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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Quem segue o Café Brasil sabe que de quando eu quando eu faço um programa tendo como tema de fundo a amizade, não é? O assunto é inesgotável cara e amigos são tão…tão nutritivos, não é?

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, você já sabe, né, estão aí, a um clique de distância. www.facebook.com/itaucultural ewww.facebook.com/auditorioibirapuera.

E sabe quem ganhou o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do kit DKT desta semana, hein? Foi o Marcelo BMC, que fez um comentário no iTunes sobre nossos programas em geral, olha só.

“Em termos de conteúdo não há o que se discutir, recomendo. Acho que poderia reduzir ou remover de uma vez por todas a execução de músicas, é irritante. Todas as vezes que se inicia uma música eu avanço, mas haja paciência para fazer isso toda hora, então eu deixei de ouvir este podcast. Luciano Pires também tem uma postura que muitas vezes incomoda, talvez eu também seja um grande idiota, adjetivo que ele adora usar.”

Muito bem. O Marcelo provavelmente não vai entrar em contato para receber os brindes do programa, pois ele disse que deixou de ouvir o Café Brasil. Mas, nós estamos aqui, viu?

Essa história, esse comentário dele me lembra a famosa história que circula nos meios publicitários: o diretor de arte capricha numa propaganda, recriando a famosa cena de King Kong no alto do prédio enquanto os aviões voam em volta. Ao apresentar a proposta ao cliente, ele ouve:

– Gostei. Muito bom. Mas por favor, tire o macaco…

Mas ele me inspirou a fazer uma molecagem, sabe?

Muito bem. O Marcelo ganhou um kit de produtos DKT com a marca Prudence! Você já sabe né, que os produtos Prudence são a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil, distribuídos pela DKT. A DKT apoia diversas iniciativas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. E também ao planejamento familiar! Acessewww.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

Na hora do amor, use PRUDENCE.

Então vamos fazer o seguinte hoje: este programa será bem leve, tratando do tema “amizade”, mas será feito em dois atos. Primeiro o programa do jeito como o Marcelo quer: sem músicas. Pra não ficar terrível, deixarei apenas as vinhetas de transição, ok? Depois que o programa terminar, ele vai começar de novo, com o mesmo conteúdo, mas desta vez da forma como sempre fazemos o Café Brasil, com as músicas. Ouça os dois e decida você de que jeito ele fica melhor, combinado? Depois comente…

Se você preferir ir direto ao programa normal, avance até os 23:50 min.

Meu filho Daniel criou uma atividade interessante que ele chama de MONDAY NIGHT BURGERS. Toda segunda feira ele recebe em sua casa oito pessoas para um jantar, quando ele faz uns hamburguers espetaculares, serve cerveja, toca rock e conversa. Toda semana. Bota o convite no Facebook e os primeiros oito são convidados. Cada um paga 50 reais e pronto. O lucro desse negócio para meu filho é praticamente nulo e o esforço é grande, cara. Perguntei a ele o que ele quer com isso e ele disse:

– Conhecer gente interessante, pai!

Fazer amigos… Bem, se você curte hamburguer, cerveja e rock digite Monday Night Burgers no Facebook e arrisque. Eu garanto.

Mas aquele lance de “conhecer gente” dele me fascinou. O Dani criou uma fábrica de amigos…

Preciso encontrar um amigo
Roberto Carlos
Erasmo Carlos

Preciso urgentemente encontrar um amigo
Pra ficar comigo, pra ficar comigo
Preciso urgentemente encontrar um amigo
Pra ficar comigo, pra ficar comigo

Quero ver o sol nascer 
E essa gente se encontrar
E no mundo de amanhã
Quero acreditar, quero acreditar, quero acreditar
E a paz que eu tanto quero
Eu consiga encontrar

É difícil de encontrar
Vai ser grande a confusão
Pode até estar aqui 
Nessa multidão, nessa multidão, nessa multidão
E a paz que eu tanto quero
Ele traz no coração

Esse é o Erasmo Carlos, com PRECISO ENCONTRAR UM AMIGO, dele e de quem? Do seu amigo Roberto Carlos.

Um termo japonês, que eu não sei falar, cara, mas se escreve assim: kenzoku – pode ser literalmente traduzido como “família” e sugere uma ligação entre pessoas que tem interesses comuns e dessa forma compartilham um destino parecido. O kenzoku implica na presença de uma profunda conexão de amizade, de vidas vividas com a camaradagem de um passado distante.

Você certamente tem pessoas em sua vida com as quais você sente essa ligação conforme a descrição do kenzoku, não? Talvez sejam membros de sua família, mãe, irmã, pai, primo… sei lá quem. Ou então um amigo de escola que você não vê há décadas. O tempo e a distância não conseguem diminuir essa ligação que você tem esses tipos de amigos.

A questão que surge então é: por que temos essa química descrita pelo termo kenzoku com umas pessoas e não com outras? Talvez a resposta seja impossível de ser conhecida, mas as características que definem o kenzoku podem ser muito claras. Quer ver?

Ao fundo vamos com CHORANDO POR AMIZADE, de Yamandu Costa, com ele mesmo.

Afinal, qual é a “cola” que une pessoas em amizades duradouras, hein?

Bem, primeiro são os interesses em comum, não é? Quando nossos interesses divergem dos de outra pessoa, o tempo que passamos juntos diminui. Não que não tenhamos amizades com gente que não compartilha dos mesmos interesses, mas acaba se tornando improvável a interação de forma regular.

Depois tem o componente histórico. Nossa história. Nada é mais capaz de construir uma amizade sólida do que passar junto com alguém por uma experiência, especialmente uma experiência difícil. Só interesses em comum pode ser pouco para manter uma amizade. Mas aquela história que vocês viveram juntos, cara… Experimente lembrar de seus amigos. Vai ter um monte de história ali, não vai?

Valores comuns são outro ponto importante. Podem não ser assim fundamentais para criar uma amizade, mas se os valores forem muito diferentes é difícil que a amizade persista.

Outro ponto fundamental: a equalidade. Amizades verdadeiras são uma troca, onde ambos dão. Quando só um dá e outro só recebe, fica difícil classificar como uma amizade de verdade.

Mas afinal, o que é que justifica uma amizade de verdade?

Um compromisso com a felicidade do outro. O amigo de verdade sempre coloca a felicidade do amigo antes da amizade em si. Um amigo de verdade não vai deixar de dizer coisas que você não quer ouvir, sempre que ele considerar que isso é para seu bem. Amigos verdadeiros vão corrigir você quando acharem que você está errado. Vão te pentelhar quando você estiver bebendo demais, fumando demais, comportando-se de uma forma que possa prejudicar a si próprio. Amigos verdadeiros tem compromisso com a sua felicidade.

Numa amizade verdadeira, ninguém pedirá ao outro que coloque a amizade antes de seus princípios. Jamais.

Amigo verdadeiro é aquele que inspira você a atingir o seu maior potencial, a ser sempre melhor. É aquele que influencia você de forma positiva.

É claro que você talvez tenha amigos que preencham todos esses critérios mais ainda assim não sejam o kenzoku. Para isso é preciso um fator extra, uma espécie de atração parecida com aquela que existe num romance, capaz de agir como a cola definitiva, imediatamente, de um jeito difícil de explicar. Talvez você tenha “amigo à primeira vista”. Talvez já tenha sentido aquela sensação de ver uma pessoa e pensar: Pô, gostaria de ser amigo dele ou dela. É uma espécie de atração mesmo. E se houver retribuição, essa amizade não tem preço.

Amigo é pra eessas coisas
Aldir Blanc 
Silvio Silva Jr.

– Salve!
– Como é que vai?
– Amigo, há quanto tempo!
– Um ano ou mais…
– Posso sentar um pouco?
– Faça o favor
– A vida é um dilema
– Nem sempre vale a pena…
– Ah!…
– O que é que há?
– Rosa acabou comigo
– Meu Deus, por quê?
– Nem Deus sabe o motivo
– Deus é bom
– Mas não foi bom pra mim
– Todo amor um dia chega ao fim
– Triste
– É sempre assim
– Eu desejava um trago
– Garçom, mais dois
– Não sei quando eu lhe pago
– Se vê depois
– Estou desempregado
– Você está mais velho
– É
– Vida ruim
– Você está bem disposto
– Também sofri
– Mas não se vê no rosto
– Pode ser…
– Você foi mais feliz
– Dei mais sorte com a Beatriz
– Pois é
– Vivo bem
– Pra frente é que se anda
– Você se lembra dela?
– Não
– Lhe apresentei
– Minha memória é fogo!
– E o l’argent?
– Defendo algum no jogo
– E amanhã?
– Que bom se eu morresse!
– Prá quê, rapaz?
– Talvez Rosa sofresse
– Vá atrás!
– Na morte a gente esquece
– Mas no amor a gente fica em paz
– Adeus
– Toma mais um
– Já amolei bastante
– De jeito algum!
– Muito obrigado, amigo
– Não tem de quê
– Por você ter me ouvido
– Amigo é prá essas coisas
– Tá…
– Tome um cabral
– Sua amizade basta
– Pode faltar
– O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará

Ah, que clássico, cara…. AMIGO É PRA ESSAS COISAS, de Aldir Blanc e Silvio Silva Jr. que você já ouviu aqui no Café Brasil algumas vezes. A versão com Emílio Santiago e João Nogueira é uma delícia!.

Há pouco eu disse que nem a distância nem o tempo conseguem diminuir uma amizade verdadeira, lembra? Pois o escritor gaúcho Fabricio Carpinejar escreveu um texto delicioso chamado Amigos invisíveis, que fala que aqueles que não estão perto, podem estar dentro. Ouça só.

Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade.

Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.

Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira.

Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão. Amizade não é dependência, não é submissão.

Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.

Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!

O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva? A proximidade física nem sempre é afetiva.

Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio. Amigo mesmo demora a ser descoberto. É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.

Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios. São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.

Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade. Aqueles que não estão perto podem estar dentro.

Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente. Não vou mentir a eles Vamos nos ligar?… num esbarrão de rua. Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento. Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados.

Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação. Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.

Os amigos são próprios de fases: da rua, do ensino fundamental, do ensino médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação.

Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.

Quantas juras foram feitas em bares a amigos, bêbados e trôpegos?

Amigo é o que fica depois da ressaca. É glicose no sangue. A serenidade.

Muito bem. Faz algum tempo que eu não trago um poema ao Café Brasil, não é? Então eu vou com um chamado Bons amigos que aparece na internet atribuído a Machado de Assis, mas não é dele de jeito nenhum. Esse poema é de Isabel Machado.

Ouça, ao som de MEU AMIGO,MEU HERÓI, de Gilberto Gil com Arthur Moreira Lima:

Benditos os que possuem amigos,
Os que os têm sem pedir,
Porque amigos não se pede, não se compra e nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos,
Os que falam com o olhar,
Porque amigo não se cala  não questiona e nem se rende,
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos,
Os que entregam o ombro pra chorar,
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!
Benditos sejam os amigos
Que acreditam na tua verdade,
Ou te apontam a realidade,
Porque amigo é a direção  é a base, quando falta o chão!     
Benditos sejam todos os amigos
De raízes, verdadeiros,
Porque amigos são herdeiros
Da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Tem uns textos que circulam pela internet há anos e que tornam-se clássicos. Um deles chama-se “Bar Ruim” e foi escrito por Antonio Prata. É uma declaração de amor aos lugares onde a gente cultiva os amigos, os bares, que tem mudado ao longo dos anos. Veja se você se reconhece no texto:

Ao fundo você está ouvindo com AMIGOS DA RUA 3, com o mineiro César Brito

Diz assim o Antonio Prata:

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda e por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais um pra gente ai”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango a passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango a passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda frequenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo frequentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.

Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais e meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam as paredes e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que agente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas, quais que tem?

Então estamos conversados? Tenho milhares de amigos virtuais aqui com o podcast Café Brasil, alguns com potencial de se tornarem reais e isso é fascinante. Pense nos seus amigos, veja quais se enquadram na categoria “verdadeiros” e valorize-os. Aliás, mande este programa pra eles, vai!

Eu bebo sim
Luiz Antonio
João do Violão

Eu bebo sim Eu tô vivendo 
Tem gente que não bebe 
E tá morrendo

Eu bebo sim Eu tô vivendo 
Tem gente que não bebe 
E tá morrendo

Tem gente que já tá com o pé na cova 
Não bebeu e isso prova 
Que a bebida não faz mal 
Um pro santo, desce o choro, a saideira 
Desce toda a prateleira
Diz que a vida tá legal

Eu bebo sim Eu tô vivendo 
Tem gente que não bebe 
E tá morrendo

Eu bebo sim Eu tô vivendo 
Tem gente que não bebe 
E tá morrendo
Tem gente que detesta um pileque
Diz que é coisa de moleque
Cafajeste ou coisa assim

Mas essa gente 
Quando tá com a cara cheia 
Vira chave de cadeia 
Esvazia o botequim

Eu bebo sim Eu tô vivendo 
Tem gente que não bebe 
E tá morrendo

Eu bebo sim Eu tô vivendo 
Tem gente que não bebe 
E tá morrendo

Bebida não faz mal a ninguém 
Água faz mal à saúde

E é assim então, ao som de EU BEBO SIM, o clássico de Luiz Antonio e João do Violão que é trilha sonora de muitas amizades por aí, com ela, a diva Elza Soares que nosso Café Brasil vai saindo só no sapatinho.

Com meu amigo Lalá Moreira na técnica, minha amiga Ciça Camargo na produção e eu, seu amigo Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Marcelo BMC, o escritor Antonio Prata, Isaberl Machado, Fabricio Capinejar, Erasmo Carlos, Yamandu Costa, Emílio Santiago com João Nogueira, Cesar Brito, Arthur Moreira Lima e Elza Soares. Eu queria ser amigo dessa turma…

Já deu sua passadinha pela página da Pellegrino no Facebook, hein? A Pellegrino é uma das maiores distribuidoras de auto e moto peças do Brasil, e em sua página distribui conhecimento sobre carreira, gerenciamento, comunicação e outros temas legais, que tem tudo a ver com produtividade. Acesse www.facebook.com/pellegrinodistribuidora e experimente.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha  no www.portalcafebrasil.com.br

E agora tem WhatsApp pra comentar!!! É o 11 96789 8114. Vou repetir mais devagar: 11 96789 8114. Tecle aí, comente ai!

Ah, sim, não esqueça hein, de procurar aquela fábrica de amigos do meu filho no Facebook: MONDAY NIGHT BURGERS…

Para terminar, uma frase de Confúcio:

Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.