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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Este é um daqueles programas feitos para o nosso umbigo, com base em duas mensagens bem diferentes de nossos ouvintes com opiniões obre o Café Brasil. Complementa perfeitamente o programada semana anterior. Ouça e diga o que que você acha.

Posso entrar?

E como sempre, o podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que estão aí, olha, a um clique de distância. www.facebook.com/itaucultural e www.facebook.com/auditorioibirapuera.

E o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do apimentadíssimo kit DKT vai para….para…. o Antonio Anderson, que comentou o programa tocando em frente e que talvez não ouça este aqui. Ele disse assim:

“Amigo Luciano, és muito pretensioso em achar que sua opinião política é a mais racional e digna de quem tem um pensamento crítico. Saiba que existe o outro lado, não apenas composto por pessoas sem informação ou iludidas.

Fico muito triste em dizer que não lhe darei nem mais o mínimo crédito de abrir a sua página, pois, assisti todos os seus episódios até o número 428. Este foi uma declaração assinada de que não entende nem suporta quem pensa diferente de você, o que me parece uma contradição diante do que pregas.

Agora abordas este assunto com paixão e esquecestes da razão, não percebes como soa agressivo o que tentas impor a quem pensa diferente? Não contaminarei meus dispositivos eletrônicos com a tua voz, pois desviastes da cultura, do pensamento livre, da discussão de ideias para enveredar em uma campanha pessoal fundamentada em bases políticas que não pactuo.

Podes imaginar que ao não mais escutá-lo também estaria agindo com paixão, mas, entenda que, ao baixar um podcast tenho o interesse de crescer como pessoa, escutar coisas novas, não ficar ouvindo os mesmos argumentos políticos, para os quais, tenho contra argumentos fundamentados. Acho que você, Luciano está pensando que o que fala é novidade para todos e que não temos nenhuma informação ou argumento. Lhe digo que não. Por isso, não vou mais perder meu tempo! Assim como você mesmo disse no podcast 428, precisamos fazer uma faxina, estou fazendo a minha.

Grande abraço, desejo-lhe muita humildade e lucidez.

Muito bem. Quando entrou esse comentário do Antonio, eu recomendei  que ele ouvisse o programa 429, que eu fiz junto com  a Ciça, que é minha amiga mas é petista. Ele ouviu e mandou um comentário, dessa vez pelo Whatsapp:

Amigo Luciano, foi interessante escutar o programa 429, encontrei algo que realmente estava acontecendo comigo, porém, muitas coisas não se enquadram a minha situação.

Não fiz inimizades nas eleições, não tenho intenção de nutrir qualquer tipo de sentimento de raiva contra você ou qualquer outra pessoa por simplesmente propagarem posicionamentos políticos diferentes do meu.

O que realmente aconteceu comigo foi uma PROGRESSIVA intolerância ao seu programa diante do aspecto político expressado, ora de forma pontual, mas, no programa 428 de forma mais incisiva e repetida. Nesse sentido, encontrei algo comum ao que sinto na sua resposta do programa 429, quando no podcast “comentadores” foi citado que existe essa possibilidade, de progressivamente sentirmos que determinado podcast não mais se aproximam do que esperamos. Nesse sentido, usando as suas próprias palavras, já havia comentado o programa 413, onde relembrei que é  interessante retirar a “gordura” da picanha e aproveitar a carne, que se configura como o conhecimento de interesse.

Mas, Luciano, vamos fazer uma reflexão  muito simples, se a gordura (informação de baixo interesse) incomoda, imagine frequentar o restaurante todas as semanas onde existe muito mais gordura do que carne na picanha? Retornaria toda semana?

Adorei o seu fechamento do podcast 429 “Rezo diariamente para receber comentários de gente que pensa diferente de mim, com argumentos sólidos que me façam repensar minhas crenças e valores.” Desta forma, não cabe aqui argumentar sobre política, não vou mudar sua opinião, nem você vai mudar a minha, mas, vamos fazer alguns exercícios do pensar diferente:

Primeiro:  Se ao invés da Ciça trabalhar para você, você trabalhasse para a Ciça e o PT? Qual seria o seu grau de tolerância? Como desempenharia seu papel de componente de uma equipe técnica ao elaborar um produto para o seu chefe que vai de encontro a suas convicções políticas? Percebi a nobreza da Ciça, no entanto, me desculpe amigo, é triste dizer, nesse sentido ainda não demonstrastes verdadeiramente a sua nobreza.

Segundo: Outra troca, se eu fosse Luciano e fizesse o mesmo programa Café Brasil com temática cultural, mas de grande e repetido arcabouço político petista, continuaria a baixar todas as semanas?

Abraço amigo! E se um dia estiver na Bahia, pode ter certeza que será bem tratado por um amigo petista que gosta de picanha com pouca gordura!

É. Pois é cara! Se eu fosse num restaurante e me oferecessem mais gordura do que carne, eu cairia fora. Mas, eu já discuti esse assunto com a Ciça e até vou chamar. Ciça, volta aqui.

(papo com a Ciça)

Exatamente igual. É isso que eu faria. Enquanto for opinião dos outros, eu quero mais é que venham diferentes da minha e que com isso a gente possa crescer. O dia que eu notar que virou militância, eu caio fora.

Antonio. Se você quiser receber o livro e o kit DKT, assim como um presente de despedida, mande um e-mail com o seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

Muito bem. O Antonio ganhou um kit de produtos DKT com a marca Prudence! Ele é quem decidirá se quer ou não receber. Você sabe que os produtos Prudence são a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil, distribuídos pela DKT. E ao adquirir um produto PRUDENCE você estará apoiando diversas iniciativas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis de e motivação ao planejamento familiar! Acesse www.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

Você já sabe, né: na hora do amor, use PRUDENCE.

Pois então. Na mesma semana em que recebo a mensagem do Antonio Anderson, chega pelo correio um grande envelope amarelo. E dentro dele uma surpresa. Uma carta, com oito páginas, escrita à mão! Coisa que  eu não recebia acho que há uns 20 anos… Era o Ronald Sá, lá de Cascavel, no Paraná. E é essa carta que comporá o corpo do programa de hoje. Vamos a ela.

Ao fundo você está ouvindo o clássico TAKE FIVE, de Paul Desmond, na interpretação do Quinteto Sopro Novo, que faz parte de um projeto de investimento cultural maravilhoso da Yamaha Musical do Brasil. Conheça mais visitando br.yamaha.com  e clicando em Educação Musical.

A carta começa com um título curioso: Serendipidade.

Essa palavra tem sua origem em “Os três Príncipes de Serendipe” um conto árabe que traz a história de três príncipes que, quando viajavam, faziam por acidente, descobertas de coisas agradáveis que não estavam procurando. Serendipe é o antigo nome do Ceilão, que hoje se chama Sri Lanka.

Em 1754, o historiador inglês Horace Walpole criou a palavra”serendipity”, que em português ficou sendo “serendipismo” ou “serendipidade”, para significar a descoberta de coisas valiosas ou aprazíveis que nós não procurávamos, ou seja, a descoberta afortunada e inesperada por acaso.

Mas a explicação não é assim tão simples. Sendipidade não é apenas o acaso, mas, como sempre defino para a palavra “sorte”, é a combinação de preparo com oportunidade. Um dos exemplos mais usados para explicar o que é serendipidade é a história de Alexander Fleming, que enquanto trabalhava numa experiência, observou algo totalmente diverso do que pesquisava, que culminou com a descoberta da penicilina.

Ouça a carta do Ronald e você entenderá qual foi a serendipidade que ele usou no título:

“Caro Luciano.

Já faz um certo tempo que venho adiando esse contato com você. De todas as desculpas que invento e reinvento todos os dias, recaio sempre, reiteradas vezes, na única, convincente e verdadeira: de um jeito elegante, eu diria: COMODISMO, no popular, PREGUIÇA, mesmo (risos).

Refletindo de um modo poético,  a la Rubem Alves, gosto de pensar que foi o “Café Brasil” que me encontrou, e não o contrário. Sabe aquele velho clichê de que certos livros é que nos escolhem, e não nós a eles? Pois é, comigo também foi assim. Explico. Eu procurava, despretensiosamente, algum aplicativo que me remetesse ao “Café Filosófico”, onde eu já havia visualizado alguns vídeos. Mas, por obra desses felizes acasos ou coincidências, a ordem alfabética do mecanismo de buscas me levou para outro caminho: o da estrada de tijolos amarelos. Que prazerosa descoberta, Luciano!  E olha que nem faz tanto tempo assim. Talvez uns  dois anos, no máximo, entre idas e vindas.

Às vezes sobrevivo várias semanas sem essa ração semanal de informação, discussão, entretenimento cultura e, por que não dizer, de uma boa e necessária dose de sóbrio e lúcido otimismo nesse nosso brasilzão tão maltratado pela nossa classe política e também, façamos “mea culpa”, por nós mesmos, cidadãos comuns.

Acompanho sua batalha épica contra o emburrecimento nacional desde um pouco antes do “Café Brasil”, eu suspeito. Foi quando adquiri, ou ganhei, nem lembro mais, seu livro “Brasileiros Pocotó”. Hoje, folheando meu exemplar, que repousa confortavelmente na prateleira dos meus livros favoritos, com suas páginas “quase amareladas” (existe isso?) pelo tempo, e os textos, boa parte deles, grifados com o que antes fora amarelo e que adquiriu uma coloração bastante desbotada, revelando o leitor que outrora eu fui. Hoje, então, como eu dizia, percebo, quase estupefato, a dimensão e a grandeza de seu trabalho, Luciano.

Esse tal “Café Brasil” tem ressonâncias magníficas! Isso ainda vai dar o que falar e gerar frutos nos terrenos mais inesperados!

Por conta dessas e de outras razões inúmeras, não vou comentar um programa em particular, seria injustiça com todos os outros;

* não vou elogiar a escolha, nem tampouco a abordagem dos temas, sempre pertinentes com as discussões atuais;

* não irei te parabenizar, Luciano, por democratizar as opiniões dos teus ouvintes, tanto os que elogiam, quanto os que criticam o teu trabalho, ambos tratados com a mesma seriedade e respeito;

* não vou, muito menos, elogiar o conteúdo musical, que além de me iniciar em artistas e trabalhos nacionais que eu nem sabia que existiam, atualiza-me nos artistas conhecidos e seus trabalhos fora do circuito comercial da grande mídia. Conhecer a versão em chorinho dos Beatles foi, como você costuma dizer, uma descoberta deliciosa! (Às vezes, você é tão chato, cara, que chega à desfaçatez de fazer um mesmo programa em duas versões, uma com as sempre bem-vindas músicas ao fundo, e a outra, uma reza chata e sem alegria, sem música alguma, apenas para atender o (mau, cá entre nós) gosto duvidoso de um ouvinte. Francamente!

* desculpe, mas também recuso-me a te agradecer pela transparência e boa vontade, e haja disposição para isso, de disponibilizar o roteiro completo de todos os programas, além do download na íntegra. Qual é a tua, hein?

*e, pra finalizar, recuso-me a reconhecer que o “Café Brasil” é um excelente e inteligente receituário no combate à burrice, à estupidez, à tristeza, à solidão e ao tédio nosso de cada dia. Será o “Emplasto Brás Cubas” da modernidade?

Meu querido Luciano, é por estas e inúmeras outras razões que não expus, que me proponho a te homenagear de maneira inusitada, em três atos.

ATO 1 – “Mea culpa”

Apesar de ser prático e rápido, e de facilitar a comunicação tanto para você, quanto para o ouvinte, eu reconheço, confesso, ter uma certa resistência ao uso do “whatsapp” no corpo do programa.

Fazer o quê, se eu gosto mesmo é da boa e velha seção “carta aos leitores”, hein?

E é exatamente por essa tola e arcaica nostalgia que fiz este texto manuscrito, como as boas e velhas cartas do passado, que traziam, sem saber, as marcas quase físicas do outro, impregnadas no papel: os traços pessoais da letra, um rabisco ou uma mancha de café ou de água, sugerindo interpretações diversas.

Sinceramente? Nostalgias não são tolas, são apenas poéticas

ATO 2 – “Seu papel de presente”

Ontem choveu a manhã inteira em Cascavel. Saí de casa para almoçar no mesmo local de sempre, um pouco mais cedo: às 11. Na minha cabeça a ideia fixa, “passar antes na livraria para comprar um presente para um amigo”. Foi esse o sentimento. “Vai embrulhar pra presente?”, pergunta a vendedora. “Não, ainda tenho quer fazer a dedicatória, respondo.

Havia apenas 3 exemplares. Nenhuma surpresa para a única livraria, localizada no shopping de uma cidade do interior.

No deslocamento até o carro, o livro protegido embaixo da camisa, como se a sacola de plástico não fosse suficiente para salvá-lo da chuva, dos respingos finais da chuva.

Ei-lo, Luciano. Agora está em suas mãos, para gerar reflexão e inquietação. Como você faz conosco a cada7 dias.

Espero que ainda não o tenha citado em programas anteriores.

Pausa. Olha só: dentro do envelope em que veio a carta, estava um exemplar do livro “Um país sem excelências e mordomias”. de Claudia Wallin, que trata da Suécia, onde os políticos ganham pouco, andam de ônibus e bicicleta, cozinham sua comida, lavam e passam suas roupas e são tratados como “você”. Parece o Brasil, né?

No livro, a dedicatória do Ronald: “Para Luciano Pires, que trabalha incansável e insistentemente contra o emburrecimento nacional e brasileiro. Receba este livro com  imensa admiração e inestimável carinho. Use-o sem Moderação.”

Muito obrigado Ronald! Você ganhou um exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA  e o Kit DKT, tá sabendo né! É uma forma de singela da gente dizer “muito obrigado”.

Ah, aqui ao fundo ouvimos O PRESENTE DO VELHO, de Juvenal Dal Castel.

ATO 3 – “O poeta”

Não consigo eleger um livro ou um autor, em particular. Seria, a meu ver, ingratidão com todos os outros, autores ou textos, que numa dada circunstância de nossa vida nos foram tão caros.

Mesmo assim, vou cometer esse sacrilégio.

Finalizo minha homenagem e gratidão a você, citando o último parágrafo do capítulo “O pampa salitreiro”, de um de meus livros mais amados e que, acredite ou não, ainda não terminei de ler porque não quero chegar ao fim. Não quero que termine. É o livro do Neruda, “Confesso que vivi>”

Querido, receba meu agradecimento, e todo o meu respeito, pelo seu trabalho e sua iniciativa de fazer desse país uma nação de gente que pensa de maneira crítica e inteligente.

Grande abraço, Luciano.

Deste seu fiel admirador, Ronald Sá.

Cascavel, 05 de novembro de 2014.”

E então vêm as duas últimas páginas manuscritas, com o trecho do livro de Pablo Neruda

ao som de TROCANDO EM MIÚDOS de Chico Buarque e Francis Hime com o Zimbo Trio:

“Coube-me sofrer e lutar, amar e cantar; couberam-me na partilha do mundo o triunfo e a derrota, provei o gosto do pão e o do sangue. Que mais quer um poeta? E todas as alternativas, desde o pranto até aos beijos, desde a solidão até ao povo, perduram na minha poesia, atuam nela porque vivi para a minha poesia e a minha poesia sustentou as minhas lutas. E se muitos prêmios alcancei, prêmios fugazes como mariposas de pólen fugitivo, alcancei um prêmio maior, um prêmio que muitos desdenham mas que é na realidade inatingível para muitos. Cheguei através de uma dura lição de estética e de busca, através dos labirintos da palavra escrita, a ser poeta do meu povo. O meu prêmio é esse, não os livros e os poemas traduzidos ou os livros escritos para descrever ou dissecar as minhas palavras. O meu prêmio é esse momento grave de minha vida quando no fundo da mina de carvão de Lota, sob o sol a pino da salitreira abrasada, do socavão a pique subiu um homem como se ascendesse do inferno, com a cara transformada pelo trabalho terrível, com os olhos avermelhados pelo pó e, estendendo-me a mão calejada, essa mão que leva o mapa do pampa nas suas calosidades e nas suas rugas, disse-me com olhos brilhantes: “Conhecia-te há muito tempo, irmão.” Esse é o laurel da minha poesia, o agulheiro no pampa terrível, de onde sai um trabalhador a quem o vento e a noite e as estrelas do Chile têm dito muitas vezes: “Não estás só; há um poeta que pensa no teu sofrimento.”

Putz…que paulada… Vou me apossar do Neruda. Eu posso? Você que ouve o Café Brasil, tenha certeza:  Não estás só! Há um poeta aqui que pensa no teu sofrimento…

Compreendeu o que é serendipidade? Serendipidade é mais que oportunidade, coincidência, sorte ou providência. No caso do Ronald, ele procurava, despretensiosamente, algum aplicativo que o remetesse ao “Café Filosófico”… e chegou ao Café Brasil. Entendeu? Ele não estava sentado em frente à televisão ou andando pelo shopping, não estava passivamente pensando “que bom seria…”. Ele estava proativamente num processo de busca de alimento intelectual. E bingo! Chegou ao Café Brasil, como se fosse o Chaves, lembra?

– Sem querer, querendo…

Para o Antonio Anderson, deixo este presente:

Trocando em miúdos
Chico Buarque

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu

Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar

Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter

Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel

Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde

Muito bem, é assim então, ao som de TROCANDO EM MIÚDOS, com Francis Hime, que este programa vai saindo de mansinho.

Olha: se você pensou que eu só fiz esse programa pra dizer que tem alguém elogiando o Café Brasil, você está muito enganado. Isso aqui foi muito mais que um elogio. Pouca gente conseguiria escrever oito páginas à mão, num português perfeito como o Ronald Sá Nascimento. O Ronald é servidor público, ele é agente penitenciário, cara, agente penitenciário. Lida com gente presa e tem essa sensibilidade. Ah! É uma homenagem tocante, como poucas vezes eu recebi e por isso eu achei que merecia o programa. Demonstra que a gente está, de alguma forma, acertando no coração de algumas pessoas.

Com o emocionado Lalá Moreira na técnica, a encantada Ciça Camargo na produção e eu, que aceito o maravilhoso presente do Ronald, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ex-ouvinte Antonio Anderson, o ouvinte Ronald Sá, Quinteto Sopro Novo, Juvenal Dal Castel, Zimbo Trio e Francis Hime.

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Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha, no novo www.portalcafebrasil.com.br.

E agora tem WhatSapp pra comentar!!! É o 11 96789 8114. Vou repetir: 11 96789 8114. Tecle aí! E não esqueça de colocar seu nome e de onde você é. Senão no whatSapp você fica apenas um número de telefone. Ou então faça melhor: mande uma mensagem gravada com a sua voz

Para terminar, uma frase da roteirista norte americana Katori Hall:

A serendipidade sempre premia quem está preparado.