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Artigos Café Brasil
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Meu adversário me define.

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Luciano Pires -

Em 1984, fomos às ruas com mais de 300 mil brasileiros pedindo pelas Diretas Já, o nosso anjo salvador. Entusiasmados, vimos o demônio da Câmara não aprovar a emenda. Broxamos.

Em 1985 elegemos o primeiro presidente civil após anos de governo militar: Tancredo Neves, o anjo salvador. E vem o demônio para matá-lo antes da posse. Broxamos.

Assume José Sarney, que lança o anjo sob a forma do redentor Plano Cruzado. Que logo vira o demônio dos oitenta e seis por cento de inflação ao mês. Broxamos.

Aí vem a Constituinte. O anjo Ulisses Guimarães conduz o povo às ruas e a gente muda tudo. Para ver o demônio nos dar uma montanha confusa de leis que tornam o país quase inviável. Nova broxada.

Surge então o anjo salvador: Fernando Collor de Mello. Que vira demônio e dá no que deu. Broxamos.

Então vem FHC, o anjo que coloca o país nos trilhos em seu primeiro mandato, para virar o demônio do segundo, abrindo caminho para a oposição. Nova broxada.

E então chega Lula, o anjo e seus comerciais. E traz com ele o demônio do Mensalão, do Petrolão, da corrupção institucionalizada. Broxamos mais uma vez…

Em 2013 somos surpreendidos pelo retorno do povo às ruas, milhões de pessoas, pintando uma mudança que… não acontece. Broxamos.

No domingo, 13 de março de 2016, aproximadamente 4 milhões de brasileiros foram às ruas para mudar o Brasil. Três dias depois o mesmo Lula que aquele povo quer na cadeia é indicado como Ministro da Casa Civil.

Broxamos.

E então tenho que ouvir minha filha perguntar:

– Pai, pra que servem essas manifestações, se nada acontece?

Eu respondo. O que nos faz sentir vivos é ter nossas energias canalizadas para vencer um desafio. Depois da broxada das Diretas Já, continuamos lutando e conquistamos o direito de votar para Presidente! Continuamos lutando e fomos aperfeiçoando aquela Constituição Cidadã. Continuamos lutando e tiramos o presidente corrupto. Continuamos lutando e não deixamos que o desarmamento passasse. As conquistas que tivemos vieram da continuidade da luta, apesar das broxadas.

Para o Batman existir, tem de haver o Pinguim, o Coringa. Para o Corinthians ser um grande time, tem de existir o Palmeiras, o São Paulo, o Flamengo, o Grêmio. Frodo e Gandalf existem pois existem Saruman e os Orcs.

O que nos define são os adversários que vencemos. E quanto maiores, mais fortes, mais organizados, mais preparados eles forem, melhor temos de ser para batê-los.

Lula sendo indicado para Ministro é apenas uma reação do adversário, usando as armas que tem. Não pode ser motivo para broxar, mas para contra atacar com outras táticas, com mais mobilização. Eles, apesar de demonstrar sinais de desorganização, de perda da capacidade de mobilização, ainda estão no poder. Têm em mãos uma máquina fabulosa, ainda contam com o aparelhamento de várias instâncias dos três poderes e de parte da imprensa. E não lutam como num UFC cheio de regras, mas como briga de rua mesmo…

Quem disse que seria fácil?

Mas pense comigo, três ou quatro anos atrás, se alguém dissesse a você que vários elementos da cúpula do governo, os donos das construtoras e até um senador em exercício, seriam presos pela polícia federal você acreditaria? É claro que não!

O Brasil está mudando! Talvez não na velocidade que desejamos, mas está!

Então levanta aí, ô. Vamos pra luta! Do jeito que você puder: pelo Facebook, pelo Whatsapp, batendo panelas, indo às ruas, pressionando o político mais próximo, processando os bandidos se você tem as manhas, mobilizando mais gente. Só não dá pra ficar parado, assistindo.

Ah, sim, “mas Luciano, e o Aécio?”

Bem, ele que aguarde a vez dele.

Primeiro temos que bater o Orc que vem na frente.