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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Sempre que um ano começa, fazemos nossos planos, nossas faxinas, renovamos nossos compromissos e deixamos muita coisa para trás. Mas às vezes, algumas dessas coisas ficam para trás independente de nossa vontade. Como quando pessoas que amamos se vão. E daí, hein? Vamos começar o ano com uma reflexão sobre a importância de nosso legado?

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que continuam aí, a um clique de distância. www.facebook.com/itaucultural e www.facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem ganhou o exemplar do meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do Kit DKT foi o Robby Ladislau Malvão, que comentou assim o programa O ÚLTIMO DIA.

“Luciano, Bom dia boa tarde and boa noite. Meu nome é Robby e moro numa pequena cidade no interior de São Paulo chamada Biritiba Mirim. Faço faculdade de engenharia mecânica e a escrita nunca foi o meu forte, mas cá estou arriscando este comentário. Escutei o post de n°401 sobre a produtividade, e em seguida por coincidência escutei o post nº422 sobre o último dia. E através de seu podcast pude perceber o como a vida é “simples”. Se você é feliz com a sua vida, ou com o que faz, consequentemente será produtivo. Mas acredito que o problema para que as pessoas possam “viver” realmente a vida é a insegurança e a preguiça. O medo de se algo dará certo ou não acaba sendo maior do que a sua própria vontade de conseguir algo tão desejado.

Conheço inúmeras pessoas que deixam esses problemas barrarem a sua vida. E assim continuam naquela mesma rotina medíocre e sem graça. Confesso que eu era desse tipo de gente também, mas esses seus posts me abriram mais ainda os olhos e me deram um certo ânimo para correr atrás dessa mudança. E sou obrigado a parabeniza-lo, porque colocar a palestra do professor Clóvis no seu podcast do ultimo dia foi tacada de gênio. Parabéns pelos podcasts e por favor, continue sempre com esse seu belo trabalho de fazer outras pessoas abrirem mais ainda os olhos, assim como eu.”

Que legal Robby, eu acho que é por aí mesmo, “o medo de se algo dará certo ou não acaba sendo maior do que a sua própria vontade de conseguir algo tão desejado.” Fica mais seguro permanecer na zona da indiferença, não é? E assim perdemos a chance de impactar na vida de outras pessoas…

Muito bem. O Robby vai receber em casa um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Se você não sabia, PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para combater as doenças sexualmente transmissíveis e também contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. Acesse www.facebook.com/dktbrasil e conheça mais a respeito.

Como é mesmo, hein?

Na hora do amor, use Prudence.

E a Nakata, hein? De volta ao Café Brasil! Se você não sabe, a Nakata é marca pioneira na fabricação de amortecedores pressurizados no Brasil. A turma mais experiente lembra da tradicional linha HG. E com garantia de 2 anos ou 50 mil km para você rodar tranquilo, os produtos Nakata são a escolha certa. E no canal da Nakata no YouTube você tem dicas de manutenção e videocasts com dicas sobre gestão, apresentadas por mim!

Siga youtube.com/componentesnakata

https://www.youtube.com/user/ComponentesNakata

Com Nakata tudo fica mais azul.

Todo final de ano reviso minha agenda telefônica para eliminar os contatos que não têm mais relevância. Antes uma cadernetinha de endereços, hoje é o meu iPhone que vou revisando, em ordem alfabética, cada contato. É sempre uma surpresa. Quantos contatos nem me lembro quem são! Pessoas com as quais estive durante a realização de palestras, gente do operacional, o motorista de táxi que me pegaria no dia seguinte, o técnico que cuidaria do som, pessoas que cruzaram minha vida e que possivelmente jamais vou reencontrar. Esses eu apago.

Também gente que contatei para buscar informações específicas e que dificilmente voltarei a ver. Também apago.

Aí tem um grupo que me deixa, como a gente dizia em Bauru, encafifado: o nome está lá, com sobrenome e tudo, mas não tenho a menor ideia de quem seja. Bem, se eu não sei quem é, é dispensável. Eu apago.

E então chega a categoria que sempre me abala, a dos que faleceram no ano que termina.

Logo na letra “A” encontro meu tio Alcides, irmão mais velho de minha mãe, falecido recentemente. Fico na dúvida… Apago ou não apago? Afinal, para quê um número que tem praticidade inútil, a não ser provocar lembranças de um ente querido? Hummmm. Mas eu tinha tanto carinho pelo tio Alcides… Eu decido não apagar. O tio fica.

Passo pelo “B” sem problemas e no “C” encontro o Chiquinho, um daqueles amigos que são como irmãos e que se foi já há 3 ou 4 anos, deixando um vazio impossível de ser preenchido. Nunca tive coragem de apagar o contato e não será agora. O Chico fica.

Passo pelo “D”,“E”,“F”,“G”,“H”,“I”,“J” e “K”, aliviado… e no “L” encontro minha prima Lila, filha do meu tio Alcides, que faleceu poucas semanas depois do pai. E vem uma enxurrada de lembranças da infância. Mantínhamos pouco contato, mas sempre afetuoso. A Lila fica.

Sigo em frente, ressabiado. Passo pelo “M”,“N”,”O”,“P” e “Q” e fico feliz. Tá todo mundo vivo. Mas quando chego ao “R”, encontro Rubem Alves, o mestre que se foi em 2014. Mantive com ele poucos contatos pessoais, uma tarde agradável de bate papo em sua casa em Campinas, troca de emails de quando em quando, mas seus livros sempre foram um alimento para minha mente e alma. Era um grande companheiro e mentor cujo contato, com certeza, jamais apagarei. O Rubem fica.

Chego ao fim da lista sabendo que quatro dos contatos nunca atenderão a uma ligação e nem responderão a uma mensagem. Até 2013 era só o Chiquinho. 2014… Que ano…

Recosto-me na cadeira para refletir. E me lembro do filósofo Sêneca que uma vez escreveu:

“Feliz o homem capaz de ter por alguém tanto respeito que a simples lembrança do modelo basta para lhe dar ordem e harmonia espiritual.”

Ordem e harmonia espiritual. Com um tantinho de saudades. É isso que a revisão de minha lista de contatos me dá.

Matéria Estelar
Daniel Galli

Se eu sou feito de matéria estelar
Terão as estrelas vontade de chorar?
Com tanto vazio no espaço, tanta solidão em órbita
Só de pensar, já…

Se eu sou feito de matéria estelar
Pode uma estrela cadente espirrar?
Zilhões de detritos e meteoritos, poeira cósmica…
Só de pensar, já… a… a… a… atchim! Tim tim tim…

Tim tim tim tim tim tim…

Se eu sou feito de matéria estelar
Será que uma ursa maior pode se espreguiçar?
Tem dias que a gente abre o olho mas inda não tá pronto pra acordar
E a gente fica… ah… ah… ah… ah… ahãinnnin

Se eu sou feito de matéria estelar
Quem sabe eu descubra um jeito de brilhar
E ao me ver brilhando, seus olhos, piscando, piscando sem parar
Se identifiquem, tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim…

Tim tim tim tim tim tim…

Já que eu sou feito de matéria estelar
Eu morro mas deixo uma luz pra viajar
Meus netos, bisnetos e tataranetos a me ressuscitar
No ano novo, tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim tim…

Ah, que delícia…. esse é um aperitivo da Rhaissa Bittar com MATÉRIA ESTELAR, música de Daniel Galli que está no excelente novo CD da Rhaíssa. Aguarde...

Sobre essa questão das perdas, da morte, do morrer, vou aproveitar que citei o mestre Rubem Alves para trazê-lo de volta ao programa. Seu texto chama-se Sobre a morte e o morrer.

Ao fundo você ouvirá ÁRIA PARA SE MORRER DE AMOR, com Baden Powell.

Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: “Morrer, que me importa? (…) O diabo é deixar de viver.” A vida é tão boa! Não quero ir embora…

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: “Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?”. Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: “Não chore, que eu vou te abraçar…” Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: “E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega… O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias… Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto…”

Dª Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. “Minha filha, sei que minha hora está chegando… Mas, que pena! A vida é tão boa…”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: “O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?”. O médico olhou-o com olhar severo e disse: “O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?”.

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que frequentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama – de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a “reverência pela vida” é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados “recursos heróicos” para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da “reverência pela vida”. Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: “Liberta-me”.

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: “Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei…”. Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.

pietá

Olha que legal…essa é a grande pianista Clara Sverner interpretando DAY-BREAK AINDA NÃO MORREU,  de Chiquinha Gonzaga…

Pois é… morrer…deixar de existir… inevitável neste momento pensar no legado que vou deixar. Quem escreveu muito bem sobre isso foi o biólogo e escritor britânico Richard Dawkins. Ouça só:

Quando morremos, existem duas coisas que podemos deixar depois de nós: genes e memes. Nós fomos construídos como maquinas de genes, criados para passar adiante nossos genes. Mas esse aspecto nosso estará esquecido em três gerações. O seu filho, ou mesmo o seu neto, pode apresentar alguma semelhança com você, em traços faciais talvez, no talento para a música, na cor dos cabelos. Mas, a cada geração que passa, a contribuição dos seus genes é cortada pela metade. Não demora muito até que chegue a proporções negligenciáveis […] Mas, se você contribuir para a cultura mundial, se tiver uma boa ideia, compuser uma melodia, inventar um artefato tecnológico, escrever um poema, isso poderá prosseguir vivendo, incólume, até muito tempo depois que seus genes tiverem se dissolvido no reservatório comum. Sócrates pode ou não ter ainda um ou dois genes hoje ainda vivos no mundo, mas quem se importa?  Os feixes de memes de Sócrates, Leonardo, Copérnico e Marconi continuam vigorosamente ativos.”

Pois é… Aí você para e pensa…mas eu aqui, este pobre e insignificante coitado…o que posso fazer para impactar no mundo?

Vamos com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer?

Dois caminhos conduzem à fama alcançada pela realização de feitos extraordinários: ações e obras. Um grande coração é a qualificação especial para o caminho das ações, e uma grande mente, para o das obras. Cada um dos caminhos tem suas vantagens e deficiências e a principal diferença entre eles é que as ações passam enquanto as obras permanecem. Das ações permanece apenas a memória, que se torna cada vez mais tíbia, distorcida e insignificante e que deve gradualmente desaparecer, a não ser que a história a retome e transmita à posteridade em estado petrificado. As obras, por outro lado, são em si mesmas imortais e, especialmente as escritas, podem atravessar os tempos. A mais nobre ação possui uma influência apenas temporária, ao passo que a obra de um gênio vive e tem efeito benéfico e edificante por todo o tempo. De Alexandre, o Grande, apenas o nome e a memória vivem, ao passo que Platão e Aristóteles, Homero e Horácio, ainda existem em si mesmos, ainda vivem e exercem um efeito imediato.

Viu só, hein? Que belíssimas as provocações de Dawkins e Schopenhauer?

Os genes que se dissiparão ou os memes que permanecerão… As ações que serão esquecidas ou as obras que se eternizarão… E você? Vai deixar o quê?

Putz…que pergunta…

Fica então o recado: primeiro pense como será quando chegar sua hora e trabalhe para que seja suave…. depois pense nas listas que seus amigos têm. Quando você se for e eles atualizarem a lista, seu nome será apagado ou ficará lá? E se ficar, ficará por quê? Pelos genes ou pelos memes? Pelas ações ou pela obra?

Mala de lembranças
Gedeão da Viola
Sidney

Nesta grande mala feita de madeira
Cheirando poeira que vem do sertão
Eu abro e lhe mostro, meu bom camarada
São coisas guardadas de um velho peão.

Por cima o berrante, bocal de platina
E a velha de crina do meu alazão
Em cada objeto que eu olho e repasso
Reside um pedaço desta profisssão

De cara se encontram as botas sem solas
E numa sacola meu velho gibão
As dobras da calça nos cantos rasgados
Onde estão guardados com a chuma e picão

Herança trazida das ………..
E junto à carcaça de um velho lampião
Um vidro vazio perdeu-se por certo
Do imenso deserto de um bravo sertão

E é assim então, ao som de MALA DE LEMBRANÇAS de Gedeão da Viola e Sidney, com Gedeão e João Pedro que vamos saindo de mansinho…

Com o introspectivo Lalá Moreira na técnica, a encucada Ciça Camargo na produção e eu, que a cada dia boto mais uma pedrinha na minha obra, os meus memes, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Robby Ladislau Malvão, Rubem Alves, Arthur Schopenhauer, Richard Dawkins, Rhaissa Bittar, Clara Sverner, Baden Powell e Gedeão da Viola com João Pedro.

E sabe quem pode ajudar intensamente na construção de sua obra? A Pellegrino, que além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua páginano facebook.com/pellegrinodistribuidora.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha… www.portalcafebrasil.com.br.

E mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96789 8114. Repetiindo: 11 96789 8114. sem esquecer de dizer o seu nome e de onde fala.

E se você ainda não tem o Viber, baixe aí para seu celular e acompanhe nosso grupo, Podcast Café Brasil. Ainda está começando, mas lá vamos ter informações legais, bastidores e coisas muito boas acontecendo.

Para terminar, vamos mais uma vez com Arthur Schopenhauer:

Não há consolo mais refinado na velhice do que a sensação de ter concentrado toda a força de nossa juventude em obras que jamais envelhecerão.