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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Existe um lugar, uma espécie de limbo, onde muita gente costuma ficar, de braços cruzados, à espera do destino. Chamo esse lugar de zona da indiferença. E é sobre ela que vamos tratar hoje.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que você já sabe né, estão aí, a um clique de distância. www.facebook.com/itaucultural ewww.facebook.com/auditorioibirapuera.

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do apimentadíssimo kit DKT vai para….para…. Portugal! Portugal!!! Ou não, né? Quem ganhou é a Joana Fernandes, que comentouassim o programa INICIATIVA E ACABATIVA em abril de 2012:

“Oi Luciano!

Finalmente ganhei coragem para escrever. Cerca de um ano atrás fui morar sozinha e decidi não ter televisão (aqui em Portugal a tv não é muito melhor que a do Brasil não), então me foquei em programas de rádio e podcasts. Encontrei o Café Brasil e desde então, é muitas, vezes minha companhia matinal antes de ir para o trabalho.

O tema desse podcast me tocou particularmente. Faz tempo que fico pensando em me mudar para o Brasil mas acabo não fazendo nada para que isso aconteça. Afinal de contas, tenho casa, família, amigos, trabalho, e uma vida bem legal, então, às vezes falta coragem para cumprir o sonho de infância de morar no Brasil. O seu podcast, junto com os incentivos dos muitos amigos que estão emigrados têm-me feito refletir muito sobre o assunto e aumentar a vontade de, simplesmente ir, e ver no que dá.

Semana passada ouvi o episódio “Iniciativa e acabativa” e falei com uma das minhas amigas que emigrou. Aí ela disse: “Joana, se você continuar morando e trabalhando em Lisboa, o Rio não vai vir pra te buscar!”. E assim, decidi, não ainda ir para o Rio, mas dar o primeiro passo para realizar um outro sonho, que é fazer trabalho voluntário fora do país. Sou voluntária aqui em Lisboa tem mais de 6 anos e agora me candidatei para ir 6 meses para Moçambique, São Tomé ou Timor. Ainda não sei se minha candidatura foi aceita, mas se for, irei, pelo período de 6 meses, por isso terei que me demitir. Então, no final do ano, quando voltar e estiver sem trabalho, não vai ter outro jeito se não pegar o avião e correr atrás do futuro nesse Brasil que eu amo tanto!

Obrigada!!!”

Que legal, Joana! Agora fiquei curioso, viu. O que será que aconteceu com você? Será que ainda ouve o Café Brasil? Onde andará a Joana?

Muito bem. A Joana, lá de Portugal…ou será Moçambique? Não. Talvez São Tomé e Principe. Não, eu acho que é Timor Leste. Ou será que é no Brasil? Sei lá. A Joana ganhou o livro e um kit de produtos DKT com a marca Prudence! Você sabe que os produtos Prudence são a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes comercializados no Brasil e distribuídos pela DKT , não é? A DKT apoia diversas iniciativas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. E também ajuda muito na questão do planejamento familiar! Acesse www.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

Na hora do amor, vamos lá, use PRUDENCE.

Não tô nem aí
Arnaldo Baptista

Vamos para longe
Vamos pra onde eu vou
Será que é difícil esquecer os males?
Let’s go to the sunshine
Vamos pra onde eu vou
Será que é difícil esquecer os males?

Ontem me disseram que um dia eu vou morrer
Mas até lá eu não vou me esconder
Porque eu não estou nem aí pra morte
Não estou nem aí pra sorte
Eu quero mais é decolar toda manhã

Quero decolar toda manhã
Quero decolar toda manhã

Num mundo de cristal
Num mundo surreal
A vida, a morte, o amor
A vida, a paz, o amor…

Uia! Esse é o ex-Mutante Arnaldo Baptista no Café Brasil! Com NÃO TÔ NEM AÍ… as músicas dele são muito loucas. Elas sempre mexem comigo, sabe?

Em minha palestra Tudo bem se me convém, trato de moral e ética, dizendo que existem certos progressos morais que colocam as coisas em perspectivas diferentes, dependendo de onde você está, tanto geograficamente quanto no tempo. Cerca de duzentos anos atrás era normal, aceitável e até mesmo incentivado pela sociedade que gente fosse dona de gente. O fulano de posses ia até o mercado e comprava um escravo. Comprava uma pessoa como quem hoje compra um boi. Naquele tempo isso era normal, natural, aceito como absolutamente normal.

Hoje é um absurdo.

Quando eu tinha 10 anos de idade, meu sonho era ganhar uma espingardinha de chumbo pra caçar passarinho, vê se pode. Eu já falei no programa aqui…Hoje, se eu disser a um garoto de 10 anos que vou dar um tiro um passarinho provavelmente quem vai tomar o tiro sou eu!

Certos valores morais e éticos mudam com o tempo, é assim desde que o mundo é mundo.

Em julho de 2014 foi ao ar o último capítulo da novela EM FAMÍLIA. A principal cena era o casamento de duas atrizes que ficaram na paquera ao longo de toda a novela. Na cena do casamento as duas, vestidas de noivas, se beijaram amorosamente, na boca. E todo o elenco da novela está ao fundo aplaudindo. O mais entusiasmado é um garoto de seus 10 anos de idade, que bate palmas, grita e assobia.

Você consegue imaginar 30, 20, 10, 5 anos atrás uma cena assim indo ao ar em rede nacional de televisão? Não mesmo! mas agora vai. Algo mudou…

Na sequência da palestra projeto na tela dois círculos, um preto outro branco, para ilustrar a ideia de que tempos atrás era relativamente fácil determinar o que era certo ou errado, bom ou mau, conveniente ou inconveniente, legal ou ilegal. Havia uma certa rigidez nos costumes, passada de geração para geração, que facilitava nossas escolhas. Preciso de uma pausa aqui, olha só: não quero dizer com isso que antes era melhor que hoje, quero dizer que era diferente.

E então acontece uma animação e os dois círculos começam a se aproximar. Quando um entra sobre o outro, forma-se uma área cinza na intersecção. E quanto mais os círculos se sobrepõem, maior fica sendo a área cinza. É a área onde, quando forçadas a confrontar questões difíceis para as quais não conseguem determinar o preto e o branco, as pessoas costumam cruzar os braços. Ficam no cinza: indiferentes.

Dou a essa área o nome de Zona da Indiferença

Bom. Antes que venha aqui um pentelho me encher o saco porque eu estou sendo politicamente incorreto, eu quero dizer que eu botei preto e branco só pra mostrar a diferença de contraste entre uma e outra. Se você não gostou, põe assim: verde e amarelo, azul e roxo, marrom e … sei lá, vai…

Bom. Minha tese é que essa área cinza nunca foi tão grande, especialmente por um certo relativismo moral que toma conta da sociedade. De repente começam a pregar que não existem mais verdades, que todo mundo está de alguma maneira certo, que o que é bom pra você pode ser ruim pra mim e todos estão certos, que temos que respeitar os direitos de todo mundo, inclusive quando esses direitos se sobrepõem aos direitos de outros.

Nessa situação, se não gosto de algo e explicito minha contrariedade, sou imediatamente atacado pelos paladinos da igualdade, acusado de – vamos lá, vai – fascista, coxinha, reacionário, todos aqueles rótulos que você está cansado de conhecer.

Assim, para não se incomodar, a maioria das pessoas prefere permanecer na área cinza, sem tomar uma posição, esperando para ver para que lado a vai a boiada. Quando a boiada andar, ela anda junto.

Se a boiada correr, ela corre junto. E você perguntar porque correu, ela não sabe…

Me lembrei desse tema ao assistir na TV a reportagem sobre o garoto que pulou a cerca para mexer com o tigre num zoológico de Cascavel, no Paraná e teve o braço dilacerado, sob os olhos do pai, indivíduo perturbado e irresponsável.

Se você não lembra da história, lá vai: o pai leva os dois filhos, de 3 e 11 anos para passear no zoológico. O garoto de 11 anos leva no bolso ossinhos de frango. Quando chegam diante das jaulas do leão, o garoto pula a cerca de proteção e vai lá perturbar o bicho. Fica fazendo micagens, pega o ossinho, passa pela grade para o leão, que permanece impassível. Então o garoto resolve pentelhar o tigre. E de novo, pulando a cerca de proteção, pendura-se na grade, cutuca o tigre, passa a mão no bicho, corre para lá e para cá, até que num momento o tigre pega o braço direito do garoto, que é dilacerado. No hospital o menino tem o braço amputado.

O pai foi relapso, o garoto imprudente, mas o que me chamou a atenção foi que várias pessoas estavam por perto, viram o menino ultrapassando a cerca e mexendo com o tigre. Algumas delas inclusive filmaram a cena, enquanto afirmavam que o garoto era corajoso. Ninguém tomou uma atitude, de tirar o garoto de lá, de ir para cima do pai irresponsável, de chamar os guardas ou a polícia. Preferiram ficar na zona da indiferença, filmando o garoto em situação de risco.

Cruzo os braços, afinal, “o filho é dele, pô”.

E o resultado daquele povo na zona da indiferença é um garoto de onze anos sem um braço.

E a boiada segue o rumo…

Minha Boiada 
Nenete & Dorinho

Devagar tocando a boiada
Na poeira que cobre a estrada
Que o vaqueiro vai enfrodiando
Sem parar de quebrada em quebrada

Na frente vai o berrante
Vai chamando toda a manada
É bem triste longa jornada
Sem descanso e nenhuma parada

Boi, boi, boi, boi
Vamos boiada caminhando sem parar
Vai, vai, vai, vai
A estrada é longa e a noite vai chegar

A sina do boiadeiro
Com cigano é comparada
Passa a vida pelos caminhos
Onde faz a sua pousada

Assim vai levando a vida
Cumprindo a sina marcada
Hoje aqui, amanhã muito além
Caminhando atrás da boiada

Boi, boi, boi, boi
Vamos boiada caminhando sem parar
Vai, vai, vai, vai
A estrada é longa e a noite vai chegar

Olha que delícia! Pra você que pensa que isso que anda tocando por ai é sertanejo cara, isto aqui que é raiz! MINHA BOIADA, de Nanete e Dorinho, com Dorinho, Iara e Ponteli. Ê Baurur…

Pouco tempo antes vi as imagens de um idiota quebrando automóveis importados numa concessionária em São Paulo. O sujeito ia amassando os carrões e quebrando os vidros com um extintor de incêndio, enquanto estava rodeado por centenas de pessoas que só filmavam e fotografavam. Ninguém parou o sujeito. Não quiseram se incomodar. Ficaram na zona da indiferença, afinal, os carros não eram deles, pô…

Sair da zona da indiferença não é fácil. A maioria das pessoas está nela, pretende continuar assim e reage indignada quando alguém faz marolinha. Sabe quando o sujeito fura a fila, você reclama e outras pessoas na fila olham como se você fosse um estressado? Pois é.

Ninguém quer se incomodar. Vou chamar a atenção do pai e é capaz de ele brigar comigo. Vou parar o vândalo, é capaz de ele me dar uma paulada. Vou gritar que não aceito, vão me chamar de estressado. Então cruzo os braços e finjo que não é comigo. Zona da indiferença.

Ter consciência sobre o que é certo e errado, todo mundo tem. Exceto os psicopatas e as crianças muito pequenas. Mas capacidade de análise e ação a respeito, nem todos têm.

Volto ao exemplo do tigre. Todo mundo que estava por lá tinha consciência de que o que o garoto estava fazendo era errado. Mas ninguém tomou qualquer ação a respeito. Zona da indiferença.

O resultado é que neste Brasil dos indiferentes, irresponsáveis e indisciplinados, não basta uma placa de proibido entrar, precisa ter um fiscal. Não basta construir a passarela, tem de fiscalizar pra ver se a turma não cruza a rua no lugar proibido.

Me lembro tentando explicar a um norte americano o que era aquele calombo na rua que me obrigava a reduzir a velocidade. O quebra molas ou lombada. E eu disse: é para que o pessoal não corra neste trecho. E o gringo, sem entender, disse: mas não tem uma placa mostrando a velocidade?

Eu não ligo, baby
Jeanette Adib

Não eu não quero mais o seu amor
Pois estou amando outro broto
Mais sensacional, bem legal
Que não me faz sofrer
Mas, não consigo esquecer
Fácil assim
Eu não ligo baby
Eu não ligo baby
Sei que vou esquecer

Do seu beijo eu não quero mais saber
Agora sim posso até dizer que vou conseguir
De você esquecer
Agora sim me livrei
So seu carinho e do amor
Eu não ligo baby
Eu não ligo baby
Sei que vou esquecer

Até mamãe papai me aconselharam
Deixa o seu coração viver em paz
Porque esse amor não lhe serve mais
Vai procurar outro broto amar
Eu já fiz tudo para não lembrar
Mas não adianta porque 
Eu não consigo mais deixar 
De pensar que você ainda é o meu amor
Meu mundo, tudo enfim para mim
Eu não ligo baby
Eu não ligo baby
Sei que vou esquecer

Rararraa…que delícia, cara! Estamos em 1965 e você ouve EU NÃO LIGO BABY, versão que Jeanette Adib fez para a música Wint Thant Baby, mas que também pode ser Ain´t that better baby, parece que de Connie Francis. Quem canta aqui? Meire Pavão. E acompanhada pelos Jet Blacks. Pergunta pro seu pai quem são, vai. Ou pra sua avó…

É assim mesmo. Ninguém liga, baby! Não basta a placa de redução de velocidade, é preciso construir uma lombada. E se der algum problema, a culpa será sempre de um ente etéreo e inimputável.

Mas afinal de contas, o que é que liga a consciência do certo e errado com a capacidade de agir a respeito? É uma coisinha que anda fora de moda, escondida num armário, chamada caráter.
Que anda em falta no mercado.

Perguntinha cabulosa
Jessier Quirino

Por que não faz logo um partido de vergonha?
Um  movimento baionista brasileiro?
Por que não pega o corrupaco do meu lôuro,
pra traduzir todo sotaque do estrangeiro?
Por que não pega a carne magra de um bode,
pra fazer parte da dieta da madame?
Por que não pega o mel com queijo sertanejo
e põe na fuça do cheesburger de Miami?
Por que não pega a mamãezad do governo
pra dar salário de vergonha a professora?
Por que não bota o arranhado da cultura
pra tomar banho numa banheira de salmoura?
Por que não pega esses mangaio dos meus versos
e põe chocalho nas manchetes de jornal?
É porque, é porque, é porque,
ora porque, ora porque, esse é o mal
filha da…………

Você ouviu PERGUNTINHA CABULOSA, com Jessier Quirino. Ora, porquê?

Muito bem. Mas como fazer quando você se encontrar na zona da indiferença, naquela área cinza de onde parece não haver saída, hein? Bem, a coisa mais fácil é ter um mentor, uma mentora, não é?

Aquela pessoa mais experiente que você, que pode te dar alguma luz sobre as possíveis escolhas. Alguém em quem você confia e que talvez consiga ajudar você a separar o preto do branco. Quem tem um mentor ou uma mentora assim, é um sujeito de sorte. E quem é um mentor ou mentora assim, é um sujeito generoso.

A outra forma é mais difícil. Tem a ver com integridade. Olha como a Wikipedia define integridade:
Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo ser íntegro, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, briosa, pundonorosa, cuja natureza de ação nos dá uma imagem de inocência, pureza ou castidade, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito. Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas, infringindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível.

Bem, isso é o que diz a Wikipedia. Lendo aqui, parece que integridade tem a ver com quem é… assim… um bocó de mola. Putz… bocó-de-mola? É. Essa é dos meus tempos de garoto em Bauru. Conforme o Dicionário Brasileiro de Insultos, de autoria de Altair Aranha, “Bocó é o que tem um comportamento meio infantil, apatetado. “Bocó de Mola” é um bobo a quem se dá corda “nasceu e cresceu bocó” e vai  morrer assim”… Bocó de mla!

Se bobear, integridade, com essa coisa de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, briosa, pundonorosa, nos dias de hoje é coisa de bocó de mola, de trouxa, de otário, não é? Pois é.

O indivíduo íntegro é aquele que se apega a seus valores, que não negocia, que não entra na boiada e vai pra lá ou pra cá só porque todo mundo está indo. O indivíduo íntegro não abre mão de seus valores e convicções. Com isso tem mais chances de reduzir aquela área cinza. Não que acabe com ela, mas fará que ela fique menor se não aderir ao tal relativismo. Não gosto, não aceito, não quero, não transijo. Isso é integridade. Mas também pode ser teimosia, se você não tiver a terceira arma para escapar da zona de indiferença… o velho e bom repertório.

Se você só conhece o Pedro e a Maria, vai ter dificuldade em lidar com a Josefa. Se você só comeu coxinha e quibe, terá dificuldade de descrever um queijo. Se só ouve sertanojo, terá dificuldade de ouvir jazz. E assim vai. É o repertório que permite que tenhamos mais munição para o bom combate. Quanto mais rico meu repertório, mais chances tenho de fazer as reflexões e negociações comigo mesmo, que me permitirão sair da zona da indiferença.

Vamos ao tigre.

O repertório da turma que filmou o garoto e não fez nada, eu posso imaginar. Viram o que estava errado, e ao fazer uma reflexão a respeito baseada em seu pobre repertório, concluíram que “se eu me envolver, vou me incomodar”, o que é uma demonstração de egoísmo, de absoluta falta de capacidade de viver em sociedade, em harmonia com outras pessoas. E o resultado é o menino sem braço.

Percebe onde eu quero chegar? Quando você se encontrar na Zona da Indiferença e perceber isso, saiba que faltaram elementos em seu repertório fortes o suficiente para tirar você de lá. Que você não se manteve íntegro a seus valores e convicções, a menos que eles sejam isso mesmo: danem-se os outros, eu não vou me incomodar. E é bom você procurar alguém que o ajude a enxergar a situação de outro ângulo, o tal mentor.

Mas antes de tudo, olhe para seus braços. Estão cruzados, hein? Descruza essa porra, meu! Tão querendo te amarrar na boiada!

Bem, agora é com você. Policie-se. Veja bem quando você entra na zona da indiferença e, por favor, saia fora dela. Um país onde todos ficam na zona da indiferença, pertence aos ratos.

Couro de boi
Chico Lobo

Amarre esse Boi
Com corda de cipó
Couro desse boi é forte,
Tem que caprichar o nó
Esse boi é janeiro, vem
Enfeitado de fitas, vem
Pra alegrar a folia, vem
Dessa multidão
E levanta a poeira, vai
E desmancha a tristeza, vai
Depois segue no lume, vai
Desse luarão
Esse boi é boi barroso, é boi
Turuna, é murruá
Risca chifre em pedra dura
Sem ter medo de brincar

E é assim então, ao som de COURO DE BOI, de e com o mineiro de São João Del Rei, Chico Lobo que este Café Brasil conspirador vai saindo de mansinho.

Com o sempre atento Lalá Moreira na técnica, a sempre alerta Ciça Camargo na produção e eu, que não gosto muito do cinza, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Joana Fernandes lá de Portugal, Arnaldo Batista, Dorinho, Iara e Ponteli, Chico Lobo, Jessier Quirino e… Meire Pavão!

Vamos agitar, hein? Visite a página da Pellegrino no Facebook, pô! A Pellegrino é uma das maiores distribuidoras de auto e moto peças do Brasil, e em sua página distribui conhecimento sobre carreira, gestão, comunicação e outros temas legais, coisas que vão te ajudar a sair da zona da indiferença. Acesse www.facebook.com/pellegrinodistribuidora e experimente.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha… www.portalcafebrasil.com.br.

E agora meu, tem WhatSapp pra comentar!!! É o 11 96789 8114. Vou repetir devagar: 11 96789 8114. Tecle aí ó, grave uma mensagem de voz ai, é muito fácil!

Pra terminar, uma frase do escritor, poeta e filósofo inglês Gilbert Chesterton:

Imparcialidade é um nome pomposo para indiferença, que é um nome elegante para ignorância.