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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite! Bem vindo ao nosso Café Brasil, um oásis de cultura e reflexão neste mar de pocotós em que se transformou o Brasil.

Hoje é o primeiro programa de uma dobradinha que vai tratar de algumas pessoas diferentes, gente que surge para, a seu modo, causar um impacto na sociedade e por isso é chamada de louca, de maluca. Por coincidência, todos já estão mortos, mas você encontra gente assim bem vivinha por aí.

Abro o programa de hoje citando mais uma vez o filósofo romano: Sêneca.

Feliz o homem capaz de ter por alguém tanto respeito que a simples lembrança do modelo basta para lhe dar ordem e harmonia espiritual

Este programa chega até você com o auxílio luxuoso de quem sabe que é na arte que o homem se encontra. Ou se perde. Mas jamais fica parado com a boca aberta cheia de dentes esperando a morte chegar… É o Itaú Cultural. www.itaucultural.com.br. Acesse o site e veja a quantidade de programas culturais que o Itaú promove. Eles estão à sua disposição.

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA desta semana vai pra longe…vai pra China, olha só, de onde me escreve o Chico, que deve ser Tchico. Vou ler o original, depois traduzo:

“Cara, sorry to write in english. I am learning portuguese, actually I can speak a little portunhol. I love chico buarque, caetano, gilberto gil and all those brasileiros que nao sao pocotos.

I am a venezuelan living in Beijing, and started to hear your podcast a few months ago just for practicing portuguese while learning… well, now I hear it because it is amazing. I consider myself a fan of your show now, and I feel very lucky to have found the podcast by mere chance.

I am downloading all of them! Wanted to show you o meu apreço!”

Que barato… O Chico é um venezuelano que vive em Beijing, na China. Encontrou nosso Café Brasil por acaso e começou a baixar para aprender português, mas ouve o programa porque o considera o máximo. E está baixando todos os programas…

Cara, um venezuelano na China. Eu não canso de me impressionar com o alcance da internet. O Tchico ganhou um livro, que provavelmente vou entregar como e-book, pois escreveu para nós comentando um programa. E não fala português, cara. E mora na China! E você aí, hein, que fala português e mora aqui ao lado?

E então, vamos ganhar um ipod Touch? Que tal? Pra concorrer a um, entre em www.facebook.com/componentesnakata (nakata sempre com k). Essa é a página da Nakata, a marca de segurança para quem quer componentes de direção e suspensão para seus veículos.

Publique ali, no post da promoção, um link para um vídeo engraçado que envolva automóveis ou situações do trânsito e arrume um monte de curtidores. No final do mês o vídeo que tiver mais curtidores vai ganhar um ipod touch novinho.

Nakata. Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão. Tudo azul. Tudo Nakata.

Quando Waldemar Seyssel, o palhaço Arrelia, faleceu no Rio de Janeiro em 2005 aos 99 anos de idade, eu tinha 49 anos. Qualquer adulto, na faixa dos 45 a 70, que ainda mantenha dentro de si uma criança, há de se lembrar com carinho do palhaço Arrelia. Houve um tempo em que o Circo do Arrelia era o programa obrigatório para as crianças na TV.

Era uma época em que não existia controle remoto e as pessoas assistiam TV comentando, saboreando e compartilhando em grupo uma atividade que hoje realizamos praticamente só.

Arrelia não gostava que seus companheiros usassem maquiagem carregada nem roupas muito espalhafatosas. Ele acreditava que as crianças pequenas teriam medo do exagero. Um palhaço que respeitava seu público.

Arrelia falava de valores morais sob a forma de pequenos quadros de humor, piadas ingênuas e uma presença em cena que era hipnótica.

Seu abraço, sempre levantando um dos pés… o cumprimento que virou bordão num tempo em que os publicitários não haviam se apoderado dos bordões para vender produtos, entrou para a história: “Como vai, como vai, como vai? Como vai, como vai, vai, vai? Muito bem, muito bem, muito bem. Muito bem, muito bem, bem, bem…”.

Você está ouvindo ai no fundo, a música PALHAÇO, que foi gravada originalmente no CD CIRCENSE, de Egberto Gismonti, lançado em 1980. Esta é a versão que está no CD SAUDAÇÕES, de 2009. Egberto é um dos maiores músicos e multi-instrumentistas do Brasil. Aquele tipo raro de pessoa que tem uma relação espiritual com a música. Sabe, aquele sujeito que pega um instrumento pela primeira vez e em alguns minutos está tirando música? Pois é. Essa canção foi escolhida uma das mais belas do século 20. Saber por quem? Por mim.

Assisti uma apresentação de Arrelia na Associação Luso Brasileira de Bauru, acho que no comecinho dos anos 70 ou final dos 60. Eu tinha lá meus 12 anos e ele já tinha mais de 60.

O que me chamou a atenção foi que eu vi, debaixo daquela maquiagem, um velhinho. Dava para perceber as rugas e isso me incomodou. Pela primeira vez passou pela minha cabeça que talvez aquela figura mágica não fosse eterna. O meu palhaço Arrelia estava envelhecendo. E isso me dava uma dimensão diferente da vida. Se meu herói ficava velho… Talvez tudo mais ficasse também.

Pois desconfio que Arrelia sabia do impacto de seu envelhecimento sobre seus pequenos fãs. Tanto que esperou até que todos se tornassem adultos para então morrer, aos 99 anos.

Fora seus parentes, sua morte não causou lágrimas em criança alguma.

Mais ou menos… Eu não sei quanto a você, mas eu, de adulto, só tenho a casca.

Sentadinho lá na sala de comando, esperando a chance pra sair, continua o Lucianinho que, na ilimitada sabedoria de seus eternos 12 anos, ao ser perguntado “Como vai, como vai, como vai?”, só tem uma resposta: “Muito bem, muito bem, muito bem. Muito bem, muito bem, bem, bem”.

O Lucianinho sente falta do Arrelia. Não entende a pressão do mundo para que responda “Mais ou menos… muito mal… não interessa… pra que você quer saber?…”.

E também não entende o Brasil aonde o palhaço mais famoso vem do estrangeiro, chama-se Ronald McDonald e tem como função, em vez de fazer rir, vender hamburguer.

Por sorte, no lugar onde o Lucianinho vive, tem um espaço pro Arrelia. Um espaço onde seus heróis nunca envelhecem.

O Teu Cabelo Não Nega
Lamartine Babo  
Irmãos Valença

O teu cabelo não nega, mulata,
Porque és mulata na cor,
Mas como a cor não pega, mulata,
Mulata eu quero o teu amor.

Tens um sabor bem do Brasil;
Tens a alma cor de anil;
Mulata, mulatinha, meu amor,
Fui nomeado teu tenente interventor.

Quem te inventou, meu pancadão
Teve uma consagração.
A lua te invejando faz careta,
Porque, mulata tu não és deste planeta.

Quando, meu bem, vieste à Terra,
Portugal declarou guerra.
A concorrência então foi colossal:
Vasco da Gama contra o batalhão naval.

Rararara…você ouve ninguém menos que o Arrelia cantando o clássico de Lamartine Babo: O TEU CABELO NÃO NEGA. Se ele gravasse isso hoje ele ia pra cadeia… A bandinha, com todo respeito, ao fundo é do maestro Altamiro Carrilho, veja só… Rarara neuga mulauta, planeuta….

Então, sobre esses personagens referências que passam pela vida da gente,existe essa música que você está ouvindo ai, … Gentileza da Marisa Monte…

Fui atrás da história, ela é fantástica.

José Datrino, nascido no interior de São Paulo foi morar no Rio quando tinha seus 20 anos. Em 1961, sete dias após uma tragédia em Niterói, o incêndio do Circo Americano, Datrino recebeu um chamado divino e dedicou o resto de seus dias a consolar as pessoas, perdoando-as e ensinado-as a perdoar umas às outras.

Chamava a todos de Gentileza. Daí o apelido: Profeta Gentileza.

Vestido como um apóstolo, pregava nas barcas Rio-Niterói. Nos anos 80, pintou seus escritos nas pilastras do Viaduto do Caju, com um tipo de letra muito peculiar e na altura exata para quem passava de ônibus pelo local. Transformou-se num tipo popular do Rio de Janeiro. Gentileza morreu nos anos 90, aos 79 anos de idade.

Um dia, um ogro qualquer mandou apagar seus escritos com cal. Felizmente um professor universitário conseguiu organizar um movimento de recuperação e tombamento dos escritos do Gentileza, cuja história acabou imortalizada na música de Marisa Monte.

“Gentileza gera gentileza”, dizia o Gentileza. Gentileza demonstra educação. Apreço.

Um sorriso, uma expressão educada, uma demonstração de “eu me importo”, são capazes de provocar milagres.

E o Brasil, é um país gentil? Eu acho que sim, sabe. Aliás, tenho certeza que sim. Até no hino cantamos: “Dos filhos deste solo és mãe gentil…”.

É certo que algumas cavalgaduras tentam empanar nosso espírito gentil, caloroso e bem humorado que encanta gente do mundo todo. Mas somos sim, um país irresistivelmente gentil. Demonstramos apreço.

E vou repetir algo que eu já disse aqui no Café Brasil: infelizmente, no mundo de hoje, a confrontação, a crítica e até mesmo o ódio são mais socialmente aceitos que expressões de gentileza ou apreço. Isso é muito ruim, porque apreço é uma atividade que cria valor. O apreço energiza as pessoas e isso faz com que elas excedam seus objetivos e limites percebidos.
Gentileza e apreço deviam ser obrigatórios…

O Profeta Gentileza recebeu um chamado divino, assumiu uma missão, largou família, negócios e passou a pregar apreço e gentileza. A maioria viu nele apenas um louco. Que sujava as ruas com aqueles escritos sem importância.  Mas alguns, como Marisa Monte, viram um poeta, um sábio. E cantam:

Gentileza
Marisa Monte

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta

Pois então… Agora pare e responda a pergunta do profeta: “Gentileza, você tem sido verdadeiramente gentil, ultimamente?”

E aí ao fundo temos o jornalista Luís Nassif ao bandolin, interpretando LOUCA . eu não achei quem compôs essa ai.

É engraçado como funciona essa mecânica da criação de referências, você não acha?

Pois lembra-se daquela bomba que matou nosso diplomata Sergio Viera de Mello em Bagdá em agosto de 2003? E aquele foguete brasileiros que a gente ia  lançar e que explodiu lá na base de Alcântara, também em 2003? Foram duas bombas. As duas explodiram longe. Uma no Iraque. Outra no Maranhão. Uma veio do ódio. Outra da tecnologia.

O resultado foi muito triste: ambas mataram brasileiros. Técnicos brilhantes, à frente dos setores onde atuavam. Um destacando-se na ONU nos palcos mais agressivos do planeta. Outros num setor ultra-avançado, que tenta levar o homem para outros planetas. O Brasil não merecia.

Precisamos desesperadamente de gente talentosa, que nos sirva de referência. De técnicos, diplomatas, políticos, palhaços, artistas, professores, educadores,  eficientes. E descobrimos que os temos, da pior forma: com a bomba, ou com a morte.

A bomba é notícia. E a imprensa revela Sergio Vieira aos brasileiros. Alto diplomata da ONU, um dos nossos fazendo acontecer, sendo admirado e respeitado pelas maiores autoridades mundiais, fazendo a diferença, lutando pela coisa mais preciosa nestes tempos bicudos: a paz.

Mas, quem era esse sujeito? Onde é que ele andava? A gente não conhecia! Pouco ou nada sabíamos de seu trabalho. Para a imprensa, aquele brasileiro era apenas uma curiosidade: um de nós metendo-se em lugares improváveis e fazendo um trabalho que não entendemos. Só outro maluco

Para a imprensa, Sergio Vieira merecia, enquanto vivo, algumas menções superficiais. Que pena. Precisamos tanto de gente na qual possamos nos inspirar. Precisamos de modelos. Mas só soubemos que tínhamos um, com a bomba…

Já na explosão do foguete em Alcântara, morreram 21 brasileiros. Um golpe no programa espacial tupiniquim. Mas que programa é esse? Para a imprensa, Alcântara só é notícia quando um foguete explode. Ou quando serve de moeda de negociação com os EUA.

Para nossa pobre e medíocre imprensa, Alcântara só é notícia quando explicita o fracasso tecnológico ou administrativo do brasileiro. Que pena.

O que estava sendo feito lá, a qualidade de nossos técnicos, o nível tecnológico que atingimos, os objetivos, os benefícios do programa, isso não importa.
Importa a falha. E só descobrimos que tínhamos técnicos de alto nível, brasileiros, depois da bomba. Só descobrimos que nossa capacidade de colocar um satélite em órbita a custos baixos, causa apreensão em gente grande, depois da bomba. Perdemos a oportunidade de nos orgulhar daqueles brasileiros, enquanto vivos.

Pois depois das bombas, fomos massacrados pela imprensa: aqueles brasileiros esquecidos viraram heróis pra cá, heróis pra lá… a caça aos incompetentes que permitiram que a bomba explodisse… como eram importantes, eficientes, admirados e imprescindíveis os brasileiros que a bomba matou… e dá-lhe lágrimas. Eu preferia ter visto toda aquela homenagem e reconhecimento enquanto eles estavam vivos.

Mas a imprensa… precisa da bomba.

Rosa de Hiroshima
Vinícius de Moraes
Gerson Conrad

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

Humm… Secos e Molhados, lembra? Cantando ROSA DE HIROXIMA, um poema de Vinícius de Moraes musicado por Gerson Conrad, que trata das bombas atômicas e guerras e prova que é possível fazer poesia até mesmo com a estupidez do homem.

Abri o programa de hoje com um texto homenageando Waldemar Seyssel, o Arrelia, que nos deixou aos 99 anos, para tristeza de algumas gerações de adultos que ainda conservam uma criança em seu interior. Arrelia deixou de ser advogado para dedicar-se ao que gostava mais: fazer a criançada rir.

Provavelmente foi chamado de maluco… Depois falei do profeta Gentileza, outro que largou tudo para perseguir um sonho, uma visão, uma loucura… Mais um maluco.

Em seguida falei do Sérgio Vieira de Melo, diplomata brasileiro que trabalhava em Bagdá… Onde? No Iraque? Em2003. Putz, devia ser maluco.

E por fim falei dos técnicos brasileiros que morreram na explosão do foguete brasileiro na base de Alcântara. Outros que só podiam ser malucos pra se meter com foguetes brasileiros, não é?

Quanta gente louca, né? É. Mas essa loucura é assunto para outro programa, que vou chamar de Maluco Beleza… pode esperar.

Então vamos caminhando para o final com uma homenagem a nossos loucos-referências. Um poema de Mário Quintana chamado INSCRIÇÃO PARA UM PORTÃO DE CEMITÉRIO

Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce – uma estrela,
Quando se morre – uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio…
E a luz da estrela no fim!”

Hino dos malucos
Rita Lee

Nós, os malucos, vamos lutar
Pra nesse estado continuar
Nunca sensatos nem condizentes
Mas parecemos supercontentes
Nossos neurônios são esquisitos
Por isso estamos sempre aflitos
Vamos incertos
Pelo caminho
Nos comportando estranhos no ninho
Quando a solução se encontra, um maluco é do contra
Mas se vai por lado errado, um maluco vai do lado

Malucos, a nossa vida é dar bandeira
ligando a luz da cabeceira,se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata

Nós, os malucos, temos um lema
Tudo na vida é um problema
Mas nunca tente nos acalmar
Pois um maluco pode surtar
Os nossos planos são absurdos
Tipo gritar no ouvido dos surdos
Mas todo mundo que é genial
Nunca é descrito como normal
Quando o papo se esgota,
um maluco é poliglota
Mas se todo mundo grita,
um maluco se irrita

Malucos, somos iguais a diferença
e todos temos uma crença:
seguir a lei jamais compensa
Malucos, somos a mola desse mundo,
mas nunca iremos muito a fundo
nesse dilema tão profundo

Malucos, a nossa vida é dar bandeira,
ligando a luz da cabeceira,se a água pinga na torneira
Malucos, a nossa luta é abstrata,
já que afundamos a fragata,
mas temos medo de barata

Muito bem, é com o HINO DOS MALUCOS, de Rita Lee, Fernanda Young, Alexandre Machado e Roberto de Carvalho, que aqui termina mais um CAFÉ BRASIL!

Com o doidão Lalá Moreira na técnica, a doidivanas Ciça Camargo na produção e eu, gerenciando o hospício, Luciano Pires, na direção e apresentação. Tô insistindo na tese da maluquice pra criar clima pro próximo programa, né?

Viu quem veio? O leitor Chico, lá da China, Arrelia, Secos e Molhados, Rita Lee, Egberto Gismonti, Luís Nassif e sua Roda de Choro e Marisa Monte. Tá bom, né? Gostou? Não gostou?
Então visite www.portalcafebrasil.com.br e participe de nosso movimento para despocotizar o Brasil.

Este programa chega até você com o apoio de outros malucos, que fazem da música a expressão de sua loucura e com ela, mudam o mundo… Auditório Ibirapuera: www.auditorioibirapuera.com.br. Acesse o site, procure os shows, vá até lá e deixe-se contaminar com a loucura que é necessária.

Este é o Café Brasil, um programa que é muito são, feito por gente sã e dirigido pra gente sã. Só maluco pra fazer um programa assim, né?

Pra terminar, uma frase de um anônimo que é uma delícia.

Eu não sofro de insanidade. Aproveito cada minuto dela…