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Luciano Pires -

Sabe aqueles dias em que você olha pra trás e sente que não conseguiu fazer nada? Pô, trabalhei que nem um condenado e parece que nada aconteceu! Pois é… Bem, revisitando um podcast que foi ao ar originalmente em 2011, vamos tentar descobrir neste programa o que é que vem a ser um dia útil…

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância: facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me engana que eu gosto é o Carlos Adriano:

“Bom dia, boa tarde, boa tarde, boa noite, Luciano. Eu sou o Carlos Adriano, eu falo aqui de Novo Hamburgo. Tu pode não lembrar de mim mas eu faço parte do podcast Os comentadores. Eu sou ouvinte de podcast há mais de cinco anos e agora estou começando um projeto meu, um podcast que é muito inspirado no teu trabalho, até com o LíderCast. Ele se chama E agora? ele é voltado para profissões e profissionais. É um meio de eu expor o que eu estou passando no momento, a minha dúvida vocacional e estou tentando trazer essa ajuda pro pessoal, mostrando como funcionam certas profissões e como é a vida do profissional de tal área, pra tentar ajudar. E bom, estou te mandando essa mensagem não por conta de algum episódio específico, mas sim por causa de um dos ouvintes. Foi no episódio 527, X-Man, se não me engano, eu ouvi o depoimento dele, onde ele conta como tu influenciou ele a ter coragem de seguir os planos da vida dele e até coragem de pedir a noiva em casamento. E ele também criou coragem de te mandar uma mensagem. Isso é uma coisa que eu tentei fazer há um tempo atrás, eu fiquei muito emocionado, muito tocado pelo episódio e eu decidi mandar a mensagem. Eu me senti obrigado a te mandar esse áudio porque eu estava precisando expor isso, te agradecer por me ensinar como me comunicar ou, pelo menos, me dar a coragem que eu precisava pra aprender a falar com as pessoas, porque eu acredito que a comunicação é o que move a humanidade e o podcast é um meio de comunicação que tem muito potencial, muito e eu aposto tudo nisso, tudo. Eu agora faço podcast por hobby. Meu sonho é um dia fazer por profissão porque eu vou estar fazendo algo que eu amo e que é muito importante pra mim. Então eu estou te mandando esse áudio pra agradecer mesmo. Eu te desejo muito sucesso, mais dez anos de Café Brasil e que a gente consiga despocotizar o Brasil. Comigo já funcionou. Parabéns e até a próxima.”

Olha só, um comentário de colega podcaster, ganhando um baita jabá aqui no Café Brasil! Mas não foi por acaso não, viu? Carlos, você é um exemplo daquilo que eu mais prezo aqui, sabe: gente que se inspira no trabalho dos outros e parte pra fazer acontecer com as ferramentas que dispõe. No seu caso, com um Podcast que eu já indico aqui, olha só: lá no Mundo Podcast está o E AGORA? (mundopodcast.com.br/eagora/1-podcaster/) que espero que tenha vida longa. Esse seu comentário me dá a certeza de que quando faço o LíderCast e o Café Brasil, meu dia é útil, viu? Manda um abraço aí pro Tiagão, pro ALX e vamos em frente!

Muito bem. O Carlos Adriano receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. www.facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Hoje tem visita. A Ciça está de volta ao programa. Então eu quero que ela faça com carinho. Ciça, só você hoje aqui, vem cá, vem!

Na hora do amor, use:

Ciça – Prudence, ai que bom! Prudence, Prudence. Que ótimo!

Um dia útil
Maurício Pereira

de manhã eu levantei, fiz xixi
li o jornal
sem escovar o dente
tomei café com leite (como sempre correndo)
me arrumei, fui trabalhar
nem lembrei de dizer tchau pro povo lá de casa
fui tocar música com meus amigos músicos
aí eu canto (o dia inteiro eu canto)
e canto, e canto, e canto, e canto
às vezes pra ninguém porque é ensaio
às vezes pra ninguém mesmo não sendo ensaio
mas sempre junto com meus amigos músicos
e quando vai a multidão
parece que eu sou tão importante
depois acaba tudo
e eu volto quieto pra casa
e quando eu chego lá em casa
tá todo mundo dormindo
tá tudo escuro
escuro pra burro
eu fico olhando a rua pela janela de casa
é madrugada
eu sozinho com eles dormindo
desligo
a última luz da casa
vou dando trombada
até o quarto dos moleques
beijo eles, um por um
cubro eles, um por um
tropeço um bocado
pra chegar na minha cama
eu dou
um beijo leve e demorado
nos cabelos
da minha mulher que dorme
eu tiro a roupa
eu deito acordado
eu tô nu
eu me cubro
olhos arregalados numa fresta de luz no teto
e eu sonho sozinho
com meu coração pequenininho
minha compreensão também pequenininha
do conjunto das coisas todas
eu, com medo da morte, e tudo mais
sonhando sozinho, eu me pergunto
se quando a gente canta alguém presta atenção na letra
mas eu tento tentar dormir
aí vem aquele monte de dúvidas
que a gente tem quando trabalha como artista
e vem fé e vem tristeza e vem alegria
e tesão e neura e fantasia
e dionísio e ditadura
e eu não sei, não sei, não sei, não sei…
eu pego no sono
eu preciso dormir um pouco
e sonhar muito
porque se o cara não descansa ele não canta direito
e não leva sustança
pro coração do cidadão comum
e amanhã é mais um grande dia
um dia comum de muito trabalho
um dia grande
que nem um diamante
um longo dia belo
um baita dia duro e lindo
eu ganho pra estar brilhante
num dia útil
um dia útil
um dia útil
um dia útil

Que tal, hein? Você ouviu UM DIA ÚTIL, do Maurício Pereira, com o próprio.

Muita gente me pergunta de onde eu tiro os assuntos que utilizo no Café Brasil, tão diversificados e quase sempre pertinentes. Eu não tenho uma fonte específica.

As ideias vem da observação, das histórias pessoais, das coisas que ouço, dos e-mails que recebo dos ouvintes, dos livros que leio, da televisão, do jornal, de qualquer lugar enfim. E às vezes vem de uma música. Como o programa que hoje, que nasceu depois que ouvi essa música que acaba de tocar. Um dia útil, do Maurício Pereira.

Vou falar dela, é bom que você tenha prestado atenção na letra. Prestou? Não? Tá ouvindo o podcast, é? Então volta lá e ouve de novo. Eu espero…

Eu tive a chance de entrevistar o Mauricio Pereira no LíderCast e comentei com ele sobre a música Um Dia útil e sobre a envelhescência. Ouça só a conversa.

Luciano – Eu usei uma música sua que me gerou um programa inteiro, chamado “Um Dia Útil”, olha uma entradinha dela aqui: de manhã eu levantei, fiz xixi, li o jornal sem escovar o dente tomei café com leite (como sempre correndo), me arrumei, fui trabalhar, nem lembrei de dizer tchau pro povo lá de casa….
Que é uma delícia, é você cronista nesse momento, é um cronista contando um pouco da sua vida, aquilo não é uma poesia, você pode escrever como se fosse um texto, um texto normal e me gerou um programa, mas depois eu fiz um outro programa que eu achei interessante, eu queria perguntar para você, para o final aqui, eu fiz um programa chamado “Envelhescência”, onde eu conto de um período da vida da gente que não é nem a velhice nem a maturidade, saímos da velhice, da maturidade e vamos para a velhice, no meio tem um negócio chamado “Envelhescência”…

Maurício – Nem me fale…

Luciano – … que é onde nós estamos cara, como é que você está lidando com isso cara, essa transição, como é que isso interfere no teu trabalho, quando você olha para trás e vê, pô, eu, Maurício de 30 anos para cá, o que está acontecendo agora, cara?

Maurício – Muitas coisas. A vida de músico independente, as coisas acontecem muito devagar, então por exemplo, nesse momento nós estamos aqui em março de 2011, depois de 17 anos de estrada com o Daniel Zafran, foi com quem eu gravei “Mergulhar na Surpresa”, a gente fez nosso primeiro show internacional esse fim de semana passado em Buenos Aires e a gente foi muito amado lá, então tem o lado que é depois de 20, 25 anos na estrada você começa a ser reconhecido e eu que sou um cara introvertido, que tenho um caminho solitário, cabeção guerrilheiro, não abro muito… tem horas que eu sou intransigente e pago o preço disso. Então depois de 20, 25 anos, eu aqui com 51 anos, estou colhendo um pouco de fruto, esse é um lado, estou mais tranquilo, na hora de eu fazer um disco eu não tenho pressa, eu posso esperar um ano, dois anos, se eu não tiver o que dizer eu não digo, tem coisas na estrada para eu fazer, então tem um lado que estou menos ansioso, outro lado é, eu tenho 51, é duro chegar no fim do mês e não ter dinheiro e eu sei que a carreira é muito louca, a profissão é muito difícil, eu preciso ter preparo físico para talvez chegar aos 70 e estar ralando igual, então o que eu estou fazendo? Estou fazendo pilates, então eu estou mais forte do que eu era há 10 anos atrás, parece gozação…

Luciano  – Mas é verdade cara.

Maurício – … eu ando, eu tento me manter fisicamente forte e tento, a minha cabeça, eu tenho um filho de 19 anos, tenho três filhos, o de 19 está tocando, tem uma banda, de vez em quando ele me chama pr4a tocar com ele e por ele eu estou tocando com músicos mais jovens e bebendo em fontes de gente que tem trinta anos a menos que eu e eu estou então muito em contato com o que se está fazendo em São Paulo agora, então eu estou muito ligado, apesar de eu ser um jovem guarda, um beatlemaníaco velho, eu estou ouvindo Tulipa Ruiz, Carina Buck, Rômulo Fróes, Catatau, Rodrigo Campos, Rafael Castro, Marcelo Jeneci, toda essa gente é muito familiar para mim. Ouço e com vários deles eu já toquei, então é um jeito de eu me manter vivo é fisicamente eu estar forte e o outro é conhecer o que está acontecendo e ao mesmo tempo tentar manter a calma porque a gente às vezes se empolga, que acho que aos 50 anos alguma coisa vai andar mais rápido, então eu tive um dia de glória em Buenos Aires antes de ontem, mas saber que eu chego aqui, sou guerrilheiro formiga e tenho que cavar cada centímetro, então preciso estar fisicamente forte e mentalmente não muito ansioso e tentar fazer música de um jeito que ela não fique datada, que é por isso que o “Mergulhar na surpresa” depois de quinze anos, eu fui levar um show zero quilômetro para Buenos Aires e as pessoas estão querendo ouvir, então é isso, é uma hora de olhar para trás legal, estou me reconhecendo. Já fiz muita coisa, já errei, já sei o que dá certo ou não e olhar para a frente e pensar, pô, o preparo físico não é o mesmo e a profissão não me permite diminuir o ritmo de trabalho porque é difícil ganhar, então é um momento de pensar muito mesmo, de ver como é que eu consigo me manter, não é jovem, é me manter vivo, ativo e funcional, porque muitas coisas eu já não consigo mais fazer, então o que eu não estudei de instrumento eu não vou recuperar mais agora, tem coisas que a minha voz já não alcança mais, então é pensar, sabe jogador de futebol velho? Eu jogo…

Luciano – Sim, vai correndo menos e vai ….

Maurício – … eu faço pivô, inteligência tem que ser as vezes a inteligência tem que ser grande, então tem que ser maior.

Luciano – Pô cara, bicho, eu sou teu fã!

Que gostoso isso né?  Você está ouvindo a Polka vergonha que na verdade é polka vergonha, com o Choro na feira. Essa música é de Bilinho Teixeira.

Então. A música do Maurício Pereira me pegou de jeito, não sou músico, mas as coisas que ele canta ali serviram direitinho pra mim…o trabalho diário, o prazer de fazer acontecer, as dúvidas sobre a aceitação do seu trabalho, a sensação de importância quando temos uma audiência, a necessidade dos ensaios, as dúvidas…as dúvidas… as dúvidas…

Eu acho que não importa o que você é. Pedreiro, padeiro, padre, maquinista, gerente ou enfermeira. Deve viver essa mesma sequência rotineira: o trabalho, a recompensa e eventualmente o questionamento tipo: afinal de contas, o que é que eu to fazendo aqui?

Mas eu não quero ir tão longe não na filosofia. Quer apenas entender o que é que considero um “dia útil”…

Bom, a primeira definição, a mais fácil é a que a gente aprendeu a vida toda, né: dia útil é aquele que está entre um final de semana e o outro. É aquele que não é feriado. É a segunda, a terça, a quarta, a quinta e sexta na maioria dos casos. É claro que isso é subjetivo. Para um bombeiro, domingo pode ser dia útil. Para um padre que reza a missa, domingo é efetivamente o dia mais útil. Mas o que quero aqui é tratar desse conceito do “útil”.

A definição dos dicionários fala que útil é aquilo que pode ter ou tem algum uso ou é necessário proveitoso reservado ao labor ou produção.  Hummm…legal. Pois é. Mas acho que ainda não cheguei lá…

Cinto de inutilidades
Nelson Motta

Não existe nada mais antigo
Do que cowboy que dá três tiros de uma vez
A avó da gente deve ter muitas saudades
Do zing-pow!, do cinto de inutilidades
No nosso mundo tudo é novo e colorido
Não tem lugar pra essa gente que já era
Morcego velho, bang-bang de mentira
Vocês já eram, o nosso papo é alegria!
Só alegria, só alegria
E o coração aberto pra quem faz o bem
Só alegria, só alegria
O nosso papo é alegria

Rarararaa… peguei você, seu envelhescente! Você é da turma que ficava grudada na Globo, hein? no começo dos anos 1970 esperando os desenhos animados. A música é o CINTO DE INUTILIDADES, composta por Nelson Motta e aqui na voz do Frejat. Olha só, as referências dizem que essa era a trilha de abertura do Globo Cor Especial, mas lá em Bauru, eu era pobrinho, a minha TV era em preto e branco…

Então, eu não quero tratar da utilidade como se fosse um objeto. Como algo que serve pra alguma coisa. Eu quero tratar de outra utilidade. Aquela que eu não sei definir, mas que me surge como a certeza de que fiz algo que valeu a pena… É como este programinha, sabe?

Ele toma um tempo precioso de meu dia a dia, um tempo que eu deveria estar dedicando a trabalhar para meu sustento. Sob o ponto de vista do sustento material, o podcast Café Brasil me é inútil. Ele me consome tempo e dinheiro e não rende nada em troca. Analisando pelo conceito do útil, material, eu deveria é parar de fazê-lo.

Mas é aí que vem o outro conceito de utilidade, que é o que me interessa, aquele conceito que não é o material dos dicionários, mas que tem a ver com realizar certos desejos, com ter certas sensações, com observar mudanças que você provocou, com receber uma notícia que mostra que você fez algo de útil para alguém.

O Café Brasil me dá prazer. Me dá a sensação de que estou fazendo algo que vale alguma coisa. Que de alguma forma eu estou sendo útil pra alguém…

O dia em que eu gravo o Café Brasil, pra mim é um dia útil… Um dia fora do cotidiano…

Cotidiano
Chico Buarque

Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Todo dia ela diz que é pr’eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr’o jantar
E me beija com a boca de café.

Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.

Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.

Toda noite ela diz pr’eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr’eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.

Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Todo dia ela diz que é pr’eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr’o jantar
E me beija com a boca de café.

Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.

Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.

Toda noite ela diz pr’eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr’eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.

Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Você ouviu Arnaldo Antunes com COTIDIANO, que Chico Buarque compôs em 1971. Essa música é um barato… os gostos da boca da mulher definem a passagem do tempo. Coisas de um Chico brilhante…

Quando uma pessoa sente que ninguém necessita dela, perde o tesão de viver, de lutar e vai aos poucos definhando, se sentindo inútil. Repare só como é a vida da gente

Quando crianças, temos o mundo pela frente, energia e curiosidade pra fazer acontecer. Tudo vale a pena. Na adolescência vamos aprendendo a sair de baixo da saia da mãe, a tomar nossas próprias decisões. Quando adultos, partimos para construir nossas vidas próprias. Casamos. Temos filhos. E nos vemos completamente envolvidos com a tarefa de proteger, educar, alimentar, vestir, dar moradia aos que dependem de nós. Essa é a fase entre os 26 e 50 e poucos anos. E então começam a acontecer coisas estranhas. Não por acaso, durante a fase da envelhescência…

O filho sai de casa, a filha se casa e também sai de casa, o cachorro morre, e você vai vendo que sua importância como provedor para aquela estrutura vai desaparecendo. Não existe mais aquela relação de dependência de antes. E então você se aposenta (será que ainda existe isso)? E do dia para a noite se vê dispensável. Os filhos não precisam mais de você, a empresa não precisa mais de você, ninguém mais precisa de você. E você se acha… um inútil…

Ah, você acha que eu to exagerando, é? Pois a quantidade de gente que está lidando com essa sensação de inutilidade repentina é muito maior do que você imagina. E é aí mesmo que mora o perigo. Eu quero que meus dias sejam úteis! Não importa se tenho alguma relação de dependência direta com alguém. Estar vivo tem que valer a pena…

Pescador de ilusões
O Rappa

Se meus joelhos
Não doessem mais
Diante de um bom motivo
Que me traga fé
Que me traga fé…

Se por alguns
Segundos eu observar
E só observar
A isca e o anzol
A isca e o anzol
A isca e o anzol
A isca e o anzol…

Ainda assim estarei
Pronto pra comemorar
Se eu me tornar
Menos faminto
E curioso
Curioso…

O mar escuro
Trará o medo
Lado a lado
Com os corais
Mais coloridos…

Valeu a pena
Êh! Êh!
Valeu a pena
Êh! Êh!
Sou pescador de ilusões

Essa eu já toquei aqui, em 2007. É o Diego Del Nero, cantando PESCADOR DE ILUSÕES o grande sucesso d’O Rappa ao qual ele dá uma roupagem mais romântica. Quando toquei aqui pela primeira vez, o Diego era um garoto que estava começando na música. E que continua na batalha. 

Voltando ao nosso tema de hoje, o sentir-se útil, fiz um podcast tempos atrás que tratava exatamente disso: o prazo de validade de cada um. A sociedade é perversa. Ela vai sacando da gente as responsabilidades, conforme envelhecemos. Olha o seu avô ali. Ou a sua avó. O que é que eles fazem de útil? É pouco é? Mas por quê? Porque a sociedade tirou deles responsabilidades. Velho não pode fazer isto. Velha não pode fazer aquilo. Não queremos velhos aqui! E quantos velhinhos e velhinhas cheios de energia você conhece, que não param quietos e estão fazendo acontecer, hein? Pois é.

Sentir-se útil é sentir-se vivo!

E sobre a importância de sentir-se útil encontrei um texto de Eduardo Camara no Blog Maonaroda (maonarodablog.com.br)que é uma porrada… Trata da importância de sentir-se útil para quem repentinamente se vê preso a uma cadeira de rodas…

Ao fundo você ouvirá QUEM PUDER VOAR, QUE VOE, de Luiz Macedo e Renato Lemos, que faz parte da trilha sonora do filme ANÉSIA, que conta a história de Anésia Pinheiro Machado, a primeira aviadora brasileira.

Nove anos atrás eu era estagiário e também fazia alguns trabalhos como free-lancer, o que me rendia o suficiente para meus gastos do dia a dia, saídas e pequenas viagens. Quando me tornei cadeirante, naturalmente, tive que me afastar temporariamente do estágio. Um mês depois, quando mal tinha começado meu tratamento de reabilitação, me deram um ultimato: ou voltava pro estágio ou cortariam a bolsa. Como ainda não tinha condições de trabalhar, acabei perdendo aquela fonte de renda justamente no momento em que mais precisava dela.

No começo da reabilitação, no início de 1999, eu estava fisicamente, emocionalmente e financeiramente dependente. Não era capaz sequer de sair sozinho da cama para cadeira, não fazia mais estágio e era incapaz de encontrar um rumo. Sentia-me um completo inútil.

A grande virada começou quando um amigo me indicou para um projeto como free-lancer. O cliente ficava em São Paulo e eu poderia realizar todo trabalho a partir de casa, usando meu computador, o telefone e a Internet para me comunicar. Até as reuniões seriam virtuais. E teria também flexibilidade total de horários, o que era estritamente necessário por causa das aulas na faculdade e sessões de reabilitação. Bati um papo por telefone com o tal cliente e fechamos o projeto, que começou logo em seguida. O cliente nem sabia que eu usava cadeira de rodas e isso foi muito bom para mim. Eu tinha sido contratado por ser um profissional bem recomendado, e não simplesmente para ajudarem um “pobre jovem recém cadeirante e precisando de dinheiro. Sim, fez toda diferença! O projeto durou meses e foi um sucesso, mas o melhor de tudo mesmo foi voltar a trabalhar, ser tratado como profissional, ganhar meu próprio dinheiro e me sentir útil. Foi um dos meus primeiros grandes passos para a independência.

Então… eu li, eu pesquisei, eu perguntei… e concluí. Pra mim, dia útil é aquele em que eu aprendo ou ensino algo. Se eu chegar no momento de colocar a cabeça no travesseiro e perceber que passei um dia sem aprender ou ensinar alguma coisa, acharei que tive um dia inútil. E você, hein?

Sete cantigas para voar
Vital Farias

Cantiga de campo
De concentração
A gente bem sente com precisão
Mas recordo a tua imagem
Naquela viagem
Que fiz pro sertão
Eu que nasci na floresta
Canto e faço festa
No seu coração

Voa, voa azulão

Cantiga de roça
De um cego apaixonado
Cantiga de moça lá no cercado
Que canta a fauna e a flora
Ninguém ignora se ela quer brotar
Bota uma flor no cabelo
Com alegria e zelo
Para não secar

Voa, voa no ar

Cantiga de ninar a criança na rede
Mentira de água
É matar a sede
Diz pra mãe que fui pro açude
Fui pescar um peixe

Isso num fui não

Tava era cum namorado
Pra alegria e festa do meu coração

Voa, voa azulão

Cantiga de índio
De que perdeu sua taba
No peito esse incêndio
Seu não se apaga
Deixa o índio no seu canto
Que eu canto um acalanto
Faço outra canção
Deixe o peixe deixe o rio
Que o rio é um fio de inspiração

Voa, voa azulão

E é assim, ao som de Elba Ramalho e Renata Arruda, entoando SETE CANTIGAS PARA VOAR, a obra prima de Vital Farias, que o Café Brasil que faz uma pergunta vai embora. Pra você, o que é um dia útil?

Com Lalá Moreira muito útil na técnica, Ciça Camargo muito útil na produção e eu Luciano Pires, aqui, tentando aprender ou ensinar na direção e apresentação.

Estiveram conosco o Carlos Adriano do podcast E AGORA?,Eduardo Câmara, Maurício Pereira, Frejat, Arnaldo Antunes, Diego Del Nero, Elba Ramalho e Renata Arruda. E a visita do Wagner, a esposa Grazyelle e o filho Gabriel, que estão na Confraria Café Brasil.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações e abriu agora um canal no Youtube cheio de coisa legal, inclusive os videocasts que eu fiz pra eles. Dê uma olhada lá: youtube.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde ele veio tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast e para visitar nossa lojinha no… portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país é o: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o canal Podcast Café Brasil.

Olha! Se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer  estar junto com a gente, aliás, quer se juntar a uma turma de primeira aí cara, vem pra Confraria cara! Faça o seu dia ficar útil. Acesse o portalcafebrasil.com.br, clique no link  onde aparece ali no banner cérebro tanquinho e vem com a gente.

E pra terminar um dito popular que está sempre valendo…

Cabeça vazia, oficina do diabo…