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Luciano Pires -

Você tem ideias preconcebidas? É cheio de certezas? Acho que todo mundo é um pouco, não é? Mas tem gente que não abre a cabeça para novas ideias de jeito nenhum. Você conhece gente assim?

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de  meu e-book Me engana que eu gosto  é o Fernando, que tá sabe onde, hein? Lá em Oman.

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Oi pessoal do Café Brasil, Luciano, Ciça, Lalá. Primeiramente quero parabenizar pelo trabalho genial, fantástico que vocês tem feito em despocotizar o brasileiro médio e fazer a gente pensar, né? Pensar de verdade. O meu nome é Fernando Futata, tenho 35 anos, sou casado, tenho filho, eu estou falando diretamente de Oman. É isso mesmo. Oman. é um país do Oriente Médio, de maioria muçulmana e a gente veio aqui pra embarcar num desafio de trabalhar aqui como um expatriado, de estar num país com uma cultura completamente diferente do Brasil que, por incrível que possa parecer, para muitos que estou ouvindo, é um país tranquilo, país pacífico, que respeita as diferenças e que tem pessoas super receptivas com os “humanis”. Aqui em Oman realmente a gente vive em paz. Mas é claro, que antes da gente sair do Brasil, chamaram a gente de louco, que era muita incerteza, perguntaram pra gente sobre o terrorismo, sobre as guerras, como é que ia ser com as mulheres, podia correr o risco de levar chibatada, se as mulheres podiam sair na rua, se as pessoas eram civilizadas. Bom! Pura ignorância, né? Essa mesma ignorância que é presente no coletivo popular. E que afasta, afasta as pessoas, gera intolerância, atropela as outras pessoas, seus pontos de vista. Antes de vir pra cá, a gente acabou estudando,assim por conta, o que era essa cultura do Oriente Médio, né? Antes de julgar e ter preconceito. E foi realmente chave pra gente poder se adaptar, não somente aqui no Oman, mas também nos outros países que a gente já viveu. E dessa forma, a gente conseguiu abrir a cabeça pra uma infinidade de possibilidades e também dos outros comportamentos, das outras culturas, a forma de viver, a forma de se relacionar, de conversar. E quando a gente tem a cabeça fechada, o que acontece é que acaba fadado a não aceitar a diferença. E isso é uma coisa que está faltando bastante no mundo, acho que o mundo precisa de mais compaixão, aceitação e por cima de tudo, amor, né? pra conviver em paz. Essa marca, com certeza, eu quero deixar pro meu filho. Bom, é isso. Um abraço a vocês e vida longa ao cafezinho.”

Muito obrigado,  Fernando e que ótima a conclusão desse seu comentário, viu? O legado de tolerância que você deixará a seus filhos. Nesta sociedade do confronto, parece cada dia mais difícil, não é? Obrigado por inspirar este programa.

Muito bem. Se o Fernando mandar um endereço aqui no Brasil, receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Ô Lalá… programa hoje vai falar de cabeça dura…

Na hora do amor:

Lalá – … não quero nem saber… é Prudence.

O historiador Leandro Karnal foi entrevistado no programa Roda Viva da TV Cultura. Karnal é adorado por muita gente por sua cultura, seu senso de humor e ironia. Durante o programa  ele falou de tudo um pouco, deve ter citado uns cento e vinte autores, não foi contestado nas perguntas e reinou absoluto, para prazer de muitos. Mas a mim ele incomodou. E só no final da entrevista eu compreendi o que me incomodava.

Karnal não pensa pra responder. Eu, por exemplo, se você me faz uma pergunta, vou começar usando aqueles recursos  naturais, o “hãããã”, aquele “muito boa essa sua pergunta, fulano” ou então “puxa, sabe que ninguém nunca me perguntou isso antes?”. Essas reações imediatas às perguntas, que precedem a resposta, nada mais são que truques para dar tempo ao cérebro de processar a pergunta e elaborar a resposta. Isso é absolutamente natural, toda pessoa normal age assim, faz parte da fluência com que dialogamos, faz parte do ritmo da conversa. Mas o Leandro Karnal não faz assim. Quando a pergunta termina, ele já tem a resposta, como se fosse algo ensaiado. É evidente que não é, mas aquilo me incomodou. Passa uma ideia do “sabe tudo”, do sujeito infalível, que sabe de tudo e tem resposta pra tudo.

Sabe outro que é assim, hein? Ciro Gomes.

Mas eu não vou aqui contestar o brilho retórico do Karnal e nem do Ciro, eles são craques na retórica e diante deles eu me recolho, insignificante.

Eu quero tratar do que me incomodou naquela entrevista: a impressão de estar diante de um dono da verdade.

Certeza é ilusão
Paulo Padilha

Certeza é truque
Certeza é ilusão
Certeza é miragem
Certeza é ficção
Certeza é mito
Certeza é mentira
Certeza é blefe
Certeza é tentação
Certeza é marketing
Certeza é apelação
Certeza é papo
Certeza é palavrão
Certeza é nada
É o mesmo que não
Certeza é jogo sujo
Certeza é golpe baixo
Certeza é cara de pau
Certeza é bobagem
Certeza é figura de linguagem
Certeza certeza mesmo só no fim
Leve sua certeza para longe de mim
Certeza é o contrário
Certeza mesmo só existe no dicionário

Certeza é só no dicionário

Opa. Essa eu já toquei mais de uma vez aqui no Café Brasil. É CERTEZA É ILUSÃO,  com o paulistano Paulo Padilha. Não há muito a dizer, basta prestar atenção na letra…

Como eu sei que vem paulada, deixe-me repetir: não vou aqui criticar o Karnal, negar seu brilho ou fazer juízo de valor de suas ideias. Quero tratar da impressão que ele me causou. O dono dessa impressão sou eu, mas é só uma impressão. Certamente a sua pode ser diferente da minha, certo?

Lalá, manda aí a MELODIA PARA A INCERTEZA, com o instrumentista e compositor catarinense Chico Saraiva, por favor.

Você já deve ter trombado com pessoas que sempre, eu digo SEMPRE, dão a impressão de estarem certas, não é? São rígidas, inflexíveis, dogmáticas, cheias de opinião sobre tudo, enfáticas e pouco dispostas a prestar atenção, ouvir e aprender com a opinião dos outros.

Uma das explicações tem a ver com um conceito equivocado da necessidade estar certo sobre tudo.  Ou quase tudo. Para essas pessoas parece ser fundamental que os outros achem que eles sabem muito, ou sabem tudo e por isso são tão convictos de suas ideias. Quando a gente vê esse comportamento numa pessoa com mais de 50 anos de idade, de certa forma é natural, vai. A idade traz bagagem e quando alguém sabe transformar essa bagagem em mais que conhecimento, em sabedoria, a gente se cala e ouve.

Mas quando é um jovem metido a sabe tudo… aí o bicho pega.

Construir certezas com substância, precisa de tempo. Tempo de vida, experiência, quebradas de cara. Não se constroem certezas baseadas no “eu acho” tão peculiar destes tempos de mídias sociais.

Mas essas pessoas donas da verdade, pagam um alto preço por sua ênfase, viu? Acabam afastando outras pessoas, que se incomodam com essa atitude e aprisionam seus próprios egos dentro de suas convicções. E você pode reparar: as pessoas que estão em volta, se não estão babando de prazer, estão caladas, mudam de assunto ou reagem de forma agressiva, em oposição abe.

Sobre o ego, todos já passamos por isso. Sabe aquela vez que você estava sustentando um argumento com ênfase e de repente o seu interlocutor lançou um contra argumento que demoliu a sua articulação? E você descobriu que estava errado? Como você se sentiu, hein? Pois é… Se admite estar errado, você se sente como? Humilhado?  Pois é… Tem gente que sente horror a se sentir errado, acha humilhante!

E é por isso que muitos donos da verdade não admitem que podem estar errados. E optam pela saída por cima: distraem, confundem, enganam, lançam uma mentira. Ou então, ofendem o interlocutor. Mas fazem isso com aquela convicção dos super heróis, sabe? Que deixa a plateia em êxtase? Ou então simplesmente se retiram do debate deixando que você fique com uma posição ambígua.

Diante de um argumento melhor, os donos da verdade abandonam o conceito de certo e errado e passam a defender seus territórios. Já não é mais o mérito da ideia que importa, mas quem vencerá o debate. E dependendo  da habilidade retórica do dono da verdade, ele ganha o debate mesmo estando errado. Já vimos isso acontecer dezenas de vezes.

Essas pessoas acabam destruindo sua imagem perante qualquer outro que pense e, pior ainda, não se permitem aprender com os argumentos de outros.

Teimoso
Luiz Bandeira
Ary Monteiro

Durante a sua ausência
Que já está fazendo um mês
Do boteco sou freguês nº1
Eu tomo cada pileque desse tamanho
Que um dia me deram banho
Pra poder me despertar
Apanhei um resfriado cabuloso
Você sabe, eu sou teimoso
Insisto em lhe procurar
Eu bebo só porque você não gosta
Bebo até cair de costa
Só paro se você voltar
Você sabe que não sou acostumado
A viver embriagado fazendo ipsilone pela rua
Dia-a-dia se vai meu conceito
Já não durmo nem como direito
Veja bem, se eu morrer, a culpa é sua

Que delícia, cara! Esse é o grande Miltinho, com o Sexteto Sideral, cantando TEIMOSO, de  Luiz Bandeira e Ary Monteiro… adorei a fungada dele…

Então, a cura para a doença do dono da verdade está na compreensão que ninguém precisa estar certo todo o tempo. Que a sua verdade pessoal não é universal. Mas para isso é necessário um exercício que parece mágica: uma coisinha chamada humildade.

Saber dizer assim ó: “Eu não sei” ou então,  “Eu me enganei”.

Donos da verdade não conseguem dizer nada disso. Acham que assim estarão admitindo que falharam, que não são tão bons como parecem ser. Mas quem se livrou do dogma do estar sempre certo tem essas duas afirmações, o “eu não sei” e o “me enganei”, como libertadoras.  Mas tem um truque aí, viu?. Essas frases precisam ser ditas com uma complementação mental. Vou dar o primeiro. Primeiro o exemplo errado, olha só:

Eu não sei. Sou um ignorante.

Ou então: me enganei. Culpa do contexto, de quem deu a informação, de Deus ou do diabo.

Viu só? Duas formas negativas de expressar uma verdade. Na primeira forma, “me enganei, sou um ignorante”, uma constatação negativa, que derruba a auto estima e coloca você numa posição de fragilidade. Você não é ignorante. Você pode estar ignorante. Estar ignorante é uma condição da qual você pode sair.

Também dizer “me enganei, a culpa é de outro”, é mais um autoengano. Joga a responsabilidade para terceiros, não ensina nada.

Essas frases precisam ser ditas de forma positiva, que ver?

Eu não sei. Mas quero aprender.

Me enganei. Eu quero corrigir e aprender e mudar.

Sacou? Nada disso é humilhante, nada disso foge à responsabilidade, pelo contrário, mostra que sua intenção é acertar. Melhorar. Crescer.

Esse é o exercício então: praticar o “não sei” e o “me enganei” de forma positiva.

Mas tem uma outra frase, poderosíssima: “mudei de ideia”.

Mudei de ideia…

Cara, como é poderoso esse “mudei de ideia”, viu?

Mudei de ideia. Encontrei um argumento melhor.

Para a maioria das pessoas, “mudar de ideia” passa a impressão de incerteza, de falta de liderança, insegurança, falta de confiança e até mesmo fraqueza de caráter. A gente gosta de gente segura, não é? Como se o mundo fosse linear, como se houvesse claramente o preto e o branco, o certo e o errado, um ou outro, sem ambiguidades… Mas não é assim, viu? E você sabe disso. Então por que que não valorizamos quem tem a cabeça aberta para mudar de opinião, hein?

Bem, uma das razões tem a ver com nosso senso de propriedade. Quando você dá uma opinião, ela deixa de ser uma opinião para ser a sua opinião. E você se conecta emocionalmente a ela, até mesmo ficando cego e surdo para problemas evidentes que a opinião apresenta. Aquela opinião passa a ser parte de você e quem a ameaçar, estará ameaçando você…

É dessa armadilha que precisamos escapar.

É aí que o exercício do “Não sei”, “Me enganei” e “Mudei de ideia” se mostra fundamental. Essas são três estratégias cognitivas e emocionais que permitem que você supere as sensações de culpa, vergonha ou humilhação. Elas explicitam algo precioso: o direito que você tem de estar errado. O direito à dúvida. O direto de não saber o que vem pela frente.

Ninguém faz ideia
Lenine
Ivan Santos

Malucos e donas de casa
Vocês aí na porta do bar
Os cães sem dono, os boiadeiros
As putas, Babalorixás

Os gênios, os caminhoneiros
Os sem terra e sem teto, atores, maestros, djs
Os undergrounds, os megastars, os Rolling Stones e o rei

Ninguém faz idéia de quem vem lá, de quem vem lá,
de quem vem lá,
Ninguém faz idéia de quem vem lá

Ciganas e neo–nazistas, o bruxo, o mago pajé
Os escritores de science fiction
Quem diz e quem nega o que é
Os que fazem greve de fome
Bandidos, cientistas do espaço
Os Prêmios Nobel da Paz
O Dalai Lama, o Mister Bean, burros, intelectuais

Eu pensei: ninguém faz idéia de quem vem lá,
de quem vem lá, de quem vem lá,
Ninguém faz idéia de quem vem lá,

Os líderes de última hora
Os que são a bola da vez
Os encanados, divertidos
Os tais que traficam bebês
O que bebe e passa da conta
Os do cyber espaço, a capa do mês da playboy
O novo membro da academia
E o mito que se auto destrói

Eu sei: ninguém faz idéia de quem vem lá, de quem vem lá,
de quem vem lá,
Ninguém faz idéia de quem vem lá,

Os duros, os desclassificados, a vanguarda e quem fica pra trás
Os dorme sujos, os emergentes, os espiões industriais
Os que catam restos de feira, milicos, piratas da rede,
crianças excepcionais
Os exilados, os executivos, os clones e os originais

É a lei, ninguém faz idéia de quem vem lá, de quem vem lá,
de quem vem lá,
Ninguém faz idéia de quem vem lá,

Os anjos, os exterminadores
Os velhos jogando bilhar, o Vaticano, a CIA,
O boy que controla o radar, anarquistas,
Mercenários, quem é e quem fabrica notícia
Quem crê na reencarnação, os clandestinos,
Os ilegais, os gays, os chefes da nação
Ninguém faz idéia de quem vem lá.

Uia… esse é o paraibano Ivan Santos nos brinda com NINGUÉM FAZ IDEIA, dele e do pernambucano Lenine, música que ganhou o Grammy Latino de melhor canção em português em 2005. Eu acho que com o Ivan você nunca tinha ouvido, né?

Alguns estudiosos chamam de “vulnerabilidade de pensamento” a sensação de estar confortável com a ideia de estar errado. E essa qualidade, como eu disse pouco antes, é libertadora. Uma vez que você se livra da necessidade de estar sempre certo, seu pensamento e seu discurso soltam as amarras. Você pode partir para buscar mais conhecimento, para refletir sobre novas posturas. E você nem imagina o bem que isso faz para seus relacionamentos. Essa “vulnerabilidade de pensamento” é saudável. Quando você não PRECISA estar certo e não se envergonha por estar errado, você ganha poder. Deixa de se preocupar com o que os outros vão pensar de você, experimenta, explora, aprende e cresce.

O nome disso é liberdade.

O que o comentário do ouvinte Fernando, lá no Oman, nos traz é a percepção de que a ideia que fazemos dos países muçulmanos pode estar errada. Que existe outra realidade que só quem está lá, consegue perceber. Que nossas ideias preconcebidas estão baseadas num modelo mental que alguém construiu para nós. Alguém nos convenceu de que o certo é assim ou assado, nós adotamos aquela opinião como nossa a passamos a defendê-la. E caímos na armadilha do dono da verdade.

Não importa mais se eu estou certo ou errado, eu quero é ganhar a discussão.

Muito bem. Se você está interessado em evoluir no aprendizado do desapego emocional a um ponto de vista, experimente reagir às discussões, argumentos, problemas e situações com perguntas em vez de afirmações.  Quando você equaciona os assuntos com uma questão, dá um recado para sua mente: esse assunto está em aberto, viu? Pode ter diferentes soluções. Fica mais fácil de evitar a armadilha de sair defendendo seu ponto de vista quando alguém se apresentar com uma visão diferente.

Cara, e é tão fácil. Da próxima vez, em vez de dizer “Esta é a minha opinião sobre este assunto”, experimente dizer “isto é o que eu penso sobre este assunto. O que é que você pensa a respeito, hein?”. Sacou?

Em vez de dono da verdade, você se transforma no instigador pela busca pela verdade. Demonstra que está interessado na opinião do outro e que quer construir algo em conjunto.

Que tal, hein?

Para ser capaz de tomar as melhores decisões, você precisa ser mais comprometido com obter as melhores respostas do que em ser o responsável por encontrá-las. Sacou? É melhor você se preocupar mais em ter acesso às melhores ideias do que  em ser o bonzão que criou as melhores ideias. Por isso a habilidade de mudar de ideia é tão importante. Admitir explicitamente que estamos errados, no fim, tem a ver com questão de caráter, da capacidade de transcender o nosso ego e focar mais no valor que está sendo criado do que em ser a pessoa que cria.

Por isso eu sempre digo que a gente deve torcer para que, sempre que entrar numa discussão, perder. Quem perde, sai da discussão melhor do que entrou, com um argumento, uma ideia nova. Aprende. Sai mais rico. Quem ganha, sai igual a como entrou. Quem compreende esse processo vê a atitude de mudar de ideia não como sinal de fraqueza ou ignorância, mas como um compromisso em verdadeiramente se importar sobre aquilo que é melhor para outros e não apenas para si mesmo.

E é assim então, ao som de NINGUÉM FAZ IDEIA , desta vez na versão gravada pelo Lenine, que vamos saindo de mansinho.

E aqui vai uma dica: Arthur Schopenhauer escreveu um livro precioso que desnuda os estratagemas usados pelos que querem parecer donos da verdade. O livro se chama “Como vencer um debate sem precisar ter razão”. Vale a pena ler.

Com o receptivo Lalá Moreira na técnica, a inexpugnável Ciça Camargo na produção e eu, este agitador das ideias, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Fernando, Miltinho com o Sexteto Sideral, Paulo Padilha, Chico Saraiva, Ivan Santos e Lenine.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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Olha aqui: se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil, gosta dessas ideias, vem pra cá, cara! Tem um grupo na nossa Confraria que já tem mais de quinhentas pessoas reunidas discutindo, trocando textos, trocando informações, é muito bom, cara! Acesse portalcafebrasil.com.br e clique no banner que fala do cérebro tanquinho.

Pra terminar, de Immanuel Kant:

O sábio pode mudar de opinião. O idiota nunca.