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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Hoje vamos falar de superficialidade, da dificuldade que a moçada está demonstrando de ir um pouco mais fundo. Sabe como é? Será culpa da tecnologia, hein? Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapueraque, como sempre, estão aí ó, a um clique de distância.

E sabe quem ganhou o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do kit DKT desta semana, hein? Foi o Leandro Oliveira, que comentou o programa 271 – GERAÇÃO T.

“Luciano. Meu nome é Leandro Oliveira, tenho 27 anos e sou um jovem empreendedor que está tentando tocar a sua primeira startup, tarefa que não é muito fácil, ainda mais no Brasil onde o apoio a novas empresas ainda é bem fraco. 

Nesse início de empreendimento é comum os donos do negócio acumularem diversas tarefas por não terem à disposição uma equipe para quem delegá-las. E o meu caso não é diferente. Isso acaba ocupando todo o tempo que temos no dia a dia e por isso nem sempre sobra tempo para dar aquela tuitada ou aquela compartilhada na rede social do momento, situação que até então estava me incomodando um pouco. Estava, pois depois de ouvir seu podcast sobre a geração T já não está mais. 

Confesso que estava começando a pensar se eu estava errado em querer dedicar tempo do meu dia a dia para me aprofundar em um livro, seja técnico ou não, ao invés de despender horas lendo artigos superficiais sobre os últimos acontecimentos e compartilhando tais artigos e comentários curtos nas mídias sociais. 

Sei que é importante compartilharmos, mas mais importante é compartilharmos conteúdo realmente de valor e não apenas redistribuir o que encontramos por ai, somente para aparecermos mais nas mídias sociais e passarmos uma imagem de “antenados”. 

Infelizmente, acredito que a atual geração T, se preocupa mais em parecer do que ser e acaba mantendo-se superficial em praticamente tudo. Me preocupo bastante com os novos profissionais que entram no mercado, pois acredito que o brasileiro tem tanto potencial quanto qualquer outro profissional do mundo e plena capacidade de gerar seus próprios googles e facebooks tupiniquins. 

A questão é que se perguntarmos hoje para profissionais que entraram há pouco no mercado, quantos livros técnicos sobre a sua área de atuação eles leram nos últimos 6 meses, temo que tenhamos zero como a resposta de maior abrangência. 

Estou falando tudo isso pois já fui assim e vi o quanto a falta de aprofundamento nos áreas que trabalhamos nos leva a sermos profissionais superficiais, que se limitam a fazer o feijão com o arroz e são incapazes de se aventurar e tentar fazer uma feijoada. 

Por hora fico por aqui. Mas já estou muito feliz de ter finalmente ter colaborado com esse programa que já fez tanto por mim, mesmo sem saber.”

Grande Leandro, essa sua reflexão deve ser comum a muita gente, viu? E é esse mesmo o exercício do programa de hoje. Vamos ver.

Muito bem. O Leandro ganhou um kit de produtos DKT com a marca Prudence! Você sabe que os produtos Prudence são a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil, distribuídos pela DKT, não é mesmo? A DKT apoia diversas iniciativas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. E também a várias iniciativas de planejamento familiar! Acesse www.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

Então, vamos lá! Na hora do amor, use PRUDENCE.

Tempos atrás o meu filho chegou em casa orgulhoso. Virou ídolo da turma pois estava “ficando” com uma das garotas mais fantásticas da faculdade.

– Tem nego que veio pedir meu autógrafo, pai!

Algum tempo depois, depois de um longo período sem comentários sobre a deusa, perguntei pela garota e ele disse, com aquela cara de decepção e desprezo:

– Ô pai! Ela gosta dos Travessos…

Tô Te Filmando
Arnaldo Saccomani
Thais Nascimento

Toda vez que eu vejo você 
Sinto uma coisa diferente
Toda vez que eu penso em você 
Te vejo nos meus sonhos tão carente, tão carente
Por que você não cola do meu lado
Esquece os grilos todos do passado 
Vem comigo e tenta ser feliz
Pare de dizer ta tudo errado 
Deixa eu logo ser seu namorado 
O resto o destino é quem diz

(Refrão)
Sorria que eu estou te filmando 
Sorria o coração tá gravando 
O seu nome aqui dentro de mim
Sorria que o prazer ja vem vindo 
Sorria nosso amor tá tão lindo 
Não quero ver você tão triste assim

Os Travessos é o que está tocando ai no fundo: TÔ TE FILMANDO, que a Ciça teve a gentileza de trazer do arquivo particular dela. Os Travessos é um grupo de pagode liderado por Rodriguinho, que na época usava cabelos descoloridos e uma viseira na testa. Hoje virou um negão bombado. Parece lutador de UFC. Mas, continua fazendo aquela musiquinha nhém-nhém-nhém que infesta as rádios e programas dominicais da TV.

Pois então… Fã de pagodeiros? Acabou a deusa da escola. Acabou o “ficar”. O que é a vida, não? Quando eu tinha lá meus 13 ou 14 anos, em Bauru, uns amigos loucos gostavam de Jimmi Hendrix. E Led Zepellin. Eu curtia o Benito di Paula, que devia ser equivalente aos Travessos de hoje. Num aniversário dei a um daqueles amigos um compacto com a trilha do filme Midnight Cowboy.

Everybody’s Talkin’
Harry Nilsson
Fred Neil

Everybody’s talking at me
I don’t hear a word they’re saying
Only the echoes of my mind

People stopping staring
I can’t see their faces
Only the shadows of their eyes

I’m going where the sun keeps shining
Thru’ the pouring rain
Going where the weather suits my clothes
Backing off of the North East wind
Sailing on summer breeze
And skipping over the ocean like a storm

Todos estão falando

Todo mundo está falando comigo

Eu não ouço uma palavra do que dizem
Participe das traduções do Vagalume!
Eu não ouço uma palavra do que dizem
Só ouço os ecos da minha mente

As pessoas parando e encarando
Mas não consigo ver seus rostos
Somente as sombras dos seus olhos

Eu vou para onde o sol continua brilhando
Através da chuva incessante
Vou para onde o clima se ajusta às minhas roupas
Recuando do vento nordeste
Velejando na brisa do verão
Dando saltos sobre o oceano como uma pedra

“Que porcaria!” foi o comentário quando virei as costas. Eu me senti como se eu fosse um…um…pocotó!

Em 1975 eu me mudei pra São Paulo, onde as referências de meus novos amigos eram Milton Nascimento, Gonzaguinha…. e eu com o Benito di Paula. Quase fui escorraçado… Mas, com o tempo fui aprendendo a gostar das coisas boas da música. Hoje eu adoro Hendrix, Led Zeppelin, Milton, Gonzaguinha e… Benito Di Paula!

Charlie Brown
Benito Di Paula

Eh! Meu amigo Charlie
Eh! Meu amigo
Charlie Brown, Charlie Brown…

Se você quiser
Vou lhe mostrar
A nossa São Paulo
Terra da garôa
Se você quiser
Vou lhe mostrar
Bahia de Caetano
Nossa gente boa
Se você quiser
Vou lhe mostrar
A lebre mais bonita
Do Imperial
Se você quiser
Vou lhe mostrar
Meu Rio de Janeiro
E nosso carnaval
Charlie!

Se você quiser
Vou lhe mostrar
Vinícius de Moraes
E o som de Jorge Ben
Se você quiser
Vou lhe mostrar
Torcida do Flamengo
Coisa igual não tem
Se você quiser
Vou lhe mostrar
Luiz Gonzaga
Rei do meu baião
Se você quiser
Vou lhe mostrar
Brasil de ponta a ponta
Do meu coração
Oh Oh Charlie!

É… Nada como a maturidade e as companhias para alargar nossas percepções. É…Um dia eu também gostei dos “Travessos” da minha época. Mas tive amigos, mentores que me mostraram novas idéias. Entendi que a música, como a literatura, o cinema e a TV, podem ser excelentes para entreter.

Mas são melhores ainda quando são inteligentes, valorizando os sentimentos, provocando emoções. Quando são mais do que expressão comercial. Quando são a expressão do talento e da cultura de um povo. Daí a importância de cada um de nós como mentores das gerações que nos seguem. É nosso dever mostrar que existe algo mais que um ritmo chacoalhante, uma letra imbecil e um corpinho perfeito. Talvez assim aprendamos a reconhecer as fórmulas descartáveis que transformam as pessoas num rebanho consumidor de “novidades”.

Pensei que não pensava
Caju e
Castanha

(letra indisponível)

Opa! Caju e Castanha no Café Brasil! Com PENSEI QUE NÃO PENSAVA…

E então encontrei o texto Geração “só a cabecinha”, escrito por Bia Granja para a Revista Galileu. Ouça só.

Outro dia vi um estudo que diz que 25% das músicas do Spotify são puladas após 5 segundos. E que metade dos usuários avança a música antes do seu final.

Enquanto isso, no YouTube, a média de tempo assistindo os vídeos não passa dos 90 segundos. O mais chocante desses dois dados é que o uso do Spotify e do YouTube, em geral, está focado no lazer, no entretenimento. Ou seja, se a gente não tem paciência para ficar mais de 90 segundos focado em uma atividade que nos dá prazer, o que acontece com o resto das coisas, hein? 

Você ficou sabendo da entrada do ator Selton Mello no seriado Game Of Thrones? Saiu em vários grandes portais brasileiros e a galera na internet compartilhou loucamente a notícia. 

Tudo muito bacana, não fosse a notícia um boato inventado por um empresário brasileiro apenas pra zoar e ver até onde a história poderia chegar. Bem, ela foi longe: mais de 500 tuítes com o link, mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook, mais de 13 mil curtidas, matéria no UOL, Ego, Bandeirantes, O Dia e vários outros sites. 

Quem não tem paciência de ouvir cinco segundos de uma música tem menos paciência ainda pra ler uma notícia inteira. Pesquisas já mostraram que a maioria das pessoas compartilha reportagens sem ler. Viramos a Geração “só a cabecinha”, um amontoado de pessoas que vivem com pressa, ansiosas demais pra se aprofundar nas coisas. Somos a geração que lê o título, comenta sobre ele, compartilha, mas não vai até o fim do texto. Não precisa, ninguém lê! 

Nunca achei que a internet alienasse as pessoas ou nos deixasse mais burros, pois sei que a web é o que fazemos dela. Ela é sempre um reflexo do nosso eu, para o bem e para o mal. Mas é verdade que as redes sociais causaram, sim, um efeito esquisito nas pessoas. A timeline corre 24 horas por dia, 7 dias da semana e é veloz. Daí que muita gente acaba reagindo aos conteúdos com a mesma rapidez com que eles chegam. 

Nas redes sociais, um link dura em média 3 horas. Esse é o tempo entre ser divulgado, espalhar-se e morrer completamente. Se for uma notícia, o ciclo de vida é ainda menor: 5 minutos. CINCO MINUTOS! Não podemos nos dar ao luxo de ficar de fora do assunto do momento, certo? Então é melhor emitir logo qualquer opinião ou dar aquele compartilhar maroto só pra mostrar que estamos por dentro. Não precisa aprofundar, daqui a pouco vem outro assunto mesmo. 

Por outro lado… quem lê tanta notícia, hein? Se Caetano Veloso já achava que tinha muita notícia nos anos 1960, o que dizer de hoje? Ao mesmo tempo em que essa atitude é condenável, também é totalmente compreensível. Todo mundo é criador de conteúdo, queremos acompanhar tudo, mas não conseguimos. Resta-nos apenas respirar fundo, tentar manter a calma e absorver a maior quantidade de informação que pudermos sem clicar em nada. Será que conseguimos?

Quem também tocou no assunto do programa de hoje foi o escritor e prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, num texto chamado A internet e o déficit de atenção, no jornal El País. Vamos lá.

Aí ao fundo você ouve HOMENAGEM AO MESTRE, com o percussionista, arranjador e produtor Siri.

Nicholas Carr estudou Literatura na Universidade Harvard, e tudo indica que, na juventude, foi um voraz leitor de bons livros. Logo, como aconteceu com toda a sua geração, descobriu o computador, a internet, os prodígios da grande revolução informática do nosso tempo, e não só dedicou boa parte de sua vida à utilização de todos os serviços online como se tornou um profissional e especialista nas novas tecnologias da comunicação sobre as quais escreve amplamente em prestigiosas publicações dos EUA e na Inglaterra. 

Certo dia, descobriu que deixara de ser um bom leitor, e praticamente, um leitor, inclusive. Sua concentração desaparecia depois de uma ou duas páginas de um livro, e principalmente, se o que ele lia era complexo e exigia muita atenção, surgia em sua mente algo parecido a um repúdio a continuar com aquele empenho intelectual. 

Ele conta: “Perco o sossego e o fio, começo a pensar em outra coisa. Sinto como se tivesse de arrastar o meu cérebro desconcentrado de volta ao texto. A leitura profunda que costumava vir naturalmente se tornou um esforço”. Preocupado, tomou uma decisão radical. 

No fim de 2007, ele e a mulher abandonaram suas instalações ultramodernas em Boston e foram morar nas montanhas do Colorado, onde não havia telefone móvel e a internet chegava tarde, mal ou mesmo nunca. Ali, ao longo de dois anos, escreveu o livro polêmico que o tornou famoso, The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains (Superficiais: O Que a Internet está fazendo com Nossas Mentes?). Acabo de lê-lo, de um fôlego só, e fiquei fascinado, assustado e entristecido. Carr não é um renegado da informática nem quer acabar com os computadores. 

No livro, reconhece a extraordinária contribuição que Google, Twitter, Facebook ou Skype prestam à informação e à comunicação, o tempo que esses recursos permitem economizar, a facilidade com que uma imensa quantidade de seres humanos pode compartilhar de experiências, os benefícios que tudo isso representa para empresas, pesquisa científica e desenvolvimento econômico das nações. Mas tudo isso tem um preço e, em última instância, significará uma transformação tão grande em nossa vida cultural e na maneira de operar do cérebro humano quanto a descoberta da imprensa por Gutenberg no século 15, que generalizou a leitura de livros, até então exclusiva de uma minoria insignificante de clérigos, intelectuais e aristocratas. 

O livro de Carr é uma reivindicação das teorias do agora esquecido Marshall McLuhan, ao qual muitos nem deram atenção, quando, há mais de meio século, afirmou que os meios de comunicação não são nunca meros veículos de um conteúdo, que exercem uma influência dissimulada sobre este, e, a longo prazo, modificam nosso modo de pensar e agir. 

MacLuhan referia-se principalmente à TV, mas a argumentação do livro de Carr, e as experiências e testemunhos abundantes que ele cita como respaldo, indicam que essa tese tem uma extraordinária atualidade relacionada ao mundo da internet. Os defensores recalcitrantes do software alegam que se trata de uma ferramenta e que está ao serviço de quem a usa e evidentemente, há abundantes experiências que parecem corroborá-lo, sempre e quando essas provas sejam realizadas no campo de ação no qual os benefícios daquela tecnologia são indiscutíveis: quem poderia negar que é um avanço quase milagroso o fato de que, agora, em poucos segundos, clicando com o mouse, um internauta obtenha uma informação que, há poucos anos, exigia semanas e meses de consultas em bibliotecas e com especialistas? 

Mas, também há provas conclusivas de que, quando a memória de uma pessoa deixa de ser exercitada, por contar com o arquivo infinito que um computador põe ao seu alcance, ela embota e se debilita como os músculos que deixam de ser usados. Não é verdade que a internet seja apenas uma ferramenta. Ela é um utensílio que se torna um prolongamento do nosso próprio corpo, do nosso próprio cérebro, o qual, também, de maneira discreta, vai se adaptando pouco a pouco a esse novo modo de informar-se e de pensar, renunciando paulatinamente às funções que esse sistema faz por ele e, às vezes, melhor que ele. 

Não é uma metáfora poética afirmar que a “inteligência artificial” que está ao seu serviço, corrompe e sensualiza os nossos órgãos pensantes, os quais, aos poucos, vão se tornando dependentes daquelas ferramentas e, por fim, seus escravos. Para que manter fresca e ativa a memória se toda ela está armazenada em algo que um programador de sistemas definiu como “a melhor e maior biblioteca do mundo”? E para que eu deveria aguçar a atenção se, apertando as teclas adequadas, as lembranças das quais preciso vêm até mim, ressuscitadas por essas diligentes máquinas? 

Não surpreende, por isso, se alguns fanáticos da internet, como o professor Joe O”Shea, filósofo da Universidade da Flórida, afirma: “Sentar-se e ler um livro de cabo a rabo não faz sentido. Não seria um bom uso do meu tempo, e com a internet posso ter todas as informações com mais rapidez. Quando uma pessoa se torna um caçador experimentado na internet, os livros são supérfluos”. 

O mais atroz desta declaração não é a afirmação final, mas o fato de esse famoso filósofo acreditar que uma pessoa lê livros somente para “informar-se”. Esse é um dos estragos que o vício fanático da telinha pode causar. Daí, a patética confissão da doutora Katherine Hayles, professora de Literatura da Universidade Duke: “Não consigo mais que meus alunos leiam livros inteiros”. Esses alunos não têm culpa de agora serem incapazes de ler Guerra e Paz e Dom Quixote. 

Acostumados a picotar a informação em seus computadores, sem ter a necessidade de fazer prolongados esforços de concentração, eles perderam o hábito e até a capacidade de fazê-lo. Foram condicionados a contentar-se com o borboletear cognitivo aos quais a rede os acostuma, tornando-se de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongado abandono ao que se lê, que é a única maneira de ler a grande literatura. 

Mas, não acredito que a internet torne supérflua apenas a literatura: toda obra de criação gratuita, não subordinada à utilização pragmática, é excluída do conhecimento e da cultura propiciados pela Rede. Sem dúvida, essa pode armazenar com facilidade Proust, Homero, Popper e Platão, mas dificilmente suas obras terão muitos leitores. Para que dar-se ao trabalho de lê-las se no Google podemos encontrar resumos simples e amenos do que inventaram nesses aborrecidos calhamaços que os leitores pré-históricos costumavam ler? 

A revolução da informação está longe de ter terminado. Ao contrário, nesse campo surgem a cada dia novas possibilidades, conquistas e o impossível retrocede velozmente. Devemos alegrar-nos? Se o gênero de cultura que está substituindo a antiga nos parecer um progresso, sem dúvida sim. 

Mas, deveremos nos preocupar se esse progresso significa o que um erudito estudioso dos efeitos da internet em nosso cérebro e em nossos costumes, Van Nimwegen, deduziu depois de um dos seus experimentos: Confiar aos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz “a capacidade das nossas mentes de construir estruturas estáveis de conhecimento”. Em outras palavras, quanto mais inteligente for o nosso computador, mais estúpidos seremos. 

Talvez haja certo exagero no livro de Nicholas Carr, como ocorre sempre com os argumentos que defendem teses controvertidas. Não possuo os conhecimentos neurológicos e de informática para julgar até que ponto são confiáveis as provas e experiências científicas que ele descreve em seu livro. Mas esse me dá a impressão de ser uma obra rigorosa e sensata, uma advertência que – não nos enganemos – não será ouvida. O que significa, se ele estiver com a razão, que a robotização de uma humanidade organizada em função da “inteligência artificial” é incontrolável. A menos, é claro, que um cataclismo nuclear, por algum acidente ou uma ação terrorista, nos faça regressar às cavernas. Teremos então de começar tudo de novo, e, quem sabe, dessa vez façamos melhor.

Então? Quantas ideias,né? E outro texto denso, cara, desta vez escrito por um prêmio Nobel.

Bom… Lembre-se sempre, aqui só tem iscas intelectuais, tá bom? Que não matam a fome, apenas abrem o apetite. Cabe a você sair atrás da comida, se é que me entende…

Pensamento
Da Gama
Lazão
Bino
Ras Bernardo

Você precisa saber
O que passa aqui dentro
Eu vou falar pra você
Você vai entender
A força de um pensamento
Pra nunca mais esquecer

Pensamento é um momento
Que nos leva a emoção
Pensamento positivo
Que faz bem ao coração
O mal não
O mal não
O mal não

Sendo que para você chegar
Terá que atravessar
A fronteira do pensar
A fronteira do pensar

E o pensamento é o fundamento
Eu ganho o mundo sem sair do lugar
Eu fui para o Japão
Com a força do pensar
Passei pelas ruínas
E parei no Canadá
Subi o Himalaia
Pra no alto cantar
Com a imaginação que faz
Você viajar, todo mundo
Estou sem lenço e o documento
Meu passaporte é visto em todo lugar

Acorda meu Brasil com o lado bom de pensar
Detone o pesadelo pois o bom
Ainda virá
Você precisa saber
O que passa aqui dentro
Eu vou falar pra você
Você vai entender
A força de um pensamento
Pra nunca mais esquecer

Custe o tempo que custar
Que esse dia virá
Nunca pense em desistir, não
Te aconselho a prosseguir
O tempo voa rapaz.
Pegue seu sonho rapaz
A melhor hora e o momento
É você quem faz

Recitem
Poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei
Recitem
Poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei
Recitem
Poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei

Recitem
Poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei
Recitem
Poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei

E é assim então, ao som de PENSAMENTO, com o Cidade Negra, que vamos saindo no embalo.

Com o profundo Lalá Moreira na técnica, a enciclopédica Ciça Camargo na produção e eu, que só nado no raso, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Leandro Oliveira, Bia Granja, Mario Vargas Llosa, Cajú e Castanha, Siri, Cidade Negra, Harry Nilsson, Benito di Paula e…putz… Os Travessos.

Já deu sua passadinha pela página da Pellegrino no Facebook? A Pellegrino é uma das maiores distribuidoras de auto e moto peças do Brasil. Em sua página distribui conhecimento sobre carreira, gerenciamento, comunicação e outros temas muito legais, que tem tudo a ver com pó seu dia a dia, a sua necessidade de crescer, de ir um pouco mais fundo. Acesse www.facebook.com/pellegrinodistribuidora e experimente.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, acessar o conteúdo deste podcast, visitar nossa lojinha… www.portalcafebrasil.com.br.

E agora tem até WhatsApp pra comentar!!! É o 11 96789 8114. De novo e devagarinho: 11 96789 8114. Tecle aí! Aliás, grave uma mensagem de voz, aí.

Para terminar, uma frase de Millôr Fernandes:

Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Pois é: Judas andava com Cristo. E Cristo andava com Judas.