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Luciano Pires -

Há muito tempo, num passado muito, muito distante, eu era nada mais que um garoto dentro de um cinema, prestes a ter minha vida mudada por um fenômeno cultural chamado Guerra nas Estrelas, Star Wars. É essa a viagem hoje, um presente de natal especial pra você.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí olha, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é a Maria, que vem de uma galáxia distante, far, far away…

“Bom dia, Luciano. Sei que você tem mensagens e comentários do Café Brasil, mas eu também gostaria de fazer uma pequena contribuição. eu me chamo Maria, sou russa de Moscou, mas agora estou estudando e trabalhando na Alemanha, na cidade de Dusseldorf. Primeira coisa que eu queria dizer, é que foi com o Café Brasil que eu comecei a estudar e praticar meu português, faz uns anos. Sei lá, três ou quatro anos que estou ouvindo regularmente e agora posso dizer que sou tradutora profissional de português. Então, isso já é um motivo enorme pra lhe agradecer. O seu trabalho, o seu podcast. E a segunda coisa que eu gostaria de comentar, é que bem, no Café Brasil você fala dos temas que são relacionados com o brasil, que são relevantes para os brasileiros, mas na realidade, muitos desses temas também são atuais para a Rússia. E agora, por exemplo, no estado russo, na nossa cidade russa, temos processos e tendências que são muito parecidos com os brasileiros ou com o que acontece no Brasil agora. Então bem, o Brasil e a Rússia ficam tão longe, não se poderia pensar nisso, mas a verdade é que temos muitas coisas em comum. Eu trabalho bastante com os brasileiros, produzindo para as delegações brasileiras lá em Moscou e agora aqui também na Alemanha e não é somente a minha opinião. Muitas pessoas me comentam que enquantoà mentalidade nos parecemos bastante, os brasileiros e os russos. Então, os dois países agora passam por momentos difíceis e tem certos processos da sociedade que são um pouco complicados mas sim, por isso adoro ouvir os seus podcasts e a tua opinião porque me sinto muito assim, identificada. Então, muito obrigada, Luciano, pelo trabalho incrível que você está fazendo e um abraço muito forte, bem… poderia dizer de Moscou, mas agora da Alemanha. Um abraço, tchau!”

Pois é… o que é que eu posso dizer para uma russa que vive na Alemanha e que me diz que usa o Café Brasil para aperfeiçoar seu português, hein? E que se identifica com os problemas brasileiros, que são muito parecidos com os russos? Só posso agradecer, sabe. Maria, o Café Brasil não é feito para brasileiros, é para seres humanos. E um ser humano brasileiro, russo, indiano, sul africano, ou sei lá de que galáxia,  é sempre um ser humano. Aliás: de outra galáxia, não sei não. Bom, eu é que agradeço a você pela gentileza do comentário!

mozhet sila byt’ s vami s

Esse sou eu tentando dizer “Que a força esteja com você” em russo…

Muito bem. A  Maria Prokhorova receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino se ela conseguir algum endereço aqui no Brasil. Olha só: infelizmente não dá pra mandar o kit pra Europa, viu. Sai mais caro que… PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Ô dois! Hoje eu quero em russo…

Na hora do amor, use

Lalá – Você sabe Ciça?

Ciça – Dasvidania.

Luciano – Dasvidania é…

Ciça – Só sei falar dasvidania

Lalá – Podemos pedir ajuda aos universitários?

Luciano – na hora do amor use

Universitários – Prudence

Foi esse o som que, 38 anos atrás, em 1977, ouvi dentro de um cinema, provavelmente o Cine Marabá, no centro de São Paulo, quando as luzes se apagaram.

Eu estava vivendo em São Paulo há 3 anos, prestes a me formar na universidade. Tinha 21 anos de idade e tinha ido ao cinema para assistir a um filme sobre o qual muita gente estava falando, mas numa época em que Google era apenas um sonho, eu tinha pouquíssimas informações.

Após a vinheta, silêncio. E um texto: “Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…”. E então tudo começa!

Junto com o logotipo Star Wars explode uma música, um hino, com um som como eu jamais ouvira. Não era um som alto, era um som assim… diferente… Um som bom, que entrava pelos meus ouvidos e poros, me fazendo vibrar. Opa! Algo começava a acontecer! Surgiu então um texto em perspectiva como que navegando em direção ao infinito, falando que era um período de guerra civil, de rebeldes, do império Galáctico, da estela da morte e de uma princesa chamada Leia, que fugia para casa com os planos que poderiam ajudar a trazer a paz de volta para seu povo… E então acaba a música e uma vinheta de som também galáctico surge com a imagem do universo cheio de estrelas…

A câmera vai descendo para revelar a curvatura da superfície de um planeta… e a música vai num crescendo, criando um clima de expectativa….

Barulho de tiros a laser, que eu não sabia que era laser mas eu tinha certeza que era laser, uma pequena nave entra em cena junto com um som grave vibrando… mas bota grave nisso! Muito grave, vibrando meus ossos, minhas entranhas… e surge por cima de minha cabeça a maior, a mais espetacular, a mais grandiosa nave espacial que eu jamais vira em minha vida, que entra em cena ocupando metade da tela gigantesca do Cine Marabá… e não para mais de entrar! Grudei na cadeira e mergulhei numa viagem que mudaria minha vida.

Eu estava dentro do primeiro episódio de Guerra nas Estrelas, experimentando sensações inéditas. Nunca nada daquilo havia sido mostrado no cinema. Olha, eu já havia visto a grandiosidade da combinação da música com as imagens do espaço em 2001 – Uma odisseia no espaço, mas cara,  do jeito que eu vi  em Guerra nas Estrelas, não!

Se 2001 era música clássica, Star Wars era puro rock’n roll!

Eu não sabia, mas estava testemunhando um momento histórico. Dali para a frente o cinema nunca mais seria o mesmo. A cultura nunca mais seria a mesma. E o marketing nunca mais seria o mesmo.

Algumas obras tornam-se fenômenos culturais, por diversas razões e Star Wars é uma delas, capaz de permanecer na história como as obras de Beethoven, como a Mona Lisa, como os Beatles, como Michelangelo… Pode gritar à vontade aí, mas você não tem como negar. Star Wars está gravada na história da humanidade como um fenômeno cultural capaz de mobilizar bilhões de pessoas em todos os continentes.

Não preciso aqui dizer o que que Guerra nas Estrelas é, não é? Todo mundo sabe, até quem nunca assistiu os filmes. A pergunta que sempre surge é “mas porquê Guerra nas Estrelas, hein?”. O que é que um filme de ficção científica de 40 anos atrás pode ter de tão especial?

Bem, vamos tentar entender.

Primeiro lembrando da época em que o filme surgiu: final dos anos setenta. A década de 70 é conhecida como a que produziu alguns dos maiores filmes de todos os tempos. Você tá sentado, hein? Ouça uma listinha básica:

Taxi Driver, Laranja Mecânica, Operação França, Amargo Pesadelo, O Exorcista, Golpe de Mestre, Chinatown, O Poderoso Chefão partes I e II, Tubarão, Um Estranho no Ninho, MASH, Todos os Homens do Presidente, Carrie, a Estranha, Rocky, um lutador, Sob o domínio do medo, Os embalos de sábado a noite, Noivo neurótico, noiva nervosa, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Nos tempos da brilhantina, O Franco Atirador, Papillon, Manhattan, Mad Max, Halloween, Alien, o oitavo passageiro, Apocalipse Now, Superman, Calígula, Amarcord, Rocky Horror Picture Show, Um dia de cão, Rede de intrigas, A última seção de cinema, O Jovem Frankenstein… posso parar, hein?

Filmes complexos, filhos da contracultura, pós Vietnan, pós Woodstock, que mergulhavam no interior das mentes para discutir o mundo em que vivíamos e que estávamos construindo. E foi nos anos 70 que mesmo filmes complexos e de temática séria, como O Poderoso Chefão, por exemplo, começaram a se transformar em grandes sucessos de bilheteria. É no meio dessa leva de filmes que mostravam o amadurecimento da sociedade, das discussões de temas sociais em todas as mídias que, em 1977, aparece Guerra Nas Estrelas, uma proposta que misturava diversão, imaginação, aventura e heroísmo com questões complexas de convivência familiar, religião e a infalível luta dos fracos e oprimidos contra os fortes opressores.

Além disso, nos anos 70 a tecnologia do cinema evoluía de forma impressionante. Filmes como Tubarão e O Exorcista trouxeram à garotada daquela época efeitos especiais inimagináveis e… é claro, a música…

Aquilo que até então servia como trilha de apoio ou para emoldurar personagens, como…

Ou então….

…agora se transformavam em elemento protagonista dos filmes.

Tubarão… lembra, hein? Me lembro que saí do cinema em 1975 completamente zoado com aquele  filme… e impressionado com a música, que me arrastou pra dentro daquele mar escuro…

Ah, e sempre, sempre a eterna batalha entre o bem e o mal. Uns garotos com menos ou pouco mais de trinta anos de idade e sobrenomes como Lucas, Scorcese, Spielberg e Stalone começaram a fazer milhões de dólares com seus filmes. Nas casas norte americanas começa a se popularizar um aparelho chamado videogame, que fazia a molecada pirar… E na música…

… a revolução que começara dez anos antes seguia com Led Zepellin, Pink Floyd, os Stones, Sex Pistols, Queen e o Yes e centenas de artistas que arrebentavam todas as fórmulas conhecidas.

Quando George Lucas, que vinha de um grande sucesso – uma comédia juvenil chamada American Grafitti lançada em 1973 – apareceu com um filme que reunia tudo aquilo que a humanidade acumulara em termos de efeitos especiais, trilha sonora, música, personagens, ficção científica e guerras, tudo embalado com a velha história do bem contra o mal num cenário em que os pobres rebeldes enfrentavam um poder maior e opressivo, cara… o mundo estava pronto!

O mundo estava pedindo!

E George Lucas entregou.

As pessoas entraram nos cinemas sem saber direito o que esperar e viram as batalhas travadas entre os X-Wings e os caças do império em meio aos gigantescos destróiers, num ritmo alucinante. Tudo era novo, mas… peraí… as batalhas eram muito, mas muito parecidas com as da II Guerra Mundial que a gente tinha visto nos cinemas. Os caças eram parecidos com os caças da Segunda Guerra. A roupa dos pilotos também. E os gigantescos destróiers pareciam com aqueles que a gente via no cinema, cara!

Tudo era novo, mas nada era novo!

E as pessoas viram uma coleção de monstros e criaturas estranhas como já tinham visto antes… mas nunca daquele jeito. Viram samurais e todos os tipos de guerreiros que já tinham visto antes… mas não daquele jeito.

Viram robôs quase humanos.

E viram um garoto com seus 17, 18 anos de idade perdido numa vila desértica num planeta chamado Tatooine, vivendo o tédio que todos os garotos e garotas de 17/18 anos de idade de 1977 reconheceram imediatamente. Como esquecer da cena em que Luky Skywalker assiste aquele por do sol…com dois sóis?

Ah…ela outra vez, a música de John Williams…

Pronto… cara….

Luke Skywalker era eu!

E de repente eu encontrava dois robôs, para ser lançado numa aventura espacial como sempre sonhei, por mundos sempre sonhados, por paisagens exuberantes, do deserto para o gelo, do gelo para as florestas. Se a primeira metade do primeiro filme era levada naquele ritmo lento, na segunda a coisa ficava frenética.

George Lucas me pegou pela mão e levou para onde ele quis, superando minhas expectativas, entregando coisas que eu queria, mas não esperava…

Da mesma forma que meu pai, lá em 1938 se transformou em Errol Flinn nas Aventuras de Hobin Hood, desta vez era eu transformado em herói, em piloto, em guerreiro!

Cara, tem como não ficar enlouquecido com isso, hein?

Quem cresceu acostumado com os universos fantásticos de Harry Potter, do Senhor dos Anéis, de Game of Thrones ou do The Walking Dead, com aqueles efeitos especiais fabulosos, seres inacreditáveis e cenas de tirar o fôlego milimetricamente calculadas, não pode imaginar o que significou entrar num cinema com a mente praticamente em branco em 1977.

Quer um exemplo, hein?

Em 1975 assisti à estréia de Carrie, a estranha, numa sessão da meia noite… e nunca esqueci da cena final com a deslumbrante Amy Irving caminhando até as ruínas da casa da Carrie para depositar um buquê de flores.

Puta que pariu a mão do defunto, cara,  sai do túmulo para agarrar a garota! Cara, acredite, aquilo era muito novo! Eu nunca tinha visto! Meu coração saiu pela boca! Aliás, ele sai até hoje!

Mas hoje todo mundo sabe que no final daquele filme de terror vai sair a mão pra pegar a moça, Jason vai acordar. O gato vai pular. O corvo vai voar. A gente já sabe o que esperar quando a musiquinha tranquila começar. Estamos treinados, educados.

Em 1977, ninguém estava. O que vi no Cine Marabá não era simplesmente mais do mesmo. Era o novo. E até coisas que eu já tinha visto.

Mas nunca daquele jeito.

Pra quem estava acostumado com aqueles bonecos toscos das séries japonesas na TV, ou com o Godzila no cinema, os bonecos de Guerra nas Estrelas eram… reais. Eles se moviam com suavidade, tinham expressões… eles estavam lá, a gente não precisava fingir que eram de verdade. Eles eram reais…

E tudo às claras, em detalhes, na luz… A gente via a cara do monstro, as marcas de ferrugem no robô, a areia entrando em nossas roupas… detalhes, milhões de detalhes. Até hoje descubro coisas novas nas cenas que revejo. Cara, isso na cabeça ainda vazia de um garoto, era nada menos que espetacular.

E enquanto as explosões, as lutas, os vôos das naves, os sabres de luz maravilhavam, havia um enredo ao fundo, um conflito familiar, uma questão a resolver entre pai e filho, um romance que não desenrolava.

Olhando agora para Guerra nas Estrelas é fácil entender porque tanta atração, tanto sucesso. O modelo vem de longe,vem da Grécia, da mitologia ocidental e oriental… o garoto frágil e inteligente que precisa do conhecimento do mestre, o velho mestre que precisa da energia do garoto, um reino com uma princesa, um imperador cruel e seu sargento mascarado e amedrontador e…. a força. A força, outra protagonista fundamental no filme. No episódio IV – Uma nova esperança, Obi-Wan Kenobi, o mestre, explica para Luke que a força é um campo de energia criado por todos os seres vivos. Ela nos rodeia, penetra em nós e mantém a galáxia coesa. Se você viu nessa descrição algo que lembra o hinduísmo, o budismo, o catolicismo ou qualquer outra religião… você está certo.

E se você viu aí algo que lembra a deusa da vida do filme Avatar do James Cameron…bem… nada é por acaso, não é?

Recorrendo à força, os guerreiros Jedis e diversos outros personagens conseguem poderes extraordinários, conseguem manipular objetos e a mente de seus inimigos… Pô, meu, quer coisa melhor?

E a saudação “May the force be with you”, “que a força esteja com você” entrou para a cultura da humanidade como um desejo real do bem, algo como um “Deus esteja convosco”, Namaste ou salaam Aleikum, que a paz esteja entre vós… Não é por acaso que em 2001, num censo realizado no Reino Unido, 390 mil pessoas declararam a “fé Jedi” como sua religião. Era a quarta religião mais popular de lá. Cê acha que pode, hein?

Fala a verdade… George Lucas e sua turma eram Jedis…

Guerra nas estrelas não é um filme sobre guerra, sobre naves, guerreiros e batalhas. É um filme sobre pais e filhos, irmãos e irmãs, colegas de armas, traições, coragem e… paz. É construído da forma como a humanidade conta histórias há milênios. É uma obra de arte e por seu impacto social e cultural terá de ser colocada na história ao lado de obras de Beethoven, Leonardo da Vinci e dos Beatles.

Bem, poucos dias atrás, na madrugada de 17 de Dezembro de 2015, eu estava sentado numa moderníssima sala de cinema de um luxuoso shopping center, aguardando ansioso pela estreia de Star Wars VII – O Despertar da Força.

Não era mais um cinema de rua. Não era mais uma sala com 3 mil lugares. Agora era projeção digital, apenas 120 poltronas reclináveis, som dolby digital… Eu sabia que não seria impactado da forma como fui 38 anos atrás, nada do que apareceria na tela seria novidade, mas tinha certeza de que me emocionaria outra vez ao rever meu “velhos amigos” que, por cerca de 2 horas, me fariam ter 21 anos de idade outra vez.

O filme precisa ser visto com diferentes olhares. Primeiro o olhar do Universo Star Wars. Está tudo lá: o apuro tecnológico, as paisagens desérticas, as naves imensas, os alienígenas, os sons inesquecíveis e as personagens originais. Estão lá o humor, os conflitos familiares e o embate entre o bem e o mal.

Depois o olhar do marketing. O novo filme foi feito por uma única razão: fazer dinheiro. Pra isso ele precisa matar saudades dos velhos e capturar os novos, daí a necessidade de trazer de volta antigas personagens, de protagonistas politicamente corretos (a mulher e o negro), violência politicamente correta (acho que só aparecem uns 30 mililitros de sangue em cena) e redundâncias, especialmente no enredo (rebeldes contra o imperador poderoso, o bandidão mascarado com voz de computador, o robô engraçadinho, praticamente a repetição de 1977). Ah, sim, e as sequências de ação frenéticas, tipo videogame, com tudo aquilo que a molecada consome.

E por fim o olhar nostálgico. Se você tem, como eu, entre 50 e 60 anos, esqueça o enredo, esqueça as atuações, isso tudo você já viu antes e até melhor. Fique de olho na entrada em cena de cada um dos personagens que moram em seu coração. Quando Han Solo e Chewbacca surgiram, soltei um suspiro lá do fundo da alma e meus olhos se encheram d ‘água!

Eu  juro que ouvi ele dizer assim:

– Chewie, Luciano! We are home!!

Estavam lá a minha princesa Léia, minha Milleniun Falcon, os meus robôs… Estavam lá os sons das naves, dos lasers, dos sabres de luz. Mas ao mesmo tempo em que eu me inebriava ao rever meus heróis, compreendi que o retorno deles era também um adeus.

É assim que a vida funciona, não é? O velho dando lugar ao novo.

Mas aí vem a cena final, para mim a mais poderosa do filme. Uma reverência, uma homenagem, uma metáfora sobre gerações, sobre mentoria, sobre juventude e experiência. Uma paulada em mim, que me vi ali representado. Emocionante.

Mais não posso dizer para não estragar as surpresas.

O novo episódio de Star Wars precisa ser assistido sim, dá pra gostar muito, dá pra gostar médio, dá pra gostar pouco, mas não dá pra ficar indiferente.

Muito bem. Saí do cinema com uma pulga atrás da orelha…

Será que daqui a 38 anos essa molecada que hoje tem 20 anos assistirá maravilhada um novo filme da saga no qual a reaparição da hoje jovem e linda Daisy Ridley no papel da Rey, aos 60 anos de idade, encherá seus olhos de lágrimas hein? Como Han Solo encheu os meus?

Faço votos que sim, mas desconfio que não. Não sei se ela terá a força, o tempo e o impacto necessários para gravar sua marca no coração da molecada, da mesma forma que a princesa Léia gravou a sua no meu coração, 38 anos atrás.

E é assim então, ao som empolgante de John Williams que vamos terminando esta viagem. Star Wars é assim, meu caro…uma questão de afeto.

Com o jedi Lalá Moreira na técnica, esta Obi-Wan Kenobi de saias Ciça Camargo na produção e eu, que como você sou Luke, sou Han, sou Yoda, sou Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco Maria Prokhorova, Han Solo, Chewbacca, Princesa Lea, Luke Sywalker, George Lucas, John Williams….o Universo…

O Café Brasil só chega até você porque a Pellegrino, resolveu investir nele.

A Pellegrino, além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora.

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Ó. Enquanto nós estávamos gravando o programa aqui, eu mandei um WhatsApp pra Maria Prokhorova perguntando como é que falava: na hora do amor user PRUDENCE em russo. E ela mandou. Escuta só:

Maria: …………………………………………….. PRUDENCE

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E para terminar, só tem um jeito, né?

Que a força esteja com você.