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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Vamos hoje comemorar o carnaval em grande estilo, hein? Não que eu seja um carnavalesco, não sou, mas às vezes pintam umas obras de arte que passam a fazer parte da vida da gente. É nelas que vamos focar, os sambas enredo que entraram para a história.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. www.facebook.com/itaucultural e www.facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem ganhou o exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA, acompanhado do Kit DKT foi o Bruno Ruas que está prestando um serviço para os ouvintes do Café Brasil. Ouça só:

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Caro Luciano e os ouvintes e a Ciça e o Lalá também. Eu sou ouvinte há pouquíssimo tempo, eu conheci o Café Brasil por acaso no feed do iTunes, procurando por novos podcastas e conheci o podcast de vocês pelo podcast do Bom dinheiro. Sou estudante de economia, segundo ano e aquilo foi uma paulada na minha cabeça. Estudando teoria econômica eu cheguei aquela conclusão, mas o senhor conseguiu expressar ela num programa. Então, ali você ganhou mais um ouvinte, enquanto o Café Brasil durar e eu espero que seja muitos e muitos anos.

E nesse mesmo programa o senhor cita o ouvinte que não se sentia confortável de baixar as músicas e preferia pagar por elas ou ter alguma maneira legítima de consumir as músicas que são um outro presente que o Café Brasil oferece pra todos os ouvintes. 

E eu venho falar hoje de um software que se chama Spotfy (https://www.spotify.com/br/). Ele é a maneira que as pessoas baixando o aplicativo pro computador, ele também é disponível pros smartphones, você pode escutar músicas por streaming, como o próprio youtube funciona, só que com vídeo. É uma maneira legal de apreciar as músicas que o Café Brasil disponibiliza nos programas. 

Eu montei uma lista, uma singela lista de músicas que eu fui catando nesses poucos programas que escutei e na medida que eu vou escutando os programas antigos e os novos, eu vou acrescentando cada vez mais músicas. Então, a minha dica para todo mundo que se sente incomodado de ter que baixar as músicas ou tem mesmo preguiça, basta baixar o Spotfy e intalar no computador e procurar pela playlist Café Brasil, que eu garanto que …. atualmente são 31 músicas e daqui a algum tempo serão muitas e muitas mais. Abraço a toda equipe e os ouvintes.”

Muito bom, Bruno! Olha só, a gente vem pensando nesse tema de disponibilizar as músicas, mas sempre trombamos com o problema de que mais da metade do que a gente usa, simplesmente não existe na internet. E também não temos mão de obra para caçar cada uma onde estiver disponível. Mas você abriu uma janela legal aí ao montar uma lista no Spotify e me deixa uma dúvida. É possível montar uma lista pública, onde qualquer um pode agregar as músicas que quiserem? Se for assim, todos nós que fazemos parte da comunidade Café Brasil podemos ajudar a disponibilizar um repertório fantástico aqui do programa. Mas não sei se dá. Fica aqui a pergunta e o desafio pra quem quiser nos ajudar.

Muito bem. O Bruno vai receber em casa um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Se você não sabia, PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. Acesse facebook.com/dktbrasil para conhecer mais a respeito.

Vamos lá então?

Na hora do amor, mesmo no carnaval, use Prudence.

E quem também está ajudando a gente a trazer pra você este cafezinho é a Nakata, marca pioneira na fabricação de amortecedores pressurizados no Brasil, inclusive da tradicional linha HG. Os amortecedores Nakata oferecem garantia de 2 anos ou 50 mil km para você rodar tranquilo. Vai ficar em casa no carnaval, é? Então acesse o canal da Nakata no YouTube pra ver dicas de manutenção e videocasts exclusivos comigo!

Siga youtube.com/componentesnakata

Tudo azul, tudo Nakata.

(06:39)

Então vamos lá. Ao pensar em fazer um programa com sambas enredo logo imaginei que ficaria chato e não agradaria um monte de gente que não curte carnaval. Mas carnaval está no sangue do brasileiro. Eu entrei em estúdio com o Lalá e a Ciça e começamos a procurar os sambas que mais nos marcaram. E fomos montando o programa conforme chegávamos a um consenso. Mesmo que você não curta o carnaval é impossível ficar indiferente a algumas obras primas que fizeram e fazem parte de nossas vidas. É carnaval, mas neste programa vamos tratar de cultura, de história, de ser brasileiro. Seguem os sambas enredo que estão nos nossos top 10. Mas só tem 9, viu. O décimo, você escolhe e depois conta pra nós.

Tudo pronto? Lalá, pega o saco de confete, tira o lança perfume da mão da Ciça e vamo em frente, cara! Agora, é samba no pé!

O número um é Aquarela brasileira, do Império Serrano em 1964.

“Vejam esta maravilha de cenário”, diz a canção, considerada uma das mais bonitas já apresentadas na história do carnaval carioca. Já no primeiro verso, o samba da verde e branco da Serrinha mostra a que veio: apresentar as belezas da natureza, da arquitetura e da cultura brasileira. A obra foi escrita em homenagem a uma das canções mais populares da mpb: Aquarela do Brasil, de Ary Barroso em 1939. Mesmo passando por dificuldades e enfrentando sucessivos rebaixamentos ao grupo de acesso, em 2004 a Império Serrano reeditou o samba e levantou a Sapucaí.

Aquarela brasileira
Silas Oliveira

Vejam esta maravilha de cenário
é um episódio relicário
que o artista num sonho genial
escolheu para este carnaval
e o asfalto como passarela
será a tela do Brasil em forma de aquarela

Passeando pelas cercanias do Amazonas
conheci vastos seringais
no Pará, a ilha de Marajó
e a velha cabana do Timbó
caminhando ainda um pouco mais
deparei com lindos coqueirais
estava no Ceará, terra de Irapuã
de Iracema e Tupã.

Fiquei radiante de alegria
quando cheguei na Bahia
Bahia de Castro Alves, do acarajé
das noites de magia do candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipu
assisti em Pernambuco
a festa do frevo e do maracatu
Brasília tem o seu destaque
na arte, na beleza e arquitetura
feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
do Leste por todo o Centro-Oeste
tudo é belo e tem lindo matiz
o Rio dos sambas e batucadas
dos malandros e mulatas
de requebros febris.
Brasil, essas nossas verdes matas
cachoeiras e cascatas
de colorido sutil
e este lindo céu azul de anil
emolduram aquarela o meu Brasil

Lá rá rá rá rá
Lá rá rá rá rá

– Em seguida um bem provocativo, Heróis da Liberdade, da Império Serrano em 1969.

Heróis da Liberdade é lembrado até hoje pelo seu caráter provocador. Em plena ditadura, a canção de Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manoel Ferreira clamava por liberdade e relembrava passagens de nossa história marcadas pela opressão: a Inconfidência Mineira, a abolição da escravatura e o período pré-independência. Mais tarde, foi regravado por intérpretes como Martinho da Vila, João Bosco e Maria Rita.

Heróis da liberdade
Silas de Oliveira
Mano Décio da Viola
Manoel Ferreira

Ô ô ô ô
Liberdade, Senhor,
Passava a noite, vinha dia
O sangue do negro corria
Dia a dia
De lamento em lamento
De agonia em agonia
Ele pedia
O fim da tirania
Lá em Vila Rica
Junto ao Largo da Bica
Local da opressão
A fiel maçonaria
Com sabedoria
Deu sua decisão lá, rá, rá
Com flores e alegria veio a abolição
A Independência laureando o seu brasão
Ao longe soldados e tambores
Alunos e professores
Acompanhados de clarim
Cantavam assim:
Já raiou a liberdade
A liberdade já raiou
Esta brisa que ajuventude afaga
Esta chama que o ódio não apaga pelo Universo
É a evolução em sua legítima razão
Samba, oh samba
Tem a sua primazia
De gozar da felicidade
Samba, meu samba
Presta esta homenagem
Aos “Heróis da Liberdade”
Ô ô ô

– Muito bem, mantenha o samba no pé aí que vamos agora com O Mundo Melhor de Pixinguinha, que a Portela emplacou em 1974. Essa é de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, em parceria com Velha. A escolha desse samba gerou insatisfação na ala de compositores e Zé Keti se afastou da escola. Mas esse samba irresistível entrou para a história.

O mundo melhor de Pixinguinha
Evaldo Gouveia
Jair Amorim
Velha

Lá vem Portela, lá vem Portela
Com Pixinguinha em seu altar
E o altar da escola é samba
Que a gente faz

E na rua vem cantar
Portela, seu carinhoso tema é oração
Pra falar quem ficou com devoção
Em nosso coração

Portela, seu carinhoso tema é oração
Pra falar quem ficou com devoção
Em nosso coração

Pizidim, Pizidim, Pizidim
Era assim que a vovó Pixinguinha chamava
Menino bom em sua língua natal
Menino bom que se tornou imortal

A roseira dá rosa em botão
Pixinguinha dá rosa canção
E a canção bonita é como a flor
Que tem perfume e cor

E ele que era um poema de ternura e paz
Fez um buquê que não se esquece mais
De rosas musicais

E ele que era um poema de ternura e paz
Fez um buquê que não se esquece mais
De rosas musicais

– E em 1982 a União da Ilha trouxe É Hoje, de Didi e Mestrinho. Baseado na obra do cartunista Lan, famoso por retratar a alegria do carnaval, este samba é um dos mais regravados da história. E também lançou um artifício que se tornou lugar comum nos sambas da escola: o verso “A minha alegria atravessou o mar”, relativo à condição geográfica do bairro, seria recriado por vários anos, adaptando-se aos enredos que se seguiram.

É hoje!
Didi
Mestrinho

A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da Terra
Será que eu serei
o dono desta festa um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar

Levei o meu samba
Pra mãe-de-santo rezar
Contra o mau olhado
Carrego o meu Patuá

Acredito ser o mais valente
Nesta luta do rochedo com o mar
(E com o mar)

É hoje o dia da alegria e a tristeza
Nem pode pensar em chegar

Diga espelho meu
Se há na avenida
Alguém mais feliz que eu

– E sabe o Didi, compositor do É hoje, que acabamos de tocar? É pseudônimo de João Sérgio Baeta Neves que permaneceu anônimo enquanto exercia seu cargo público de procurador da República, oferecendo seus sambas para outros autores. Também é dele  outro clássico. Antes do É hoje de 82, ele fez O amanhã que a União da Ilha explodiu em 1978.

O amanhã
Didi

A cigana leu o meu destino
Eu sonhei
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã?
Como vai ser o meu destino?
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz
Como será o amanhã
Responda quem puder (bis)
O que irá me acontecer

– A estas alturas o Lalá já vestiu a fantasia de Pierrô a Ciça de Colombina. Tá uma festa aqui, meu …E você, tá embalado aí? Então tome Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós, da Imperatriz Leopoldinense em 1989, um samba inesquecível de Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir, mais um que entrou para a história.

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós
Niltinho Tristeza
Preto Jóia
Vicentinho
Jurandir

Vem ver, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí
Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente

Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

– E lá vem o Salgueiro em 1993, com Peguei um ita no norte, que tal hein? Composição de Demá Chagas, Arizão, Bala, Guaracy e Celso Trindade que provavelmente você conhece como Explode Coração. Rárá, vai dizer que você não pulou carnaval ao som desse?

Peguei um ita no norte
Demá Chagas
Arizão
Bala
Guaracy
Celso Trindade

Lá vou eu, lá vou eu lá vou eu
Me levo pelo mar da sedução (sedução)
Sou mais um aventureiro
Rumo ao Rio de Janeiro, adeus adeus,
Adeus Belém do Pará
Um dia volto, meu pai
Não chore, pois vou sorrir
Felicidade, o velho Ita Vai partir

Oi no balanço das ondas, eu vou
No mar eu jogo a saudade, amor
O tempo traz esperança e ansiedade
Vou navegando em busca da felicidade
Em cada porto que passo
Eu vejo e retrato em fantasias
Cultura, folclore e hábitos
Com isso refaço minha alegria

Chego ao Rio de Janeiro
Terra do samba, da mulata e futebol
Vou vivendo o dia a dia
Embalado na magia
Do seu Carnaval, explode
Explode Coração
Na maior felicidade
É lindo o meu Salgueiro
Contagiando sacudindo essa cidade

– E a Império Serrano em 1982 desfila ao som de Bum Bum, Praticumbum, Prugurundum, de Aluizio Machado, uma crítica à transformação do carnaval num grande negócio. Me lembro até hoje de assistir ao desfile pela televisão e me emocionar com as imagens do povo cantando e dançando o refrão.

Bum Bum, Praticumbum, Prugurundum
Aluizio Machado

Enfeitei meu coração
De confete e serpentina
Minha mente se fez menina
Num mundo de recordação
Abracei a Coroa Imperial
Fiz meu Carnaval
Extravasando toda minha emoção

Oh! Praça Onze, tu és imortal
Teus braços embalaram o samba
A tua apoteose é triunfal

De uma barrica se fez uma cuíca
De outra barrica um surdo de marcação
Com reco-reco, pandeiro e tamborim
E lindas baianas
O samba ficou assim (bis)

E passo a passo no compasso
O samba cresceu
Na Candelária construiu seu apogeu
As burrinhas que imagem, para os olhos um prazer
Pedem passagem pros Moleques de Debret
“As Africanas”, que quadro original
Yemanjá, Yemanjá enriquecendo o visual
(Vem meu amor…)

Vem meu amor
Manda a tristeza embora
É carnaval, é folia
Neste dia ninguém chora (bis)

Super Escolas de Samba S/A
Super-alegorias
Escondendo gente bamba
Que covardia!

Bum, bum paticumbum prugurundum
O nosso samba minha gente é isso aí

– Muito bem, discutimos aqui qual seria o melhor samba enredo para encerrar o programa. E deu o clássico dos clássicos: Festa para um rei negro, do Salgueiro de 1971. Composta por Quinho, essa tem um refrão fantástico que quase meio século depois levanta até quem não gosta de carnaval. Vamos lá!

Festa para um rei negro
Quinho

O-lê-lê, ô-lá-lá,
pega no ganzê
pega no ganzá.

Nos anais da nossa História,
vamos encontrar
personagens de outrora
que iremos recordar.

Sua vida, sua glória,
seu passado imortal,
que beleza
a nobreza do tempo colonial.

O-lê-lê, ô-lá-lá,
pega no ganzê
pega no ganzá!

Hoje tem festa na aldeia,
quem quiser pode chegar,
tem reisado a noite inteira
e fogueira pra queimar.
Nosso rei veio de longe
pra poder nos visitar,
que beleza
a nobreza que visita o gongá.

O-lê-lê, ô-lá-lá,
pega no ganzê
pega no ganzá.

Senhora dona-de-casa,
traz seu filho pra cantar
para o rei que vem de longe,
pra poder nos visitar.
Esta noite ninguém chora,
e ninguém pode chorar,
que beleza
a nobreza que visita o gongá.

O-lê-lê, ô-lá-lá,
pega no ganzê
pega no ganzá.

Luciano: Ai que festa, cara, como eu pulei essas coisas! Ô Laá, péra um pouquinho…Ciça..Ciça..

Ciça: Oi.

Luciano: Tira da mão dela, Lalá. Tira, Tira…

Lalá: Pera que ela tá quase desmaiando aqui.

Luciano: E aí Lalá e Ciça?

Ciça: To legal, to legal…

Luciano: Fala aí, qual é o tesão de fazer um programa como este aqui, hein?

Ciça: Olha, é bárbaro, porque antigamente a gente ouvia os sambas enredo antes do carnaval e depois do carnaval. Tocava na rádio, eram sambas musicais, era outra coisa. Hoje é tudo meio igual, né?

Luciano: O que que é Lalá, o que aconteceu, hein?

Lalá: Ah, não sei, eu acho o seguinte: antigamente tinha mais liberdade para a criatividade, os jurados acho que eram mais… né… o regulamento do julgamento do samba enredo foi ficando tão rígido, tão rígido, que começou a pasteurizar, então os caras pra não correr riscos, começaram a fazer os sambas muito técnicos, tecnicamente corretos, porém musicalmente iguais. Você vê que você assiste uma noite de samba enredo, dá a impressão que você está ouvindo a mesma música a noite inteira. Você vê que os grandes sambas enredo, muitos deles, como o É Hoje, que foi regravado pelo Caetano, O Amanhã, que foi regravado pela Simone, você vê… eram músicas que ficaram para a eternidade, que tocaram no rádio… A maioria dos sambas enredo tocavam na rádio antes, como a Ciça já disse e hoje não acontece mais isso. Você não ouve mais samba enredo em rádio.

Luciano: É… parece que apareceu agora…tem um roteiro, né? É que nem…parece que você está falando de Hollywood, cara. Tem um roteiro ali que se você não seguir o roteiro, isso, mais isso, mais isso…

Ciça: Tem regras, tem regras determinadas e tal… se a história desenvolveu, se a letrá é isso, tem vários itens lá, quesitos que o cara tem que seguir…e aí fica chato, né?

Luciano: Bom, vamos em frente né? Vamo aqui com A Pipa do Vovô Não Sobe Mais, ou não cai mais, como é que é?

Ciça: Não! Para!!!!

Risos

Muito bem.. fica sendo essa a homenagem do Café Brasil para quem gosta de carnaval. E para quem não gosta também, ué…

Com o momesco Lalá Moreira na técnica, a carnavalesca Ciça Camargo na produção e eu, que to tentando dar meus passinhos aqui, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Bruno Ruas, as escolas de samba, o carnaval do Rio de Janeiro e a grande festa brasileira.

Sempre lembrando a você que a Pellegrino, além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora. A Pellegrino acaba de renovar o patrocínio do Café Brasil por mais seis meses! Se você acha essa atitude legal, vá lá no facebook.com/pellegrinodistribuidora e deixe um recado pra eles. Vai ajudar o Café Brasil.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no www.portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96789 8114. Se estiver fora do Brasil é: 55 11 96789 8114.

E se você ainda não tem o Viber, baixe aí pro seu celular e acompanhe nosso grupo, Podcast Café Brasil. Tá no comecinho, nós estamos contando bastidores, contando novidades só para quem faz parte do grupo.

E para terminar, o poema de Aluizio Machado:

Super escolas de samba S/A
Super alegorias
Escondendo gente bamba
Que covardia!