesse alguém já tinha batido foto né? Com certeza.

Luciano Pires: Com 3 bilhões de câmeras fotográficas cara. Como é que ninguém fotografou o Saci-Pererê até agora?

Gabriel Lima: Com certeza.

Luciano Pires: Ou disco voador, né? Interessante.

Gabriel Lima: Inclusive têm muitas coisas que acontecem hoje e que a gente fala assim: meu Deus, mas porque tanta queimada na Amazônia? Tanta… absurdos. Tanta violência. Não, o mundo era muito pior, é que agora as pessoas estão batendo foto…

Luciano Pires: Vai para a mídia né? Agora vai para a mídia.

Gabriel Lima: É. E vai para a mídia. Né? Então assim, eu obviamente que eu sou totalmente a favor de que essas coisas não aconteçam, mas só que não é que agora está tendo mais, é simplesmente porque está aparecendo mais. Né?

Luciano Pires: Você sabe que eu me peguei essa semana curioso, que eu estava vendo alguma notícia na televisão, não lembro o que é que foi. Acho que foi uma notícia… alguém que foi atacado, alguma coisa assim. Eu não me lembro exatamente o que era a notícia. E quando a notícia começou eu falei, fiquei me preparando para ver as imagens. Só que não tinha imagem. E aí eu me paguei e falei: mas como não tem imagem?

Gabriel Lima: Estranho.

Luciano Pires: Não tinha uma câmera qualquer pegando? Nós já estamos achando… a normalidade é que os acontecimentos sejam registrados normalmente. Né?

Gabriel Lima: 1984.

Luciano Pires: E quando não acontece. Como é que ninguém filmou cara? Não tinha ninguém para fotografar? Né?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: Um desafio do outro mundo.

Gabriel Lima: Eu acho que de fato 1984 está acontecendo, eu só espero que isso daí… e no final do dia infelizmente já está sendo controlado também. Então eu só espero que a gente consiga fazer cada vez mais bem em cima disso ao invés de…

Luciano Pires: Mas eu cortei o teu raciocínio aí. Você ia falando da…

Gabriel Lima: Então, aí você tem essa primeira questão que está associada a esses processos de transformação digital, que para mim não é mais transformação, já aconteceu e a própria inteligência artificial que… isso aqui, o celular, esses devices que tem, já são uma extensão do nosso corpo e consequentemente já é uma inteligência artificial. A gente raciocina através disso, a gente pesquisa através disso, a gente faz conta através disso, a gente se comunica através disso. Já é uma inteligência artificial.

Luciano Pires: Sim, mas já nos liberou… vou fazer uma provocação para quem está nos ouvindo aqui. Quantos telefones de amigo seu ou parente seu você lembra sem olhar a agenda do celular?

Gabriel Lima: Nenhum.

Luciano Pires: Cara.

Gabriel Lima: Nenhum, o único que eu lembrava até pouco tempo atrás era o número da casa dos meus pais, que era o mesmo desde criança, eles mudaram, agora eu não sei mais.

Luciano Pires: Você transferiu isso aí para o teu aparelho celular.

Gabriel Lima: Transferi. Então. Isso é um desafio muito grande. Aí é esse que é o ponto assim, essa etapa já se pulou. A gente tem que conviver com isso que está acontecendo e nos adaptar para essa realidade. E aí o segundo aspecto que você mencionou, o choque das gerações. Eu vejo esse negócio muito mais positivo. Por quê? Por mais que no final do dia você tem uma geração nativa digital que está aí nascendo e que está trazendo toda essa… você tem o outro lado da moeda que é a experiência, que é a capacidade de gestão, a capacidade de relações humanas. Isso aí não muda, isso daí é… e assim, não tem como você colocar esse tipo de coisa numa pessoa de… eu sei por que eu vivi isso, eu comecei a empreender com 27/28 anos, e a maturidade que eu tenho hoje ela é muito maior do ponto de vista de gestão e de… e eu ainda estou aprendendo.

Luciano Pires: Quando você olha para trás, você fala: olha só, as cagadas, como era teimoso cara.

Gabriel Lima: Exato. Então eu enxergo muito mais como uma simbiose, uma integração, uma intersecção, uma sinergia que gera de forma positiva do relacionamento, do encontro das gerações para a construção das soluções do que, ah não, o que é velho já era e o que é novo agora é o que vai… ah cara, não, não é assim…

Luciano Pires: Esse é o papel da liderança cara. Você quando tem uma empresa que tem um líder que saca isso, ele quer esse choque. Choque que eu quero dizer, as duas culturas trombando uma com a outra, aquilo gera alguma coisa. Pode gerar energia para um conflito terrível, ou energia para ação.

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: O líder que saca isso ele fala: eu quero esse… vamos combinar as coisas, eu quero o velhinho junto com o garotão, vamos juntar os dois para ver se eu obtenho no final, sabe, a energia, a capacidade de correr risco, a inventividade do garoto com a experiência, com a, sabe. Quando você consegue juntar as duas coisas você tem o melhor dos mundos ali. Né?

Gabriel Lima: É. No final do dia, as melhores decisões são sempre aquelas que são colegiadas, e você tem que acabar ouvindo todos os participantes do processo. As gerações diferentes elas se complementam muito nesse sentido, e acho que isso é um ativo muito importante das organizações. Inclusive essas novas organizações, esses unicórnios aí que estão surgindo, que estão falando tanto, assim, é importante que eles tenham também o outro lado da vida e coloquem na mesa. Como que eu faço para poder complementar isso? Acho que assim, esse é um dos ativos muito importantes que eu acho que eu consegui extrair aí da pesquisa que foi feita para o livro nesse sentido, cara acho que tem… todo mundo é relevante nesse…

Luciano Pires: Aquela experiência da ONU te ajudou nesse lance de concluir que você devia escrever o livro?

Gabriel Lima: Ajudou, com certeza, uma parte do entendimento que eu tive de que tecnologia não era mais o diferencial competitivo, e que sim, as pessoas, e a organização das pessoas para poder fazer com que os negócios digitais fossem bem-sucedidos, foi de parte das discussões aí, das conversas multilaterais que aconteceram nesse ambiente.

Luciano Pires: Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar ao transformar o seu Smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Para assinar acesse confraria.cafe, de novo, confraria.cafe, lá você conhecerá os planos para se tornar um assinante e ter acesso exclusivo aos bastidores da temporada do LíderCast e a muito conteúdo original. Além disso, contribuirá ativamente para que este conteúdo chegue para muito mais gente gratuitamente, tem um plano lá que custa doze reais por mês, cara, doze reais, uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro fará com que você nos ajude a continuar crescendo e fazendo com que nossa voz seja ouvida por mais gente, você estará contribuindo ativamente com nossa causa pela da defesa da liberdade e da independência individual. De novo, vem para cá, confraria.cafe. Deixa eu explorar uma coisa então, essa tua experiência grande que você tem aí. Eu costumo dizer o seguinte, você consegue entender o espírito, o Zeitgeist, conforme a época que você está vivendo. Então, se você olhar, o Brasil dos anos 50 cara, era um Brasil que não tinha limite, a gente ia conquistar o mundo. Nos anos 50 a gente era campeão mundial de futebol, campeão mundial de tênis, campeão mundial de basquete, Cinema Novo para surgir, Bossa Nova cara, Brasília sendo… uma loucura. Aquilo tudo aconteceu… na virada dos 50 até meados dos 60 o Brasil era uma loucura, tinha um conhecimento muito claro, o Zeitgeist que ninguém segurava a gente. 64 para a frente muda o Zeitgeist. Né? Regime militar, a coisa muda. Então a gente consegue ir vendo cada momento da história do país o Zeitgeist. Se você perguntar para mim qual é o Zeitgeist de hoje, sabe, qual é o espírito da época de hoje. É um espírito crítico de montão, amargurado, você liga a televisão é um horror, vai tudo acabar, sabe, está tudo ruim. Se você elogiar alguma coisa você toma porrada, se você falar mal você toma porrada também. É uma bateção de cabeça de lado a lado. Aí você sai do Brasil e começa a viajar e vai para outros países. E começa a ter uma percepção de Brasil olhando de fora. Eu não digo nem das pessoas de fora falando para você sobre o teu país, eu digo você sair da realidade aqui, cai na realidade de lá e fala: cara olha o lugar que eu estou bicho, eu achava que isso aqui era o suprassumo e acabo de descobrir que isso é um horror cara. O Brasil é muito melhor que eles. E a gente começa a valorizar o que tem aqui quando começa a fazer uma comparação lá fora. Evidentemente tem coisa que é muito melhor do que nós temos aqui, e têm coisas que mostra que a gente está muito à frente, como você acabou de comentar aí. Né? Como é que isso impactou a tua visão de Brasil? Como é que você via o país que você vive, antes de esse período que você vivenciou lá fora? E como é que você vê hoje? Depois que você olhou? Mudou a tua percepção do país?

Gabriel Lima: Assim, eu sempre… muito interessante essa pergunta, mas eu sempre fui um cara muito positivo com relação ao Brasil, eu acho que eu costumo ver o nosso copo como país sempre meio cheio. E eu acho assim, não sei se esse processo da ONU em si tenha ajudado a melhorar, mas com certeza me ajudou a ter mais referências. Tem uma frase do Caetano, que tirando todas as… têm várias coisas que eu não concordo, algumas coisas que eu acho muito interessante eu gosto muito dele musicalmente também, que eu acho muito boa que a gente tinha que parar de olhar as soluções de fora para resolver os problemas do Brasil e começar a ver as soluções do Brasil para resolver os problemas lá de fora. E eu acho que isso é um negócio que a gente poderia começar a fazer. Mas a gente é uma Nação plural, a gente é uma Nação grande, é uma Nação continental, que tudo mundo fala a mesma língua, quer queira, quer não as pessoas se gostam mais que em outras partes do mundo, a gente é um país muito feliz, e que…

Luciano Pires: Uma democracia adolescente. Uma democracia adolescente.

Gabriel Lima: Por mais que tenha todos os desafios, cara, ainda é uma democracia.

Luciano Pires: É.

Gabriel Lima: A gente tem que filtrar muito do que se passa na mídia também, para a gente poder tomar as nossas próprias decisões, ouvir os dois lados da moeda. A gente tem muita coisa, muito boa. Durante a pandemia agora a gente teve um processo de distribuição de renda que vai fazer com que o Brasil seja uma das economias do mundo que tenha o menor índice de queda do PIB.

Luciano Pires: Já saiu agora né?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: O trimestre deu 1,5 né? Tudo mundo caindo.

Gabriel Lima: Incrível. Têm os problemas? Óbvio que têm os problemas. Mas não existe outro país do mundo, a gente tem um modelo formatado de distribuição aí, a gente tem o CPF, a gente tem muito… tem o PIX agora que está saindo. A gente tem coisas incríveis. A gente teve um processo de digitalização e bancarização também da população, muito grande. O cara que não tinha acesso a conta no banco, a gente colocou 15 milhões de pessoas. A gente bancarizou 15 milhões de pessoas no meio da pandemia. Esse cara vai continuar tendo acesso ao banco, porque ele só vai receber através do processo digital. Isso é fantástico, nenhum outro país do mundo conseguiu fazer esse negócio, Estados Unidos está batendo cabeça, Europa está se dando mal, a China tem todos os desafios dela que a gente não sabe direito o que é que está acontecendo, e a gente fez isso daqui aqui. Então eu acho que assim, a gente também tem um outro lado muito crítico nosso em relação às coisas que a gente tem. Cara precisa começar um pouco mais… pô vamos fazer esse negócio acontecer em conjunto.

Luciano Pires: Vamos celebrar né cara? Hein?

Gabriel Lima: É, pois é.

Luciano Pires: Pô vamos celebrar, se aconteceu um negócio bom cara, legal.

Gabriel Lima: Então eu acho que isso é um negócio muito positivo, e eu não… eu acho que a gente tem que procurar muito mais mostrar soluções daquilo que a gente conseguiu fazer, para fora, do que as pessoas ficarem só… todo mundo vai querer reclamar dos problemas. Se tudo mundo ficar reclamando dos problemas dos outros, o cara está levando vantagem com você na negociação.

Luciano Pires: Tem uma palestra agora com base, eu fiz um curso chamado Produtividade Antifrágil, que eu lancei durante a pandemia, e montei uma palestra chamada Planejamento Antifrágil, que a ideia era vamos discutir planejar para ficar imune a esse tipo de problema e tudo mais. E tem momento ali que eu falo cara, uma das coisas que tem que fazer é tratar do enquadramento para as coisas. Que janela você escolhe para olhar a realidade? E eu dou alguns exemplos legais, e um dos exemplos é o seguinte: pandemia vai, eu posso olhar a pandemia sob o ponto de vista de 3% de mortos, ou 97% de…

Gabriel Lima: Sobreviventes.

Luciano Pires: Sobreviventes, e que se livraram da pandemia. Bom, nenhum dos dois pontos nega o outro, se eu olhar para 97 sobreviventes, continua tendo 3% de mortos. E a recíproca é verdadeira. Então nenhum dos dois nega o problema, e nenhum dos dois… agora quando você escolhe olhar para um, olhar para o outro, isso impacta a tua atitude com relação ao mundo imediatamente cara. Se eu só vou olhar do ponto de vista dos 3% de mortes, vou ficar trancado em casa, não vou querer me mexer. Cara para a tua vida porque você corre risco de vida. Se eu olhar do ponto de vista dos 97% de sobreviventes. Pô acho que tem saída né? Acho que dá um jeito, dá para a vida continuar, dá para continuar a mexer. Mas tem uma escolha de enquadramento, e quando você escolhe ali onde é que eu vou olhar. Se eu ligo a televisão, a televisão só me mostra a janela dos 3% de mortes, parece que ela vive disso. E se você cair nessa armadilha, você vai acabar entrando na histeria e aí vou pedir para você tomar decisões no meio da histeria. E você sabe o que acontece né cara? Nunca sai direito né?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: Vamos pegar o embalo agora e falar um pouquinho da pandemia. Eu fazendo uma pesquisa agora esses dias, fui pegar… eu peguei um trabalho do World Economic Forum, que era um trabalho de Risk Assessment, eles iam falar sobre o risco, conversaram com 10 mil tomadores de opinião em 2019 no mundo inteiro. E concluem ali que cada 10 que eles falavam, acho que 9 diziam que havia uma preocupação com o problema econômico no futuro, que ia haver problemas sérios que iam impactar a economia grandemente e que esses problemas tinham a ver com mudança de…

Gabriel Lima: Clima.

Luciano Pires: De clima, com a incapacidade de lidar com essas mudanças. Então os caras botaram uma série, e ninguém falou em pandemia. Não tinha, até a pandemia, se tivesse estava lá no fundo, aquilo não constou cara. E eu estou falando de 2019 e de 10 mil tomadores de opinião, formadores de opinião do mundo. A pandemia não estava no jogo. E de repente ela chega e vira o mundo de ponta cabeça. Primeira reação, cara, perplexidade total, ninguém sabia o que estava acontecendo, a gente ia morrer. E de repente a gente começa a se ajeitar e vamos dar um jeito, e aí que surgiu essa transformação digital pela goela, quer dizer, querendo ou não você vai ter que começar a ter que tomar conta dela. E o resultado depois que a gente olha seis meses de pandemia, você vê que cara, derrubaram-se barreiras terríveis. Empresas que questionavam home office estão abraçando, empresas que tinham aquela visão de que eu tenho que ter tudo mundo junto trabalhando, já estão questionando. Pô, talvez não precise. Talvez eu possa ter um escritório menor, talvez eu possa adotar as lives. A ferramenta sabe, das lives, outro dia eu vi recentemente um garoto na banca dele, do TCC dele, acho que era um trabalho de formatura, alguma coisa assim de pós-graduação. Ele fazendo on-line, os professores de um lado, ele do outro apresentando on-line. Juiz fazendo julgamento on-line. Isso veio na porrada.

Gabriel Lima: E melhorou o mundo né?

Luciano Pires: Pois é. É esse ponto que eu queria pegar com você. Você é um cara que vive isso diariamente, teu mundo é o mundo da digitalização. Como é que você enxergou tudo isso que estava acontecendo agora e o quê que veio diante de você como consequência desse processo todo que a gente está vivendo aqui?

Gabriel Lima: Legal. Ah, queria construir um raciocínio aí. Eu também era cético com relação ao home office, a gente tem mais de 200 colaboradores na empresa hoje e a gente sempre trabalhou todo mundo num escritório, a gente tinha uma laje ali na Berrini, tudo mais, empresa de tecnologia na Berrini, bababá. Mas todo mundo trabalhando ali, eu falava: não, o cara vai para casa, não vai produzir, tudo mais. E se transformou no oposto, hoje a nossa produtividade é muito melhor do que era quando iniciou a pandemia. Porque a gente de fato abraçou o processo, começou a acompanhar os indicadores e olhar para de fato o negócio como sendo digital em todos os seus aspectos. O pessoal também adotou isso e abraçou essa realidade, essa dinâmica do home office, e a gente não… inclusive a gente teve uma conjuntura aí muito interessante que o nosso aluguel, contrato de aluguel, acabava em junho, a gente adotou home office a partir de março, e eu não renovei o contrato, a gente resolveu não renovar. Então a gente hoje é um oficceless, a gente não tem um escritório físico.

Luciano Pires: Você já nem tem mais?

Gabriel Lima: Não temos mais.

Luciano Pires: Devolveu? Você devolveu?

Gabriel Lima: A gente devolveu. A partir de 2021 a gente vai ter um espaço que a gente vai… mas a gente vai remodelar, a gente está fazendo pesquisas com os colaboradores para poder inclusive entender como é que vai ser essa nova dinâmica. Mas inclusive dentro dessa própria pesquisa, 95% das pessoas não querem voltar ao trabalho… e eu fui questionar. Porque você não quer voltar ao modelo de trabalho da forma como era? Porque cara, eu tenho muito mais tempo para poder fazer as coisas que eu quero. Porque eu tinha duas horas de deslocamento por dia, sei lá, quatro horas de deslocamento, não quero mais, nunca mais eu quero passar por isso.

Luciano Pires: Eu vi um número essa semana que o Governo Federal fez um levantamento lá e disse que economizou bilhão, o volume de economia de dinheiro é na casa de bilhão por ter deixado uma parte dos caras em casa. Essa história, não preciso me deslocar, não preciso comer fora, no restaurante. Quando você vai ver o tamanho da economia. E essas pessoas começam a sentir cara, porra, são duas horas no transito que eu não fico mais.

Gabriel Lima: É. Estou com a minha filha, estou lendo livro, estou fazendo coisas que eu gosto.

Luciano Pires: Provocação você. Você falou aqui, produtividade. Eu já vi outros números interessantes, pessoal mostrando a produtividade aumentando. Na tua visão isso é sustentável ou isso é só modinha? Que aproveita agora. Isso no tempo você acha que se sustenta?

Gabriel Lima: É. Eu acho que vai ter alguns desafios aí nesse sentido, principalmente relacionados à questão de saúde mental. Porque as pessoas elas acabam… a gente é um ser social né? A gente precisa ter interação. Então, acho que para poder minimizar isso daí a gente vai ter que criar formas de encontros presenciais, pessoais e criar dinâmicas, principalmente para o processo de aprendizado, para que você tenha mais excelência, evolua, melhore constantemente o processo de aprendizado. Então eu acho que vai ter que ter esse tipo de dinâmica para poder manter esse… mas mais uma vez, isso é um processo em construção e que a gente precisa se adaptar. E eu acho assim, não vai ter volta. Todos os setores, de alguma maneira ou de outra, tiveram algum tipo de disrupção por conta de tecnologia e os caras que eram incumbentes acabaram perdendo para os caras que vieram inovando. Seja no varejo com o Mercado Livre, por exemplo, tendo um crescimento absurdo, Magazine Luiza também se dando super bem, a própria Via Varejo aí que iniciou um processo de… B2W, esses caras indo super bem. Você pega outras indústrias, o segmento bancário, as Fintechs aí também se dando super bem, sem agência, com um ativo muito mais leve. Aí quando a gente vai para outros setores, outros segmentos, a própria indústria automobilística que está vivendo uma revolução também muito grande com o Uber, com a questão da IOT, e do carro sem motorista também, que ainda não estão maduros esses processos, essas tecnologias, mas com certeza agora vão ganhar mais tração e vão ganhar mais espaço. Os carros da Tesla lá também que por questão de energia, que isso também deve ficar cada vez mais… deve ser um fator cada vez mais crítico. Então toda essa… esse movimento… mais uma vez, eu acho que assim, tem uma frase muito interessante que eu ouvi, que eu tenho repetido, “o que era estratégico passou a ser urgente” nesse metiê aí da digitalização. E eu acho que é isso.

Luciano Pires: Basta ver o impacto do delivery dos restaurantes né cara?

Gabriel Lima: Exato.

Luciano Pires: Os caras que não tinham isso funcionando.

Gabriel Lima: Exato.

Luciano Pires: E aí tem o iFood, no exato momento. É uma coisa que você falou lá atrás que a gente vê que interessante aqui, a pandemia parece que ela escolheu o momento certo, ela acontece no momento em que a tecnologia está toda madura.

Gabriel Lima: Imagina se fosse no começo dos anos 2000.

Luciano Pires: Cara, você já pensou? Que não tinha iFood, não tinha internet banda larga, não tinha na disso.

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: Como é que seria uma loucura dessas né?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: O Rappi, cara, eu consigo mandar, pedir para fazer uma entrega do remédio da farmácia, hoje eu ligo e ele vem na minha casa. Quer dizer, tem um momento que parece que as coisas estão encavaladas. Falta só o empurrão para elas entrarem né?

Gabriel Lima: É. A gente tem muitos clientes nas indústrias de bens de consumo, que elas foram muito afetadas, porque elas tinham os processos de produção, estavam iniciando o processo de digitalização, mas ainda estavam… e elas, assim, acho que 50/60% delas a gente precisou ajudar a construir processos de digitalização durante essa pandemia e de integração com esses aplicativos que a gente chama de last mile, que é o Rappi aí, o iFood. Porque cara…

Luciano Pires: O trabalho que você faz, a tua empresa, ela… quando você fala digitalização. É sempre com essa visão de que eu vou trazer o comércio para cá? E vou digitalizar comércio? É isso? Você está digitalizando a forma da pessoa acessar o mercado?

Gabriel Lima: Isso.

Luciano Pires: Você não está lá dentro da empresa preocupado em digitalizar o torno do cara para processo de produção?

Gabriel Lima: Exato, sempre com uma visão mercadológica.

Luciano Pires: Sempre mercado?

Gabriel Lima: Pensando no consumidor como o centro. Eu acho que são… a gente tem uma estratégia baseada em três pilares de atuação, para ajudar as empresas nesse processo. Primeiro que a gente olha para a parte de comércio eletrônico e negócios digitais, que é essa vertente que a gente acredita que seja cada vez mais importante dentro das organizações. E aí, a partir desse olhar a gente coloca o consumidor no centro, a gente ajuda a organizar as squads de tecnologia e como que você vai testar para poder… e melhorar, e evoluir continuamente os teus processos de comércio eletrônico, experiência do consumidor e marketing digital. E é tanto numa camada estratégica, quanto numa camada tática e operacional. Então isso daí é o que a gente ajuda os líderes dessas organizações a fazerem.

Luciano Pires: Legal. Você acredita em novo normal?

Gabriel Lima: Não.

Luciano Pires: Eu uso normal possível. Quando terminar o que nós vamos ter? Vamos ter o novo normal? Não cara, canalha continua canalha, bobo continua bobo. Cara tanta coisa não vai mudar, eu usei uma frase do Jeff Bezos na palestra, que eu gosto dele, ele diz seguinte: “a melhor medida de sucesso nos negócios é você focar nas coisas que não vão mudar.”. Foque no que não vai mudar. E tem muita gente achando que vai ser outro mundo diferente. Não, vai ter o normal possível. Eu acho que vai ter mais gente de máscara, isso é normal. Vai ter mais gente usando álcool gel, isso é normal. Vai ter mais gente usando todo esse conforto tecnológico que a gente aprendeu a usar. Que agora evidentemente vai ter. Eu acho que vai ter um disparo em venda de impressoras, todo mundo montou o seu mini home em casa. E vai sobrar espaço de aluguel de escritório, espaço comercial, isso vai ter, deve ter uma crise aí pela frente. Quer dizer, algo muda, mas eu acho que não vai ser uma mudança que vai mudar valores, sabe. Valores são valores que vão continuar. Aí a gente chega no teu livro. Você escreve um livro chamado?

Gabriel Lima: Líderes Digitais.

Luciano Pires: Líderes Digitais. Quê que te inspirou a escrever a respeito? O que não falta é… literatura sobre liderança é o que mais tem no mercado. O quê que te inspira a achar que você tinha algo quê…?

Gabriel Lima: Então, de fato, essa foi uma das questões que me instigou. Porque eu – que nem eu mencionei – acreditava que as pessoas que movem para que você consiga ter uma performance diferente, visto que tecnologia deixa de ser o diferencial competitivo. E aí eu tenho mestrado em administração, e eu pretendo um dia fazer um doutorado e aí eu falei, vou preparar um artigo acadêmico aqui para… eu vou começar a pesquisar, entender onde que está essa questão da literatura aí da liderança de negócios digitais, tudo mais. E comecei a pesquisar e não tinha. Quer dizer, assim, você até conseguia encontrar uma coisa ou outra lá fora e tudo mais, fragmentos, mas especificamente o impacto da liderança digital brasileira em negócios, não encontrava. E aí eu preparei uma revisão de literatura, um artigo acadêmico, falei: pô que bacana. E aí eu tenho um amigo que me apresentou para uma editora, tudo mais. Eu entreguei para a editora, o cara leu o negócio, falou: cara isso aqui está horrível, uma porcaria. Mas a tua ideia é muito boa, eu acho que se a gente conseguir dar uma visão comercial para o negócio tem tudo para o livro dar certo, porque de fato é um tema bem bacana de as pessoas pesquisarem e não têm muitos livros, não tem muita literatura especificamente para falar sobre os líderes digitais brasileiros. E foi isso que me motivou e aí eu construí junto com o editor, precisei a duras penas mudar meu estilo de escrever, porque muito mais voltado para ou documentos de negócio ou artigos acadêmicos, e criar uma linguagem mais fluida aí para que as pessoas possam ler e absorver aí com mais eficiência, que seja mais gostoso de ler e de entender. Então acho que foi isso que eu…

Luciano Pires: Define para nós aqui o quê que é esse líder digital cara. É o cara que sabe usar o celular direitinho? Como é que é?

Gabriel Lima: É. Tem que saber né? Mas não, não é só isso. Acho que tem primeiro um pouco daquilo que eu falei desse mindset de colocar o consumidor no centro, de você saber liderar times, squads, que hoje é um ambiente extremamente complexo, você precisa ter pessoas com características diferentes. Colocar todo mundo aí numa mesma sala, usar uma metodologia ágil, testar e fazer todo o processo de formação da cultura, engajamento das pessoas diante do objetivo usando um pouco desses pilares. E o outro aspecto, do ponto de vista mais pessoal, quais são as características que esse líder precisa ter. Então o que eu consegui extrair aí é que primeiro precisa ter capacidade de comunicação.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Tanto para poder engajar, quanto para poder ouvir o que as pessoas estão falando. A gente não tem mais aquele processo piramidal de decisão, então hoje é muito mais horizontalizado. Esse processo de comunicação ele precisa fluir de uma maneira diferente. Não tem mais aquele comando e controle, é muito mais cocriativo o negócio. Então eu acho que essa capacidade de comunicação é um negócio muito importante. Uma parte de formação de redes de relacionamento, então você… o conhecimento ele está muito mais segregado, departamentalizado, é muito… e o universo que a gente vive hoje ele é muito mais complexo. Não tem um cara que detenha o poder, têm pessoas mais centrais em redes de relacionamento, e você conseguir entender quem que são essas pessoas, trabalhar junto com essas pessoas, elas podem estar dentro da organização ou fora da organização. Processos de mentoria e acompanhamento. Então essa formação de uma rede para poder complementar os aspectos que você precisa e fazer o negócio acontecer. E, por fim, um conhecimento técnico também, que é fundamental. A gente ouve muito, ah, porque você precisa ter softskill, você precisar ter peopleskill. Cara o líder que não tem um conhecimento técnico mínimo necessário, ele não consegue liderar. Primeiro que não vai ter estofo, as coisas que ele vai falar, ele precisa. E ele precisa entender também dessa nova dinâmica, essa nova…

Luciano Pires: Sim. Ele vai ficar refém, ele vai ficar refém do… eu chamo dos klingles. Ele fica refém klingle cara, os caras vêm, falam um idioma que ele não entende.

Gabriel Lima: Exatamente.

Luciano Pires: Ele fica refém dos caras lá.

Gabriel Lima: Não estou falando que o líder vai precisar virar um programador, mas ele precisa minimamente aprender e conhecer para poder falar o klingle. Senão não rola.

Luciano Pires: Olha que interessante. Você desfilou uma série de atributos, de argumentos aí que têm a ver com contato, com interação, com proximidade, etc. e tal. Num conceito interessante, que o conceito da digitalização, a princípio quando você olha para ele, ele afasta pessoas. Eu não tenho que ir mais ao banco, eu não vejo mais o caixa, ele não interage mais comigo. Na pandemia, você bota o home office, você não vai ter 200 caras no mesmo lugar, está todo mundo longe um do outro. E ao mesmo tempo o atributo que esse cara tem que ter é liderar pessoas que estarão teoricamente um pouco mais separadas. Não estão mais em conjunto lá. Isso meio que dá um nó na cabeça. Porque não é mais o estilo de liderança, “alô moçada, todo mundo junto aí, vamos”.

Gabriel Lima: Não.

Luciano Pires: Cadê?

Gabriel Lima: Fazer a galera cantar o hino da firma, colocar todo mundo a camiseta. Isso aí não existe mais.

Luciano Pires: Isso aí desaparece né? E agora você tem que manter esse espírito de equipe olhando para quadradinhos na tela do teu computador e fazer esse cara se sentir parte, mesmo não estando presente aqui. Não tendo a energia do ambiente, ele não está vendo a linguagem corporal das pessoas ali. Isso é um impacto tremendo cara, isso muda completamente a forma como a gente usa esse atributo. O líder de antigamente, comparado com o líder digital, cara eu não sei nem comparar uma coisa com a outra. TV preto e branco com TV em cores, sabe. Os dois são TV, um está muito mais avançado tecnologicamente do que o outro, agora quando você vai olhar o conteúdo da TV de hoje com a TV que era antigamente, parece que a de antes era mais intenso, faziam chorar, a família via reunida. Tinha um impacto na vida da gente muito maior do que ela tem hoje em dia. Então parece que a coisa está muito parecida né? A gente está a um passo de repente meio que robotizar essas relações. E aí você vai chegar num momento em que a inteligência artificial vem e toma conta, ela começa a tomar decisões. Um líder que não se toca ele deixa que as decisões sejam tomadas por esses processos malucos aí. Eu estou viajando cara? Ou estou achando que é por aí hein?

Gabriel Lima: Eu acho assim, eu também sou otimista nesse sentido que, ah, tem muita gente que fala, a inteligência artificial vai acabar com os empregos. Cara, mas espera aí. Se a inteligência artificial acabar com tudo a gente vai ter que inventar alguma outra coisa para poder fazer e a gente vai inventar, a gente vai se adaptar e vai fazer. Eu acho que a inteligência artificial vem para poder suprir processos que… o que a gente não pode fazer é deixar as pessoas para trás. Eu acho que a gente tem que criar mecanismos para poder incluir essas pessoas para elas poderem fazer parte da economia através de outros mecanismos e outros processos, e criar uma dinâmica de serviços e de relações pessoais que seja diferente dessa dinâmica que a gente tem hoje. Mas não vai, não vai acabar. Mas eu acho que assim, de fato o líder ele… do mesmo jeito que antigamente na televisão preto e branco aí a comunicação ela era feita um para n, hoje a comunicação é n para n.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Então um líder ele precisa…

Luciano Pires: E está criando demandas que a gente não sabe direito como lidar com elas né?

Gabriel Lima: Total.

Luciano Pires: A ética da comunicação nesse ambiente não está… ela não está resolvida. A gente não sabe direito como fazer ainda. Né?

Gabriel Lima: Não.

Luciano Pires: E têm até questões de… eu diria que tem que ter uma educação digital, educação no sentido da boa educação, sabe, não da educação formal. A boa educação digital ela não está resolvida. Né cara?

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: Virou um ambiente de porrada.

Gabriel Lima: Eu acho que um dos negócios que a pandemia… que é muito pouco falado ainda durante a pandemia, que apesar do meio se estar discutindo, mas não o conteúdo, é a parte de educação. Né?

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Porque se fala muito dessa questão de educação.

Luciano Pires: À distância.

Gabriel Lima: À distância e EAD. Que é incrível, eu acho que tem uma capacidade de popularização muito grande. Eu sou cético com relação a ser 100% assim, eu acho que tem que ter um tipo de interação pessoal aí também…

Luciano Pires: E também tem outra diferença né cara, isso é muito legal para adulto.

Gabriel Lima: É. Criança não…

Luciano Pires: Não. O sistema de educação de crianças não tem nada a ver com adulto.

Gabriel Lima: É.

Luciano Pires: O que está acontecendo na pandemia agora. Eu conversei com vários pais, estão dizendo para mim: cara está um inferno na minha casa. Porque conseguir que a criança… aquela energia toda da criança seja disciplinada na frente do monitor de televisão, monitor de vídeo, e que ali ela vai ter a aula. Cara com criança é terrível, a gente não encontrou o caminho ainda.

Gabriel Lima: Minha filha tem dois anos, a gente tirou ela da escola. Eu não sei. Porque assim, não tinha sentido, não tinha o que fazer. Estava pagando mensalidade e não tinha absolutamente nada.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: Então a gente acabou tirando ela da escola. Mas eu vejo, tenho sobrinhos aí, que é um desafio muito grande. E eu acho que até nesse sentido para a minha filha está sendo uma experiência, porque ela não, ela praticamente ela… eu vejo ela o dia inteiro e a gente tem outro tipo de relacionamento, que é outra que eu não sei se eu quero perder. Entendeu? Vou voltar para o escritório? Não, cara, não sei. Eu almoço com a minha filha todo dia.

Luciano Pires: Deixa eu caminhar para o final aqui agora, nós estamos chegando no finalzinho aqui.

Gabriel Lima: Claro. Eu só queria falar um negócio com relação a essa questão de educação. Eu acho que no final do dia as crianças elas continuam aprendendo matemática, português e história da mesma maneira. Então eu acho que a tecnologia podia fazer com que a gente aprendesse isso de maneira diferente, e também eu acho que a gente tinha que ter outras disciplinas associadas há como conviver com isso. Então eu acho que esses são os dois pontos que eu queria complementar.

Luciano Pires: Eu acho que uma coisa importante que vai aparecer aí que é… você comentou lá atrás, isso tem a ver com aquela coisa da saúde mental, sabe, de alguma forma essa disciplina vai ter que ser incorporada na vida da gente. Sabe. Que é, cara, o cara trancado nalgum lugar lá, uma hora esse cara vai dar… vai espanar. Como é que você trabalha para ele não espanar né? Mas eu quero terminar, ir para o finalmente aqui provocando você um pouquinho com… você mudou para uma cidadezinha, pequenininha. Né? Que não está perto daqui. Quanto tempo é daqui até lá?

Gabriel Lima: Uma hora e meia, mais ou menos.

Luciano Pires: Uma hora e meia de estrada. Né? Bom. Isso é meio que uma revolução na tua vida. Você estava na Faria Lima, morava onde?

Gabriel Lima: Morava em Vila Madalena.

Luciano Pires: Vila Madalena e trabalhando na Faria Lima. De repente pinta a pandemia, você vai para a tua casa de campo. E como é que é? Com filho de dois anos, ela vai para qualquer lugar. Mas e para você, como é que é cara? Acordar de manhã tem passarinho cantando, não tem aquela loucura de transito na rua. E você está comandando…

Gabriel Lima: Tenho mais preocupação cobra e com aranha do que com assalto.

Luciano Pires: Então cara, então. Isso é um choque né bicho? É um choque que durante um período é até legal. Não chega uma hora que te enche o saco cara? Que você sente falta da…? Cara, cadê aquela adrenalina, cadê aquela loucura, aquela coisa vibrante, de eu… tá… as coisas acontecendo? Eu me lembro cara, quando eu estava comandando equipes numa grande indústria, tudo mais. Eu refiz o nosso escritório completamente, a gente montou um escritório, abri aquilo, botei um monte de gente lá. Porque eu falava o seguinte cara: eu preciso dessa interação, a energia tem que estar presente no ambiente. E aí eu fui para os Estados Unidos, passei lá um mês e pouquinho trabalhando lá, dentro do headquartes da Dana. E cara, você caminhava nos corredores era um silêncio, as pessoas falavam baixinho uma com a outra, sabe. Era tudo assim e aqui no Brasil era um mercado peixe. E eu senti cara, fiquei horrorizado lá. Me convidaram para ir trabalhar, eu falei: não vou cara, eu não vou ficar nesse cemitério aqui. Né? Eu quero aquela energia, porque ela me… talvez pelo meu jeito de ser. Eu não sei se isso pegou você também. Agora quando você faz essa mudança aí, entra na calma. Como é que é cara? Você conseguiu gerenciar isso legal? Tá bom ou ainda é férias?

Gabriel Lima: Eu acho que eu vou dar uma resposta muito chata assim, mas é a verdade. Eu tenho uma facilidade de adaptação muito grande assim, então eu não ligo.

Luciano Pires: É mesmo?

Gabriel Lima: De verdade cara. Eu acho que assim, a gente tem que procurar ser feliz e extrair o máximo do momento que a gente vive. Hoje é esse o momento que eu vivo, então eu nem me preocupo. Amanhã ou depois provavelmente eu devo voltar pra São Paulo, inclusive para a educação da minha filha e tudo mais. E vou procurar ser feliz nessa realidade aqui. Acho que isso que é…

Luciano Pires: Assim tá bom, assim tá bom. Tua esposa foi com você?

Gabriel Lima: Sim, ela, como eu falei, ela é arquiteta também, ela está fazendo os trabalhos de casa.

Luciano Pires: Também se adaptou, está feliz lá também?

Gabriel Lima: Sim. Eu acho que ela também acabou encontrando esse caminho aí e se adaptando. E eu acho que é isso, tem aquela frase clássica do Charles Darwin, que “não é nem o mais forte, nem o mais inteligente que sobrevive”…

Luciano Pires: É o mais rápido né?

Gabriel Lima: É o que se adapta né?

Luciano Pires: O que se adapta. Agora uma curiosidade, curiosidade. São Paulo, você para viver aqui você gastava 100.  O quê que aconteceu quando você mudou para lá? Esses 100 virou o quê?

Gabriel Lima: Ah, virou muito mais, inclusive aluguei meu apartamento aqui, então.

Luciano Pires: Não. Eu digo assim que é mais barato você viver lá do que viver em São Paulo?

Gabriel Lima: Muito mais.

Luciano Pires: Muito mais, né?

Gabriel Lima: Muito mais.

Luciano Pires: O fato de você se deslocar da capital para 100 quilômetros de distância. Outro dia eu fiz a conta. Sorocaba peguei. Para eu viver em Sorocaba com o mesmo padrão que eu vivo aqui, só o fato, se eu mudasse igualzinho, eu pego tudo isso aqui e mudo para Sorocaba, são 30% que caem na hora.

Gabriel Lima: Exatamente. Isso que eu ia falar.

Luciano Pires: Na hora.

Gabriel Lima: Exatamente, 30% a menos. E é o que eu falei, 30% a menos, mais meu apartamento aqui alugado, ou seja, eu estou…

Luciano Pires: Sim. Que está. Sim.

Gabriel Lima: Está muito melhor.

Luciano Pires: Não. E isso faz uma baita diferença. Né cara? O problema todo é que discutir isso com 25, 26, 27 anos de idade é bobagem cara. Nós estamos com a adrenalina a mil, querendo fazer acontecer. É lá na frente, quando você fica mais maduro que você olha para trás e fala: meu olha quanto dinheiro eu deixei ir embora para estar numa… quero estar naquele determinado local. Quero viver aquele padrão que é o padrão que todo mundo vive em volta, mas tem um custo aqui… eu estou em São Paulo é terrível. Né? Olha o potencial que tem de redução de custo na vida das pessoas e que surge com esse negócio da pandemia aqui agora.

Gabriel Lima: No condomínio que a gente mora lá não tem mais casa nem para vender, nem para alugar.

Luciano Pires: É um boom imobiliário no cinturão de 100 quilômetros das grandes capitais. É eu tenho um amigo que me falou agora também que o negócio de chácara aqui em volta de São Paulo também explodiu, está vendendo chácara para todo lado.

Gabriel Lima: É. Eu espero que isso aí não volte mais. Eu acho que eu espero que as pessoas de fato se reconectem aí, porque a qualidade de vida é muito melhor.

Luciano Pires: Sim.

Gabriel Lima: E aí assim, vamos criar dinâmicas. Óbvio que eu sinto saudade de vir num restaurante bacana aqui em São Paulo, vir no cinema. Mas é, eu combino com a minha esposa, a gente vem um dia, faz isso. Acabou.

Luciano Pires: Mas olha que… quero amarrar um negócio que você falou lá atrás agora. Você me deu um insight interessante aí. Eu pensei lá e deixei passar batido. Quando você falou que, pô as pessoas não estão trabalhando junto, a gente vai ter que arrumar um jeito aqui, nós vamos ter um lugar com outra medida, outro tamanho, uma outra coisa. E me ocorreu na hora dizer o seguinte aqui: olha vou ter um lance aqui, se você performar bem na empresa você vai poder encontrar com a turma.

Gabriel Lima: É. Exato.

Luciano Pires: Quer dizer, uma inversão total. Se você fizer tudo direitinho dia tal você vai poder encontrar a turma.

Gabriel Lima: Interessantíssimo.

Luciano Pires: E aí aquilo que hoje era realidade da gente passa a virar… é diferente cara. Eu vou estar com o povo todo cara, é isso que eu quero. E não é porque é um evento especial. Não. Agora é assim, é o formato. Então nós vamos valorizar…

Gabriel Lima: Meritocracia do encontro.

Luciano Pires: Você viu que interessante cara? Isso vai passar a valer… esse é o modelo TED, viu. É tédio que quer aquela palestra para uma plateia pequena e muito… você está lá é que cara é dificílimo. E aquele momento é único, depois aquilo vira um negócio, bilhões vão ver. Né? Mas estar presente naquele momento é único.

Gabriel Lima: Tem que se justificar para poder pegar o produto na prateleira.

Luciano Pires: Esse vai ser o grande o prêmio cara. Se você for bem, você vai estar com a turma. Meu caro. Quem quiser encontrar você, teu livro, teu trabalho, saber das histórias, teu blog. Vamos lá, é hora da gente fazer o… o que é que te, o que é que vai… a empresa, quiser conhecer, quiser trabalhar na empresa. Como é que chega em vocês? Vamos ver.

Gabriel Lima: A empresa é Enext.

Luciano Pires: Enext é o nome dela. Tudo junto? Enext.

Gabriel Lima: “E”, “N”, “E’, “X”, “T”. Só pesquisar no Google aí, enext.com.br, acha. O livro é o lideresdigitais.com. Também pesquisando no Google aí encontra.

Luciano Pires: Tá.

Gabriel Lima: Na Amazon lá tem para quem quiser também pode encontrar. E acho que é isso. Na própria página do site têm as vagas todas lá para trabalho. A gente acredita muito que a gente é um agente aí para ajudar a transformar os profissionais para o futuro, para preparar essa geração com essa nossa visão de…

Luciano Pires: Você está em rede social? Você também está?

Gabriel Lima: Sim. Tenho Instagram, tenho…

Luciano Pires: Como é que é? Fala. É @?

Gabriel Lima: É @gabriellima_dgt.

Luciano Pires: Quem quiser então vai ver o Gabriel aí, porque ele está surfando na crista da onda aí do digital. Cara obrigado pela presença aí viu.

Gabriel Lima: Eu que agradeço.

Luciano Pires: Valeu, a gente está… nós estamos na periferia da pandemia, saindo dela. E eu acho que esse momento aqui é fascinante e acho que você vai ter trabalho. Trabalho não vai faltar cara daqui para frente.

Gabriel Lima: Ah, espero poder ajudar e espero também que as pessoas tenham gostado aí, que tenham levado uma mensagem positiva, aprendido alguma coisa.

Luciano Pires: Claro que sim. Cara obrigado.

Gabriel Lima: Valeu.

Luciano Pires: Muito obrigado. Seja sempre bem-vindo aí cara. Grande abraço bicho. Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição desse programa é exclusiva para assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium. Lembre-se, confraria.cafe.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.