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Luciano Pires -

É ruim ser brasileiro? Não, não creio que seja, mas que tem lugar melhor para viver, ah, isso tem. Todos os brasileiros estão dispostos a se mudar, hein? não. Acho que não. A referência de vida de muitos brasileiros, penso que a grande maioria, é limitada à vida que está a seu redor.  Esse é um trechinho da carta do ouvinte, que deu inspiração para o programa de hoje.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é um ouvinte das antigas, o Harlan Allen. Mas antes deixe-me dar um pitaco aqui, olha só.

Quando escolho os comentários a serem usados no programa, eu uso alguns critérios. Tenho tentado cada vez mais usar comentários em voz que chegam pelo Whatsapp. É mais legal, traz a energia e a personalidade do ouvinte… A tendência é ficar só com o Whatsapp. mas, às  vezes não tem jeito. tem que pegar um texto escrito porque o critério, como você verá na carta a seguir, é colocar em perspectiva um tema a ser discutido no programa. Tem gente que reclama que tem carta demais, mas as cartas dos ouvintes, aqui no Café Brasil, são parte integrante do conteúdo do programa.

Vamos então ao Harlan:

“Luciano, há muito tempo venho ruminando na minha mente a respeito da “brasilidade”. Hoje ouvindo o programa Brasiliência – 467, tentei mais uma vez me convencer que é bom ser brasileiro. Mas vou confessar que está difícil. Para me provocar o podcast player me encaminhou aleatoriamente para o programa 449 – Olhar não poluído. Mas não teve jeito…

É ruim ser brasileiro? Não, não creio que seja, mas que tem lugar melhor para viver? Ah!! isso tem. Todos os brasileiros estão dispostos a isso? A mudar? Acho que não. A referência de vida de muitos brasileiros, penso que a grande maioria, é limitada à vida que está a seu redor. Muitos desconhecem a possibilidade de viver em um estado de bem estar social. Desconhecem ser possível estar na rua sem se preocupar em ser assaltado, ter saúde pública de qualidade, educação básica para os filhos e um monte de outras coisas que se reivindicam por aí. Ou tem aqueles que sabem, mas preferem curtir a brasiliência.

Tenho uma vida boa, pago boa escola para meus filhos, tenho um bom plano de saúde, viajo um pouco, quando o trabalho me dá tempo. Mas isso só existe porque trabalho muito e tenho um salário razoável. Não deveria ter do que reclamar! Né verdade? Além disso pago uma carrada de impostos, INSS, IPVA, IPTU, além de 35% de imposto sobre a grande maioria dos produtos que eu compro. Nem a comida escapa. E tudo isso que o governo me leva não me servem de contrapartida alguma. E eu não sonego.

Lendo um pouco de história do Brasil pode-se notar que isso é de longa data e fisiológico de nossa formação. Sempre houve violência nas ruas, sempre houve desordem, alta carga de impostos. E o que mais me perturba: o jeitinho brasileiro.

Se eu fosse apenas um engenheiro buscando desafios profissionais e, principalmente, sem família, não haveria melhor lugar que o Brasil: desafiador, cheio de oportunidades. Mas não é simples assim a vida. Agora sou pai de família e marido. Me aflige diariamente a hipótese de perder o emprego e não poder manter o padrão de vida dos meus filhos. Não poder pagar a escola deles, não ter disponível o plano de saúde que é tão fundamental, minha esposa ser assaltada na rua. O mais alarmante na minha opinião é o medo da violência das ruas. Os índices de homicídios, assaltos violentos é muito grande no nosso país. A chance de ser assassinado no Brasil é 13.500 vezes maior do que acertar a mega sena. (São 27 assassinatos por 100.000 habitantes contra uma chance em 50.000.000 de ganhar a mega sena). Me tortura ouvir na TV que tem gente acostumada a ver mortes diariamente.

Sei, que temos belas praias, ótima música e artistas, aqui se vive feliz, gente que faz folia em dia de tragédia. Posso até estar com meu olhar poluído (como você diz no programa 449), deve haver o outro lado da moeda com um valor maior de face. Mas hoje estou cansado deste meu país.

Forte abraço

É, caro Harlan, tenho sentido que essa sua angústia é a de muitos brasileiros. Eu sinto o mesmo de quando em quando, uma certa desesperança… Mas temos que tocar em frente, não é? Vou falar disso hoje.

Muito bem. Além do livro, o Harlan receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Tem até uma caneca agora DKT/Café Brasil. Eu sei que o clima geral que vivemos no Brasil hoje é brochante, quem sabe esse kit dá uma motivação, não é? PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence.

Vamos lá então! Ô dois, hoje eu quero os dois motivados!

Na hora do amor, use

Lalá e Ciça – (ANIMADOS) Prudence.

Tive uma conversa com um amigo empresário desiludido com o rumo de seus negócios. Sem qualquer expectativa de futuro, cansado, sem forças, ele está desistindo do Brasil. Quer “dar” a empresa para alguém, vender o que tem e ir embora. Pra longe. E ele não é o primeiro de quem ouço algo assim. Aliás, é um dos vários.

Voltei para cada ressabiado. E lembrando de uma história.

Essa delícia aí ao fundo é o clássico de Aldir Blanc e João Bosco, O BÊBADO E A EQUILIBRISTA, no violão de Gerard Koot. Essa música se tornou o hino dos que, 40 anos atrás, lutavam pela volta dos brasileiros extraditados pelo regime militar…

Em maio de 1996 aconteceu uma das grandes tragédias do Monte Everest, que está relatada no livro No ar rarefeito, de Jon Krakauer. No dia 10 de maio, dezenas de alpinistas foram surpreendidos por uma violenta tempestade enquanto retornavam do cume. Vários morreram, alguns deles profissionais gabaritados. Um patologista norte-americano chamado Beck Weathers, morreu. Uma experiência inacreditável. Você ouviu direto… morreu…

Beck havia feito tempos antes da viagem ao Everest uma cirurgia para eliminar a miopia e, no alto da montanha, em razão da mudança da pressão, foi perdendo a visão. Praticamente cego, a 8.200 metros de altitude, de noite, em meio a uma tempestade ele se desgarrou do grupo e saiu vagando pela montanha até que, desorientado e extenuado, caiu na neve, congelando. Várias horas depois foi encontrado por alguns alpinistas que o deixaram lá, ao verificar que ele estava praticamente morto. A morte por congelamento é chamada de “morte suave”, a pessoa vai apagando aos poucos, lentamente, como uma vela. Quando tudo parecia sem esperança, Beck teve um lampejo de vida, levantou – não se sabe como –  e continuou a caminhar, com um braço estendido, congelado, delirando, sem ter ideia de para onde estava indo. Chegou próximo a um acampamento, em meio à tormenta, onde foi visto por um dos alpinistas e levado para dentro de uma barraca. Ali permaneceu deitado, incapaz de comer, beber ou mesmo se cobrir, com as costas para o lado de fora da barraca, onde passou a segunda noite sob temperaturas congelantes. E olha! No Everest naquela altitude, temperatura congelate é 60 abaixo de zero. por aí, né? Milagrosamente Beck sobreviveu até ser resgatado por um helicóptero. Vou resumir a história: meses depois Beck estava recuperado, mas perdeu o nariz, antebraço e mão direita, todos os dedos da mão esquerda e partes dos pés. A história é impressionante e ele a conta em seu livro Left for Dead.

Vou publicar no roteiro deste programa, em portalcafebrasil.com.br o link para o vídeo onde você pode ver Beck Weathers hoje em dia, como palestrante.

http://www.kepplerspeakers.com/video/beck-weathers/

Ao fundo continuamos com O BÊBADO E A EQUILIBRISTA, agora numa versão com Martin Piazze, o baiano que mora na Argentina, no sax tenor e Marcelo Barroso na guitarra… vamos em frente…

Bem, mas onde é que eu quero chegar, hein?

Numa das entrevistas, ao ser perguntado sobre que força foi aquela que fez com que ele, mesmo virtualmente morto, levantasse para a salvação, Beck respondeu:

– Pensei em minha família. Em meus filhos.

Beck Weathers, em meio a uma situação desesperadora, fez a única coisa que podia: focou naquilo que dava sentido à vida, sua família. E algo lá no fundo de seu corpo quase congelado acendeu, gerando calor suficiente para que ele criasse forças e lutasse pela vida.

A história de Beck Weathers é fisicamente inexplicável.

Aquela noite fatídica no Everest produziu uma dúzia de corpos. Menos o de Beck Weathers.

Escrevi este texto para mandar para aquele meu amigo que está desistindo do Brasil, quem sabe ele consegue agarrar-se a algo que dê sentido à sua vida aqui. Tem gente que se agarra à fé, Deus há de dar um jeito. Tem gente que se agarra a um ente querido. Tem gente – como eu – que se agarra a uma causa política, cultural ou social. Todos, de alguma maneira, encontram um propósito que dá sentido aquela pergunta que não quer calar: vale a pena lutar, hein?

Sem um propósito, não há sentido na luta. E então, como um alpinista sem esperança, abaixo de zero, a saída é aguardar a morte lenta chegar.

Tomara que aquele meu amigo encontre um sentido em ficar aqui.

Mas, se ele não conseguir, boa viagem!

O bêbado e a equilibrista
João Bosco
Aldir Blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos…

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil.
Meu Brasil!…

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarices
No solo do Brasil…

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança…

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar…

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…

London, London
Caetano Veloso

I’m wandering round and round, nowhere to go
I’m lonely in London, London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here, nowhere to go

While my eyes go looking for flying saucers in the sky

Oh Sunday, Monday, Autumn pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them
It’s good, at least, to live and I agree
He seems so pleased, at least
And it’s so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree

While my eyes go looking for flying saucers in the sky

I choose no face to look at, choose no way
I just happen to be here, and it’s ok
Green grass, blue eyes, grey sky
God bless silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say (2x)

While my eyes go looking for flying saucers in the
sky
Yes, my eyes go looking for flying saucers in the sky

London, London

Eu estou andando em círculos, sem rumo
Estou solitário em Londres, Londres é amavél também
Cruzo as ruas sem medo
Todos mantém o caminho livre
Eu conheço, não conheço ninguém aqui para dar oi
Eu sei que eles deixam o caminho livre
Estou solitário em Londres sem medo
Eu estou andando em círculos aqui, sem rumo

Enquanto meus olhos saem procurando discos voadores no céu

Oh domingo, segunda, o outono, passam por mim
E as pessoas passam apressadas em paz
Um grupo se aproxima de um policial
Ele parece tão satisfeito em agradá-los
É bom, pelo menos, para viver, e eu concordo
Ele parece tão satisfeito, pelo menos
E é tão bom viver em paz
E domingo, segunda, anos, e eu concordo

Enquanto meus olhos saem procurando discos voadores no céu

Não escolho nenhum rosto para olhar, não escolho
Só aconteceu de eu estar aqui, e tudo bem
Grama verde, olhos azuis, céu cinza
Deus abençoe a dor silenciosa e a felicidade
Eu vim para dizer sim e digo

Enquanto meus olhos saem procurando discos voadores no céu
Sim, meus olhos vão à procura de discos voadores no céu.

Arrepiou aí, hein? Eu me arrepiei aqui… Você ouviu primeiro o cantor e compositor carioca Mombaça, num show em Brasília em 2007, provavelmente gravado num celular, com uma inacreditável versão de O BÊBADO E A EQUILIBRISTA a capella. Emocionante. Depois, Caetano Veloso com London London, a canção que marcou seus anos de exílio… Uma música para os que voltavam, outra música para os que se foram… É cara! Pra quem tem saudades de casa é uma porrada…

Fui fazer uma palestra numa pequena cidade do interior de São Paulo, não muito longe da capital. Era um evento periódico, organizado por uma moçada da cidade, a garotada mesmo, que sempre leva palestrantes para tratar de temas contemporâneos. Muito legal o evento, a plateia repleta de gente dos mais diferentes segmentos da sociedade. Era um sábado de manhã e foi realmente instigante, especialmente quando eu vi aquela garotada trabalhando, apresentando o evento, organizando e tomando as providências necessárias. Nenhum velhinho envolvido, só jovens.

Após o evento fomos almoçar e bombardeei a garotada de perguntas, fascinado com aquela iniciativa em prol da comunidade. E fui descobrindo, a cada resposta, que nenhum deles morava na cidade. Suas famílias viviam lá, mas todos já havia saído para a capital e retornavam de quando em quando para organizar aquele evento.

Sem essa garotada que um dia se mandou, nada aconteceria na cidade, pois a turma que lá ficou não tem energia, capacidade, vontade de fazer acontecer…

Você está ouvindo agora London, London tocado numa kalimba. Kalimba, instrumento africano, milenar, também chamado de “piano de dedo”. Eu pedi pra Ciça colocar no roteiro desse programa aqui no portalcafebrasil.com.br, dois vídeos. Um deles mostra uma kalimba, como é que ela funciona e o outro é uma dica do Lalá, homenagem ao Léo Lopes. Vai aparecer alí o Maurice White do Earth, Wind and Fire tocando kalimba no meio de um show, cara! É de cair o queixo. 

Muito bem. Essa história voltou à memória quando tomei contato com as notícias da debandada de brasileiros para o exterior.

Quem está indo embora é um covarde que foge ou um corajoso que prefere enfrentar um país diferente, um idioma diferente, um desafio enorme para fazer sucesso, hein?

Já há quem interprete esse fenômeno como “brain drain”, fuga de cérebros, quando um grande contingente de pessoas inteligentes, com habilidades técnicas, emigra de um país para outro, fugindo de conflitos ou guerras, de ameaças à saúde ou instabilidade política. Quando isso acontece, o país perde capital humano, aquela energia, conhecimento e habilidades necessários para implementar a mudança necessária.

Fica como aquela cidade do interior, que depende de quem está fora pra fazer as coisas acontecer.

Me incomoda ver a debandada de brasileiros, mas incomoda muito mais a percepção de que eu, que não fui embora, possa ser um dos “acomodados” que aqui ficaram, sem força, sem habilidades ou sem capacidade intelectual para implementar as mudanças, para não deixar os mentecaptos tomarem conta, para impedir que destruam o meu país.

Ai cara! Esse “será que sou um dos acomodados que ficaram”, me incomoda, viu?

Mas vejamos por um outro ângulo. Os cérebros que saem, saem porque precisam. Eu os compreendo e respeito. Seria melhor que ficassem por aqui, claro, mas não dá para exigir que sacrifiquem seus sonhos diante de um contexto que não muda de uma hora para outra. Eles escolheram ir e talvez isso venha a ser bom. Expostos a novas experiências, a realidades distintas, a produtos, serviços, processos diferentes, essa turma que se foi vai constituir num tesouro à espera de que a situação melhore e talvez, um dia retornem.

Você aí que já está nervoso pois concluiu que esses folgados fogem da briga e depois voltam para se aproveitar da situação que nós que ficamos aqui, lutamos para melhorar, saiba de uma coisa: a expansão impressionante da Coréia do Sul e da Irlanda nos anos 90, por exempoo,  se deu exatamente assim. Quando esses países resolveram seus problemas internos, atraíram de volta o capital humano que haviam exportado, um contingente de pessoas mais preparadas, iniciando empreendimentos que acabaram por mudar a realidade econômica e social daqueles países. O mesmo se passa na Índia e na China neste exato momento!

É bom ter brasileiros vivendo outras realidades. Quando essa turma voltar, vai enriquecer o nosso capital humano. Fica o recado para você que foi ou que pensa em ir: estude, aprenda, desenvolva habilidades. Vamos precisar delas quando você voltar.

Então deixe-me retornar àquele texto sobre o alpinista que eu comentei anteriormente e dirigir esta mensagem àqueles que escolheram aqui ficar. Os que ficaram.

Tem gente que, nos momentos de crise, de angústia, desespero e medo, se agarra à fé. Deus há de dar um jeito. Tem gente que se agarra a um ente querido, como Beck Weathers. Tem gente – como eu – que se agarra a uma causa política, cultural ou social. Todos, de alguma maneira, encontraram um propósito que dá sentido àquela pergunta que não quer calar: vale a pena lutar?

Não, definitivamente eu não sou um covarde que ficou para trás, conformado, aceitando que destruam meu país. Sou alguém que vê um propósito, um sentido na luta. O Podcast Café Brasil, meus textos, meus livros, minhas páginas nas mídias sociais, minhas palestras, são minhas armas. É com elas que permaneço nas trincheiras.

Respeito e admiro a coragem dos que decidiram ir embora, enfrentar o desconhecido, mas eu fiz minha escolha: minha luta é aqui, pelo meu país. Quero contribuir para que outros brasileiros também peguem suas armas e lutem, especialmente os que têm mentes brilhantes, habilidades e coragem, para que este país se transforme a ponto de atrair de volta os cérebros que estamos perdendo.

Não vou fazer como alguns alpinistas que, sem esperança e abaixo de zero, resignadamente aguardam a morte lenta chegar.

Eu escolho ficar aqui!

Por enquanto.

Canção do exílio
Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

É assim então, ao som de CANÇÃO DO EXÍLIO, o famoso poema de Gonçalves Dias escrito em 1843 e musicado por Sérgio Britto, lá dos Titãs, que vamos saindo de mansinho.

Espero que você tenha compreendido a mensagem deste cafezinho… respeite as escolhas de quem decidiu cair fora, mas se você decidiu ficar, meu caro, vá à luta.

Com o guerreiro Lalá Moreira na técnica, a gladiadora Ciça Camargo na produção e eu, este samurai bauruense, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Harlan Allen, Caetano Veloso, Mombaça, Sergio Britto, Martin Piazze com Marcleo Barroso e Décio Gioielli.

E não esqueça da Pellegrino, que além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora. Ô meu! Vai lá. Deixa uma mensagem pra eles lá dizendo: obrigado por estarem no Café Brasil. Isso ajuda a gente, viu?

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer contribuir, agora é possível fazer uma assinatura do programa. Acesse podcastcafebrasil.com.br e clique no link CONTRIBUA para saber mais. Já agradeço aos 150 ouvintes que assinaram até o momento. Mais que o valor financeiro, é o gesto de confiança que nos enche de orgulho.

E olha só: criei um projeto de financiamento coletivo para editar o livro CAFÉ BRASIL 10 ANOS, com os melhores textos utilizados nas cerca de 500 edições deste podcast. Ajude a gente a atingir a meta! Procure por Café Brasil 10 anos – o livro no Google, ou então o link no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br.

http://www.kickante.com.br/campanhas/cafe-brasil-10-anos-em-livro

E para terminar, claro, Gonçalves Dias…

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.