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Luciano Pires -

Empreendedorismo é a palavra da hora! Aliás, há uns bons tempos viu! Eu diria há mais de uma década. Mas o que sempre apareceu como um segmento do mundo dos negócios, aos poucos começou a se transformar em algo que tem gente chamando de seita ou até de religião, causando inclusive uma baita polêmica sobre o que se convencionou chamar de “empreendedorismo de palco”. Tá cheio de sacerdote aí prometendo o céu. Mas afinal de contas, como é que é empreender no Brasil, hein?

Posso entrar?

Prometeu, pintura de Theodoor Rombouts

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me engana que eu gosto é a Gildgith.

“Oi Luciano. O meu nome é Gildgith Costa e Silva. Tenho 33 anos, sou técnica de enfermagem há oito anos e sou de Montes Claros, Minas Gerais. Nada mais, nada menos, ouvi hoje dezessete podcasts. Não que eu não tenha nada pra fazer, tá? O episódio que mais me deixou emocionada foi o 522, com o título Folha seca, que você diferencia as palavras discernimento e julgamento. Eu sou de família de origem pobre, meus pais nunca puderam pagar uma faculdade pra mim e hoje eu posso pagar a faculdade e com apenas três semanas de curso eu estou frustrada com o curso. Se não fosse esse episódio, eu estava pensando seriamente em desistir. E você citou uma entrevista que você iria fazer com a Monique Evans e ela atrás dos bastidores ela estava frustrada, angustiada, brigando com o diretor e disse a você que não aguentava mais. Pra quem não sabe, a enfermagem é a segunda maior classe trabalhista do Brasil, perde apenas para a classe metalúrgica. A enfermagem é uma classe sofrida, desvalorizada, humilhada, tem salários defasados, trabalha com sobrecarga e eu estava decidida. Antes de vir pra Brasília eu estava decidida a mudar de área mas, através desse episódio eu descobri que não fui eu que escolhi a enfermagem, a enfermagem que me escolheu. Eu amo o que eu faço. A enfermagem é a arte de cuidar. Eu estou no clímax da frustração antes de entrar no hospital, mas quando estou perto de meu paciente, cuidando de meu paciente, dando banho, dando comida, trocando fralda, dando remédio, salvando uma vida, colaborando pra salvar uma vida, eu me sinto feliz. Foi o que aconteceu com a Monique quando ela entrou na entrevista. Antes da entrevista ela estava frustrada, angustiada e na entrevista ela foi exuberante. Ela estava feliz, ela estava transfigurada, ela estava outra pessoa. Eu tenho apenas três semanas de faculdade e eu me frustrei ainda mais porque eu sempre sonhei com a faculdade, com o meio acadêmico. Quando eu lia Dan Brown, escritor norte-americano, quando ele falava do personagem que era um professor acadêmico de Harvard, quando ele falava do meio acadêmico, ele falava de pessoas maduras, pessoas com foco. E não foi essa a realidade que eu encontrei na faculdade que eu escolhi pra fazer o curso. A personalidade das pessoas é totalmente diferente. Pessoas imaturas, pessoas sem foco, pessoas que parecem estar no colegial, pessoas que não tem maturidade e isso me frustrou. Sabe aquela história, né? A alta expectativa e a baixa realização. E se não fosse o seu podcast eu iria sim desistir da faculdade. E não desisti, porque é o meu sonho, é a minha realização. Eu entrei com julgamentos, não entrei com discernimentos. Eu agradeço muito por você ter me ajudado a mudar de ideia, eu agradeço muito por você ter feito eu pensar, raciocinar e não deixar que opiniões alheias mudem a minha vida, mudem o meu rumo, mudem o meu sonho. Você está de parabéns. Eu peço que você não pare. Muito obrigada.”

Putz… ouviu 17 podcasts? Isso dá mais ou menos 9 horas de café Brasil. Ainda bem que ela é enfermeira viu… Bem, você deve estar perguntando o que é que um depoimento de uma enfermeira está fazendo num programa sobre empreendedorismo… Olha, pra mim ficou claro, viu. Quando a Gildgith começou a explicar o que é que a fazia feliz, começou a descrever o seu propósito, imediatamente eu fiz um paralelo com todos os empreendedores que conheço, inclusive eu… talvez seja essa mesma noção de valor entregue a seus pacientes, que a Gildegite descreve, o motor para quem se entrega a construir seu negócio próprio. Obrigado pelo depoimento, pela entrega e pela nobre missão de salvar vidas, Gildegite.  Eu me orgulho de ter uma ouvinte como você.

Muito bem. A Gildgith receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/daktbrasil

Vamos lá então! Lalá, hoje eu quero você doentinho…

Na hora do amor, use

Lalá – ai….Prudence!

Olha, pra não criar expectativas, deixe-me liquidar o assunto aqui logo na largada. Não vou tratar neste programa do caso Bel Pesce. Quem não sabe, a Bel é uma garota que faz muito sucesso na internet como empreendedora e recentemente foi acusada de inflar seu currículo com diplomas e feitos que ela não teria feito ou conquistado. Ela respondeu as acusações de forma não satisfatória, o caso continua quente mas, vai cair no esquecimento em breve e deixará um prejuízo para ela, enquanto servirá como um alerta para todos que seguem celebridades em vários segmentos de atividade. Não acho que a Bel seja má intencionada, acho que ela é jovem, impetuosa e sucumbiu aos holofotes.

Foi feio. Foi chato. Faz parte do aprendizado.

Muito bem. Eu chego pro jantar e minha esposa e minha filha me dizem que estão decidindo abrir um negócio.

– A dona do salão de beleza que nós frequentamos disse que vai fechar o salão e pensamos em comprar pra tocar o negócio. É um grande negócio!

Olhei para as duas, cheias de expectativas e dei a minha resposta:

– Vocês estão loucas porra!  Que grande negócio, meu? Mais uma porra de um salão de beleza entre os quatro que existem em cada quarteirão aqui do bairro? Vocês estão loucas!

Minha esposa, que já havia sentido o gosto amargo de empreender no ramo de alimentação, ficou quieta. Mas a minha filha, do alto de seus infalíveis, invencíveis, invulneráveis  25 anos de idade ficou puta! E fez o que sabe fazer com maestria: aumentou o tom da voz, começou a bater coisas e parou de escutar… A discussão terminou como sempre, ela saindo emburrada, batendo o pé no chão e a porta.

Eu tinha acabado com seu sonho de empreendedorismo…

Pois é.

Se essa história é familiar a você, que viu seu pai, sua mãe, seu tio, seu avô, desbundar você como eu desbundei a minha filha, erga as mãos aos céus viu… talvez eles tenham te livrado de uma tremenda dor de cabeça.

Não pense que eu fiquei chateado ou entristecido com aquela minha postura diante das duas, não… Eu me vi diante de uma situação que eu desconfio que se repete indefinidamente no Brasil: gente entusiasmada, disposta a ser dona do próprio nariz e ganhar dinheiro com mais do mesmo. E pensar que isso é empreendedorismo. Não. Não é. E talvez esse seja o grande problema a ser enfrentado no Brasil.

Poucos dias antes, conversando com uma amiga gaúcha, ela me contava que decidiu abrir com o marido uma loja de produtos veganos, lá em Porto Alegre. Um negócio, sob vários aspectos, inovador.  Fizeram uma pesquisa, viram que haveria mercado e foram ao planejamento. Só para no final, desistir… Concluíram que o dinheiro que investiriam, aplicado num banco, daria resultado melhor e muito mais seguro que o risco de empreender neste momento no Brasil…

Parece assustador, não é? É brochante.

Nasci para chorar
Dion
Erasmo Carlos

Eu levo a minha vida
Chorando pelo mundo
Talvez até tivesse
Algum desgosto profundo
Procuro na memória
Procuro me lembrar
Mas eu não posso
Nasci para chorar
Se eu vejo uma garota

Olhando para mim
E ela me pergunta
Porque sou tão triste assim
Eu fico sem resposta
Digo adeus e vou-me embora pois é
hora
É hora de chorar
Eu vivo a felicidade procurando
Sempre solidão e a tristeza encontrando

Ás vezes desconfio que a alegria é ilusão
Que o amor não entra no meu coração
Não sei porque razão eu sofro tanto
Desse jeito, as garotas dizem
Que ser triste é meu defeito
Eu quero é ser alegre
Ter alguém para amar
Mas eu não posso

Como eu sou mau viu… as vezes desconfio que alegria é ilusão…e que o amor não entra no meu coração… Você ouve Raimundo Fagner em 1973 com NASCI PARA CHORAR, versão de Erasmo Carlos para Born To Cry, sucesso de 1962 do cantor norte americano Dion… Er.. Lalá, manda aí…

Born to cry
Dion

Yeah, yeah, yeah

I’d like to tell you something
All about the good and the bad
I wish today the world, my friends
Would stop being sad

There’s so much evil round us
I feel that I could die
And I know, yeah
That I was born to cry

Well, if I ever told you
All about the things I have done
I can’t remember having
Even one day of fun

I don’t know what I’m doing
If I do, it’s a lie
But I know that I
Was born to cry

Yeah, cry
I said cry, oh, yeah, cry
Oh, yeah, oh

Well, every girl I ever loved
Always stepped right on my feet
I thought I had a friend once
But he kicked out my teeth

The things I like and wanna have
I can’t even buy
But I know, yeah
That I was born to cry

Well, I know someday
And maybe soon
That master will call
And when he does
I’ll you something
Ha ha, I won’t cry at all

Well, I said cry, oh, yeah
Cry, oh, yeah, cry
I said don’t you know
That I was born to cry
Well, I cry, cry, cry, cry

Yeah, well, I know
Someday and maybe soon
That master will call
And when he does
I’ll you something
Log on to Top40db.
I won’t cry at all

Until it happens, folks
I guess I’ll sail with the tide
And I know that I was born to cry

Pois é… Mas quem gravou essa música em 1964, mais de meio século atrás foi o Roberto Carlos.

Olha! Uma dica importante pra complementar este programa aqui, é legal você ouvir o Podcast Café Brasil 236 – Empreendedor. Ltda, publicado láááá em 2011…

Você achou que o começo deste programa está brochante é? Então se prepare. Ouça este texto publicado pelo advogado Rafael Rosset em sua página no Facebook. Se você é um empreendedor em potencial meu, pegue um lenço…

Suponha comigo que você tem 35 anos, 500.000 reais no banco e um Q.I. acima da média. O que fazer?

Você pode abrir uma empresa. É o que jovens com esse perfil e boas ideias costumam fazer em países mais civilizados, por exemplo. Na verdade, esse é o objetivo de vida mais cobiçado em lugares como EUA, Inglaterra e Austrália: abrir uma empresa, ganhar MUITO dinheiro e, no processo de ficar podre de rico, empregar dezenas ou centenas de pessoas e gerar bens e serviços que vão elevar a qualidade de vida de todos.

Mas vamos supor que você viva no Brasil. A média de lucro (a mais valia clássica, o retorno sobre o investimento do capitalista) vai de 3% a 5% (varejo), 6% (farmácias e drogarias), 10% (postos de gasolina) 11% a 13% (em alimentação e serviços), pra citar alguns exemplos. Isso quando o empresário não opera no vermelho, pagando do próprio bolso pra manter o negócio e, com ele, os empregos de seus funcionários.

Claro que não é só. Você vai gastar em média 2.600 horas por ano não fazendo o que você se propôs a fazer que é produzir bens ou prestar serviços, mas pra recolher os impostos, que vão incidir sobre o seu investimento ANTES que você tenha qualquer lucro. Em média, 40% do seu investimento vai pro governo; 24% vai pros trabalhadores; e, descontada a parte do banco (capital de giro, desconto de recebíveis, etc), a você será permitido ficar com apenas 7% do que gerou. Você será tratado como criminoso pela sociedade, será culpabilizado por tudo o que der errado no país e será constantemente fiscalizado e esporadicamente autuado por conta do descumprimento de alguma obrigação acessória que nem o seu advogado sabia que existia, mas que lhe renderá uma multa de 150%, além de juros de 1% ao mês e correção monetária. E claro, ocasionalmente seus funcionários o processarão, ainda que você tenha pago todos os direitos e obrigações, e sabe-se lá o que vai decidir o juiz do trabalho, que está lá na presunção de que você é um contraventor e o seu funcionário é um anjo. Depois de 3 anos, há 80% de chance de você estar falido, e com sua casa, carro e o que quer que tenha sobrado de seu capital inicial ameaçado por execuções fiscais e trabalhistas.

Não parece um prospecto muito bom.

Mas felizmente você vive no Brasil, e tem opções. Você pode emprestar aqueles seus R$ 500.000,00 ao governo, por exemplo. Uma aplicação no Tesouro Direto indexada ao IPCA rende hoje pouco mais de 18% ao ano, com liquidez semestral. Descontados os impostos, ainda sobra uns 14% limpo. Bem melhor do que os 3% a 11% que você obtém empreendendo e com risco praticamente zero: ao contrário do que se dá com o empreendedor, o governo te tratará como rei, porque o governo é incapaz de gastar menos do que arrecada e sempre vai precisar de gente como você para financiar o déficit endêmico. Ao final de 3 anos, você terá somado cerca de R$ 200.000,00 ao seu capital de R$ 500.000,00 (ajudado pela mágica dos juros capitalizados).

É bem melhor, né?

Ou então você pode empregar esse seu cérebro privilegiado e estudar para um concurso público. Salários de R$ 30.000,00, que a iniciativa privada só paga a altos executivos que tenham resultados pra apresentar e que estejam acostumados a viver sob intensa pressão, não são incomuns no funcionalismo, com o bônus de que você nunca será demitido, ainda que faça apenas o mínimo exigido, e, dependendo da carreira que escolher, será inclusive obrigatoriamente promovido.

É essa a flora exótica na qual vivemos: tudo a todo momento grita pra que você não crie, não empreenda, não empregue. Se acumulou algum capital, seja rentista. Se tem uma boa educação, seja funcionário público.

Vai dar certo sim, amigos.

Que porrada cara… No Brasil, “tudo a todo momento grita para que você não crie, não empreenda, não empregue. Se acumulou algum capital, seja rentista. Se tem uma boa educação, seja funcionário público.”

Se o rádio não toca
Raul Seixas
Paulo Coelho

Se o rádio não toca a música que você quer ouvir;
não procure dançar ao som daquela antiga valsa, não,
não não não não não
é muito simples, é muito simples.
é só mudar a estação, é só girar o botão
é só girar o botão, é só girar o botão, é só girar o
botão.
para mudar de estação.

Se o carro não pára
Na porta de quem sabe te curtir
Não procure entrar
Na casa da vizinha
Não,não,não,não,não,não
não,não, não, não

Meu, pra que lado correr, hein? Bem, o mestre Rauzito já dizia e você ouve aqui na voz de Juan Senon Rolón, o paraguaio naturalizado brasileiro, mais conhecido por Fábio, grande parceiro de Tim Maia, que canta assim ó:

– Se o rádio não toca a música que você quer ouvir meu, é muito simples: É só mudar de estação!

Pois é… Você discorda do texto do Rafael Rosset, hein? Por quê? Em quê? Ficar nervoso, bater o pé no chão e a porta não resolve viu… apenas aponte onde o texto erra… Não é uma questão de pessimismo, de catastrofismo, não. A alma do texto é clara: o Estado Brasileiro desestimula, intimida, complica, encarece, proibe e pune qualquer pessoa que se atreva a pensar em ser dona de seu próprio negócio.

Tem de ser muito maluco para empreender no Brasil viu!

Isso significa que é impossível empreender no Brasil, hein? Claro que não! Você está ouvindo um podcast feito por um empreendedor, porra! Que não troca seu negócio próprio, onde sofre todas as mazelas descritas pelo Rafael Rosset, por um emprego numa grande empresa. Ou por um cargo como servidor público. Mas eu não troco mesmo!

Vou ter grana pra pagar minhas contas no mês que vem, hein? Pode acreditar, eu não sei. Mas eu toco em frente. Se o mercado não está do jeito que eu quero, se as condições não são aquelas que eu quero, se o rádio não toca a música que eu quero ouvir, vou é mudar de estação!

Do jeitinho que a Gildgith disse que a história da Monique Evans ensinou pra ela…

Onde quero chegar, hein? Vamos lá…

Primeiro: empreender não é simplesmente abrir um negócio para fazer mais do mesmo. Nadar nas mesmas águas onde todos nadam, oferecer o mesmo valor que todos oferecem, vender mais do mesmo… Isso é entregar ao mercado, ao estado, aos ventos, o seu futuro. Empreender é tentar insanamente oferecer às pessoas um valor diferente daquele que elas estão acostumadas ou esperam receber.

Por isso investir em outro salão de beleza igual aos demais, é pedir pra quebrar. E bote aí o que você quiser, olha: padaria, pet shop, escritório de advocacia, escola, carrinho de pipoca ou até podcast. Oferecer mais do mesmo, não é mudar de estação.

Empreender não é abrir um negócio. Empreender é abrir O negócio. Que pode até ser um salão de beleza, mas que tem de ser O salão. E não entenda esse O salão como o mais chique, o mais rico, o mais deslumbrante. Não. Esse O quer dizer: aquele que faz de um jeito que ninguém mais faz, que consegue ter a sua personalidade, que conquista as pessoas pelo… jeitão.

Isso é mudar de estação.

Segundo ponto: o empreendedorismo como religião. Nas comunidades religiosas, quando alguém está necessitado, todos se mobilizam em torno do indivíduo. As pessoas fazem coisas legais, dão apoio moral e material, porque segundo os valores religiosos, isso é o certo a ser feito. No mundo do empreendedorismo, especialmente das startups, a coisa é muito parecida: investidores, altos executivos, prestadores de serviços, gurus estão sempre dispostos a dar uma mão, emprestar algum dinheiro e dar conselhos… Olha, ainda não existe uma Bíblia, mas diversos textos sagrados são lidos e discutidos por toda a comunidade do empreendedorismo, fazendo com que os conceitos ali apresentados sejam familiares até para quem não os leu. Existe uma força que integra essa comunidade. Não importa se você fala com um empreendedor em São Paulo, em Roma, no Sri Lanka ou na China, os diálogos e conceitos são muito parecidos. É como se você estivesse numa igreja, numa sinagoga ou num templo budista em qualquer lugar do planeta: os conceitos estão todos lá, são os mesmos.

Isso é ruim, hein? Não acho que seja. Na verdade, acho até que é bom. Esse ecossistema do empreendedorismo é povoado de gente interessada em compartilhar ideias, em incentivar novos empreendimentos, em educar para a ação.

O perigo começa a rondar quando, como acontece com toda religião, surgem os profetas, definindo regras como se tornar um milionário empreendendo. Tudo que eles falam e escrevem é seguido por centenas de milhares de “ovelhas”, que os defendem com unhas e dentes. A comunidade do empreendedorismo lê os mesmos blogs, participa dos mesmos eventos e – se eu puder me arriscar – já tem até um Deus na figura do profeta Steve Jobs. Existem profetas bem legais, visionários, que realmente abrem nossas cabeças. E existem outros que se multiplicam numa velocidade impressionante. Eu diria que não são profetas, mas sacerdotes do empreendedorismo, que vêem uma oportunidade de ganhar dinheiro ensinando como se ganha dinheiro. E o resultado é chantilly demais pra pouco bolo. Criou-se um certo fundamentalismo baseado nas falácias do “basta querer que você consegue”, “veja a história deste milionário que anos atrás não tinha onde cair morto, se ele pode você também pode”.

O resultado é que pesquisas recentes mostram que 60 a 70% dos jovens querem ser donos de seu próprio negócio. Mas as razões nem sempre são as que embasam o empreendedorismo: não querem ter chefe, querem trabalhar menos e com mais liberdade, querem ganhar muito e fazer o que gostam sem ter cobranças. E se quiserem muuuuito isso, vão conseguir…

Bem, isso pode ser o que você quiser, empreendedorismo é que não é…

Se minha filha tivesse sangue frio para me ouvir, eu teria dito para ela e para a sua mãe o seguinte:

– Façam um curso foda de empreendedorismo e depois vamos conversar sobre salões de beleza…

O que é que um curso foda de empreendedorismo ensinaria a elas, hein? Se elas suportassem passar por assuntos como fluxo de caixa, duplicatas, gerenciamento de fornecedores, capital de giro, taxas, impostos e emolumentos, elaboração de contratos, técnicas de vendas e de gestão de recursos humanos, para só depois discutir sobre o novo esmalte Nude da Dior… Olha, teria sido um choque de realidade imprescindível, que talvez as convencesse de que aplicar o dinheiro no banco seria menos desgastante que abrir um salão… E teria funcionado como antídoto para aquilo que Bob Wollheim, executivo a cargo da área digital do Grupo ABC, definiu num texto interessante como “Empreendedorismo Hey Ho, Let’s go. Menos!”.

Lalá, manda aí O Silvério Pontes com o Zé da Velha em EU, HEIN?

O Bob diz assim:

Cada vez que leio ou vejo posts, fotos, instas, livros, cursos, palestras, de gente do nosso universo de empreendedorismo e de startups com os chavões “basta querer para você chegar lá” ou “não importa o tamanho do seu desafio, você é capaz” e suas infinitas variantes, sinto um nó na garganta.

Em primeiro lugar, NÃO basta querer para chegar a lugar nenhum! Tem que agir, tem que fazer acontecer, tem que lutar e brigar. Pensamento positivo, boa energia etc etc, são importantes. Mas NÃO bastam! O que gera movimento é a atitude, a ação.

Em segundo lugar, você NÃO É CAPAZ DE QUALQUER COISA! Num universo de empreendedorismo tão despreparado como o nosso, o maior incentivo tem que ser para as pessoas se PREPARAREM e não apenas se acharem capazes.

Em terceiro lugar, a gente está criando referências de gente que vende sonhos e ilusões e não de gente que faz. Quer aprender mais? Vai falar com gente que faz, vai ouvir empreendedores que construíram negócios grandes, de alto impacto e que mudaram seus mercados.

E por fim, acho de uma IRRESPONSABILIDADE ABSOLUTA esse povo sair motivando a molecada por aí com esse espírito de auto ajuda barata e rasa sem dizer e explicar como é difícil empreender, como o fracasso ronda o empreendedor, como o processo será sofrido e doído e todos os riscos envolvidos. Muito tenso pra mim isso!

Sou um dos maiores incentivadores de empreendedorismo, falava nisso antes do termo startup ser usado no Brasil, portanto nunca irei desincentivar a atividade empreendedora.

Adoro empreender e acho que é uma das únicas maneiras de mudar o mundo e mudar o Brasil. E empreender é duca! Eu sei.

Mas também acredito em olhar o próprio umbigo, em autoconhecimento e autocrítica, e em preparar os futuros empreendedores para a dura realidade que eles irão enfrentar. Só assim poderão superar os obstáculos que encontrarão pela frente.

Iludi-los, a meu ver, é a mais pura enganação. Hey ho é o cacete!

Muito bem… Tá chorando aí? Então vamos lá. Do que se tratou o programa de hoje? De um banho de realidade com algumas constatações:

– Empreender dói.

– Empreender não é pra todo mundo.

– Empreender não é apenas abrir um negócio próprio.

– Empreender não é questão de fé, que dispensa o raciocínio.

– Empreender é MUITO mais difícil do que você pensa…

– O ambiente de negócios no Brasil é um dos mais áridos do mundo.

– No Brasil você será sócio do Estado, que mensalmente, tenha faturado ou não, vai levar boa parte dos recursos que você obteve ou tinha guardado.

– As chances de dar errado são infinitamente maiores do que de dar certo.

– De novo: tome cuidado com os caga-regras, com as histórias do “miserável que deu a volta por cima e chegou lá, se ele pode você também pode ”. Não, não pode. Talllllvez consiga, mas de novo: a chance de quebrar a cara é muito maior que de chegar lá.

– Dificilmente você chegará algum lugar oferecendo mais do mesmo

E por fim: ouça o meu outro Podcast, o LíderCast. No LíderCast você ouvirá gente igual a você, gente mais nova que você, gente mais velha que você, gente pobre, gente rica, gente que já é bem sucedida, gente que está tentando tudo pra ser bem sucedida, empreendedores, empresários, executivos, profissionais liberais, todo tipo de gente que, sem serem super homens ou super mulheres, tem aquela força interior que faz com que as coisas aconteçam.

Mas aconteçam onde, hein?

Aqui mesmo, neste inferno do empreendedorismo chamado Brasil.

E é assim então, ao som de Raul Seixas com SE O RÁDIO NÃO TOCA, dele e de Paulo Coelho, que este Café Brasil vai saindo de mansinho.

Com o empreendedor Lalá Moreira na técnica, a empreendedora Ciça Camargo na produção e eu, que procuro manter a cabeça nas nuvens sem tirar os pés do chão, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Quer uma dica, hein? Antes de sair por aí aloprando, faça o curso Empretec do Sebrae. O Empretec é uma metodologia da ONU voltada para o desenvolvimento de características de comportamento empreendedor e para a identificação de novas oportunidades de negócio. Não tem o glamour, as promessas de riqueza rápida, as músicas emocionantes, as performances de palco e nem os sacerdotes dizendo que te amam, mas com certeza colocará você em contato com a realidade de fazer negócios no Brasil.

E agora você já sabe, né? Quando o rádio não tocar a música que você quer ouvir, lembre da Gildegite, lembre da Monique Evans… mude de estação.

O botão tá aí, ó, dentro do seu cérebro.

Estiveram conosco a ouvinte Gildgith, Rafael Rosset, Bob Wollheim, Fábio, Silvério Pontes, Zé da Velha, Raimundo Fagner,  Dion, Roberto Carlos,  e Raul Seixas.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. A Nakata tem um canal muito legal no Youtube, inclusive com os videocasts que eu produzi para eles. Acesse youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer contribuir, quer fazer parte de um grupo muito especial, vem pra Confraria. Acesse portalcafebrasil.com.br e clique no banner que fala do cérebro tanquinho e descubra uma turma diferente que está trocando arquivos, conhecendo, discutindo e participando de coisas que a internet não costuma oferecer.

E para terminar, que tal Napoleão Bonaparte?

Em tudo quanto se empreende, há que atribuir dois terços à razão e o outro terço ao acaso. Se você aumentar a primeira fração, a da razão, será covarde. Aumente a segunda, a da razão e será imprudente.