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Luciano Pires -

É nos momentos de tempestade, de crise, quando não há um horizonte visível, quando temos de lutar pela sobrevivência, que as pessoas revelam seu verdadeiro caráter. E essa pandemia chegou para arrancar máscaras, destruir reputações, revelar os pés de barro de alguns santos e, acima de tudo, apontar nossas falhas e carências.

Mas em meio a esse terror, pessoas das mais diversas áreas surgem com atitudes fora da curva. São pessoas que cumprem suas funções, mas que têm aquele algo mais que as coloca numa categoria especial.

Vamos falar um pouco sobre elas hoje

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Oi Luciano,

Meu nome é Camila, te acompanho há um tempão, me sinto quase como uma amiga sua, porque eu te conheço há vários anos, melhor nem falar quantos anos, apesar de você não me conhecer.  Bem, uma coisa é certa. Desde o iniciozinho do Café Brasil.

Você tem me acompanhado, mesmo sem saber, durante todos esse anos e esses anos foram uma grande montanha russa na minha vida. Casei, tive dois filhos lindos, mudei de cidade, mudei de carreira, terminei duas graduações, fiz minha especialização, mestrado e agora estou no doutorado, separei e… ufa!!! Me deparo agora com um momento extremamente desafiador na minha carreira: a tão falada pandemia do COVID-19.

Sou enfermeira, trabalho em hospital público, em Pronto Socorro e UTI. Daqui a pouquinho eu falo um pouco sobre isso.

Primeiramente gostaria de te parabenizar e agradecer pela série de programas “Heróis da Saúde” e pelos programas “Pinxando o muro”.

Quanto ao programa “Pinxando o muro” me emocionei muito, enchi os olhos d’água e me inspirei muito, pois espero, de verdade, conseguir dar aos meus filhos o exemplo que este pai deu à Gabriele. Parabéns a ele. Parabéns à Gabriele que se tornou uma menina linda. 

Quanto ao que estamos vivendo atualmente, este vírus, essa pandemia, todas essas mudanças no mundo, tantas mudanças de conceito, todos nós estamos tendo a oportunidade de olhar um pouquinho mais, refletir um pouco mais sobre nossas vidas. Posso te dizer também que não tem sido fácil para nós profissionais de saúde. Sei que não tem sido difícil apenas para nós, mas para todo mundo. Os empresários, os trabalhadores informais, nós vivemos num país pobre e as pessoas precisam trabalhar pra colocar comida na mesa, Outros profissionais que lidam com a população, profissionais da limpeza, da segurança pública, do transporte público, os atendentes de supermercado, entre vários outros,  etc etc etc.

E seus programas tem sido um refresco no meio disso tudo, como quando a gente está tomando sol e vai pra aquela ducha gelada. Extremamente aliviante. 

Infelizmente nosso país durante anos e anos não investiu dinheiro e nem uma boa gestão na saúde e na educação como todos nós estamos cansados de saber. E uma crise como esta apenas deixa evidente a falta de educação do nosso povo e também a saúde precária do país, que por sua vez, em vários locais já estava colapsada e agora apenas ficou evidente a todos.

Infelizmente, ou felizmente, saúde e educação são coisas que colhemos o que plantamos a longo prazo como, por exemplo, a aposentadoria que depende, que a gente trabalha durante anos até poder se aposentar, a nossa saúde pessoal que depende dos hábitos de vida, o que comemos, o exercício que fazemos e etc.

E agora, a gente está apenas colhendo aquilo que a gente plantou. Mas eu tenho  esperança de que tudo isso possa servir pra nós mudarmos as nossas prioridades, aprendermos com essa crise e nós eleitores, possamos eleger governantes que priorizem a saúde e a educação do povo daqui para frente.

Adorei o programa que você citou aquele evento onde as crianças ficaram presas na caverna e houve uma mobilização de várias pessoas para salvar essas crianças. Mas sabe qual é a diferença Luciano? Naquela mesma semana em que as pessoas estavam nos chamando de heróis da saúde, batendo palmas nas sacadas dos prédios, os hospitais da minha cidade tiveram que liberar os funcionários pra irem trabalhar sem uniforme porque os mesmos estavam sendo linchados pela população dos transportes públicos. A escola do meu filho me liga cobrando toda semana que eu esteja lá para acompanhar aulinha online com ele, uma criança que está em fase de alfabetização, muito embora eu tenha explicado inúmeras vezes a todos eles que eu não estou tendo esse possibilidade pois estou no hospital pela manhã e trabalhando em pesquisa cientifica à tarde.  Alguns estabelecimentos da minha cidade abriram para atendimento público mas se recusam a atender profissionais da saúde. Então Luciano, me diga, pois eu juro que eu não consegui entender: para quem ou por quê foram as palmas na sacada?

Estamos trabalhando estressados muitas vezes, com uma demanda maior e menos recursos do que o normal. Percebo, inclusive que nós profissionais da área, entre nós, cada um lida de uma forma diferente com o medo. Por exemplo: tem pessoas que se trancam em casa e não saem de forma alguma e faltam agredir a outras pessoas se as verem sem máscara pela rua. Outras pessoas colocam suas máscaras e andam para todo lugar. E tem umas que se deixar anda até sem a máscara.

Quanto a nós profissionais da saúde, nós também temos medos. Temos famílias, temos nossos problemas, não queremos ou “não podemos” adoecer. Mas, o que fazer com o medo? Entendo que o medo pode ser uma coisa saudável e benéfica. Nos impede de trabalhar de forma inconsequente ou arriscada, nos faz usar os EPIs, que são os equipamentos de proteção individual de forma adequada, nos faz pensar em formas mais seguras de atender à população e assim por diante. Mas ele também pode ser maléfico , pois percebo em muitos colegas estressados, somatizando este medo, se afastando do trabalho por ansiedade, pânico, estresse, entre outras coisas do tipo.

Mas eu tenho aprendido muito com tudo isso que está acontecendo e espero me tornar um ser humano melhor, mais nobre, mais lapidado assim como uma profissional cada vez mais competente.

Obrigada por nos fornecer esse acalanto, esse momento de relaxamento. Adoro quando você faz programas sobre música. Você é o melhor nisso. Adoro a banda Queen, adoro rock’n roll. Você se superou naquele programa recentemente sobre Freddie Mercury e o Queen. Para mim, sobre esta temática, você é o melhor. E aquele programa foi o melhor que você já fez.

Um abraço enorme, de quem se sente muito próxima, e me sinto muito grata por tudo que você tem feito por nós. Um abração, CaMila”.

Camila Camila
Thedy Corrêa

Depois da última noite de festa
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer
As coisas aconteciam com alguma explicação
Com alguma explicação

Depois da última noite de chuva
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer
Às vezes peço a ele que vá embora
Que vá embora

Camila
Camila, Camila

Eu que tenho medo até de suas mãos
Mas o ódio cega e você não percebe
Mas o ódio cega

E eu que tenho medo até do seu olhar
Mas o ódio cega e você não percebe
Mas o ódio cega

A lembrança do silêncio
Daquelas tardes, daquelas tardes
Da vergonha do espelho
Naquelas marcas, naquelas marcas

Havia algo de insano
Naqueles olhos, olhos insanos
Os olhos que passavam o dia
A me vigiar, a me vigiar

E eu que tinha apenas 17 anos
Baixava a minha cabeça pra tudo
Era assim que as coisas aconteciam
Era assim que eu via tudo acontecer

Putz, nada mais óbvio que depois de um comentário da Camila, tocar Camila Camila, com o Nenhum de Nós, não é? É. Pois é. Mas às vezes a gente tem de ser óbvio mesmo, para ir além do óbvio, como é o caso aqui.

Olha só o que o Thedy Corrêa,  Vocalista da banda disse sobre essa música:

“A música Camila, Camila veio de uma história real de uma menina que a gente conhecia na época (1985). Ela estava passando por uma situação de abuso e violência com o namorado. Acho importante num país como o Brasil fazer músicas desse tipo. Aqui é mais confortável fazer letras que estimulem o sexismo ou utilizem violência como ingrediente. Na real, acho que ninguém fala de abuso porque não vende. A questão está no que cada um acredita e quer.”

Viu só? Quantas vezes você cantou Camila, Camila, sem prestar atenção na letra, hein? E pensar no que você pode fazer para ajudar as Camilas do Brasil?

Eu toco a música que tem o nome da Camila para homenageá-la, e em nome dela, todos os profissionais que trabalham como médicos, enfermeiros, assistentes, motoristas em hospitais públicos e privados, em Prontos Socorros e UTIs deste país.

Olha! Eu recebi críticas por ter abraçado o projeto Heróis da Saúde junto com a Epimed. Teve gente reclamando que bombeiros, policiais e outras categorias é que são heróis diariamente. E tá certo cara! Quando houver um puta incêndio ou uma catástrofe de segurança pública, eu faço um programa falando deles. Agora é hora de falar da pandemia e de quem a está combatendo nas condições que a Camila descreve.

Camila, muito obrigado pelo comentário. Dedico este programa a você.

Muito bem. Quando essa loucura passar, a Camila receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de preservativos do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. A causa da DKT é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta para evitar a gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, se um dia você conseguir retornar à hora do amor, vai lembrar do quê?

Lalá – Ué! Como assim retornar? Na quarentena isso é serviço essencial  Estou usando Prudence direto!

Nine pound steel
Joe Simon

Through these walls
I see the sun
I’m here because
The wrong I’ve done…
Made me ashamed
I stole from her
Oh, when I should’ve stood up like a man
You see, I’ve got to say good morning
To a nine pound steel
Listen to me now
They got me working
Like a slave
Payin’ for
My mistake
I know someday
I’ll be free (someday)
Please darling
Oh honey, wait for me
I’ve got to say good morning
To a nine pound steel
Good morning to that old nine pound steel
This old jail
Is so cold
I need ya darling
I need your love more and more
I know someday
Someday I’ll be free (someday)
Free darling, oh honey wait for me
Until I lay down this whole nine
Nine pound – nine pound steel
It’s so hard, sometimes
Listen to me, honey
I’m comin’ home (come home)
Wait for me
I’m comin’ home
Wait for me

Grade de aço de nove libras
( O termo foi inspirado num clássico chamado Nine Pound Hammer – martelo de nove libras – que os autores da canção, com a cabeça cheia de anfetamina, mudaram para grade de aço de nove libras).

Através dessas paredes
Eu vejo o sol
Estou aqui por causa
Dos erros que cometi
Sinto-me envergonhado
Eu roubei dela
Quando eu deveria ter me comportado como um homem
Tá vendo. Eu tenho de dizer bom dia
Para uma grade de ferro

Preste atenção
Eles me fazem trabalhar
Como um escravo
Pagando por meus erros
Eu sei que um dia
Eu estarei livre (um dia)
Por favor, querida
Oh, docinho, espere por mim

Tenho de dizer bom dia
Para uma grade de ferro
Bom dia para aquela velha grade de ferro
Esta velha cadeia
É tão fria
Eu preciso de você, querida
Preciso de seu amor, mais e mais
Eu sei que um dia
Um dia…

Ah, que delícia, cara… essa eu usei naquele Café Brasil sobre Blues. É Nine Pound Steel com Snooks Eaglin. E tá aqui porque a letra fala de um prisioneiro que toda manhã ao acordar dá de cara com uma grade de ferro… e aí ele se arrepende de seus erros, pedindo que sua amada o aguarde. Uma forma dura de repensar sobre seu caráter…

Um Podsumário que distribuí para os assinantes do Café Brasil Premium e que me impactou de verdade foi o Caminho para o caráter, de David Brooks. Na maior parte do livro o autor apresenta histórias reais, que ele chama de “contos morais”, sobre figuras históricas que desenvolveram fortes atributos de caráter, como humildade, autodisciplina e realismo moral. O autor considera que o caminho para desenvolver um caráter positivo é mergulhar conscientemente na luta entre nossos vícios e virtudes, na direção de viver uma vida moral.

Não parece coisa velha? Pois é… Mas vamos adiante aqui, ó. O autor inicia explicando a diferença entre as virtudes do currículo e as virtudes eulógicas.

Ele fala em “résumé virtues”, as virtudes do currículo, que compreendem as habilidades profissionais que nos ajudam a ter sucesso na carreira.

A Camila, por exemplo, estudou para ser enfermeira, aprendeu as técnicas, desenvolveu habilidades e se tornou uma profissional da saúde. Suas virtudes do currículo a qualificaram para isso.

E em seguida David Brooks fala de “eulogy virtues”, que são aquelas coisas que farão com que sejamos lembrados. O termo “eulogia” vem do grego eulogeo e pode ser traduzido como “uma benção”. É uma fala benevolente, respeitosa e prudente. Pode ser um discurso fúnebre onde se exaltam as qualidades do morto.

Portanto, virtudes eulógicas são aquelas que farão com que sejamos lembrados não por nossas habilidades técnicas, mas pelo impacto moral que causamos nos outros.

São aquelas que farão com que um paciente, entre todos os profissionais de saúde que o trataram, se lembre com carinho da Camila. Nunca será por ela aplicar bem uma injeção, por fazer bem um curativo ou por administrar bem os medicamentos. Será por algo que ela o fez sentir além do corpo físico. Será por um algo a mais.

Cara, isso caiu como uma luva na minha palestra gente nutritiva, na qual trato exatamente das coisas que nos tornam diferentes dos outros, que vão além do que se aprende na escola ou das habilidades técnicas. Com aquele livro aprendi que eu tratava das virtudes eulógicas.

As virtudes eulógicas são as que estão na raiz de nosso ser e que têm a ver com os relacionamentos que formamos. Nosso sistema educacional é orientado para as virtudes do currículo mais do que para as virtudes eulógicas. Assim também são as conversas públicas, os livros de não ficção e as dicas de autoajuda nas revistas.

A maioria de nós tem estratégias claras sobre como atingir o sucesso na carreira, mas não sobre como desenvolver um caráter invejável.

Esses tipos diferentes de virtudes também podem ser compreendidos pela metáfora dos lados opostos da natureza humana, que David Brooks representa como Adão 1 e Adão 2.

O Adão 1 busca a validação externa através do sucesso na carreira e das conquistas materiais. Quer construir, criar, produzir e descobrir coisas.

O Adão 2 é motivado por virtudes morais superiores, como ser reconhecido como uma boa pessoa, amorosa e que se sacrifica pelos outros.

Enquanto Adão 1 quer conquistar o mundo, Adão 2 quer obedecer a um chamado para servir o mundo.

Esses dois impulsionadores estão sempre em conflito em nossas mentes, pois têm diferentes lógicas:

Adão 1 encarna a racionalidade econômica, enquanto Adão 2 exemplifica a lógica da moralidade.

Nossa cultura tem a tendência de valorizar mais Adão 1, o da racionalidade econômica, do que Adão 2, o da lógica da moralidade, por conta das pressões da competição, dos ruídos da comunicação e do foco utilitário da sociedade de consumo.

E o autor então diz que se deixarmos que Adão 1 tome conta de nossa natureza, perderemos de vista os grandes significados da vida.

Olha, não tem como não fazer paralelos, viu? Escrevi aquele Podsumário ainda impactado com a tragédia de Brumadinho, quando uma barragem da Vale caiu, matando mais de 300 pessoas e causando uma tragédia sem precedentes em Minas Gerais. Depois da tragédia, uma grande discussão tomou conta do país sobre as responsabilidades da Vale, uma empresa de ponta, respeitada no mundo todo e que adota os mais avançados processos tecnológicos para segurança. Mas que parece que não funcionam a contento. A razão? Para mim é clara: os indicadores de segurança dos indivíduos só estão em primeiro plano nos discursos. Na realidade, no dia a dia, primeiro vêm os resultados dos negócios, depois vem a segurança.

Adão 1 é mais importante que Adão 2… Parece uma explicação simplória, não é? E é, cara! O problema não está nos processos, na capacidade da Vale, nos investimentos, na capacitação dos técnicos.

O problema é a hierarquia de valores.

E o Itaú Cultural tem três podcasts para quem se interessa por música, literatura e questões indígenas.

No podcast Escritores-Leitores, autores brasileiros falam de seu processo criativo. No podast Toca Brasil, artistas, produtores e pesquisadores do universo musical falam de seu trabalho. E no podcast Mekukradjá escritores, cineastas e lideranças de povos indígenas de várias regiões do Brasil tratam das questões indígenas.

Acesse itaucultural.org.br, Agora você tem cultura entrando por aqui, ó:

Pelos ouvidos…

Eu fico sempre tocado por depoimentos como o da Camila, dando detalhes da luta das pessoas que escolhem trabalhar para salvar as vidas de outras pessoas. Há muito de nobre nessa escolha.

É claro que como em toda profissão existem os fazem essa escolha unicamente como uma forma de prover a subsistência. São profissionais, Adão 1, que fazem seu trabalho com a competência suficiente para manter seus empregos. Esses só são lembrados quando não aparecem para trabalhar, sabe como é? São percebidos pela ausência e pelas cagadas que fazem.

Mas existem outros que escolhem a profissão como um chamado, como uma forma de dar sentido às suas vidas. O Adão 2. Esses serão sempre lembrados pela presença, pelos momentos de alívio que proporcionam a outras pessoas, e que vão muito além de suas competências técnicas.

“Eu estou me sentindo muito mal, porque eu estou atendendo aqui na UPA pacientes que não são suspeitos. E entrou uma criança com o pai e eu perguntei o que era e ele disse que era porque a criança estava sem fazer cocô há 5 dias e que ele tomava um remédio e que não estava mais tomando e hoje ele tinha sentido uma dor muito forte e ele tinha se aperreado e tinha trazido. A criança estava super bem e eu fui dar um carão. Como é que o senhor traz pra cá né? Se o senhor sabe que tem que dar o remédio por que é que você não deu? A criança olhou pra mim: tia, a criança tem 4 anos. Meu pai é pedreiro, só que ninguém chama mais ele pra trabalhar, tia. E aí, como ninguém chama ele pra trabalhar, ele não tem como comprar meu remédio.

A gente não fica no lugar do outro e julga antes, sabe? E eu fui examinar a criança e realmente tinha muitas fezes palpáveis no abdome, e a gente fez a conduta que tem que fazer, mas… eu perguntei pra ele: você é pedreiro? Ele falou: sou doutora, mas estou sem trabalhar.

Então. As coisas vão piorar e pessoas como ele, que tem vários, vão sofrer muito. Então, quem a gente puder ajudar, da forma que a gente puder, vamos ajudar e vamos se po no lugar do outro. Sabe?

Essa é uma médica, cujo depoimento viralizou pelo Instagram. Ela está às lágrimas com a situação e eu não posso imaginar o que se passa em sua cabeça para retornar ao trabalho depois de viver um momento assim.

Si pô no lugar dos outros.

O nome disso é empatia.

A maioria de nós, quando pensa no futuro, pensa em viver vidas felizes. Mas quando pensamos nos eventos que ao longo de nossas vidas nos impactaram e nos formaram, normalmente não falamos de momentos felizes. Buscamos a felicidade, mas é o sofrimento que forma o nosso caráter. E para a maioria de nós, não há nada de nobre no sofrimento. Quando não está conectado a um propósito maior, quando não é compreendido como parte de um processo maior, o sofrimento pode simplesmente nos destruir.

Mas algumas pessoas conseguem conectar o sofrimento a algo maior, em solidariedade a outros que sofrem. Essas pessoas são enobrecidas por esse sofrimento.

Não é o sofrimento que faz a diferença, mas a forma como ele é experimentado.

A consciência de que você está indo além do superficial, se aproximando do fundamental, cria o que a psicologia moderna chama de “realismo depressivo”, a habilidade de ver as coisas exatamente como elas são. Além disso, o sofrimento nos dá um senso mais claro de nossas limitações, do que podemos ou não controlar. O sofrimento, assim como o amor, destrói a sensação de que somos autossuficientes. E o sofrimento também nos ensina a gratidão. O que nos torna mais humanos.

A lição é que em vez de nos perguntarmos “Por que comigo?” ou “Por que esse mal?”, aprendemos a perguntar “O que é que eu farei se me defrontar com o sofrimento ou for vítima de algum mal?”

Recuperar-se de um sofrimento não é o mesmo que recuperar-se de uma doença.

Muitas pessoas não saem de um sofrimento curadas, saem diferentes. E assim o sofrimento pode se tornar uma dádiva, muito diferente daquela outra chamada felicidade.

Felicidade traz prazer, o sofrimento cultiva o caráter.

Bem, caminhando para o final, eu quero retomar um trecho da fala da Camila, que ilustra muito bem a questão da empatia:

“Quanto a nós profissionais da saúde, todos temos medos também. Temos famílias, temos nossos problemas, não queremos ou “não podemos” adoecer. Mas, o que fazer com o medo? Entendo que o medo pode ser saudável e benéfico. Nos impede de trabalhar de forma inconsequente ou arriscada, nos faz usar os EPIs de forma adequada, pensar em formas mais seguras de atender à população etc. Mas ele também pode ser extremamente maléfico quando percebemos, por exemplo, colegas estressados, somatizando este medo, se afastando do trabalho por ansiedade, pânico, estresse etc.

Tenho aprendido muito com tudo o que está acontecendo e espero me tornar um ser humano melhor, mais nobre, mais lapidado assim como uma profissional cada vez mais competente.”

 

O Sol
Antônio Júlio Nastácia

Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

Ei, dor
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

Yeah! Han!
Caminho do Sol, eh!
Lá lararará!
Caminho do Sol, eh!

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

É pra lá
É pra lá que eu vou

Aonde eu vou?
Aonde tenha Sol
É pra lá que eu vou

É assim então, com O Sol, composição de Antônio Júlio Nastácia, na intepretação do Jota Quest com Rogério Flausino e Milton Nascimento, que vamos saindo pensativos.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e você aí ó, o ouvinte, que completa o ciclo.

Olha, com este programa eu quero não só homenagear as pessoas que se dedicam, por aquele chamado, a aliviar o sofrimento dos outros, mas também quero que você tenha compreendido que podemos tirar ensinamentos valiosos do sofrimento. Sim cara, eu sei, é complicado, dói pra caramba, é fácil falar quando não é com a gente… Mas eu repito: a gente não sai de um sofrimento curado. Sai diferente. E esse diferente pode ser amargurado, infeliz, inseguro… ou pode ser mais maduro, motivado e com uma armadura emocional reforçada. A Camila está ensinando isso pra gente.É você quem escolhe o que fará com o que o sofrimento faz com você.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”, onde você tem uma espécie de MLA – Master Life Administration. Então acesse cafedegraca.com e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

Não esqueça. Eu estou em processo de lançamento do meu curso online: produtividadeantifrágil.com.br. O povo tá pirando, cara! Venha! produtividadeantifragil.com.br.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras, que agora estão online, cara! Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Florence Nightingale, a mulher que fundou a Enfermagem moderna e destacou-se no tratamento de feridos em guerras:

A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!