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Luciano Pires -

Você já parou para pensar como era o mundo antes da internet, hein? Do telefone celular? Do Whatsapp? Pois é… novas tecnologias estão mudando o mundo e, especialmente, nosso jeito de ser. A forma como acessamos, consumimos, avaliamos e recomendamos produtos. E uma grande discussão tem sido o direito autoral. Afinal, devemos remunerar quem publica conteúdo? Ou tem de ser tudo de graça?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí olha, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é a Larissa… Ouça só:

“Oi Luciano. Bom dia. O podcast Armadura emocional veio num momento extraordinário. Eu me chamo Larissa Morais, eu tenho 19 anos e faço cursinho preparatório para o vestibular. Eu conheço o podcast desde que eu tinha meus treze anos e ia a casa do meu primo. Ele sempre ouvia mas, eu não entendia bem do que se tratava. Enfim, o tempo foi passando e hoje me dia minha oração antes de dormir é ouvir podcasts que me despocotizam a cada dia e por isso um obrigada especial a você e a todos os outros autores que estiverem ouvindo. O assunto aobrdado no programa é muito recorrente na minha vida e na dos meus amigos também vestibulandos. A concorrência, a cobrança, o medo de quebrar a cara, parecem coisas irrisórias visto por quem está por fora desse contexto. Mas, como sou eu quem estou vivendo e a hora é agora, esse é o momento mais importante da minha vida. Eu tenho certeza que as pessoas que ouviram o seu programa também tem alguma meta, a princípio intangível e que já tentaram concluir algo, mas desistiram porque acharam que não iam conseguir por fatores externos. Na verdade Luciano, eu quero deixar aqui uma recomendação de leitura pra esses ouvintes. O livro Mulheres que correm com lobos (Clarissa Pinkola Estés), é um excelente exemplar para todos que se sintam bloqueados, incapazes e frágeis diante do lobo da vida, que é a nossa própria negatividade. Esse grito de medo e auto piedade que às vezes escapa e ecoa dentro da gente, a meu ver, é consequência da infinidade de informações que nos são fornecidas a todo momento. As influências vem de fontes distintas e o que deveria nos tornar mais esclarecidos acaba nos deixando perdidos e inseguros. Acredito também que a coragem de acreditar fáciol seguir a correntezaem si mesmo e lutar por seus credos é o que mais me faz admirar uma pessoa. É muito fácil seguir a correnteza, aceitar o básico, mesmo não sendo aquilo que você deseja. Minha busca é por ouvir cada  vez mais a minha intuição pra tomar decisão e as minha referências para construir uma Larissa cada vez mais coerente e em harmonia. Eu ainda tenho muito que dizer, so bre como seu programa acrescenta na minha formação, mas eu vou deixar isso para um outro momento. Por agora eu só deixo o meu grande obrigada. Espero que você tenha cada vez mais sucesso. Mas, só um pedido: não se mata no Everest antes de eu te conhecer, viu? Um beijo e um queijo de uma fiel ouvinte mineira.”

Que delícia, Larissa. Primeiro esse sotaque mineirim, depois esse conteúdo, de uma jovem de 19 anos preocupada com o vestibular, olha só. E ainda por cima recomendando um livro pra quem precisa vencer os obstáculos que a vida nos apresenta. Adorei, viu? Você é muito madura e ao compartilhar suas reflexões conosco ajuda todos a crescer um pouco. Muito obrigado.

Muito bem. Além do livro, a Larissa receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. Ô Larissa, você só tem 19 anos, faça o favor de guardar esse kit pra usar depois que fizer 21, tá? ai como eu sou bobinho…

O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. Acesse facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Ô dois: hoje eu quero como papai e mamãe.

Na hora do amor, use:

Lalá: Prudence.

Ciça – Prudence, né…

Lalá – O que que eu disse: Prudence.

Ciça – Ai caramba! Prudence!

Lalá – Vamos começar com esse papo de novo: Prudence!

Ciça – Eu falei Pudence!

Lalá – Você está falando Prudence, mas eu falei Prudence……..

Luciano – Chega, chega, chega. Pelo amor de Deus. Papai e mamãe é jogo duro…

A Larissa levantou uma lebre legal, que tem tudo a ver com o momento que vivemos aqui no Café Brasil. Estamos trabalhando com o novo. Podcasts, apesar dos 10 anos de existência no Brasil,  são uma mídia nova. A internet é nova. Os processos de monetização são novos. Tá todo mundo procurando os caminhos, somos desbravadores. E nessa aventura de desbravar novos caminhos, fazemos como aqueles pioneiros do velho oeste: temos que abrir picadas, somos nós que tomamos as flechadas, erramos um monte e acertamos outro tanto. E assim vamos abrindo uma picada, construindo o novo.

Ah, como seria fácil se fosse só seguir aquela estrada ensolarada que um dia alguém construiu…

Bom esse som, não é? É criação de Tom Jobim e Dolores Duran, pô! Você ouve o clássico ESTRADA DO SOL, em versão instrumental no teclado de Marcos Filho. Eu achei no Youtube e fiquei encantado…. Ouça mais um pouco aí….

Ah, a Estrada do Sol… Pois é, meu caro, não tem nenhuma estrada aberta… quem está abrindo somos nós. Eu, você, o Lalá e a Ciça… E então recebo de um leitor, o Fransuá, o seguinte recado:

“Acabo de ler seu livro ‘Brasileiros Pocotó’, baixado na internet em epub, gostaria que me informasse uma conta para depositar o valor da aquisição de um exemplar. Prazerosa a leitura… façamos melhor, lhe pagarei por 5 exemplares, caso me permita compartilhar com alguns amigos o epub que tenho. Grande Abraço”

O Fransuá obteve uma cópia ilegal de meu livro, provavelmente pelo site lelivros.red, que está pirateando livros de vários autores. Esse site está hospedado fora do Brasil, e seus donos se dizem democratizadores da cultura. Um dos donos respondeu assim a um e-mail do Estadão: “Acreditamos que o conhecimento deva ser livre, que todos necessitam ter acesso à cultura. E que se o sistema e os governantes fazem nada ou muito pouco, nós faremos, é nosso dever ajudar as pessoas”.

E aí? Pirataria ou democratização da cultura? Esse tema dá pano pra manga…

Estrada do sol
Tom Jobim
Dolores Duran

É de manhã
Vem o sol mas os pingos da chuva
Que ontem caiu, ainda estão a brilhar
Ainda estão a cantar
Ao vento alegre que me traz essa canção
Quero que você me de a mão vamos sair
Por aí
Sem pensar no que foi que sonhei
Que chorei que sofri
Pois a nossa manhã, já me fez esquecer
Me dê a mão vamos sair pra ver o sol
O sol

Olha que gostoso… a amapaense Fernanda Takai interpretando Estrada do Sol, o clássico composto por Dolores Duran e Tom Jobim, e que já mereceu versões de dezenas de artistas. Mas tem uma versão que é especial viu? Essa mora no meu coração. É a de Dominguinhos e Yamandú Costa. Manda aí Lalá…

Bem… Sou um autor independente, sem estrutura de uma editora profissional para me bancar. Meus e-books são vendidos por 7, 10 ou 14 reais e de quando em quando entram em promoção por até 1 real e 99 centavos, além de estarem no esquema de empréstimo da Amazon. Só falta eu dar de graça, né… Quem pirateia meu trabalho, não remunera esse meu esforço independente.

Há quem ache que a pirataria faz bem para o autor, pois expõe sua obra a um maior número de pessoas, tornando-o conhecido e gerando ganhos em shows, palestras e outras formas que não seriam possíveis se sua obra não tivesse sido popularizada pela pirataria. Portanto, pirateie-se!

Olha, acho que esse é um ponto de vista válido, viu? Aliás, muitos artistas já estão agindo assim, liberando sua obra, suas músicas, gratuitamente para, assim, construir um público sedento por comprar outras coisas, como o ingresso do show, a biografia, o ingresso do filme …. outros produtos, além da música em si, e que trazem grande retorno financeiro para os artistas. Para essa linha de pensamento, “dar o conteúdo de graça” na verdade é uma estratégia de marketing.

E quer saber? Eu acho que isso funciona sim!

O problema do “dar de graça” é que ele exige alguma escala. É preciso ter visibilidade, penetração, um público gigante, pra dar de graça para milhões e ter o retorno de milhares.

Estou fazendo um teste há cerca de 30 dias, usando a estratégia do “fiquei satisfeito, quero pagar”. Criei uma forma para que os ouvintes do Podcast Café Brasil, que tem em média 100 mil downloads por episódio, passem a “assinar” o programa, pagando R$ 2,50 por arquivo baixado. Quatro programas por mês, R$ 10 reais, mais ou menos o que você paga por uma lata de cerveja quente na balada. Não mudei nada no sistema, que continua gratuito, apenas criei um caminho para quem ficou satisfeito e acha que vale remunerar o meu esforço. Paga quem quiser, se não quiser, continua recebendo o programa normalmente.

Qual é a ideia? Ficar rico fazendo podcasts é? Não. A ideia é ter recursos para investir no próprio Podcast, especialmente em ações que ampliem seu alcance, em pesquisas, em novas edições e na criação de novos produtos e aplicativos. Estamos criando um negócio para, se der certo, um dia viver digna e honestamente só dele.

Muito bem. Em 30 dias de campanha conseguimos tcham tcham tcham tchaaaaaammmmm… 145 assinantes. Eu estimo que chegaremos a 200.

200 em 100 mil. Isso dá 0,2% da base de assinantes. Repito: 0,2%, veja que interessante. Recebemos dezenas de e-mails de pessoas dizendo que adoram o Café Brasil, alguns dizendo até que amam e a gente fica contente com isso. Mas quando se fala em contribuir, só 0,2% agem de verdade, confirmando que reconhecem algum valor no que fazemos.

Com adesão de apenas 0,2% da base de ouvintes, 200 pessoas, contribuindo cada uma com 10 reais, obteremos R$ 2 mil reais por mês. Nada mal para quem até 30 dias atrás não tinha nada, não é? Com essa entrada, já fiz um acerto com o Lalá para mais edições, antecipei a produção da  nova temporada do LíderCast e parti para o desenvolvimento de um novo produto. Você ficará sabendo das novidades em breve.

Agora vamos fazer um pequeno exercício, hein? Se nossa base fosse de 1 milhão de ouvintes, 0,2% seriam 2.000! Obteríamos 20 mil reais por mês! Aí a coisa começaria a ganhar corpo, não é? É a isso que eu me refiro quando falo de escala. Escala. Quando a gente fala de Madonna, do REM e outros aí, fica fácil entender escala. Mas nem precisa ser tão grande.

A banda Wilco, lá de Chicago, por exemplo, que depois de anos de estrada, rompeu com as gravadoras tradicionais e partiu para a independência. Seu nono álbum, Star Wars, é distribuído gratuitamente pela internet. Ouça o som dos caras:

Você ouve Taste the Ceiling, com a banda Wilco, que não é assim conheciiiiiida e que dá sua música de graça para os fãs.

Tem lá 212 mil visualizações de seu álbum no Youtube, promove um festival de música e outro tanto de coisas que mobilizam seus fãs, que acabam pagando o que podem e como podem. E a Wilco segue independente. Mas o que é que chama a atenção, hein? Mesmo sem ter milhões de fãs, a quantidade de gente que contribui para o Wilco é bem maior que 0,2% de sua base. É uma questão cultural. Nos EUA existe uma compreensão de se pagar por aquilo que agrega valor. Há histórias impressionantes de gente que constrói negócios independentes e sustentáveis apenas obtendo contribuições pela internet, de gente que paga para obter seu trabalho.

Aqui no Brasil, ainda dá mimimi.

Ó… que tal hein? Agora é Tereza Salgueiro, maravilhosa cantora portuguesa que você devia parar pra conhecer. Aliás, tem uma cena com ela cantando no filme Lisbon Story que é uma coisa, cara… Vou botar o vídeo no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br.

Tem gente que fica incomodada com essas nossas iniciativas de descobrir caminhos para monetizar o Café Brasil. Recebi uma mensagem de um ouvinte indignado, dizendo que “agora começou a pedir doações. Vai transformar o Café Brasil no Criança Esperança”. Tudo bem, é apenas um perdido em meio a tantos outros que viram a ação com simpatia, mas creio que sua indignação pela perspectiva de passar a pagar por conteúdo que julga que merece de graça, é igual ao pensamento de muita gente. Ele provavelmente quer que eu sinta vergonha de – abre aspas – “pedir esmola”… Mas eu não sinto não, sabe porquê? Porque eu pessoalmente contribuo com a assinatura de pelo menos três sites, um deles sendo a Wikipedia. Pago a cada vez que eles pedem. E outros dois sites eu assino com pagamentos mensais. Eu reconheço o valor que o trabalho dessas pessoas têm para mim e faço questão de ajudar a mantê-los. Aliás, me orgulho de colaborar com eles. Se eles estiverem bem, será bom pra mim e para mais um monte de gente!

Mas tem gente que simplesmente não entende isso.

Vamos então a um exercício, hein? Imagine se em vez de apenas 0,2%, tivéssemos 2% dos estimados 100 mil ouvintes do Café Brasil decidindo que vale a pena contribuir. Veja bem estou falando 2% e não 20%! Seriam 2 mil ouvintes, que renderiam R$ 20 mil por mês, cara! Isso tornaria a operação auto suficiente, sem depender de patrocínios, leis de incentivo, sem encarecer o produto com intermediários, simplesmente pela ação consciente de uma minoria dos ouvintes, que reconheceram o valor do produto. Reparou que eu falei “uma minoria”?

2% dos ouvintes…

Uma “conspiração” autor mais ouvinte.

Transfira agora esse comportamento para todo o universo cultural e você verá que juntos, como ouvintes, leitores ou espectadores independentes, poderíamos revolucionar o mercado ao proporcionar aos autores as condições para que se dediquem de corpo e alma à suas obras.

E ainda tem o crowdfunding…

Acabo de lançar um projeto por crowdfunding pelo Kickante: Café Brasil, o livro. Estou propondo a edição de um livro, um e-book e um podbook a partir dos roteiros dos 10 anos dos programas Café Brasil, a ser lançado no começo de 2016. Se conseguirmos levantar a grana necessária, o projeto acontece. Quer participar? O link está no roteiro deste programa.

http://www.kickante.com.br/campanhas/cafe-brasil-10-anos-em-livro

Bem, essa discussão vai longe. Quero aqui refletir sobre o Fransuá, que baixou meu e-book pirata, ficou tão satisfeito com a leitura que me mandou um e-mail solicitando uma forma de compensar.

E aí o jogo ficou interessante.

Pago por aquilo que me agrega valor. Quanto? Não sei, mas eu quero pagar!

Nós, consumidores dos produtos culturais, temos a força para revolucionar o mercado.

Basta agir como o Fransuá, remunerando aquilo que lhe gerar valor.

O que você acha disso, hein?

É assim então, ao som de ESTRADA DO SOL com ninguém menos que OS INCRÍVEIS, que vamos saindo de mansinho.

Cara, se você interpretar este programa como um pedido de esmola, você não entendeu nada. Estou pregando uma re-vo-lu-ção. Estou pregando a independência individual. Estou pregando a mudança do eixo de poder. E isso pode começar com você mexendo esse seu dedinho. Pague pelo que agregar valor à você, à sua vida. Assine o jornal, assine a revista, assine o blog, assine o portal, assine o podcast, participe do crowdfunding, doe para o artista… contribua! É assim que cada um de nós, com seu pouquinho, pode ajudar a fazer um muito.

E mudar tudo que está aí.

Com o esperançoso Lalá Moreira na técnica, a ansiosa Ciça Camargo na produção e eu, o revolucionário conservador Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Larissa,  Marcos Filho, Fernanda Takai, Dominguinhos com Yamandú Costa, o grupo Wilco, Tereza Salgueiro e… os Incríveis!

O Café Brasil só chega até você porque a Pellegrino, resolveu investir nele. A Pellegrino, além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora. Conheça. E se delicie.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatsApp no 11 96789 8114. E se você está fora do país é: 55 11 96789 8114. E também estamos no Viber, com o grupo Podcast Café Brasil.

E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer contribuir, agora é possível fazer uma assinatura do programa, olha so! Acesse podcastcafebrasil.com.br e clique no link CONTRIBUA para saber mais. Já agradeço aos 145 ouvintes que assinaram até o momento. Mais que o valor financeiro, é o gesto de confiança que nos enche de orgulho.

E para terminar, eu fiz uma adaptação numa frase atribuída a Leonardo da Vinci. Eu acho que não tem nada a ver com ele, mas a frase é boa. Lá vai:

Para estar junto não basta estar perto. Tem que estar dentro.