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Luiz Alberto Machado - Iscas Econômicas -

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“O esporte tem o poder de unificar, passar uma imagem de paz e resiliência, e nos dá esperança de seguir nossa jornada juntos.”

Thomas Bach

(Presidente do Comitê Olímpico Internacional)

 

Com um ano de atraso em relação à data prevista e depois de muita celeuma envolvendo a conveniência de sua realização em razão da pandemia do coronavírus, foi realizada na manhã de hoje (noite no Japão) a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a 32ª edição da era moderna, ainda que as competições de algumas modalidades tenham se iniciado há dois dias.

Como acontece ainda com a maior parte dos eventos de massa ao redor do mundo, a cerimônia de abertura – assim como ocorrerá com as competições das diversas modalidades – teve um público presente reduzidíssimo, quer na plateia, quer entre os atletas participantes do desfile.

Independentemente de posicionamentos favoráveis ou contrários à realização dos Jogos Olímpicos, uma vez iniciados, passam a despertar interesse generalizado, principalmente entre os aficionados por esportes, entre os quais me incluo. Por essa razão, atrevo-me a fazer algumas considerações que me parecem oportunas.

A primeira consideração envolve a própria cerimônia de abertura. Repleta de simbolismo, como era de se esperar numa edição que se propõe a ser a dos “Jogos da Inclusão”, teve como um dos destaques a escolha da tenista Naomi Osaka para acender a pira olímpica. Negra, filha de mãe japonesa e pai haitiano, tem se destacado não apenas por suas brilhantes performances nas quadras, mas por uma forte personalidade, caracterizada por atitudes desafiadoras, por opiniões contundentes e por levantar questões evitadas pela maior parte dos atletas, como, por exemplo, racismo e depressão.

Antes de examinar as presenças, começo por registrar a ausência de dois monstros sagrados do esporte mundial, cuja participação arrebatou as atenções nas últimas edições dos Jogos Olímpicos: o velocista jamaicano Usain Bolt e o nadador norte-americano Michael Phelps. Seguramente, ambos farão falta e seus nomes serão lembrados nas provas em que costumavam competir… e atropelar.

Entre os grandes favoritos, dos quais são esperadas nada menos do que medalhas de ouro, destacam-se, nas modalidades individuais, a ginasta norte-americana Simone Biles e o tenista sérvio Novak Djokovic. Os dois estão muito próximos de serem considerados os maiores de todos os tempos em suas respectivas modalidades e a conquista do ouro olímpico ampliará ainda mais a chance de atingirem essa condição. Já nas modalidades coletivas, espera-se o domínio dos chineses e das chinesas no tênis de mesa, dos norte-americanos no basquete masculino (apesar da presença de grandes nomes da NBA espalhados pelas seleções de vários países) e de japoneses e japonesas no judô.

Quanto às possibilidades do Brasil, a grande questão é se conseguirá igualar ou até mesmo superar a marca de 19 medalhas (sete de ouro, seis de prata e seis de bronze) conquistadas em 2016, no Rio de Janeiro. Historicamente, é nas edições realizadas na própria casa que os países costumam obter o maior número de medalhas. A Grã-Bretanha, no entanto, quebrou essa escrita, conseguindo, no Rio de Janeiro, um número maior de medalhas do que havia conquistado em Londres, quatro anos antes. Para muitos analistas, tal feito revela que os investimentos realizados para fazer bonito em casa se mantiveram no tempo, permitindo que o país atingisse um patamar superior a longo prazo.

No caso do Brasil, há uma particularidade. Os mais otimistas, que acreditam na possibilidade de igualar e/ou superar as 19 medalhas conquistadas no Rio de Janeiro, apostam parte de suas fichas no bom desempenho de nossos atletas em modalidades que serão disputadas pela primeira vez dos Jogos Olímpicos em Tóquio, como são os casos do surf e do skate, nas quais os brasileiros e as brasileiras ocupam as primeiras posições no ranking mundial.

Além disso, temos expectativas positivas em modalidades em que tradicionalmente temos bom desempenho, como iatismo, judô, vôlei de quadra e de praia, bem como em destaques individuas como Isaquias Queiroz, na canoagem, Arthur Zanetti e Arthur Nory, na ginástica, Thiago Braz, no salto com vara, e Beatriz Ferreira, no boxe. O futebol também pode nos dar alegrias, mas é bom destacar que, no masculino, trata-se de uma competição diferente, graças ao limite de três atletas por seleção com idade superior a 24 anos. Isso faz com que a medalha de ouro não seja indicativa da melhor seleção do mundo, o que ocorreria se a presença de todos os melhores jogadores, independentemente da idade, fosse permitida, o que só acontece nas Copas do Mundo.

Diante de tais expectativas, uma constatação me parece clara. Em esportes de alto rendimento, o Brasil vem apresentando uma sólida evolução. Estamos em situação muito melhor do que a de algumas décadas atrás, quando a conquista de alguma medalha, qualquer que fosse, era comemorada como algo quase impossível.

Não tenho dúvida, porém, de que a situação seria diferente e as possibilidades muito maiores se a estrutura do nosso esporte, a exemplo do que ocorre em diversos países que levam a maioria das medalhas, tivesse com base as escolas e universidades e não os clubes, de acesso muito mais restrito.

Tal situação, reconheço, está longe da nossa realidade, uma vez que até as aulas de educação física, antes obrigatórias, estão ausentes dos currículos escolares e universitários. E as competições desse nível, que chegaram a ter certa repercussão há algum tempo, perderam importância e encontram-se totalmente esvaziadas.

Com isso, temos o duro desafio de extrair qualidade de um universo de praticantes de esporte muito inferior ao que seria possível.

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