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Café Brasil 503 – A indiferença

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Luciano Pires -

O Brasil tá pegando fogo. Milhões de pessoas se manifestam contra e a favor do governo, num cenário de confronto que aumenta a temperatura, numa guerra jurídica sem precedentes. Nunca vi nada igual, viu… Mas peraí… enquanto cinco ou seis milhões se manifestam, uns 200 milhões ignoram, meu…

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí ó, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é a Marcos Kleber, lá de Brasília.

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano. Aqui quem fala é o Marcos Kleber, moro em Brasília DF e hoje eu queria fazer algo que há um tempo eu quero fazer cara, que é te agradecer e agradecer ao Café Brasil. Pra isso eu vou contar um pouquinho sobre mim, pra que possam entender minha situação. Bom. Eu tenho 24 anos e sou de uma família classe média baixa e sou hiperativo. Tenho transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Então assi, concentração pra mim, esquece. pedir ago que, sei lá, exija concentração, por mais de cinco minutos na mesma coisa, é impossível. Então, eu sempre sofri muito por isso. E desde 2014 eu escuto o Café Brasil com uma certa regularidade. às vezes eu passo um, dois meses sem escutar, só que quando eu lembro novamente, eu puxo tudo de novo e escuto todos os episódios. E acabei de escutar o episódio 492, Qual o seu propósito. Bom. é por ele que eu quero te agradecer, cara! o Café Brasil me ajudou a encontrar o meu propósito. Eu passei por três faculdades, fiz matemática, fiz engenharia, nenhuma das duas terminei, né. Tô na terceira faculdade agora que é Tecnólogo em análise de desenvolvimento de sistemas, e essa eu não vou parar. Um dos grandes motivos, é realmente o Café Brasil. Por que? Luciano. você tem, quase como magia, se segurar minha atenção. Você faz eu entrar em hiper foco, cara! Coisa que é algo difícil pra mim. Eu não consigo assistir televisão, eu não consigo ver séries, eu não consigo escutar música, eu não consigo ler livros e o Café Brasil faz isso por mim, cara! Então, meus parabéns, de coração mesmo, e é isso cara. Continue com esse trabalho que está sendo maravilhoso pra mim, pra vários ouvintes, já escutei um amigo meu falando isso também, que você ajudou ele muito, muito mesmo. Então é isso cara. Valeu!”

Que legal Marcos! Olha! A gente já recebeu mensagens de quem usa o Café Brasil pra combater a depressão, o Alzheimer e até a ignorância. Mas você é o primeiro que usa contra a hiperatividade! Eu nem consigo imaginar como você deve sofrer com esse problema, mas a gente ficou muito feliz aqui de saber que ajuda de alguma forma, viu? Marcos, mande o endereço… o endereço não. manda um e-mail pra gente aqui. Eu não vou te mandar o livro não. Eu vou mandar pra você um podbook, assim você não precisa ler, você pode escutar, tá bom?

Muito bem. O Marcos receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Olha aí uma bela dica pra combater a hiperatividade, viu? A PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Você já sabe então né? Na hora do amor, use Prudence.

Recebi muitas mensagens de leitores e ouvintes perguntando se eu não faria um podcast sobre a crise política que assolou o Brasil ao longo de março de 2016. Delações premiadas, prisão de senador, condução coercitiva do Lula, aquelas gravações recheadas de palavrões, impeachment pra cá, não vai te golpe pra lá… Me perguntaram se eu ficaria indiferente. Olha , to ligadaço, viu? Quem acompanha minha página  no Facebook sabe disso. Mas os acontecimentos têm se desenrolado numa velocidade tão grande, que é muito fácil falar bobagens. Aliás, é o que eu mais tenho ouvido e lido por aí. Então optei por aguardar que a poeira abaixe e só então me meter a comentar.  Mas enquanto isso quero falar dela viu? A indiferença.

Indiferença
Niomar
José Augusto

A gente já não fala mais de amor
A gente já não liga mais pra nada
Você não sabe mais das minhas noites
Se chego cedo ou de madrugada
Você já não é mais como era antes
Seu corpo já não quer saber do meu
Você não sabe mais dos meus problemas
E não me deixa resolver os seus

Não deixe tudo se acabar assim
Eu sei que ainda existe amor
Não vale a pena
Tente entender
A vida não tem graça sem você

Lembro quando nós nos conhecemos
Havia mais desejo em teu olhar
Aquele nosso beijo apaixonado
Uma vontade louca de se amar
Hoje tudo isso está morrendo
O que foi lindo já não tem valor
Você com essa sua indiferença
Está matando aos poucos nosso amor

Não deixe tudo se acabar assim
Eu sei que ainda existe amor
Não vale a pena
Tente entender
A vida não tem graça sem você

A vida não tem graça sem você

Grande Jerry Adriani, seja muito bem-vindo ao Café Brasil, cantando INDIFERENÇA, de José Augusto.

Olha só, eu viajo o país inteiro fazendo palestras. E quando chego aos locais normalmente sou calorosamente recebido, me colocam numa sala bem legal e estou sempre rodeado de gente para conversar. É sempre muito bom, sabe.

Mas outro dia, não foi.

Fui contratado para palestrar para uma grande e bota grande nisso, viu? empresa. Daquelas que tem marca conhecida, que a gente admira mesmo sem conhecer. E fiz o que sempre faço: cheguei pelo menos uma hora antes do evento… e não havia ninguém no local, só o pessoal do hotel. Uma luz amarela acendeu… Quando chego num evento uma hora antes da abertura e os organizadores não estão no local, algum problema há.

Mas, naquele caso, era atraso mesmo. Chegaram aos poucos e pude testar o equipamento e aguardar a chegada dos chefes, para fazer uma última passagem do briefing. Sentei numa cadeira e lá fiquei. As pessoas chegando, reparei que os diretores estavam lá, numa rodinha, conversando. Ninguém se aproximou de mim. Levantei e me apresentei, recebi cumprimentos frios, protocolares. E a turma continuou na conversa, sem me dar a mínima. Não estavam nem aí com o que eu diria, com a palestra. E fizeram questão de deixar isso claro. Selecionaram o palestrante para encher um tempo livre do evento, pagaram e o ignoraram.

Fiz a palestra, foi legal, mas o que senti ali, naquele momento pré palestra,  foi a pior coisa que aconteceu comigo em tempos recentes: a sensação de indiferença, de que se eu não estivesse ali, não haveria importância. Acredite, isso é pior do que ouvir do cliente que não eu atendi suas expectativas. Aquele grupo de executivos fez com que eu me sentisse um inútil.

Poucas vezes me senti tão ofendido.

Olha eu aqui
Roberto Corrêa
Jon Lemos

Eu já fiz tudo o que podia
Tudo, tudo o que faz uma pessoa normal
Já dei boa noite em pleno dia
Só falta ser manchete de jornal

Mas também pudera
Você não entende nada de comunicação, comunicação
Ligue a sua antena
Vê se no seu peito bate um coração

Você não entende o meu recado
Quer que eu grite, grite com todos os meus pulmões
No seu ouvido tem teia de aranha
E nem se liga em certas emoções

Apesar de tudo
Morro mas não mudo de opinião, opinião
Você não é de gelo
Mas se assim for vou derreter seu coração

Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh
Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh
Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh
Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh

Apesar de tudo
Morro mas não mudo de opinião, opinião
Você não é de gelo
Mas se assim for vou derreter seu coração

Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh
Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh
Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh
Olha eu aqui, oh, oh, oh, oh

Meu, que delícia! Essa é a Evinha! Lá em 1974, com OLHA EU AQUI, de Roberto Corrêa e Jon Lemos. Olha o som que esses caras faziam 40 anos atrás…

Bem, eu contei a história do cliente me ignorando mais para marcar o impacto que senti diante daquela sensação de indiferença. Desde que comecei o meu trabalho de despocotização eu repito: me ame, me odeie… eu só não admito a indiferença. E eu acho que esse problema – a indiferença – é o maior defeito que posso encontrar numa pessoa, num grupo, numa sociedade. E vou dizer a razão: a indiferença traz aquela carga de inutilidade, de não valer a pena, de esforços jogados fora, de tempo perdido. E se você me acompanha há algum tempo sabe o que eu sempre digo: tempo é vida. Tempo perdido é vida perdida!

A indiferença dá a sensação de vida perdida…

Etimológicamente, a palavra indiferença significa “sem diferença”. Um estado estranho e não natural, no qual as linhas entre a luz e a obscuridade, o anoitecer e o amanhecer, o crime e o castigo, a crueldade e a compaixão, o bem e o mal, se confundem.

Quando chegamos a um ponto em que abdicamos de nosso espírito de criação, por exemplo, tornando-nos escravos do “todo mundo faz, vou fazer igual”; quando a política só é responsabilidade do poder estabelecido; quando a arte é o culto à mediocridade; quando existe uma profunda separação entre as condutas e as palavras; quando o pensamento e a ação se contradizem e se enfrentam… nestes casos a indiferença se torna o centro do pensamento.

A indiferença se alimenta de abstrações que tentam justificar o que não tem justificativa. Ela nasce quando não há crenças, quando nada nos atrai e nada nos chama a assumir a defesa do que , alguma vez, julgamos justo e bom.

E é assim que a indiferença gera uma certa tranquilidade diante das injustiças.

Que legal… essa eu já toquei muito aqui. É ASA BRANCA, com o Divina Caffé…

Existem tipos distintos de indiferença. Você pode ser indiferente por convicção ou indiferente por preguiça, por exemplo.

O indiferente por convicção tem uma ideia que o isola da realidade, que o separa dos demais, que o impede de assumir qualquer compromisso, a se comprometer com alguém ou com alguma coisa. Essa ideia o paralisa, não lhe permite agir. O indiferente por convicção, escolhe ser indiferente. Para ele essa ideia é melhor que outras. Então, no fundo, o indiferente por convicção não é realmente indiferente, pois agiu fazendo uma escolha. Ele escolheu parecer indiferente, entendeu? Agiu. Fez uma escolha.

Mas eu me pergunto o que pode motivar a preferência de uma pessoa pela indiferença, hein? Quem estuda o assunto diz que podem ser duas coisas: a ideia da bondade e a ideia da superioridade.

A bondade para com os outros, que é evidentemente falsa, é assim ó: se aceita tudo, não se discute nada, sem assumir qualquer compromisso, comprometido apenas com sua indiferença. Eu aceito tudo que você diz, mas no fundo não estou nem aí… sabe como é que é, hein?

Mas como aceito o que você diz, sou um bonzinho, entendeu?

Já a indiferença por superioridade é assim ó: o sujeito sente-se superior a tudo e a todos. Tudo que os outros possuem é inferior ao que ele possui. Para ele, é melhor ser indiferente do que se comprometer com algo ou alguém. A indiferença, permite mais liberdade, o faz mais livre, o que no fundo não passa de ilusão.

E aí tem o indiferente por preguiça, que sabe que isso é uma fraqueza. Não participa, não escolhe um lado. A única coisa que se pode fazer é tentar tirá-lo dessa inação, o que é mais fácil do que com o indiferente por convicção.

E existe ainda um outro indiferente, que eu acho que no fundo não é indiferente. É o indiferente por ignorância. Ignora o assunto, ignora a importância do impacto e influência que causa nos outros e escolhe deixar pra lá. Mas como ignora e não faz nada pra acabar com a ignorância, na verdade deve ser o indiferente por preguiça mesmo…

Então ficamos assim, ó: a indiferença é uma escolha, por superioridade, bondade, preguiça ou ignorância, mas no fundo não passa de um escudo que os indivíduos adotam para se proteger de situações ou pessoas que não lhes agradam.

De qualquer modo, uma coisa é clara: a indiferença é uma máscara que o egoísmo usa para se ocultar.

O Lalá! Deixa de ser egoísta, pô! Bota nos dois canais aí…

Eu sou egoísta
Raul Seixas

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de Deus, do mal
Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho papão não
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, você reza, você pede, implora
Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei, sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz

O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber… sem tentar?

Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou antissocialista
Eu admito, você tá na pista

eu sou ista, eu sou ego
eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta (2x)
Por que não… Por que não…
Por que não… Por que não…

Olha o Raulzito aí ó, com EU SOU EGOÍSTA… Com direito a citações a Caetano, John Lennon e Bob Dylan

BACHIANAS BRASILEIRAS NR 5

Hummmmm…. Daniel Barenboim com as BACHIANAS BRASILEIRAS Nº 5, de Villa Lobos. Raul Seixas e Villa Lobos. Onde mais, hein?

Muito bem. Mas e quando a indiferença é produto do medo, da covardia, hein? Procuramos justificativas que acabam se transformando em doutrinas que perpassam nossas vidas, mas que no fundo, não passam de desculpas para não reconhecer o medo e a covardia de lutar contra o que nos oprime e nos impede de participar.

Existem centenas de vídeos na internet mostrando algumas esquinas do centro do Rio de Janeiro onde gangs de bandidos caminham livremente assaltando as pessoas. E, não raro, as vítimas estão sozinhas, apanham, são derrubadas, humilhadas e ninguém faz nada. Vez ou outra alguém reage, mas as centenas, milhares de pessoas que passam por ali nada fazem contra as dezenas de bandidos. Simplesmente ignoram, talvez por medo e covardia, talvez por acreditar que o problema não é delas, mas é do estado que não reprime os bandidos…

Sacou? Os bandidos se criam na indiferença.

Pois é. Mas por que que dói mais sentir-se ignorado do que suportar a ira ou o castigo ou a dor até daqueles que nos odeiam, hein? É tudo uma questão de expectativas frustradas.

Você está aguardando uma chamada, uma mensagem, uma menção e essa espera se prolonga… você se sente vulnerável, vazio de afeto ou de interesse. A indiferença nos machuca e muitas vezes nos desespera. Mesmo quem nos odeia, está de alguma forma demonstrando que reconhece nossa existência, que de alguma forma exercemos alguma influência em sua vida. Por isso, por exemplo, respeito mesmo os comentários que chegam criticando meu trabalho. Só não respeito o desrespeito mas, eu já disse mais de uma vez: quem dedica tempo para escrever para mim apontando aquilo que acha errado em meu trabalho, no fundo quer que eu melhore… Já para os indiferentes, eu nem sequer existo… Percebeu como é poderosa a indiferença?

O indiferente se transforma num ser vazio de desejo, de objetivos, que não tem nada a acrescentar. Um ser miserável portanto, incapaz de sentir a dor de terceiros e que  permite que outros façam o que quiserem, sem oposição.

Ser indiferente ao sofrimento é o que desumaniza o ser humano.

Sigmund Freud considerava que o contrário do amor não era o ódio, mas a indiferença. Na verdade, o amor e o ódio estão tão intimamente ligados que às vezes se complementam. Enquanto a indiferença se define como “aquilo que não desperta nem interesse nem afeto”, o ódio é uma “antipatia e aversão a uma pessoa ou coisa cujo mal se deseja”.

Percebeu? Nem quem odeia é indiferente…

A indiferença, quando é real e verdadeira, é cruel. Sobre a mentira, a tortura, a miséria, a fome, o sofrimento, o roubo e os abusos, predomina a indiferença. É ela que dá às vítimas a certeza de que estão esquecidas. É ela que dá ao carrasco, ao corrupto, ao ladrão, a certeza de que seus crimes permanecerão impunes. Ou então, que valem a pena.

Só quem já sofreu a indiferença sabe que ela é uma ferida no coração. Ou na alma. Que ela é capaz de destruir o nosso amor próprio.

É a ânsia de escapar da indiferença que explica o sucesso das redes sociais e o mergulho incessante no celular. Tudo que queremos é que os outros saibam que nós existimos.

E que demonstrem saber disso.

Dê uma olhada no século passado. Além de conquistas imensas do gênio humano, o que é que salta aos olhos? Duas guerras mundiais, incontáveis guerras civis, um encadeamento sem sentido de assassinatos: Gandhi, os Kennedy, Martin Luther King, Sadat, Rabin, banhos de sangue no Cambodja, na Nigéria, na India, no Paquistão, na Irlanda e em Ruanda, Eritréia e Etiópia, Sarajevo e Kosovo. Os gulags russos e a tragédia de Hiroshima e Nagasaki. Auschwitz… Tanta violência, tanta indiferença.

Mas… e quando na hora do almoço hein, minha filha fica louca da vida e desliga o controle remoto da televisão, pois não suporta comer com tanta tragédia sendo mostrada? Será que ela está sendo indiferente, ou esta tentado conservar sua sanidade, hein?

É, meu caro, minha cara, a indiferença pode ser tentadora e sedutora. É muito mais fácil fingir que não é com a gente do que se envolver nos problemas dos outros, não é?

A indiferença é mais perigosa que a ira e o ódio, que podem produzir coisas fantásticas. Livros e poemas maravilhosos foram escritos por gente que se sentiu motivada, indignada, irada. Mudanças sociais e políticas importantes aconteceram provocadas por gente incomodada com as injustiças que testemunharam.

O ódio provoca reações.

A indiferença não provoca nada. É o fim.

Bem, montei este programa inspirado pelos milhões de brasileiros que não vão às ruas por indiferença. Pelos milhões que não se interessam por política. Pelos milhões que permanecem bovinamente resignados. É para eles o recado: a indiferença nunca é uma resposta. A indiferença não é um começo, é o fim. A indiferença é sempre amiga de seu inimigo, ela beneficia o agressor, jamais a vítima, cuja dor se intensifica quando ela se sente esquecida.

Portanto, mexa-se. Sua indiferença jamais fará deste país um Brasil melhor.

Até o fim
Humberto Gessinger

Não vim até aqui
Pra desistir agora
Entendo você
Se você quiser ir embora
Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas
Mas eu não vim até aqui
Pra desistir agora

Minhas raízes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim
Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim

Eu não vim até aqui
Pra desistir agora
Entendo você
Se você quiser
Ir embora
Não vai ser a primeira vez
Em menos de 24 horas

A ilha não se curva
Noite adentro
Vida afora
Toda a vida
O dia inteiro
Não seria exagero
Se depender de mim
Eu vou até o fim

Cada célula
Todo fio de cabelo
Falando assim
Parece exagero
Mas se depender de mim
Eu vou até fim

Não vim até aqui pra desistir agora
Não vim até aqui pra desistir agora

E é assim então, com o som de ATÉ O FIM, com o Pouca Vogal, que vamos saindo de mansinho. Com tudo, menos indiferença…

Com o nunca indiferente Lalá Moreira na técnica, a atenta Ciça Camargo na produção e eu, que prezo demais a diferença, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Marcos Kleber, Divina Caffé, Pouca Vogal, Daniel Barenboim, Raul Seixas, Evinha e…Jerry Adriani!

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/componentesnakata. Entre lá. Deixe uma mensagem pra eles de agradecimento pelo patrocínio do Café Brasil.

facebook.com/componentesnakata. Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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Pra terminar, uma frase de Mario Quintana

A indiferença é a maneira mais polida de desprezar alguém.