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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. O programa de hoje vai levar você para uma viagem ao…Pará. Belém. Na Amazônia. Um pedaço do Brasil que a maioria dos brasileiros desconhece e que é repleto de riquezas. Prepare-se!

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, você sempre sabe, né… estão aí, a um clique de distância.www.facebook.com/itaucultural e www.facebook.com/auditorioibirapuera.

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do apimentadíssimo kit DKT vai para….para…. Bem, antes uma explicação. Você lembra que eu comentei no programa anterior que o pessoal do Wecast, um excelente aplicativo para ouvir podcasts, fez uma ação para arrecadar fundos para contruir a versão Android e que um dos prêmios era sugerir o conteúdo para um programa Café Brasil? Pois bem, duas pessoas ganharam o prêmio. A primeira deu no programa O ÚLTIMO DIA, e a segunda será este aqui.

Quem mandou a sugestão foi o Andrey Albuquerque, que vai ganhar o livro e o Kit. O Andrey escreveu assim:

“Bom dia, boa tarde e boa noite. Antes de tudo peço licença para concretizar um de meus objetivos ao decidir apoiar o projeto Wecast que é lhe agradecer direta e devidamente.

Ao longo de meus 28 anos, adquirir conhecimentos e expandir minha visão de mundo foram os fios condutores de minha história. Como não podia deixar de ser, os livros sempre foram meus guias nessa jornada. E foi em meio aos escritos de grandes mestres como Freud, Nietzsche, Sócrates, Platão e mais recentemente Rubem Alves que meus caráter e valores foram moldados. Contudo, não pude com nenhum deles aprender a lição que viria mudar minha vida, a esperança no ser humano, a esperança no brasileiro. E é aí que você entra meu amigo.

Entenda Luciano, eu sou filho do Brasil do final da década de 80, criado na instabilidade dos anos 90 e radicado na nação do início do milênio onde as rádios já não tocavam bossa nova, nem o Pasquim se encontrava nas bancas e a TV bem… Já era a TV de hoje, né.

Diante desse cenário eu não tinha outro destino, seria mais um a não acreditar no Brasil e ver no brasileiro todos os adjetivos corriqueiramente entoados pelo povo do “mimimi” em qualquer canto comentável. Eu vivia no país de bananas.

Até que em agosto de 2011 saí da letargia, acordei. Era meu aniversário e eu ganhara de um alguém não tão próximo um livro usado, já com a capa amarelada, mas com uma ilustração que me intrigou. Diante de mim estava uma égua vestindo a 10 da seleção e com a cabeça chafurdada na televisão, a pastar. E naquele dia Luciano, o “Brasileiros Pocotó” provocou em mim o que talvez o “Por uma educação romântica” tenha provocado em você um dia. Ganhou minha cabeceira e emoldurou meus ideais.

De lá pra cá foram 419 episódios do podcast Café Brasil, três livros e incontáveis artigos lidos além de uma ideia comprada “A de que eu não posso calar sabendo o que dizer pra verdadeiramente fazer a diferença no meio onde vivo”.

E assim retomei o curso de Direito, há tempos parado por falta de propósito, tomado por uma vontade indomável de adquirir voz e ferramentas sociais sensíveis à luta que pretendo travar. E o mais significativo e provavelmente determinante em minha vida, retomei uma prática perdida há mais de 8 anos, que só hoje percebo a falta que me fez. Voltei a escrever.

Por isso Luciano, muito obrigado. Por incontáveis horas de reflexão. Por imensuráveis tons de conforto. E por lutar arduamente por esse mais do que nobre ideal, que abracei inteiramente e tomei como projeto de vida, o de lutar verdadeiramente por um Brasil melhor.

Desculpe Luciano por essa extensão de propósito, mas eu precisava aproveitar essa oportunidade já que você irá ler e concretizar um ensinamento de minha mãe, o de que devemos agradecer às pessoas que são importantes para nós de alguma forma enquanto temos oportunidade, pois nunca saberemos quando a teremos novamente.”

Que legal Andrey. Muito obrigado por suas palavras, é isso que nos estimula a continuar: saber que as pedrinhas que lançamos nos lagos estão rendendo frutos. Obrigado por dar ao nosso trabalho do Café Brasil alguma consequência.

Muito bem. O Andrey ganhou um kit de produtos DKT com a marca Prudence! Você sabe, né os produtos Prudence são a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil, distribuídos pela DKT. E ao adquirir um produto PRUDENCE você estará apoiando diversas iniciativas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e também ajudará em projetos de motivação ao planejamento familiar! Acesse www.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

E vamos lá. Na hora do amor, você já sabe: use PRUDENCE.

Muito bem, mas agora vamos à sugestão do Andrey, que continua sua cartinha assim:

“Sou natural de Belém do Pará, nascido, criado e apaixonado por essa terra. Sempre que viajei ao sul e sudeste do país me deparei com uma visão sobre a região norte que ultrapassa a simples ignorância e adentra o preconceito, tal qual o ocorrido com os nordestinos.

A imagem de que este é um canto do país onde não houve desenvolvimento, onde o povo se assemelha primitivamente aos índios e convive com animais silvestres nas calçadas sempre me doeu e indignou. Diante desse cenário, em 1992 a banda Mosaico de Ravena compõe “Belém, Pará, Brasil” e entrega à minha juventude um hino paraense alternativo, que se estende em força a todos os “nortistas”, como diz a letra.

Belém Pará Brasil
Mosaico de Ravena

Vão destruir o Ver-o-Peso
Pra construir um Shopping Center
Vão derrubar o Palacete Pinho
Pra fazer um Condomínio
Coitada da Cidade Velha,
que foi vendida pra Hollywood,
pra se usada como albergue
no novo filme do Spielberg

Quem quiser venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês

A culpa é da mentalidade
Criada sobre a região
Por que é que tanta gente teme?
Norte não é com M
Nossos índios não comem ninguém
Agora é só Hambúrguer
Por que ninguém nos leva a sério ?
Só o nosso minério

Quem quiser venha ver
Mas só um de cada vez
Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês

Aqui a gente toma guaraná
Quando não tem Coca-Cola
Chega das coisas da terra
Que o que é bom vem lá de fora
Transformados até a alma
sem cultura e opinião
O nortista só queria fazer
parte da Nação

Ah! chega de malfeituras
Ah! chega de tristes rimas
Devolvam a nossa cultura!
Queremos o Norte lá em cima!
Por quê? Onde já se viu?
Isso é Belém!
Isso é Pará!
Isso é Brasil!

Muito bem. Pra quem não vive lá, fica até meio difícil sentir essa letra mas, eu senti aqui.

Você ouviu BELÉM, PARÁ, BRASIL, com o grupo Mosaico de Ravena, lá de Belém do Pará para o mundo….

Eu estava procurando uma palavra para definir esses tambores do fundo aí e não achei outra, desculpa, mas são … instigantes…

E o Andrey continua…

Infelizmente como você sabe, somos todos vítimas de uma mídia feita para pocotós e assim o tecnobrega e as aparelhagens se encerraram como única identidade cultural paraense, sobrepondo grandes mestres e expoentes da música como Nilson Chaves, Lucinha Bastos, o maestro Waldemar Henrique, os músicos Salomão Habib e Sebastião Tapajós dentre tantos outros grandes que vivem para tocar, cantar e compor a cultura paraense.

Com isso, minha sugestão é pautada no longínquo programa de n°11 “Definição de Gaúcho”, onde foi possível para mim conhecer parte da essência do povo gaúcho e redefinir meus conceitos, abandonando a visão medíocre de que se tratava de um povo com ideais separatistas,     portanto não necessários à nação.

Com isso a ideia é essa Luciano, mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, através de sua face norte. Apresentar ao universo de ouvintes qualificados do Café Brasil a região que não é só a floresta, os índios e festivais de bois.

De minha terra
Nilson Chaves
Jamil Damous

Te trago da minha terra
O que ela tem de melhor
Um doce de bacuri
Um curió cantador
Trago da minha cidade
Tudo o que lá deixei
Dentro do bolso a saudade
E na mala o que sei

E eu sei tão pouco menina
Desse planeta azul
Sei por exemplo que o norte
Fica pros lados do sul
Sei que o Rio de Janeiro
Deságua em Turiaçú
Sei que você é pra mim
O que o ar é pro urubu

Te trago da minha terra
O que ela tem de melhor
Tigela de açaí
Bumba-meu-boi dançador
Trago da minha cidade
Tudo o que lá deixei
Numa das mãos a vontade
E na outra o que sonhei

E eu sonhei tanto menina
Londres, Estocolmo, Stambul
Sonhei New York, Caracas
Roma, Paris e Seul
Mas hoje o Rio de Janeiro
Ainda é Turiaçú
Só você pra mim já é
Leste, Oeste, Norte, Sul

Olha que delícia! Esse é o paraense Sebastião Tapajós, com a voz deliciosa do também paraense Nilson Chaves, com DE MINHA TERRA, composição de Nilson Chaves e Jamil Damous, uma festa musical deliciosa que eu aposto que você, se não for paraense, não conhecia...

Em 1927 o poeta Mário de Andrade, encantado com as belezas do Pará, escreveu a seguinte declaração em forma carta a Manuel Bandeira:

Por esse mundo de águas, junho, 27

Manu, (olha só: Manu é o Manuel Bandeira…)

Manu, estamos numa paradinha pra cortar canarana da margem pros bois de nossos jantares. Amanhã se chega em Manaus e não sei que mais coisas bonitas enxergarei por este mundo de águas. Porém me conquistar mesmo a ponto de ficar doendo no desejo, só Belém me conquistou assim. Meu único ideal de agora em diante é passar uns meses morando no Grande Hotel de Belém. O direito de sentar naquela terrace em frente das mangueiras tapando o teatro da Paz, sentar sem mais nada, chupitando um sorvete de cupuaçu, de açaí. Você que conhece mundo, conhece coisa milhor do que isso, Manu? […]

Me parece impossível. Olha que tenho visto bem coisas estupendas. Vi o Rio em todas as horas e lugares, vi a Tijuca e Santa Teresa de você, vi a queda da Serra para Santos, vi a tarde de sinoa em Ouro Preto e vejo agorinha mesmo a manhã mais linda do Amazonas. Nada disso que lembro com saudades e que me extasia sempre ver, nada desejo rever como uma precisão absoluta fatalizada do meu organismo inteirinho. […]

Belém eu desejo com dor, desejo como se deseja sexualmente, palavra. Não tenho medo de parecer anormal pra você, por isso que conto esta confissão esquisita mas verdadeira que faço de vida sexual e vida em Belém. Quero Belém como se quer um amor. É inconcebível o amor que Belém despertou em mim…

E como já falei, sentar de linho branco depois da chuva na terrace do Grande Hotel e tragar sorvete, sem vontade, só para agir.

Um abraço do Mário.”

Ah… quem nunca tomou sorvete em Belém do Pará depois da chuva, não sabe do que o Mário está falando. Olha só.

Quando ele retornou da sua expedição ao Amazonas, o que precedeu o lançamento de Macunaíma, Mário de Andrade escreve “O turista aprendiz” narrando tal expedição, suas descobertas e sua nova paixão: Belém.

E no site www.souparaense.com encontro a resposta para uma pergunta interessante: Existe um “ser paraense”, com características próprias, únicas e inconfundíveis? Vamos tentar responder.

Navio gaiola
Nilson Chaves

Virgem Credo Cruz
Ave Maria
Tá na hora da partida
Corre corre lá na rampa
Velho moço e criança
Minha namorada chora
Levo no olhar muita lembrança
Levo a dor levo esperança
A saudade me devora
Vendo o sol correr nas brenhas
E sair o navio Gaiola
No navio Gaiola
A tristeza mora
No fundo das redes
Balançando as horas
A preguiça espicha

A esperança encolhe
Na dança das águas
Vai o rio afora
Virgem Cruz Credo
Ave Maria
Valei-me Nossa Senhora
Meu Senhor dos Navegantes

Ao fundo você está ouvindo NAVIO GAIOLA, de novo com Nilson Chaves e Sebastião Tapajós.

Para o antropólogo Heraldo Maués, professor da Universidade Federal do Pará, a resposta é sim. De acordo com ele, em qualquer estado brasileiro, ou em qualquer parte do mundo, as pessoas têm uma identidade local. E da mesma forma se pode falar num brasileiro com determinadas características – ou num francês, inglês, etc. – pode-se, também, falar num paraense, gaúcho, carioca, etc., com características que lhe são peculiares e de acordo com as quais é possível estabelecer padrões para o grupo.

Quanto ao paraense, cumpre observar, em primeiro lugar, que ele é um brasileiro, com as características próprias desse povo. “Porém – ressalva Maués – há algumas especifidades que eu acho que podem definir esse ´ser´ paraense.” Entre elas, se destaca a forma característica de falar do nativo do Estado. E isto inclui não só a pronúncia de determinados fonemas como também inúmeras expressões vocabulares. “O paraense ainda fala ´talho´ para designar ´açougue´, uma forma de falar tipicamente portuguesa”, exemplifica. De acordo com Maués, o paraense é também muito caçoado pelos vizinhos maranhenses porque “chia” ao pronuncia determinadas palavras. “Nós dizemos ´tchio´, ´tchia´, e eles dizem ´tio´, ´tia´”, explica o professor.

Fora os detalhes linguísticos, há outros pormenores que caracterizam melhor esse “ser paraense”. São coisas ligadas à história do estado, à cultura, à culinária regional, etc. Um outro aspecto cultural que caracteriza o “ser paraense” é a gastronomia. Rica e diversificada, a culinária do estado apresenta marcantes influências das culturas indígenas, africana e portuguesa. “Temos aqui pratos típicos, como a maniçoba, o pato no tucupi, o tacacá… e outros que dividimos com outras cozinhas, como o vatapá, o caruru

A mandioca -herança da cultura indígena – está presente em quase todos os pratos regionais, a começar pelo tacacá, uma iguaria típica do Pará. No interior do estado, frequentemente se toma o açaí ao natural – o “vinho” do açaí, seu sumo -, misturado com farinha de mandioca (ali chamada de farinha d´água) ou com farinha de tapioca. Atualmente, o açaí é a fruta da moda, inclusive nos grandes centros urbanos de outras regiões do Brasil e do mundo, porém muitos costumam consumi-lo com açúcar, o que para o paraense tradicional configura uma tremenda heresia.

Outros aspecto fundamental na caracterização do “ser paraense” é sua mitologia, quase toda baseada na floresta e nos rios. Rica em simbolismos, a mítica paraense fala de incontáveis criaturas que povoam o imaginário popular, explicam eventos da natureza, justificam comportamentos e constroem uma bem elaborada cosmogonia. Da mesma forma, persiste a proverbial utilização da chuva como referência no ajuste de compromissos. Embora os ciclos da natureza não sejam mais tão regulares como antigamente, ainda é comum ao paraense marcar encontros e obrigações para “antes” ou “depois” da chuva…

Bem, eu poderia passar horas falando de minha experiência própria em Belém… Ah, aquele sorvete… não tem igual! E o almoço na Casa das Onze Janelas? Mas nada se iguala ao passeio pelo mercado Ver-O-Peso. A conversa com as vendedoras das ervas é fantástica… Vá no Youtube e digite VOCÊ ACREDITA EM MANDINGA?

(Fala da vendedora do mercado Ver-O-Peso)

Bom dia Belém
Edyr Proença
Adalcinda Camarão

Há muito que aqui no meu peito
Murmuram saudades azuis do teu céu
Respingos de ausência me acordam
Luando telhados que a chuva cantou
O que é que tens feito
Que estás tão faceira
Mais jovem que os jovens irmãos que deixei
Mais sábia que toda a ciência da terra
Mais terra, mais dona do amor que te dei

Onde anda meu povo, meu rio, meu peixe
Meu sol, minha rêde, meu tamba-tajá
A sesta o sossego da tarde descalça
O sono suado do amor que se dá
E o orvalho invisível na flôr se embrulhando
Com medo das asas do galo cantando
Um novo dia vai anunciando
Cantando e varando silêncios de lar

Me abraça apertado, que eu venho chegando
Sem sol e sem lua, sem rima e sem mar
Coberta de neve, lavada no pranto
Dos ventos que engolem cidades no ar
Procuro o meu barco de vela azulada
Que foi de panada sumindo sem dó
Procuro a lembrança da infância na grama
Dos campos tranquilos do meu Marajó

Belém minha terra, minha casa, meu chão
Meu sol de janeiro a janeiro a suar
Me beija, me abraça que quero matar
A doída saudade que quer me acabar
Sem círio da virgem, sem cheiro cheiroso
Sem a “chuva das duas ” que não pode faltar
Cochilo saudades na noite abanando
Teu leque de estrelas, Belém do Pará!

Ah…abraço sim. Você está ouvindo a paraense Lucinha Bastos, filha de Luciano Bastos, fundador da Banda Sayonara, de Belém. Lucinha é violonista e compositora, e acredite, celebra em 2014, 40 anos de carreira! A canção chama-se Bom dia, Belém, de Edyr Proença e Adalcinda Camarão que me deu uma baita vontade de caminhar por aquelas ruas arborizadas esperando pela chuvinha da tarde….

Muito bem, é assim então, com um sonoro BOM DIA, BELÉM, com Lucinha Bastos que vamos arrumando as malas por aqui. Cara, ficou faltando tanta coisa… me desculpe. O Pará não cabe em 25 minutos…

Ah, e pra você que estranhou o nome deste programa, PAI D´ÉGUA SUMANO, eu explico. Lá no Pará, Pai d’égua quer dizer muito bom, beleza, ótimo, excelente, legal! E Sumano: cumpadre, amigo, companheiro.

Café Brasil Pai D´égua Sumano então fica assim: Café Brasil Excelente, cumpadre!

Com o curioso pelas ervas do Ver-O-Peso Lalá Moreira na técnica, a embevecida Ciça Camargo na produção e eu, que ando doidin pra voltar a dar um rolê pelo Pará, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte João Fernando, obrigado pela dica, Sebastião Tapajós com Nilson Chaves, o grupo Mosaico de Ravenas e Lucinha Bastos.

E não esqueça que a Pellegrino, que dentre suas 21 filiais tem uma em Belém do Pará! A Pellegrino é uma das maiores distribuidoras de auto e moto peças do Brasil, que distribui também conhecimento sobre carreira e gestão. Acesse facebook.com/pellegrinodistribuidorae experimente.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

De onde veio este programinha tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha… www.portalcafebrasil.com.br.

E lembra do WhatSapp? Mande aí um arquivo, mas mande gravado, tá? É o 11 96789 8114. Vou repetir: 11 96789 8114.

Para terminar, uma frase da dona Coló que vai fazer você ir direto do mercado Ver-O-Peso.

Olha: o babado bom é aquele, aquela amarração que você faz pro amor, pra gente conseguir aquele amor que tá impossível, a gente conseguir pra gente.  Então, esse é um babado muito forte.