s
Artigos Café Brasil
Corrente pra trás
Corrente pra trás
O que vai a seguir é um capítulo de meu livro ...

Ver mais

O que é um “bom” número de downloads para podcasts?
O que é um “bom” número de downloads para podcasts?
A Omny Studio, plataforma global na qual publico meus ...

Ver mais

O campeão
O campeão
Morreu Zagallo. Morreu o futebol brasileiro que aprendi ...

Ver mais

O potencial dos microinfluenciadores
O potencial dos microinfluenciadores
O potencial das personalidades digitais para as marcas ...

Ver mais

Café Brasil 915 – O Homem Brinquedo
Café Brasil 915 – O Homem Brinquedo
A Inteligência Artificial é uma maravilha e está ...

Ver mais

Café Brasil 914 – Os canteiros de Cecília
Café Brasil 914 – Os canteiros de Cecília
Cecília Meireles deixou uma obra que transcende o ...

Ver mais

Café Brasil 913 – Tá ligado?
Café Brasil 913 – Tá ligado?
Na animação da Disney "A Bela e a Fera", de 1991, Bela, ...

Ver mais

Café Brasil 912 – Pobreza e Riqueza revisitado
Café Brasil 912 – Pobreza e Riqueza revisitado
Para que o Brasil estabeleça os requisitos básicos para ...

Ver mais

LíderCast 312 – Renata Silbert
LíderCast 312 – Renata Silbert
No episódio de hoje trazemos Renata Silbert, que tem ...

Ver mais

LíderCast 311 – Gus Erlichmann e Ariel Krok
LíderCast 311 – Gus Erlichmann e Ariel Krok
O episódio de hoje é especial, com dois convidados: Gus ...

Ver mais

LíderCast 310 – Estevan Oliveira
LíderCast 310 – Estevan Oliveira
No episódio de hoje temos Estevan Oliveira, que tem uma ...

Ver mais

LíderCast 309 – Sérgio Siqueira
LíderCast 309 – Sérgio Siqueira
No episódio de hoje temos Sérgio Siqueira, um ouvinte ...

Ver mais

Café² – Live com Christian Gurtner
Café² – Live com Christian Gurtner
O Café², live eventual que faço com o Christian ...

Ver mais

Café na Panela – Luciana Pires
Café na Panela – Luciana Pires
Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Os 30 anos do Plano Real
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Os 30 anos do Plano Real   Paulo Galvão Júnior (*) Luiz Alberto Machado (**)   1. Considerações iniciais É preciso sempre debater os destinos econômicos, sociais e ambientais de nosso ...

Ver mais

Releituras
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Releituras   “Quando um país é capaz de contar com as instituições preservadoras da autonomia individual (Estado de Direito e economia de mercado), de melhorar a qualificação de seus ...

Ver mais

Canadenses ganhadores do Prêmio Nobel de Economia
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Visão geral dos economistas canadenses ganhadores do Prêmio Nobel de Economia Paulo Galvão Júnior (*) Luiz Alberto Machado (**) Enquanto o Brasil, com população estimada de 203,0 milhões de ...

Ver mais

Temperatura e Calor
alexsoletto
Iscas Científicas
TEMPERATURA E CALOR Esse texto é baseado no livro de Robert L. Wolke, professor emérito de química da Universidade de São Pittsburg (EUA) “Lo Que Einstein  Le Contó A Su Barbeiro”.   Texto de ...

Ver mais

Cafezinho 613 – Baixe a bola? Eu não!
Cafezinho 613 – Baixe a bola? Eu não!
Pô, Luciano, nessa idade você já devia ter baixado a ...

Ver mais

Cafezinho 612 – Se o Facebook não protege as crianças…
Cafezinho 612 – Se o Facebook não protege as crianças…
Em 2021, Frances Haugen, ex-diretora do Facebook, vazou ...

Ver mais

Cafezinho 611 – O funk no busão
Cafezinho 611 – O funk no busão
Não é difícil comprovar que as pessoas, em geral, estão ...

Ver mais

Cafezinho 610 – Siga Los Pájaros!
Cafezinho 610 – Siga Los Pájaros!
As decisões triviais que tomamos podem ir muito além do ...

Ver mais

Os velhinhos

Os velhinhos

Luciano Pires -

Final de ano, época de reflexões, de revisão de nossos atos, de calibrar expectativas. Um texto meu antigo cabe bem aqui. Eu o escrevi após ver na televisão uma cena terrível: uma empregada espancando uma anciã indefesa. Nós, com a energia dos 20, 30, 40, 50 anos, não entendemos como alguém pode ficar à mercê de uma agressão, como se fosse um bebê.

Será que é assim que se envelhece?

Minha cabeça foi a mil, voltando 20 anos no tempo. Me vi dentro de um taxi, olhando o cartaz que anunciava “dia 22, Buena Vista Social Club” ao vivo no Auditório Nacional, em frente ao hotel onde eu me hospedava, na cidade do México. O Buena Vista era uma espécie de gafieira em Havana, Cuba, nos anos 50. Respirava música, e grandes nomes do som cubano tocaram lá.

Com a revolução cubana liderada por Fidel Castro o clube acabou e os músicos se dispersaram, a maioria virando pedreiros, engraxates e vivendo de bicos por 40 anos.

No final dos anos 90, Ry Cooder, um músico norte americano, descobriu o som deles. E decidiu reunir os sobreviventes para um CD e um documentário, dirigido pelo prestigiado Win Wenders. A reunião de antigos companheiros, vários deles com mais de 90 anos, é emocionante. E o som por eles produzido, mais emocionante ainda. O CD é imperdível e o documentário é indispensável.

No dia certo, na hora certa, eu estava na fila de entrada. É difícil explicar um auditório para 10 mil pessoas. O maior que eu havia visto tinha sido o Radio City Music Hall, em Nova Iorque, para 6 mil pessoas. O palco, simples. Todos os instrumentos colocados na formação clássica de uma grande banda de jazz, com uns 20 ou 30 músicos. Entrou a banda. O som inebriante, dançante, espetacular. E aos poucos, chegam os integrantes principais. Com 70, 80, 90 anos de idade.

O público delirava a cada acorde, a cada solo.

Lá pelas tantas, todos se retiram, permanecendo apenas Omara Portuondo, com seus 60 e poucos anos, e o pianista. Omara diz o nome da canção que iriam tocar: Besame Mucho.

Eu fiquei decepcionado. Já ouvi essa canção tantas vezes e de tantas maneiras, que aquilo não seria novidade. Ledo engano.

– Besame, besame muuuchooo. Como se fuera esta noche la última vez.

Omara cantava e o pianista detonava em sua mistura de bolero com jazz. Era inacreditável. E aconteceu ali algo que eu só tinha experimentado num show de João Bosco, muitos anos antes. A troca de olhares entre o pianista e a cantora, os movimentos corporais de cada um, a forma como a melodia tomava conta do ambiente… eu tive a nítida impressão que o pianista começou a levitar, como que acompanhando a fluência da música.

Percebia-se no ar que aquelas 10 mil pessoas assistiam a um momento sublime, quando homem, mulher, piano, microfone, palco e público se transformam numa coisa só, uma massa viva que preenche todos os cantos do ambiente. E nos elevam a alma, os sentidos.

Deleite.

Sem ninguém gritando. Sem sangue. Sem palavrões. Sem gente pelada. Sem violência. Só poesia e música produzida por velhinhos, alguns quase centenários, como aquela anciã que apanhava na TV…

Desde então meu CD do Buena Vista Social Club ganhou outro sentido.

Os anciãos cubanos me deram prazer. A anciã brasileira, me deu pena. E me fez refletir sobre a minha velhice. Para que lado estou indo? Como estou me preparando? O que estarei produzindo aos 80, 90 anos? Prazer como os cubanos? Ou dor como a velhinha que apanhava? Não sei.

É essa reflexão que deixo a você como um voto de feliz Natal.

 

Aqui o CD completo:

Aqui Omara Portuondo com Besame Mucho e outro pianista, mas sem repetir a magica que vi na Cidade do México 20 anos atrás: