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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. No programa de hoje tratamos de uma invenção do brasileiro: a brasiliência, uma singular capacidade de viver tomando porrada e continuar sorrindo.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí ó, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é o Anderson, que é taxista em São Paulo e comentou assim:

“Bom dia. Eu não costumo comentar mas hoje achei que devia. Sou taxista em São Paulo, e tenho o hábito de te ouvir durante minhas corridas com clientes. Trabalho no Morumbi, mais precisamente na região do Real Parque e alguns clientes me questionam sobre qual rádio é essa que estou ouvindo. Como geralmente trabalho com pessoas que têm uma certa dificuldade com tecnologia e internet, faço de tudo para conseguir explicar e te apresentar. Alguns clientes que já reencontrei me contaram que através do filho estão te acompanhando, e o filho também aderiu, netos passaram a ouvir você e outros podcasts. Bom mas hoje na região da Pompéia peguei uma passageira e seu programa 416 estava prestes a começar. Era uma moça com seus vinte e poucos anos. No começo ela discordou de muito que ouvia, fazia comentários baixinhos, mas a cada comentário reparei pelo retrovisor que ela prestava mais atenção, até que ela me pediu para aumentar o volume, e foi pouco após a história contada sobre o bombeiro, que ela parou, olhou para mim e disse:

— Nossa que programa é esse? É um podcast?

E com um leve sorriso continuou.

– No começo achei que era algo reacionário, contra as manifestações, mas não, aliás claro que alguns ovos são quebrados, mas não está certo. Adorei o programa, vou baixar.

E logo ela saiu feliz do carro, porém eu fiquei mais feliz pois vi mais uma pessoa saindo da zona de conforto onde se acostumou a achar que tudo é preto no branco. Tomara que passe mesmo a te ouvir, pois o Café Brasil faz muito bem à saúde, aquela parte da saúde com a qual menos nos preocupamos, a saúde mental. Obrigado pelo grande trabalho.”

É isso aí Anderson! Obrigado por cumprir a sua parte neste processo chamado podcast: você está disseminando a mídia e ajudando mais gente a descobrir alternativas para informação, conhecimento e entretenimento. Muito obrigado! Entre em contato conosco para mandar seu endereço e receber o livro.

Muito bem. Além do livro, o Anderson receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. Acesse facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Na hora do amor, na rua, na chuva, na fazenda ou no taxi, use Prudence.

Brasiliência. Você já ouviu falar em Brasiliência, hein? Acho que não, né? Esse termo não existe, eu inventei. É a junção de “Brasil” com “resiliência”.

Resiliência é a capacidade de recuperação de se recobrar diante de adversidades, de se adaptar a mudanças. O melhor exemplo é o lutador do UFC que, mesmo recebendo uma saraivada de pancadas, grogue, quase caindo, consegue reagir e nocautear o oponente. Ou aquele seu parente que faliu anos atrás e hoje está de volta aos negócios, bem sucedido.

Quem desenvolve a resiliência tem mais condições de enfrentar desapontamentos, lidar com perdas e se adaptar a mudanças. A “alma” do resiliente é a capacidade de enxergar os obstáculos como componentes críticos do sucesso. O resiliente tem grande senso de controle sobre seu destino, sabe que pode contar com ajuda de outras pessoas quando necessário e toma iniciativa para resolver seus problemas. Atitude positiva, otimismo, habilidade para controlar emoções e receber as críticas e falhas como algo positivo para fazer melhor. O resiliente aprende com os erros.

Isso é resiliência. Vamos à brasiliência.

Ao fundo você está ouvindo AQUARELA DO BRASIL, o clássico de Ary Barroso, com  Radamés Gnatalli, Luis Bandeira e Edu da Gaita.

Em minha palestra A Fórmula da Inovação, quando trato da “proposta de valor”, mostro um exemplo perfeito da brasiliência. Faço um exercício com a plateia, mostrando imagens de um hotel, um resort, provavelmente no Tahiti, com um casal saboreando o café da manhã numa área coberta, dentro do mar, dentro de uma piscina natural, transparente… É maravilhosoa!

Em seguida mostro a imagem de uma cidade do interior do Brasl, durante uma inundação. A água pela cintura das pessoas, uma tragédia. A imagem mostra uns caras que fizeram uma boia com uma câmara de ar de caminhão, colocaram um guarda sol em cima, uma tábua como mesa, cervejas e… pronto! Baita festa, curtindo o momento. Um contraponto perfeito aos turistas do Tahiti! E então falo da diferença entre expectativa e realidade.

Mas o momento principal é no final da reflexão, quando coloco as duas imagens lado a lado. Na imagem do Tahiti, naquele paraíso, aparecem turistas europeus, sérios, nenhum sorriso. Nem o garçom tá rindo! Na imagem do Brasil, no meio da tragédia, todos com copo na mão, sorrisos largos, abraços, a maior diversão, cara. Quase dá para ouvir o samba. E eu comento:

– Tá vendo porque o Brasil nunca vai quebrar?

O brasileiro inventou a brasiliência, uma singular capacidade de viver tomando porrada e continuar sorrindo.

O brasiliente faz piada das coisas mais trágicas.

O brasiliente confia que um deus ou um santo há de dar um jeito.

O brasiliente deixa para amanhã os problemas mais graves ou complexos.

O brasiliente acredita em promessas, por mais absurdas que pareçam.

O brasiliente não aprende com os erros, ele os releva. E comete outra vez.

O brasiliente acha que o que é de todos, não é de ninguém.

O brasiliente não tem paciência para fazer contas.

O brasiliente troca tristeza por alegria, seja onde ou como for.

O brasiliente, até por falta de comparação, se conforma com o meia boca, pois “dá pro gasto né”.

O brasiliente tem como estratégia de vida, a esperança de que tudo vai melhorar.

E um dia, lá na frente, machucado, maltratado, roubado, esfolado, zonzo, mas vivo, o brasiliente, com um copo de cerveja na mão e um sambinha no fundo diz: tá vendo como no fim dá tudo certo, hein?

Brasiliência é uma forma de ver a vida, que faz com que as pessoas, mesmo sofrendo, se sintam felizes.

Deveria ser uma baita qualidade.

Mas dói pra caramba.

Aquarela do Brasil
Ary Barroso

Brasil!

Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos

O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
Ó Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor

Brasil!
Pra mim, pra mim, pra mim

Ó abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Pra Mim
Pra mim!

Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado

Brasil!
Pra mim, pra mim, pra mim
Brasil!

Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
Ó Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor

Brasil!
Pra mim, pra mim, pra mim

O esse coqueiro que dá côco
A, onde amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil!
Brasil!

A estas fontes murmurantes
A onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
O, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro

Nega do cabelo duro
David Nasser
Rubens Soares

Nega do cabelo duro
Qual é o pente que te penteia?
Qual é o pente que te penteia?
Qual é o pente que te penteia, ô nega?

Ondulado permanente
Teu cabelo é de sereia
E a pergunta sai da gente
Qual é o pente que te penteia, ô nega?

Quando tu entras na roda
O teu corpo bamboleia
Teu cabelo está na moda
Qual é o pente que te penteia, ô nega?

Teu cabelo a fogo e flor
Tem um quê que me tonteia
Minha nega meu amor
Qual é o pente que te penteia, ô nega?

Dá pra ver que eu to flutuando aqui, hein? Elis Regina com Toots Thielemans… dá pra não amar um país que produz uma cantora ou uma música assim, hein? E Elis emenda com Nega do cabelo duro, de Davi Nasser e Rubens Soares, outra delícia que hoje em dia jamais seria gravada…

Num trecho de um texto polêmico que anda circulando pela internet, chamado OS 12 DEFEITOS INSUPORTÁVEIS DO BRASILEIROS, o autor Anderson Aguiar tece alguns comentários que parece que explicam um pouco da nossa brasiliência. Ele inicia comentando sobre a passividade dos brasileiros diante daquilo que está errado.

Ao fundo vamos com outra versão de Aquarela do Brasil, desta vez com Gereba e convidados.

A resposta a tanta passividade do brasileiro pode estar em um estudo de Fábio Iglesias, doutor em Psicologia e pesquisador da Universidade de Brasília. Segundo ele, o brasileiro é protagonista do fenômeno “ignorância pluralística”, termo cunhado pela primeira vez em 1924 pelo americano Floyd Alport, pioneiro da psicologia social moderna.

“Esse comportamento ocorre quando um cidadão age de acordo com aquilo que os outros pensam, e não por aquilo que ele acha correto fazer. Essas pessoas pensam assim: se o outro não faz, por que que eu vou fazer?”, diz Iglesias. O problema é que, se ninguém diz nada e consequentemente nada é feito, o desejo coletivo é sufocado. O brasileiro, de acordo com Iglesias, tem necessidade de pertencer a um grupo. “Ele não fala sobre si mesmo sem falar do grupo a que pertence.”

Iglesias começou sua pesquisa com filas de espera. Ele observou as reações das pessoas em bancos, cinemas e restaurantes. Quando alguém fura a fila, a maioria finge que não vê. O comportamento-padrão é cordial e pacífico. Durante dois meses, ele analisou o pico do almoço num restaurante coletivo de Brasília. Houve 57 “furadas de fila”. “Entravam como quem não quer nada, falando ao celular ou cumprimentando alguém. A reação das pessoas era olhar para o teto, fugir do olhar dos outros”,ele afirma. O aeroviário carioca Sandro Leal, de 29 anos, admite que não reage quando vê alguém furar a fila no banco. “Fico esperando que alguém faça alguma coisa. Ninguém quer bancar o chato”, ele diz.

Iglesias dá outro exemplo comum de ignorância pluralística: “Quando, na sala de aula, o professor pergunta se todos entenderam, é raro alguém levantar a mão dizendo que está em dúvidas”, afirma. Ninguém quer se destacar, ocorrendo o que se chama “difusão da responsabilidade”, o que leva à inércia.

Mesmo quem sofre uma série de prejuízos não abre a boca. É o caso da professora carioca Maria Luzia Boulier, de 58 anos. Ela já comprou uma enciclopédia em que faltava um volume; pagou compras no cartão de crédito que jamais fez; e adquiriu, pela internet, uma esteira ergométrica defeituosa. Maria Luzia reclamou apenas neste último caso. Durante alguns dias, ligou para a empresa. Não obteve resposta. Foi ao Procon, mas, depois de uma espera de 40 minutos, desistiu de dar queixa. “Sou preguiçosa. Eu sei que na maioria das vezes reclamar não adianta nada”, afirma.

O “não-vai-dar-em-na-da” é um discurso comum entre os “não-reclamantes”. O estudante de Artes Plásticas Solano Guedes, de 25 anos, diz que evita se envolver em qualquer situação pública. “Sou omisso, sim, como todo brasileiro. Já vi brigas na rua, gente tentando arrombar carro. Mas nunca denuncio. É uma mistura de medo e falta de credibilidade nas autoridades”, ele afirma.

A apatia diante de um escândalo público também é frequente no Brasil. Nas décadas de 80 e 90, o contador brasiliense Honório Bispo saiu às ruas para lutar pelas Diretas Já e pelo Impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Caso que apenas se concretizou pelo massivo uso da imprensa. Estudiosos acreditam que o impeachment nunca aconteceria se a mídia não colocasse no ar o ataque massivo ao presidente: 10 das 24 horas de programação das emissoras nas semanas anteriores ao ato divulgavam a  ideia das Diretas Já e do Impeachment.

O estudo da UnB constatou que a “cultura do silêncio” também acontece em outros países. “Portugal, Espanha e parte da Itália são coletivistas como o Brasil”, afirma o psicólogo. Em nações mais individualistas, como em certos países europeus e a vizinha Argentina, o que conta é o que cada um pensa. “As ações são baseadas na auto-referência”, diz o estudo. Nos centros de Buenos Aires e Paris, é comum ver marchas e protestos diários dos moradores. A mídia pode agir como um desencadeador de reclamações, principalmente nas situações de política pública. “Se o cidadão vê na mídia o que ele tem vontade de falar, conclui que não está isolado”, afirma o pesquisador.

O antropólogo Roberto DaMatta diz que não se pode dissociar o comportamento omisso dos brasileiros da prática do “jeitinho”. Para ele, o fato de o povo não lutar por seus direitos, em maior ou menor grau, também pode ser explicado pelas pequenas infrações que a maioria comete no dia a dia. “Molhar a mão” do guarda para fugir da multa, estacionar nas vagas para deficientes ou driblar o engarrafamento ao usar o acostamento das estradas são práticas comuns e fazem o brasileiro achar que não tem moral para reclamar do político corrupto. “Existe um elo entre todos esses comportamentos. Uma sociedade de rabo preso não pode ser uma sociedade de protesto”, diz o antropólogo.

O sociólogo Pedro Demo, autor do livro Cidadania pequena, diz que há baixíssimos índices de organização da sociedade civil – decorrentes, em boa parte, dos também baixos índices educacionais. Em seu livro, que tem base em dados do IBGE, o sociólogo conclui que o brasileiro até se mobiliza em algumas questões, mas não dá continuidade a elas e não vê a importância de se aprofundar. Um exemplo é o racionamento de energia ocorrido há doze anos: rapidamente as pessoas compreenderam a necessidade de economizar. Passada a urgência, não se importaram com as razões que levaram à crise. Para o sociólogo, além de toda a conjuntura atual, há o fator histórico: a colonização portuguesa voltada para a exploração e a independência declarada de cima para baixo, por dom Pedro I, príncipe regente da metrópole. “Historicamente aprendemos a esperar que a decisão venha de fora. Ainda nos falta a noção do bem comum. Acredito que, ao longo do tempo, não tivemos lutas suficientes para formá-la”, diz Demo.

A historiadora e cientista política Isabel Lustosa, autora da biografia Dom Pedro I, um Herói sem nenhum caráter, acredita que os brasileiros reclamam, mas têm dificuldades de levar adiante esses protestos sob a forma de organizações civis. “Nas filas ou mesas de bar, as pessoas estão falando mal dos políticos. As seções de leitores de jornais e revistas estão repletas de cartas de protesto. Mas existe uma espécie de fadiga em relação aos resultados das reclamações, especialmente no que diz respeito à política.” Segundo Isabel, quem mais sofre com a falta de condições para reclamar é a população de baixa renda. Diante da deterioração dos serviços de educação e saúde, o povo fica sem voz. “Esses serviços estão pulverizados. Seus usuários não moram em suas cercanias. A possibilidade de mobilização também se pulveriza”, diz.

Apesar das explicações diversas sobre o comportamento passivo dos brasileiros, os estudiosos concordam num ponto: nas filas de espera, nos direitos do consumidor ou na fiscalização da democracia, é preciso agir individualmente e de acordo com a própria consciência. “Isso evita a chamada espiral do silêncio”, diz o pesquisador Iglesias. O primeiro passo para a mudança é abrir a boca.

Viu só? A cultura do “não vai adiantar nada”, do “Não quero bancar o chato”, do “eu mereço e o governo tem que me dar” de certa forma explica nossa brasiliência. O que poderia ser nossa melhor característica – essa nossa adaptabilidade, nosso bom humor, nossa capacidade de rir das tragédias,  se transforma num grande defeito. No programa 375 – Régua, compasso e normose, usei este trecho de texto:  “A característica comum a todas as formas de normoses é seu caráter automático e inconsciente. Podemos falar, no caso, do espírito de rebanho. A maior parte dos seres humanos, talvez por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à crítica. Por comodismo, as pessoas seguem ou repetem o que dizem os jornais. Já que está impresso, deve estar certo! Quantas pessoas aderem a uma ideologia, religião ou partido político só porque está na moda ou para ser bem vista pelos demais?

Uma maneira disfarçada de manipular as opiniões e mudar os sistemas de valores é anunciar que são adotados pela maioria da população. Nesse sentido, toda normose é uma forma de alienação. Facilita a instalação de regimes totalitários ou sistemas de dominação! A tomada de consciência da normose e de suas causas constitui a verdadeira terapia para a crise contemporânea.”

Viu só, hein? A brasiliência, então, me parece uma normose… Parece que somos uma nação eternamente conformada, como se esse conformismo fosse um escudo para nossa falta de expectativas, nossa vergonha de reclamar. Agindo assim, não vamos muito longe, não.

E você? É um brasiliente?

Muito bem, é assim, ao som de AQUARELA DO BRASIL, hino brasileiro de Ari Barros, nas vozes do Trio Esperança, que vamos saindo de mansinho.

Com o resiliente Lalá Moreira na técnica, a resistente Ciça Camargo na produção e eu, o  teimoso Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Anderson, o texto de Anderson Aguiar, Elis Regina, Gereba,  Radamés Gnatalli, Luis Bandeira e Edu da Gaita e o Trio Esperança.

E não se esqueça da Pellegrino, que além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página no facebook.com/pellegrinodistribuidora. Conheça. E se delicie.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera.

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Para terminar, uma frase do arquiteto Jaime Lerner

O Brasil tem na alegria seu patrimônio. Do contrário, não sobreviveria a tanta provação.