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Café Brasil 439 – O limite da liberdade 1

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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. E aí, liberdade de expressão tem limite? E que limite é esse, hein? Aliás, quem determina o limite? Vamos hoje dar uma primeira voltinha por esse terreno pantanoooosssooooo….

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, olha,  a um clique de distância facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera

E quem ganhou o exemplar de meu livro NÓIS… QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do kit DKT foi o Ricardo Feijó, que comentou assim o programa CRÔNICA PARA CHARLIE HEBDO:

Luciano Pires. Meu nome é Ricardo Feijó. eu queria fazer um comentário sobre o ataque ao jornal dos cartunistas na França. Primeiro eu queria fazer uma correção que você iniccia o programa falando que foram três terroristas que atacaram os cartunistas e na verdade, foram dois. Eu acho que o terceiro que você está querendo colocar aí no ataque é o que invadiu o supermercado depois de alguns dias.

A minha opinião é… eu queria… apesar de ser ateu, eu estou de acordo com o que falou o papa Francisco essa semana, acredito eu, falando que a liberdade de expressão ou de imprensa também tem que respeitar as pessoas e eu acho que o credo de cada um. Eu acho que a liberdade e a libertinagem também não pode… não dá o direito tanto dos terroristas de ter matado as pessoas como …. eu acho também que eles tinham que ter um pouco de respeito pela religião de cada um. Somente isso. Um abraço e bom programa”.

Boa, Ricardo. Primeiro a questão dos três terroristas… o problema foi que escrevi o programa poucas horas após o ataque e gravei logo em seguida. Por alguma razão as primeiras informações falavam de três terroristas e acabou ficando por isso mesmo.

Em segundo, você manifesta uma opinião parecida com a de muita gente. Vamos tratar dela no programa de hoje, tá bem?.

Muito bem. O Ricardo ganhou um kit de produtos DKT com a marca Prudence! A DKT, você já sabe né,  distribui a mais completa linha de preservativos e géis lubrificantes do Brasil e também apoia diversas iniciativas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis. E também ao planejamento familiar! Qundo você compra um produto Prudence está ajudando esse processo. Olha só e a DKT agora está dando uma repaginada em sua página no facebook.com/dktbrasil. Você PRECISA ir lá visitar…

Então vamos lá, hein? Na hora do amor, use PRUDENCE.

E lembro também que a Nakata é a marca pioneira na fabricação de amortecedores pressurizados no Brasil, com a tradicional linha HG, lembra? É… vem aí umas ações legais para relançamento daquela linha HG. Os amortecedores Nakata oferecem 2 anos ou 50 mil km de garantia para você rodar tranquilo. E no canal da Nakata no YouTube você tem dicas de manutenção e videocasts exclusivos, sabe com quem?  Comigo!

Siga: youtube.com/componentesnakata.

Com nakata, tudo fica mais azul.

(04:46)

Então… o Ricardo e o Papa não estão sozinhos em sua opinião. Recebi e li pela internet centenas de comentários parecidos com o deles. Praticamente todos começando assim: “Sou totalmente a favor da liberdade de expressão, mas…”. “Condeno veementemente os terroristas pelo ato absurdo, mas…” Esse “mas” é um problema. Ele está sendo usado por todo tipo de gente, eu acredito que a maioria gente bem intencionada como o Ricardo, mas… Tem uns aí que estão usando o “mas” como Conjunção Coordenativa Escusativa.

Você está ouvindo aí ao fundo BOM DIA TRISTEZA, de Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes com o Duofel…

Pois é. Eu ando cismado com o “mas”, aquela conjunção coordenativa adversativa que liga duas orações ou palavras e expressa a ideia de contraste, de diferença. Preste atenção neste exemplo:

Fernando Henque Cardoso saneou o sistema bancário, corrigindo problemas históricos que impediam o desenvolvimento do Brasil e Lula ampliou políticas sociais que fizeram com que o país evoluísse ao longo da primeira década do milênio.

Agora de novo, com uma pequena mudança:

FHC saneou o sistema bancário, corrigindo problemas históricos que impediam o desenvolvimento do Brasil mas Lula ampliou políticas sociais que fizeram com que o país evoluísse ao longo da primeira década do milênio.

Notou a diferença? No primeiro enunciado, FHC fez isto e Lula fez aquilo, um “e” significa que FHC e Lula estão juntos no trabalho de desenvolvimento do país. No segundo enunciado, FHC fez isto, mas Lula fez aquilo, Lula é o único responsável pela evolução do Brasil.

A diferença entre os dois enunciados é a troca do “e” pelo “mas”. Que faz TODA a diferença. Outro exemplo:

O brasileiro Neymar é o mais habilidoso jogador de futebol do mundo e o argentino Messi é o que mais faz gols. Opa! Quero os dois no meu time!

De novo, com aquela pequena mudança:

O brasileiro Neymar é o mais habilidoso jogador de futebol do mundo, mas o argentino Messi é o que mais faz gols. Humm… Prefiro o Messi no meu time.

Você viu o tamanho da diferença entre o “e” e o “mas”?

Eu tinha um colega de trabalho que respondia a todos os argumentos que ouvia com um “Sim, mas….”. Era irritante, ele nem precisava continuar, todos sabiam que o sim era apenas uma forma de atenuar a discordância anunciada pelo “mas”. Mas o “mas” como oposto, como contraste, a gente conhece de sobra. O problema é que nestes tempos de pandemia de mentiras, do politicamente correto, da militância ideológica, o “mas” vem ganhando outras dimensões. Passou a ser aquilo que chamo de Conjunção Coordenativa Escusativa.

De novo: Conjunção Coordenativa Escusativa. O escusativa vem de escusa, desculpa.

Os mensaleiros meteram a mão no dinheiro público, mas foi por uma boa causa.

O MST invadiu e destruiu a fazenda, mas aquelas terras são consideradas improdutivas.

A corrupção no governo da Dilma é imensa, mas no governo de FHC também era.

Atenção agora: Sou totalmente contra o ataque dos terroristas aos cartunistas franceses, mas eles fizeram piadas zombando da fé dos caras…

Entendeu, hein? O “mas” como Conjunção Coordenativa Escusativa prepara a escusa, a desculpa. Transfere responsabilidades para a vítima, justifica desmandos, atenua consequências e torna normal e aceitável aquilo que deveria ser rechaçado por imoral, ilegal e desonesto. E então temos o “roubou, mas quem não roubou antes, hein?”. “A boate pegou fogo, mas os que morreram sabiam que era um local arriscado”. “A moça foi estuprada, mas estava usando uma saia curtíssima”. “O sujeito morreu no assalto, mas estava usando um relógio Rolex e dirigindo com o vidro aberto”. “Bin Laden jogou dois aviões nas torres gêmeas, mas Bush invadiu o Afeganistão”. “Ainda morrem presos políticos em Cuba, mas lá todas as crianças estão na escola”. “Os cinco cartunistas foram assassinados, mas fizeram charges ridicularizando o Islã”, e assim vai.

O “mas” transforma as ações anteriores em erros que justificam os erros posteriores, como uma espécie de compensação, que é ainda mais diabólica quando a definição do que é erro depende dos interesses de quem emprega o “mas” como Conjunção Coordenativa Escusativa.

Vou repetir: o “mas” transforma as ações anteriores em erros que justificam os erros posteriores, a culpa passa a ser da vítima. E a coisa é ainda mais diabólica pois a definição de “erro” depende dos interesses de quem emprega o “mas” como Conjunção Coordenativa Escusativa.

Você entende o que eu quero dizer, hein? Há um limite claro, o da vida. Matou, não tem conversa. Não tem “mas”. Não cabe nenhuma discussão sobre provocação, desrespeito ou preconceito. Morreu. Acabou.

Pois então. A discussão sobre a motivação, sobre a provocação, sobre se as charges do Charlie Hebdo eram ou não ofensivas, é OUTRA discussão, para outro momento, em outra circunstância. Quando você começa se dizendo contra a violência, contra o terrorismo “mas”… desvia a discussão. Começa a tratar de outro assunto, de menor importância diante do assassinato, da realidade de que gente mata gente que pensa diferente.

Por uma vida em paz
Djavan

Não sei bem o que dizer
Sobre o mal na Terra:
Acho que amor hesitou!
A devastação da mata
Traz morte e medo
As guerras: caos e miséria
O incontrolável degelo
Não vai trazer
Futuro algum
Não vai.
O homem quer sempre mais!
Mas se não faz o pão
O que vai ser
Dos filhos
Não é dizendo não
Que vão crescer
Os lírios
Saber doar
Renunciar, dividir
Devia vir de qualquer um
Viver já
Vamos usar essa lei
Depois de tanto dano
O que não falta
É aviso
Pra que não haja engano
Posso ser mais
Conciso
Por uma vida em paz
Tudo o que for
Preciso!
Juízo.

Opa! Eu não sei porque razão, deve ser culpa da Ciça, eu não toco muito Djavan aqui no Café Brasil, mas hoje tem tudo a ver… você ouve POR UMA VIDA EM PAZ, dele e com ele…

Vou tentar ser ainda mais claro: não estou dizendo que não devemos discutir a motivação, as razões, as provocações. Isso é importante até para podermos evitar outras tragédias. O que estou dizendo é para você tomar cuidado e não colocar uma discussão secundária diante da primária: gente foi morta por pensar diferente de outra gente. Isso vem antes do “foi morto porque ofendeu”, entendeu? E esse é o ponto crucial para a discussão.

Neste caso do atentado ao jornal francês está acontecendo exatamente isso: o desvio da discussão principal. Para retornar ao principal, sugiro que se ouça a opinião de quem conhece bem o caso: Stéphanne Charbonnier, Jean Cabut, George Wolinski, Bernard Verlhac, Bernard Maris, Philippe Honoré, Michel Renaud, Mustapha Ourrad, Elsa Cayat, Federic Boisseau, Frank Brinsolaro e Merabet Ahmad. Que seja perguntado a eles se um assassinato por motivações políticas ou ideológicas deve ser tratado diferentemente de um assassinato comum. Aposto que diriam que do ponto de vista deles não faz diferença a motivação para o crime. De todas as opiniões, a desses doze é a mais importante. É a opinião que falta.

Aqui ao fundo você ouve SAMBA TRISTE, de Baden Powell e Billy Blanco, com Aderbal Duarte.

Os juristas enrolam-se nas leis, os políticos em interesses de poder, os intelectuais em confusões ideológicas, os jornalistas na ignorância e sede pela audiência, as pessoas comuns em confusão de valores morais. Mas aqueles doze têm a experiência própria.  Charbonnier, Cabu, Wolinski, Verlhac, Maris, Honoré, Renaud, Ourrad, Cayat, Boisseau, Brinsolaro e Ahmad são os doze que morreram no atentado. É a opinião deles que falta.

Para quem está morto – e para suas famílias – não faz diferença a motivação. A vida foi tirada, não tem volta. Podemos argumentar sobre crimes políticos ou comuns que nos privam de objetos, bens, oportunidades ou direitos. Podemos argumentar sobre crimes que nos atacam a honra e a dignidade. Mas crimes que tiram a vida – exceto em casos de legítima defesa – não podem ter argumentação!

Crimes políticos devem ser tratados de forma diferente dos crimes comuns, sim senhor.

Mas só até o primeiro cadáver.

Mas Luciano! Você falou “crime político”… Não deveria ser “crime religioso”? Não. Não estamos discutindo religião aqui, mas política. Ouça o programa 437 – Crônica para Charlie Hebdo e você entenderá.

Colocar neste momento em discussão a liberdade de expressão é um problema. Tentar criar um limite, uma função social para a piada é um perigo! Isso é agenda de gente interessada naquilo que chamamos de engenharia social. Não há como culpar as charges pelo atentado, sem culpar as vítimas: morreram porque mexeram com os fanáticos. Não deveriam mexer com eles, deveriam se calar, não desenhar, não se expressar, esse é o âmago da questão. E se você defende os cartunistas, você é conivente…

Me vi obrigado a publicar no Facebook um post dizendo assim:

Segurar um cartaz, usar um botão ou publicar um post dizendo “Je Suis Charlie” não quer dizer que você concorda com o posicionamento político ou ideológico do jornal Charlie Hebdo. Não quer dizer que você aprecia as charges que eles publicavam. Não quer dizer que você endossa as gozações e ataques que eles fazem a religiões, governos e personalidades. Nem mesmo quer dizer que você, se morasse na França, seria um leitor do jornal. Neste momento, nestas circunstâncias, quer dizer que você se solidariza com seres humanos que foram mortos por expressarem suas ideias. “Só” isso.

Ah, esse “só” é uma ironia, viu?

Que bonito… Aí ao fundo você ouve IL POSTINO, de Luis Henrique Bocalov, tema do maravilhoso filme O Carteiro e o Poeta, com Divina Caffé, que eu já toquei por aqui e que tocarei muitas vezes mais…

Pois então, para piorar começa um debate sobre o humor, sobre a piada… E vamos perigosamente cair nas malhas do politicamente correto. E aí, meu caro, o inferno é o limite. Dos Trapalhões ao Atirei um pau no gato-to-to, tudo passa a ser ofensa às minorias, aos que precisam da proteção dos idealistas, dos altruístas, dos que sabem o que é melhor para todos.

Aqueles terroristas que mataram os jornalistas e policiais também tinham certeza que sabiam o que era o melhor para todos. Tanta certeza que mataram e morreram por isso.

E tem gente por aí defendendo que “deve-se rir do opressor, e não do oprimido”. Sacou? Se você, seu branco coxinha, gozar o pobre, o preto, o índio ou qualquer representante de uma minoria e tomar um tiro, a culpa será sua…

Que tal, hein? É o Porta dos Fundos, o queridinho da hora. Esse humor é preconceituoso? Você se sente ofendido? E qual é sua reação? Digamos que você se chama Kellen… Deixa ver se eu adivinho… você para de assistir o Porta dos Fundos! E fala mal do programa para todo mundo.

É… Mas a ofensa foi grande demais, ele disse que Kellen é nome de puta… deixa eu ver… você escreve para o canal de televisão, para os jornais, reclama nas mídias sociais.

Mas a ofensa foi… assim… insuportável! Você então processa o Porta dos Fundos por calúnia. Se ganhar, eles receberão uma pena, vão pagar pela ofensa e pronto. Você está compensada? Não, né. A ofensa que foi pro ar maculou sua imagem, criou um bullying gigantesco e não há dinheiro que pague o mal estar e a vergonha de se chamar Kellen.

Então você pega uma arma, entra na redação e mata o Fabio Porchat.

Se alguém perguntar, você diz que se ofendeu profundamente e não viu outra saída. Que tal, hein?

Entendeu a questão? A desproporção entre ação e reação? Quando você diz “abomino a atitude de quem matou o Fabio, mas”, a culpa automaticamente passa a ser de quem? Do Fabio Porchat. Quem mandou dizer que Kellen é nome de puta?

Olha aqui, diante dos 12 corpos, inclusive de pessoas que nada tinham a ver com o assunto, o teor das charges não importa! Os cartunistas do Charlie Hebdo eram inclusivos: mexiam com todos, brancos, negros, amarelos, homens, mulheres, católicos, judeus, muçulmanos, socialistas, capitalistas, ricos e pobres. Todos com a mesma virulência. E só faziam isso porque a lei da França permite. Talvez outro país não permitisse mas a pátria da liberdade, fraternidade e igualdade permitia.

“Maomé não é sagrado para mim. Eu vivo sob a lei francesa e não sob a lei do Corão”, afirmou o cartunista e editor-chefe do Charlie Hebdo, Stéphane Charbonnie, em 2011 após reação violenta de fanáticos à publicação de charges consideradas ofensivas ao islamismo.

Ao que consta ele foi o primeiro a ser morto no atentado de 7 de Janeiro de 2015.

– Ah, Luciano, então você tem que concordar: morreram porque mexeram com quem não devia.

A questão não é essa! Não é “morreram porque ofenderam.” Não! Eles sabiam dos riscos, já haviam sofrido um atentado, haviam sido ameaçados, andavam com escolta policial. Eles morreram porque defendiam suas opiniões, porque acreditavam que ninguém e nada está imune à crítica e gozação. Na França, viviam sob a lei francesa, que lhes garantia liberdade, fraternidade e igualdade. A alternativa seria transferir para outros a escolha do que é bom para eles.

E isso é abrir mão da liberdade.

Ser capaz de conviver com a gozação é um sinal de habilidade social. Seu pai nunca disse para você que a melhor maneira de evitar a gozação era não se importar com ela? Não reaja! Finja que não ouviu. E o gozador vai parar, pois não existe gozação com quem não se importa em ser gozado.

Mas qual é o limite da gozação, hein? A lei! Ah, mas a lei só serve aos ricos e poderosos. Bem, então compre um revólver…

Albert Einstein uma vez disse: “Não creio, no sentido filosófico do termo, na liberdade do homem. Todos agem não apenas sob o constrangimento exterior, mas também de acordo com uma necessidade interior.”

Para os cartunistas do Charlie Hebdo, como para os humoristas que são sérios, a necessidade interior era maior que o constrangimento exterior, sacou?

Para você pode ser que não seja. E isso não é liberdade.

Mas afinal, liberdade de expressão tem limite ou não? Tem sim, dois. Primeiro o da lei. Depois o da responsabilidade. Mas isso é assunto para o próximo programa.

La lune est morte ce soir
Jacques Mareuil
Georges Liferman

Pleurez Pierrots, poètes et chats noirs,
La Lune est morte, la Lune est morte.
Pleurez Pierrots, poètes et chats noirs,
La Lune est morte ce soir…
Un homme marche sur le sol
De ce vieux miroir de vos rêves
Et c’est votre cœur que l’on crève.
La corde qu’on vous passe au col !
Il va falloir aller plus loin,
Par delà des millions d’étoiles
À la recherche de l’étoile
Qui vous fera rêver demain…
Pleurez Pierrots, poètes et chats noirs,
La Lune est morte, la Lune est morte.
Pleurez Pierrots, poètes et chats noirs,
La Lune est morte ce soir…
Comme une fleur de tournesol
On a mis la Lune en bouteille
Et les enfants de la corbeille
Ont applaudi comme à guignol.
Un homme marche sur le sol
De ce vieux miroir aux merveilles,
Dans mon jardin depuis la veille,
Ne chante plus le rossignol…
Pleurez Pierrots, poètes et chats noirs,
La Lune est morte, la Lune est morte.
Pleurez Pierrots, poètes et chats noirs,
La Lune est morte ce soir…

E é assim então, ao som de LA LUNE EST MORT CE SOIR,  A lua está morta esta noite, de Frére Jacques, com o Trio Esperança, que vamos saindo de mansinho.

Se você continua atormentado, acha que falei bobagens, uma última tentativa. Ouça este trecho de um comentário que o leitor Afonso de Carmo colocou num de meus posts no Facebook:

“Diz-se que o objetivo do Direito Jurídico é atingir a capacidade de justiça do Direito Natural. O direito à vida é um Direito Natural. Portanto, se alguém mata, antes de qualquer outra instituição burocrática de qualquer ordenamento jurídico, este criminoso está infringindo um Direito Natural. Não há o que questionar! Este assassino tem que pagar pelos seus crimes! Fora disso, por mais argumentos que sejam desperdiçados em lengalengas intermináveis, o que se faz é estimular a criminalidade e a canalhice.”

Estimular a criminalidade e a canalhice. É isso que aquele “mas” faz…

Com o opinativo Lalá Moreira na técnica, a ressabiada Ciça Camargo na produção e eu, que defendo o direito à vida acima de tudo, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Ricardo Feijó, Porta dos Fundos, Aderbal Duarte, Djavan, Divina Caffé , Duofel e o Trio Esperança.

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Para terminar o poeta e dramaturgo francês Victor Hugo:

“Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha”.