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Luciano Pires -

Muito bem, estamos mais uma vez em meio a um processo de impeachment, um daqueles momentos de depuração da república que, olha só,  poucos países já experimentaram. Nós já vamos pro segundo cara, que tal? E tem gente que não percebe que o Brasil está mudando…

Posso entrar?

Bom  dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí ó, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me engana que eu gosto é meu amigo Emerson Castro, lá de Rondônia…

“Oi Luciano. tudo bem? Eu tava agora aqui pensando, de manhã cedo, acabei de passar uma temporada, passei três semanas viajando pelo Canadá, fui visitar meu filho. E às vezes a gente fala no Brasil, o Brasil dos políticos, o brasil da corrupção, o Brasil dos desvios, dos desmandos, da baixa produtividade na área pública e eu voltei… assim… com um impacto muito grande do que eu vi lá, em várias cidades, na Columbia Britânica. A gente esquece às vezes de refletir sobre o custo da corrupção no Brasil mas, é o custo da corrupção no dia a dia, não só nas altas esferas. Quanto custa o prato no restaurante, o prato de comida no restaurante, quanto custa o remédio da farmácia, quanto custa o produto do supermercado, quanto custa o estacionamento? Eu estacionei por diversas vezes em prédios, em edifícios garagem em Vancouver, por exemplo, de seis, sete andares, centenas de carros e entrei, estacionei e paguei, saí, sem ninguém cobrando. Sem uma cancela na entrada nem na saída, cobrando o cupom pago. Colocava na maquininha o tempo que ia ficar, pagava o cartão de crédito e ia embora. E também não vi câmera. Devia ter, mas não vi. O que acontecia: por temor às leis e à efetividade delas, a gente cumpre-as lá. E, parece também, que há um peso maior na consciência, quando a gente vai digitar lá, que ao invés de ficar duas horas vai ficar só trinta minutos sendo que vai ficar as duas horas estacionado. Eu fui em restaurantes em que a gente estrava, se servia e pagava, sem um contato com o garçom. Pegava o refrigerante ou a água da geladeira e sem o contato com o garçom, ás vezes ou com o caixa. Fui em farmácia e supermercado em que tinha o caixa com uma pessoa operando e também tinha o auto serviço. você passava os remédios, você passava os produtos do supermercado no código de barras, pagava com o cartão e saia sem ninguém cobrando o cupom. E pagava tudo direitinho e os produtos mais baratos… por que? Porque a tecnologia, a patente é mais barata  porque também há um custo de mão de obra menor. Ao mesmo tempo que quando retornei, cheguei no restaurante Viena do aeroporto de Guarulhos. Tem uma moça entregando a comanda, você tem uma moça que pesa o prato, você tem uma pessoa que leva a bebida na mesa e lança na sua comanda, você tem depois a caixa que vai receber aquele dinheiro e na saída ainda tem uma pessoa cobrando o seu cupom de pago. Cinco pessoas quando uma só podia fazer. Cinco pessoas pra cobrir a corrupção, pra cobrir a desonestidade do cliente brasileiro, ou do brasileiro.  E isso serve pra tudo. Pro estacionamento, pro supermercado, pra farmácia e são custos que o brasileiro não cai em si ao analisar, que paga mais caro não apenas pelos desvios públicos, mas também paga mais caro por si mesmo. Banheiros públicos mais limpos do que banheiros de shopping no Brasil e pessoas que cumprimentam, trânsito que flui com pouco semáforos, a velocidade média de 30 a 40 km por hora nos bairros, enquanto que em São Paulo, rio, na minha cidade mesmo, aqui em Porto Velho, se alguém anda a 50 km por hora, próximo a uma escola ou hospital, em uma área residencial, tem sempre alguém atrás buzinando porque tá muito devagar. E a gente chega mais rápido no destino, a gente tem menos acidente, muito pelo contrário. Então, eu deixo aí para você essa reflexão e essa minha experiência no Canadá… e não se pode nem falar, o povo canadense é quem? A maior parte do povo canadense é descendente ou é diretamente emigrante. Então, por que que lá eles se comportam assim? Por que que se comportam adequadamente? O brasileiro, o asiático, o chinês, o indiano, o paquistanês, por que? Que acontece lá que nós nos transformamos? Leis que são efetivadas, uma ordem pública com valores bem divulgados pela sociedade, não pelo poder público, pela sociedade organizada, pelos clubes e organizações sociais, existem valores que lá são cultivados e multiplicados, que nós não vemos no Brasil. Um país de pouco mais de 170 anos, nós temos 500 e que obviamente tem referências históricas de origem diferenciada mas que é admirável. Grande abraço aí, Luciano e fica a reflexão pra você e quem sabe aí até para os nossos amigos ouvintes do Café Brasil. Até mais. “

É, meu caro Emerson, só mesmo quando a gente sai do Brasil e compara é que a gente vê a distância que estamos do país que queremos ter, não é? Mas algo está mudando, e este programa fala exatamente disso.

Muito bem. O Emerson receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. É a PRUDENCe dominando Rondônia! PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence.

Vamos lá então! Lalá! Vem cá, vem! Hoje eu quero…

Lalá – … cê qué o quê…

Luciano – hoje eu quero… é devagar… é devagar…

Vamos lá – Na hora do amor, use

Lalá – Prudence… Prudence… Prudence…

Eeee…. que beleza uma viola caipira no Café Brasil… Esse é o Zé do Rancho tocando você sabe o que…

Estou vendo e lendo muita gente cética com as mudanças que virão com o possível impeachment de Dilma Rousseff. É claro que não em refiro aos que são contra o impeachment, mas aqueles que estão neutros e cujos argumentos se repetem: “tirar a Dilma pra botar o Temer?”, “ela será julgada por bandidos”, “tinha que mudar é tudo”, “só vamos trocar de bandidos”.

Olha, nesta altura da minha vida não tenho mais muito saco pra ouvir argumentos sobre porque não dá pra fazer aquilo que temos de fazer.

Queremos mudar o Brasil do ponto A para o ponto B, e para mim só existe uma forma segura de fazer essa transição: gradual e progressivamente. Tempos atrás escrevi um texto sobre certas estratégias que chamei de fogo ou água. Eu dizia assim ó:

Um conhecido meu, palestrante, famoso pelas posições críticas e ácidas que sempre distribuiu, comenta que o mercado está ruim e que ele não é mais chamado para palestrar nas empresas. Argumentei que isso talvez se devesse à forma agressiva como ele manifesta as opiniões, não deixando pedra sobre pedra. Que ele “queimava pontes”. E ele ficou bravo… Passou a fazer aquela pregação tão característica de algumas vertentes ideológicas, de que tinha seus valores e não abria concessões. Que preferia não ser chamado para palestrar a ter que palestrar sem dizer o que pensa, etc. Você conhece gente assim é? Eu conheço um monte…

Essa gente usa a estratégia que eu chamo de “fogo”: quando não concorda, bota fogo! Incendeia! Briga! Grita! Esperneia! Não concede. É como aquele guerrilheiro que dorme no mato, passa fome, não toma banho e de vez em quando dá um tiro, rouba um caminhão e grita palavras de ordem. Não resolve nada, mas “mantém a integridade”, sabe? Olha! É bonito de ver!

Todo mundo, quando jovem, é fogo: quer mudanças, não tem paciência, vai prá rua e defende suas ideias (ou as ideias que foram implantadas em sua cabeça) com vigor. E às vezes consegue uma vitória, que raramente é sustentável. O fogo tem um problema grave: o inimigo percebe só de sentir o calor, cara. Ou ao ver a fumaça. E o pior: quem controla o vento, controla a força e a direção do fogo.

Eu tenho que repetir essa: quem controla o vento, controla a força e a direção do fogo.

 

Olha que fantástico isso, cara… Eu não sei se é pelas minhas raízes portuguesas ou caipiras, mas a viola sempre me emociona, viu? Essa é Disparada na guitarra portuguesa de Ricardo Araújo.. é emocionante mesmo. O vídeo com essa apresentação está no roteiro deste programa no Portal café Brasil. Sobe aí Lalá…

Alguns anos atrás conheci pessoalmente um deputado federal que me pareceu íntegro e honesto. Em determinado momento perguntei por que ele não denunciava as histórias cabeludas que todos sabemos que acontecem dentro do congresso, dando nomes aos bois. E ele respondeu:

– Luciano, é muito fácil eu pegar o microfone e botar fogo no circo, denunciando as falcatruas e acusando os responsáveis. Mas quando eu fizer isso, nunca mais conseguirei aprovar um projeto sequer. O grande dilema é até onde posso conceder sem ferir os meus valores.

O deputado foi pragmático: atacar o sistema de frente, com fogo, é sentença de morte. É mais efetivo estar dentro dele, combatendo-o. Essa é a estratégia que eu chamo de “água”: diferente do fogo, a água vai ocupando os espaços aos poucos. Se você tampa aqui, ela acha um buraquinho ali, contorna os obstáculos, toma a forma dos recipientes, penetra no solo, evapora e cai outra vez… Para ser contida a água precisa de uma barreira impermeabilizada, imensa e custosa. E o “inimigo” só percebe quando a água bate na bunda.

Nenhuma novidade, não é? Grandes pensadores trataram disso muito tempo atrás. E temos um exemplo nacional: o PT foi fogo a vida toda e só conquistou o poder quando adotou a estratégia da água, com o inesquecível Lulinha paz e amor e a sua carta aos brasileiros, lembra?

Vivemos numa sociedade que tem regras, tem leis. Viver sem regras e fora da lei não é algo aceito. Nem é inteligente. Temos que jogar conforme as regras, o que não quer dizer que não possamos quebrá-las para manter a coerência com nossos valores e convicções. A questão é como quebrá-las: com fogo ou água?

Lembre-se: o fogo nunca incendeia a água. Mas a água apaga o fogo.

Por isso admiro o Juiz Sérgio Moro. Como um Bruce Lee da justiça, ele é fluído como água…

Você reparou que aí ao fundo, além da maravilhosa guitarra portuguesa, tem um piano à altura, hein? É o André Mehmari….

Pois bem, sou da água, não sou do fogo. As mudanças feitas abruptamente, com base no fogo de alguma revolução como querem alguns, sempre dá no que já cansamos de ver: populismo. E sangue. Ou no surgimento de um messias que dará em outra coisa que também já cansamos de ver: sangue. E populismo.

Estou entre os que acham que o homem é imperfeito, que ninguém tem a solução para os problemas do mundo, que evoluímos imensamente ao longo da história e que o que temos de fazer é melhorar o que temos de bom, sem partir para rompimentos que acabam, de novo, em populismo. E sangue.

Por isso, em vez de ficar paralisado com medo do outro bandido que tá ali na esquina, eu prefiro combater o que está me atacando agora, liquidá-lo e só então enfrentar o outro. E para isso eu olho em volta para perceber o que está acontecendo ou aconteceu aqui no Brasil nos últimos 10 anos. Vou elencar a seguir uma série de coisas que mudaram por aqui, vá tentando encontrar exemplos no dia a dia, vai…

Aí ao fundo vem outra versão de Disparada, com Luis Leite, Luis Barcelos, Marcelo Caldi e Diego Zangado…

Vamos lá. Sem ordem de importância vou colocar aqui as coisas das quais me lembro sem ter de consultar nenhuma fonte. É memória mesmo:

– começo com o desentorpecimento, olha só, cara: desentorpecimento das mentes conquistadas pelo canto da sereia que há 50 anos promete o paraíso ético, o paraíso do crescimento e da harmonia para os brasileiros. Como a história já demonstrou, quem promete o céu fica sempre na promessa. E se alguém recebe o céu prometido, nunca volta pra contar, cara;

– o desnudamento da república dos marqueteiros, dirigida por populistas, cheia de promessas, permanentemente em campanha eleitoral;

– o desnudamento da maquiagem de números, estatísticas, histórias e personagens a serviço de uma narrativa que criava um mundo ideal que você via pela mídia e era muito diferente do mundo real no qual você vive;

– o desnudamento das relações entre o poder e o dinheiro, com compra explícita de votos, de decisões, de benesses;

– o desnudamento da fragilidade de nossas leis, que parecem feitas para serem burladas por quem conhece o caminho das pedras. A gente ouvia falar que sempre foi assim, não é? Mas nos últimos meses a gente viu ao vivo, em cores… ;

– o surgimento de uma geração de juízes, promotores, delegados e – por que não – políticos jovens, dispostos a recuperar valores que foram atropelados pelos interesses pessoais de muitos;

– o desmantelamento de quadrilhas poderosas, com quase 200 criminosos já processados só no mensalão e petrolão, cerca de 80 presos, entre eles alguns dos homens mais ricos e poderosos do Brasil;

– a revelação dos planos, conversas de bastidores, relações espúrias e conspirações, explicitando o caráter (ou a falta de caráter) dos que se diziam donos da verdade e do futuro;

– o desmanche dos discursos dos que se diziam paladinos da ética, vários deles metidos nas mesmas maracutaias que aqueles que diziam combater;

– a desqualificação do discurso dos progressistas e estatistas que, durante mais de 50 anos, venderam uma utopia e depois tripudiaram sobre a esperança dos que acreditaram neles;

– a revelação das contradições – uma quase esquizofrenia – dos que discursam para um lado e agem para outro;

– o desnudamento de órgãos da imprensa, institutos de pesquisa, ONGs, intelectuais, professores e artistas que se mostraram a serviço não de uma causa, mas de projetos de poder ou de ganhos pessoais;

– a politização de milhares de jovens que até meses atrás não estavam nem aí para as questões políticas e que agora acabaram se interessando, conversando e aprendendo sobre;

– o desnudamento dos partidos políticos, da falácia da “oposição x posição” e da estrutura política brasileira que é velha, ineficiente, corrupta e incompetente;

– o desnudamento do legislativo, executivo e judiciário, que expuseram suas limitações e a necessidade urgente de reformas;

– o desnudamento de lideranças dos tais movimentos sociais que se revelaram nada mais que peões do jogo do poder, interessados em agir a soldo de um projeto de poder enquanto se escondem atrás do discurso da proteção das minorias;

– a súbita percepção por milhões de brasileiros (ainda assim uma minoria dentro dos mais de 200 milhões de habitantes) de que são cidadãos, que têm direitos, que podem exigir serviços e produtos de qualidade;

– a percepção de que o estado monstruoso, em vez de incentivar os indivíduos, apenas tolhe sua liberdade, suas economias, sua capacidade de escolher o que for melhor para si e para a sociedade;

– a revelação do estado de completa bagunça institucional a que chegamos, com a ocupação de cargos importantes por indicados políticos, gente incompetente e a serviço de interesses escusos…

Olha, eu poderia ficar aqui até amanhã, viu elencando as centenas ou milhares de coisas que mudaram nos últimos dias, meses e anos, especialmente em relação a percepções e que indicam que vem aí  um Brasil novo.

Se você não enxerga essas mudanças meu, meus sentimentos.

Pois então, mesmo que você não enxergue, está nascendo sim um Brasil menos tolerante com os espertinhos, menos tolerante com o blábláblá, mais interessado na garantia dos direitos individuais, mais respeitoso, mais propenso ao diálogo, menos apegado a velhos credos, menos crédulo nos messias salvadores, mais protegido dos discursos populistas que liquidam com o futuro.

Mas é preciso saber que essas mudanças são vagarosas, vão acontecendo conforme contaminam as novas gerações, vão surgindo conforme a revelação das inconsistências entre discurso e prática destroem os mitos. Como uma inundação, aos pouquinhos preenchendo todos os espaços. Por isso ainda teremos de conviver com a  lama, com ratos com idiotas úteis por um bom tempo.

Mas o Brasil de 2016 não é o mesmo de 2003, 2005, 2008 ou 2010. Nem 2013. As perguntas mudaram, as respostas têm de mudar. Por isso é preciso que mostremos a nós mesmos que podemos assumir a mudança e fazer com que aconteça o melhor.

E o primeiro passo é parar com o mimimi, com essa maldita mania de achar que não vai dar certo.

Eu, como a maioria dos brasileiros, quero ver na cadeia todos que tiverem rabo preso, sejam do partido, clube, religião, opção sexual, cor ou estrato social que forem. Por isso prego que nossa ação fundamental, de curto prazo, tem de ser preservar a Lava Jato até as últimas consequências.

Nos próximos dias veremos os Eduardos Cunhas da vida chamados a prestar contas com a justiça. Você aí que acha que não vai dar em nada, deve ser o mesmo que dizia dois anos atrás que Marcelo Odebrecht jamais seria preso, não é? Que dizia que político não vai pra cadeia ou que ainda diz que “vai mas sai logo”. Pois é…

Você parece que não vê que se hoje eles saem logo, dois anos atrás nem pra cadeia iam…

Sabe quem está tocando esse violão, hein ? É Théo de Barros o autor da melodia de Disparada.

Pois então… Algo mudou neste Brasil varonil.

Ninguém mais mijará de porta aberta na minha frente. Para muuuita gente, acabou a indiferença. E uma coisa espero que fique clara: se a Dilma cair e o Temer assumir e pisar na bola, a gente derruba o Temer. E derrubaremos todos os que vierem em seguida e não tiverem um compromisso conosco. Vamos sofrer, vai custar caro, mas é assim que funciona, cara: mudar dói.

E essa mudança começa com a retirada do PT do poder, com a queda de todos que defenderam as falcatruas. E principalmente com o pavor que essa reação popular vai incutir entre os eleitos para nos representar em Brasília ou em nossas cidades.

Mas e se o impeachment não passar, hein? E se a Dilma não cair? Bem, já teremos sentido o gostinho do cangote da turma. E se eles achavam que estava difícil, não sabem do pesadelo que vão viver até 2018.

Eles deixaram o Brasil amadurecer. Agora vão se ver conosco.

E pra você que continua indiferente ou acha que tudo permanecerá como antes, ou que vai piorar, eu deixo um pedacinho do que Geraldo Vandré compôs para A Disparada:

Mas o mundo foi rodando / Nas patas do meu cavalo
E os sonhos / Que fui sonhando
As visões se clareando / As visões se clareando
Até que um dia acordei

Disparada
Théo de Barros
Geraldo Vandré

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo, a morte e o destino, tudo
Estava fora de lugar, eu vivo prá consertar

Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
Não por um motivo meu, ou de que comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse, porém por necessidade
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu

Boiadeiro muito tempo, laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente, pela vida segurei
Seguia como num sonho, e boiadeiro era um Rei
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando, as visões se clareando
As visões se clareando, até que um dia acordei

Então não pude seguir, valente em lugar tenente
E dono de gado e gente, porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente

Se você não concordar, não posso me desculpar
Não canto prá enganar, vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui Rei
Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu, querer mais longe que eu

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte num reino que não tem rei

Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui Rei
Não por mim nem por ninguém, que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu,
Por qualquer coisa de seu, querer mais longe que eu

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte num reino que não tem rei.

Laiá laiá laiá laiá laiá lá laiá

E é assim então, ao som de DISPARADA, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, numa gravação feita no Centro Cultural do Sesi em Taguatinga – no Distrito Federal, que não tem indicações do nome da intérprete ou da orquestra (e se você souber quem é nos avise!), que este Café Brasil que tem lado, sim senhor,  vai saindo de mansinho.

Com o isentinho Lalá Moreira na técnica, a apavorada Ciça Camargo na produção e eu, com minha lata d´água na cabeça, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco meu amigo Emerson Castro, Théo de Barros, Luis Leite, Luis Barcelos, Marcelo Caldi e Diego Zangado, Ricardo Araújo e André Mehmari e Zé do Rancho.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá que vale a pena: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande também um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país é: 55 11 96429 4746. E agora temos também um canal no Telegram, com o Café Brasil.

E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer contribuir, vem pra cá, cara! Vem pra confraria. Acesse podcastcafebrasil.com.br e clique no link CONTRIBUA pra entrar dentro de um grupo especial aí que está recebendo uns negócios diferentes, cara!

E pra terminar, uma frase de Lao-Tsé:

Toda jornada começa com o primeiro passo.