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Luciano Pires -

Luciano Pires: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje trazemos Bianca Oliveira, jornalista e apresentadora, vivendo na Europa, onde produz o PodCast Coisas Sobre Você, uma daqueles programas que já no início traz uma baita surpresa. Muito bem, primeira gravação do LíderCast pós-pandemia, quem acompanha a gente sabe que a gente acabou optando por parar as gravações, eu até coloquei um comunicado no mercado dizendo que eu ia lançar um LíderCast Live, ia fazer uma série de programas com gravação à distância, mas aí nesse período eu acabei fazendo uns testes, eu fiz uma série de lives com várias pessoas e acabei descobrindo que não adianta cara, a alma do LíderCast é o entrevistado na minha frente aqui, a gente batendo um papo, eu olhando no olho, batendo joelho, dando um tapa na perna. E aí como é que? Então isso é a alma o LíderCast, é assim que a gente consegue trazer emoção, trazer a verdade para cá. Isso tudo se perde na live. Então, se pela live eu poderia alcançar gente que eu jamais conseguiria gravando presencialmente aqui, por outro lado ia perder o mais legal que era exatamente esse contato. Aí optei por não fazer, então a gente entrou em recesso, quando terminou a temporada 15 entramos em recesso, não teve mais LíderCast e ele começa a ser retomado agora nesse final de pandemia. Hoje é dia 23 de agosto de 2020, finalzinho de quarentena e tudo mais, nossa visitante veio de longe. Mas então estamos retomando hoje aqui. Seja muito bem-vinda, eu vou começar com aquelas três perguntas tradicionais que você já sabe, já conhece. Eu quero saber seu nome, sua idade e o que é que você faz.

Bianca Oliveira: Muito bem. Meu nome é Bianca Oliveira, tenho 31 anos e sou jornalista.

Luciano Pires: Muito bem. Deixa eu fazer um preâmbulo aqui que é o seguinte: mal sabia eu, sei lá quantos anos atrás, sei lá quanto tempo foi isso. Você vai lembrar. Quanto tempo faz?

Bianca Oliveira: Cinco anos.

Luciano Pires: Cinco anos mais ou menos. Eu fui convidado, eu não me lembro por onde, de que jeito, a fazer uma entrevista numa emissora de TV do interior de São Paulo. Onde mesmo, em?

Bianca Oliveira: Em São José dos Campos.

Luciano Pires: São José dos Campos. E aí eu fui para lá só para fazer essa entrevista, era um programa de televisão e aí tinha uma apresentadora, bonita, simpática, tudo. Me recebeu a gente bateu um papo, foi legal a participação, ficou muito interessante e depois perdemos contato. Eu não sabia que ela continuou me seguindo, mas nunca mais tivemos contato. De repente eu sou convidado para fazer uma live, em plena pandemia, e essa live tem como uma das participantes aquela garota que me entrevistou aquela vez e eu não sabia. Morando na Inglaterra, fez a live e a gente começou a bater um papo, falei: cara que loucura. Ela pegou e me convidou para fazer uma participação no PodCast dela, eu fiz e no final da minha participação eu falei para ela: Bianca quando você vier para o Brasil eu quero você no LíderCast, porque ela tem um perfil que me interessava, me interessa muito. Que era o brasileiro que foi para o exterior, e lá no exterior ele trabalha para o Brasil, então ele ganha trabalhando para o Brasil, porém morando no exterior. Falei: cara esse perfil eu quero. Calhou dela estar aqui no Brasil agora, então muito bem, seja muito bem-vinda, Bianca.

Bianca Oliveira: Poxa, eu que agradeço, assim, eu estou emocionada, estou felizaça aqui. Estou no QG do Luciano, gente, que é um sonho para qualquer comunicador. Um estúdio montado, o Luciano é esse cara apaixonado por áudio, comunicação, trabalho bem feito. E eu estou assim, estou parecendo que eu estou na Disney. Criança na Disney? Então é isso aí, estou feliz.

Luciano Pires: Quem é do ramo fica enlouquecido aqui né?

Bianca Oliveira: Mas obrigada, eu estou superfeliz pelo convite.

Luciano Pires: Vamos começar do começo. Quem é a Bianca? Bianca, você nasceu onde?

Bianca Oliveira: Luciano, eu sou do interior do Paraná, eu nasci em Maringá, Cidade Canção, uma cidade supernova, tem 70 anos aí, e aos 20 anos de idade eu terminei meu curso de Jornalismo, eu já estava trabalhando com rádio na época, eu entrei para a emissora, uma emissora local ali em Maringá, chamada Novo Tempo, e então eu comecei ali com 17 anos. Com 17 anos eu comecei no rádio.

Luciano Pires: Locução?

Bianca Oliveira: Locução.

Luciano Pires: Você já foi para o microfone?

Bianca Oliveira: Já fui par ao microfone, foi incrível.

Luciano Pires: Com 17?

Bianca Oliveira: Com 17 anos. E foi assim, muito legal, porque eu tive bons mentores naquela época, que acreditaram acho que no meu timbre. Nossa essa menina tem um timbre de voz interessante, vamos começar a trabalhar com ela. E assim, eu nunca tinha falado num microfone e operado uma mesa de som, nada. Era até um pouco tímida, gostava de me comunicar, mas era supertímida. E aí eles foram corajosos. Muito corajosos, né?

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Em um mês eu já estava no ar para dois milhões, um público potencial de dois milhões de ouvintes, todo do norte do Paraná ali, e aí comecei a fazer um programa à tarde, de cinco horas, de locução, e depois de manhã, porque de manhã…

Luciano Pires: Cinco horas no ar.

Bianca Oliveira: Cinco horas. Da uma às seis horas da tarde.

Luciano Pires: E o quê que era o programa?

Bianca Oliveira: Era um programa musical e participação de ouvintes, tinha a parte publicitária também à tarde, pouca, de manhã comandava mais. E aí eu comecei também a criar alguns programas para jovens, eu queria, enfim, sempre gostei disso, de movimentar a galera. E aí comecei a fazer um programa aos sábados também, que se chamava Espaço Jovem, uma hora todo sábado. Eu chamava algumas autoridades da cidade para poder falar, e a gente debater temas que tinham a ver com a juventude. Foi muito bacana. Então fiquei quatro anos ali no ar.

Luciano Pires: Dos 17 aos 21?

Bianca Oliveira: Dos 17 aos 21.

Luciano Pires: Então, uma menina de 17 anos, está começando a aprender… tem balada, tem o namorado, tem uma porrada de coisas aí que não têm a ver com ficar cinco horas trancada num estúdio no ar. Então como é que foi isso? Como é que pintou? Você se apaixonou pelo lance do rádio? Como é que você foi parar aí?

Bianca Oliveira: Então, na verdade, eu nunca sonhei em trabalhar com rádio. Mesmo. Inclusive na minha adolescência eu não gostava da minha voz, eu achava minha voz muito feia, eu achava que não era… saía do padrão, tipo, nossa nenhuma menina tem uma voz com esse timbre, eu acho feio, não tem nada a ver. Porque que eu nasci assim? Sabe aquelas crises de identidade, né? E aí a minha mãe ela… eu já estava entrando para a faculdade, já queria Jornalismo, por um incentivo de uma professora de Português, porque eu queria Direito, na verdade. Ela falou: você tem que fazer Jornalismo, você tem uma postura e tal, acho que é legal você ir para o Jornalismo, pensa nisso com carinho. E eu fui. E aí já matriculada para começar ali o curso, a minha mãe falou: olha eu recebi uma informação de que a Rádio Novo Tempo aqui em Maringá eles estão querendo fazer testes. Porque que você não vai lá? Eu falei: ai mãe, nada a ver. Quê que é isso? Imagina. Não, você vai. E minha mãe meio que me obrigou a ir. Sabe? E eu fui fazer um teste, mas assim, era um teste para uma propaganda.

Luciano Pires: Entendi.

Bianca Oliveira: Sabe? Uma coisa nada a ver, não era pra ser locutora e tal. E eu fui fazer. Três semanas depois eles falaram: ó a gente tem interesse, tal, de te treinar, e nã-nã-nã. Enfim, e foi. E eu me apaixonei.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Porque é um… bom você sabe, a gente… é um negócio muito mágico, porque você pode se expressar, você é você. Você vai… é uma conversa, é uma… um ambiente tão agradável, e você tem um retorno muito rápido. Então assim, quando eu falava no microfone: olha liga aqui. Poxa.

Luciano Pires: Na hora.

Bianca Oliveira: Trinta segundos a galera estava ligando. Sabe? Eu lembro que na data do meu aniversário, aí faziam: ah, hoje é aniversário da Bianca, e tal, não sei o que. Chegavam dois, três ouvintes com bolo. Sabe? Para a gente cantar parabéns lá no estúdio. Isso era incrível, sempre adorei isso. Depois eu fui para a televisão, mas minha paixão sempre foi o áudio, eu sempre…

Luciano Pires: Como é que era aquele momento em que você encontra as pessoas e a pessoa fala: Bianca, eu sou teu ouvinte, eu ouço você. Com 17, 18 anos de idade. Como é que é isso?

Bianca Oliveira: Não, era muito louco, porque a minha voz, por ser um timbre mais grave, aparenta que eu: essa menina deve ter uns 30 anos.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Sei lá. Aí chegava lá era uma menina mirradinha, magrinha, acabou de sair da adolescência, eles meio que se assustavam. Fala: olha, desculpa se eu te decepcionei.

Luciano Pires: O Irineu, o Irineu Toledo que eu gravei com ele aqui, o Irineu que falava isso, ele falava: cara a voz da gente cria uma persona no imaginário das pessoas.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: E aí a pessoa… ele falou que tinha uma namorada dele, uma namorada não, uma que estava a fim de se encontrar com ele, não sei o que. Quando ele apareceu, ele falou: cara eu vi no olho dela…

Bianca Oliveira: A decepção.

Luciano Pires: O desapontamento, a decepção quando ela viu um cara baixinho, meio gordinho. Ela estava imaginando um Johnny Weissmuller, sabe. Um cara ator de cinema. E é interessante isso. Né?

Bianca Oliveira: É. Mas era isso, o pessoal ia lá me visitar e tal, e: eu quero conhecer a Bianca. Teve até um dia que eu brinquei, falei assim: não, não, eu sou a Bianca. Não, não, você está brincando, né? Falei: ah não, eu estou mesmo, espera aí que eu vou chamar ela. Daí eu saí, eu voltava: olá. Tudo bem? Aí a pessoa… dava uma impostada na voz para a pessoa falar e realmente é ela. E aí o pessoal: nossa, mas você é tão novinha e tal. Bom, hoje eu não sou tão novinha mais, já estou com 31 anos, mas mesmo assim as pessoas ainda se assustam. Não é? Com o timbre de voz.

Luciano Pires: Para quem tem 64, você é um bebê.

Bianca Oliveira: Nada.

Luciano Pires: Mas você ficou quatro anos na rádio?

Bianca Oliveira: Fiquei quatro anos na Rádio Novo Tempo de Maringá. Terminei o meu curso de Jornalismo ali na cidade mesmo, então eu fui para a Rede Novo Tempo de Comunicação, a Rede Novo Tempo.

Luciano Pires: Lá?

Bianca Oliveira: Não, para São Paulo. Aqui para São Paulo. Então a Rede Novo Tempo de Comunicação, para quem não conhece, é uma rede de comunicação, obviamente, como o nome já diz, mas a gente tem 18 emissoras de rádio no Brasil e nós temos também programação para a televisão, que inclusive foi o programa que você participou comigo, que é o Conexão Jovem, na época eu estava apresentando e produzindo, nós estamos aqui no Brasil para mais de 700 canais abertos, e também na Sky, na Sky-Net, que eu acho que virou… não Sky e aí a Net comprou a Claro, alguma coisa assim agora no Brasil.

Luciano Pires: A Claro comprou a Net.

Bianca Oliveira: Então nós estamos… é uma rede, uma televisão e uma rede de rádios também.

Luciano Pires: Porque que você está falando nós?

Bianca Oliveira: Nós?

Luciano Pires: É. Porque você ainda está lá?

Bianca Oliveira: Não, não estou. É engraçado né? Eu acho que ainda estou nesse processo de desmame. Né?

Luciano Pires: É.

Bianca Oliveira: E é engraçado você falar isso, porque quando eu estava trabalhando lá na Rede Novo Tempo, eu tinha um sentimento de pertença tão grande, e eu vestia a camisa de uma maneira tão intensa que era isso mesmo. Sempre tratei as coisas como um time. Sabe? Como um grupo.

Luciano Pires: Sei.

Bianca Oliveira: Até quando eu ia vender as pautas, vender entre aspas, porque a gente… quando eu fui te entrevistar, por exemplo, eu tive que te falar que programa que era, não sei o que, tal. E eu… sabe eu sempre fui muito apaixonada por tudo que eu fazia e faço. Então acho que é por isso que eu soltei esses nós, eu ainda tenho sentimento de pertença, é um carinho muito grande.

Luciano Pires: Essa rede tem um lance religioso. Não tem?

Bianca Oliveira: Tem.

Luciano Pires: É grupo, ela pertence…

Bianca Oliveira: A Rede Novo Tempo de Comunicação pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Luciano Pires: Tá.

Bianca Oliveira: E…

Luciano Pires: Você professa essa…?

Bianca Oliveira: Sim, sou da…

Luciano Pires: Você…?

Bianca Oliveira: Sim, sim, sou adventista do sétimo dia.

Luciano Pires: Já era quando você veio?

Bianca Oliveira: Sim.

Luciano Pires: De Maringá você já era?

Bianca Oliveira: Sim, sim, desde criança. Desde criança. Mas uma característica que eu gosto da Rede Novo Tempo é que ela não é uma televisão, ou um grupo de comunicação que é apelativo, a gente é uma rede educativa. Eu sempre gostei disso, porque a questão da religião para mim é… eu não posso impor nada. Aliás, é uma coisa que me irrita bastante, eu sou um tanto contra isso. E era um valor que batia. Então eu fiquei muito feliz quando eles me convidaram para ir em rede nacional. E eu fui para rede nacional, eu trabalhava como locutora animadora, mas eu fui como âncora de um rádio jornal, que era o principal rádio jornal em rede nacional.

Luciano Pires: Lá em São José?

Bianca Oliveira: Lá em São José dos Campos, que era o Conexão Novo Tempo, então era onde as 17 emissoras entravam em rede nacional e eu apresentava esse jornal.

Luciano Pires: Então você mudou de mala e cuia? Você veio, mudou de cidade e tudo?

Bianca Oliveira: Mudei de cidade.

Luciano Pires: Com 21 anos de idade?

Bianca Oliveira: Com 21 anos de idade.

Luciano Pires: Largou a família e…

Bianca Oliveira: Larguei a família.

Luciano Pires: Veio sozinha?

Bianca Oliveira: Foi um período muito assim, intenso, complicado, na época meus pais já estavam separados, então estava uma loucura de…

Luciano Pires: Você tem irmãos?

Bianca Oliveira: Tenho um irmão por parte de mãe e três irmãos por parte de pai. Inclusive também foi uma outra história, uma outra novela da minha vida, porque eu conheci o meu pai biológico há quatro anos. E ele mora aqui em Campinas, então assim, eu estava em transição, de mudança de cidade, aí eu descobri muitas coisas na época.

Luciano Pires: Espera aí, deixa eu ver se… eu estou meio enferrujado aqui ao retomar.

Bianca Oliveira: Não, mas a minha história é uma novela mesmo, Luciano.

Luciano Pires: Faltou logo no comecinho eu te dar uma provocada, eu ia perguntar qual é o apelido que você tinha quando era criança. Como é que o pessoal te chamava quando você era…

Bianca Oliveira: De Bia.

Luciano Pires: Bia né?

Bianca Oliveira: Bia.

Luciano Pires: Como é que é esse lance de descobrir o pai aos 27 anos de idade? Como é que é isso?

Bianca Oliveira: Foi o seguinte, quando eu tinha… na verdade quando eu já estava para ir embora de Maringá, eu estava com 20 anos, enfim, numa conversa com a minha mãe ali depois que ela se separou, ela me contou: o pai que você chama de pai não é seu pai. Falei: hum. Só que eu não fiquei revoltada ou brava, assim, um tanto confusa, lógico, mas eu já tinha um sentimento, uma intuição. Sabe? Uma coisa, enfim, acho que eu cresci com isso, meu cérebro meio que: então era aquilo que você sempre pensou né?

Luciano Pires: Você tem irmãos?

Bianca Oliveira: Eu tenho um irmão por parte de mãe, que eu fui criada com ele, ele é mais novo do que eu.

Luciano Pires: Tá. Que não é…? De um pai diferente?

Bianca Oliveira: Isso. Que é do meu padrasto.

Luciano Pires: Tá. Do seu padrasto.

Bianca Oliveira: E o meu pai eu tenho mais três irmãos que são mais velhos. Ricardo, o Rogério e a Ana.

Luciano Pires: Que você não tinha ideia?

Bianca Oliveira: Não tinha ideia.

Luciano Pires: Nada, até quatro anos atrás.

Bianca Oliveira: Nada. Zero, zero. Então, na verdade há quatro anos atrás eu sabia. Com 20 anos de idade minha mãe falou: ó, você tem um…

Luciano Pires: Ah. Tá certo.

Bianca Oliveira: Você tem um… seu pai, tal, falou o nome do meu pai. Eu falei: então tá bom. Vou procurar meu pai, e procurei meu pai no Facebook. Eu fui lá, digitei o nome do meu pai, acabei achando ele, conversando com meu irmão do meio, o Rogério, enfim, nós ficamos sete anos eu conversando só com o Rogério. E assim, ficou uma situação meio complicada.

Luciano Pires: Como é que é isso?

Bianca Oliveira: É muito louco.

Luciano Pires: Como é que você digitar no Facebook e aparecer uma foto de alguém que você nunca viu na sua vida, e que você olha para aquilo e fala: esse cara é o meu pai. Que é isso? Como é que funciona?

Bianca Oliveira: Então, na verdade, quando eu digitei o nome do meu pai, não apareceu a foto dele, mas quando eu vi, tinham pessoas ligadas a ele, eu entendi que eram os filhos dele. No caso eu encontrei ali o nome do meu irmão. Aí eu falei: espera aí, deixa eu ver se esse cara parece comigo. Sabe assim uma coisa estranha. Daí eu olhei, falei: é acho que ele pode… mais ou menos, eu vou mandara uma mensagem aqui. E mandei uma mensagem. Conversei com ele uns dois dias, esse meu irmão, e aí depois eu contei toda a história para ele. Ele ficou logicamente chocado.

Luciano Pires: Ele não sabia que você existia?

Bianca Oliveira: Não, não, não. Foi muito louco, assim, e a gente conversou durante sete anos. Eu só conversava com o meu irmão. Para resumir bem a história, porque é uma novela mexicana.

Luciano Pires: Seu pai sabia que você existia?

Bianca Oliveira: É. Sabia.

Luciano Pires: Ele sabia que tinha um…?

Bianca Oliveira: Sabia, mas era tão delicado, porque…

Luciano Pires: E ele não contou para ninguém?

Bianca Oliveira: Não.

Luciano Pires: Da família dele?

Bianca Oliveira: Não, não. Até porque era muito delicado, sabe, e eu também não tinha essa intenção de chegar, invadir. Olá, tudo bem, sou sua filha. Eu não queria isso.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: E eu estava bem, realmente, eu estava muito tranquila em relação a isso. Eu fiquei feliz em… tem o lance de identidade né? Está lá, eu tenho esse cabelo, eu tenho esse olho que não parece com o do meu padrasto. Da onde eu vim né? O quê que está acontecendo? Então quando eu vi a figura do meu pai isso já me acalentou o coração. E aí então eu descobri que eu tinha sobrinhos, que eu tinha uma irmã. Fiquei superempolgada com isso, mas também não tinha intenção de chegar e, né, enfim. Ai, eu estou aqui e vamos que vamos, e não interessa, eu quero acabar com tudo. Eu não queria isso.

Luciano Pires: Onde eles moravam?

Bianca Oliveira: Eles moram em Campinas.

Luciano Pires: Tá. Você estava em Maringá?

Bianca Oliveira: Não, eu estava aqui em São Paulo.

Luciano Pires: Não, não. Quando você soube você estava em Maringá?

Bianca Oliveira: Estava em Maringá.

Luciano Pires: Vindo embora para cá?

Bianca Oliveira: Vindo para cá.

Luciano Pires: Tá.

Bianca Oliveira: Exato. E aí então assim, para resumir, eu fiquei conversando sete anos com esse meu irmão, para a gente ver o melhor momento, eu também não queria invadir. E ele também, achou que a gente podia ir aos pouquinhos, até que um dia ele falou: Bianca, eu tenho que te apresentar para a família, se vai doer em algumas pessoas a gente vai ter que encarar isso juntos e tal. E foi assim. E aí eu fui apresentada para a família.

Luciano Pires: Ah, você não vai, você pensa que você vai escapar. Mas de jeito nenhum, espera aí. Eu saber dessa história, agora quero explorar isso aqui. Vem cá. Vocês marcam um dia de você ir para Campinas.

Bianca Oliveira: Foi.

Luciano Pires: E você chega sozinha, você foi sozinha?

Bianca Oliveira: Não, fui com meu esposo.

Luciano Pires: Foi com seu marido?

Bianca Oliveira: Fui.

Luciano Pires: Chega em Campinas, numa casa?

Bianca Oliveira: Sim.

Luciano Pires: Sabendo que lá dentro tem uma família?

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Que é a sua?

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Cara. Como é que é isso?

Bianca Oliveira: Foi um dos dias mais loucos da minha vida, com certeza, com certeza. Eu tenho três irmãos, né, por parte de pai.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Eu sempre conversei com um deles, que é o Rogério, e quando eu fui à Campinas pela primeira vez, eu já fui na casa da minha irmã, que é a Ana. Porque a Ana… o Rogério foi lá e contou para a Ana.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: A Ana, assim, eu até falo que para mim a minha irmã é uma das mais empáticas desse mundo. Porque quando ele falou, é claro que ela se chocou, claro, não é uma notícia que você recebe todo dia. E ele disse que a primeira pergunta que ela fez foi: mas onde ela mora? Não, ela está aqui no interior e tal. Não, eu quero ver ela. Tipo, ela não brigou, ela não falou: meu Deus, mas como assim, o que aconteceu, porque não sei…? Não, não, não. Eu quero ver ela, foi a primeira reação dela. Então ela pegou meu telefone e mandou uma mensagem, eu lembro disso, era uma quinta-feira de manhã, eu estava trabalhando e de repente meu celular recebe uma mensagem ali no WhatsApp. Oi Bianca, eu sou a Ana, você me conhece, eu estou sabendo da história…

Luciano Pires: Sou sua irmã.

Bianca Oliveira: Eu queria, eu queria saber se eu posso te encontrar amanhã. Falei: amanhã? É. Eu não sei, eu dou um jeito de ir para aí, você vem para cá, eu preciso te ver, eu preciso te ver. E foi que no outro dia eu fui com meu esposo, a gente foi à Campinas, eu fui na casa dela. E enfim, foi um encontro bem emocionante, a gente chorou e tal, e a gente conversou ali longas horas. E foi incrível porque ela me olhava assim: meu Deus, como assim cara? Porque ela falou: olha eu estou enxergando… você tem uma característica da família. Então eu…

Luciano Pires: Que idade ela tem?

Bianca Oliveira: A minha irmã tem 42 hoje.

Luciano Pires: Então ela é mais velha que você?

Bianca Oliveira: Todos mais velhos do que eu.

Luciano Pires: Todos mais velhos que você?

Bianca Oliveira: Uhum.

Luciano Pires: Tá. Em que momento o seu pai surge?

Bianca Oliveira: Sim, meu pai surgiu… eu fui encontrar meu pai no domingo pela primeira vez, isso era numa sexta.

Luciano Pires: Quer dizer, já tinha encontrado a irmã?

Bianca Oliveira: Isso.

Luciano Pires: Encontrou o irmão?

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: O outro irmão também?

Bianca Oliveira: O outro irmão também encontrei no domingo, que é o mais velho, o Ricardo.

Luciano Pires: E aí a família organizou um…?

Bianca Oliveira: Organizou um encontro ali, e quando eu encontrei meu pai…

Luciano Pires: Contaram para o seu pai que você ia?

Bianca Oliveira: Foi e ele deu uma estremecida boa né?

Luciano Pires: Imagina.

Bianca Oliveira: Mas ali o primeiro encontro foi… esse foi o dia mais louco da minha vida, sem dúvida assim. Porque você olha para uma pessoa que você nunca viu na vida e ele é seu pai. Então assim: ah, mas e aí o quê que você sentiu? Até hoje eu não consigo achar uma palavra que expresse esse sentimento, porque é um impacto de identidade muito grande. Lógico, o meu pai hoje está com 72 anos, meu pai ele é um idoso, e assim quando eu olhei para ele eu vi algumas características minhas. Isso é muito louco. Porque você fala: meu Deus. Tipo. Como assim? Eu não tenho sentimento nenhum por esse homem ainda, eu nunca encontrei ele e ele é meu pai e tal. Enfim, foi um encontro bonito, mas um encontro muito intenso. Foi uma coisa muito louca. Chorei bastante.

Luciano Pires: Do lado dele, como é que foi do lado dele?

Bianca Oliveira: Ele ficou bem emocionado, ele… eu me lembro assim que ele… a gente conversou bastante, mas ele me fez uma pergunta que até hoje eu falo: meu Deus pai, porque você me perguntou isso? Porque ele olhou para mim e falou assim: então, como foi sua vida? Como assim? Como foi minha vida? Até hoje eu tiro sarro dele. Mas coitado. Ele ia perguntar o quê? Enfim.

Luciano Pires: Mas ele estava como? Ficou algum sentimento de culpa, alguma coisa? Você sentiu?

Bianca Oliveira: Ficou. A gente teve muitas DRs depois, muitas. Mas uma coisa que foi boa, Luciano, foi que foi muito transparente, tudo foi muito transparente. Sabe? Foram conversas francas, nada de briga. Não. Conversas francas. Vou abrir meu coração, o senhor abre o seu, os meus irmãos abriram os deles. Inclusive a minha madrasta, porque meu pai é casado, para ela foi um choque enorme.

Luciano Pires: Que ela também não sabia que ele tinha uma filha.

Bianca Oliveira: Ela também não sabia, mas assim como a minha irmã, ela é uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci na minha vida. Uma pessoa absurdamente empática, querida, me abraçou assim de uma maneira que eu não tenho nem palavras para descrever.

Luciano Pires: Filha né?

Bianca Oliveira: Filha.

Luciano Pires: Ela te pegou como filha.

Bianca Oliveira: Filha, e eu amo ela mesmo, assim como se fosse uma segunda mãe, ela é muito especial para mim. Mas eu sei que essa também não é a realidade de muitas famílias.

Luciano Pires: Não, você está contando uma história que ela – como é que eu vou dizer assim – parece àquela coisa idílica, aquela coisa que: é assim que deveria ser com todo mundo. E a gente sabe que não é.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Que não é assim que funciona.

Bianca Oliveira: Não, não.

Luciano Pires: No teu caso – você está me dizendo – elas são pessoas esclarecidas.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: É um pessoal que quando encontrou você, você chegou esclarecida também.

Bianca Oliveira: É. Eu também já estava criada.

Luciano Pires: Comunicadora, tudo mais. Né?

Bianca Oliveira: Sim, sim. Foi muito, foi muito respeitoso, foi tudo muito tranquilo.

Luciano Pires: Aí você liga para Maringá e fala: mãe; encontrei meu pai.

Bianca Oliveira: É. Foi uma situação meio complicada para a minha mãe também. Eu entendo. Como que uma mãe… minha mãe ali me criou sozinha também durante um tempo.

Luciano Pires: Mas você falou para ela que você ia encontrar?

Bianca Oliveira: Sim, sim, sim.

Luciano Pires: E ela deu força para você?

Bianca Oliveira: Ela me deu, mas ela ficou bem preocupada, claro.

Luciano Pires: Imagino.

Bianca Oliveira: Ela falou: meu Deus, mas porque agora? Será que é bom? Ela estava com muito medo de eu me machucar. Então foi uma situação ali que eu tive que trabalhar comigo, trabalhar com minha mãe, trabalhar com a outra família agora que eu estava conhecendo. Eu me lembro que eu estava sentada assim na casa da minha irmã, e eu vendo os meus sobrinhos correrem, tenho três sobrinhos, ela tem três filhos, e eu falei: meu Deus, esses aqui são meus sobrinhos, essa aqui é minha irmã, esse aqui é meu pai. Tipo, eu estou inserida dentro de uma família muito legal, mas que eles não são só meus amigos, eles são minha família. E ali a gente começou um trabalho juntos, porque tinha uma trajetória de perdão, de conversas, de eu querer saber dos meus irmãos, como foi a infância deles, eles me mostravam fotos. Tinha a questão de culpa, tinha um pouco de ressentimento, tinha um pouco de chateação, tinha assim, minha irmã: poxa a gente podia ter se conhecido antes, eu podia ter ido no seu casamento, eu podia…

Luciano Pires: Pois é fica um… um histórico perdido, em termos, né.

Bianca Oliveira: Mas depois a gente acaba falando assim: mas não importa porque o que importa é o presente. Eu estou te vendo agora, a gente está se relacionando agora.

Luciano Pires: Você ganhou três sobrinhos.

Bianca Oliveira: Foi e eu sou apaixonada assim, por eles, eu sou extremamente apaixonada por eles, a gente se conectou de uma maneira incrível, mas foi por isso, por essa abertura de perdão, de falar: não interessa o que aconteceu, está bom, vamos vendo, e tal.

Luciano Pires: Muito bem, você está no LíderCast, que é o lugar onde acontece essas coisas, são 25 minutos de programa que já foram tomados por um negócio que eu não tinha a menor ideia que poderia pintar.

Bianca Oliveira: Eu confesso que é a primeira vez que eu estou contando isso.

Luciano Pires: Você está vendo? Você acha que isso ia pintar se eu estivesse fazendo uma live com você?

Bianca Oliveira: Não, não ia.

Luciano Pires: Não ia cara, não ia. Então esse é o grande lance daqui. Que legal, que história fantástica.

Bianca Oliveira: Uma benção na minha vida, graças a Deus.

Luciano Pires: Mas vamos lá, vamos voltar para o nosso caminho aqui. Parabéns pelas conquistas de sobrinhos, pai, irmãos tudo aí.

Bianca Oliveira: Presente, é presente, verdade, é isso aí foi uma benção.

Luciano Pires: Mas aí você estava lá, você vai para a televisão.

Bianca Oliveira: E aí isso que é louco, porque daí a minha irmã começa a me assistir na televisão, os meus sobrinhos começam a me assistir na televisão, meu pai, então é muito legal, eu estava me comunicando com eles ali também. Eu fui para a Rede Novo Tempo eu tinha 20, dos 20 para os 21 anos, e já fui ancorar esse rádio jornal, que era para todo o Brasil, fiquei ali quatro anos.

Luciano Pires: Quando você fala rádio jornal era só áudio?

Bianca Oliveira: Só áudio.

Luciano Pires: Não era TV ainda?

Bianca Oliveira: Não, não. Paralelamente, quando eu completei dois anos de rádio, aí eles: ó Bianca, você precisa apresentar um jornal aqui para a TV. Então eu fui para apresentar boletins de notícia para a TV.

Luciano Pires: Você já estava há dois anos lá então?

Bianca Oliveira: Sim, sim, sim.

Luciano Pires: Ok. Aí você teve uma transição daquela, a voz conhecida que anda impunemente na rua, porque ninguém sabe quem é você, para de repente ter tua imagem estampada no ar.

Bianca Oliveira: Foi.

Luciano Pires: Bom, para homem já é complicado, que o homem é essa coisa bruta que você está vendo aqui, o cara: dane-se, ah meto o dedo no nariz. Mulher tem aquela coisa toda de preparar, se arrumar. Será que eu estou bem, não sei o que.

Bianca Oliveira: Pelo menos uma hora no camarim.

Luciano Pires: Então, que faz parte do ser feminino. E aí alguém te conta que agora, além disso tudo, de se arrumar para aparecer bonita para as pessoas que você conhece, vai ter uma câmera em cima de você, te botando na casa de milhões de pessoas. Como é que foi essa…? Que tamanho foi o frio da barriga?

Bianca Oliveira: É. Eu tinha um frio na barriga enorme.

Luciano Pires: Entende, é completamente diferente de você estar sentada aqui falando no microfone.

Bianca Oliveira: Totalmente.

Luciano Pires: Por ter uma câmera e luz apontada para você.

Bianca Oliveira: Não, totalmente, totalmente. Você com um ponto no ouvido, aquele negocinho no teu ouvido, e o switcher, que é o pessoal que parece que está numa nave espacial falando com você, e contando os segundos e tal. Mas aí, olha que interessante, eu sempre falei para mim: haja como você faz no rádio. Claro, você tem todo ali um formato que você precisa obedecer para a televisão.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Mas assim, haja como você faz no rádio.

Luciano Pires: Haja naturalmente.

Bianca Oliveira: Haja naturalmente.

Luciano Pires: Esquece que tem quatro câmeras aqui, iluminação, uma equipe.

Bianca Oliveira: Esquece. Então eu sempre fiz isso, e eu lembro que na época o meu chefe ele falou assim, quando eu estava indo para a televisão ele me contou que falou para algum outro gerente que ele falou assim: olha a minha melhor apresentadora ainda não está na televisão. Porque eu estava indo para… indo para a televisão. E aí foi legal, eu gostei, eu acho muito legal. A TV impacta demais, porque é imagem, tudo. Mas eu ainda falei assim: ah, não sei. Ah, mas você gosta mais de televisão ou rádio? Ah, eu gosto de rádio e tal. Então eu nunca saí do rádio, eu sempre dei um jeito de fazer alguma coisa lá. E aí depois de eu apresentar os boletins de notícia eu apresentava também programas especiais, que eram programas, sei lá, com algum tema específico de impacto mundial, apresentava retrospectivas, fazia algumas coberturas jornalísticas. Mas depois de quatro anos com hard news, apresentando notícia todo dia, aquela pegada forte do hard news mesmo. Me chamaram para um programa de entretenimento para jovens, que era o Conexão Jovem. Aí falei: mas espera lá. Eu sou quadrada, eu sou jornalista de: olá. Tudo bem? Hoje você vai conferir as principais notícias, não sei… e agora, eu vou falar para jovem? Por mais que eu… eu tinha 25 anos na época.

Luciano Pires: Você deu uma fatimabernardizada, foi isso?

Bianca Oliveira: Exatamente, exatamente. Falei: cara como é que é isso? Aí eu lembro que um gerente meu chegou e falou assim: viu você se vê apresentando um programa assim, mais…? Eu sei que é jovem, mas tão…?

Luciano Pires: Informal, não sei o que.

Bianca Oliveira: Informal. Porque você é uma jornalista nata, você tem essa voz, e essa postura e tal. Falei: olha eu não me vejo ainda, mas eu quero experimentar. Porque eu preciso dessa… eu preciso ser versátil, eu não posso me engessar nesse padrão. Eu quero experimentar. E fui. Foi muito… o meu primeiro programa, Luciano, foi: os jovens e o terrorismo. Tipo, eu quis fazer uma análise de como é que a juventude estava lidando com isso na época, não sei o que lá. Nada a ver, um programa nada a ver. Mas eu quis. Visitei uma mesquita aqui em São Paulo e fui conversar com um Sheik. Sabe assim? Bem jornalista assim. Mas aí eu fui me desapegando, e fui aprendendo, e fui pegando outras referências, fui criando outros networks, fui colocando outros… os inputs, outro tipo de conteúdo, e foi rolando, fiquei lá três anos e meio.

Luciano Pires: Que é um negócio que é completamente diferente né? As pessoas olham na televisão e falam: quem está na frente da câmera fazendo notícia também apresenta. Não é assim.

Bianca Oliveira: Claro.

Luciano Pires: São coisas totalmente diferentes.

Bianca Oliveira: Totalmente, totalmente.

Luciano Pires: E tem uma outra dinâmica, tem um outro olhar para câmera, tem outra… tudo, é tudo, tudo diferente.

Bianca Oliveira: Tudo, tudo, tudo. Mas eu mergulhei e foi sensacional.

Luciano Pires: E aí você sai andando na rua e de repente alguém te para e fala: vem cá, você é a Bianca da televisão?

Bianca Oliveira: Ah, várias vezes.

Luciano Pires: Você é a Bianca, você é a Bianca? E aí, isso te deu alguma consciência de que a responsabilidade tinha ampliado?

Bianca Oliveira: Muita, muita, muita. Eu ali mesmo em São José dos Campos, Jacareí, que são cidades bem coladinhas ali, eu morava em Jacareí, ali no Vale do Paraíba e eu ia ao supermercado, algumas vezes assim, me paravam assim: oi Bianca, tudo bem? Você não me conhece, mas eu te assisto e tal, nã-nã-nã, nã-nã. Ai gente, que coisa né? Porque a pessoa ela te abraça como se você fosse amiga dela.

Luciano Pires: É. Você está dentro da sala, está dentro do quarto dela.

Bianca Oliveira: Dentro da sala dela, é incrível. E você fala: uau, espera aí. Não é qualquer coisa, eu tenho uma responsa enorme por essa pessoa.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: É o que eu falo, como eu me visto, como eu me expresso. E aí eu criei isso mais do que nunca, eu já tinha isso do rádio, mas aí eu realmente vesti a camiseta da responsabilidade da prestação de serviço. Então tudo que eu faço…

Luciano Pires: Isso é uma coisa que eu bato sempre quando o pessoal vem perguntar, negócio de PodCast, tudo. Eu falo: cara esse negocinho que está na tua frente, esse microfone aí cara, ele tem dentro dele um lance de responsabilidade, quando você abrir tua boca, pare para pensar no que você vai falar porque isso vai ser multiplicado para muita gente, tem uma responsabilidade nisso. Você não pode ser um mané que chega e fala qualquer coisa, achando que isso é impune. Não cara.

Bianca Oliveira: Não, tem que pensar.

Luciano Pires: Então você vai bater nas pessoas e essa responsabilidade eu vejo faltar em muita gente, sabe. Que está como se eu estivesse na minha… falando com meus amigos no vestiário. Entendeu? Não é assim, não é assim.

Bianca Oliveira: Não, não. Você impacta vidas e o que a gente está… isso aqui que está na minha frente, está na frente do Luciano, esse microfone, isso aqui é uma arma, isso aqui é uma arma que pode ou fazer com que as pessoas tenham progresso ou regresso.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Né? Então você é responsável por isso. E eu sempre tive esse compromisso do progresso com as pessoas, de oferecer para elas um conteúdo que possa abrir a mente delas, o coração delas para coisas boas. Então eu sempre encarei isso com muita, mas muita seriedade. Eu era até criticada um pouco, tipo: ai, você é muito chata. Ai porque que tem que fazer tudo isso antes? Sei lá, fazer uma pauta? Eu não vou fazer uma pauta em 20 minutos, eu vou ler pra caramba. Sabe. Para fazer cinco perguntas eu já li alguns livros, porque é assim, eu acho que… espera aí, você tem fazer perguntas inteligentes para poder arrancar uma coisa legal do convidado, porque isso vai fazer com que as pessoas pensem.

Luciano Pires: Especialmente aqui, nesse momento aqui, eu tenho uma baita de uma vantagem sobre você porque se tiver que durar três horas dura. Então eu posso explorar, voltar, quando você vai para o ambiente quadradinho da televisão e do rádio, cara, são 25 minutos, são 30 minutos. Você pode falara 12, tem pausa para o comercial.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Então você tem que esgotar o teu assunto, ele tem que ficar legal, tem que ficar interessante durante um tempo, está tudo premido, você está sendo pressionado.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Tem alguém no teu ouvido gritando: Bianca, comercial, comercial.

Bianca Oliveira: Já era. Já era.

Luciano Pires: Comercial, comercial, brake. E cara, aqui é diferente, aqui cara abre e vamos fazer. Então.

Bianca Oliveira: E é isso que me encanta mais no rádio do que na televisão.

Luciano Pires: Pois é. Pois é, e no PodCast mais ainda.

Bianca Oliveira: Sensacional.

Luciano Pires: No PodCast você tem toda liberdade para…

Bianca Oliveira: Sensacional.

Luciano Pires: Fazer acontecer.

Bianca Oliveira: Sensacional.

Luciano Pires: Você está ouvindo o LíderCast, que faz parte do Café Brasil Premium, a nossa Netflix do conhecimento, que redefine o termo estudar ao transformar o seu Smartphone em uma plataforma de aprendizado contínuo. Para assinar acesse confraria.cafe, de novo, confraria.cafe. Lá você conhecerá os planos para se tornar um assinante e ter acesso exclusivo aos bastidores da temporada do LíderCast e a muito conteúdo original. Além disso, contribuirá ativamente para que este conteúdo chegue para muito mais gente gratuitamente, tem um plano lá que custa doze reais por mês, cara, doze reais, uma latinha de cerveja quente. Todo mês esse dinheiro fará com que você nos ajude a continuar crescendo e fazendo com que nossa voz seja ouvida por mais gente, você estará contribuindo ativamente com nossa causa pela da defesa da liberdade e da independência individual. De novo, vem para cá, confraria.cafe. Quando você entrou na televisão você já estava casada?

Bianca Oliveira: Estava casada. Sim, já estava casada, casei em 2012, foi bem…

Luciano Pires: Lá em…?

Bianca Oliveira: Não, casamos em Maringá.

Luciano Pires: Você casou em Maringá? Ele é de Maringá também?

Bianca Oliveira: Ele é de Maringá. Na verdade, ele é nascido aqui em São Paulo, no Jabaquara.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Ele foi para Maringá com oito anos de idade e foi quando eu conheci ele. Então nós nos conhecemos desde criança.

Luciano Pires: Ah, infância? Que legal.

Bianca Oliveira: Amiguinhos de infância, meu aniversário de nove anos o com que será já foi com ele. Então eu acho que a gente já tinha uma trajetória meio traçada, sabe.

Luciano Pires: Quê que ele faz?

Bianca Oliveira: Ele é engenheiro de produção.

Luciano Pires: Eu estava achando que você ia trazer ele aqui porque eu ia puxar ele para dentro.

Bianca Oliveira: Poxa, ele ia… ele é muito tímido, mas ele conversaria numa boa.

Luciano Pires: Sim, mas é um engenheiro casado com uma comunicadora, exposta na televisão, no rádio, etc. e tal. Né?

Bianca Oliveira: É. E ele…

Luciano Pires: Ele lidou bem com isso?

Bianca Oliveira: Lidou, ele é um presente também na minha vida, porque a gente fala, ele é engenheiro de produção e eu sou produtora de conteúdo, mexo com produção também.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Então a palavra produção está aí nas duas profissões.

Luciano Pires: Por isso que você gostou do Produtividade Antifrágil? Foi isso?

Bianca Oliveira: Exato, exatamente, exatamente. Inclusive ele é um cara que me ensina muito sobre produtividade.

Luciano Pires: Imagino.

Bianca Oliveira: Até porque ele entende de muitas ferramentas do meio corporativo, relacionadas à produtividade, à eficiência, então ele: olha que interessante isso aqui dá para a gente fazer desse jeito, desse jeito, desse jeito. É muito legal.

Luciano Pires: Mas como é que você faz quando você é transferida para São José dos Campos? E ele? Porque ele trabalhava lá, ele trabalhava lá?

Bianca Oliveira: Ele trabalhava lá em Maringá, e foi uma novela, porque eu aceitei, com o coração apertadíssimo, porque eu já tinha quatro anos de namoro, falei: e aí, a gente vai ficar 800 quilômetros de distância. Como é que vai ser isso? E a gente morava na mesma rua. E aí ele falou: aceita. Aceita porque a gente vai dar um jeito, vai ser bom para você, vai ser legal e tarará. Aceitei. Dez dias depois ele foi chamado para trabalhar em Angra dos Reis, num estaleiro naval, numa multinacional, e ele foi. Então de 800 a gente ficou 300 quilômetros separados ali. Então a gente se via toda semana, eu ia para lá ou ele vinha para cá, aliás, para São José. E aí dali um ano e meio nós casamos, em Maringá. E depois fomos morar em São José dos Campos mesmo, ele foi para a Embraer, e eu fui trabalhar de Rede Novo… continuei na Rede Novo Tempo. E a gente ficou ali oito anos. Então…

Luciano Pires: Até?

Bianca Oliveira: Até o ano, até março de 2019.

Luciano Pires: Que é quando dá o estalo…

Bianca Oliveira: Que dá um estalo, a gente fala…

Luciano Pires: Vou sair do Brasil.

Bianca Oliveira: Dois anos antes.

Luciano Pires: O quê que provocou?

Bianca Oliveira: Dois anos antes.

Luciano Pires: O quê que provocou isso?

Bianca Oliveira: Isso foi um incômodo que a estava tudo certo, sabe Luciano. Estava tudo bem, já estávamos estabilizados, tinha acabado de mudar para um apartamento novo, a gente reformou do jeito que queria. As pessoas olhavam para a gente, falavam: nossa, mas está tudo bem. Nossa que legal. Vocês tão novinhos já conseguiram, o que vocês…

Luciano Pires: Cadê o filho? Cadê o filho? Cadê o filho?

Bianca Oliveira: Nossa, a pressão começou e tal. E a gente falou, olhou um para o outro e falou assim: não sei, mas a vida é isso aqui mesmo? Tipo, apartamento, um carro legal e a gente viajar uma vez por ano. E o que mais? Ele: eu olha, não estou crescendo do jeito que eu gostaria. Eu falei: eu também não. Ele: então a gente precisa fazer alguma coisa. Eu falei: então vamos. E aí, dois anos antes, então 2017, a gente começou a planejar a nossa saída do Brasil, a gente começou a mexer com papelada, a gente tem direito à cidadania italiana, então a gente começou a pensar, projetar, e deu certo. Pedimos demissão dos empregos, os nossos pais quase… quase piraram. Vendemos tudo, apartamento, carro, tudo. E fomos, assim, com a coragem, porque não tinha nada certo, tudo podia dar errado. Mas a gente tinha ali claro, um planejamento mínimo. Inclusive financeiro.

Luciano Pires: Não tinha emprego lá, não tinha nada?

Bianca Oliveira: Nada, nós fomos fazer…  A gente foi para a Itália.

Luciano Pires: Com cidadania italiana, os dois?

Bianca Oliveira: Ele só, ele estava indo tirar a dele primeiro, porque se fossem os dois ia gerar uma burocracia muito maior. Então nós fomos, ficamos cinco meses na Itália, ele tirou a cidadania, aí a gente deu um pulinho de volta aqui para o Brasil, para dar mais um cheiro aqui na família e fomos para a Inglaterra, ele já estava com emprego certo lá.

Luciano Pires: Ele?

Bianca Oliveira: Ele.

Luciano Pires: Tá.

Bianca Oliveira: Nós fomos para lá. E aí nós ficamos cinco meses e aí veio o lockdown, veio a pandemia, veio essa loucura toda.

Luciano Pires: Espera aí, cinco meses, então isso é muito recente, tudo isso é muito recente.

Bianca Oliveira: Muito recente. Muito recente. A gente ficou cinco meses… a gente ficou… a gente chegou lá…

Luciano Pires: Quando é que vocês foram embora?

Bianca Oliveira: Nós fomos em abril de 2109.

Luciano Pires: Tá.

Bianca Oliveira: Ou seja, um ano e meio. E aí a gente chegou lá na Inglaterra em setembro do ano passado, um ano praticamente.

Luciano Pires: Ah, é muito recente.

Bianca Oliveira: Muito recente.

Luciano Pires: É muito recente.

Bianca Oliveira: E aí a gente… só que foi tão intenso.

Luciano Pires: A experiência de vocês na Itália lá foi legal?

Bianca Oliveira: Foi excelente.

Luciano Pires: Quando vocês chegaram lá falaram: bom legal é isso aqui, a gente quer tocar isso aqui.

Bianca Oliveira: Ah, foi muito louco, até porque Itália é um negócio… eu sou apaixonada pela cultura italiana.

Luciano Pires: Eu costumo dizer que não é a Itália, são as Itálias.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Aquilo é uma loucura.

Bianca Oliveira: Não, é impressionante.

Luciano Pires: Para você visitar aquilo lá você tem que separar um ano.

Bianca Oliveira: Eu sou apaixonada, ele também né, e como os dois temos ascendência italiana, então foi um negócio assim: me Deus, nosso bisavô nasceu aqui, e a nossa família veio daqui, enfim. Somos muito curiosos, e aí a gente deu uma boa passeada na Itália, aproveitamos. Em três meses a gente pegou um italiano básico, e já arranhava italiano na rua e tal. A gente curtiu pra caramba, a gente imergiu assim na cultura.

Luciano Pires: Você é umas pessoas que trabalha com comunicação, com voz e com imagem. Teu idioma não é aquele.

Bianca Oliveira: Não.

Luciano Pires: Logo você não poderia querer trabalhar na tua área. Como é que você lidou com isso? Você: vou empurrar um pouco com a barriga? Ou você já saiu daqui imaginando: cara eu vou morar lá, porém vou trabalhar para o Brasil.

Bianca Oliveira: É eu já fui com essa intenção, mas não sabia como. Eu tive alguns meses ali para traçar esse desmame de: espera lá, eu sou a Bianca que trabalha na Rede Novo Tempo de Comunicação. E agora? Sem a rede de comunicação eu sou o quê? Quê que comunicadora eu sou? Como é que eu vou trabalhar? Como é que eu vou transmitir a minha verdade, o meu conteúdo? Como é que é isso? E foi um período, uns meses meio estranhos. Porque, mano e agora o quê que eu vou fazer? Quando eu fui para a Itália eu ainda estava linkada à Rede Novo Tempo porque eu estava terminando uma série de documentários, chamado Longe Viver, foi meu terceiro e último projeto com eles, para falar sobre a revolução da longevidade. Foi um trabalho intenso, foi um trabalho enorme, foram 26 documentários, mini docs, de 26 minutos cada um. Um conteúdo pesadíssimo, com mais de 100 entrevistas, e na Itália eu gravei algumas coisas lá. Cabeças, introdução e a finalização de cada programa, e tive que editar, meu editor estava aqui no Brasil, foi uma loucura. Quando a gente foi para a Inglaterra eu já tinha fechado isso e o programa estava no ar para todo o Brasil, mas eu estava lá na Inglaterra, então recebia muitos feedbacks, e tal. Mas eu falei assim: e agora, quê que eu vou fazer? E aí então ouvindo o Luciano, ouvindo outros PodCasters que eu gosto. Aí eu falei: meu, espera lá. Será que eu vou para um PodCast? Eu tenho microfone, tenho uma boa base técnica. E aí? Meu esposo: vai, começa a fazer.

Luciano Pires: Vou ganhar dinheiro, vou ficar rica fazendo PodCast.

Bianca Oliveira: Não. Aliás, como jornalista eu nunca tive essa pretensão.

Luciano Pires: Então, mas tem uma pergunta interessante aqui que está me mordendo aqui que é o seguinte: você por todas as características é uma mulher independente. Você foi, você construiu seu espaço, estava lá, seu marido trabalhando, você também trabalhando e de repente seu marido tem um emprego, e você é uma dona de casa.

Bianca Oliveira: É.

Luciano Pires: Que por mais que você estivesse… você não estava com uma fonte de renda. Você não tinha né?

Bianca Oliveira: Não. Não tinha fonte de renda nenhuma.

Luciano Pires: Então. Como é que bate na tua autoestima, na tua…? Essa coisa de que agora ele é que está… ele é o provedor. Até então eram os dois… nós dois éramos provedores, nós dois estávamos aqui em pé de igualdade e agora ele é o cara e eu sou a…

Bianca Oliveira: É.

Luciano Pires: Vocês chegaram a falar sobre isso?

Bianca Oliveira: Sim.

Luciano Pires: Você se incomodou com isso?

Bianca Oliveira: Sim, me incomodei. Mas assim, não incomodei do tipo, ai, você está me sustentando e tal. A gente sempre teve uma… nós sempre fomos muito parceiros e sempre muito transparentes um com o outro. E ele viu que eu estava incomodada. Porque eu sou assim, tanto é que a nossa família falou assim: viu, espera lá. Você vai para lá, daí você não vai trabalhar? Você vai pirar. Porque a gente te conhece, você é superagitada e trabalha desde cedo, você não… você vai ter que achar alguma coisa lá. Mas quando eu cheguei na Inglaterra também eu não podia trabalhar, porque você tem uma série de documentação para conseguir para poder entrar no mercado. E logicamente eu já sabia que eu não ia entrar no mercado de comunicação. Até porque você tem que, poxa, mesmo você falando inglês, você tem que ter um inglês muito bala para poder entrar no mercado. Só se você for para um mercado de escrita, ai você até consegue. Mas você tem que escrever também muito bem. Enfim, eu sabia que isso não ia rolar no começo. E aí eu falei para o meu esposo: olha eu vou dar um tempinho mesmo para dar uma pensada. E eu comecei a me jogar em projetos na cidade, lá em Chester, eu morava no interior da Inglaterra, a umas três horas de Londres. Eu falei: eu vou é começar a viver essa cidade.

Luciano Pires: Vocês foram parar lá por causa do emprego do seu marido?

Bianca Oliveira: Do trabalho dele. Ele trabalhava na Airbus.

Luciano Pires: Airbus?

Bianca Oliveira: Aham. Trabalhava na Airbus, que ficava ali no País de Gales, na verdade, a gente estava bem na fronteira entre Inglaterra e País de Gales.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: E aí ele foi para lá, e eu comecei a fazer aula de inglês em tudo quanto é buraco que tinha na cidade. Porque eu queria conhecer as pessoas, eu queria entender o quê que era o que não era. Foi muito lega porque eu comecei a fazer network. E logo as pessoas já sabiam que eu era uma jornalista aqui do Brasil, e era engraçado, porque daí eles começavam a me procurar no YouTube, viam meu programa em português, não entendiam nada, mas eles achavam o máximo.

Luciano Pires: Como brasileiros vocês foram bem recebidos…?

Bianca Oliveira: Fomos bem…

Luciano Pires: Em Chester?

Bianca Oliveira: Chester.

Luciano Pires: Em Chester?

Bianca Oliveira: Fomos bem recebidos.

Luciano Pires: Foram bem recebidos?

Bianca Oliveira: Fomos. É uma cidade agradabilíssima. O inglês ele é muito posh, muito polido, muito querido. E a Inglaterra também abre… estende os braços aí para o imigrante, porque é um país que tem muito imigrante, então eles estão superacostumados. Mas aí eu comecei a falar: meu, eu preciso abrir alguma coisa, um canal no YouTube, um PodCast, qualquer coisa, porque eu preciso começar a contar essas experiências aqui, quem sabe começar a entrevistar essas pessoas. E aí YouTube não me agradou muito, porque tem esse lance da imagem. Ai meu Deus, tem que maquiar, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo. Eu falei: não dá para mim agora não. Vou para o PodCast, porque eu gosto e vamos lá. E até uma das minhas entrevistadas foi a [Sally Peacock 00:46:05] que foi uma inglesa lá, trabalhava num… fazia voluntariado lá né. E ela me abraçou, sabe, uma querida, e a gente conversava pra caramba, e eu ainda arranhando aquele inglês britânico complicado, do interior, porque foi uma dificuldade enorme que eu enfrentei. Porque parecia um bando de Vikings falando chinês, porque não é o inglês puro, esse inglês americano. Entende? É diferente.

Luciano Pires: O inglês da Inglaterra já é complicado, já tem um ovo na boca.

Bianca Oliveira: Ovo na boca, aquela língua solta, falando uoó, uoó. O quê que é isso? É weather? Não, não, uoó. Então é um negócio meio doido né?

Luciano Pires: Se você for para a Irlanda então você vai pirar.

Bianca Oliveira: Nossa e o inglês da Escócia gente? Vocês não estão entendendo, é outro idioma. Né?

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Mas enfim. Respondendo à sua pergunta, eu tirei esse tempo para eu pensar, falei: espera lá, eu preciso descansar e preciso me desvincular da Bianca jornalista e viver a Bianca, Bianca. Bianca cidadã do mundo agora. O quê que é? E eu comecei a me encontrar de novo, e eu falei para o meu esposo: olha eu preciso começar a entender como é que eu vendo meu trabalho. Como é que é isso? Tipo como… Luciano, eu nunca… Entendeu? Vender, essa palavra até me incomoda até hoje, inclusive, eu estou num processo de transição de carreira de novo. De oferecer meu… quando eu ofereci, né? Luciano, você não… vamos bater um papo lá no meu PodCast, agora eu sou a Bianca PodCaster, não sou a Bianca apresentadora de televisão, não sou mais isso. Então é você encarar uma outra realidade. E tem sido muito mágico, tem sido muito especial. Não tem sido fácil, mas tem sido especial, porque é uma redescoberta, é um novo network. Eu conheço o Patrick Santos, por exemplo, um querido, demais, nossa. E aí você vê pessoas que acreditam em você, que te abraçam, que te ensinam. Você, por exemplo, a oportunidade que você está dando aqui para eu conversar com você, poxa, você é um cara que eu admiro. E eu aprendo com você. Então assim, a vida vai me dando mentores, amigos. Que desde lá com 18 anos, quando uma cara falou: vem aqui, eu vou te ensinar a mexer no microfone. Até hoje eu tenho pessoas que: vem aqui que eu vou te ensinar a mexer com negócio de PodCast. Vem aqui que eu vou te ensinar a vender. Vem aqui que eu vou te ensinar a, sei lá, a mexer com mídias sociais. Vem aqui… poxa isso é bacana. Mas para eu ter mentores eu preciso abrir meu coração, abrir a minha mente, me colocar como… no lugar de uma aprendiz, o tempo inteiro. E é isso que eu tenho sido. Ah, mas Bianca, mas você tem 10 anos de formada, de jornalista, trabalhou em televisão. Você não quer fazer um curso para ensinar as pessoas? Não, beleza, eu posso até ensinar alguma coisa, mas eu ainda estou numa fase de aprender pra caramba. Então espera um pouquinho, deixa eu aprender mais, e vamos que vamos. Então estou nessa.

Luciano Pires: Esse mundo de youtubers que se acham, que abrem a boca para falar de tudo sobre tudo, então têm opinião sobre qualquer coisa. Encontrar gente com essa tua cabeça aí é raro. Com a tua idade, com essa cabeça de: cara espera um pouquinho. Se eu não aprendi eu não vou abrir a boca.

Bianca Oliveira: Estou nessa. No comecinho eu fiquei tipo chateadona. Tipo, quem que eu sou? Meu esposo está trabalhando. Até falei: olha estou chateada, porque só você… poxa uma renda só, a gente está apertadinho aqui, tal. E ele: não, calma, vai chegar sua hora. E aí eu tenho um marido incrível, porque ele é meu parceiro, então ele é engenheiro, mas me ajuda a editar PodCast. Tipo. Entendeu? Ele é esse cara. Entendeu? A gente sempre está junto. E ele adora conversar, bater papo. Ele é tímido, mas ele é supercomunicativo, um pensador, gosta de ler, e a gente sempre está junto nessa. E aí essa minha chateação foi melhorando. Não está do jeito que eu quero ainda, mas eu estou trilhando, eu já dei esse start.

Luciano Pires: Exatamente. Você está com quantos episódios no PodCast?

Bianca Oliveira: 42.

Luciano Pires: Ah, já tem, já tem.

Bianca Oliveira: É. 42.

Luciano Pires: E aí a China manda um presente.

Bianca Oliveira: Ah, a China manda um presentaço.

Luciano Pires: Certo.

Bianca Oliveira: Ou seja, de 11 meses. Quase… vai. Um pouco mais de 11 meses, na Inglaterra nós aproveitamos seis meses. Porque depois veio o lockdown, e lockdown é lockdown. Tipo, você está numa espaçonave, preso, sei lá. Essa era a minha sensação, parece que eu estou numa espaçonave.

Luciano Pires: Lá foi lockdown para valer?

Bianca Oliveira: Foi lockdown…

Luciano Pires: Lá foi bravo?

Bianca Oliveira: Para valer. Para valer, não é brinquedo, os caras… onde nós estávamos não tinha polícia na rua falando para você entrar dentro de casa. Mas o inglês ele respeita pra caramba, então assim, não tem dessa não. É claro que você sempre vai ter a parcela ali de gente sem noção.

Luciano Pires: Sempre tem.

Bianca Oliveira: Mas a maioria deles respeitaram.

Luciano Pires: Quando eu fui… eu fiz uma viagem para o Polo Norte, eu fui, Polo Norte. E fui num navio quebra-gelos nuclear russo. Então tinha todo um esquema para você tirar proveito, então você está num quebra-gelo, de repente o quebra-gelo parava e você descia, ia nas ilhas e tudo mais, helicóptero, aquela coisa toda lá. E quando a gente chegou lá, eles chamam todo mundo e entregam… então você ganha um casaco amarelo contra o frio, é amarelo ovo, gema de ovo. Para contrastar bastante contra a neve e dão uma botina de borracha, que é a botina para você caminhar para lá. Então. E aí a turma sai, sai todo aquele povo lá. E eu me lembro que um belo dia a gente foi fazer uma das primeiras saídas, eles reuniram a gente lá, tinha um auditório ali, botaram no auditório e falaram: muito bem, eu vou contar para vocês como é que funciona. Uma parte de vocês vai fazer tudo que nós dissemos, então vai colocar o agasalho amarelo, vai colocar a botina azul e vai obedecer tudo que a gente quer. Alguns não vão colocar o casaco e vão ficar meio assim, reticentes, e outros não vão botar o casaco e nem vão botar a botina. É uma minoria, então você sai, aquele grupo de gente em amarelo, e no meio tinha um cara de azul e um de vermelho. E eu olhando para aquilo e falei: o que se passa na cabeça de um cara desses de decidir que ele não vai respeitar a regra que alguém, teoricamente mais preparado que ele, define. Então, cara, você está falando disso, agora me lembrei daquilo, o cara: não, eu não vou botar a botina, eu vou sair com a minha botina.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: E com todo mundo… ele: não, eu não vou, eu não vou botar amarelo, eu vou sair de vermelho.

Bianca Oliveira: O Jesus é uma revolta…

Luciano Pires: Então, em todo lugar tem assim.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Todo lugar tem assim.

Bianca Oliveira: Exato, todo lugar é assim.

Luciano Pires: E agora vai piorar.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Porque depois dessa… tudo que foi armado, toda essa contestação que nós estamos tendo contra a ciência, ciência, ciência. Da próxima vai ser pior, porque aí vai ter muito mais gente questionando e… bom.

Bianca Oliveira: Claro, até porque essa foi uma novidade para todo mundo, agora já não é tão novidade assim, a galera já está colocando as manguinhas de fora.

Luciano Pires: Mas aí impacta tremenda tremendamente na Airbus e o seu marido…

Bianca Oliveira: Impacta tremendamente, meu marido perde o trabalho.

Luciano Pires: Perde o trabalho. E aí estão os dois presos na Inglaterra?

Bianca Oliveira: Presos na Inglaterra. E a gente… incrível isso…

Luciano Pires: Quando a gente fala preso, é preso mesmo. Vocês não podiam nem voar para o Brasil?

Bianca Oliveira: Não, não podia.

Luciano Pires: Não podia sair?

Bianca Oliveira: Não, não podia. Não podia. Nós estávamos lá. É claro que a gente precisava resolver algumas coisas ainda, porque mesmo sabendo que ele tinha ali 90% de chance de ser demitido, porque ele estava no chamado [fair low skin 00:53:30], que era o governo ele… a empresa ela te dispensa, mas você ainda está ligado à empresa e o governo assume o seu salário.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Isso é muito doido, porque a Inglaterra é uma ilha, mas que estava sustentando 80% de toda a parte trabalhadora ali.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Então tem muita grana aquele país. Mas aí a gente falou: tá e agora como é que vai ser? O quê que a gente vai fazer? Qual é o plano A, B, C? E a gente se viu numa situação de muito desafio, mas pela primeira vez a gente olhou e falou assim: cara o mundo é a nossa casa. Tipo, eu falei para ele: você trocaria a vida que você tinha lá em São Paulo? Tipo, estável lá, numa empresa, Embraer, bacana, engenheiro de produção, trabalhando no KC390, não sei o que, e eu jornalista para rede nacional. Você trocaria essa nossa vida por esse momento agora de incerteza, vivendo num outro país e tal? Ele: não. E eu: eu também não. Porque a gente se viu numa situação de liberdade. De assim, claro, incerteza? Sim. Mas de um mundo de possibilidades, agora a gente não tinha elefantes brancos, que a gente chamava aqui no Brasil, de: ah, eu tenho um apartamento, tenho uma casa. Quando a gente foi se desfazer disso tudo, pelo amor de Deus. Uma baita dor de cabeça. Sabe? Um negócio que prende a gente enraíza. É legal? Legal. Mas assim, complicado. E agora não, agora nossa casa está dentro de malas, a gente tem quatro malas e as nossas coisinhas e vamos. Agora a gente veio para o Brasil, inclusive chegamos ontem. Hoje é domingo? Antes de ontem. A gente chegou aqui para dar um abraço na família, porque já fazia um ano que a gente não via. Foi o maior tempo que a gente passou longe da família. A gente estava morrendo de saudades deles, e aí a gente veio para… aproveitou esse intervalo, porque agora ele realmente foi demitido, então vamos voltar, ver a família, e depois a gente volta para lá. Porque querendo ou não a Europa ela é muito, ela tem muito mais oportunidades, e nós somos cidadãos europeus, então…

Luciano Pires: Vocês não definiram para onde vão voltar?

Bianca Oliveira: Ainda não.

Luciano Pires: Vocês vão voltar para a Europa?

Bianca Oliveira: A gente vai voltar para a Europa. Muito provavelmente, muito provavelmente para a Inglaterra novamente. Mas a gente quer muito encontrar alguma coisa na Itália, mas talvez a gente saiba que vai ter que passar pela Inglaterra primeiro, para ser um trampolim, para depois a gente poder ir para a Itália.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Mas a gente está com essa de aproveitar esse momento para ficar com a família, para aproveitar a família. Agora eu já estou com cinco meses de PodCast, e foi incrível Luciano, porque do momento que eu falei assim: eu vou startar esse negócio, eu preciso aprender e vou fazer. E as portas começaram a se abrir, de contatos, de amigos, de entrevistas. O Patrick Santos também me deu uma baita de uma força de divulgação. Sabe? Pessoas queridas que me ajudaram. E aí o PodCast começou a crescer, e está crescendo, graças a Deus. E no meio do lockdown eu me comunicando com as pessoas. Foi incrível assim, eu da minha casa ali, presa, e as pessoas me mandando e-mail, conversando comigo. Tenho coisas sobre você também no Instagram. E aí começaram a me pedir: Bianca, você não abre o meu canal de PodCast também? Você sabe? Você não sei o quê? Eu falei: opa, interessante isso aqui. Legal, posso ajudar pessoas. E comecei a fazer isso, e começou até pintar uma oportunidade de negócio, um amigo meu que trabalhou comigo aqui em produção de conteúdo aqui no Brasil. Ele é um excelente editor de vídeo, um cara maravilhoso. Era o meu editor inclusive, ele abriu um negócio que se chama Tocaia, que é uma empresa que ajuda produtores de conteúdo a colocar o seu conteúdo no mundo, então ele edita vídeos para YouTube, Instagram, Facebook. Ele falou: Bianca você está manjando do esquema de PodCast. Vamos fazer uma sociedade? Vamos fazer uma sociedade. A gente está com uma sociedade na Tocaia, que é uma empresa pequenininha, está começando, a gente tem um time ali, tal, colaborativo para poder ajudar produtores de conteúdo, empresas de marketing para editar vídeo e PodCasts e vai ser lançada aí no dia 1º de setembro, a gente está superempolgado.

Luciano Pires: Ah, não nasceu ainda?

Bianca Oliveira: Ainda não.

Luciano Pires: Legal.

Bianca Oliveira: Não nasceu. É uma plataforma superbacana.

Luciano Pires: Quem é o teu potencial cliente? É um indivíduo?

Bianca Oliveira: É o produtor de conteúdo, como eu, que tipo, ó eu estou aqui, agora a demanda cresceu, não sei editar esse negócio. E aí? Eu não tenho dinheiro também muito não. Quem me ajuda? A Tocaia vai te ajudar. Inclusive o PodCast eu quero lançar algumas mentorias em relação a isso, de performance, tem muita gente que me pergunta: Bianca, como é que eu falo? Como é que eu faço um roteiro? Como é que eu entrevisto as pessoas? E aí eu entro com toda essa parte de suporte também para PodCasts.

Luciano Pires: É tem um caminho. Esse é um caminho interessante aí. Para você ter uma ideia, eu estou trabalhando com… tive agora uma experiência com uma consultora de Linkedin que mora na Coreia.

Bianca Oliveira: Olha, que bacana.

Luciano Pires: Em reuniões, eu às oito horas da manhã, elas oito horas da noite. Ou oito horas da noite aqui, oito horas da manhã lá.

Bianca Oliveira: Que loucura.

Luciano Pires: Do dia seguinte, isso que é mais louco. Reunião oito horas da noite da segunda-feira, a gente, boa noite, ela, bom dia. Aqui já é terça. Aí já é amanhã.

Bianca Oliveira: Que loucura isso.

Luciano Pires: A consultora de YouTube mora em Lisboa, mora no Porto.

Bianca Oliveira: É demais isso.

Luciano Pires: Então é isso que está… isso está rolando.

Bianca Oliveira: Não tem mais limite, de espaço.

Luciano Pires: É. O que o pessoal falou. Essa integração digital talvez seja o maior benéfico que a pandemia trouxe.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Porque ela obrigou todo mundo a derrubar barreiras.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Então, se você tinha alguma questão a respeito, acabou. A pandemia trouxe, e ela vai provocar um impacto aí que é aquele impacto que o pessoal ainda não contabilizou. Por exemplo, aqui em São Paulo eu tenho certeza absoluta, vai ter uma crise imobiliária tremenda, com as empresas todas devolvendo prédios. Que os caras estão descobrindo que, espera aí cara, eu não preciso ter 100 pessoas trabalhando comigo aqui.

Bianca Oliveira: Pagando um aluguel absurdo.

Luciano Pires: Eu preciso ter 10, as outras 90 que fiquem em casa. Entendeu?

Bianca Oliveira: Que fiquem em casa. Exatamente.

Luciano Pires: Então nós estávamos até brincando, falei que a Faria Lima vai virar os Faria [Alarmers 00:59:48], vão virar Wlaking Deads, aquilo vai ser… tem um filme chamado Extinção, que se passa lá em Londres. Né?

Bianca Oliveira: Aham.

Luciano Pires: Ele abre assim, o cara sai do hospital e a cidade está vazia. E é provável que isso aconteça porque muito… a hora que o pessoal botar na ponta do lápis, vai falar: as restrições que eu tinha caíram.

Bianca Oliveira: Inglaterra a mesma coisa, a Inglaterra foi impactada… o Reino Unido foi impactado de uma maneira muito louca. E a palavra recessão para o inglês ela é um pouco nova, porque eles não aceitam isso inclusive. Mas teve uma recessão, caiu a economia lá em mais de 20%, isso é muito para um país como o deles. E aí agora a forma de se trabalhar mudou. Grandes escritórios em Londres, por exemplo, fechados. Os caras trabalhando, e não vão voltar. Eu estava em Londres há três dias atrás e a gente estava vendo no jornal, muita gente saindo do Centro de Londres, indo para as Zonas Cinco e Seis, que são periferias de Londres. Comprando casas lá. Então explodiu o mercado imobiliário lá e fechou o mercado imobiliário em Londres.

Luciano Pires: Você mantém… você se mantém conectada com o Brasil direto?

Bianca Oliveira: Direto.

Luciano Pires: Você sabe tudo que está acontecendo aqui, você acompanha tudo bem de perto?

Bianca Oliveira: Acompanho com muita tristeza.

Luciano Pires: Então eu vou fazer uma provocação para você aqui para a gente partir para a nossa reta final aqui. Eu vou fazer uma citação à Rita Lee, que canta mais ou menos assim: “ai, ai, meu Deus, o que foi que aconteceu com a imprensa brasileira?”. Você faz parte dela, você estava aqui, estava envolvida e tudo mais. Se bem que você estava num ambiente que é muito diferente dos outros. Aquele ambiente que você estava lá que é uma TV conservadora, evidentemente, onde você tem… evidente… imagino que em momento algum vocês tiveram o foco lá em: vou conseguir audiência mostrando morte, sangueira, baixaria, sexo. Isso não tem. Ali era uma visão muito mais positiva. Eu me lembro do programa que eu fiz com você lá que era bem assim: cara vamos para cima, vamos construir. E em volta tem a imprensa independente que está uma loucura. Você olhando para isso aí, isso te incomodou de alguma forma? Você imagina que uma hora que… se eu fosse trabalhar numa empresa dessas aí ia ser complicado?

Bianca Oliveira: Ia. Na verdade o sentimento que eu tive… não sei se eu posso falar isso aqui, mas acho que sim, está tranquilo.

Luciano Pires: Cuidado, pensa bem.

Bianca Oliveira: Mas foi assim, livramento, falei: olha graças a Deus que eu não estou no hard news agora, porque eu não suportaria. Não suportaria. Não suportaria porque se repete né, Luciano, não é só por causa de pandemia que está assim, jornalismo no Brasil ele já vem em decadência há alguns anos, você sabe disso. É muito interesse, muita… tudo é muito tendencioso, muito rabo preso, eu me lembro quando eu estava no Conexão Novo Tempo, que era esse rádio jornal para todo o Brasil, a gente tinha o compromisso de não ter rabo preso, eu não quero isso. Entendeu? Você não precisa ser apolítico, mas você não precisa. Entendeu? Ser politizado, você precisa entregar um conteúdo para as pessoas pensarem, entrega os dois lados, eu sei que esse negócio de imparcialidade em jornalismo, é balela, blá. Mas ok, vamos tentar fazer o máximo. Mas assim é muito… um jornalismo muito vendido e pouca prestação de serviço. Então é com muita tristeza que eu acompanhei. E eu confesso que eu…

Luciano Pires: Eu estou tentando entender o que está acontecendo, porque tinha uma explicação muito… que para mim hoje se torna simplória. Que o jornal é um business e tem que dar lucro, e tem o interesse do dono lá atrás. Então sempre vai haver o interesse do dono que vai de alguma forma determinar a linha que você vai adotar, etc. e tal. Isso é uma explicação cômoda, e hoje em dia eu já até chamo de ingênua. Por quê? É claro que isso existe. Aquilo é uma empresa, tem que dar lucro, tudo mais. Mas a gente vê claramente que há uma coisa… tem uma posição, uma postura no topo da empresa, e embaixo é uma bagunça aquilo. Você entra na redação os caras fazem o que querem. Sabe. E não tem esse negócio. Você pega o Estadão, o Estadão vem com um editorial do Fernão Lara Mesquita, maravilhoso do ponto… cara um negócio… o cara falando… é conservador e embaixo dele têm um monte de jornalistas chutando o pau da barraca, na página seguinte já vinha um negócio desdizendo o que ele está… é uma zona completa aquilo lá. Então tem uma bagunça muito grande acontecendo aí, e tem um certo descompromisso, inclusive nos jornalistas antigos. Sabe. Pessoal com mais idade, tudo, que você fala: cara o que aconteceu com essa turma toda? Então coisas que eu sei que 30 anos atrás jamais passariam por uma peneira de editorial, do tipo, o cara fala, espera um pouquinho cara, eu tenho dúvidas sobre a verdade disso, então eu vou dar para você a coroação dessa história toda aconteceu com aquele lance do porteiro do condomínio que diz que o bandido chegou lá, ele ligou e o Bolsonaro que respondeu dizendo: pode entrar. E cara, o Bolsonaro nem estava lá. Aquilo deu no Jornal Nacional, e de uma forma assim, aquilo é incompreensível. E você olha para aquilo e fala: cara a que serve isso? A que serve isso como empresa? A que serve isso? Um Bonner que é veículo para esse tipo de coisa, e que é o editor do jornal. E que bota no ar um negócio que é uma suposição. A notícia lá deveria ser: porque é que um cara falou uma coisa que não é verdade? Que interesse ele está tendo? Isso não foi. Foi para atingir. Então tem uma contaminação política aí e os caras estão entrando no jogo e olha…

Bianca Oliveira: Que o povo não é a parte interessante.

Luciano Pires: A pandemia chegou para destruir reputações de uma forma brutal. E a imprensa vai pagar um preço gigante.

Bianca Oliveira: Então. E até por isso que eu comecei a pensar mais, como jornalista e como comunicadora, em mídias independentes.

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: Espera lá, vamos lá. Eu preciso…? Para eu jogar conteúdo bom no mundo eu preciso estar vinculada a uma grande emissora de televisão, de rádio, não sei o quê? Não. E a gente está vendo agora um crescimento das mídias independentes por conta disso. Meu, espera lá, grandes redes de televisão estão me enchendo “as paciência” aí, fake news e não sei o que lá, não sei o que lá. Eu não estou dando mais conta. Eu vou procurar, vou procurar o Luciano, o Luciano tem um PodCast legal, onde eu sei que a fonte dele é essa, tal, e você vira uma fonte. Isso é muito louco. A gente está passando por essa transição. Né?

Luciano Pires: É. É uma revolução no sistema de…

Bianca Oliveira: Uma revolução, revolução. É um jeito novo de se adquirir conteúdo. Né?

Luciano Pires: Sim. E aí você pega, se você tem a capacidade de produzir conteúdo, quer dizer, você não é uma voz bonitinha que fica lendo o roteiro.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Você produz o que você está lendo.

Bianca Oliveira: Você é pensante.

Luciano Pires: E quem consegue fazer isso, eu vejo aqui, eu sento aqui para gravar o PodCast, eu abro o texto e o texto é meu.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: E eu estou lendo o texto lá, para essa merda aqui que eu vou mudar isso aqui tudo. E eu mudo na hora, e não tenho que pedir para ninguém. O meu, posso ou não? Cara eu mudo na hora, invento uma história toda. Então isso dá uma liberdade criativa que passa pelo microfone, chega nas pessoas. Então cara, o quê que está acontecendo? Está acontecendo… eu uso sempre uma imagem interessante que é assim: eu pego o Charlie Chaplin, falo: o Chaplin ele escrevia o roteiro, ele dirigia o filme, ele interpretava, se bobear ele fazia a música, ele fazia o marketing, ele montou a distribuidora, ele montou a International…

Bianca Oliveira: Participava de todos os processos.

Luciano Pires: O cara cuidava daquilo tudo de tal forma que quando a coisa saía a alma dele estava ali dentro, em todos os momentos. E o cara faz obras que 100 anos depois continuam sendo masterpieces. E hoje em dia é uma coisa muito louca. Você pega um disco da Beyoncé, você vai ver uma música, têm 12 compositores a música. A ficha técnica da música é um negócio absurdo, porque não foi só ela cantando.

Bianca Oliveira: Não.

Luciano Pires: Tem o cara da produção, tem o engenheiro acústico, tem o cara que sem ele não sai… cara é um negócio tão disseminado que você fala: cara alguma coisa se perdeu no… você manter a tua autoria, manter essa… no meio do caminho, isso tudo se perde. Né?

Bianca Oliveira: Com certeza.

Luciano Pires: E eu vejo isso tudo acontecer na televisão. Eu sei que o cara que está lá sentado, eu sei que o Bial quer fazer uma coisa, mas o que sai lá na ponta não é o que o Bial quer fazer, é aquilo que ele teve que atender um milhão e quinhentas mil imposições. Então não pode chamar esse cara, se chamar não pode falar sobre isso. Eu trombei com isso na rádio, eu fazia o… falava para rádio e tudo mais. Estou falando um texto aqui, cara, tem que tocar Elis Regina quando eu terminar o texto. Não, a Elis não pode porque aqui nós só tocamos essas 200 músicas no momento aqui. Então.

Bianca Oliveira: Exato. Exato. É não adianta falar que não, nada a ver, o cara ele pode ser ele cem por cento. Não, não dá. Quando você está num veículo não tem como.

Luciano Pires: Isso é o que o PodCast dá para a gente.

Bianca Oliveira: Exato.

Luciano Pires: Me dá liberdade absoluta para falar o que eu quiser, o tempo que eu quiser, do jeito que eu quiser.

Bianca Oliveira: E foi isso que eu comecei a experimentar.

Luciano Pires: E quem é mordido por ele.

Bianca Oliveira: Não para.

Luciano Pires: Não volta mais.

Bianca Oliveira: Você não para, você não para. E agora com essa facilidade. Eu estava na Inglaterra e entrevistei você aqui em São Paulo, a gente bateu o maior papo, conexão ótima, qualidade de som excelente, você gravou com seu microfone aqui, eu gravei com meu microfone lá.

Luciano Pires: A tecnologia está derrubando todas as fronteiras.

Bianca Oliveira: É isso cara, tipo… e foi muito legal, foi super bem aceito. Então.

Luciano Pires: São tempos interessantíssimos.

Bianca Oliveira: Interessantíssimos.

Luciano Pires: Vêm coisas muito interessantes pela frente aí, eu diria que quem está, como você, produzindo de forma independente e já tem a manha toda aí, você tem todo o espaço para arrebentar.

Bianca Oliveira: Eu espero, estou feliz.

Luciano Pires: O que nós vamos ter que agora esperar é que as empresas entendam isso, entendam que um pequeno PodCast de nicho é um tiro de sniper. Eu estava falando isso essa semana, falando para os caras. O quê que é PodCast? PodCast é sniper. A televisão é tiro de canhão, você vai lá, dá um puta tiro de canhão, você manda um míssil e ele explode dois quarteirões e mata o bandido que está lá no meio, mas junto com o bandido vão mais não sei quantos. Então você gastou uma tonelada de explosivo e de dinheiro para matar um bandido. O PodCast é sniper, eu sento aqui e vai ser um tiro só no lugar certo.

Bianca Oliveira: Certeiro.

Luciano Pires: É mais barato, é mais rápido, é mais flexível, é tudo mais. E acho que o caminho dele é irreversível.

Bianca Oliveira: E fora que a conexão né Luciano, a conexão que você gera com as pessoas é muito maior, porque o veículo é você. Eu estou me conectando com o Luciano, eu estou me conectando com a Bianca. Algumas mensagens, você recebe várias, eu também tenho recebido. Bianca, você está na minha orelha. Entendeu? Você está falando comigo, eu me sinto na sala da sua casa.

Luciano Pires: Sabe uma brincadeira que eu faço, eu uso um termo do… uma frase do Alfred Tomate, é um cara que você precisa ver depois, ele estudou a coisa da fala. Sabe? Ele dizia lá que: “ouvir é vibrar junto com outro ser humano.”.

Bianca Oliveira: Nossa. Isso é forte.

Luciano Pires: E eu falo para os caras. O quê que é PodCast? PodCast é um negócio que você enfia um aparelhinho no teu ouvido, a minha voz entra lá direto no teu cérebro e você vibra junto comigo. A coisa mais próxima disso é sexo. Entendeu?

Bianca Oliveira: É verdade.

Luciano Pires: Então o quê que é PodCast? PodCast é uma versão do sexo.

Bianca Oliveira: É verdade.

Luciano Pires: Pessoas vibrando em comum energia.

Bianca Oliveira: É a mesma frequência ali, coisa linda.

Luciano Pires: Então, isso explica muita coisa. Muito bem, minha querida.

Bianca Oliveira: Poxa.

Luciano Pires: Que legal a tua vinda aqui, que legal essa história. Eu espero que vocês…

Bianca Oliveira: Espero ter colaborado aqui. Você vê, minha vida é uma salada.

Luciano Pires: Não. Não tem dúvida, não é salada não, foi muito legal. Mas eu gostei, eu gosto dessa tua energia aí, essa tua visão muito clara aí do que vocês querem. Eu espero que você, entrando nessa de nômade digital, que é o grande lance desse momento. Vocês tenham uma… mas não abandone a gente não, fique no idioma nacional aqui. Né?

Bianca Oliveira: Com certeza.

Luciano Pires: No brasileiro.

Bianca Oliveira: Com certeza.

Luciano Pires: E vamos lá.

Bianca Oliveira: Isso aí sem dúvida, sem dúvida.

Luciano Pires: Eu gostei demais de ter participado do teu programa aí, a gente já está começando a fazer um barulho, vou fazer uma divulgação dele aí para ele ganhar espaço.

Bianca Oliveira: Tá. Eu fico feliz. Poxa vida, eu fico muito feliz mesmo, eu tenho certeza que eu estou num caminho aí que, não é fácil né Luciano, tem nada fácil nessa vida não.

Luciano Pires: Não.

Bianca Oliveira: Muito pegado o esquema. Mas é satisfatório, você está ajudando vidas, abençoando vidas e eu gosto disso. E assim, meu sonho, já que você tocou em nômade digital, é isso, eu quero assim, com meu microfone… eu quero ter um estúdio itinerante. Sabe?

Luciano Pires: Sim.

Bianca Oliveira: É isso. Isso me encanta demais e eu quero produzir conteúdo de onde eu estiver. E espero que eu consiga. E outra, a gente precisa remunerar isso de alguma maneira, a gente não quer ficar rico, mas a gente precisa comer. Então é isso, eu estou nesse caminho e tenho certeza que a Tocaia também vai ser um projeto bacana para a gente ajudar pessoas também.

Luciano Pires: Avise aí para a gente fazer um barulho lá. Eu não posso terminar sem fazer uma pergunta que tem um monte de gente esperando aí, ouvir. Têm filhos nos planos?

Bianca Oliveira: Têm filhos nos planos, com certeza absoluta. Acho que nos próximos anos aí vão surgir. Quero ter dois, meu esposo também, então. Os pais piram né, porque: como assim, vocês vão ter filhos? E se vocês estiverem morando longe, como é que é isso? Mas calma, a gente volta uma vez por ano para vocês verem o netinho, senão vocês vão para lá. Ou se a gente estiver morando aqui no Brasil também, porque a gente está superaberto, a gente não está com essa de: ai não gosto de morar no Brasil. Longe disso, eu amo o meu país, quero mais é morar aqui mesmo, mas eu também quero experimentar algumas coisas de fora para abrir a cabeça, abrir, né, enfim, conexões, network. E é isso que a gente está buscando ainda, então talvez nesse primeiro momento, mas filhos com certeza estão nos planos.

Luciano Pires: Maravilha. Boa sorte.

Bianca Oliveira: Obrigada.

Luciano Pires: Obrigado por você ter vindo aqui. Obrigado por abrir a nova temporada do LíderCast pós-pandemia.

Bianca Oliveira: O que honra.

Luciano Pires: E curta aí esses poucos dias de Brasil aí.

Bianca Oliveira: Obrigada.

Luciano Pires: Não vamos perder o contato não.

Bianca Oliveira: Não, com certeza.

Luciano Pires: Vamos conversando aí e vamos fazer acontecer.

Bianca Oliveira: Com certeza. Parabéns pelo trabalho viu Luciano.

Luciano Pires: Imagina, estamos aí.

Bianca Oliveira: Eu te disse isso no meu PodCast e te digo aqui mais uma vez, você é um cara abençoado. E o que é um cara abençoado? Não é aquele que recebe, é aquele que doa. E você doa a sua vida para as pessoas, o seu tempo, o seu trabalho todo, abençoa as pessoas. E eu sou uma abençoada, eu consumo o teu conteúdo. E é por isso que a gente está aqui hoje, porque uma vez eu ouvi o Luciano Pires no Café Brasil e gera conexões. Então parabéns

Luciano Pires: Que bom, obrigado.

Bianca Oliveira: Parabéns.

Luciano Pires: Bem-vinda.

Bianca Oliveira: Obrigada.

Luciano Pires: Beijo.

Bianca Oliveira: Um beijo.

Luciano Pires: Tchau, tchau. Muito bem, termina aqui mais um LíderCast. A transcrição desse programa é exclusiva para assinantes da Confraria Café Brasil e do Café Brasil Premium. Lembre-se, confraria.cafe.

Locutor: Você ouviu LíderCast, com Luciano Pires. Mais uma isca intelectual do Café Brasil. Acompanhe os programas pelo portal cafebrasil.com.br.