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Luciano Pires -

 

 

Luciano Pires: E o LíderCast nessa temporada chega a você com o apoio da Casa Porcini, localizada num bairro, no Botafogo, no Rio de Janeiro. A Casa Porcini possui uma estrutura de alta qualidade. Aliás, Porcini sou eu que falo. Eles lá, eles falam assim: é Porrcini. Casa Porrtini. É uma estrutura de alta qualidade para receber eventos privados ou corporativos, num ambiente exclusivo e acolhedor. Treinamentos, reuniões, workshops, jantares e degustações, podem acontecer num espaço multiuso. A Casa dispõe também de um lindo estúdio de Yoga e uma cozinha profissional, perfeita para aulas práticas e produção de vídeos. Visite o Instagram @casaporcini; se escreve Casa Porcini, com um C. Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindo, bem-vinda a mais um LíderCast, o PodCast que trata de liderança e empreendedorismo com gente que faz acontecer. Hoje trazemos Luzia Costa, que criou a franquia Sóbrancelhas. Com uma história fascinante de empreendedorismo raiz. Daquele que sai do zero ou de abaixo de zero, para conquistar o Brasil. E agora, o mundo. Muito bem. Mais um LíderCast. Eu sempre começo contando como a pessoa veio parar aqui. Esse aqui foi esperto. Foi a Mari né?

Luzia Costa: Foi a Mari.

Luciano Pires: A Mari, que é sua assessora de imprensa. Mandou para mim um e-mail: Luciano, estou com uma história legal aqui, que eu acho que cabe no LíderCast. O que você acha? Mandou para mim um resuminho. Eu, naturalmente, não gosto de mergulhar na história da pessoa. Eu olhei o resumo e falei: isso dá samba. Mari: vamos combinar. Pronto. Aqui estamos. Eu começo o programa com três perguntas – que são as únicas que você não pode chutar – que são as únicas que você não pode chutar. As outras, você pode inventar à vontade. Essas três não aqui tá? Uma delas, eu até abro mão, se você não quiser dizer. Porque mulheres ficam meio assim. Mas vamos lá: seu nome, sua idade e o que você faz?

Luzia Costa: Meu nome é Luzia. A minha idade é 41. Eu não tenho problema nenhum de falar a minha idade. Eu sou empresária. Eu sou franqueadora hoje. Sou do grupo Cetro, que é uma rede de franquias. Nós temos algumas marcas em expansão. A Sobrancelha, que é de embelezamento facial, embelezamento do olhar e da face. A Reduce, que é uma rede de emagrecimento. E a Depil Shop, que é de cera de depilação vegana. E a gente já conta aí – o grupo – com mais de 200 operações entre Brasil, Argentina e Bolívia, em expansão, Estados Unidos, Portugal, Chile, todos esses países vendidos…

Luciano Pires: Ô louco.

Luzia Costa: E estamos a todo vapor aí.

Luciano Pires: Vai dar samba essa história aqui.

Luzia Costa: Já deu.

Luciano Pires: Legal. Então deixa eu ver uma coisa: um é sobrancelha?

Luzia Costa: Uma é de sobrancelha.

Luciano Pires: A outra é de emagrecimento?

Luzia Costa: A outra é de emagrecimento.

Luciano Pires: E a outra é de?

Luzia Costa: Depilação.

Luciano Pires: Eu acho que eu posso ser um potencial cliente para duas delas. Depilação eu não sei. A sobrancelha, talvez. Eu estava contando para você que eu fui numa dermatologista. E ela estava me recomendando um monte de coisas. E aí eu virei para ela e falei: só falta você mandar eu fazer a sobrancelha. Ela falou: não, você é hétero demais. Eu não vou recomendar isso não.

Luzia Costa: Esse é um grande tabu que a Sóbrancelhas vem quebrando. As mulheres começavam a fazer. Olhando. Trazendo os maridos. Trazendo os pais. Hoje a gente tem um público masculino muito grande. Porque o design é específico para o rosto. Então a gente faz o design masculino e o design feminino. Então, a sobrancelha do homem, a gente traz um aspecto de leveza para o olhar, de limpeza. Sabe? De renovação do olhar na aparência, sem mostrar que fez a sobrancelha, afinou. Sem deixar com um aspecto feminino. Esse é um preconceito que não existe mais.

Luciano Pires: Quer dizer, um ogro como eu pode fazer tranquilamente?

Luzia Costa: Tranquilo. Tranquilo. Até o Shrek pode fazer.

Luciano Pires: Eu vou lá. Eu vou lá. Vamos conversar um pouquinho aqui. Você nasceu aonde?

Luzia Costa: Eu nasci em Passa Quatro, Minas.

Luciano Pires: Passa Quatro?

Luzia Costa: Sou mineira.

Luciano Pires: Que legal. Mineira. Você tem irmãos?

Luzia Costa: Tenho. Oito homens. Só eu de mulher. Pensa. Eu já nasci empreendendo.

Luciano Pires: Você está onde, no meio da fila? Por último?

Luzia Costa: Eu estou no final quase, porque depois de mim só tem mais um irmão. Eu sou a penúltima ali.

Luciano Pires: Seu pai queria ter uma menininha?

Luzia Costa: O sonho do meu pai era ter uma filha mulher. Então ele falava: enquanto eu não tiver uma filha mulher, eu não vou parar de ter filho. E veio. E foi. E minha avó fazendo promessa. Envolvendo a família inteira até vir uma filha, que era o sonho dele. Depois tentou mais uma. Veio outro menino. Ele falou: agora parou. Porque a minha mãe não aguentava mais.

Luciano Pires: Mas é uma coisa interessante. Quando o pessoal vem aqui para mim e conta essa história de famílias gigantescas. Por exemplo, a minha família é três. Eu e mais dois irmãos. Três tudo bem. Quando você fala oito…

Luzia Costa: É grande.

Luciano Pires: E a gente traz para os dias de hoje. Imagina: como é que você alimenta oito crianças hoje? Hoje em dia, oito escolas, oito leites. Hoje em dia não tem mais dinheiro para uma família desse tamanho.

Luzia Costa: É uma geração diferente. Eu lembro. A gente foi criada na roça. Então tinha acesso a muita coisa, plantação. O meu pai tinha leite, gado, a carne. Então muita coisa para o consumo próprio ali, você coloca. Então antigamente tinha-se muito filho, porque tinha condições. Hoje de fato é complicado. Se você pegar minha tia, por exemplo, que é a irmã do papai, que já era na cidade, tem quatro.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Então você já vê que o número ali vai diminuindo. E hoje, nesse mundo que a gente vive, todo mundo preso em apartamento, a tendência é cada vez ter menos filho.

Luciano Pires: É verdade.

Luzia Costa: Mas é incrível. Eu amo ter…

Luciano Pires: Seu pai faz ou fazia o quê?

Luzia Costa: O meu pai sempre cuidou de negócios também. Ele tinha fazenda. Daí lidava com leite, com gado. Hoje com banana. Ele tem plantação de banana. E vai lidando ali com os negócios, com gadinho de corte.

Luciano Pires: Eles estão lá ainda?

Luzia Costa: Está lá.

Luciano Pires: Está lá ainda?

Luzia Costa: Tudo lá. Só eu e outro irmão em Taubaté.

Luciano Pires: Eu ia perguntar o que sua mãe faz? Sua mãe cuidava de oito…

Luzia Costa: Mamãe cuidava de oito filhos. Ajuda a cuidar da homarada lá.

Luciano Pires: Como era o teu apelido quando criança?

Luzia Costa: Meu nome é Luzia Helena Costa. Hoje eu só sou conhecida como Luzia Costa. E meu pai fazia questão de falar: Luzia Helena. Porque ele achava lindo. Então ele falava Luzia Helena. E aí hoje a gente acaba abreviando tudo, encurtando. Ficou Luzia Costa.

Luciano Pires: Mas a menininha era Luzia Helena?

Luzia Costa: Luzia Helena.

Luciano Pires: O que a Luzia Helena queria ser quando crescesse?

Luzia Costa: Eu amava brincar. Eu achava lindo. Porque, às vezes, eu acordava cedo. Uma filha só. Muito apegada ao pai. Eu perguntava: cadê o meu pai? E a mamãe: seu pai saiu para negociar. Eu: negociar? Aí eu pegava pedrinha. Eu pegava latinha de feijão. Eu brincava que eu estava vendendo. Eu sempre brincava de venda. Já era aquela questão de ter alguma coisa.

Luciano Pires: Uma empreendedora de nascença já?

Luzia Costa: Uma empreendedora de nascença.

Luciano Pires: Como é ser criada numa família que só tem homens?

Luzia Costa: É desafiador. São os extremos. Ou você se torna extremamente mimada e indefesa. Ou extremamente independente. Eu fui muito para o lado da independência. Então eu tenho a sensação de que eu acabei tomando uma responsabilidade como de mãe. Tanto o cuidado deles, quanto a confiança de colocar. Mamãe vai fazer 80 anos. O meu pai tem 82 já. Então eu fico meio que essa referência de mãe para eles. Então eu tenho esse cuidado de estar ali. E eu gosto de cuidar. Eu gosto de cuidar da minha família. Eu gosto de cuidar da minha casa, do meu marido, dos meus filhos, dos meus colaboradores. Eu gosto de cuidar de todo mundo. Então eu já venho com isso. Então é aquele cuidado, essa responsabilidade excessiva até. Eu tive que me policiar ao longo da minha vida. Porque eu achava que eu era a mãe deles.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Querer mandar. De querer colocar.

Luciano Pires: Eu imagino. É que você não foi criada numa família com uma irmã para saber como é a diferença.

Luzia Costa: Não. É. Então?

Luciano Pires: Mas eu imagino que é um mundo… porque você olha para o lado e você só vê moleque brincando de coisa de moleque.

Luzia Costa: Só coisa de moleque. E eles tinham muito esse cuidado. Porque era o sonho deles também ter uma irmã. Depois veio a minha cunhada – a minha primeira cunhada – que para mim é como se fosse uma irmã, que é casada com o meu irmão mais velho. Então assim, muita referência minha, eu aprendi com a Ana. Muita coisa mesmo ali de menina, de perguntar. Mamãe já mais velha. Então eu me identificava muito com ela. Então tem um cuidado. Então as minhas cunhadas, aquele olhar que não é cunhada. É um olhar de irmã, meio de mãe. Eu falo que tem até uma confusão de sentimento. Mas é muito bom. É muito lindo.

Luciano Pires: Chegou a hora de você estudar para ser alguma coisa na vida. Você estava lá, animada que você ia trabalhar com vendas. Isso pesou na tua escolha na hora de você definir. O que eu vou estudar? O que eu vou fazer?

Luzia Costa: Foi muito louco. Porque assim, aquela coisa lá de cidade pequena. Então a minha falou assim: faz um curso para ser professora. Tinha costureira. Aquelas coisas. Eu casei cedo. Eu casei com 19 anos e vim embora para Taubaté. Entendeu? Então assim: eu tinha só terminado o ensino médio. Eu não pensava em fazer nada. Eu estou ali. Casei muito cedo. E comecei, como todo casal ali, a gente lutando, com filho pequeno. Logo com três meses de casada eu já engravidei. O meu marido na época era militar do quartel. A gente queria muito comprar uma casa. A gente conseguiu financiar 100% uma casinha pela prefeitura, com um plano militar da época lá. Aquele sonho de todo casal que está crescendo. Eu não tinha vontade: ah nossa… vou fazer uma faculdade, para ser isso, para ser aquilo. Nada. E a gente superapertado ali em casa. Porque nós fizemos um muro. E foi a conta de fazer um muro e se endividar. Acabamos de casar, fizemos um muro e endividamos. Soldado do exército. Ganhava muito pouco. Ali eu falei: caramba. A gente precisava fazer alguma coisa. Porque superapertado. E a situação foi piorando. Porque eu lembro que eu comecei a congregar numa igreja em São José dos Campos. Porque eu não conhecia muita gente ainda em Taubaté. Morava recente. As minhas primas congregavam lá. Eu falei: vamos para lá. E ia e vinha. E aí a situação nossa estava superapertada. Eu não tinha dinheiro mais para comprar pipoca para o meu filho depois do culto. Então, eu estourava pipoca em casa e levava para ele a pipoca. Eu falei: caramba. Olha a situação que eu estou vivendo. É onde que ele reclamou.  Ele falou: mamãe, essa pipoca está fria. Troca. Eu falei: ah, meu Deus, o que eu estou fazendo? Eu não tenho dinheiro para comprar uma pipoca para o meu filho. Ali eu comecei a empreender. Então ali eu cheguei e casa e falei: não. Não pensei: eu vou fazer um curso. Eu vou voltar a estudar. Não. Eu comecei empreendendo ali, de cara, por necessidade. Como a maioria das mulheres mesmo ali.

Luciano Pires: Como é o nome do seu marido?

Luzia Costa: Renato.

Luciano Pires: Você chegou para ele e falou: Renato, não tá dando. Eu vou ter que trabalhar. O que é?

Luzia Costa: Não. Eu cheguei em casa e vi o que eu tinha. Eu aprendi a cozinhar muito cedo. Uma mulher no meio de oito homens. Eu comecei a fazer biscoito amanteigado. Eu peguei o meu filho e comecei. Meu bairro era novo. Não tinha padaria. Não tinha nada. Então todo dia eu saía vendendo biscoito de porta em porta. Ali eu comecei para ajudar numa mistura, numa fruta e tal. O Renato trabalhava muito e ganhava pouco. Para comprar uma pipoca. Eu acho interessante a facilidade da mulher. Da mulher empreendedora. Porque a mulher, ela já tem esse instinto. Eu falo que quando ela pega uma mistura ali na geladeira de 250 gramas de carne. E ter que alimentar, às vezes, uma família de cinco filhos, quando ela junta com uma batata, quando ela põe um legume, quando ela põe uma verdura e ela alimenta todo mundo, ela já solucionou um problema.

Luciano Pires: Ela está criando.

Luzia Costa: Ela já criou. Ela já solucionou um problema da família dela. Então, quando a mulher acerta a veia no modelo de negócio, por isso que ela deslancha, muitas vezes, mais rápido que muitos homens. Porque ela tem esse instinto maternal, de defesa, de necessidade de fazer por alguém.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Principalmente se ela empreende para ela.

Luciano Pires: Eu vou resolver um problema.

Luzia Costa: O problema de alguém. É sempre de alguém. Nunca é o nosso. Pelo menos eu, a figura de mulher é sempre aquela responsabilidade de fazer com que os outros dessem certo. E ali eu comecei, vendendo biscoito de porta em porta. Do biscoito, eu montei um carrinho de lanche na porta de casa. Sempre com filho pequeno. Eu acho interessante. Tem todo tipo de pessoas. Têm pessoas que decidem fazer a diferença na sociedade e outras serem vítimas da sociedade. Então eu vejo muitas pessoas não empreendendo usando de desculpa: o filho pequeno. Não tendo dinheiro. Eu dou muito valor no empreendedor que aprende a fazer dinheiro. Porque eu já palestrei com um cara que: ah, eu comecei com “x” mil na conta, que eu tinha e uma ideia, inovação. É lindo. Mas dá dinheiro na minha mão, para você ver se eu não faço mais lindo ainda? Entendeu? Agora, empreendedor é quando você aprende mesmo, do zero. Então, eu tive que aprender a fazer dinheiro, até para perder, eu tive que aprender a fazer primeiro. Até quando eu perdi, quando eu quebrei, eu estava no lucro. Você entendeu? Porque eu tive que aprender a fazer.

Luciano Pires: Teve gente sentada nessa cadeira aí que já contou histórias para mim, que falou: não é que eu comecei do zero. Eu comecei abaixo do zero.

Luzia Costa: Abaixo do zero.

Luciano Pires: Quando eu comecei, eu já devia para Deus e o mundo. E aí essa virada sabe, disso aí, é muito isso que você falou.

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: Eu estava imaginando você, com 20 anos de idade, um bebê, na dureza. Vendendo…

Luzia Costa: Na dureza. Eu não tinha estudo. Eu não tinha nada. Eu não conhecia ninguém. O marido trabalhava muito. Porque militar, trabalhava muito. Muita missão. Então, muitas vezes, eu ficava sozinha com o Caio em casa. Quando o Renato estava, ele me ajudava no que dava, com o carrinho de lanche. Então ele vinha, passava na padaria e trazia o pão, que tinha que trazer as coisas para colocar. Já estava tudo pronto. Então era surreal. E fui. Do lanche, eu falei: esse negócio pode dar certo. Pode empreender e pode dar certo. Vamos montar uma lanchonete. Vamos montar uma lanchonete com que dinheiro Luzia? Não tem dinheiro para montar uma lanchonete. Vamos vender a casa. Mas na casa nós nem pegamos nada. Foi 100% financiada. Nós pagamos oito parcelas, 10 parcelas dessa casa. Vamos vender. Aí vendemos a casa. Pegamos um dinheirinho que deu na casa ali. E montamos uma lanchonete. O pessoal quase morreu na época. O meu pai quase enfartou. Pensa: que menina louca. Acabou de comprar uma casa, que casou; o sonho de todo casal. Vai vender a casa para empreender.

Luciano Pires: Vocês venderam a casa e foram morar de aluguel?

Luzia Costa: Pagar aluguel. E montar uma lanchonete. Cara é louco. A família é louca. É o sonho de todo mundo.

Luciano Pires: Junto com o teu marido?

Luzia Costa: Eu, meu esposo e meu filho.

Luciano Pires: Sim. Você entrou como sócia dele. Mas para você montar uma lanchonete você tem que ter CNPJ.

Luzia Costa: Tudo.

Luciano Pires: Tem que ter tudo aquilo que você não precisava ter vendendo na porta de casa. Você precisou fazer naquele momento lá.

Luzia Costa: Tudo.

Luciano Pires: E aí como é que desbrava isso?

Luzia Costa: A lanchonete foi tranquilo. Porque a gente já estava naquele intuito de crescer. E tudo é muito simples. Porque dependia ainda 100% de mim. O Renato trabalhando. Então eu mesma acordava muito cedo, fazia o café, colocava os salgados que tinham ali, os doces que tinham. Era uma mão de obra ainda muito braçal. Porque dependia de mim. Dava muito certo.

Luciano Pires: Vocês alugaram o lugar?

Luzia Costa: Alugamos.

Luciano Pires: Então você alugou uma casa.

Luzia Costa: E um ponto. E a lanchonete deu certo. E o desejo de crescer vai aumentando no empreendedor.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Aí nós: vamos vender a lanchonete e montar algo maior. Aí vendemos a lanchonete e compramos uma pizzaria. A lanchonete era pequenininha, um pouco maior que isso aqui. O meu filho dormia num colchãozinho embaixo da pia. Enfim, aquela coisa. Ia cedinho. Acordava, cinco horas abria.

Luciano Pires: A lanchonete era você sozinha?

Luzia Costa: Era eu sozinha. E o Renato, nos dias de folga me ajudando. E aí comprei a pizzaria. Aí o bicho pegou. Porque aí a pizzaria vai muito além de uma pessoa trabalhar sozinha. E aí tinha que ter pizzaiolo, gestão. Motoboy, entregador, garçom, uma equipe grande. E aquilo dava muito movimento. Mas o interessante é que eu não tinha me preparado. Eu queria crescer. Mas eu não tinha me preparado para esse crescimento. E as pessoas acham que você quebra quando o negócio não está dando certo. E eu quebrei com o negócio dando certo. Era muito louco. A gente tinha movimento. Eu misturei os bolsos, por má gestão. Eu falo que eu paguei um preço muito caro. E nós quebramos. Quebramos de uma forma extremamente agressiva. De morar na beira do rio, numa casa de pau a pique. Eu falei: Cacilda. Se eu não tinha dinheiro lá atrás…

Luciano Pires: Espera aí. Aqui a gente vai e volta. Você falou uma coisa interessante aí. Me fala do: misturei os bolsos. Qual foi a bobagem do: misturar os bolsos?

Luzia Costa: É muito comum quando uma pessoa começa a empreender ela achar que ela é dona do dinheiro dela. Então ela esquece que o famoso CNPJ – que você citou lá no início – é o patrão. Que essa empresa, você está ali para representar essa empresa. E você tem uma participação daquilo. E a maior parte desse dinheiro vai ficar para empresa. Você acha: agora eu sou dono do meu negócio, esse dinheiro é todo meu. Ele é 100% meu. E aí você compra tudo. Você paga tudo. Você mistura todas as contas ao mesmo tempo. E, no final das contas, o que vai acontecer? Alguém vai ficar sem. Quem vai ficar sem? A empresa. Porque o meu filho não ia deixar de estudar. Eu não ia deixar de comer. Eu não ia deixar de andar no meu carro. Acabou faltando para quem? Para a empresa.

Luciano Pires: Para a empresa.

Luzia Costa: Então você acaba descompensando. Por isso que as pessoas quebram. Porque elas acham que tudo que está entrando é nosso. E não é. O famoso pró-labore, eu fui entender quando? Quando eu quebrei. A importância de tudo isso. E ali a gente foi morar numa casa de pau a pique, na beira do rio.

Luciano Pires: Esse teu processo de quebra… demorou para você entender que estava quebrando. E quando você percebeu já estava num tamanho gigante.

Luzia Costa: Sim. Absurdo.

Luciano Pires: Hoje você consegue olhar e falar: opa. Para antes que o bicho… porque eu imagino o seguinte…

Luzia Costa: Totalmente diferente a forma que você avalia.

Luciano Pires: A tua decisão…

Luzia Costa: Não que todo mundo tenha que quebrar para aprender.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Porque sempre tem um: empreendedor só vai ter sucesso quando quebra. Não tem nada disso.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Mas quando você quebra você tem muito mais cautela. E você tem uma urgência de entender, de aprender a lidar com o dinheiro da forma correta. De, de fato, valorizar a equipe do jeito certo. De entender que a equipe boa, é uma equipe bacana, que você tem que ter coração, que tem que estar com você o tempo todo sim. Mas tem que ser qualificada. Ela tem que dar resultado.

Luciano Pires: Por que você demorou para parar, antes de quebrar feio assim?

Luzia Costa: Eu não percebi.

Luciano Pires: Você não percebeu que estava quebrando?

Luzia Costa: Não. Eu não percebi. Foi algo muito louco. Porque eu era muito coração. Então eu queria ajudar todo mundo. Eu tinha muito aquela atitude de mãezona. Então, uma equipe, muitas vezes, muito inchada para o tamanho do negócio. O dinheiro vai escorrendo Luciano. Ele vai escoando e você não percebe, muitas vezes. E falta de experiência. Então, por exemplo, hoje eu vendia cinco mil reais. Então, eu me preparava para vender cinco mil. No outro dia, eu vendia mil. Aí você fez não sei quanto de massa. Perdeu o dinheiro.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Então, pizzaria, você precisa também ter uma gestão daquilo.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Eu falo assim: a maior característica de um líder é reconhecer que precisa de ajuda. Porque no início… hoje se eu ver que está dando merda alguma coisa, a primeira coisa que eu faço: vou buscar ajuda. Eu vou buscar um mentor. Eu vou buscar um curso. Na época, não tinha nada disso. Eu falo: que privilégio que tem a galera de hoje, isso aqui que a gente está fazendo.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Ter acesso gratuito a um PodCast, à história de outro empreendedor, que te conta todos os desafios ali, do caminho das pedras. SEBRAE. A quantidade de curso que o SEBRAE disponibiliza gratuitamente. Você abre as plataformas hoje do Youtube, tudo que você quiser aprender de gestão. Você não precisa ter dinheiro para estudar. Você não precisa ter dinheiro para fazer curso caro. Quem quer se envolve nisso tudo. Isso é um privilégio. Que na minha época não tinha.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Não tinha nem internet direito. Então era algo que a gente foi. E aí fui. E aí fui morar nessa casa que eu te falei. Que era o caseiro da fazenda que passou para a gente morar. Porque a casa era muito ruim e ele não queria. Ele preferia pagar aluguel que morar na casa. Vai vendo a situação. Mas tudo bem.

Luciano Pires: O teu pai não veio…

Luzia Costa: Quase morreu. O meu pai quase morreu. Mas aí vai vendo o meu pai. Morando nessa casa. 30 dias que eu estava morando nessa casa, acabou o meu gás. Que lindo. Dinheiro atrai dinheiro. Desgraça atrai desgraça. Tá bom. E era tudo que eu não queria. Era ir na casa do meu pai pedir ajuda. Porque ele tinha falado para mim: não vende a casa. Isso não vai dar certo e tal. Mas eu não tinha o que fazer. Vou ter que ir até a casa do papai e pedir dinheiro para comprar gás. Fui. Aí cheguei e falei: papai acabou o meu gás. Você me empresta o dinheiro para comprar o gás? Era 40 reais o gás na época. Aí ele falou tudo: eu te avisei que não se vendia casa. Olha a situação que você está vivendo. Eu não suporto. Você é a minha única filha. Pega as suas coisas e vem morar aqui. Não vou pai. Eu não vou morar. Não. Eu tenho a minha família, a minha casa. Eu não vou morar. Você pega esse dinheiro. Vai embora. Compre o gás. Nunca mais abre nada na sua vida, pelo amor de Deus. Eu não suporto. Manda o seu marido se acertar no quartel. Porque funcionário público, ele vai ganhar bem. Uma hora ele vai acertar a mão. Vai ganhar bem. Arruma um emprego. Você é inteligente. Começa a estudar. E para. Tá bom. Errada. Falar o quê? Na visão dele. Peguei o dinheiro e fui. Quando eu saí da casa dele, eu falei: mas se eu comprar o gás, eu não vou ter dinheiro para comprar comida. O que adianta ter gás e não ter comida? Agora eu tenho 40 reais. Eu vou abrir outro negócio. Com 40 contos. Eu estou é rica. O que eu vou fazer com 40 reais? Eu falei: já sei. Eu passei na quitanda. Eu comprei uma caixa de tomate. Porque na pizzaria, eu fazia tomate seco. Eu tenho muita facilidade. Eu gosto de cozinhar. Eu tenho muita facilidade em desenvolver na comida. E aí fui em casa. Tinha um fogão de lenha. Eu acendo o fogão de lenha. O tomate seco depende de uma temperatura branda para ele ir desidratando. Eu faço comida. Conforme a chapa vai esfriando, eu desidrato o tomate. Eu faço conserva e começo a vender. Imagina a cara do meu pai me vendo em Passa Quatro vendendo tomate? Se ele tinha pedido para eu não abrir mais nada? Na hora ele: com que dinheiro você comprou esses tomates? Se você falou que ia comprar o gás? Na hora ele entendeu que eu não tinha comprado o gás. Eu falei: eu vou vender o tomate, arrumo dinheiro para o gás e para a comida. Ali eu comecei empreendendo de novo. Vendendo tomate seco. Mas eu empreendi rapidamente com o tomate seco. Só para sair daquele lugar e ter condição de alugar uma casa, que foi numa outra cidade, antes de Taubaté, Roseira. Porque ali, eu sabia que o tomate seco não ia funcionar. Porque ali é muito industrializado. Porque Passa Quatro tem muita iguaria. Tem muito turista e tal. Eu vendia bem tomate seco. Aí ali em Roseira, eu já tinha aprendido. Eu já tinha pegado a sacada que o dinheiro não podia acabar; que tinha que investir. E eu tinha cinco reais. Eu falei: eu preciso fazer alguma coisa para não acabar. Aí eu fui no mercado. O que dava para fazer com cinco reais? Na época, o quilo do açúcar era 1,25. Eu comprei um quilo de açúcar e corante. Eu falei: eu vou fazer pirulito. Porque pirulito é açúcar e corante. Eu vendo pirulito. E o dinheiro não acaba. Eu nunca tinha feito pirulito na minha vida. Eu falei: mas em Passa Quatro todo mundo vende essa chupetinha de vidro. Alguém vai me dar a receita. Ninguém me deu a receita. Já começa por aí. É outro erro. Que o empreendedor acha que alguém tem a obrigação de ajudar. E não tem obrigação.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Porque quando você quer, você faz. E ali eu pus xicarazinha por xicarazinha de açúcar até chegar no ponto do pirulito. O meu marido ficou doido. Porque eu sempre deixo ele doido com as coisas. Arrumou uma forminha com três pirulitinhos, para eu começar a fazer. Eu fazia de três em três pirulitos, até montar um pacotinho, para vender. E ali eu comecei vendendo pirulito. E aí eu comecei a vender muito pirulito. Aí comprei outra forminha e fui colocando. Aí chegou uma hora que o meu esposo falou: amor, eu acho que agora você se encontrou. Porque está vendendo para arrebentar pirulito. Eu comprei um carrinho velho, um Golzinho quadrado ali, a gás, para vender pirulito. E estava super de boa. Aí vendendo pirulito, eu encontrei com uma moça. E aí ela falou assim: Luzia, a prefeitura da cidade está dando um curso de massagem. Você não quer fazer? Tinha uma amiga minha que ia fazer. Não quis fazer e tal. Eu falei: claro que eu vou fazer. Porque é meu sonho fazer alguma coisa. E eu sempre fui muito autodidata. Então, quando eu era solteira, eu fazia a própria cera de depilação. Eu cortava saquinho de arroz e depilava as meninas, as minhas amigas, as minhas primas. Eu fazia a sobrancelha da mulherada. Eu fazia unha das vizinhas. Tudo sem curso. Eu falei: se eu já fazia sem curso, com curso, eu vou arrebentar. E aí eu entrei. E com três semanas de curso, fazendo curso, a mulherada ia ser modelo lá na escola. E elas falavam assim: você tem uma mão boa para massagem. Você consegue atender em casa? Eu atendo. Elas: mas você tem maca? Eu falava: não. Mas você tem mesa? A cliente falava: tenho. Aí eu forrava a mesa da cliente com um edredom e uma toalha e atendia a mulherada em cima da mesa. Eu comecei atendendo fazendo massagem. Eu comprei um creme fiado na farmácia, Doutorzinho, que nem era de massagem, para dor. Aí eu cheguei e falei para a Dona Rosa assim: a senhora pode me vender esse creme fiado. É que eu tenho uma cliente de massagem. Eu vou atender. Ela vai me pagar. Eu volto e pago a senhora. Ela: pode levar filha. Eu peguei o creme. Fui. Atendi essa mulher. Aí voltei na farmácia. Paguei o creme. Aí outra cliente falou: Luzia, eu vou comprar uma maca para você no meu cartão de crédito. Você me paga em serviço. Mineiro é roleiro mesmo.

Luciano Pires: E o pirulito?

Luzia Costa: E ainda vendia pirulito.

Luciano Pires: E com o pirulito ainda?

Luzia Costa: E com o pirulito. Aí as massagens começaram a aumentar. Daí eu parei o pirulito e comecei. Desse curso, eu ganhei outro curso, de massoterapia neurológica, em Guará. Um professor muito fera. Eu aprendi muita coisa com esse cara na vida. Muito, muito mesmo.

Luciano Pires: Vamos usar um termo que está em moda hoje? Que você já usava na época. Você pivotou o seu negócio. Você saiu do pirulito…

Luzia Costa: Exatamente.

Luciano Pires: Onde você tinha que comprar matéria prima. Tinha que produzir industrial ali, para produzir um produto, para vender o produto.

Luzia Costa: Exatamente.

Luciano Pires: E agora você estava vendendo serviço. Que a matéria prima era o creminho.

Luzia Costa: Era o creminho e mão.

Luciano Pires: E o equipamento era a maca. E aí passou a vender serviço você percebeu que ali tinha futuro?

Luzia Costa: Muito. Porque quando eu comecei a fazer o curso de massoterapia neurológica, que eu fui entrar mais a fundo nessa parte e eu fui me apaixonando por essa área, que eu amo. E aí conversando muito com o Antunes, eu falei para ele um dia: eu acho que eu vou montar uma tenda de massagem na praia. Porque eu preciso mudar a minha vida. Eu estou cheia de dívida. Eu quebrei o meu negócio. Eu vi ali na televisão. Eu acho que dá para levantar uma grana e tal. Ele falou: Luzia, o que você precisa? Eu falei: eu tenho uma maca. A minha amiga vai tirar uma tenda no cartão de crédito dela para mim. Aí eu falei: eu preciso de uma cadeira. Ele falou: pega a minha. Uma cadeira de shiatsu. E faltava tipo um mês para terminar o curso. Eu falei: falta um mês para terminar o curso. Ele falou: vai. Só vai que você vai voar. Vai. Segue seu coração. Pode ir. As aulas eu seguro aqui, você vem vindo, vem terminando conforme dá. Vai embora. E nós fomos. Chegamos em Ubatuba, alugamos um cômodo. Num colchão inflável – eu já tinha uma filha – então era eu, meu esposo e dois filhos. Uma bebê que mamava no peito. Nós dormíamos num colchão inflável. Amanhecia murcho o colchão, no chão, Luciano. Eu trabalhava todos os dias das cinco da manhã à meia noite. Então eu acordava de madrugadinha, ia para a praia. Montava a tenda de massagem na praia. Atendia até umas 17 horas. Voltava para casa. Tomava banho. Trocava a roupa e ia atender a mulherada do condomínio, que fazia unha, massagem. A mulherada que não vai na praia. Porque eu tinha duas peças de roupa. Eu trabalhava de branco. Então eu chegava, lavava, torcia na toalha e punha no ventilador para secar, colocava roupa limpa e ia. E ali eu ia, todos os dias. Você vai falar: mas cinco horas da manhã não tem gente na praia. Só que, o que acontece com praia? Tem a famosa lei do turista. Então mesmo quando você tem alvará, que você tem o seu lugar. Se o turista chegar e ele deitar ali com a toalha dele no seu lugar, você não pode tirar. Você perde. E quem faz isso? Se você conversar com o turista, é claro que ele vai sair. Mas seu concorrente não vai sair. Mas você tem concorrente na praia? Não, eu não tinha. Eu era sozinha, de massagem. Porém, na praia, todo mundo é seu concorrente. O cara do milho é seu concorrente. O cangueiro. Todo mundo quer ser visto. É uma briga. É uma máfia aquilo lá. Então, eu chegava muito cedo, porque eu tinha medo de alguém chegar e pegar o meu ponto. Então eu montava a minha tenda e ali eu ficava o dia todo atendendo. Aí juntei dinheiro para pagar as minhas dívidas e voltei a morar em Taubaté, que era o meu sonho. Eu peguei todo o dinheiro que eu tinha ganhado na praia, pagamos as dívidas. Alugamos uma casa em Taubaté. E voltamos para Taubaté. E ali eu falo que começa uma jornada muito sábia. Porque quando eu cheguei em Taubaté foi algo assim, eu falei: eu preciso fazer alguma coisa. Trabalhar. Porque meus clientes ficaram todos em Ubatuba. E agora? Faz um flyer, faz uma divulgação. Conversando com as pessoas alguma coisa. Eu falei: eu não vou fazer nada disso. Por que como que vou fazer marketing? Divulgar uma pessoa que ninguém sabe quem é? Eu vou queimar dinheiro. Eu falei: primeiro eu vou fazer um nome. E eu sempre tive muito amor. Eu sempre gostava muito de cuidar de pessoas. Eu gosto. Massagem para mim era um tempo. É um momento muito íntimo com o cliente. Ele te entrega ali. Você pega uma pessoa, uma mulher, super fragilizada, onde ela está despida, sem roupa, no quarto dela. Então, quando você começa a fazer um bom trabalho, ela se abre. Eu já trabalhava com mentoria e nem sabia. Então eu tinha muito resultado com o meu trabalho. Eu sabia que tinha muito mais a ver com o que eu fazia com as mulheres do que com o dinheiro em si. Porque eu já era apaixonada por aquilo. E eu comecei. Aí eu comecei a ir nas escolas da rede pública. Eu chamava a diretora, me apresentava e falava: eu queria mostrar o meu trabalho para vocês. Eu fico o dia todo aqui. Eu atendo todo mundo. Desde a servente à diretora. E quando a gente ia começar a terminar, quem gostar, me chama depois, que eu começo a atender a domicílio.

Luciano Pires: Ok. Por que em escola? Porque eu imagino o seguinte: se eu fosse fazer um trabalho como esse teu, de massagem, eu ia procurar onde tinha gente rica.

Luzia Costa: Todo mundo fala isso.

Luciano Pires: Eu quero ver onde tem gente rica.

Luzia Costa: Exatamente.

Luciano Pires: Onde é que está o dinheiro?

Luzia Costa: Quantas pessoas falavam para mim assim: mas você é doida. Você vai fazer massagem muitas vezes, nessa moça que está trabalhando lá na sopeira? Ela não vai ter dinheiro para contratar seu serviço. Pois é. Mas o dia que ela for fazer faxina na casa de alguém e alguém perguntar de mim, ela vai lembrar o meu nome. Então, todo mundo tem que saber do meu trabalho. E a massagem, se eu vou atrás daquele público, onde tem gente muito rica, ela tem um acesso muito fácil a tudo, aos melhores salões, a SPA. Normalmente ele tem um massagista, o que ele quiser. Agora, aquela professora que está cansada, que ganha o salário dela, que ela pode fazer um pacote de massagem e pagar, porque ela trabalha, com um pouco mais de dificuldade. E você facilita. E tem aquele diretor. Elas vão. Porque elas precisam. Porque é uma necessidade. Porque tem a ver com saúde. Tem a ver com mente. Tem a ver com um monte de coisa. E ela é fiel. Eu ia dentro da casa dela, aos seus cuidados. E ali eu comecei atendendo as professoras, as diretoras, que iam indicando. Então eu atendia desde gente muito rica – igual em Ubatuba, que viraram meus clientes, que vinham para Taubaté para fazer, que vinham de helicóptero – como eu já atendi pessoas que ganhavam super pouco, mas tinham fibromialgia. E que aquilo era uma necessidade para ela. E aí eu comecei indo de escola em escola, nas faculdades da rede pública. Posto de saúde. E as pessoas começaram a se lembrar do meu nome. E aí eu fiz uma carteira de clientes incrível em um ano, que eu não dava mais conta de atender e transitar por Taubaté em domicílio. Aí eu tive que montar um espaço. E aí eu montei esse espaço. E nesse tempo todo eu fui estudando. Eu fui me capacitando.

Luciano Pires: Que ano nós estamos?

Luzia Costa: Na minha história? Essa época era 2010? Será? 10 anos atrás?

Luciano Pires: É. 2010. Não é tão longe assim. Você então virou a massagista conhecida de Taubaté?

Luzia Costa: De Taubaté. Ali eu fazia massagem. Fazia sobrancelha.

Luciano Pires: Trabalhando sozinha?

Luzia Costa: Sozinha. Eu fazia toda a parte de estética.

Luciano Pires: CNPJ nem pensar?

Luzia Costa: Não. Ali eu não tinha CNPJ. Eu não tinha nada. Aí quando eu abri a minha sala, eu abri um MEI. Ali eu fazia depilação, eu fazia massagem, eu fazia muita sobrancelha já, porque nesse tempo estudando, fazendo os cursos. E aí comecei a ser chamada para dar curso de micropigmentação. Eu comecei a dar aula de micropigmentação. Na época era bem escasso. E ali eu comecei dando curso.

Luciano Pires: Como assim? Onde você aprendeu micropigmentação?

Luzia Costa: Nesse decorrer do tempo, eu fui me atualizando na área de estética. Daí eu fui fazendo muito curso. E todo curso que eu fazia era muito mais voltado para a sobrancelha, do que para o corpo. Então aí a gente vai crescendo e vai…

Luciano Pires: Por que sobrancelha? Como é que você chegou nela?

Luzia Costa: Foi muito natural. Então você vai se destacando. Então no início eu fazia tudo: massagem, depilação, unha e sobrancelha das mulheres. Era comum. Limpeza de pele. Eu fazia todo aquele serviço. E a sobrancelha, eu fui aprimorando. E quando você aprende a fazer uma sobrancelha bem-feita, você fideliza muito a mulher. Porque elas ficam com medo de dar a sobrancelha. Então isso foi crescendo. E aí, conforme eu fui ensinando as meninas a fazer micropigmentação, o mercado foi se atualizando e crescendo. Então eu ia, eu fazia um curso, eu voltava. Eu sempre fui muito fuçona. Eu já mudava a técnica. Eu desenvolvia. Eu melhorava a técnica. Eu ficava naquela coisa de… eu sou muito fuçona, muito curiosa. De criar as coisas. Eu fui me destacando na área de sobrancelha. E aí esse espaço foi crescendo e virou uma escola. Virou um centro de treinamento. Aí chamei mais duas pessoas para trabalhar comigo, para me ajudar na época.

Luciano Pires: Como você é rápida hein?

Luzia Costa: Rápida. Rápida para quem escuta.

Luciano Pires: Rápida, vem cá. Deixa eu ir cutucando você aqui. O que é a micropigmentação? Eu quero entender a ciência disso e saber o que uma pessoa para se tornar uma especialista em micropigmentação?

Luzia Costa: A micropigmentação, ela desenha a sobrancelha. Muitas vezes, a pessoa não tem uma sobrancelha. Ela tem uma falha. Então a gente vem com um demógrafo, aonde a gente vem com uma tinta específica, desenhando. É como se fosse uma tatuagem. Não é uma tatuagem. Porque são técnicas diferentes, produtos diferentes. Mas ela fere a pele, como uma tatuagem. Produzindo uma tinta, como na tatuagem. E hoje a gente consegue trazer toda a leveza de novo para o rosto, para o olhar. Hoje a gente faz muita micropigmentação para mulher que tem pelo. Porque gosta de realçar. Antes você via muitas pessoas… porque vem de uma época da mulherada, que antigamente afinava-se muito. Era a moda da sobrancelha muito fina. Que ia tirando, tirando, tirando, estragava. Você via aquelas mulheres, era um fio. Então hoje a gente já mudou essa cultura. Então hoje as mulheres mantêm a beleza da sobrancelha. Então toda essa mulherada lá atrás, tudo veio para a micropigmentação. Quer ter de volta. Porque a moda agora é ter pelo nas sobrancelhas. Essa mulherada vinha fazer a sobrancelha. Então a época da micropigmentação está muito em alta. Porque as pessoas querem praticidade. Então você acorda maquiada toda hora. Você toma banho e não sai. Você vai para a praia, você se livra de muitos cosméticos.

Luciano Pires: Eu vou falar de uma outra coisa que é bem interessante, eu até uso nas minhas palestras, tem uma delas que eu uso um exemplo, a que eu estou falando da diferenciação que você faz quando presta um serviço. Que o grande lance não é nem o equipamento que você tem. Não é o lugar que você está instalado. Mas é a confiança que o cliente tem em você. E aí o exemplo da mulher. As mulheres que estão me ouvindo e estão me assistindo aqui. Vocês cortam o cabelo em qualquer cabeleireiro? A mulher fala: de jeito nenhum. Quem tem a cabeleireira do coração? Todo mundo levanta a mão. Eu tenho a minha. E evidentemente, a diferença daquela cabeleireira não é o lugar que ela está trabalhando. Não é o equipamento dela. Ela pegou o jeitão. Tem um jeitão. E eu me dei bem com ela. E acabei fazendo uma relação de confiança. Por quê? Porque eu vou entregar o meu cabelo para alguém. Você acabou de falar: eu vou entregar a minha sobrancelha para alguém. Então esse é o lado. Ele vai muito além da tua experiência, a tua habilidade técnica de: sei fazer sobrancelha bem-feita. Agora, se eu for um animal, se eu for um ogro, se eu for um brutamonte. Se eu não estiver interessado naquilo que você falou lá atrás: entendi que aquela mulher está fragilizada. Que é um momento que não basta eu fazer uma massagem nela, eu preciso conversar com ela. Eu tenho que criar uma conexão. Isso envolve psicologia, sociologia, antropologia. Todos os gias que tem no mundo. Como é isso aí no teu trabalho? Como é que você passa isso para a turma que trabalha com você, dessa fidelização? Como que é isso?

Luzia Costa: Foi muito louco. Porque, conforme eu fui crescendo. A gente tem aquele apego nos clientes. A gente tem um apego. Porque eu sempre gostei de cuidar. Isso vem de mim. Cuidar de pessoas. Lidar com problema. Solucionar problema. É muito meu. Então, às vezes, está acontecendo alguma coisa, o franqueado está agitado com algum departamento, alguma coisa. Traz para mim. Deixa eu entender. Está acontecendo alguma coisa? Então eu quero entender aquele comportamento. O porquê daquele comportamento? Então hoje eu vejo. É a minha formação de hoje. Porque hoje eu fiz faculdade de estética. Eu faço muito curso na parte de inteligência emocional. Eu lido com mulheres, com toda a parte de inteligência empreendedora. Dei aula no empreendedorismo feminino, fui coach aqui do MBA em, São Paulo, em São José. De lidar com essas mulheres. Quando eu trago isso, eu falo: isso é muito louco. Porque eu já fazia lá. Nada mais é do que você entender o comportamento. Quando eu paro para ouvir. O segredo está sempre em ouvir as pessoas. Porque o comportamento da pessoa externa algo. Ela grita o que está aqui dentro. Então, por que ela está sendo rude? Por que ela está sendo grossa? O que está acontecendo? E quando você para ouvir, você dá a oportunidade da pessoa te contar o que está acontecendo. Fica muito mais fácil de resolver. Porque ela mesma já te deu a resposta. Você deu oportunidade para colocar. E aí eu tinha muito essa preocupação de como eu ia fazer isso, quando eu cresci. Porque ali eu comecei a prestar consultoria para outros salões de beleza, para outras franquias. Até que veio a ideia de abrir a minha franquia enfim, e tal. Eu falava: como é que eu vou? Minhas clientes não vão aceitar fazer com outras pessoas. Se eu abrir uma loja hoje só de sobrancelha, alguma coisa, como que essas clientes vão ser atendidas por outras meninas? E aí, quando eu tive o cuidado de formar a minha equipe, as minhas meninas, eu vinha nesse trabalho com elas, do passo a passo, da importância de entender e de trabalhar o relacionamento com as clientes. E aí o que eu fiz? Eu fui trabalhando nas minhas clientes a importância de elas estarem nesse desafio que eu estava entrando, que era crescer. Que a partir daquele momento Deus tinha falado comigo. E eu seria uma franquia. E eu queria essa franquia espalhada. Eu tinha certeza da Sobrancelha. Eu tinha uma palavra, uma promessa de Deus. Eu tinha certeza que Sobrancelha atravessaria fronteiras. Não ia ser só no Brasil. Eu precisaria de uma forma de ser replicada. Eu precisava contar com elas naquele momento. Elas darem um voto de confiança em mim. De fazer com as minhas colaboradoras. Eu tinha criado uma técnica específica para que elas conseguissem replicar da mesma forma. E que qualquer problema, elas me dariam o feedback e me ajudariam nisso. Então eu fiz todo um trabalho. E foi algo louco. Porque elas estão comigo. São clientes das meninas na loja até hoje. Me contam tudo o que está acontecendo quando vai na loja. Então, esse processo de desmame veio com elas. Elas entenderam e colocaram: mas ela não vai fazer igual a você. Se ela não ficar igual eu. Eu faço para você depois, de novo. Mas me ajuda. Eu preciso. Porque eu não vou dar conta mais. E tinha aquilo, a menina que nunca tinha feito sobrancelha. Eu atendia a mãe. Eu fazia. A da avó, da mãe, da filha, do marido. Você vai criando ali uma cultura. Era massagem, era sobrancelha, tudo eu fazia. E essa transição, que eu fui contando com elas e pedindo ajuda e envolvendo nesse processo o pessoal que trabalhava comigo. A minha primeira equipe foi entendendo essa necessidade de estar trabalhando, que elas estariam à frente desses treinamentos comigo, crescendo. Encontramos ali o modelo. A forma de replicar isso. Onde todos os clientes, onde abria uma Sobrancelha, falava: é a técnica Luzia Costa. Eu vou lá. Então teve um processo para ser feito. Tem pessoas antes disso. É o amor pela pessoa. É o cuidado. Porque tem que cuidar. Quando você coloca a mão no rosto de uma mulher para fazer, na cabeça, você está na parte… quando é bebê, a gente fala que é a moleira. É a aura. É a parte de pureza. Então, o poder das mãos. A bíblia fala assim: que uma mãe que entende o poder das mãos, ela cura o filho enfermo. Com a imposição de mãos. Então se elas não entenderem a energia que elas precisam transferir ali, o amor e o cuidado com essa cliente. O privilégio que nós temos de ser essa escolha. Porque nós somos uma escolha. Essa mulher, ela acorda aqui no bairro dela. Quantos salões têm para ela ir? Quantos lugares? Ela atravessar a cidade inteira para ir até um shopping, entrar no shopping, pagar estacionamento caro. Entrar na minha loja, pagar mais caro do que num salão para fazer a sobrancelha comigo? Ela separar um pouquinho do dinheiro dela, suado, que ela trabalhou o mês inteiro e decidir abençoar a minha vida com aquilo? Para no final do mês, a minha colaboradora que vai embora ter parte do dinheiro daquela mulher. Ela entende que ela faz parte do meu negócio. O quanto ela é importante. Então, quando você tem noção da importância do cliente, você tem que estender um tapete vermelho. Você tem que ir na porta, pegar pela mão, sentar e falar: obrigada. Ele é minha escolha.

Luciano Pires: Ele é a tua extensão.

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: Muito bem. Você está no LíderCast. O LíderCast é lançado por temporadas. Os assinantes da Confraria Café Brasil e Café Brasil Premium têm acesso imediato à temporada completa, assim que ela é lançada. Os não assinantes receberão os programas gratuitamente, um por semana. Para assinar, acesse mundocafebrasil.com e conheça nosso ecossistema do Café Brasil Premium através do site ou pelos aplicativos para IOS e Android. Você pratica uma espécie de MLA, Master Life Administration, recebendo conteúdo pertinente, de aplicação prática e imediata, que agrega valor ao seu tempo de vida. São VídeoCasts, sumários de livros, PodCasts, e-books, eventos presenciais. E a participação em uma comunidade nutritiva, onde você faz um networking com gente como você, interessada em crescer. Fala uma coisa para mim: como é que você lidou naquele momento que você deixa de ser a massagista individual para passar a montar um negócio? Não veio o medo da pizzaria de volta não? Não pintou? Você vai deitar e vai falar: meu Deus. Vai começar tudo de novo. Estrutura, gente, funcionário. Como é que você trabalhou isso?

Luzia Costa: É muito louco. Já me perguntaram isso. Eu falo assim: eu ansiava por aquele momento. Eu trabalhei praquilo. Porque eu falava assim: eu queria colocar em prática tudo que eu tinha aprendido. Eu queria poder ver e fazer dar certo tudo que eu tinha feito de errado. Eu sabia exatamente cada falha, cada passo, cada cagada que eu tinha feito. Eu falava: meu Deus, eu preciso ter a oportunidade de provar para mim mesma, que é possível. Entendeu? Eu achei onde foi a minha incompetência. Eu não quebrei por causa de ninguém. Teve vários fatores: emocional, financeiro. Não era um momento da minha vida que eu estava bem também para ter aquela pizzaria. A minha família não estava bem, não estava estruturada. Eu tinha acabado de enterrar um filho. Tinha nascido um bebê meu que faleceu nesse tempo. Então tinha uma mistura de coisas acontecendo naquele momento. Eu estava fragilizada. E eu queria ocupar todo o meu tempo com o trabalho. Então, ocupada demais. Pouco produtiva. Então tinha vários fatores. Que eu entendia a necessidade do pilar. Que a empresa era a extensão da minha casa, que era Deus, família, empresa. Da administração do meu tempo. De quanto de fato. E o que eu ia fazer nos poucos dias que eu tenho de vida? Porque a bíblia fala assim: é bom que o homem coma os frutos do seu trabalho nos poucos dias de vida. Nós temos poucos dias. Ainda que a gente viva 100 anos, são poucos. Eu falo que eu perdi o meu menino muito cedo. E era uma dor de uma mãe de enterrar um bebê. É muito pouco. Poucas horas de vida. Muito pouco dia. Eu perdi um irmão com 33 anos. Eu falei: o meu irmão não viveu nada. Mas eu perdi uma avó com 89 anos. E também foi pouco. Eu falo: que saudade da vovó. Porque você não vê. Eu olho o papai hoje. O papai tem 82 anos. Eu não vejo o meu pai um idoso. Para o filho, é sempre o pai que está ali. E você acha que vai ser eterno. A sensação é que vai ser eterno. Quando a gente vê – eu estou com 41 anos – a vida é um sopro. Já acabou. Daqui a pouco já acabou. Nascer eu não tenho escolha. Morrer eu não tenho escolha. A única escolha que eu tenho é como eu vou viver esse trajeto do nascimento até a morte. E quando você se dá conta disso, você começa a fazer uma organização do seu tempo. Quantas horas eu trabalho? Quantas horas eu durmo? O que de fato sobra de tempo para os meus? Para a minha vida? Para quem importa de fato, que vai estar comigo ali na minha caminhada até o final, que é a minha família? Aí você começa a entender outros valores. E aí você vai organizando o famoso pilar: corpo, mente, espírito. E vai colocando tudo no lugar. Porque começa aqui dentro. Quando você vai ver, as coisas começam a acontecer. Então automaticamente, os seus negócios dão certo. Você fatura mais. Você tem uma gestão totalmente diferente do seu dinheiro. Porque você entende de fato o que é importante. De fato, o que é importante para a empresa. O que é importante para comprar.

Luciano Pires: Você tem sócio?

Luzia Costa: Só o meu esposo.

Luciano Pires: Não. Você tem dois sócios então.

Luzia Costa: Deus e meu esposo.

Luciano Pires: Deus e teu esposo. São em três então?

Luzia Costa: Uma trindade. O mundo é feito de trindade.

Luciano Pires: O teu marido viu que você ia voar e falou: adeus quartel.

Luzia Costa: Adeus quartel.

Luciano Pires: Lá vou eu. Eu vou nessa.

Luzia Costa: Nós inauguramos. Porque foi muito louco. A escola chegou num ponto que estava muito legal.

Luciano Pires: Mas a escola era um negócio?

Luzia Costa: A escola era um negócio.

Luciano Pires: Um business. Então você tinha um negócio…

Luzia Costa: Da escola eu fui para a franquia. Foi muito legal.

Luciano Pires: Mas antes da escola, você abriu a tua sala de massagem.

Luzia Costa: Sim. A sala de massagem foi crescendo. Aí eu comecei a dar curso. Ser chamada para dar curso. Virou uma escola. Aí eu mudei de ponto. Virou um centro de treinamento. E aí eu comecei a ministrar vários cursos ali. E a gente estava superbem. A escola superbem. Aí eu comecei a dar mentoria para salões de beleza e para outras franquias. Então as pessoas me procuravam, mandava equipe, eu treinava e mandava de volta.

Luciano Pires: Treinava em quê?

Luzia Costa: Treinava na parte de beleza. Design de sobrancelha, depilação. Serviço de beleza.

Luciano Pires: Não era nada de gestão?

Luzia Costa: Não.

Luciano Pires: Era a técnica. Ok.

Luzia Costa: Aí chegou um momento que eu falei para o meu marido: o mais difícil de uma franquia é o know-how, o suporte. Eu estou fazendo isso para os outros. Eu estou engordando o boi do vizinho. Eu vou abrir uma franquia. Pelo amor de Deus. Tudo que nós já passamos na vida. Você está bem com a sua escola. Eu estou bem no quartel. Você tem o seu carrinho. Eu tenho o meu carro. As crianças estão bem. Estão numa escola boa. A gente está morando numa casa boa. É alugada. Mas é boa. Então Luzia, montar uma franquia é arriscar tudo de novo. Eu fui orar. Deus do céu. Eu não posso errar mais. Porque se eu errar mais, eu vou arrumar um divórcio. Porque esse homem não vai mais me aguentar. Eu tenho certeza. Eu nunca vi um ser de mais fé que um empreendedor. O significado da palavra fé é a certeza das coisas que se espera e não se vê. E é isso que o empreendedor vive todos os dias. Eu fui orar. E Deus me deu texto de Gênesis 15:5, que fala assim: que ainda que se contasse as estrelas do céu, eu não saberia a minha descendência. Eu falei: Deus está falando que as obras dela não vai só atravessar o Brasil. Ela vai atravessar as fronteiras. Eu falei: amor, Deus me deu esse texto. Ele falou: o que você quer saber? Se Deus falou com você, o que você quer que eu fale? Você quer saber o quê? Você quer saber se eu vou te apoiar? É isso? Faz sentido para você? É importante isso para você? Eu falei: sim. Ele falou: tamo junto. Deu falou. Vai. E se não der certo? Se não der certo, tamo junto também. E ali a gente foi. Aí procurei ponto. Procurei ponto. O primeiro ponto que eu procurei e que eu queria; o cara não quis me alugar de jeito nenhum o ponto. Ele falou: eu não vou alugar para você, porque eu não acredito que você vai conseguir pagar três mil reais fazendo sobrancelha. Sobrancelha é muito barato. Não alugou o ponto para mim. O meu marido falou assim: nenhum cara do ponto quer alugar. Será que não é um sinal? Eu falei: do demônio, para eu parar. Porque eu não vou. De jeito nenhum. Aí menino, eu fui para o shopping. Aluguei um ponto. Uma loucura. Eu ficava o dia todo ali, vendendo curso. Vendendo curso na escola para arrumar dinheiro para pagar pedreiro, para pagar isso, para pagar aquilo. Porque eu não sabia da dificuldade que era reformar um ponto num shopping. Eu olhei o ponto e falei: meu amigo que é pedreiro faz a reforma para mim. O outro que é marceneiro faz o móvel. Eletricista faz a elétrica. Está pronto. Quando eu assinei com o shopping chegou a pasta técnica. O pedreiro não podia ser pedreiro. Tinha que ser engenheiro. Precisava de projeto. Eu falei: eu estou lascada. Porque o dinheiro que eu tinha calculado que eu ia usar para a reforma, não pagava nem os projetos dos caras. Eu falei: ferrou. Agora eu vou ficar divorciada e pobre. Aí comecei a ir atrás dos caras: reforma para mim, divide no cheque. Eu ia para a escola, vendia, vendia, vendia curso. Eu gostava muito de vender. Vendia os cursos. Entrava dinheiro, eu ia cobrir os cheques. E fiz a loja. E inauguramos. E eu vendia todo santo dia. Das 10 da manhã às 10 da noite, que eu ficava na loja.

Luciano Pires: O nome da loja?

Luzia Costa: Sóbrancelhas. As pessoas entravam, elas riam da minha cara. O que é isso? Eu falava: uma franquia. Onde tem? Eu falava: aqui. Ué, mas franquia não tem em todo lugar? É. Mas é na loja piloto. Vem conhecer. E eu levava a pessoa pela loja. E eu contava a mesma história toda hora. Você não quer ser o meu franqueado? Você vai ser o meu primeiro franqueado. Você vai ter a oportunidade de investir e não sei o quê. Caramba. Nisso veio uma moça do Rio, a Pamela. Minha primeira franqueada. E com o mesmo desejo. Só que ela ia investir na franquia da Havaianas na época. Eu: não menina. O que investir na Havaianas. Eu tenho um negócio muito melhor que Havaianas. Havaianas, a maior franquia do mundo na época. Eu sentei com ela e contei para ela todo o negócio. Toda a ideia. Investe. Investe no meu negócio. Porque ele é bom. Mostrei o faturamento. Estava bombando. E ela falou: eu vou investir. Não tem a ver com o negócio. Eu vou investir em você. Eu quero fazer parte dessa história. Eu quero estar com você. Porque essa conversa aqui foi muito além. Foi uma conversa muito louca. Que levou ela a vários fatores ali. Ir embora. O marido dela, praticamente deixando ele numa cidade, ela em outra, que ele era militar também. Viu todo o sentido da família concluir ali. E isso foi surreal. Ela falou: eu acredito muito em você. Eu disse: você acredita mesmo? Eu falei; então o seguinte: vamos montar um quiosque para você em Guará. Que é o modelo que eu quero trazer. E o shopping não liberou para mim. Porque só tinha ponto. Ela falou: como assim? Eu falei: eu tenho um modelo de quiosque de sobrancelha de sete metros quadrados, que nós vamos bombar.

Luciano Pires: Da onde você tirou isso?

Luzia Costa: Não tinha no Brasil. Nós fomos a primeira empresa.

Luciano Pires: Deixa eu te perguntar uma coisa aqui. Porque franquia é um negócio bastante específico. Não é: abre um negocinho que eu te ensino a fazer.

Luzia Costa: Não.

Luciano Pires: Não é assim. Ela tem toda uma pegada. Eu passei uns perrengues já. Eu fui franqueado uma época. Foi complicado. E você precisa conhecer o assunto. Você foi atrás? Você foi aprender modelos de franquia? Como é que você fez antes se aventurar?

Luzia Costa: Na verdade assim, eu entendia muito do meu negócio, do meu modelo.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Então era algo louco. Eu não conhecia de franqueado, de franquia. Eu não tinha experiência nenhuma como franqueadora. Mas eu entendia muito do meu negócio. Eu tinha muita facilidade. Então eu pegava algo que o mercado levava três meses para ensinar. Eu desenvolvia uma técnica, com cinco dias eu formava uma equipe. Então, a maior dificuldade dos meus franqueados, que seria mão de obra, eu já tinha solucionado. Que era criar uma profissão e formar. Nós fomos a primeira marca a montar o quiosque do Sóbrancelha no Brasil. E nos tornamos a maior rede no mundo.

Luciano Pires: Você formava em cinco dias.

Luzia Costa: O que o mercado formava em 30. Em três meses, muitas vezes.

Luciano Pires: Qual é o segredo? O que é?

Luzia Costa: Estudando. Muito estudo. Eu fui estudando rosto. Fui entendendo técnica. Então eu via que as meninas tinham muita dificuldade em fazer conta. Muita numérica na sobrancelha. Divisão. Espessura. Não saber lidar com paquímetro. Então eu fui trazendo isso para a anatomia do rosto, para a fisiologia. Fazendo elas entenderem que têm medidas específicas para a parte do olho. A parte da íris do olho, do ponto alto das sobrancelhas. Então eu fui trazendo. Enxugando. Para que quando ela olhasse, que ela tivesse a visão clara do que de fato era a sobrancelha. O que era corpo. O que estava fora do corpo da sobrancelha. O que podia ser tirado. O que não podia ser tirado. O que tinha que ser preservado e não podia ser mexido de forma alguma. Aí eu fazia toda uma marcação com elas. E elas ficavam livres para tirar. Daí eu trouxe a linha. Porque uma pinça de pelo em pelo, demorava muito. Então, a facilidade de acelerar o serviço na linha. Então foi um avanço. Porque o segredo da franquia não é inventar nada. Não sair inventando as coisas. Mas é trazer para o mercado de uma forma diferente, o que já existe. Eu não inventei sobrancelha. Mas eu apresentei ela de uma forma totalmente diferente, onde as pessoas começaram de fato, a ganhar dinheiro com aquilo. Porque até então, da forma antiga, não ia ganhar. E ali a gente foi. E ela acreditou. Montamos o primeiro quiosque para ela. É uma pessoa incrível. Está comigo até hoje. Me ajuda muito, muito, muito. Essa é a aliança de casamento. Essa é a de 20 anos de casada com o meu marido. O meu marido me deu esse anel. E esse é ela que me deu, quando fez um ano de Sóbrancelha. O anel que a gente usa da parceria.

Luciano Pires: Que bacana.

Luzia Costa: É algo muito bom. Com o cuidado de Deus na minha vida. E a gente foi crescendo. E a gente foi tendo sucesso. Aí começamos a crescer. Trabalhar muito.

Luciano Pires: Ampliou. Veio mais gente. A franquia cresceu?

Luzia Costa: Foi crescendo. Aí foi o passo a passo. Aí eu apanhei pra caramba no começo. Aí fiz toda essa transição da equipe, para atender os clientes. Daí comecei a focar no negócio, para entender mais de franchising, ir para dentro da ABF. Estudar mais essa parte. Voltar totalmente para gestão de pessoas. Hoje eu lido muito mais com pessoas do que faço sobrancelha. Embora eu desenvolva muitas técnicas ainda. Porque eu gosto. Adoro realmente tudo isso, com a minha equipe. Mas focar 100% em entender o comportamento. Porque ia trazer vários franqueados para a rede. Então tinha que ter esse cuidado. Deles poder entender se, de fato, ia fazer sentido, alinhando com o propósito. Porque não era só trazer um cara porque ele tinha dinheiro para investir. Mas tudo aquilo de fato que ia colocar.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Então tem todo um cuidado. Uma experiência que a gente vai adquirindo ao longo dos anos. Eu tenho muito a aprender ainda. Mas é totalmente diferente hoje a forma, quando você abre outras marcas. Você tem sim dificuldades. Mas muita coisa ali que você já passou no começo.

Luciano Pires: Claro.

Luzia Costa: E que isso é legal também. Porque se eu tivesse visto todas as dificuldades que eu tive no início, antes, eu não tinha aberto. Se eu soubesse tudo que eu ia passar para abrir a minha primeira loja do shopping, eu não tinha alugado aquele ponto. Já começa por aí. Então tem coisas que Deus não te mostra…

Luciano Pires: Mas é sempre assim.

Luzia Costa: Naquele momento. Porque exatamente a sua dificuldade vai fazer com que você aprenda.

Luciano Pires: Não sabendo que era impossível…

Luzia Costa: Foi lá e fez. Walt Disney fala muito isso. Falou isso. É a frase dele que marcou o mundo.

Luciano Pires: É verdade. Quantos franqueados você tem hoje?

Luzia Costa: Ao acho que, ao todo, uns 140, 130. Porque eles têm mais de uma loja e tal. Nessa base.

Luciano Pires: E agora você é uma gestora.

Luzia Costa: Sou uma gestora.

Luciano Pires: Você não é mais…

Luzia Costa: Não é mais a design de sobrancelha.

Luciano Pires: Isso aí. Você não é a design. Assim como você não faz a massagem, você não é mais a massagista. Você não é a designer. Você é a gestora do negócio. E você ampliou isso. Você foi adiante.

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: Você começou a lançar produtos?

Luzia Costa: Temos uma linha grande de produtos. Nós temos uma fábrica hoje, onde a gente também terceiriza produtos para outras empresas, para outros salões de beleza, para outras franquias, que estão no mesmo segmento que a gente. Então a gente consegue hoje compartilhar também esses serviços com as outras marcas. E tem crescido.

Luciano Pires: No teu negócio, quantas pessoas você está liderando hoje?

Luzia Costa: Direto e indireto?

Luciano Pires: É.

Luzia Costa: Eu devo ter umas quatro mil pessoas ao todo, se você pegar tudo.

Luciano Pires: Quatro mil?

Luzia Costa: É.

Luciano Pires: Quando você fala indireto, são os funcionários das franquias?

Luzia Costa: Isso. Os escritórios também. Deve dar uma média. A gente já chegou a ter mais. Com a pandemia hoje está…

Luciano Pires: Quando você estava na tua tapera na beira do rio, preocupada em acertar a fórmula de fazer a chupeta, você não podia nem imaginar que uma hora seria isso né?

Luzia Costa: Não. Eu acho assim. É muito engraçado. Eu ia na igreja. E toda igreja que eu ia, levantava alguém, um pregador e falava: você aí, que está sentado aí, de roupa não sei o quê. Deus manda lhe dizer que tem uma porta enorme na sua frente. Ia em outro lugar: Deus manda lhe dizer que tem uma porta enorme na sua frente. Um dia eu estava tão brava. Eu estava tão cansada com a situação que a gente estava vivendo, que eu fui na igreja, o cara me falou isso eu saí um pouco brava. Aí cheguei em casa nervosa, o meu marido falou: o que foi? O que aconteceu? Aconteceu alguma coisa lá? Eu falei: eu cheguei à conclusão que é para eu abrir uma fábrica de porta. Que raio de porta é essa que o cara fala que vai abrir e nunca abre? Porque eu já estava cansada da situação. Então você não tem a noção. Só que era algo muito forte. As pessoas perguntam para mim: Luzia, você nunca teve vontade de desistir? Eu falei: várias vezes. Até hoje tem dia que eu tenho vontade de parar. Mas não tem a ver comigo. Tem a ver com o outro. Então, eu não podia parar porque não era por mim. Era pela minha família. Era para a transformação da minha casa. O meu sonho era ver meu marido sair do serviço dele. Eu não queria marido polícia. Eu não queria marido trabalhando em presídio, trabalhando em Estado mais. Eu não queria no Brasil que a gente vive, cheio de risco. Eu queria ele do meu lado. E eu queria muito que tudo desse certo, para a gente poder trabalhar junto. Era um sonho da minha vida. Ver meu filho estudar. Crescer e estudar numa escola boa. Poder mandar meu filho para os Estados Unidos. O meu filho fez intercâmbio em Chicago. Então era algo que era um sonho. Era por eles. Eu não podia parar. E hoje não é mais só pela minha família. Quantas famílias dependem desse negócio?

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Está cansada? Tem dia que cansa. Ser humano. Tem empreendedor que fala que não dá. Não adianta ficar contando historinha. É claro que dá.  Tem dia que dá vontade de jogar tudo para o alto. Se fosse por dinheiro, eu já tinha parado faz tempo. Porque, graças a Deus, a minha empresa hoje vale uns bons milhões. O valor dela é bom. E não tem a ver com dinheiro.

Luciano Pires: Tem um momento que buscar o dinheiro é o motor que faz você se mexer.

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: E há um momento em que você extrapola isso. E aí é uma combinação. Você falou lá atrás, que: teve um momento da minha vida que eu estava mal. Eu tinha acabado de enterrar um filho.

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: Eu não estava em condições. Não era o momento de acontecer as coisas. E depois que você acerta a mão, também tem momentos que você chega num momento e fala: agora eu estou num momento que o que me preocupa não é mais se vai ter dinheiro no final do dia.

Luzia Costa: Não.

Luciano Pires: São as pessoas que eu estou impactando. Quem eu estou…

Luzia Costa: Quantas pessoas sentaram na minha mesa para comprar a franquia e eu não vendi?

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Eu falo: como é que você está? Por que você quer comprar? Ele conta a história. Eu não estou bem. O meu relacionamento. Eu estou separando. Cara, não vai. Eu não vou vender para você. Sabe por quê? Porque você não vai ter sucesso. Você não vai dar certo. Porque você está querendo uma fuga para o seu relacionamento, que não está bem. Acerta seu casamento. Se tiver que separar, você separa. Acerta a sua vida, primeiro. Porque você precisa estar bem para cuidar de alguém.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: E para cuidar de um negócio, você precisa estar bem. Não é o seu momento. Quando você estiver bem, está tudo bem. Eu sei se você sair daqui e for no meu concorrente, ele vai falar que é a melhor coisa do mundo para você ocupar a sua cabeça hoje. Mas não é. Se você falasse para mim que você ficou viúva. Que você está vivendo um luto. Eu ia falar para você: vem que eu vou cuidar de você. E o meu negócio vai te ajudar a ocupar a sua cabeça. Como a gente já teve caso. Agora, dessa forma não vai dar. Você tem problema demais para resolver. Você não vai ter tempo para sobrar no seu negócio. Mas você deixou de vender? Porque não tem a ver só com vender. Tem a ver com a vida do outro que está do outro lado. Mas todos os franqueados seus têm 100% de sucesso? Claro que não.

Luciano Pires: Vamos falar um pouquinho de Deus e negócio. Você é evangélica?

Luzia Costa: Eu sou evangélica.

Luciano Pires: Qual? Batista?

Luzia Costa: Eu sou da (Docsa 00:59:53) da família Docsa. É uma igreja de Taubaté, do pastor Diogo.

Luciano Pires: Eu sou católico.

Luzia Costa: Eu vim de uma família católica. De padre. Tanto é que o meu nome…

Luciano Pires: Eu sou católico, apostólico, romano. E parei de ir à missa, aos 18 anos de idade. De lá para frente, eu nunca mais fiz. Então, eu tenho a formação, mas não pratico. Então, eu botei na minha cabeça que um dia, eu voltarei para algum lugar. Mas por enquanto, eu estou tocando aqui.

Luzia Costa: Não tem nada a ver com a religião. A gente precisa entender que a religião… Cristo une as pessoas e a religião separa.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Tem que parar de titular.

Luciano Pires: Então, quando a gente pensa nos negócios, é uma coisa muito do prático. Vamos pegar aí os grandes estudiosos do mundo dos negócios. E vamos falar de startup, vamos falar de business. Deus está sempre num outro patamar. Mas você – no teu discurso – a cada duas palavras, você bota Ele. Ele vem, Ele fala com você. Conversa. Ele te dá dica. Ele te informa. Você consegue combinar Deus com o negócio.

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: Não é ruim. Não é feio. Você fez sucesso. Tem lucro. E Deus te ajudou a você estar ali. Esse teu apego, isso vem de criança? Sua família foi assim? Sua mãe, seu pai?

Luzia Costa: A minha família é toda católica.

Luciano Pires: Houve um momento em que você teve uma…

Luzia Costa: Uma luz…

Luciano Pires: Uma luz, alguma coisa assim?

Luzia Costa: Então? A minha família é super católica. Eu venho de uma promessa da minha avó para Santa Luzia. Por isso que eu me chamo Luzia, enfim. Família de padre e tal. Quando eu passei a ser evangélica – a única pessoa – foi um susto. A minha ficou superchateada na época. Parecia que eu estava infringindo alguma coisa ali. Mas é algo que eu me identifiquei com a igreja. Sozinha em Taubaté, com filho pequeno, bem cuidado. Eu comecei a ir. Eu comecei a sentir. Não tem a ver com a religião. Tem a ver com uma conexão ali com Deus. Ali, talvez, na hora…

Luciano Pires: Como é que você foi lá? Porque se você era católica, você ia na missa aos domingos.

Luzia Costa: Então? Eu também não ia mais em nada. Tipo: eu estava igual a você. Fazia um bom tempo. Eu era o famoso não praticante.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: E aí um dia, uma prima minha me convidou: vamos e tal? Legal. E eu fui e super me identifiquei. E meu marido não era. O Renato demorou um tempo ainda para poder ir. E era algo que eu gostava. E eu comecei a me envolver. E eu não sou uma pessoa religiosa. Eu detesto as pessoas que levam para o lado… eu falo que eu gosto de conversar de política com quem não fala de partido. Eu gosto de conversar de religião com quem não fala de igreja. Entendeu? Eu gosto desses momentos de ter, sem poder ficar discriminando. De ter outras coisas. Eu gosto de falar de futebol com quem não vai falar de time. Porque daí entra num outro nível. Essa disputa humana não me faz bem. Mas essa conexão. E de ver o quanto nós somos: corpo, mente e espírito. Porque para eu estar bem, a minha mente tem que estar oxigenada, com bons conteúdos. Um papo saudável. Um bom livro. Uma meditação. O meu corpo – para eu estar bem – eu tenho que praticar uma atividade física, eu tenho que comer bem. Porque tem a ver com saúde. Não tem a ver só com um corpo bonito. Tem a ver com você estar saudável. E o ser humano – para estar bem – tem que estar bem alimentado de espírito. Porque ele precisa disso. A nossa fé tem que ser renovada. Porque é carne. Alma e carne e espírito, eles brigam o tempo todo. Então a chance de eu enfraquecer, entrar numa depressão é muito alta. O empreendedor precisa entender que ele precisa ser forte. Ele precisa ter força. Porque ele vive pela fé. E a gente pega vários exemplos. Se ele tiver a fé do tamanho de um grão de mostarda. Por que simula com uma coisa tão pequena? Porque se você tiver um pouquinho ali, de força, você consegue. Vai. É o seu sexto sentido, o seu intuito. Mas você precisa fortalecer isso. Eu falo assim: qual é o propósito da Luzia na Terra? O meu propósito, a Luzia gosta é de levar a palavra de Deus através do empreendedorismo feminino. O verdadeiro empreendedorismo feminino. O mundo tem perdido, tem distorcido os valores das mulheres. Uma disputa por poder, por cargos, muitas vezes, que não tem a ver. Ela não entendeu. Não se descobriu ainda, o que, de fato, ela precisa. O posicionamento dela, onde ela tem que ter. Eu acredito que o empreendedorismo é igual a Cristo. Ele liberta as pessoas. A religião prende. Cristo liberta. Quando você entende o amor de Cristo, não tem a ver com a igreja que você vai. Mas tem a ver com o que Ele faz. E o que Ele tinha que fazer por mim, Ele já fez. Deus me deu o único filho, que morreu na cruz pelos meus pecados. Ele fala assim: a minha graça te basta. A salvação. Uma vez que você tenha fé que isso aqui você vai passar e você vai para outro plano depois e que você está salvo, você vive na palavra. Eu tenho que ser grata. E essa liberdade – que é o que Cristo traz na minha vida – eu preciso compartilhar com outras pessoas. Que vai ser difícil. É difícil ser esposa. É difícil ser mãe. É difícil ser filha. É difícil ser serva de Deus. É difícil pra caramba empreender. Mas vale muito a pena. Quando você entende essa liberdade, vale a pena. Você rala pra caramba no empreendedorismo. Mas é a única forma que você tem de não ter piso, de não ter teto para te levar. Quando eu pisei na Disney com a minha família, com os meus filhos. O meu filho olhou para mim e olhou praquele castelo chorando: mãe, obrigado mãe. Obrigado. Eu olhei. Valeu a pena. Se o meu marido continuasse no quartel, chegasse na maior patente dele, eu não poderia dar o padrão de vida que os meus filhos têm hoje, que a minha casa tem hoje. O privilégio que a gente tem. A quantidade de pessoas que eu consigo ajudar. A quantidade de emprego que eu consigo gerar. Quantas famílias são alimentadas por uma única marca? Então você precisa entender por que essa responsabilidade? Porque eu trabalho para o dono disso tudo. Numa entrevista de emprego, eu falo para os colaboradores – quando sou eu que estou entrevistando – nós temos uma cultura aqui. Então nós temos o hábito de fazer algumas orações nos nossos eventos. Quando a gente abre. A gente é aberto. Você pode falar palavrão, você pode fazer o que você quiser. Você é livre. É a sua vida. Mas tem uma hora que a gente rende graça. Faz sentido para você? Porque se não fizer, eu não vou te contratar. Porque você não tem a opção de ficar fora desse momento. Que é o momento de estar junto, de glorificar junto, de vibrar junto. E não tem a ver nem com a sua religião e nem com a minha. Você pode ser de qualquer religião. Pode ser católico, pode ser espírita, pode ser umbandista, pode ser evangélico. Desde que você glorifique o mesmo Deus que eu, quando a gente se prostrar aqui. Porque é para Ele que a gente trabalha. Se você não concordar, está tudo bem. O que você precisar de mim, eu vou estar aqui. Você só não vai estar comigo. Mas estamos juntos. Então eu falo que não faz sentido. Porque isso te move. A fé move as pessoas. O tamanho de um grão de mostarda. Mover uma montanha tem a ver com mover você. Nós somos a montanha. Quando a gente tem essa noção…

Luciano Pires: Você falou lá no começo: o empreendedorismo é profissão de fé. É acreditar que as coisas vão acontecer.

Luzia Costa: É o significado da palavra fé: a certeza das coisas que se espera e não se vê.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Porque quando você vê, visual, que você tem certeza. É muito mais fácil.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Agora, não ver, acreditar, ir lá e fazer. E continuar insistindo ainda, quando está tudo dando errado.

Luciano Pires: Sim. Esse ponto é importante: você não está aí sentada, esperando que a graça…

Luzia Costa: Te basta. Tem que…

Luciano Pires: Te baste…

Luzia Costa: Não. Exatamente.

Luciano Pires: Deixa eu perguntar uma coisa. Você saiu do Brasil também?

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: Você está na Bolívia?

Luzia Costa: Argentina…

Luciano Pires: Com o Sóbrancelha?

Luzia Costa: Com o Sóbrancelha.

Luciano Pires: Como chama lá?

Luzia Costa: Solo Cejas.

Luciano Pires: E aí, foi um choque cultural?

Luzia Costa: Foi uma experiência incrível. Porque a gente começou a visitar o país. Eu falei: e agora?

Luciano Pires: A intenção era essa? Você que foi buscar? Ou alguém veio te pegar aqui?

Luzia Costa: Na verdade, um casal conhecido nosso aqui na época – hoje são nossos amigos, o Igor corria de kart com o meu filho – eles estavam querendo uma franquia. Eles iam abrir no Brasil. E o Igor tinha um sócio lá, um amigo lá e tal. Ele falou: o que acha de levar para lá? Eu falei: vamos dar uma olhada. Vamos ver o que acontece.

Luciano Pires: Na Bolívia?

Luzia Costa: Na Argentina. E fomos para lá dar uma olhada e tal. E eu achei estranho no começo. Porque eu não via as mulheres fazendo sobrancelhas lá. Eu falei: caramba, das duas uma. Ou nós vamos arrebentar ou nós vamos se ferrar. Porque não tinha assim…

Luciano Pires: Como é que é? Ninguém usa sapato.

Luzia Costa: Ninguém usa sapato.

Luciano Pires: Ou: que bom. Ninguém usa sapato. Ou: que horror. Ninguém usa sapato.

Luzia Costa: Então? Era bem isso: ou nós vamos arrebentar ou nós vamos se ferrar. E aí eu comecei a reparar um pouco mais e eu via que tinha algumas sobrancelhas estragadas. Aí: por que você fez isso? Passava gilete. Não sei o quê. Eu falei: então elas mexem. Então tem interesse. Então a gente tem uma chance. E aí a gente foi e montou. Levou o quiosque para lá. Lá eles chamam de gôndolas. E eram umas gôndolas altas que eles tinham no meio do shopping assim. Um shopping imenso. Nenhum shopping tinha vacância. Nenhum shopping tinha loja aberta, disponível. Então tinha que ser quiosque. E aí quando a gente chegou com o nosso quiosque, para eles, parecia que tinha inventado a roda. Porque era a coisa mais linda para eles. Olhar e poder enxergar do outro lado. Algo que não tampava. Aí o shopping: uau. Esse quiosque é muito bom. Vamos mandar todo mundo mudar o modelo. Os caras amaram. E a gente fez o maior sucesso no primeiro shopping. O shopping falou: se vocês derem certo eu abro outro para vocês. Porque é a mesma gestão para todos os shoppings que eram de Buenos Aires. Eu falei: caramba. Mas também se ficar ruim nós não vai entrar mais em nenhum. E ali fomos. Aí começamos. Fizemos toda Buenos Aires, Rosário, Córdoba. Já estamos na cidade do…

Luciano Pires: Você não tinha uma rede concorrente?

Luzia Costa: Não.

Luciano Pires: Vocês chegaram lá?

Luzia Costa: Chegamos e fomos.

Luciano Pires: E tiveram que fazer meio que uma catequese ali? Ensinaram as mulheres de que o que você estava fazendo ali era algo diferente?

Luzia Costa: Muito louco.

Luciano Pires: É. E num outro idioma.

Luzia Costa: A maioria dos nossos franqueados lá é venezuelana. Então as meninas vinham da Venezuela e começavam a trabalhar. Prestar serviço.

Luciano Pires: Tem uma tradição de mulher bonita.

Luzia Costa: Exatamente. Ali tem.

Luciano Pires: A Venezuela tem uma pegada forte.

Luzia Costa: E aí elas vinham e começavam a prestar serviço. A Venezuela em crise. Elas ficavam: esse negócio dá dinheiro. Aí ligava para pai ou alguém que tinha alguma coisa ainda. Vende e vem embora. E vamos abrir esse negócio. Então são famílias que trabalham. A maioria dos franqueados é venezuelana. Então é surreal. E Bolívia foi a Cláudia. A gente se conheceu numa feira. E ela fala que Sóbrancelhas para ela foi amor à primeira vista. É uma pessoa incrível. Ela veio atrás de uma franquia de açaí e voltou com uma franquia de sobrancelha. Bem incrível. Então é muito legal. Nos Estados Unidos nós temos a nossa franqueada daqui, que também já está tudo certo para abrir lá.

Luciano Pires: Como é que vai se chamar lá? Como vai ser o nome lá?

Luzia Costa: Então? A gente não definiu ainda. Não definiu. A gente está nesse processo ainda. Vamos orando.

Luciano Pires: Que legal. Que baita história. Isso é empreendedorismo mesmo na veia. O que vem pela frente?

Luzia Costa: Tem bastante coisa. Nós estamos agora na expansão da Reduce. Já estamos partindo para 10 lojas quase aí, já em implantação, que é a franquia de emagrecimento. Onde eu pilotei. Eu emagreci 20 quilos. Então eu criei um método de emagrecimento. Eu criei as técnicas de massagem. As cápsulas emagrecedoras. Os chás. Todo o produto. Eu criei todo um programa de emagrecimento.

Luciano Pires: Agora você está mexendo com coisas que as pessoas ingerem?

Luzia Costa: É.

Luciano Pires: É outro mundo.

Luzia Costa: É outro mundo.

Luciano Pires: Você não está mais tirando pelo da cara da pessoa.

Luzia Costa: A gente tira também.

Luciano Pires: Você está fazendo ela tomar alguma coisa.

Luzia Costa: Ela toma também.

Luciano Pires: E agora é outro papo, o que é? Tem ANVISA na jogada?

Luzia Costa: O nosso produto, todos têm ANVISA. A gente não trabalha com nada, nada, sem ANVISA.

Luciano Pires: Sim.

Luzia Costa: Todos os nossos produtos são aprovados na ANVISA, tanto da Sóbrancelhas, quanto da Depil Shop. Agora da Reduce não é diferente. Então, todos os chás, todas as cápsulas, todos os tratamentos, todos os injetáveis que a gente usa tem direto com laboratório. Então tem bastante isso. É bem sério. Porque envolve saúde. A gente está bem preparado para cuidar da mulherada. Emagrecer a mulherada. Mulherada e homarada. Gordo tem em todo canto.

Luciano Pires: Não. Mas é isso aí. Mas que legal. Mas você acertou na mosca. Porque você pegou um segmento de atividade. O que deve gerar de dinheiro em torno da beleza…

Luzia Costa: É.

Luciano Pires: Eu ia dizer: beleza feminina. Não mais. É da beleza do ser humano.

Luzia Costa: Não. É da beleza do ser humano.

Luciano Pires: É muito dinheiro rodando aí.

Luzia Costa: Muito dinheiro. E hoje eu falo assim: não tem a ver só com a beleza. Tem a ver com a saúde. Não. Está tudo bem. Você é o que você quer. Você quer ser gordo você é. Você é magro. Não tem a ver com a beleza. Não. Está tudo bem. Meu corpo, minhas regras. Está tudo certo com isso. Mas está tudo bem mesmo? Eu estou com 200 quilos. Mas seus exames? Está tudo ok? Sua saúde? Sua disposição? Seu ânimo está ok? Ok. Mas se você está com o colesterol alto. Gordura visceral. Seu índice glicêmico altíssimo. O que está acontecendo então? Está virando diabético. Não tem disposição para correr, para brincar com o seu filho. Não dorme direito. Está roncando muito. Está tudo bem? Não. Não está. A bíblia compara. Deus compara o corpo com o templo do Espírito Santo. Antigamente precisava de um batalhão para manter aqueles templos. Não podia ter um fio de cabelo. Tinha que ter tudo perfeito, perfeito, perfeito. Se você jogasse um papel no chão, podia ser morto. Porque você estava ofendendo o templo. Olha a quantidade de porcaria que a gente joga para dentro do nosso corpo hoje. Se a gente tivesse a responsabilidade que Deus manda a gente ter em relação ao nosso corpo, a gente não olharia para o nosso corpo da mesma forma. A gente não lidaria. Não comeria o tanto de tranqueira que a gente come.

Luciano Pires: Uma hora você vai chegar lá. Você vai botar a mão em comida. Eu vejo a hora. Mas que legal. Vamos lá. Para gente que quiser conhecer o teu trabalho, como é que é? Tem um site? A escola continua? Você continua treinando as pessoas?

Luzia Costa: Hoje a gente tem o Centro de Treinamento Luzia Costa, onde a gente administra treinamento para a rede.

Luciano Pires: Aonde é?

Luzia Costa: Taubaté.

Luciano Pires: A tua central é Taubaté?

Luzia Costa: A minha central é Taubaté.

Luciano Pires: É a partir de lá, que você está conquistando o mundo?

Luzia Costa: É a partir de lá, que a gente está conquistando o mundo.

Luciano Pires: Grande Taubaté.

Luzia Costa: Está vendo? O povo acha que mineiro e caipira não vai avançar o mundo. Capaz que não vai. Só quem está em São Paulo que vai bombar? Sabe quando?

Luciano Pires: É nós. Eu sou de Bauru. Nós já estamos aí fazendo acontecer.

Luzia Costa: Em Bauru nós temos três lojas lá.

Luciano Pires: Tem três em Bauru?

Luzia Costa: Tem. Tem três lojas.

Luciano Pires: Que legal. Quem quiser conhecer como é? Eu quero ser um franqueado, o que eu preciso fazer?

Luzia Costa: Pode entrar no site sóbrancelhas.com.br.  Você pode também entrar pelo meu Instagram, @luziacosta. E aí lá também tem o link, só para você clicar e já entrar aí. Pode entrar também direto no grupo Cetro: grupocetro.com.br. Mas se entrar no meu Instagram, @luziacosta tem tudo lá.

Luciano Pires: Você tem uma comunidade dos franqueadores? Eu não quero conversar com você que é a vendedora. Eu quero conversar com alguém que é teu franqueado para saber se o bicho pega ou não.

Luzia Costa: Tem. A gente tem ali toda a nossa parte. A nossa equipe de expansão. E quando o cara chega para comprar uma franquia – que ele tem interesse – ele recebe um documento que chama COF, que é a Circular de Oferta de Franquia. Nesse documento, ele tem uma relação, uma lista de todos os franqueados que estão ativos na rede e que já saíram, inclusive, da rede. Então ele tem acesso para ligar, para trocar uma ideia. Para entender se faz sentido para ele ou se não faz sentido? Se, de fato, ele quer aquele negócio? Se não quer? Também tem as lojas, que ele pode visitar. Dizer: eu quero um franqueado de referência. Você tem um. Mas tem franqueado de referência? Claro que tem. Tem franqueado bom e tem franqueado ruim. Se você quer trocar uma ideia, eu vou te dar os caras aí. Tem a receita do sucesso para te ajudar a seguir aí. Também tem o Zé Ruela aí, se você quiser ir no plano dele, que não vai dar certo. Eu sou muito transparente. Então a pessoa fica à vontade para ver se faz sentido para ela. De repente, o meu negócio não vai ser o melhor.

Luciano Pires: Você falou uma coisa importante. Você fez o Empretec?

Luzia Costa: Não fiz. Eu palestro muito para o SEBRAE. Eu palestro muito para o pessoal.

Luciano Pires: Então? Esse curso do SEBRAE é um curso que…

Luzia Costa: Ele é maravilhoso. Eu conheço.

Luciano Pires: Chacoalha você. E no final dele, você fala assim: eu saio de lá empreendedor? Não, não. Você sai de lá sabendo se você vai e pode ser empreendedor ou não pode ser. Ele te… porque a gente acha que montar um negócio é: se eu tiver dinheiro, eu faço um negócio. Não é assim.

Luzia Costa: Não é assim.

Luciano Pires: Tem que fazer sentido. E tem que ter à disposição.

Luzia Costa: Tem que ter à disposição.

Luciano Pires: Que legal. Que baita história viu? Adorei. Adorei te conhecer. Adorei saber da sua história. Adorei saber dessa expansão. Vamos ver se você vai. Daqui a pouco você está na Europa. Vai estar na França. Vai abrir. Vai mandar um cartão postal.

Luzia Costa: Com certeza. Portugal nós já vendemos também. Se Deus quiser, daqui a pouco estamos lá. Mas cara, tamo junto. O que precisar. Vamos para Taubaté tomar um café comigo. Vou esperar você lá para conhecer.

Luciano Pires: Vamos. Quem sabe eu passo lá para fazer a minha sobrancelha?

Luzia Costa: Eu vou fazer a sua. Eu vou fazer.

Luciano Pires: Você promete?

Luzia Costa: Eu prometo.

Luciano Pires: Aí eu topo fazer. Eu topo fazer.

Luzia Costa: Demorou. Tamo junto.

Luciano Pires: Eu vou deixar de ser hétero em excesso.

Luzia Costa: Isso. Não precisa. Nada em excesso é bom. Nem ser muito hétero, em excesso, é bom.

Luciano Pires: Que legal Luzia.

Luzia Costa: Obrigada viu?

Luciano Pires: Obrigado. Obrigado a você.

Luzia Costa: Deus abençoe muito a sua vida, os seus negócios e todo mundo.

Luciano Pires: Obrigado por estar aí. Obrigado por contar sua história. E pela tua energia aí de estar… você vai estar incendiando muita gente nesse caminho todo.

Luzia Costa: Com certeza.

Luciano Pires: E eu acho que tem uma missão aí.

Luzia Costa: Sim.

Luciano Pires: E a tua missão não é fazer sobrancelha não. É mudar a vida das pessoas.

Luzia Costa: É isso aí.

Luciano Pires: Parabéns.

Luzia Costa: Obrigada viu?

Luciano Pires: Um grande abraço.

Luzia Costa: Obrigada mesmo, querido.