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Luciano Pires -

A “Internet das Coisas” é um termo que nasceu no final dos anos 90, para tratar de uma revolução tecnológica que conectará os itens usados do dia a dia. Eletrodomésticos, meios de transporte, tênis, roupas e até maçanetas conectadas à Internet e a outros dispositivos, como computadores e smartphones, vão mudar nosso jeito de ser, fazendo com que os mundos físico e digital tornem-se um só.
Mas para isso, era preciso um avanço tecnológico na velocidade e segurança dessas conexões. E esse será papel do 5G, a quinta geração das redes móveis, que vem sendo desenvolvida desde os anos 2000, para ser a sucessora da rede 4G. O 5G promete maiores velocidades de conexão e download de dados, e está chegando para mudar o mundo.
A Motorola larga na frente com sua linha de aparelhos 5G, entre eles, os primeiros 5G do Brasil – Motorola Edge e Motorola Edge +. E também com os primeiros aparelhos do segmento intermediário a permitir esse tipo de conexão, o Moto g 5G Plus e Moto g 5G, linha “G” da Motorola.
A Motorola coloca o 5G em suas mãos. Para saber mais, acesse motorola.com.br.

 

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Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. No programa de hoje temos Brunna Farizel e Lucas Moreira, empreendedores, criadores de uma franquia inovadora que cresce rapidamente, mesmo em tempos de pandemia. Uma conversa excelente sobre as dificuldades da vida de empreendedores, no caso em casal. Muito bem, mais um LíderCast, de novo, contando com é que essa figura chega até mim, eu recebo um e-mail de uma agência de comunicação, e falando: cara acho que eu tenho uma dica legal para você, para o teu programa aí. Ele trabalha com distribuição de bebida, é um cara que sabe de franchising; não sei o que. Eu falei: para, chega. Deixa eu conversar com ele porque esses dados me interessam aqui. Aqui a gente começa com três perguntas que são as únicas que você tem que responder direito. Daí depois você pode chutar à vontade. Essas três você vai na lata. Seu nome, sua idade e o que é que você faz?

Lucas Moreira: Beleza. Obrigado pelo convite. Meu nome é Lucas Moreira, tenho 32 anos, sou empresário, tenho uma marca que é Splash Bebidas Urbanas. Que é uma marca de franquias que nós criamos em 2108, dois anos e meio agora. Estamos chegando a 26 contratos já fechados em franquia. Enfim, a gente vai conversando aí e eu vou explicar um pouquinho mais.

Luciano Pires: Vamos lá. Você nasceu aonde, Lucas?

Lucas Moreira: Eu nasci em Barra de São Francisco, interior do Espírito Santo, fica no norte do Espírito Santo, divisa com Minas Gerais, mais próximo da Bahia também.

Luciano Pires: É. Porra, como é que veio parar aqui cara?

Lucas Moreira: Estou longe né?

Luciano Pires: É. Está longe mesmo, est. Me fala uma coisa. Você tem irmãos?

Lucas Moreira: Tenho um irmão. Dois anos mais novo.

Luciano Pires: Um irmão?

Lucas Moreira: Um irmão. Dois anos mais novo.

Luciano Pires: Sim.

Lucas Moreira: E, enfim.

Luciano Pires: Quê que seu pai e sua mãe faziam? O quê que era a função deles?

Lucas Moreira: Eles sempre foram empresários, desde quando eu nasci, nasci no meio aí de… lógico, um empresário do interior, naquele momento lá eu aprendi que empresário era comerciante. Né?

Luciano Pires: Era o dono da firma.

Lucas Moreira: É, o dono da firma, enfim. E aí então cresci nesse meio. Meus avós, meus tios, tias, tudo mundo com um negócio, com comércio.

Luciano Pires: Sim.

Lucas Moreira: E meus pais também.

Luciano Pires: Cara, isso é interessante cara. Normalmente a turma vem aqui e eu pergunto o que é tem… nunca tem gente que vem de família de empreendedor. Eu, por exemplo, cara, minha família, cara, não me lembro de ter empreendedor na família. Meu avô foi, por pressão do destino, mas depois, cara, a família toda entrou. Funcionário público, professor. Gente com comércio e tudo, foi só meu avô lá atrás depois a turma toda foi trabalhando. Então é difícil pegar gente com raiz do bichinho do empreendedorismo que já vem desde pequeno lá. Quer dizer, você já cresce vendo seu pai e sua mãe donos da firma?

Lucas Moreira: Sim, sim.

Luciano Pires: Isso seguramente vai ter ajudar no futuro. Como é que era o teu apelido quando era criança?

Lucas Moreira: Cara, ainda é. Vem dos amigos de escola, Pezão.

Luciano Pires: Pezão?

Lucas Moreira: Eu sou alto, então na turma o meu pé foi crescendo mais que os outros.

Luciano Pires: Quê que o Pezão queria ser quando crescesse?

Lucas Moreira: Cara, eu sempre gostei de negócios, assim, naquela época não existia a palavra empreendedorismo. Mas eu sempre gostei, eu lembro, eu e o meu irmão brincando em casa, ele com o negócio dele na sala e eu no quarto, cada um com o seu negócio, um vendendo para o outro. Colocava a gravata do meu pai, porque um empresário era isso. A gente via nos filmes, empresário de gravata e terno, enfim.

Luciano Pires: Que ramo que era o do teu pai? Ramo de quê?

Lucas Moreira: O meu pai ele teve uma loja de roupa, quando eu nasci na verdade, era uma loja de roupa. Depois ele montou um restaurante self service. E, enfim, depois entrou no ramo de granito, mas enfim, comércio assim mesmo até eu ficar adolescente, sempre foi o restaurante, que é onde eu mais lembro. A loja de roupa eu era muito pequeno. Mas sempre foram os dois.

Luciano Pires: Em algum momento bateu em você que aquilo era o teu sonho? Você ia estudar para isso, ia se preparar para isso? Você teve uma carreira em mente voltada para isso ou não?

Lucas Moreira: Não. Muito pelo contrário. Bom, pegando como base os meus amigos, enfim, até o meio onde eu vivia lá. Que nós crescemos o quê? O pai e a mãe falando: você tem que estudar, você tem que se formar, enfim. E sempre, a medicina, por exemplo, sempre foi um dos pontos cruciais, assim. Ainda mais na cidade do interior do Espírito Santo. Aonde você vai se formar em quê? Em administração para fazer o quê? Para cuidar do comércio do seu pai? Meu pai não queria isso. Vou administrar o quê? Então a área de saúde assim, sempre foi muito presente. Medicina eu não fiz, eu fiz Farmácia, eu entrei fazendo Farmácia. Fiz durante três anos, mas eu vi que aquilo não era para mim, enfim. Estudei em Vitória, no Espírito Santo, eu fui com 16 anos para Vitória, para estudar.

Luciano Pires: Se formaria em quanto tempo?

Lucas Moreira: Em quatro anos.

Luciano Pires: E no terceiro você…

Lucas Moreira: Eu já abandonei, eu abandonei.

Luciano Pires: Achou que não dava.

Lucas Moreira: É. Eu entrei com 16 anos na faculdade. Imagina. Um garoto com 16 anos, vindo do interior, sem saber o que fazer e aí você acaba indo na onda. Naquela época Farmácia estava bombando, porque existia uma lei naquele momento ali que todas as farmácias deveriam ter um farmacêutico, então estava todo mundo meio que fazendo isso. Ou Medicina, no caso. Como eu entrei mais cedo, eu fiz farmácia, fiz um vestibular, acabei passando. E aí meu pai, eu e meu pai, a gente acabou… minha mãe muito contra um pouquinho essa decisão. Acabei indo para Vitória morar sozinho para estudar.

Luciano Pires: Com 16 anos de idade cara, sozinho?

Lucas Moreira: Com 16 anos. Eu morei sozinho de fato. Sozinho.

Luciano Pires: E para a capital, hein.

Lucas Moreira: E para a capital.

Luciano Pires: Para a capital.

Lucas Moreira: Eu tinha uns primos que moravam lá, moram ainda, minha tia mora lá, mas morava sozinho. Meu apartamento, morava sozinho, acordava sozinho, ia estudar sozinho, enfim. Mas muito sem saber o que fazer, não tem como, com 16 anos você acaba indo pela…

Luciano Pires: É muito cedo cara. Com 16 anos você começou a receber boleto? Começou a chegar o boleto para você?

Lucas Moreira: Boleto da faculdade chegava para mim. O boleto da faculdade chegava para mim, as contas para pagar de casa era eu que pagava. Eu recebia um valor x ali por mês dos meus pais, e eu que tinha que me virar para poder balancear ainda. Eu sempre gostei de festa. Então você quer ir para festa? Se vira. Então eu sempre, através dos boletos aí, eu conseguia equilibrar para tentar ir para as festas, final de semana.

Luciano Pires: Você só estudou esses três anos? Ou trabalhou também?

Lucas Moreira: Eu estudei… é só estudei, na verdade o último ano que eu fiz um estágio, mas foi um estágio rápido também, não me lembro exatamente o período, mas, sei lá, talvez não tenha passado sete meses.

Luciano Pires: Como é que é essa decisão de não é para mim, vou parar depois de três anos? Isso foi uma construção? Ou teve um dia que você acordou, bateu uma meia hora, falou: cara não é isso que quero. Como é que foi isso?

Lucas Moreira: Cara, eu sempre busquei… assim, eu sempre vi que negócios era para mim, montar o próprio negócio era uma coisa que eu queria muito. Eu lia muito sobre negócios, revistas na época falando de negócios. Então eu sempre quis montar o próprio negócio, não sabia o que. E aí eu conheci a Brunna.

Luciano Pires: Não passou pela cabeça que seria uma farmácia?

Lucas Moreira: Não. Nunca passou, por incrível que pareça, nunca passou. E eu conheci a Brunna, que hoje é minha esposa, então a gente começou a namorar em 2008, e aí nós começamos a namorar em abril mais ou menos, de 2008, e aí em outubro a gente tinha montado já o primeiro negócio nosso. Ou seja, muito rápido a gente montou o nosso primeiro negócio. E foi quando eu decidi montar… sair da faculdade para poder ficar ali 100% focado nesse negócio.

Luciano Pires: Quer dizer, você está com a Brunna então desde que começou, eu achei que ela entrou na tua vida lá na frente.

Lucas Moreira: Não, não.

Luciano Pires: Desde o começo?

Lucas Moreira: Desde o começo.

Luciano Pires: Então espera um pouquinho. Brunna, quer participar?

Brunna Farizel: Não, não, toca aí.

Luciano Pires: Quer participar do papo? Vem porque é legal, vem porque é legal. Topa? Então vamos mudar o layout aqui, espera aí. Então depois que a gente fez uma… um furacão aqui, a gente preparou o espaço para ter junto com a gente mais um personagem. Isso é o legal do LíderCast cara, como eu não sei o que vai acontecer, pitam essas coisas, o Lucas chegou aqui, ela sentou ali fora, ficou olhando. Eu pensei comigo, em algum momento ele vai se referir à esposa dele, mas ele se refere no começo, começa tudo com ela. Então, o LíderCast não é mais com o Lucas, agora é Lucas e Brunna. Não é isso?

Brunna Farizel: Isso.

Luciano Pires: Brunna seja bem-vinda. Vou fazer de novo a pergunta. Tá? Quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz.

Brunna Farizel: Ah, tá bom. Então, meu nome é Brunna Farizel, eu tenho 34 anos e eu sou empresária também, junto com o Lucas aí, à frente da fundação, da Splash Bebidas Urbanas.

Luciano Pires: Nasceu aonde?

Brunna Farizel: Em Vila Velha, Espírito Santo.

Luciano Pires: Vila Velha?

Brunna Farizel: É.

Luciano Pires: Conheceu ele aonde?

Brunna Farizel: Através da faculdade, quando ele foi morar em Vitória, que na verdade a faculdade que ele fazia era em Vila Velha, onde eu morava, e aí a gente tinha amigos em comum, tempo de faculdade. E foi assim que a gente se conheceu.

Luciano Pires: Vocês não estudaram juntos não?

Brunna Farizel: Não, não. A minha área eu já fazia comunicação, e na época eu fazia direito também. Então foi ali que a gente se conheceu, no grupo de amigos mesmo, mas não pela…

Luciano Pires: Ele falou que ele gostava de festa. Era isso? Foi nas festinhas?

Lucas Moreira: É, foi, foi.

Brunna Farizel: Foi.

Lucas Moreira: Na verdade eu morava em república, e aí o prédio inteiro quase era república. Então ela tinha algumas amigas que moravam nesse prédio, então a gente sempre estava ali em volta das mesmas turmas, enfim, e acabei conhecendo a Brunna.

Luciano Pires: E começaram a namorar quando?

Lucas Moreira: 2008.

Brunna Farizel: A gente começou em 2008, mas desde que se conheceu, acho que durou uns dois meses assim. Em dois, três meses a gente já estava namorando.

Luciano Pires: Ah, que legal.

Lucas Moreira: Ah, sim. Foi rapidinho.

Luciano Pires: Que idade você tinha?

Brunna Farizel: 2008?

Luciano Pires: 2008. Dá 12 anos. Você está com 32?

Lucas Moreira: Eu tinha 20 anos.

Luciano Pires: Você tinha 20 anos. Legal. E aí ele continuou então, fazendo a Farmácia, infeliz na Farmácia e ela fazendo comunicação.

Lucas Moreira: Não, ela estava fazendo direito já. Ela formou em Comunicação e depois ela foi fazer Direito.

Brunna Farizel: Isso.

Lucas Moreira: Como segunda faculdade, que acabou também não.

Brunna Farizel: Também não concluí.

Luciano Pires: Mas você se formou em Comunicação?

Brunna Farizel: Em Comunicação Social.

Luciano Pires: São três anos, no mínimo.

Brunna Farizel: É. Exatamente, então, porque da… o último ano eu estava fazendo as duas juntas.

Luciano Pires: Ah.

Brunna Farizel: E aí Direito, eu iniciei Direito no meu último ano de Comunicação, mas aí eu não finalizei Direito.

Luciano Pires: Quando você estava no Direito ele estava na Farmácia.

Brunna Farizel: Ele estava na Farmácia.

Luciano Pires: E os dois infelizes.

Brunna Farizel: É. Não tinha nada a ver.

Luciano Pires: Vocês falavam a respeito? Vocês falavam disso?

Brunna Farizel: Falávamos, na verdade…

Luciano Pires: Cara, não é para mim.

Brunna Farizel: Não de infelicidade, porque o Direito meu, foi o caso que meu pai é da área jurídica, minha irmã consequentemente, então tinha muito essa coisa do pai achar que o caminho correto ou era através de um concurso público ou quando você fizesse Medicina. Principalmente num estado como o Espírito Santo. E foi isso que acabou me influenciando a ir fazer o Direito, mas eu sempre gostei da Comunicação, não fui buscar o Direito porque eu estava infeliz na Comunicação não, foi o contrário. E aí através disso, eu tinha certeza que eu queria Comunicação na minha vida e eu acabei abandonando o Direito.

Luciano Pires: E não abandonou para fazer outra coisa?

Brunna Farizel: Não.

Luciano Pires: Você abandonou para focar…?

Brunna Farizel: Para focar na Comunicação que foi quando a gente…

Lucas Moreira: A gente montou a empresa aí, nesse momento.

Brunna Farizel: Montou a primeira empresa nossa.

Luciano Pires: Então, e vocês montaram a empresa quando você parou de estudar?

Lucas Moreira: Não, na verdade nós montamos… quando nós começamos a montar a empresa, alugar o espaço e tudo, foi quando eu decidi trancar o curso. Foi mais ou menos o mesmo período.

Luciano Pires: Entendi.

Lucas Moreira: A gente montou a empresa, na verdade nós tivemos um evento, ainda não tinha a firma aberta, não tinha ainda escritório. Então eu conseguia conciliar aí o estudo e o negócio. Até que chegou um certo momento que eu vi que não era aquilo ali para mim, a faculdade, e aí eu acabei trancando o curso de Farmácia.

Luciano Pires: E esse insight para montar o negócio? Os dois com vinte e pouquinho.

Brunna Farizel: Sim.

Luciano Pires: Estudando ainda, tranquilos lá. E qual é o insight de: vamos montar um treco? Vamos montar uma coisa?

Brunna Farizel: É muito engraçado.

Luciano Pires: Quê que era? Era uma oportunidade que aparece? É uma…? O quê que é?

Lucas Moreira: Não, muito pelo contrário, a gente estava buscando alguma coisa para poder montar.

Brunna Farizel: É.

Lucas Moreira: A gente estudou várias coisas aí, entramos no site do SEBRAE, fomos ao SEBRAE, puxamos vários…

Luciano Pires: Fizeram o Empretec?

Lucas Moreira: Não fizemos.

Brunna Farizel: Não fizemos. Mas olhamos para fazer. E também o que acontece é o seguinte: nessa fase inicial de namoro – porque foi muito no início do nosso namoro que nós já abrimos a empresa – nós dois, antes mesmo de ter o primeiro beijo a gente já conversava de negócio. Toda nossa conversa era voltada nisso, de negócio, o que fazer e tudo. Então eu acho que era porque tinha que ser mesmo de fato, a gente sempre foi por esse caminho. E aí… é sério isso, e até hoje é. Quando a gente está em casa…

Lucas Moreira: Mas não tinha um ponto chave assim, né?

Brunna Farizel: Não, não tinha, a gente falava de tudo, mas todos os assuntos eles rodeavam…

Lucas Moreira: Para poder montar não, acho que não, estou tentando lembrar aqui, mas acho que não teve nenhum momento que a gente falou assim: ah, vamos montar um negócio. Acho que não teve né?

Brunna Farizel: Ah, foi mais um momento assim, insano mesmo de adolescentes, sem muita responsabilidade, de pegar e fazer…

Lucas Moreira: Sem saber o que vai ser né?

Brunna Farizel: Sem saber o quê que ia ser. É.

Luciano Pires: E aí qual foi o lance? Montar o que?

Lucas Moreira: A gente montou uma empresa de comunicação. Como a Brunna era da área de comunicação, a gente teve a ideia de montar um negócio para fazer alguns eventos, inclusive naquele ano, 2008, foi quando a Endeavor estava investindo bastante na parte de… a semana…

Brunna Farizel: Semana do Empreendedor.

Lucas Moreira: É. Semana Global do Empreendedorismo, e foi em outubro de 2008. E aí foi quando a gente falou: caramba tá aí ó, se a gente fizer um evento aqui no Espírito Santo, não tem nada disso aqui. E aí foi quando a gente montou o primeiro evento, inclusive com uma parceria com a Estácio de Sá, faculdade, e algumas empresas locais do Espírito Santo, e deu certo o primeiro evento, aí deu o estalo da gente montar um escritório, montar toda uma…

Luciano Pires: Então, vocês montaram o evento sem empresa constituída.

Brunna Farizel: Sem empresa constituída.

Luciano Pires: Nada, não tinha CNPJ, não tinha nada?

Lucas Moreira: Não tinha. Tinha a marca já, o logo já tinha, já tinha o nome da empresa e tudo, mas não tinha CNPJ e nada. E aí a gente foi na cara e na coragem na Estácio de Sá buscar parceria, buscar parceria com outras empresas locais.

Brunna Farizel: Chocolates Garoto, que é uma referência lá. Então tudo foram parceiros nossos.

Luciano Pires: Bateram lá com a cara e a coragem?

Brunna Farizel: Cara e coragem.

Luciano Pires: Eu sou o Lucas, sou a Brunna, eu quero dinheiro para montar um evento aqui.

Brunna Farizel: É. Fizemos o projeto, apresentamos o projeto, e assim foi. E o evento deu muito certo, foi bem legal, e isso acabou estimulando a gente para: opa, eu acho que o caminho é esse.

Lucas Moreira: Isso aí.

Brunna Farizel: E assim fizemos.

Luciano Pires: Então, até então era uma aventura. Deu, deu, não deu, não deu. Deu para ganhar um dinheirinho com o evento?

Lucas Moreira: Não, não deu.

Brunna Farizel: Não, dinheiro não. Nenhum.

Luciano Pires: Mas o barulho foi legal.

Brunna Farizel: Mas o barulho foi.

Lucas Moreira: Na verdade nós ficamos três anos com a empresa, e não ganhamos dinheiro. A verdade é essa. Então, por isso nós viemos para São Paulo, para trabalhar. Mas na empresa teve um… foi a base para nós chegarmos onde nós estamos hoje.

Luciano Pires: Claro. Mas como é que é para os dois? Porque vocês não tinham nenhuma experiência em gestão de empresas.

Brunna Farizel: Nada.

Lucas Moreira: Zero.

Brunna Farizel: Zero.

Luciano Pires: E aí você resolve que aquela brincadeira foi legal, vamos montar o nosso negócio. Só que montar um negócio significa que amanhã de manhã te aluguel, tem água, tem luz, eu não sei se vocês botaram funcionário, tinham funcionário. Aparece um monte de custo fixo que vocês não… como é que é? Como é que é a porrada da…?

Brunna Farizel: Esse foi o nosso primeiro susto assim, na verdade onde caiu a ficha de fato. Porque a gente fala até hoje, a gente não sabia o que significava a palavra capital de giro.

Luciano Pires: Sim.

Brunna Farizel: Não tinha isso, a gente nunca tinha se deparado com isso. E foi aí de fato que a gente entendeu: opa o negócio é mais embaixo, tem mais responsabilidades.

Lucas Moreira: É. Hoje empreender está muito mais na moda, você vai em Instagram você vê um monte de caras que montam um negócio do zero e tudo mais, você tem várias referências em relação a isso. Em 2008, a gente não tinha tanta referência, a não ser os grandes, então você não conhecia a base daquilo ali e etc. Então, quando a gente montou a empresa, a gente… aí vem a história do empreendedor também. Da irresponsabilidade de achar que você vai alugar um escritório. Ah não, imagina, esse aluguel aqui a gente paga tranquilamente, é um evento que a gente faz que a gente paga isso daqui. E que na verdade, na pratica não acontece muito bem isso. O tempo do outro não é o tempo que a gente precisa. Enfim.

Luciano Pires: Vão aprendendo na cabeçada.

Brunna Farizel: É. Sempre…

Luciano Pires: Mas vocês ficaram três anos com a empresa e aí concluíram um dia que: cara não vai rolar.

Brunna Farizel: É. Aí não dava mais.

Luciano Pires: E não dava por quê? Não escalou, não tinha cliente, não tinha mercado? Quê que era?

Lucas Moreira: Na verdade o grande erro nosso – tinha cliente, tinha mercado – mas o grande erro do iniciante é você colocar as mãos pelos pés, os pés pelas mãos. É você apostar muito ali logo no início, um custo que a gente tinha, por exemplo, fixo, que é o que você falou mesmo, de energia, de água, de internet, de aluguel, que talvez não precisava naquele momento.

Luciano Pires: Vocês montaram uma equipe? Tinha uma equipe?

Lucas Moreira: Não tínhamos.

Brunna Farizel: Não tinha.

Lucas Moreira: Fixa não.

Luciano Pires: Menos mal.

Lucas Moreira: Fixa não.

Luciano Pires: Tá.

Lucas Moreira: Menos mal. Mas você acaba o quê? Ah, esse mês a gente não tem dinheiro, você acaba pegando empréstimo, e aí você vai e pega um empréstimo e no outro mês você não… cadê o dinheiro que não entrou? E aí você entra numa bola de neve e muitas das vezes o negócio quebra – que foi o nosso caso – não é porque o negócio é ruim, mas é porque falta planejamento, falta um pouco mais de cuidado para poder no início tomar algumas atitudes, um exemplo, é alugar um espaço que talvez naquele momento não precisava. Então o negócio era bom, mas só que a gente errou nisso.

Luciano Pires: Essa conclusão que você chega agora… porque agora é fácil, 12 anos depois.

Brunna Farizel: Agora é fácil.

Luciano Pires: Olhar para trás e falar: errei ali, aí é fácil. Não caiu a ficha para vocês em nenhum daqueles momentos enquanto…? Quando o barco estava começando a afundar, do tipo, cara eu não tenho as habilidades suficientes para tocar esse negócio aqui, não é nossa praia. Não caiu essa ficha?

Brunna Farizel: Acho que na verdade, sempre era aquele otimismo, de tipo, vai dar certo.

Luciano Pires: Molecada invencível. Moleque invencível.

Brunna Farizel: Não. Vai dar certo, calma, está entrando, tem outro negócio aí que vai virar. É sempre isso, foi muito, sem dúvida foi muito isso. Mas também, no momento que a gente entende que não evoluiu e que precisava encerrar, a gente começou a pensar assim: calma. Ok, precisamos encerrar isso aqui. Mas e aí? A gente tem contas a pagar ainda, pendente disso. Quê que a gente vai fazer? Vai voltar para a casa dos nossos pais? Cada um… como que é que vai ser isso? Na verdade, a gente tinha… ele morava na república e eu morava com os meus pais ainda. Mas como que a gente vai fechar esse ciclo bem. Pedindo ajuda dos pais aí? E aí nesse momento foi quando a gente decide. Não, onde as coisas estão acontecendo, onde as coisas de fato pulsam para o negócio assim, ou para as melhores oportunidades no país? Aí a gente ficou entre Rio e São Paulo, Rio e São Paulo, e decidimos vir de fato para São Paulo, para poder trabalhar. O objetivo inicial era trabalhar para poder pagar as nossas dívidas.

Luciano Pires: Sim.

Brunna Farizel: E foi assim que a gente fez. Então assim, chegando aqui a gente, desde o início a gente falou para a nossa família: ah, estamos indo para São Paulo para trabalhar. Ah, mas vocês têm emprego lá? Já está tudo certo? Está tudo certo. Chegamos aqui, um olhou para o outro: cara e agora para onde nós vamos?

Luciano Pires: Vai ficar bom.

Lucas Moreira: Mas tem uma história antes disso que enquanto a gente estava no escritório na empresa de comunicação, como a gente dependia de outras empresas para poder levantar recurso para a gente continuar evoluindo, e não conseguia a tempo. Quê que a gente fez? A gente vinha a São Paulo todo mês comprar roupa para vender no Espírito Santo. Para poder o quê/ Ter o capital ali para poder… porque a venda de roupa, por exemplo, é todo dia, todo dia você pega, você vende ali e faz dinheiro rápido. Uma empresa de comunicação, como é serviço, você não tem todo dia.

Luciano Pires: Não, tudo é um processo.

Lucas Moreira: Você tem todo um processo, enfim. Então a gente… porque de São Paulo também? Para chegar nesse ponto. Porque a gente já vinha para São Paulo todo mês para poder fazer compra, então a gente já vinha analisando um pouco o mercado também daqui.

Luciano Pires: Vocês falaram um negócio aí que levanta uma lebre interessante, que é uma coisa que eu estava outro dia refletindo a respeito. Que é você está lutando, está tocando teu negócio, as coisas não vão do jeito que você quer. Mas sempre tem uma coisinha dizendo: cara agora vem, vai chegar o e-mail que eu estava esperando, vai ligar aquele cliente, a oportunidade vai aparecer. E aquilo meio que te ajuda a ir empurrando com a barriga. A gente vai empurrando né?

Brunna Farizel: É.

Luciano Pires: E eu não me lembro quem foi que falou uma vez, que falou: cara quando você chegar no fundo poço. Como é que você faz? Para de cavar. Para de cavar cara, não afunda ele mais, começa a dar um jeito de subir. E a gente tem essa dificuldade, e garoto então cara. Não, agora vai dar, espera aí. Vamos um pouquinho mais, um pouquinho mais, cada pouquinho mais é mês a mais de aluguel, é um mês a mais de despesa. Então, como você não sabe a hora de parar, você está construindo um problemão ali. Pensando… a estratégia é a esperança. Qual é a tua estratégia? É a esperança, uma hora eu vou acertar na sorte grande, mas não tem nenhuma consistência isso. Né?

Brunna Farizel: É. Eu acho que ela não vem tão rápido. E neste caso, da nossa primeira fase assim, de fato ela não veio e hoje a gente consegue entender o motivo para isso. Porque foi necessário a gente passar por aquilo para hoje ter essa maturidade como empreendedores. Mas a gente, na nossa história, temos tatuado no corpo inclusive, uma palavra chamada serendipidade.

Luciano Pires: Sim.

Brunna Farizel: Que é serendipty né? Que é exatamente isso, é essa fé inabalável que faz com que as coisas se transformem. Se transformam. Então eu acho que é necessário assim, ter essa crença, com responsabilidade, mas ela é necessária ter. Porque ela faz essa virada de chave, mais agora lá na frente na nossa conversa você vai entender, porque a gente volta nesse ponto, porque realmente isso aconteceu.

Luciano Pires: Quem gostou da palavrinha, por favor, procure o Café Brasil Serendipidade, eu não vou lembrar o número dele, mas está tudo explicado lá como é que funciona essa história.

Brunna Farizel: Isso. Isso aí.

Luciano Pires: Mas então, vem para São Paulo os dois, mão na frente, outra atrás.

Brunna Farizel: Viemos.

Luciano Pires: Vocês vão começar…

Lucas Moreira: Com as dívidas né, detalhe.

Luciano Pires: Devendo lá?

Lucas Moreira: Devendo.

Luciano Pires: Dívida para pagar lá. E aí? Vocês vieram aqui para quê? Para trabalhar para alguém, para empreender, para o que pintar? O quê que é?

Lucas Moreira: Na verdade, nesse mesmo momento, surgiu a oportunidade de acontecer um evento aqui em São Paulo, onde era uma startup, de moda naquele momento, não existe mais, mas que queria fazer alguma coisa, e a Brunna estava em contato com eles para a gente fazer alguma coisa juntos aqui. Nós havíamos vindo – sei lá – dois meses antes, três meses antes. Conversado com eles. Gostaram muito, queriam muito que formatássemos todo o evento, e essa era uma esperança que a gente tinha de ter alguma coisa aqui, até por isso que teve o start de virmos para cá. Mas enfim, acabou não acontecendo, não aconteceu nada do evento, enfim. Mas viemos para trabalhar, de fato, e tentar levantar dinheiro, juntar dinheiro para poder pagar as nossas dívidas no Espírito Santo. Então a gente queria já quitar as dívidas, tirar o nome do Serasa para poder realmente continuar trabalhando. Aí nesse momento a gente nem pensava em empreender novamente, a gente pensava simplesmente pagar a dívida e seguir a dívida.

Luciano Pires: Sim.

Brunna Farizel: E aí entra também o lado que a gente fala, porque nem todo mundo precisa ter, e nem vai ter esse lado empreendedor realmente, mas eu acho que em todo mundo é necessário você ser estrategista. No sentido de quê? É esse caminho que eu quero? Quero trabalhar realmente numa empresa, enfim. Vamos nos estruturar, vamos pesquisar onde é que têm as melhores possibilidades e como que você faz para você atingir aquele objetivo. Hoje a gente como empreendedor, a gente vê muito claro assim, que as pessoas não se preparam para uma básica entrevista de emprego. Então a gente fazia exatamente o contrário, a gente estudava ali quais eram os locais que nós queríamos ir, a gente… naquela época o Wi-fi em cafeteria, essas coisas eram super-raro, logo que a gente chegou aqui, mas a gente ia, a gente pegava o computador, ligava lá, fazia uma pesquisa quais são os melhores shoppings de São Paulo, inicialmente. Porque onde é mais fácil você encontrar um emprego geralmente é em shopping. E a gente ia, e ia com currículo já com foto, todo organizado assim, para realmente conseguir uma vaga que fosse legal.

Luciano Pires: Vocês iam juntos?

Brunna Farizel: Às vezes sim, às vezes não.

Lucas Moreira: Na maioria das vezes sim.

Brunna Farizel: Mas na maioria das vezes sim. É. E aí assim foi, e as coisas foram acontecendo. Então o Lucas trabalhou em várias áreas, eu já logo que eu cheguei eu fui para o mercado de luxo, já me estabilizei lá, fiquei 10 anos e agora…

Luciano Pires: Que ano era isso.

Brunna Farizel: Era 2010.

Luciano Pires: Puta é ontem.

Brunna Farizel: É. E aí trabalhei 10 anos nesse mercado também, então fiz carreira como vendedora, depois eu fui para subgerente, gerente geral. Então fiz uma carreira nesse mercado também, e o Lucas trabalhou também em várias áreas.

Luciano Pires: Pegou a Daslu?

Brunna Farizel: Peguei, Daslu era um ícone, era assim um sonho, logo quando nós chegamos aqui.

Lucas Moreira: Foi quando nós chegamos. É. Logo depois fechou.

Brunna Farizel: É. Logo depois fechou. E aí era sempre uma referência para esse mercado, não tinha jeito. Então assim, isso também…

Lucas Moreira: E a gente ia na Daslu, na maior cara de pau.

Brunna Farizel: Tudo a gente queria conhecer.

Lucas Moreira: A gente queria conhecer, eu prestei, na verdade, eu acho que eu fiz umas duas, ou três entrevistas lá, inclusive um mês antes de fechar, quase entrei um mês antes de fechar.

Brunna Farizel: Na verdade você já não… você não entrou, declinou à vaga porque eles já estavam com as ações lá, já estava tudo meio que encaminhado.

Lucas Moreira: Mas o mais legal que a Brunna está falando, é que no mês que nós chegamos, no mesmo mês eu consegui emprego, e um mês depois ela conseguiu emprego. Então foi bem rápido assim, se você for parar para pensar, o meu currículo mesmo era um currículo que não tinha nada. Imagina, era um estudante de farmácia que depois empreendeu, não deu certo e no currículo dele só tinha isso, era um estágio na prefeitura de Vila Velha e depois era a empresa que quebrou. Aí você imagina, eu vim para cá para fazer entrevista.

Brunna Farizel: Qual era a referência.

Lucas Moreira: Qual que era a referência no Espírito Santo. Mas enfim, trabalhei numa grande empresa, trabalhei…

Luciano Pires: Mas vocês tinham aquilo que a gente chama, nós que somos da antiga a gente chama de expediente, sabe, você tem expediente.

Brunna Farizel: É isso aí.

Luciano Pires: E São Paulo é muito generosa com quem tem expediente, cara. Sabe. Expediente quê que é? Desculpa cara, eu vou achar um caminho, eu vou dar um jeito, eu me viro. Se ninguém me disse como vai ser eu vou dar um jeito de fazer, e gente que tem esse espírito de deixa comigo que eu vou dar um jeito de fazer, São Paulo é muito generosa com gente assim.

Brunna Farizel: E é mesmo. Você tem uma passagem muito legal.

Lucas Moreira: É e pegando essa oportunidade que você está falando, cara, meu primeiro emprego eu precisava ter carro, para poder ser vendedor, eu entrei como vendedor de uma empresa de cosméticos, na verdade alimentícios. E aí precisava ter carro, e eu não tinha carro, eu fui lá fazer entrevista. Bom, mandei meu currículo, me chamaram, não me perguntaram seu eu tinha carro ou não, eu fiz a entrevista e perguntaram: cara você acabou de chegar do Espírito Santo, você não conhece nenhuma rua de São Paulo, e eu na maior cara de pau falei: bom eu com GPS eu consigo chegar em qualquer lugar, basta você falar onde eu preciso ir que pode ter certeza que eu vou conseguir vender seu produto. Então é mais ou menos isso que você falou. Você tem expediente, você vai conseguir. E muito engraçado que eu não tinha carro, fui contratado, eu tinha mais dois colegas de trabalho que tinham carro, e eu fui o melhor vendedor da empresa, fui o primeiro a tirar um pedido, enfim, fui o primeiro a fazer uma venda considerável. Então, realmente mostra que quem fazer vai lá, corre atrás e faz.

Brunna Farizel: E sabe como ele ia de GPS? Não tinha nem o GPS, ele entrava no computador, pegava os mapinhas, imprimia o mapa e fazia o roteiro. Era isso.

Lucas Moreira: Eu não imprimia. A gente não tinha impressora em casa, eu desenhava.

Brunna Farizel: Desenhava.

Lucas Moreira: Todo dia à noite eu desenhava para no dia seguinte eu pegar o ônibus e… errava pra caramba, mas eu conseguia chegar no…

Luciano Pires: Ia de busão.

Brunna Farizel: E tem uma outra passagem que era o que eu estava comentando também, da Gutiero, quando ele foi também conversando com um dos líderes lá. Conta. Que ele te comparou com outro funcionário.

Lucas Moreira: Ah tá. É porque o rapaz na verdade ele comparou, eu estava na Faria Lima fazendo entrevista, e aí ele foi, chamou um executivo lá para poder também participar da entrevista e o cara provavelmente, morava no Morumbi, não sei, enfim, aí falou assim: olha esse cara aqui você pode ter certeza – no caso era eu – esse cara aqui tem muito mais vantagem do que você, porque o cara saiu de Barra de São Francisco, Espírito Santo e está aqui na Faria Lima fazendo entrevista com a gente, agora você não, você simplesmente atravessou ali a marginal e está aqui do outro lado, então pode ter certeza que ele tem muito mais pontos do que você. Mas é mais ou menos isso.

Luciano Pires: Legal, legal. E aí, como é que é? Os empreendedores nesse momento estão meio que acomodados, porque estão, você está no emprego, você está no emprego. E aí? Fica… começa aquela conversa de, escuta?

Brunna Farizel: E aí desde quando o empreendedor ele deixa essa chama apagar? Nunca né? É bem isso. Então assim, a gente na verdade, depois que a gente se estabilizou. Todos os dois sempre entenderam o negócio onde estava trabalhando também como seu de fato, então a gente realmente tinha a mesma responsabilidade como sendo nosso, mas aí foi chegando alguns momentos da nossa vida que a gente começou a balancear o tempo. Porque a gente tinha horário para entrar, mas não tinha horário para sair, nossa família cem por cento do Espírito Santo, então datas como Natal, Páscoa, no caso do Lucas que foi para a área de franchising mais no segmento de chocolates, eram as datas que ele mais trabalhava. E isso para a gente, quando a gente começa a analisar, isso já estava gerando um incomodo, porque algumas datas específicas várias vezes a gente ficou aqui em São Paulo sozinhos. E aí quando a gente descobre que eu estava grávida da nossa primeira filha a gente realmente botou na balança para que lado que nós íamos. Olha, a gente precisa priorizar então uma qualidade de tempo aí se a gente quiser ter uma rotina das crianças realmente acompanhando…

Luciano Pires: Vocês tinham casado já?

Brunna Farizel: A gente já estava casados.

Luciano Pires: Já estavam casados?

Brunna Farizel: Já. E aí então a gente realmente começou a avaliar isso.

Lucas Moreira: É. A Brunna falou uma coisa que é bem importante, empreender nem sempre é você montar o seu negócio, você pode empreender na empresa, enfim, que você trabalha, como executivo, como vendedor.

Luciano Pires: É o intraempreendedor.

Brunna Farizel: Exatamente.

Lucas Moreira: Na sua vida pessoal inclusive, você pode empreender de uma forma dentro de casa. Porque não? E a gente sempre foi assim, a Brunna começou como vendedora, como ela já falou, e foi até a gerência. Eu comecei como vendedor também, depois fui vendedor de loja de roupa, passei como gerente de expansão de um grande grupo de franquia do Brasil, sem nunca ter experiência, sem saber falar o que era franchising, royalty, enfim, nada disso eu sabia. E consegui entrar porque eu almejava, eu vi na verdade uma capa de revista falando que franquias iam crescer sei lá quantos por cento naquele ano, eu falei: cara vou querer entrar nisso daí, eu acho que é legal. E aí eu comprei a revista, dei uma lida, e eu mandei um e-mail inclusive para o cara que estava na capa da revista, para ele próprio e ele me contratou logo depois. Então eu entrei no mercado de franquias, entrei como gerente de expansão.

Luciano Pires: Você mandou um e-mail para o cara?

Lucas Moreira: Mandei e-mail para o cara.

Luciano Pires: O quê que você falou no e-mail?

Lucas Moreira: Primeiro né, eu mandei o e-mail para o cara sem saber o e-mail dele, eu chutei o e-mail dele, inclusive é uma dica que eu dou.

Brunna Farizel: É uma superdica isso, dá certo.

Lucas Moreira: É uma superdica, dá certo. Já mandei e-mail para cada cara que você nem imagina. Mandei e-mail diretamente para o cara, chutei o e-mail dele, errei pra caramba, voltava, até que uma foi. Falei: bom esse deve ser o dele, real. E deu certo, ele pegou o e-mail, encaminhou lá para o executivo dele.

Luciano Pires: Mas o quê que você falou no e-mail? Quero trabalhar contigo.

Lucas Moreira: Ah o quê que eu trabalhei… cara eu falei que eu gostava muito dele, gostava muito do trabalho dele, que de fato eu gostava da história dele e que eu queria muito trabalhar com ele.

Luciano Pires: Quem era? Pode falar.

Lucas Moreira: É legal falar o nome dele porque… o nome dele é José Carlos Semenzato, ele é do Shark Tank, participa do Shark Tank, ele é dono da SMZTO, holding de franquias, ele é sócio da Instituto Embelleze, Espaçolaser e uma porrada de marcas lá dentro, e hoje inclusive, a gente tem um livro, eu e a Brunna, e ele assinou o livro. Olha que legal.

Luciano Pires: Ah, que legal.

Lucas Moreira: Então ele assina o livro, fora outros nomes também, mas quando eu mandei o e-mail para ele eu falei: bom, cara, gosto muito de você, gostaria muito de trabalhar com você, tenho certeza que eu vou acrescentar na sua empresa, enfim. E consegui. Na verdade, aí o mais engraçado é que quando eu fui eles queriam me vender uma franquia.

Brunna Farizel: Foi mesmo.

Lucas Moreira: A gente quebrado, com dívida, aí eu saio de casa, uma reunião às sete horas da noite, na Vila Olímpia, e a gente mora na, morava na época na Aclimação, e eu fui lá de ônibus, de metrô na verdade, saí de lá nove e pouco da noite, puto da vida, falando: eu quero emprego o cara me vendendo franquia. E aí eu bati na tecla que eu queria ser contratado por eles e com certeza eu ia conseguir fazer um bom resultado. E de tanto brigar com o executivo lá o cara falou assim: tá bom, beleza, depois a gente conversa mais. Depois ele marcou uma outra reunião ainda para poder vender a franquia. Não conseguiu vender a franquia, porque eu fiz uma proposta para poder… e ainda assim eu fiz uma proposta para poder comprar a franquia, detalhe. E aí, resumindo, eles me contrataram e eu entrei como gerente de expansão, com 23 anos de idade.

Luciano Pires: E sem experiência nenhuma.

Brunna Farizel: Sem experiência nenhuma.

Lucas Moreira: Sem experiência nenhuma, nenhuma. Uma grande escola.

Luciano Pires: Olha que insight interessante. Quer dizer, você viu aquele cara na capa da revista, e antes de interpretar aquele cara como um super-homem, inacessível lá no seu olimpo, você viu aqui uma oportunidade. Eu vou tentar falar com esse cara aí. E o que a gente tem que entender é o seguinte, esses caras que chegam no nível que esse cara chegou, eles estão muito antenados, eles estão olhando tudo que está acontecendo. Quando aparece um nêgo diferenciado e vem conversar ali, você bate um papo, fala: opa, espera aí. Esse aí tem café no bule, eu quero para mim. Esses caras estão… eles são um buraco negro de talento, se aparecer um talento e passar por ele, ele bateu o olho ele pega. Então muitas vezes o que você fez aí que é uma coisa arrojada, é o lance que tem que ser feito. Quem fez isso consegue ter algum sucesso. Não que vai dar sempre certo, mas se você não fizer, se você não chutar não vai acontecer nada e ninguém vai te ver.

Lucas Moreira: Com certeza. Não, nesse momento eu ficava… nesse período, inclusive, eu ficava muito desempregado, porque eu tinha acabado de chagar em São Paulo, você imagina, tudo era novo para mim, eu era um menino novo, cheirando a leite, com 22 anos de idade ali, 23 anos de idade, sem experiência nenhuma, sem formação, então era muito mais difícil. E principalmente pelas empresas, porque quando a gente veio para cá a gente falou: bom, então já que a gente está indo para São Paulo a gente tem que trabalhar com os melhores, então a gente sempre buscou trabalhar com os melhores, ou com as melhores empresas. Então, quando a gente chegou aqui, por exemplo, eu trabalhei com a Cristiana Arcangeli, diretamente com ela, aquela história que eu falei do carro foi na empresa dela, e então é o seguinte, a gente sempre buscou isso. Que é fácil? Não é fácil, mas não custa nada tentar, então chuta o e-mail lá do cara que você quer trabalhar, com certeza… talvez dá certo.

Brunna Farizel: Não, e algumas vezes já deu certo, não foi uma única vez não.

Lucas Moreira: Várias vezes.

Brunna Farizel: Inclusive a gente tem várias histórias com relação a isso, e é bem esse caminho mesmo.

Luciano Pires: E aí, quando é que pinta a ideia: vamos de novo nos aventurar, vamos montar o nosso negócio? Foi em franchising?

Lucas Moreira: Foi, foi.

Luciano Pires: Foi?

Lucas Moreira: A gente aí nesse meio tempo a gente, na verdade eu prestei consultoria numa empresa de consultoria de franquia, eu empreendi de novo, eu montei uma consultoria própria, mas era só eu.

Luciano Pires: De franquia?

Lucas Moreira: De franquia. Só que era só eu. Então assim, não tinha responsabilidade com custos, então era só eu. Então eu aprendi, não precisava ter escritório. E aí já existia o co-work, então eu já pagava lá uns trezentos e poucos reais para ter uma mesinha lá para poder fazer uma reunião, então eu empreendi nesse momento também aí, durante um ano e pouco, eu prestei consultoria por conta própria. Mas de fato empreender de novo, assumir risco e alugar um espaço, tudo mais, foi agora nos últimos dois anos e meio, foi em 2108 que e gente montou a Splash. E veio por conta disso que a Brunna falou, ela estava grávida e a gente queria qualidade de tempo. Esse é o principal motivo que a gente montou de novo uma empresa. Só que de uma forma completamente diferente, nós dois mais estabilizados, com mais conhecimento, os erros que nós cometemos na Splash – na Splash não, desculpa – na Chip, que era a empresa de comunicação, a gente não cometeu de novo. Então, de uma forma muito mais… é aquela velha história que lá fora é muito valorizada e aqui nem tanto, que quebrar é bom.

Luciano Pires: Sim.

Lucas Moreira: Para você aprender e não cometer o mesmo erro. Então para a gente foi muito bom ter quebrado lá atrás, em 2008, e 10 anos depois montar a Splash de uma forma diferente. Com mais experiência principalmente.

Luciano Pires: Como é que vocês chegaram na Splash? Foi uma avaliação de oportunidade de mercado? O que é que foi? Qual foi um insight para…? Porque não foi uma franquia de carnes ou de lingerie?

Lucas Moreira: Não, eu vou falar porque não foi uma de clínica médica voltada para gestante. Porque a Brunna estava grávida na época e a gente sentia várias dores desse mercado. E aí eu e a Brunna… quer contar?

Brunna Farizel: Estudamos vários negócios e fomos inclusive num formato bem avançado, que era uma clínica realmente voltada para dar suporte à gestante, e não seguimos, exatamente porque a gente não tinha domínio desse mercado, nem eu nem ele éramos da área de saúde, então o medo de ir para uma área 100% desconhecida foi o que nos travou. E aí a gente passou a olhar o mercado então. Poxa, o quê que a gente domina, tem um conhecimento e tem uma bagagem melhor? Para também facilitar, porque senão a gente vai sair do zero de novo e isso foi o que ocorreu lá atrás e poderia realmente ser um problema. E aí a gente passou a estudar o formato da Splash, o Lucas já atuava no mercado já. Fala aí do que você estava.

Lucas Moreira: É, aí na verdade eu trabalhei durante muito tempo, aí não foi porque querer – foi bem por acaso mesmo – no mercado de alimentação. Então eu tinha bastante conhecimento do mercado de alimentação e de outros também, outros mercados também que eu trabalhei, outros segmentos. Então a alimentação e principalmente cafeteria, era uma coisa que eu já dominava um pouco, inclusive em relação a fornecedores e tudo mais. Então eu estudei bastante o mercado, li alguns livros, li um livro de uma marca que é muito conhecida, e aí nós chegamos no modelo que é a Splash hoje.

Luciano Pires: Só para você… vou te dar um insight. Tá? Eu tive uma franquia da Fran’s Café.

Lucas Moreira: Ah é?

Brunna Farizel: Ah, então você vai bater bola legal agora aqui.

Luciano Pires: Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar ao transformar o seu Smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Para assinar acesse confraria.cafe, de novo, confraria.cafe. Lá você conhecerá os planos para se tornar um assinante e ter acesso exclusivo aos bastidores da temporada do LíderCast e a muito conteúdo original. Além disso, contribuirá ativamente para que este conteúdo chegue para muito mais gente gratuitamente, tem um plano lá que custa doze reais por mês, cara, doze reais, uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro fará com que você nos ajude a continuar crescendo e fazendo com que nossa voz seja ouvida por mais gente, você estará contribuindo ativamente com nossa causa pela da defesa da liberdade e da independência individual. De novo, vem para cá, confraria.cafe.

Lucas Moreira: O ponto principal da Splash é qualidade do tempo, a gente montou… queria montar um negócio por conta de qualidade de tempo. Então quando a gente montou todo… quando nós desenhamos o modelo que seria a Splash de cafeteria, que a gente nem gosta de denominar tanto a Splash como cafeteria e muito mais como uma loja de bebidas que nós denominamos bebidas urbanas. O que é bebidas urbanas? Você ter todo tipo de bebida ali, das novidades, do que é antigo, por exemplo, um cafezinho, até mesmo a kombucha, que é uma bebida super na moda agora. Então a gente montou um negócio que não precisa de cozinha, não precisa de um chefe de cozinha, ou sequer um barista, dentro de uma cafeteria, por exemplo. Não precisa muito manuseio de – ou quase zero – de alimentos. Então isso te dá o quê? Qualidade do tempo. Você tem uma operação superenxuta, com quatro funcionários, dois por turno, onde você ali consegue atender o público desde as sete horas da manhã até a meia noite, com todos os produtos acessíveis à sua região. Por exemplo, a bebida quente para a região mais fria, a bebida gelada para a região mais quente e assim por diante. Então a Splash ela vem com foco de fato na qualidade do tempo, inclusive no modelo, é um modelo bem prático, bem simples.

Luciano Pires: Vocês foram se inspirar em algum modelinho que já tem por aí? Vocês foram ver alguma coisa para…?

Lucas Moreira: Na verdade têm vários modelos que a gente se inspirou, a gente pegou um pouquinho de cada coisa, até mesmo em modelos que não têm nada a ver com a Splash a gente acaba olhando. Mas de fato Starbucks é um modelo que a gente se espelha bastante, apesar que a Splash hoje não tem nada a ver com Starbucks, no sentido de na prática lá consumir o produto. A não ser o copo que parece um pouco. Mas fora isso o dia a dia ali, a operação em si, inclusive os sabores na têm nada a ver, tanto é que a Starbucks o foco dele é o café, o nosso não é o café. A gente até brinca, nós também temos café.

Luciano Pires: Entendi.

Lucas Moreira: Então o modelo ele é bem prático, ele é bem simples, uma loja de 20 metros quadrados, a gente consegue ter toda a operação da Splash ali onde o cliente passa, pega uma bebida, pega uma coxinha de carne seca e sai comendo, sai tomando, enfim.

Luciano Pires: Vocês já desenharam pensando em franchising?

Brunna Farizel: Desde o primeiro minuto.

Luciano Pires: Nasce para ser uma franquia?

Lucas Moreira: Desde o primeiro minuto.

Luciano Pires: Tá.

Brunna Farizel: Minuto.

Lucas Moreira: Desde o primeiro minuto. A gente… na verdade assim, todos os fornecedores, primeira coisa que nós fizemos foi atender o Brasil todo. Então desde a loja número um quando eu conversava com os fornecedores, primeira pergunta era: você atendo o Brasil todo? Atendo o Brasil todo. Então eu vou trabalhar com você. Parece até uma loucura né? Para que esse menino está perguntando o Brasil todo, ele tem uma loja.

Brunna Farizel: Ele tem uma loja só.

Lucas Moreira: Acabou de inaugurar. Mas era exatamente pensando na escala do negócio.

Luciano Pires: Você está olhando lá na frente.

Brunna Farizel: Exatamente.

Lucas Moreira: Tanto é que os nossos fornecedores hoje são fornecedores grandes que atendem aí outras marcas inclusive, grandes varejistas e aí eles já atendem a gente aí em todo o Brasil.

Brunna Farizel: É. Exatamente. E hoje a gente já consegue ter uma percepção também do próprio mercado para com a nossa marca, de marcas gigantescas, como Ovomaltine, por exemplo, que vêm atrás da gente.

Luciano Pires: Sim.

Brunna Farizel: Hoje a marca já conseguiu ter uma estrutura, apesar de ainda estar bem no início.

Luciano Pires: Um prestígio ali né?

Brunna Farizel: É. Mas muito pelo nosso posicionamento, então assim, a gente hoje realmente quem entra na Splash sabe que não é uma cafeteria comum, marrom, preta, aquele ambiente mais fechado. Não, a gente é colorido, a gente é uma marca realmente democrática, então assim, se você é vegano você consegue ir lá com a sua esposa não vegana, e vocês tomam um café, um frapê, enfim, conseguem confraternizar muito bem num momento do seu dia. Então esse é um dos grandes diferenciais. E aí a gente tem várias outras inovações, que por ser uma marca também que a estrutura é pequena a gente consegue ter essa agilidade. Que eu falo que praticidade e agilidade é o grande diferencial nosso. Então a gente tem produtos próprios, a gente tem cápsulas de café e de chás da própria marca, a gente tem canudos de metal, tudo da nossa marca. Então a gente vai criando aí esse [volume 00:44:44]

Luciano Pires: Então eu conversei com um monte de gente que já lidou com essa questão de franquia e a maioria absoluta deles começa com um negócio que não tem DNA de franquia, não começa para ser franquia. Começa, fica legal, vai super bem. E aí porque não transformar numa franquia? E aí tem uma transição complicada, porque ela é uma transição cultural. Primeiro é cultural para depois ser – não posso me esquecer do filme do McDonald’s lá, como é que é?

Brunna Farizel: Fome de Poder.

Luciano Pires: Fome de Poder. Né?

Brunna Farizel: É.

Luciano Pires: A dificuldade que ele tem de convencer os donos de que, cara… e aí para você ver como é difícil o cara… cara isso aqui é um sanduíche que só eu faço. Como é que eu vou passar essa expertise adiante, né? E vocês já resolveram esse problema nascendo com DNA de franquia. Quer dizer, nasce pensando em franquia, sempre tem um jogo, tem um jogo adiante. Né? Não adianta eu resolver com o fornecedor se ele não me atender nacionalmente. Mas franquia depende de um negócio fantástico chamado marca, branding em franquia é tudo. Você não consegue fazer se não tiver franquia. E aí tem um investimento pesado, que o investimento de branding ele nunca é leve, e ele depende muito de percepção, de design, de cores, tudo mais. Vocês foram…? Bom, você já é do ramo, você era um cara de franquia já devia saber como é que tinha que fazer. Vocês foram buscar isso como? Vocês foram buscar alguém, alguma agência, algum especialista em branding que pudesse desenhar para você? Outro dia eu conversei aqui com o menino do [Walk Barry 00:46:13], e ele contou para mim a preocupação deles, até com o design da primeira lojinha deles dentro de um shopping, então como era o balcão, aquela coisa, o logotipo. Tem uma baita de uma preocupação ali que está muito além do produto em si. Como é que vocês fizeram isso cara? Você já tinha consciência disso e vocês já começaram a investir nisso também?

Lucas Moreira: É. Desde o primeiro momento a gente buscou… engraçado porque na primeira semana de Splash entrou um cliente lá, perguntando se era uma franquia americana. Então assim, quando o cara entra e pergunta se é uma franquia americana você fala: uau conseguimos. Alguma coisa aqui tem de diferente para a gente poder apresentar para o mercado brasileiro, inclusive. Apesar do que, nossa loja tem bastante cor, igual a Brunna falou, e a gente monta uma cafeteria, entre aspas, porém com a cara, não com a cara de cafeteria, que a gente brinca que cafeteria é tudo preto com marrom, e a gente vem com cores, a gente vem com mais…

Brunna Farizel: O sabor, o nosso DNA é realçar o sabor brasileiro, e quando você entra em uma das nossas lojas, esse subconsciente de sobremesa, de gostosura está intrínseco, então que é realmente a mensagem que a gente quer passar, por isso que a gente fala que a gente se descola muito das cafeterias convencionais, porque não somos mesmo. Então a gente traz essa evidência do sabor através das cores também.

Lucas Moreira: Mas a gente, claro, nos preocupamos desde o primeiro momento, desde o nome da marca, como seria, como iríamos oferecer isso para o cliente, qual seria o copo, qual seria a forma que a gente ia oferecer, tudo isso, claro, pensando em franchising, pensando na expansão do negócio. E o cuidado veio desde o primeiro momento. Com uma pequena diferença, nós não tínhamos também tanto recurso financeiro para poder colocar o dinheiro ali, e igual você estava falando, branding realmente requer muita grana. Então daria para pagarmos uma agência muito boa para poder fazer isso? Não. Daria para contratarmos uma equipe de arquitetura já do mercado de varejo, de franquia? Também não. Então naquele primeiro momento ali é muito mais feeling do que de fato estudo.

Brunna Farizel: E observação, nós dois sempre fomos muito observadores, estudiosos mesmo. Então a gente colocou na mesa quais são todas as possibilidades, ou boa parte delas, que performam muito bem dentro das nossas realidades e que poderiam de alguma forma ser algum concorrente nosso. E o que é que tem de legal neles, então, e o que não teria. Então… e além disso a gente ia em campo também. Ia, passava o dia, sentava, experimentava, consumia, para entender como que a gente poderia melhorar isso dentro do nosso ponto de venda. Então isso sem dúvida, no início foi isso que aconteceu. Porque também não tínhamos tanto recurso assim.

Lucas Moreira: É, mas logo depois, pouco menos de um ano, nós já mudamos o logo, aí sim profissionalizamos, colocamos mais… aí sim colocamos mais dinheiro, contratamos uma equipe já mais profissional para poder de fato pensar no negócio ao longo prazo, inclusive marcas próprias. Inclusive a parte de arquitetura também, mudamos toda a cara da loja, que não tem nada a ver com a primeira loja. Então aí a gente vai e profissionaliza pouco mais de um ano depois, bem rápido por sinal.

Luciano Pires: Vocês inauguram a primeira loja aonde?

Brunna Farizel: Na Bernardino de Campos, na entrada da Avenida Paulista.

Luciano Pires: Mas é num shopping, o quê que é lá?

Brunna Farizel: Na rua.

Lucas Moreira: Não, é de rua.

Brunna Farizel: De rua.

Luciano Pires: Loja de rua?

Lucas Moreira: Loja de rua.

Brunna Farizel: É.

Luciano Pires: No começo da Paulista ali?

Brunna Farizel: Bem na entradinha ali da Paulista.

Lucas Moreira: No Paraíso.

Luciano Pires: Na pracinha? Tem uma praça lá na Paraíso. Perto do Ponto Chique lá, aquele pedaço lá?

Brunna Farizel: Isso, ali mesmo, ali mesmo.

Lucas Moreira: Pertinho ali.

Brunna Farizel: Ali mesmo.

Luciano Pires: E aí? Como é que é? Um belo dia vocês ligam lá para…? Como é que é o nome da tua cidade?

Lucas Moreira: Para achar o ponto?

Luciano Pires: A tua cidade mesmo?

Brunna Farizel: Barra de São Francisco?

Lucas Moreira: Barra de São Francisco.

Luciano Pires: Você liga para Barra, pai, mãe, ou sei lá.

Brunna Farizel: Ih, isso tem história boa.

Luciano Pires: Vem cá.

Lucas Moreira: História boa. Não, não foi assim não, muito pelo contrário.

Brunna Farizel: Pelo contrário.

Lucas Moreira: Olha, desde… quando a gente começou a planejar da Splash – acho que foi em outubro, setembro mais ou menos, de 2007, 17 – e aí nós inauguramos em abril de 2018. Até um período considerável para quem estava planejando, inclusive fomos passar Natal com eles, Réveillon e tudo mais, Carnaval e tudo mais e já com o negócio meio que andando. Em dezembro nós fechamos o ponto comercial, em janeiro começou a obra, a quebrar, e fevereiro começou de fato a reformar. E nós só contamos – na verdade nós não contamos – no dia da inauguração. Então no dia da inauguração, dia 4 de abril. 4 de abril, é isso?

Brunna Farizel: É.

Lucas Moreira: 4 de abril.

Brunna Farizel: Dia 7 de abril, 7 de abril.

Lucas Moreira: 7 de abril a gente inaugura a Splash, com a mãe dela na nossa casa, porque ela veio, porque a gente tinha um casamento um dia depois e aí a mãe dela ia vir para ficar com a nossa filha, e aí chega certo momento que a gente fala assim: vamos sair com a gente?

Brunna Farizel: E esse casamento era o casamento de um grande amigo nosso e toda nossa rede de melhores amigos viria para São Paulo também para esse casamento, então todo o nosso planejamento de inauguração era para um dia antes, que a gente sabia que tinha uma galera nossa aqui. Entendeu?

Lucas Moreira: E aí eu pressionei os empreiteiros, tudo. Até a Brunna falou: amor, não vai dar tempo, não vai dar tempo. Calma, vamos inaugurar com calma depois. Eu falei: vai dar tempo e vai inaugurar no dia que vai estar todo mundo aqui. Enfim, combinamos com todo mundo: vamos sair à noite no endereço tal. E todo mundo chegou lá, era a Splash.

Luciano Pires: Sem saber?

Lucas Moreira: Sem saber.

Brunna Farizel: Ninguém sabia.

Lucas Moreira: A mãe dela não sabia.

Brunna Farizel: Minha mãe quase infartou.

Lucas Moreira: Meu pai não sabia, ninguém sabia. Minha mãe viu uma foto de um amigo meu que postou no Instagram, ficou puta comigo, me ligou puta, falando: você não conta nada e não sei o que. Enfim, mas porque de fato era uma decisão muito arriscada, no sentido de: já quebramos uma vez e agora com uma filha dentro de casa. Então a responsabilidade era muito maior. E a gente vai, e eu peço para sair do emprego, detalhe muito importante, eu peço para sair de um emprego que eu estava super bem, para poder de novo empreender, para de novo investir num negócio, para de novo correr todo o risco que nós corremos lá atrás.

Luciano Pires: É coragem hein. E foi abril de 2018? Isso é 2018. Foi ontem isso aí. E aí começa a funcionar. Dois funcionários você falou? Dois?

Lucas Moreira: Na verdade nós tínhamos cinco funcionários, porque como o nosso objetivo sempre foi franchising, então eu ficava muito mais envolvido em formatar o negócio, em entender mais do negócio, em contato com fornecedores, ficando mais no backstage, ficando muito pouco na loja. E também naquele momento a gente não sabia como seria o movimento, como seria o modelo. Até que…

Luciano Pires: Isso é uma coisa que é interessante, que tem a ver com esses… quando você planeja uma coisa como essa, porque como tudo é novo, você se baseia em talvez. Quantos clientes vão ter? Cara. Sei lá.

Brunna Farizel: Não sabe.

Luciano Pires: Acho que para pagar a minha conta aqui tinha que ter 100. Então o número é 100. Né?

Brunna Farizel: É.

Luciano Pires: Se fixa um objetivo qualquer, lá sabe se está certo ou errado. E vai muito no… não dá nem para olhar a cafeteria do lado para falar vai ser igual, porque porra, é diferente aquilo lá. Quando é que vocês têm consciência de que o negócio ia dar certo?

Brunna Farizel: Ah. Quer que eu fale? Na verdade, assim, logo com quatro, quatro, cinco meses de operação a gente já vende a primeira franquia. Isso é uma validação sobre a percepção do externo para com a gente.

Luciano Pires: Tá. Mas espera um pouquinho, espera um pouquinho, espera um pouquinho. Vocês inauguram a loja, a loja começa a funcionar. Vocês já estavam com o bloco da franquia na rua? Já estava vendo ou não? Ou, espera aí deixa eu ver se está certo para aí vender?

Lucas Moreira: A gente não divulgou nada.

Luciano Pires: Vocês não falaram nada?

Lucas Moreira: Foi o que eu te falei, uma semana um cara chega e pergunta se é uma franquia americana e a gente fala que não, não é brasileira.

Luciano Pires: Então. Quando é que você bate o olho e fala o seguinte: opa dá para oferecer como franquia. Se foi quarto meses que você vendeu a primeira. Foi o quê?

Brunna Farizel: Quatro, cinco meses.

Luciano Pires: Três meses de operação?

Brunna Farizel: É.

Lucas Moreira: É. Na verdade, seguinte, se você for analisar a Splash já é um modelo totalmente testado mundialmente. É um modelo que já existe mundialmente, pela Starbucks, é um modelo que já existe mundialmente. A questão toda é trazer o modelo para o Brasil, igual ao da Starbucks, escalar a nível nacional, para chegar em Atibaia, que nós temos loja hoje, Jacareí, que nós temos loja hoje, Ribeirão Preto, que nós temos loja, de rua inclusive, não é shopping, não é no melhor shopping na cidade. É você pegar o que está dando certo mundialmente e adaptar nacionalmente.

Luciano Pires: Sim.

Lucas Moreira: Então porque não escalar isso aqui como expansão? Sendo que já é expandido mundialmente como franquia. Então eu sempre brinco que a Splash é uma marca nova, mas o conceito dela ela não é nova.

Luciano Pires: Já está aprovado.

Lucas Moreira: As pessoas que estão por trás dela são pessoas que já têm domínio do mercado onde nós estamos atuando. Eu, a minha equipe, a nossa equipe tem todo know-how também, trabalhando em outras franquias.

Brunna Farizel: De anos em outras franquias.

Lucas Moreira: De anos em outras franquias. Então eu falo para todo mundo, a Splash a marca é nova. Agora o que a gente tem é coxinha, todo mundo come, pão de queijo todo come, frapê, o Starbucks ele já prova para a gente que é sucesso mundialmente, cafezinho, brasileiro ama cafezinho e outras bebidas também que nós temos, cappuccino, enfim. Nada disso é novo, tudo disso já é supertestado nacionalmente. Aí a gente coloca tudo isso dentro de um modelo de negócio, que é a Splash, e com um potencial muito maior, porque você tem um investimento mais baixo. Um investimento perante o mercado que nós estamos que geralmente gira em torno de 300, 400 mil uma loja, a nossa loja gira em torno de 200 mil ou menos, a gente fala que em torno de 160 mil você consegue uma loja da Splash. Então, ou seja, a gente tem tudo na mão para fazer um negócio totalmente escalável, de baixo investimento, custo baixo operacional, enfim, e um produto que todo mundo já gosta, e outras marcas, inclusive, já são testadas em relação a isso.

Brunna Farizel: E aí a grande diferença nisso tudo, que é o que dá match de fato, é a forma como a gente expõe isso, como a gente apresenta isso e como a gente comunica de fato.

Luciano Pires: Então, isso que eu ia comentar que é o seguinte: você montar tua cafeteria, ou seja, a tua preocupação é, bom, fazer um produto legal e anunciar para os consumidores que vêm tomar café aqui. Quando você é um franqueador teu cliente não é o cara que vai tomar café, teu cliente é o cara que vai vender para o cara que vai tomar café.

Brunna Farizel: Isso aí.

Luciano Pires: Então você já está no três steps, eu já não sou mais dois steps, agora eu sou três, entrou alguém no meio e eu tenho que ter um produto atraente para esse cara que vai investir o dinheiro dele, para comprar o meu produto, que não é uma loja, o meu produto é o conceito, é toda aquela amarração lá. Né? E isso é diferente de você… se o cafezinho está gostoso ou não. Isso é uma outra conversa. Né?

Brunna Farizel: Exatamente.

Luciano Pires: Quando é que vocês: está pronto, já consigo sair com material. Chama atenção, já tem uma loja funcionando, já posso trazer o cara aqui, mostrar a loja para ele, dizer: cara está redondinho, foi legal, a gente corrigiu os principais erros aí, estamos com maturidade para vender para alguém essa responsabilidade que nós temos aqui. Quando é que vocês…? O quê? Três meses de operação?

Lucas Moreira: Não existe o momento para isso, na verdade é todo momento, eu trabalhei em grandes marcas, e ainda assim tinha muita coisa para se adaptar, inclusive com o próprio franqueado. Falar que existe o momento exato para você fazer isso…

Luciano Pires: Agora está pronto.

Lucas Moreira: Não existe.

Luciano Pires: Não tem?

Lucas Moreira: Não tem como ficar pronto um negócio que é totalmente, que é varejo, a gente está falando de varejo, que é um dia chove, outro dia está sol, outro dia é feriado – o Brasil tem muitos feriados por sinal – e aí você fala: caramba, e aí, qual o melhor momento? Não existe o melhor momento. Existe o momento de estar preparado para poder expandir, e entender, entendendo o negócio para poder adaptar o mais rápido possível.  Errar o mais rápido possível e consertar o mais rápido possível. O melhor momento de fato eu não acredito. Mas assim, o momento nosso para poder fazer isso aconteceu no primeiro ano nós vendemos duas franquias, na verdade foi um pouco mais, mas de fato operação funcionando foram duas franquias no primeiro ano. E aí no segundo ano de fato a gente coloca o pé no acelerador para poder expandir e fazer o negócio acontecer. Então, ou seja, de 2018 até 2019, de abril para abril, a gente teve aí três operações funcionando, a nossa loja mais duas. Sendo que uma era quiosque, então uma operação menor, não exigia tanto de força. Mas, cara o melhor momento assim é você fazer o seguinte, é tomar coragem, ir para cima, porque você não vai conseguir acertar o seu negócio, você não sabe que o seu negócio está preparado. Porque na mão do franqueado é completamente diferente na sua mão. Você está ali atrás do balcão, tirando um cafezinho e o seu franqueado tirando um cafezinho na loja dele, é outra mão, é outra pessoa que está por trás. Então o ponto crucial aí é fazer acontecer cara, ir para cima, porque realmente as dores vão vir.

Luciano Pires: Claro.

Lucas Moreira: Com cinco anos de operação você começar a franquear, ou com cinco meses começar a franquear, eu acho que o principal é você estar preparado e conhecer o mercado, como eu já vinha do mercado de franquia, os meus fornecedores já conseguiriam atender todo mundo, então foi muito mais fácil.

Brunna Farizel: E aí eu puxo o gancho da questão desde o primeiro minuto ser formatado para ser franquia, porque quando a gente fala que vai para a mão do franqueado, muitas vezes eles trazem sim – e a gente é até aberto com relação a isso – muitas sugestões, mas quando a gente fala: opa isso foge do que é a cultura, isso foge do que é o formato da Splash, do que de fato a gente quer. A gente fala com propriedade de causa também, e com o tempo ele percebe que, poxa, realmente tinha razão. Então esse diferencial, sem dúvida, é o que realmente nos destaca aí, porque a gente tem plena consciência desde sempre qual é o caminho que a gente quer seguir e para onde vamos de fato.

Luciano Pires: O fato de ser comida não assustou vocês em algum momento? Primeiro vocês falaram na clínica né?

Brunna Farizel: Aham.

Luciano Pires: A clínica a gente não vai entrar porque a clínica a gente não é do ramo e tudo mais, mas cara clínica é uma prestação de serviço. Eu não vou enfiar nada dentro de você. Ninguém vai pegar e vai comer aquilo que eu estou fazendo, porque eu sei que isso é um inferno, lidar com cliente com comida é um negócio horroroso. Que eu gosto, não gosto, está frio, está quente. Então é terrível, e tem aquele complicador de que, cara estou vendendo comida, está tudo controlado, você tem que ter selinho para tudo quanto é coisa, tem validade, tudo mais. Isso não surgiu como um complicador na hora de vocês escolherem o ramo? Ou vocês já tinham passado por isso? Você já sabia e não se assustou com isso?

Lucas Moreira: Não. Eu não me assustei. Na verdade, quando a gente buscou o fornecedor a gente já buscou pensando nisso também. Então os nossos fornecedores eles já vinham já com a bagagem também para poder entregar já com a qualidade boa. Então os nossos produtos são todos congelados, então você descongela ele ali, em três, quatro minutos está pronto no forno. Eu até brinco que eu não sou muito bom na cozinha não, mas eu vou para trás do balcão da Splash lá e faço de tudo, porque é muito prático, é muito simples. É muito fácil de fazer. Agora é claro, a gente tem que tomar bastante cuidado com a validade, com o manuseio desse produto. Agora, o produto nosso ele fica três dias na vitrine, a nossa vitrine é refrigerada. Então ele dura três dias ali. Eu sempre brinco, você só vai perder o produto se você não conseguir ter o controle de descongelar a quantidade correta para você vender para o público final. Então assim, é só uma questão de gestão, que inclusive na Splash tem muito pouco desperdício, quase zero de fato, porque é tudo congelado, então é muito mais fácil você descongelar e você conseguir colocar no forno ali, é muito rápido.

Brunna Farizel: E aí também a gente tem um mix de bebidas que é o nosso grande carro chefe, muito grande. Então, se você for analisar, ao longo do dia você bebe muito mais do que você come de fato. E ali o nosso mix ele atende realmente para todos os gostos. Então acho que nesse momento principalmente de uma pandemia, a gente… as lojas de rua elas não pararam nenhum minuto. Porque nós já performávamos muito bem no delivery.

Luciano Pires: Então, você disse que vocês terminaram 2019 com três?

Lucas Moreira: Não, dezoito.

Brunna Farizel: Dezoito.

Luciano Pires: 2018 com três operações? Operações funcionando né?

Brunna Farizel: Isso.

Luciano Pires: 2019 terminaram com quantas?

Lucas Moreira: Treze.

Brunna Farizel: Treze.

Luciano Pires: Treze. E agora vocês estão com vinte e?

Lucas Moreira: Vinte e seis.

Brunna Farizel: Vinte e seis.

Luciano Pires: Então. De 13 para 26 vocês dobraram durante a pandemia.

Lucas Moreira: É a gente… é, dobramos. Na verdade, assim, a pandemia, isso é muito engraçado porque nas primeiras semanas foi – acho que para todo mundo – sem saber o que vai acontecer, enfim, aquela loucura toda. E aí…

Luciano Pires: Fecharam todas as lojas?

Lucas Moreira: Não. A gente não fechou loja de rua, a loja de shopping não tinha como, shopping fechou e não tinha o que fazer. Agora loja de rua não, trabalhamos com delivery. O delivery nosso não parou nenhum dia, as nossas lojas de rua…

Luciano Pires: Mas a tua loja quando nasce ela já nasce com delivery?

Lucas Moreira: Não. Ela veio… o iFood ele entrou o ano passado, no meio do ano passado. A gente tem uma grande parceria com o iFood, inicialmente trabalhava até com outras marcas também de aplicativo, de delivery, agora do meio do ano passado para cá a gente tem uma parceria muito grande com o iFood. Agora de fato na pandemia que realmente o delivery ele veio representando um faturamento extraordinário. É lógico, na pandemia ele seria 100%, claro, porque não podia ir na loja, mas agora que já passou, já está mais flexível, a gente já pode servir o cliente na loja, ainda assim o delivery representa 80% do nosso faturamento agora. A gente acredita que depois ele venha representar menos, a loja ela vai voltar no ponto que ela estava antes, porém o delivery vai representar muito mais do que antes da pandemia.

Luciano Pires: Porque derrubou um monte de – como é que eu vou dizer – nem é… não é nem preconceito, mas ele quebrou certas culturas.

Brunna Farizel: É. Exatamente.

Luciano Pires: Eu tinha resistência, mandar vir em casa, agora a coisa mais normal do mundo é liga aí, pede um Rappi aí, pede um iFood aí que os caras vêm na hora e…

Brunna Farizel: Foi uma mudança de hábito mesmo. Então a gente entende muito que isso não retorna mais assim.

Lucas Moreira: E aí, no meio da pandemia – o que eu estava falando – a gestão nossa, a gente teve que mudar também. Porque a equipe nossa do escritório não tinha o que fazer. Todo mundo ficou em casa, tivemos que fazer todas as mudanças para poder de fato…

Luciano Pires: Que tamanho é sua equipe? Só para eu…

Lucas Moreira: Hoje nós temos diretamente 12 pessoas e indiretamente a gente tem mais, porque acaba envolvendo a parte que terceiriza a parte que atende o franqueado. A nossa equipe ficou em casa, e aí a parte de expansão, por exemplo, eu e a Brunna falamos assim: vamos lá, para a gente não parar de crescer a gente precisa assumir isso daqui. Então eu e a Brunna, no meio da pandemia, com duas crianças em casa – uma observação muito importante – a gente assume a expansão da Splash. Porque antes nós tínhamos uma pessoa que tocava a expansão, hoje a gente assumiu a expansão então. Então aí no meio da pandemia, Brunna ligava para o candidato, marcava a reunião, e eu ia para a videoconferência com ele apresentar a Splash. Não deixamos de vender franquia nenhum mês. Todos os meses nós vendemos franquia da Splash. Observação muito importante, que a pessoa a maioria das vezes sequer tinha colocado um frapê na boca, uma bebida nossa na boca. Então assim…

Luciano Pires: Quem é que compra franquia cara? É um ex-executivo que está com um dinheirinho guardado? É o quê que é? É o filho do papai que o papai deu uma grana para ele fazer alguma coisa? É uma professora que economizou a vida inteira para buscar o caminho dela? Qual é o…? Tem um perfil?

Lucas Moreira: Tem isso tudo, tem isso tudo. Na verdade, no mercado tem isso tudo, com certeza têm. Na Splash em si a gente acaba tendo muita gente que quer diversificar investimento, ou está em mudança de vida, até mesmo vem um pouquinho do nosso propósito aí que é qualidade do tempo. Então, tem muita gente que está no mercado há anos trabalhando numa mesma função e quer de fato sair dali, empreender, fazer um negócio. E a Splash encaixa como uma luva, porque é um negócio – como eu falei – muito prático, é um negócio muito simples. Então a pessoa que nunca mexeu com alimentação ela consegue ter uma Splash, que é de alimentação, sem ter que depender, por exemplo, de um profissional específico, como um chefe de cozinha, como eu falei. Então as pessoas que buscam a Splash, buscam primeiramente pelo modelo, pela estética em si, que realmente é bem legal, mas quando ela começa a entender o modelo de negócio ela entende que realmente aquilo faz parte da vida dela, pode fazer parte da vida dela, no sentido de trabalhar, de ganhar dinheiro e ao mesmo tempo não ficar refém desse trabalho, que isso é o mais importante.

Luciano Pires: Vocês falaram desde o começo aí da qualidade de tempo. Vamos ver, define para mim o quê que vocês entendem como…? Que qualidade de tempo é essa aí que está no propósito de vocês?

Brunna Farizel: Bom.

Lucas Moreira: Fala de hoje.

Brunna Farizel: É. Vou dar o exemplo de hoje mesmo. Primeira coisa, qualidade de tempo não significa trabalhar menos. Muitas vezes, no caso nós dois como donos, fundadores ali, a gente trabalha muito mais do que se fossemos empregados de fato. Porém, hoje, por exemplo, é aniversário da Helena, a que nos inspirou a fundar de fato a Splash, que é a nossa filha mais velha. E hoje então a gente ficou, montamos um piquenique para ela, não dá nesse tempo de pandemia, então só para alguns coleguinhas.

Luciano Pires: Que idade, quantos anos?

Brunna Farizel: Três anos.

Luciano Pires: Três? Três anos?

Brunna Farizel: É. Montamos ali um piquenique para ela, e até às 11 horas da manhã nós dois estávamos com ela, comemorando o aniversário dela. Isso, se nós fossemos empregados, jamais aconteceria num segunda-feira. Então, quando a gente fala qualidade de tempo, é a gente conseguir moldar a nossa agenda.

Luciano Pires: Você é dona dele? Você é dona do tempo?

Brunna Farizel: Exatamente. Para que a gente possa ter essas liberdades, mesmo que depois você faça a compensação disso.

Lucas Moreira: Só complementando. Então a gente saiu do aniversariozinho dela, fomos direto para o escritório, tivemos a reunião com a equipe, toda segunda-feira nós temos uma reunião de alinhamento com toda a equipe do escritório. E aí ou você almoça ou faz reunião. Vamos fazer o quê? Vamos almoçar todo mundo junto fazendo a reunião.

Brunna Farizel: Fazendo a reunião.

Lucas Moreira: Então a gente pede por onde? Pelo iFood. Todo mundo pediu lá o seu almoço, sentamos na mesa lá e fizemos a reunião porque eu tinha um compromisso com você aqui e aí, por conta disso nós fizemos a reunião lá correndo. Saindo daqui eu tenho uma outra reunião, que eu vou voltar para lá, e depois às seis e meia da noite uma outra reunião. Ou seja, devo chegar em casa umas 20hs, hoje. Isso é qualidade do tempo. Isso é você trabalhar menos? Óbvio que não, vou chegar em casa muito mais tarde, na verdade no horário que eu chego sempre, mas muito mais cansado talvez do que antes, ontem mesmo a gente foi dormir uma e meia da manhã, tentando adiantar as coisas para hoje. Não é trabalhar menos, é você ter a possibilidade de ter o aniversário da sua filha, de manhã, em plena pandemia, porque à noite, com certeza se eu fosse trabalhar num lugar normal, eu não conseguiria chegar à noite, brincar com ela, provavelmente ela estaria dormindo e aí o dia do aniversário dela provavelmente já teria passado.

Luciano Pires: Legal. Vamos lá então, vamos aqui partir para a nossa reta final aqui. Estou interessado em comprar uma franquia, não necessariamente Splash, uma franquia. Que é um conceito interessante, alguém criou um negócio, o negócio está testado, tem todo o marketing, tem fornecedores, está tudo definido, eu só tenho que pegar o meu dinheiro, aplicar ali e seguir a regra. Se eu fizer tudo que a franquia está me dizendo eu tenho grandes chances de não quebrar a cara, porque eu já estou pegando um modelo…

Brunna Farizel: Testado.

Luciano Pires: Testado. O negócio é meu, a franquia, o ponto é meu, mas o business como conceito não é meu, é de alguém, eu estou pagando uma licença para poder usar tudo aquilo que vocês desenvolveram ali. Então, tudo bem, convivo com essa história, quero investir, quero comprar. Que cuidados eu tenho que ter? Agora eu estou falando com o especialista em franchising, e eu não quero que… não é para fazer propaganda da Splash. Bate o olho, então, cara o quê que eu…? Como é que eu protejo o meu pobre dinheirinho, o meu esforço grande aqui para não quebrar a cara?

Lucas Moreira: A primeira coisa que tem que analisar não é o que geralmente a mídia acaba divulgando que é: ah pesquisa quanto é a média de faturamento dessa rede. Pesquisa quanto que é a média de lucratividade dessa rede. Cara, média é média. Você vai pegar uma loja lá que está voando e várias lojas que estão lá embaixo. Então assim, o mais importante é você entender se aquele negócio, aquele modelo de negócio encaixa no seu perfil, primeira coisa é isso. Não é que você gosta, por exemplo, eu não montei a Splash porque eu gosto de tomar café, apesar que eu gosto, mas não foi por paixão em café. Foi porque o modelo do negócio ele é importante. Então a mesma coisa, o franqueado tem que entender o quê? Esse modelo de negócio encaixa no meu perfil pessoal, depois profissional, empreendedor e etc. E depois entender se esse negócio encaixa na sua cidade, no seu bairro ou aonde você imagina montar. Então aquela teoria de que: ah, pesquisa a média de faturamento da rede, a média de alguma coisa da rede. Isso daí para mim ela vai por água abaixo, porque você tem que analisar o seu histórico. Na verdade, não o seu histórico, mas o seu perfil. Ah, não, eu vou trabalhar num negócio, é uma despesa, eu não vou trabalhar no negócio, é uma outra despesa. Eu vou montar num shopping? É uma despesa x. Eu vou botar na rua, é uma despesa y. Então eu acho que o mais importante é analisar todos esses pontos, mas principalmente entender se aquele modelo do negócio ali ele encaixa naquilo que você está buscando. Porque é isso que vai te dar tesão para sair de casa todo dia e fazer o negócio acontecer. Porque se você não gosta, odeia o cheiro de café, por exemplo, não tem porque você ter uma cafeteria.

Luciano Pires: Eu odeio trabalhar com comida. Eu detesto comida, comida não.

Lucas Moreira: Não. Eu vou montar um negócio porque o negócio dá lucro. Não é bem assim, o negócio na vai dar lucro, porque se você odeia ou sequer consegue liderar pessoas, é o mais importante, liderar pessoas. Se você não tem essa vocação de liderar pessoas, toma cuidado porque às vezes montar um negócio não seria o melhor caminho. Enfim, alguns pontos.

Brunna Farizel: E pensar… e assim, até onde você consegue se adequar também num pensamento fora da caixa, porque por mais que tenham vários dados, vários estudos, vários caminhos, o imprevisto ele vai acontecer.

Luciano Pires: Claro.

Brunna Farizel: Sempre.

Luciano Pires: Eu estou escrevendo agora um material que eu vou publicar semana que vem que é: a única coisa possível de ser 100% garantida, prevista, é que vai ter imprevisto.

Brunna Farizel: É isso.

Luciano Pires: Entendeu?

Brunna Farizel: Então, é exatamente isso.

Luciano Pires: Imprevisto eu te garanto que vai ter.

Brunna Farizel: Exatamente.

Luciano Pires: É garantido né?

Brunna Farizel: E como você lida com o imprevisto. De repente se você é uma pessoa que tem a necessidade de uma segurança, então como que isso você consegue lidar com isso. Também é um ponto a ser…

Lucas Moreira: E você falou uma coisa muito importante. A franquia já tem um modelo. Né?

Luciano Pires: Sim.

Lucas Moreira: Muita gente quer entrar na franquia, aí ele entra por causa daquele modelo, ela gosta daquele modelo e quando ela entra ela quer fazer tudo diferente, ela quer fazer tudo do jeito dela.

Luciano Pires: Sim.

Lucas Moreira: Então, se já existe aquele modelo ali, você veio por conta daquilo. Depois aquela pessoa ela quer o quê? Não, agora sou dono disso daqui eu vou fazer do meu jeito. E aí é onde começa a ter problema, porque de fato a pessoa não está seguindo o que a franqueadora está colocando pela experiência, e outra, a franqueadora ela não tem só uma loja, ela tem várias lojas, onde um franqueado x está fazendo uma ação bacana, que ela pode ser replicada para os outros franqueados. Então é muito importante o franqueado, na verdade, antes de ser franqueado, ter também essa… entender que agora eu estou entrando na rede e eu tenho que obedecer tudo que está dentro da rede ali porque já existe um modelo, e agora eu sou parceiro deles. É hora de a gente compartilhar, não é também só top down, não é da franqueadora para o franqueado. Pode ser ao contrário também, não tem problema nenhum. Mas a parceria ela é muito importante nesse momento.

Luciano Pires: Eu tendo grana para comprar tem um lugar que eu possa bater para…? Tem um site que eu possa ir para ver? Deixa eu ver quais são as franquias que têm aqui. Existe um lugar? Ou eu tenho que pesquisar um por um?

Lucas Moreira: Existe, tem um site bem legal que a Splash até participa, que é suafranquia.com.br. O próprio site da ABF também.

Luciano Pires: Associação Brasileira de Franquias.

Lucas Moreira: Isso. Tem também algumas informações legais.

Luciano Pires: Você andou pesquisando aí com a…? O lance da pandemia aí derrubou todas as barreiras que existiam para o e-commerce de vez, cara, agora todo mundo tomou conta. E apareceram várias oportunidades aí, as Magalu da vida, cara, entra aqui, um, dois, três, tua loja está montada e amanhã de manhã você começa a faturar.

Brunna Farizel: Isso.

Luciano Pires: Então, transformou isso numa coisa tão fácil que eu não tenho que ter absolutamente nada, nem dinheiro para investir, porque a loja está pronta, eu só tenho que botar meu nome lá e começar a fazer propaganda para minha, para os meus…

Brunna Farizel: Para a sua rede.

Luciano Pires: Para a minha rede ali e ali fazer a coisa crescer. Vocês andaram estudando isso aí em termos de franquia cara? Isso não é bem uma franquia, isso é uma outra coisa. Mas tem muita gente sendo atraída para esse tipo de ação, envolvendo redes sociais. Como é que vocês veem?

Lucas Moreira: É como se fosse uma venda direta isso né?

Luciano Pires: É. Na verdade ele vai pegar a loja dele, dá para mim, pinto o meu nome na loja, que seria loja do Luciano Pires by Magalu. Tudo é… o estoque é deles, a entrega é deles, é tudo deles, eu só tenho que fazer, ele via usar a minha…

Brunna Farizel: Você só faz a conexão.

Luciano Pires: Vai usar…

Lucas Moreira: A Natura tem isso também.

Luciano Pires: Vai usar meus amigos para fazer acontecer.

Lucas Moreira: Olha a Splash o caminho que seria o mais próximo disso de fato é o delivery. Hoje dentro da Splash nós temos alguns canais de venda aí que você consegue atender bastante o público. Primeiro é a loja, o primeiro ponta é a loja, o cliente ir lá e consumir dentro da loja. O segundo ponto é o cara ir à loja e sair de lá com algum produto para presentear, para poder levar para casa, para consumir em casa como é o caso da cápsula de café, de chá, nós temos agora uma base de cappuccino de chocolate para poder fazer em casa. Fora isso copos, bonés, enfim, alguns produtos próprios. E outro caso é o delivery, o cara está em casa lá, está no escritório, ele consegue entrar no site, no aplicativo e fazer um pedido na Splash. Alimentação é um pouco mais complicado quando você fala. Ainda mais no nosso caso que você… a coxinha sai quentinha, são feitos na hora para você. Então você tem um tipo de negócio parecido com Magalu ou Natura, por exemplo, é um pouquinho mais complicado. Mas hoje o delivery ele veio para poder de fato atingir isso, nós temos um modelo express a pessoa consegue montar uma loja pequena em determinado lugar e grande parte do faturamento dessa loja vai vir através do delivery. Seria um pouco mais parecido do que isso, onde a pessoa consegue montar uma loja pequenininha onde o grande foco não vai ser a passagem de pessoas, apesar que vai ter também, mas só que o grande foco vai ser de fato o delivery, através dessa loja express.

Luciano Pires: Você tirou a história do ponto né?

Brunna Farizel: É

Luciano Pires: Que o ponto é… eu me lembro na época lá do Fran’s Café a discussão que era em torno do ponto. E o ponto era assim não, a grana, aquilo entra dinheiro que não acabava mais.

Brunna Farizel: Exatamente.

Luciano Pires: Era muito dinheiro que ia embora ali. Né?

Lucas Moreira: E você diminui investimento, o ponto menor você diminui o investimento, seu custo operacional ele cai drasticamente. Só você imaginar, energia cai, tudo cai.

Luciano Pires: Cara você está mexendo na coisa fundamental que é reduzir risco. Né?

Brunna Farizel: É isso.

Luciano Pires: Que tamanho é meu risco? Eu me lembro que antigamente quando você falava em franquia tinha um risco gigantesco. E a gente usava aquele modelo do McDonald’s. Né?

Brunna Farizel: É.

Luciano Pires: Cara, quanto custa? Custa um milhão de reais para botar uma loja do Mc. É um puta risco né? Se bem que dar errado uma loja do McDonald’s é complicado. Né?

Brunna Farizel: É muito difícil.

Luciano Pires: Cara aquilo está… se eu seguir ali ela tem que dar certo. Mas acho que o grande lance é este cara, reduza o risco de onde eu vou botar meu dinheiro né?

Brunna Farizel: É isso aí.

Lucas Moreira: É isso aí mesmo.

Luciano Pires: Legal. Quem quiser conhecer então a Splash. Põe o que na…? Qual é o site, splash.com, como é que é?

Lucas Moreira: bebasplash.com.br

Luciano Pires: beba, beba?

Lucas Moreira: beba.

Luciano Pires: splash. E o Splash é “S” mudo, “P”, “L”, “A”?

Brunna Farizel: “P”, “L”, “A”, “S”, “H”.

Lucas Moreira: “S”, “H”.

Luciano Pires: “S”, “H”.

Brunna Farizel: Isso.

Luciano Pires: Splash, bebasplash.com?

Brunna Farizel: .br.

Lucas Moreira: .com.br.

Luciano Pires: .br. Tá.

Brunna Farizel: E @bebasplash também que é o Instagram, @bebasplash tem lá…

Luciano Pires: Mas vocês lançaram um livro né?

Brunna Farizel: Lançamos.

Luciano Pires: Como é o nome do livro?

Brunna Farizel: Livro Pra Cima, e esse livro ele foi escrito em sete madrugadas durante os 10 primeiros dias da pandemia. E na madrugada porque nós temos as duas crianças pequenas, então a gente precisava que elas dormissem para a gente começar a escrever, e aí a gente fez essa maratona aí.

Luciano Pires: Qual é a pegada do livro? O quê que é? Pra Cima é o nome dele?

Brunna Farizel: O livro é Pra Cima, e a gente conta então como que nós dois como casal deixamos o nosso lado empreendedor, na vida, nos transformar e nos trazer até aqui. Então a gente conta desde quando nós saímos então lá de Vitória para vir para São Paulo para realmente trabalhar, pagar as dívidas e como viramos na nossa história e hoje estamos com a Splash, no iniciozinho, mas já é diferente. O grande objetivo era realmente inspirar, porque a gente começou a perceber que na madrugada, ou pelo menos depois das 10 da noite, logo realmente no início da pandemia, o nosso telefone corporativo – como o Lucas falou, que gente assumiu a expansão – chegava muita mensagem. E aí dava 10 horas, nove e meia, assim, começava. Mensagem, mensagem de pessoas interessadas, querendo entender um pouco mais da franquia.

Luciano Pires: Depois das 10 é isso?

Brunna Farizel: Depois das 10. A gente: tem alguma coisa estranha. Porque só depois desse horário que o negócio começava a bombar? Aí a gente marcava essas reuniões, e muitos casais, porque aí era a oportunidade que eles tinham de estar juntos para as reuniões, porque estava todo mundo em casa, começaram a falar que eles estavam reavaliando, uns estavam inseguros se continuariam no emprego, enfim, começaram a botar em cheque realmente para que rumo a vida deles iriam tocar assim. Qualidade de vida, pensando de mudar para o interior e tudo. E aí a gente falou: cara tem muita gente que tem uma história parecida com a nossa, quer junto construir isso daí como casal também. Vamos botar isso no papel. Acabou que ele saiu também dentro da pandemia, ficou pronto dentro da pandemia, com comentários de Abílio Diniz, Luiza Helena Trajano, José Carlos Semenzato, Rogério Salume, enfim, alguns nomes de peso.

Luciano Pires: Network é tudo cara. Eu sou as pessoas que eu conheço cara. Network é tudo.

Brunna Farizel: Alguns nomes aí, e realmente ele ficou pronto em tempo recorde, mas vem dando efeito porque as pessoas que leem começam e assim, é coisa de três dias elas no máximo terminam o livro e sentem-se realmente impactadas.

Lucas Moreira: Parte daquilo.

Brunna Farizel: Parte daquilo. Consegue visualizar isso. Então a ideia do livro é essa.

Luciano Pires: Que legal. Como é que a gente acha o livro?

Brunna Farizel: Tem no livropracima.com.br, pode baixar gratuitamente o e-book.

Luciano Pires: Ah, vocês botaram de graça?

Brunna Farizel: É. Ou através do físico na Amazon.

Luciano Pires: Tá livropracima.com.br?

Brunna Farizel: É.

Luciano Pires: Pô que legal. Baita história a de vocês? Jovens. Quantos anos têm a menorzinha?

Brunna Farizel: Tem… a menor vai fazer um mês que vem, e a outra três.

Luciano Pires: Que legal. Pô excelente história, agora estou curioso para conhecer a Splash cara, não sabia, quero ir lá ver. Tem bastante em São Paulo? Têm várias aqui?

Lucas Moreira: É. A gente está agora num momento de reforma, a procura de ponto de algumas lojas, a expansão está sendo bem rápida e bem agressiva aí. Em São Paulo a gente tem no Paraíso, Shopping Metrô Santa Cruz, Shopping Metrô Tucuruvi, Pinheiros está em reforma, vai inaugurar daqui uns dois meses mais ou menos, enfim, estamos aí procurando em São Paulo em especial. Temos no interior, Jacareí, Atibaia, Ribeirão, Presidente Prudente já, já, São José do Rio Preto, enfim, estamos aí, Brasília fechamos hoje antes de vir para cá.

Luciano Pires: Que bom.

Lucas Moreira: Então assim, estamos em plena expansão aí para fazer o negócio acontecer.

Luciano Pires: Maravilha. Parabéns para vocês viu.

Brunna Farizel: Obrigada.

Luciano Pires: Sejam bem-vindos aqui, eu espero que isso aí expanda muito mais ainda, porque tem outro lance que tem uma missão até social, sabe, nesse trabalho que vocês fazem aí. Já fiz o trabalho pesado todo, agora eu estou ajudando uma porrada de gente que pode constituir seu negócio sem ter que quebrar a cara, sem ter que partir do zero. E isso tem um mérito legal aí.

Brunna Farizel: E mais que isso até, assim, se você me permite, a gente dá a nossa visão para… com tudo assim, como você empreender de fato na sua vida. Então nós dois como casal, porque como casal é muito difícil, de você conciliar e equilibrar essa balança. A gente fala também quando nós éramos funcionárias como a gente buscava esse diferencial, como a gente buscou se destacar, e automaticamente também como empreendedores. Então a mensagem é essa.

Luciano Pires: Se aprenderam e quebraram a cara, vamos ensinar os outros, que o que aconteceu com a gente não tem formula nenhuma garantida.

Brunna Farizel: Não tem.

Luciano Pires: Não quer dizer que se você fizer o que eles fizeram vai dar certo com você, mas quer dizer o seguinte: tem uma inspiração lá, se eles fizeram talvez eu consiga.

Lucas Moreira: O mais importante é arriscar.

Luciano Pires: Sim.

Lucas Moreira: É aquela história. Está no momento certo? Não existe momento certo, o momento certo é agora, sempre, mas é arriscar. A vida é feita… inclusive o subtítulo do livro, como o incômodo de um casal pode ajudar sua vida, enfim.

Brunna Farizel: Pode transformar os seus sonhos em realidade.

Lucas Moreira: Transformar os seus sonhos em realidade. Então é isso aí. Você está com um incômodo? Muita gente fica com o incômodo lá, fica anos no emprego, e fica com medo de sair, mas está incomodado, chega em casa triste todo dia. E acho que nós viemos para a vida, acho não, nós viemos para a vida para sermos felizes. Então arriscar é muito importante. Dá um friozinho na barriga? Dá. Dá medo? Dá. Mas arrisca, arrisca que depois vale a pena.

Brunna Farizel: A gente fala que sonhar todo mundo sonha sentado no seu sofá.

Luciano Pires: Isso aí.

Brunna Farizel: Né? E aí você sonha.

Luciano Pires: Que a opção do arriscar é não fazer nada, não vai mudar nada. Se não fizer não vai mudar nada.

Brunna Farizel: É isso aí.

Luciano Pires: Para mudar tem que correr o risco. Obrigado a vocês.

Brunna Farizel: Obrigada.

Luciano Pires: Parabéns pela filhota.

Brunna Farizel: Obrigada.

Luciano Pires: E sucesso para vocês.

Brunna Farizel: Obrigada.

Lucas Moreira: Obrigado, Luciano, um abraço.

Luciano Pires: Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição desse programa é exclusiva para assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium. Lembre-se, confraria.cafe.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.