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Iscas Intelectuais
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Mudanças, não. Avanços!

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Adalberto Piotto - Olhar Brasileiro -

Por Adalberto Piotto

O Brasil está fértil. O solo deste país está pronto para fazer nascer uma nação. E baseio minha análise nos fatos. Todas essas sementes que foram injetadas no chão brasileiro, de pequenas cidades a imensas capitais com chuva de debates reais é algo novo, inovador no nosso cenário político.
O momento do Brasil está fértil para avanços reais, não apenas mudanças.
É o que procuramos há tempos, nós os incomodados.
Mas fato é que não me recordo de um tempo tão propício para avançarmos de vez e superarmos alguns de nossos próprios vícios.
Não é otimismo, não. É uma depuração de análise histórica. Vejamos:

– A crença em mitos e salvadores da pátria, por exemplo, caiu.
Os mitos se foram, assim como os populistas que se imagivavam enviados especiais da divindade para nos tirar do subdesenvolvimento.
E não existe mais ninguém de bom senso que acredite neles, seja porque nunca existiram ou porque são tiranos disfarçados. O único que restou no imaginário dos incautos chama tríplex de 215 metros em frente à praia de “Minha Casa, Minha Vida”, revelando-se jocoso e arrogante com um dos problemas mais graves do Brasil que é o acesso à moradia. Não bastasse isso tudo, ainda zomba das instituições ao se imaginar acima delas. Nunca esteve. Não está. Chamado a depor ou vai por bem ou por mal…coercitivamente pelo bem da democracia deste país.

– A crença que não existe atalho para a superação de problemas, tampouco terceirização da suas obrigações com seu país e a sociedade que almeja são sentimentos que estão cada vez mais fortes. Vimos isso ao ver muito mais gente nas manifestações de domingo.

– Embora ainda haja exageros pretensiosamente anarquistas de excomungar todos os políticos, como se não fossem brasileiros colocados lá por outros brasileiros, a maioria sabe que a democracia brasileira é de representação e, portanto, sempre haverá representantes nas casas do Parlamento.
O avanço neste caso é que parece estar mudando de forma vigorosa é a percepção de que a sua participação na democracia não acaba no dia da eleição e que votar é só uma pequena parte da sua obrigação com seu país.

– Não haverá uma simples troca de poder a partir de agora.
Os apupos a membros da oposição no protesto da avenida Paulista, como Alckmin e Aécio, embora infinitamente menores à ojeriza e desejo de deposição que os brasileiros nutrem por Lula, Dilma e o PT, tamanha a tragédia política e social que provocaram, dão mostras claras que não se quer apenas a troca de comando no país, quer-se um avanço institucional na admininstração pública e na relação com o cidadão. O convencimento passa por aí agora.

– Movimentos sociais, estudantis e de trabalhadores como UNE, MSTs e sindicatos, antes catalizadores dos anseios populares, não representam nada mais ao brasileiros que trabalham (salvo uma ou outra exceção que terá de provar diariamente seu caráter).
Instrumentalizados, manipulados ou com “donos” partidários, perderam a representatividade e a essência da luta social. Reduziram-se a condomínios ideológicos, massas de manobra ou nos bichos do George Orwell, mais despóticos do que aqueles aos quais criticavam.
Foram todos substituídos pelas instituições de Estado, porque realmente de todos, como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça, sem pegágio ou intermediário para serem acessados. Já escrevi sobre isso. O divórcio litigioso que existia entre os cidadãos e as instituições, porque aprisionadas a governos, opressivas ou inalcançáveis à maioria, está acabando e se tornando numa nova e feliz união. Essas instituições deram o passo decisivo de olharem para a população e se aterem apenas aos preceitos constitucionais que as regem, servindo-as legalmente.

A consciência de tudo isso que está acontecendo por nossa intervenção no país – antes ausente, hoje presente – é que tem fertilizado o solo deste país.

E como tem chovido milhões de incomodados país afora é hora de fazer nascer o Brasil prometido.

Afinal, são os incomodados que movem o mundo e plantam a nação que queremos.

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