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Luciano Pires -

Acabo de completar… você tá sentado, hein? Sessenta anos de idade, cara! Sessenta anos, viu? Isso é idade pra dar com pau, é um monte de anos e traz um monte de angústias, faz a cabeça da gente voar, mas… eu vou fazer o quê, né? Olha, o que eu posso é trabalhar pra transformar o senhor tempo em meu amigo…

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar meu e-book Me engana que eu gosto é o Oliveira, que tá longe, meu…

“Fala meu amigo Luciano. Aqui quem está falando é o Oliveira. Eu estou falando daqui de Dubai, do outro lado do mundo mas, sempre que posso eu escuto aos podcasts do Café Brasil, eles me trazem grandes insights e me ajudam a refletir sobre o que eu venho fazendo na minha vida. E acabei de ouvir um podcast que me tocou bastante, é o 501, é o Vai viver, cara! E esse podcast ele é uma porrada né, ele faz a gente refletir bastante sobre o que que a gente tá fazendo hoje e como isso vai refletir na nossa vida lá na frente. Se o que a gente está fazendo hoje faz sentido, se está alinhado com o nosso propósito de vida. Estou te mandando essa mensagem aí porque esse podcast realmente me tocou, me fez refletir bastante e me fez querer ainda mais continuar caminhando né, na direção do meu propósito. Às vezes a gente fica meio desanimado, não sabe se continua ou não continua mas, esse tipo de mensagem, esse tipo de reflexão que faz a gente ter certeza de que continuar na direção do nosso propósito de vida é realmente importante, é o que vai trazer a nossa satisfação no futuro. Grade abraço aqui dos Emirados Árabes.”

Grande Oliveira, em Dubai, cara! Olha! Aí tem dinheiro de sobra, viu? E seguindo seu propósito! Muito bem, eu acho que é isso mesmo, fico feliz de saber que estamos te acompanhando nesta. Bem-vindo à festa!

Muito bem. Se o Oliveira nos mandar um endereço no Brasil, receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Lalá: Ih! O que que eu vou perguntar hoje, cara. Ah! Já sei. Lalá. Hoje eu quero bem velhinho, hein?

Na hora do amor, use

Lalá – Prudence, meu filho.

Acabo de completar 60 anos de idade. 60 anos… Olha, ainda não sei direito o que vai acontecer comigo, mas vou retomar um texto que usei muito tempo atrás, inclusive num Café Brasil.

Eu falava de uma cena que vi na TV, anos atrás. Terrível. A empregada espancando a anciã indefesa, registrada por uma câmera escondida que os filhos da senhora colocaram na casa. A empregada estapeava a anciã, que não reagia. Eu não sei se você lembra disso? Imagens cruas, revoltantes…

Nós, com a energia dos 30, 40, 50 anos, até 60,  não entendemos como alguém pode ficar à mercê de uma agressão, como se fosse um bebê.

Será que é assim que se envelhece, hein?

Minha cabeça foi a mil…me vi dentro do taxi, vendo o cartaz que anunciava “dia 22, Buena Vista Social Club”. Ao vivo. No Auditório Nacional, em frente ao hotel onde eu me hospedava, na cidade do México. O Buena Vista era uma espécie de gafieira em Havana, em Cuba, nos anos 50. Respirava música, e grandes nomes do som cubano lá tocaram. Com a mudança do regime, o clube acabou e os músicos se dispersaram, a maioria virando pedreiros, engraxates e vivendo de bicos por 40 anos.

No final dos anos 90, Ry Cooder, um músico norte americano, descobriu o som deles e decidiu reunir os sobreviventes para um CD e um documentário, dirigido pelo prestigiado Win Wenders.

A reunião de antigos companheiros, vários deles com mais de 90 anos, é emocionante e o som por eles produzido, mais emocionante ainda. O CD é imperdível e o documentário é indispensável.

No dia certo, na hora certa, eu estava na fila da entrada. É difícil explicar um auditório para 10 mil pessoas, o maior que eu havia visto tinha sido o Radio City Music Hall, em Nova Iorque, para 6 mil pessoas. O palco bem simples. Todos os instrumentos colocados na formação clássica de uma grande banda de jazz, com uns 20 ou 30 músicos.

Entra a banda e o som inebriante, dançante, espetacular.

E aos poucos, chegam os integrantes principais. Com 70, 80, 90 anos de idade. O público delirava a cada acorde, a cada solo.

Lá pelas tantas, todos se retiram. Ficam Omara Portuondo, com seus 60 e poucos anos, e o pianista, Roberto Fonseca, esse bastante jovem.

Para você ter uma ideia de quem são Omara e Roberto, ouça isto:

Quizás, quizás, quizás
Oswaldo Farrés

Siempre que te pregunto
Que, cuándo, cómo y dónde
Tú siempre me respondes
Quizás, Quizás, Quizás.

Y así pasan los días
Y yo, desesperado
Y tú, tú contestando
Quizás, Quizás, Quizás.

Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando,
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?

Y así pasan los días
Y yo, desesperado
Y tú, tú contestando
Quizás, Quizás, Quizás.
Quizás, quizás, quizás

Talvez, Talvez, Talvez

Sempre que te pergunto
O quê, quando, como e onde
Você sempre me responde
Talvez, talvez, talvez

E assim passam os dias
E eu, desesperando
E você, você respondendo
Talvez, talvez, talvez

Está perdendo tempo
Pensando, pensando
Sobre o que você mais queira
Até quando? Até quando?

E assim passam os dias
E eu, desesperado
E você, você respondendo
Talvez, talvez, talvez

Você está ouvindo Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo, com  o piano de Roberto Fonseca cantando Quizás, Quizás, Qizas , do cubano Oswaldo Farrés.

Omara é um dos ícones da música cubana. Lá no auditório da cidade do México ela explica que eles fariam uma homenagem a Ruben Gonzales, o pianista octogenário que, até sofrer um derrame que o deixou paralítico e com o cérebro comprometido, era o titular absoluto da posição no grupo.

Omara diz o nome da canção: Besame Mucho.

E de repente entra o Ruben Gonzales numa cadeira de rodas, velhinho, sem conseguir se mexer e a gente vê que ele está emocionado.

Olha! Quando ela falou Besame mucho, eu até que fiquei decepcionado. Eu já ouvi essa canção tantas vezes e de tantas maneiras, que aquilo não seria novidade. Mas…

– Besame, besame muuuchooo. Como se fuera esta noche la última vez.

A Omara cantava e o pianista detonava em sua mistura de bolero com jazz. Era inacreditável. E aconteceu ali algo que eu só tinha experimentado num show de João Bosco, muitos anos atrás. A troca de olhares entre o pianista e a cantora. Os movimentos corporais de cada um. A forma como a melodia tomava conta do ambiente… eu tive a nítida impressão que o pianista começou a levitar, como que acompanhando a fluência da música.

Percebia-se no olhar que aquelas 10 mil pessoas assistiam a um momento sublime, quando homem, mulher, piano, microfone, transformam-se numa coisa só. Envolvidos pela música, formam uma massa que preenche todos os cantos do ambiente. E nos elevam a alma e os sentidos.

Prazer.

Sem ninguém gritando. Sem sangue. Sem palavrões. Sem gente pelada. Sem violência. Só poesia e música, produzida por velhinhos, alguns quase centenários, como aquela anciã que apanhava na TV…

Os anciãos cubanos me deram prazer. A anciã brasileira, me deu pena. E me fez refletir sobre a minha velhice.

Pra que lado eu tou indo, hein? Como é que eu estou me preparando? E o que que eu estarei produzindo aos 80, 90 anos, hein? Será que prazer como os cubanos? Ou dor como a velhinha brasileira?

Eu não sei, o futuro é incerto. Mas aos 60 anos, eu estou fazendo como disse Samuel Johnson um dia: trabalhando para não me retirar do mundo antes que ele fique sentido por eu retirar-me dele.

E então encontro um texto de José Saramago, o português José Saramago chamado “Quantos anos tenho?”, que traz uma outra perspectiva sobre esse tema, ouça só…

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.

Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada.

E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.

Quantos anos tenho?

Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas…

Valem muito mais que isso.

O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta, hein?!

O que importa é a idade que sinto.

Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.

Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.

Quantos anos tenho? Isso a quem importa?

Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto.

Rocket Man
Elton John

She packed my bag last night, preflight
Zero hour, nine a. m
And I’m gonna be high
As a kite by then

I miss the earth so much
I miss my wife
It’s lonely out in space
On such a timeless flight

And I think it’s gonna be a long, long, time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no no no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse up here alone

And I think it’s gonna be a long, long, time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no no no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse up here alone

Mars ain’t the kind of place to raise your kids
In fact, it’s cold as hell
And there’s no one there to raise them
If you did

And all this science
I don’t understand
It’s just my job
Five days a week
A rocket man
Rocket man

And I think it’s gonna be a long, long, time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no no no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse up here alone

And I think it’s gonna be a long, long, time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no no no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse up here alone

And I think it’s gonna be a long, long, time
‘Til touchdown brings me ‘round again to find
I’m not the man they think I am at home
Ah, no no no
I’m a rocket man
Rocket man
Burnin’ out his fuse up here alone

And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time
And I think it’s gonna be a long, long, time

Homem do foguete

Ela arrumou a mala noite passada antes do vôo
Meia-noite, nove da manhã
E eu estarei bem no alto
Como uma pipa quando chegar lá

Eu sinto tanta falta da Terra
Eu sinto saudades da minha esposa
É tão solitário no espaço
Em um vôo tão eterno

E eu acho que vai levar muito, muito tempo
Até eu voltar mais uma vez e descobrir
Que eu não sou o homem que eles pensam que sou em casa
Ah, não não não
Eu sou o homem do foguete
Homem do foguete
Queimando seu fusível aqui em cima sozinho

E eu acho que vai levar muito, muito tempo
Até eu voltar mais uma vez e descobrir
Que eu não sou o homem que eles pensam que sou em casa
Ah, não não não
Eu sou o homem do foguete
Homem do foguete
Queimando seu fusível aqui em cima sozinho

Marte não é o tipo do lugar para criar seus filhos
Na verdade, é frio pra diabo
E não há ninguém lá para criá-los
Se você tivesse filhos

E toda esta ciência
Eu não compreendo
É apenas meu trabalho
Cinco dias por semana
O homem do foguete
Homem do foguete

E eu acho que vai levar muito, muito tempo
Até eu voltar mais uma vez e descobrir
Que eu não sou o homem que eles pensam que sou em casa
Ah, não não não
Eu sou o homem do foguete
Homem do foguete
Queimando seu fusível aqui em cima sozinho

E eu acho que vai levar muito, muito tempo
Até eu voltar mais uma vez e descobrir
Que eu não sou o homem que eles pensam que sou em casa
Ah, não não não
Eu sou o homem do foguete
Homem do foguete
Queimando seu fusível aqui em cima sozinho

E eu acho que vai levar muito, muito tempo
Até eu voltar mais uma vez e descobrir
Que eu não sou o homem que eles pensam que sou em casa
Ah, não não não
Eu sou o homem do foguete
Homem do foguete
Queimando seu fusível aqui em cima sozinho

E eu acho que vai levar muito, muito tempo
E eu acho que vai levar muito, muito tempo
E eu acho que vai levar muito, muito tempo
E eu acho que vai levar muito, muito tempo
E eu acho que vai levar muito, muito tempo
E eu acho que vai levar muito, muito tempo
E eu acho que vai levar muito, muito tempo
E eu acho que vai levar muito, muito tempo

Putz, é outra pra matar velhinhos de 60 anos, cara… Rocket Man, de Elton John e Bernie Taupin não está aqui por acaso…

Sabe aquelas musicas que acompanham você desde que você se lembra de existir, hein? Acho que esse foi um dos primeiros discos que comprei em minha vida com meu dinheiro, lá em 1972…

Mas também tem outra razão para esta música estar aqui. Lá em 2007, quando Elton John completou 60 anos de idade, realizou um único show comemorativo, no Madison Square Garden em Nova Iorque. Apresentado por Bill Clinton, Woopy Goldberg e Robin Williams, cara! Adivinha quem estava na plateia, extasiado, hein?

 

Pois é…

E claro né, em qualquer reflexão sobre idade, envelhecimento e velhice, não pode faltar o Rubem Alves. Ele tem um texto maravilhosos chamado A pior idade, que diz assim, ó:

Deve ter sido um demônio zombeteiro disfarçado de anjo que inventou que a velhice é a “melhor idade”. Chamar velhice de “melhor idade” só pode ser gozação ou ironia.

É precisamente isso que acontece quando os alto-falantes das salas de embarque nos aeroportos anunciam: “Terão prioridade para o embarque gestantes, crianças, pessoas com dificuldade de locomoção e pessoas da melhor idade”.

Já reclamei com os funcionários, dizendo-lhes a minha irritação. Eles me disseram que nada podiam fazer porque as ordens vinham de cima. Concluo que “em cima” não há nenhum velho.

O que é melhor? Ser respeitado ou ser desejado?

Velhice é quando a gente começa a ser tratado como “objeto de respeito” e não como “objeto de desejo”. Mas o que quero não é ser olhado com respeito, mas com desejo…

Aconteceu faz 25 anos, uma tarde, no metrô, vagão cheio, tudo bem, eu me via jovem, pernas fortes, segurei-me num balaústre. Meus olhos começaram a passear pelo rosto dos passageiros – cada rosto é mais misterioso que um universo – até que meus olhos se encontraram com os olhos de uma jovem que me olhava, eles, os seus olhos, sorriam para mim e eu fantasiei que ela me desejava. Ficamos assim por alguns segundos trocando olhares de namorado até que ela, num gesto delicado, se levantou e me ofereceu o seu lugar… Seu gesto me disse sem palavras: “O senhor é velho. Eu o respeito. Eu lhe dou o meu lugar…”. Nesse momento percebi que a minha idade era a pior de todas. A melhor idade era a dela, da mocinha que me deu o lugar…

Sugiro um nome diferente para essa idade, que não é ironia, mas poesia: “Pessoas portadoras de crepúsculos no seu olhar…

Tempos depois, numa entrevista, Rubem falou sobre a velhice:

Uma das coisas da velhice é o cansaço. Dá uma canseira de viver, sabe? Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Mas a gente não tem mais disposição para fazer a obra nascer. A gente tem que agarrar o que resta. Gosto de contar a história de um homem que ia caminhando pela floresta, a mata estava escura. De repente, ele ouve o rugido de um leão e sai correndo, mas como está escuro ele cai num precipício. Ele se agarra a um galho preso no abismo, olha para cima, o leão, para baixo, o abismo; então ele nota que bem à sua frente está brotando um galho com uma fruta vermelha. É um morango. Ele estende o braço e come o morango e se delicia. As pessoas perguntam – qual o final da história, hein? O homem caiu? E eu respondo, não tem final, é só isso mesmo. Você não entendeu? Quem está pendurado sobre o abismo sou eu, é você , todos estamos sobre o abismo, portanto, o que nos resta a fazer é comer os morangos.

E o jornalista então pergunta naquela entrevista: E quais são os morangos que o senhor tem apreciado atualmente?

São coisas pequenas, simples. Ontem, por exemplo, ouvi pela internet a Pour Elise, de Beethoven, tocada num órgão feito de taças de cristal, um som inesperado, que vai surgindo aos poucos. Qual é a importância disso? Nenhuma! Mas eu me senti feliz naquele momento.

E mestre Rubem continua: Poesia. Veja o que aconteceu bem agora. Aqui na minha varanda, acabo de ouvir um barulho. Olhei e vi que tinha entrado uma cigarra pela janela. Você sabe que as cigarras são seres subterrâneos, elas vivem nas raízes das árvores. Elas não veem nada. Mas há um momento em que alguma coisa diz para esses seres subterrâneos: cigarra, está na hora de se transformar num ser alado. Então elas saem da terra, sobem o tronco das árvores, tiram a casca dura que as envolve e ganham asas. Daí elas cantam, cantam, cantam. Cantam para quê? Para celebrar o amor, para chamar os machos. Depois de realizar o amor, elas esperam a morte.

Pô Lalá, que coisa triste… Muda isso aí!

Pô Lalá… Bom, vamos em frente…. Não sei que idade o Rubem Alves tinha quando deu aquela entrevista, imagino que bem mais de sessenta, já experimentando um certo amargor que parece que vem com a velhice. Mas quer saber de uma coisa, eu sou de outra geração. Sou de 1956, eu sou o garoto que cresceu ao som do velho e bom rock´n roll, eu tô cheio de combustível cara, pintando e bordando como nunca, ganhando a vida com o que amo fazer…  E o melhor de tudo: aqui com você.

Parabéns, Lucianinho. E agora que eu tenho sessenta, me aguardem…

Highway To Hell
AC/DC

Living easy, livin’ free
Season ticket, on a one, way ride
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Don’t need reason, don’t need rhyme
Ain’t nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too

I’m on the highway to hell
On the highway to hell
Highway to hell
I’m on the Highway to hell

No stop signs, speedin’ limit
Nobody’s gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody’s gonna mess me ‘round
Hey Satan! Paid my dues
Playin’ in a rockin’ band
Hey Mama! Look at me
I’m on my way to the promise land. Wow!

I’m on the highway to hell
Highway to hell
On the highway to hell
I’m on the highway to hell

Don’t stop me

I’m on the highway to hell
I’m on the highway to hell
I’m on the highway to hell
On the Highway to hell
Highway to hell
I’m on the Highway to hell
On highway to hell
I’m on the highway to hell

And I’m going down all the way
I’m on the highway to hell

Estrada para o inferno

Vivendo fácil, vivendo livre
Um bilhete para a temporada, numa viagem só de ida
Sem pedir nada, me deixe em paz
Pegando tudo em meu caminho
Não preciso de razão, não preciso de rima
Não tem nada que eu prefira fazer
Descendo, hora da festa
Meus amigos vão estar lá também

Estou na estrada para o inferno
Na estrada para o inferno
Estrada do inferno
Estou na estrada para o inferno

Sem sinais de “pare”, sem limites de velocidade
Ninguém vai me fazer reduzir a velocidade
Como uma roda, vou rodar
Ninguém vai me sacanear
Ei Satã, paguei minhas dívidas
Tocando em uma banda de rock
Ei mamãe, olhe para mim
Estou no meu caminho para a terra prometida

Estou na estrada para o inferno
Estrada do inferno
Na estrada para o inferno
Estou na estrada para o inferno

Não me pare

Estou na estrada para o inferno
Estou na estrada para o inferno
Estou na estrada para o inferno
Na estrada para o inferno
Estrada do inferno
Estou na estrada para o inferno
Na estrada para o inferno
Estou na estrada para o inferno

E eu vou descer até o final
Estou na estrada para o inferno

E é assim então, ao som de Highway To Hell, dos velhinhos do AC/DC, com Cristina Ramos arrebentando tudo no programa Got Talent da Espanha, que este Café Brasil vai saindo no embalo.

Com o mocinho Lalá Moreira na técnica, a veinha Ciça Camargo na produção e este, este endiabrado Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Oliveira,  José Saramago, Rubem Alves, Elton John, Omara Portuondo,  Ibrahim Ferrer, Cristina Ramos e….

AC/DC, o original, é claro!

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/componentesnakata. Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país é o: 55 11 96429 4746.

E a Confraria, hein cara? Tá pegando fogo. A turma tá vindo, cara! E estão começando a acontecer coisas legais, já tem esse grupo do Telegram, tá pegando fogo, o pessoal trocando ideias, recebendo coisas em primeira mão… Eu vou te dizer uma coisa: cara, se eu fosse você eu vinha, tá? Acesse o portalcafrebrasil.com.br e clique ali no banner FITNESS INTELECTUAL PARA O CÉREBRO TANQUINHO e… vem pra cá, vai!

E para terminar, eu fui buscar outro velhinho, Keith Richards

“Você sabe por que o cachorro lambe o próprio saco? É porque consegue.”

Os Rolling Stones ainda tocam na nossa idade porque conseguimos.