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Luciano Pires -

Você ouviu o programa Pinxado no Muro? Não, é? Então antes de ouvir este aqui, ouça aquele lá, vai. É o número 511. Hoje vou contar o que aconteceu com a menina de 12 anos que enviou a cartinha que inspirou aquele programa.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí ó, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é o Duilio, lá de Barcelona. Mas eu acho que vai levar é um e-book, viu?

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano. Meu nome é Duílio, tenho 32 anos e falo desde Barcelona. Bom Luciano. Hoje é um dia muito especial de um grande amigo querido, um irmão e hoje, já levo um par de dais que venho tentando demonstrar esse carinho e esse afeto que tenho por ele e hoje me senti de mandar uma mensagem pra ele, né? Uma pequena mensagem declarando o afeto que eu tenho por ele. E anteriormente já mandei também um áudio pra você falando sobre ele, ue me apresentou o podcast Café Brasil e justo hoje, ele me mandou uma mensagem, começamos a conversar e ele me mandou uma mensagem que hoje ele estava com vontade de chorar. Era pra chorar. E eu perguntei o motivo do porque disso e ele me responde: você escutou o último podcast do Café Brasil? E eu falei não. Ele falou escuta e… e antes de escutar mandei um áudio pra ele agradecendo a amizade, a nossa amizade, né? E eu não esperava escutar o podcast que falaria sobre ele. Justo pelo nome, quase ninguém conhecerá no Café Brasil mas, aqui no Café Brasil todos conhecem ele como o pai da Ana Gabriele. Certo? O famoso pai da Ana Gabriele, no qual eu admiro um montão. E tomando como referência no podcast passado que eu agora não lembro o nome, sobre passar filtros na sua lista de amizades no Facebook e na sua vida e tomar esse filtro e colocar um filtro, eu já comecei a fazer isso há muito tempo atrás e tirando, afastando de mim essas pessoas na qual eu não teria… não saco proveito nenhum, não tenho como sacar nenhum proveito e sim elas muito de você. Eu não tenho nada a ganhar tendo essas pessoas do meu lado. Só que tem pessoas, tem amizades que valem a pena. É o caso da Ana Gabriele. No qual eu admiro muito, muito, muito e eu sei que pra mim ele é como um mentor, tenho ele como um mentor, um fiel amigo e amigo pra tudo. Nós temos nossas diferenças, mas como no áudio anterior eu tinha falado, opiniões sao opiniões:  opiniões de lado, cada um tem a sua. E ó Luciano, era só mesmo pra dar aquele alo que estamos aqui, Gabriele também enorme e segue com o pai dela. Agora a Gabriele está morando em Barcelona com eles, com os pais e somos vizinhos e amigos de fim de semana. Certo Luciano? Um forte abraço e segue com esse maravilhoso trabalho seu, no qual tem mudado muita gente e ajudado muita gente, muita gente. Um forte abraço, meu caro amigo. Tchau!”

Bom, o Duilio abriu o caminho… perguntamos a ele se poderia nos colocar em contato com o pai da Ana Gabriele, pois queríamos saber o que aconteceu com ela. E descobrimos, cara… Barcelona…

Muito bem. O Duilio receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Mas tem de mandar um endereço pra gente aqui no Brasil, viu? PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Lalá! Ah! Tá todo mundo hoje aqui é? Então eu quero em conjunto. Vamos fazer aqui, mas vamos fazer assim com um sotaque espanhol. Vamos ver se dá certo, hein?

En la hora del amor:

Todos – Use Prudence.

Você está ouvindo La Meva Terra És El Mar. Cara! Isso é catalão. Não tenho a menor ideia se é assim que pronuncia, mas quer dizer: Minha terra é o mar e o grupo chama-se Lax´n´Busto, lá da Catalunha, cuja capital é Barcelona. A letra dessa música diz assim ó:

Você, velho timão que me ajuda,
Meu endereço é você e o vento;
Me tira desta tempestade,
Me tira que já não posso mais, seguindo uma estrela possivelmente perdi o céu.
Perdi o juízo.

Me dê forças para gritar,
Que não sou daqui, tampouco de lá,
Sou parte do oceano.
Me dê forças para gritar, que não sou de mim,
Não sou de ninguém,
Minha terra é o mar feito de água e sal.
Debaixo da água não tem dinheiro nem bandeiras nem nações
O silêncio que me envolve e a melodia que me faz viver,
Viver e ser livre, livre!

Escolhi essa música para abrir o programa, pois ela fala exatamente daquele timão que orienta o leme que nos dirige, para sair das tempestades, que nos ajuda a ser livres. A história que vou contar hoje tem muito a ver com isso…

Bem, o que aconteceu foi que retomamos contato com o pai da Ana, o Wcirley (Ucirlei), que nos mandou um depoimento. Eu ia escrever um texto a respeito, mas desisti. Prefiro que você ouça o depoimento dele.

Olá  Luciano, ola Ciça e Lala

Eu fico muito grato pelo programa Pinxado no Muro ser considerado um dos mais importantes do Café Brasil a ponto de merecer uma revisitada.

Há quatro anos,  justo quando saiu aquele programa eu tinha acabado de sair de uma temporada muito difícil da minha vida, digo uma temporada porque foram vários anos difíceis e o programa veio como um alívio, eu chorei, depois respirei fundo  e pensei: tá valendo a pena.

Vou tentar ser breve porque a história é muito longa e não quero ocupar muito seu tempo. Eu e minha esposa fomos pais muito cedo, eu agora acabo de fazer 35 e ela 34. Ambos somos filhos de pais muito pobres e analfabetos, quando eu a conheci ela trabalhava em uma serraria tirando prancha de compensado da caldeira, ou seja ela sempre foi uma mulher guerreira e forte, ao mesmo tempo bonita e feminina como se tem de ser. Então eu não podia perder uma mulher assim né, hehehe…

Pois então Luciano, quando ela engravidou do nosso filho, o Caio Gabriel, foi quando eu tive que fazer a primeira grande escolha da minha vida. Eu tinha que escolher entre viver em um barraco onde ratos passeavam pelos cantos durante a noite ou sair para um destino incerto como louco sem juízo (e foi assim que nos chamaram).

Minha mulher planejou ir trabalhar de cozinheira naquele garimpo onde os índios fizeram um massacre lá em Rondônia.

Eu vou dar uma pausa aqui pra lembrar o seguinte: ele está se referindo a abril de 2004, quando 29 garimpeiros que haviam invadido uma reserva indígena em Rondônia em busca de diamantes, foram mortos a tiros por índios cintas largas.

Vou voltar ao texto do Wcirley…

Minha mulher planejou ir trabalhar de cozinheira naquele garimpo,  mas graças a Deus eu não permiti que ela fosse. Meses depois eles mataram quase todo mundo que estava lá. Então uma amiga dela a chamou para vir para a Espanha. Foi então que, com a ajuda do meu ex-chefe que foi um anjo no meu caminho, os dois loucos deixaram seus filhos com os avós e partiram em busca de uma vida melhor. A Ana tinha por ai cinco, quase seis anos e o Caio não tinha nem completado um ano de vida.

A luta foi grande, Luciano. Tive que trabalhar com documento falso, fui preso três vezes por isso. Saía da delegacia, comprava outro documento e ia trabalhar novamente, não me importava em sofrer, o que me importava eram as conquistas, que vieram muito pouco a pouco, mas foram chegando.

Depois de dois anos aqui na Espanha a gente conseguiu tirar nossos filhos e meus sogros de um barraco do tamanho de uma sala onde não tinha nem repartição, onde o banheiro era um mictório no fundo do quintal, para uma casa de material, onde cada um tinha seu quartinho, uma casa com sala, com cozinha, banheiro etc. Até hoje eu me lembro que a Ana sorriu e me disse: agora já não tenho vergonha quando as minhas amigas pedem para ir no banheiro da minha casa.

Logo lhe enviei um computador que usávamos para estudar e nos ver pelo Skype. Muitas vezes ficávamos até quase amanhecer o dia estudando  quando ela tinha dificuldades na escola, isso porque a diferença de horários daqui para o brasil é de seis horas, mas eu levantava cedo e ia trabalhar contente.

Luciano, a maturidade precoce que você pode notar naquela carta da Ana lá de 2012 se deve justamente a isso. Com a gente longe e com avós analfabetos e um irmãozinho mais novo, ela teve que ser a chefe da casa, ela que ligava nos lugares para resolver problemas, ela que ia no banco com os avós para falar por eles, ela que lia as coisas pra gente tomar decisões quando chegavam cartas lá na casa dos meus sogros, tipo IPTU, resultado de exames médicos etc. Ela era nossos olhos e ouvidos lá.

A saudade era tanta, Luciano que mesmo antes de termos os documentos espanhóis a gente tentou trazer eles com um amigo que tinha nacionalidade espanhola, mas infelizmente foram deportados. Pra piorar foi justo quando deu aquela enchente aí em São Paulo. Sorte minha foi uma amiga que fizemos aqui e que tinha voltado para o Brasil. Ela os levou para Piracicaba até a gente conseguir vôo para Rondônia uma semana depois, mas isso foi lá por 2010 ou 2011 eu já nem lembro. Em 2013 conseguimos nossos documentos espanhóis e três meses depois a Catia, minha mulher já estava no Brasil. Trouxemos eles! 

ana familia

Foto da família, tirada pelo Duílio, no momento em que os filhos chegaram no aeroporto em 2012.

O sentimento que eu tive ao ter toda a família juntinha pronta para viver uma nova vida sem preocupações muito sérias foi de que nada tinha acontecido, tudo sumiu da noite pro dia Luciano, do nada eu passei a me sentir em casa, comecei a desfrutar da vida, a brincar, a sorrir  por qualquer bobeira e a Ana pode por um tempo ser criança. Já não era responsável por tudo e por todos e isso me emocionou. Bom, eu já te disse que a historia é muito longa e não quero ocupar muito seu tempo.

E como o podcast entra nessa historia, hein?

Bom Luciano, naqueles momentos em que eu perdia a esperança e sentia vontade de abandonar tudo e voltar para o Brasil e ser um servente de pedreiro trabalhando de sol a sol por um salário que mal daria pra fazer a compra do mês, eu ouvia um programa que falava sobre o tempo, sobre tentar outra vez, sobre persistir, eu ouvia você , Luciano, ler a carta de alguém que superou tudo e logrou algo incrível lá na frente. Então isso me animava e eu seguia em frente. Quando eu estava triste vinha aquele programa pra cima, aquele programa animado com aquela música que deixa qualquer um com vontade de mexer o esqueleto e então eu sorria. Quando eu achava que eu não tinha a menor importância nesse mundo, vinha aquele programa que fala sobre nossas origens, sobre nossos pais, sobre nosso país e o que é ser brasileiro… Então eu voltava às minhas raízes e me sentia bem. E foi assim que eu aprendi a gostar de música boa, a reconhecer a importância da cultura de um país, a educar a mim mesmo antes que a meus filhos. Lembro daquela frase que você cita, “Quer educar o seu filho? Comece 20 anos antes de eles nascerem”. Foi aí que aprendi  que não tenho que só esperar que meus filhos sejam esforçados, eu tenho que ser esforçado antes  deles, eu tenho que ler muito para que eles criem gosto pela leitura, não vai ser vendo televisão que eu vou fazer com que eles gostem de livros.

Hoje em dia estamos bem, Luciano, eu cada dia aprendo mais  com os podcasts, tenho quase todos teus livros, na verdade sou seu puxa saco de carteirinha, tudo que tu faz eu consumo, tenho até aquele livro que você narrou, Guia politicamente Incorreto da História do Brasil.

Mas estou aprendendo muito também com o LíderCast, com o podcast das meninas do Mamilos, me emocionei esta semana com os depoimentos dos asilados Sirios  lá no podcast Projeto Humanos, e eu  aprendo muito com outros podcasts também… É isso, sou um aprendiz e vou passando adiante tudo que aprendo de bom e o podcast é uma dessas coisas boas, principalmente o nosso cafezinho.

Sobre a Ana, depois que ela chegou passou por algumas dificuldades, os idiomas, a adaptação a tudo, a morte do avô lá no Brasil, mas ela  continua me dando orgulho. Outro dia ela arrumou um namoradinho e depois de uma semana de namoro o rapaz se encabulou porque ela tinha passado o dia sem falar com ele pelo whatsapp. Ela disse que estava estudando para uma prova, ele se ofendeu e disse que assim não dava pra namorar com ela, ela virou pra ele e disse:

–  Ok, vai ser assim, foi bom enquanto durou.

Ou seja, durou uma semana o namoro. Largou do rapaz e se focou nos estudos. Meu coração quase explodiu de orgulho, eu sorria sozinho quando estava longe dela. Hehehehehe, Luciano desejo a você e a sua equipe toda a prosperidade do mundo. Gostaria de te ver como um Ministro da Cultura, mas não sei se isso é a sua praia. Se assim fosse saberia que em melhor mãos não poderia estar. Eu gostaria abraçar todos vocês e agradecer por me acompanharem por quase oito anos. Por favor vivam eternamente.

Cuccuruccu Paloma
Tomáz Mendez

Dicen que por las noches
No más se le iba en puro llorar
Dicen que no comía
No más se le iba en puro tomar
Juran que el mismo cielo se estremecía al oír su llanto
Como sufría por ella
Que hasta en su muerte la fue llamando

Ay ay ay ay ay cantaba
Ay ay ay ay ay gemía
Ay ay ay ay ay, cantaba
De pasión mortal moría

Que una paloma triste
Muy de mañana, le va a cantar
A la casita sola
Con sus puertitas, de par en par
Juran que esa paloma
No es otra cosa más que su alma
Que todavía la espera, A que regrese la desdichada

Cucurrucucú… Paloma
Cucurrucucú… No llores
Las piedras jamás, paloma
Que van a saber de amores

Cucurrucucú, Cucurrucucú, Cucurrucucú
Paloma, ya no llores

Cuccuruccu Paloma

Dizem que pelas noites
Não apenas se lamentava mais
Dizem que não comia
Não apenas tomava mais
Juram que mesmo o céu se estremecia ao ouvir seu pranto
Como sofria por ela
Que até em sua morte a foi chamando

Ay ay ay ay ay cantava
Ay ay ay ay ay gemia
Ay ay ay ay ay, cantava
De uma paixão mortal morria

Que uma triste pomba
No início da manhã, vai cantar
Na casinha solitária
Com as suas portinhas, de par em par
Juram que essa pomba
É nada mais do que sua alma
Que ainda a espera para que retorne infeliz

Cucurrucucú… pomba
Cucurrucucú… Não chore
As pedras jamais, pomba
Saberão de amores

Cucurrucucú, Cucurrucucú, Cucurrucucú
Pomba, não chore

“E vocês sempre estão presentes. Eu sempre to mandando… eu mando e-mail às vezes, eu mando recado no Facebook pro Luciano no inbox, ele me responde, o que acontece é que ele não sabe quem sou eu, mas eu mando muita coisa viu? Eu participo bastante. É muito bom falar com vocês, eu jáa falei contigo também, já mandei dicas, você já me respondeu pelo whatsapp mesmo, até no número que tinha antes, tá bom, Ciça. Obrigado”.

Então. Esse aí foi o Wcirley por whatsapp. Ele está lá no meu Facebook há muito tempo, a gente já conversou um monte e eu nunca soube que era ele, cara: o pai da Ana Gabriele.

Bem. Você está ouvindo Caetano Veloso, numa cena inesquecível do filme Fale Com Ela, interpretando Cucurrucucu Paloma, música composta pelo mexicano Tomás Méndez em 1954.

Bem, o que é que eu posso dizer agora, hein?  Não consigo nem imaginar o que possa ter sido o período que ele passou num país estrangeiro, ilegal, sem  família, sendo preso, cara, na expectativa de rever os filhos um dia. Foi a tentativa de imaginar o que ele passou que me inspirou a trazer Cucurrucucu Paloma, cuja letra diz assim ó:

Dizem que pelas noites
Não conseguia nem mesmo chorar
Dizem que não comia
Não conseguia nem mesmo beber
Juram que o próprio céu
Se estremecia ao ouvir seu pranto
Como sofria por ela…

São tantos obstáculos, tantas provações, tanto esforço, tantos medos, tantos momentos que dão vontade de largar tudo que só alguém muito forte, apegado a seus valores, consciente de sua  responsabilidade pode suportar. E depois olhar para trás e perceber que fez o certo. Parabéns, meu caro Wcirley, por ser o leme que dirige em meio à tempestade.  E parabéns em dobro para a Catia para o Caio e, claro, pra Ana Gabriele…

“Buenos dias, buenas tardes e buenas noches. A toda a equipe do Café Brasil, aqui é a Ana Gabriele Ganaes Vitória mas agora, eu não tenho mais doze aninhos viu? Eu tenho 16 anos. Pois é, Luciano. Quatro anos se passaram na minha vida. Há quatro anos atrás eu ainda estava vivendo na cidadezinha de Ji-Paraná e hoje, não dá pra acreditar, estou vivendo em Barcelona. Pois é. Em 2013, meus pais conseguiram me trazer. No começo não foi nada fácil, sabe. Eu estava acostumada a tirar nota dez, a ser uma das melhores alunas e do nada, minhas notas baixaram completamente. Claro, o motivo foi porque eu estava me adaptando, não só aos dois idiomas, já que Barcelona se situa em Catalunha, então tinha que aprender espanhol e catalão. Mas sim também ao tipo de professor. Porque os professores aqui lecionam de uma maneira diferente do que eu estava acostumada. Mas tudo bem, isso são águas passadas. Eu não estou te enviando esse áudio pra te explicar tudo que aconteceu e sim pra te explicar e te dizer que hoje eu tenho um sonho. Hoje Luciano, eu já não sonho mais em ser atriz como quando eu tinha doze anos. Hoje, eu snho em ser médica. Eu sonho em salvar vidas. A profissão que eu escolhi não é lá uma profissão muito fácil, né? São muitos anos de carreira. E além do mais, pra eu entrar numa faculdade de medicina aqui, eu tenho que passar por uma prova que se chama seletividade, que funciona mais ou menos como um vestibular, onde num total de 14 pontos, eu tenho que tirar no mínimo 12. Os professores aqui não são lá muto incentivadores. Eles vivem falando a mim e a uma companheira de classe que comparte o mesmo sonho que eu, que é melhor a gente desistir, que é melhor a gente escolher outra profissão, emfermeria, ou que seja, algo mais fácil, em que a gente não tenha que estudar tanto e não tenha que lutar tanto, sabe? Mas, eu não desisto não. Sabe por que, Luciano? Porque eu tenho aqui um incentivo muto grande. É uma frase, uma dedicatória que você, meu guru favorito Luciano, fez pra mim bom, fez pra mim e pra minha família, mas me serviu de lição. Cada madrugada que eu fico pra estudar, quando eu quero sair da inércia, eu leio e releio essa frase. A dedicatória que você fez mim está na contracapa do livro Meu Everest, está escrito assim: Família Ganaes, não desistam dos seus sonhos. E eu não desisto. Não desisto mesmo, Luciano. E eu te prometo que, quando eu tiver a minha graduação em medicina, quando eu me formar, eu te enviarei uma foto pra você ver que aquela menininha de doze anos não se perdeu no caminho. Pra que você tenha orgulho de tudo que você faz. Bom. Eu acho que você já tem, né? Muito obrigada por tudo, Luciano. Você entrou na minha família de uma maneira especial. Porque acredite. Não só eu, como meu pai escutamos os podcasts mas como conseguimos conquistar a minha mãe e até o meu irmãozinho de 12 anos escuta os seus podcasts. Pois é. Muito obrigada a você e a toda a sua equipe por tudo que fazem por nós e por todo o Brasil. Sinceramente. O seu trabalho vale muito a pena. Nossa, Luciano. Você é uma inspiração pra todo mundo. Obrigada por tudo. Eu acho que se não fosse por você na minha vida, ou na vida do meu pai, muita coisa não teria acontecido. Obrigada por me incentivar. Obrigada por incentivar todo  o Brasil. Um beijo e um abraço daquela menininha de 12 anos que escutava os seus podcasts e continua escutando até hoje.”

Você está entendendo agora, hein? o que é que move a gente aqui no Café Brasil? It’s not about the money, cara. Tente colocar valor nessa história. Tente colocar um preço nela. Tente imaginar a rede de conexões que colocou o pai da Ana em contato comigo, que a levou a escrever a cartinha, que inspirou um programa que emocionou muita gente, que chegou no vizinho em Barcelona, que agora retorna para revelar a história por inteiro e nos colocar diante de algumas questões fundamentais:

– O que é que eu estou fazendo com meu tempo de vida, hein?
– Quem está comigo na jornada?
– Que legado vou deixar para quem eu amo?
– E pra sociedade, hein?

É, meu caro, minha cara… No roteiro deste programa eu vou publicar a foto da família Gabriele. Quem olhar aquela turminha bonita, sorridente e feliz lá em Barcelona não faz ideia de quanto custou chegar lá.

E imaginar que nosso Cafezinho de alguma forma contribuiu, é fascinante. Aliás, foi muito legal o Wcirley citar o podcast Mamilos e o Projeto Humanos viu, da Cris, da Ju e do Ivan.  Essa moçada está disponibilizando conteúdo legal, com alto poder de provocação, inspiração e reflexão, que certamente está ajudando milhares de pessoas a enriquecer seus repertórios, repensar as ideias e enxergar no escuro. E como eles tem muitos outros, eu acho que os podcasts estão realizando um papel que já ultrapassou a dimensão da informação ou entretenimento. Podcasts prestam um papel social, que começa a ser reconhecido e certamente há de ampliar as conexões com as Anas, os Wcirleys, os Duílios e tantos outros brasileiros – ou não – espalhados pelo mundo.

É deles que vem o retorno, sob a forma de depoimentos como estes, que a gente recebe de coração.

Isso não tem preço.

Muito obrigado Ana Gabriele.

ATUALIZAÇÃO EM 20/5/2020

Fotos recentes da família na Europa. Nos últimos anos Ana fez uma graduação superior em anatomia patológica e mês que vem presta vestibular para medicina.

E é assim então, ao som de Cucurrucucu Paloma com a espanhola Silvia Pérez Cruz e Raül Fernandez no banjo, que este Café Brasil vai saindo, assim… emocionado, viu.

Com o embargado Lalá Moreira na técnica, a lacrimosa Ciça Camargo na produção e eu, o feliz Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Duilio, o Wcirley, a Ana Gabriele, a guitarra de Soymartino, Caetano Veloso, os grupos Lax´n´Busto e Sílvia Pérez Cruz com Raül Fernandes e também a visita do Thiago, da Bianca e dentro dela a Giovana, que nasce no mês que vem. Parabéns, viu?

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá que vale a pena: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o canal Café Brasil.

Bem, nasceu definitivamente a Confraria Café Brasil, um espaço que está reunindo pessoas interessadas no bom debate, que terão acesso a conteúdos exclusivos com a verve, a irreverência, a pertinência e a provocação que você já conhece aqui no Café Brasil. Conheça acessando o portalcafebrasil.com.br e clicando no banner FITNESS INTELECTUAL PARA QUEM QUER CÉREBRO TANQUINHO.

E para terminar, Willian Shakespeare

Bem pago está quem por satisfeito se dá.

Se você emocionou com Silvia Perez no programa, olhe esta versão: