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Luciano Pires -

Lá vou eu de novo! E aí? Você é de direita ou de esquerda? Se incomoda com este podcast que traz ideias com as quais você não concorda, hein? Tá querendo parar de ouvir, é? Hummmm….tem que ver isso….

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o João Olavo, que mandou em 2014 ou 2015 um looongo comentário que olha, tenho certeza, resume o pensamento de muitos dos ouvintes do Café Brasil. Eu Vou usá-lo na sequência do programa.

Então, João Olavo. Escreva para contato@lucianoopires.com.br, mandando seus dados e você receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

Quem distribui os produtos Prudence, você já sabe, é a DKT, que pratica o marketing social. Boa parte de seus lucros são destinados para ações em regiões pobres em todo o mundo, para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  Cada vez que você compra um produto Prudence, está contribuindo para salvar vidas. facebook.com/dktbrasil

Luciano – Lalá, vem cá. Lalá. Eu que sou de direita, na hora do amor eu uso Prudence. E você?

Lalá – Claro que aqui eu também uso Prudence.

Luciano – Muito bem.

Mais um depoimento de quem assina o Café Brasil Premium, a nossa “Netflix do Conhecimento”, olha:

Fui um dos primeiros a assinar, logo no lançamento. Inicialmente, assinei para contribuir financeiramente com o projeto. O Luciano já está há mais de 10 anos contribuindo para a despocotização do Brasil, já lançou mais de 600 programas do Café Brasil de graça, por que não ajudar, hein? Mas quando eu comecei a consumir o conteúdo do Premium, a cabeça explodiu. O conteúdo mexeu profundamente comigo e está sendo meu guia neste momento em que pretendo mudar totalmente minha carreira. Luís Gustavo do Rio de Janeiro

E você, hein meu? Vai ficar aí esperando até quando?

cafebrasilpremium.com.br.

Conteúdo extra-forte.

The International
Eugène Pottier
Pierre De Geyter

Arise ye workers from your slumbers
Arise ye prisoners of want
For reason in revolt now thunders
And at last ends the age of cant.
Away with all your superstitions
Servile masses arise, arise
We’ll change henceforth the old tradition
And spurn the dust to win the prize.

Refrain:
So comrades, come rally
And the last fight let us face
The Internationale unites the human race.

No more deluded by reaction
On tyrants only we’ll make war
The soldiers too will take strike action
They’ll break ranks and fight no more
And if those cannibals keep trying
To sacrifice us to their pride
They soon shall hear the bullets flying
We’ll shoot the generals on our own side.

No saviour from on high delivers
No faith have we in prince or peer
Our own right hand the chains must shiver
Chains of hatred, greed and fear
E’er the thieves will out with their booty
And give to all a happier lot.
Each at the forge must do their duty
And we’ll strike while the iron is hot.

A Internacional

De pé, ó vitimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da idéia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo,
Sejamos tudo, oh produtores!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram a riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
O povo só quer o que é seu!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Nós fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados!
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verrá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Pois somos do povo os ativos
Trabalhador forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas deixai o mundo
Ó parasitas que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Bem unido façamos,
Nesta luta final,
Uma terra sem amos
A Internacional

Uau! Onde mais você ouve a Internacional Socialista na versão jazz, hein? Aqui foi Tony Babino. Olha! Isso é que é um suingue pra esquerda, viu?

Lalá, vamos agora com o texto do João Olavo.

e ao fundo com THE COUNT – que achei no canal de Tony Guerrero no Youtube.

“Olá Luciano,

Ouço o Café Brasil há aproximadamente um ano. Quando ouvi o meu primeiro episódio, eu fiquei fascinado. E ouvi a Teoria dos quatro rês em “Raciocínios perigosos” e mais outro episódio, e outro, e então fiquei extasiado! Achei fantástica sua proposta de despocotizar o Brasil, junto com toda a cultura legal que você nos apresenta e linhas de pensamento que nos deixam mais perdidos. Perfeito, era isso que eu precisava!

Logo apresentei o podcast para a minha namorada, que também começou a ouvir, e passamos a discutir seus pontos de vista, comparando com os nossos, gerando ótimas conversas entre nós. Ponto para você! E a pedra no lago fez mais uma onda.

Algumas semanas depois, ouvi um episódio que me deixou meio… assim. Não vou me lembrar qual foi, mas foi provavelmente algum comentário que finalizava com um “Só no Brasil mesmo”. Poucos episódios depois, outro comentário que me soou estranho, talvez alguma ironia sobre “politicamente correto”. Depois de diversos episódios ouvindo pensamentos que iam ao encontro do meu, comecei a notar alguns pontos indo de encontro aos meus, e estava incomodando.

Fui comentar com minha namorada meio com um tom de “não sei bem o que está acontecendo, mas…”. E ela também já tinha notado. Tem algo estranho aí.

E então eu descobri: você é de direita!

Como pode? Tantos pontos de vista similares, e de repente, essa pancada.

O que fazer? Para mim, a resposta foi simples: continuar ouvindo. Um dos assuntos que eu e minha namorada já tínhamos conversados era o comportamento do irmão dela, que deixava de ouvir certas pessoas com as quais ele concordava em grande parte porque discordava de um ou outro ponto. Já estávamos vacinados, continuamos a ouvir.

Suas opiniões eram relevantes para mim, e as discussões passaram a ser incrementadas por conversas entre nós discordando por diversas vezes de você.

Meses depois, ouvi o episódio “Minha ideia, minha obra”, quando você discorre com muito primor sobre como uma pessoa “de direita” poderia lidar com as opiniões “de esquerda” de Chico Buarque. Me identifiquei com o ouvinte cujo comentário gerou o programa, mas claro pelo motivo oposto.

Enfim, continuo ouvindo o Café Brasil, apesar de discordar e muito em diversos pontos, porque as coisas que você diz são relevantes para mim. E também porque considero que ouvir uma opinião contrária é muito importante para meu crescimento intelectual (apesar de nunca ter mudado em nada minhas convicções).

Dito isso, quero trazer a tona uma realidade: com o passar do tempo, vai batendo aquela depressão… Já não ouço mais com o mesmo entusiasmo do começo, pois agora eu conheço muito mais as suas opiniões. Fazer o quê? Sou humano, sou falho. Tenho minhas convicções que dizem que, se eu tiro mais vantagem ouvindo as suas opiniões que eu considero fantásticas do que ouvindo as com que discordo profundamente, eu continuo ouvindo. Mas apesar disso eu vou lembrando de alguns episódios do podcast, alguns comentários pontuais, que me desanimam, tiram a vontade de ouvir outros programas.

Como você vive repetindo, nós temos os mesmos objetivos, queremos chegar no mesmo lugar. O que muda é o método. E o seu método me deixa arrasado. O método da direita de diminuir a intervenção do estado em diversas áreas é assustador para mim, em diversos pontos (…). Não cabe nessa mensagem passar ponto a ponto o que eu discordo, não vou entrar aqui nessa seara. Muito menos vou deixar meu ego aflorar e descarregar diversos motivos do porquê a MINHA opinião é a correta, visto que sei que nenhuma palavra minha mudará sua opinião. O foco aqui não foi esse. O que eu quero te passar aqui é somente o meu sentimento, seja bem embasado ou não, certo ou errado, seja eu pouco letrado em questões políticas e você um ávido devorador de cultura.

Acontece que eu não ouvi todos os programas ainda, estou muito longe disso. Quem sabe não tem por aí algum episódio especial sobre o politicamente correto que você me mostra que não discordamos tanto assim? Ou como mais recentemente, quando você afirmou ser contra o impeachment da Dilma, obviamente não querendo dizer que você concordava com o governo dela. Confesso, essa sua opinião me deu uma despertada, e voltei agora ao ritmo de ouvir novamente diversos episódios por semana.

Sugiro por fim que dê uma lida no texto “Direita e esquerda ainda fazem sentido?” (http://migre.me/peXN2), de Eduardo Pinheiro, no Papo de Homem. Ele discorre com muita maestria se vale a pena ainda distinguirmos as pessoas entre “de direita” e “de esquerda”.

No mais, sigo ouvindo.”

Muito bem, João Olavo! Olha, obrigado pela crítica gentil. Eu não sei se você continua ouvindo o programa ainda, porque de 2014 pra cá, eu piorei muito, cara! Olha, eu li o texto que você me recomendou, viu? Foi escrito por um esquerdista que diz lá, com todas as letras, que a esquerda venceu e que quem é de direita é louco ou estúpido.

Pois é…

E aí eu recebo um texto pelo whatsapp, dizendo assim, ó:

O programa musical é bom, mas, sua posição fascista Luciano Pires, sua militância antiesquerda, tá deixando muita gordura na sua picanha.

Que merda.

Sou bacharel em administração e um administrador não precisa ser capitalista. Vá estudar + valia.

Que bosta.

Vai militar no PSDB e assume, para de fingir. Eu iria comprar o CD fã Rhaissa, não vou +.

A escola econômica de direita diz que o cálculo de + valia é errado, mas, Mises era chamado de o economista do IRREAL.

O Luciano tem que ler Piquety. Se não ler vai definhar, vai ser igual o império romano, vai acabar por sí só.

O atual capitalismo tem que destruir as forças produtivas com guerras para se sustentar ou vai evoluir ao socialismo, daí a necessidade de guerras.

O PIB americano e mundial grande parte é indústria da guerra.

PSDB iniciou na esquerda, ocorre que PT e PSDB tinham postura e posição bem semelhantes e o processo empurrou os tucanos à direita e o PT é centro esquerda.”

Pois é, meu! Quem recebe os recados no whatsapp é a Ciça, que como você sabe, tem os pés, as mãos, o coração e a alma na esquerda. Quando ela leu essa mensagem aí, ficou toda assanhada e me mandou rapidinho. Eu pedi a ela que dissesse a ele que eu iria usar no programa e ele respondeu assim, ó:

Pode usar. Só não vale tirar do contexto. As mídias burguesas são especialistas nisso.

Mídias burguesas…mais valia… fascista… Piquety…forças produtivas… PSDB de direita.. que merda… que bosta…

Ô Lalá, me dá um aí.

Olha! Infelizmente numa acidentada troca de números de celular, as mensagens antigas do whatsapp se perderam e não conseguimos recuperar o nome do autor do segundo texto, aí. Mas tudo bem, é muito mal educado e não ganharia o Kit DKT.  Mas você ouviu, hein? Duas mensagens tratando do mesmo assunto. Ambos ouvintes consideram que sou de direita e isso os incomoda profundamente. Mas você viu a diferença entre as duas mensagens, hein? A primeira, do João Olavo, manifesta o que chamo de discordância nutritiva. Discorda com elegância, reconhece as coisas boas, dá vontade da gente convidar para um papo de bar cara, daqueles dos quais a gente sai satisfeito, sabe como é? Já o segundo comentário, repleto de chavões daquela esquerda velha e emburrecida, é ofensivo, arrogante eu chamo de discordância destrutiva. É daqueles para partir pra briga, repleto de provocações. Dali não sai nada.

Qual é o seu estilo, hein? Discordância nutritiva ou destrutiva?

Muito bem, não são poucos os que vêm me perguntar se eu sou de direita. Minha resposta padrão começa assim: defina o que é direita para você. E sistematicamente ouço as definições padronizadas e caricaturais que foram pacientemente construídas ao longo dos anos. Nessa versão caricatural, ser de direita é ser do mal, é ter Jair Bolsonaro como ídolo, é preferir uma ditadura militar à democracia popular, é ser contra as minorias, contra o estado, contra… o PT! Ser de direita é flertar com conceitos muitos caros ao… nazismo. Pronto! Cheguei ao ponto, à lei de Godwin que já comentei em outros programas: “à medida que cresce uma discussão online, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler e o nazismo aproxima-se de 100%.”

Essa definição caricatural tem o polo oposto nos que tratam os de esquerda como comunistas, deslumbrados apoiadores de minorias no detrimento de maiorias, amadores em economia e gente que quer mesmo é viver pendurada nas tetas do governo e eliminar quem pensa diferente. Ser de esquerda é flertar com conceitos muito caros ao… nazismo!

Você percebeu como no final as duas definições caricaturais ficam muito parecidas?

Mas não vou no programa de hoje ficar defendendo lados, isso já me encheu o saco, viu?  Fui pesquisar essa questão da direita/esquerda e descobri que um estudo da Universidade de Nebraska-Lincoln, apontou que existe uma razão biológica na escolha por um dos dois lados.

Os pesquisadores escolheram pessoas no universo dos Conservatives e dos Liberals, que equivaleriam no Brasil à direita e esquerda respectivamente. Sim, os esquerdistas se apoderaram do termo “Liberals” nos Estados Unidos, e já começaram com o mesmo movimento aqui no Brasil. Liberals nos Estados Unidos equivalem a esquerdistas no Brasil, não tem nada a ver com liberais aqui, tá?

Para efeito deste podcast, eu vou tratar os Conservatives como direita  e os Liberals como esquerda, tá bom? É uma simplificação meio idiota, eu sei, mas fica mais fácil de compreender.

Numa série de experiências, pesquisadores monitoraram as reações fisiológicas e os movimentos dos olhos dos participantes dos estudos, quando eram apresentadas a eles imagens prazerosas e desagradáveis. Eletrodos mediram discretos impulsos elétricos que apontavam para respostas emocionais.

Os direitistas reagiram mais fortemente às imagens desagradáveis, como um ferimento, um carro acidentado ou um banheiro imundo.

Já os esquerdistas, reagiam mais fortemente às imagens prazerosas, como uma cena de praia, um coelhinho, etc.  Os experimentos levaram à conclusão que direitistas e esquerdistas não veem as coisas da mesma forma.

Quando uma foto de um político Democrata – de esquerda, foi apresentada aos direitistas, houve forte reação emocional. Era um estímulo negativo. Quando as mesmas fotos dos políticos Democratas eram apresentadas aos esquerdistas, notou-se a mesma forte reação emocional. Mas como resposta a um estímulo positivo.

É como se você apresentasse uma foto do Lindbergh Farias e da Gleisi Hoffman para mim e para a Ciça. Ambos teremos fortes reações emocionais, cada um para um lado. A minha de repulsa, a da Ciça de simpatia, até de amor.

Os estudos apontaram que direitistas estão mais atentos para as ameaças e portanto, mais inclinados a combate-las, o que faz todo sentido do ponto de vista da evolução. É o homem das cavernas mais preocupado com o tigre de dentes de sabre do que com a maçã.

Por isso os direitistas se inclinam por políticas de proteção à sociedade contra ameaças externas. Por exemplo, apoiando aumentos de gastos com defesa mais do que com imigração. Ou pregando o combate duro ao crime.

Por outro lado, os esquerdistas estão mais focados no mundo idílico, na proibição das armas, na abertura das fronteiras, na paz e no amor. Estão mais interessados na maçã do que no tigre de dentes de sabre.

Os pesquisadores não fizeram julgamento de valor sobre qual lado está certo, apenas apontaram que, se conhecermos essa inclinação biológica, a tolerância política pode ser ampliada.

Portanto, quando os direitistas dizem que os esquerdistas estão com a cabeça nas nuvens, não entenderam nada, estão certos. E quando os esquerdistas questionam a obsessão dos direitistas por segurança, a visão de que o mundo é um perigo, também estão certos. Cada um olhando o mundo de seu ponto de vista.

É biológico, sacou?

Vou colocar o link para esse estudo em inglês no roteiro deste programa no portalcafebrasil.com.br.

https://nebraska.pure.elsevier.com/en/publications/the-politics-of-attention-differences-in-visual-cognition-between

Retornando agora ao comentário do João Olavo, aliás, inspirado por ele, eu lembro que no Sumário do livro 12 regras para a vida, que eu coloquei no Café Brasil Premium, de Jordan Peterson, falo da regra 9 que diz – Assuma que a pessoa que está falando com você sabe de algo que você não sabe. Resumo: seja humilde na defesa de seus pontos de vista.

Considere sempre que seu interlocutor não é mais idiota que você. Este é um exercício de humildade, que nunca é fácil.  Aliás, este é um ponto no qual nunca vou deixar de bater. Tem a ver com frase famosa do Olavo de Carvalho: O Brasil tornou-se o único país do mundo onde a ignorância é fonte de autoridade intelectual.

Como eu sou um completo ignorante sobre isso que você está dizendo, você só pode estar errado, ora.

Por isso o comentário do João Olavo é tão pertinente. Ele quer conhecer o “outro lado” para validar seus argumentos. Enquanto isso, o outro lá, só xinga.

As pessoas têm o péssimo hábito de julgar as outras por um fragmento de informação, por uma impressão imediata, por uma palavra. E saem contestando como se o outro fosse um idiota que não soubesse de nada. Nas mídias sociais isso é um horror. Pouquíssima gente se preocupa em, antes de sair contestando ou ofendendo, procurar saber de onde vem, o que faz, como pensa, o objeto de sua ofensa. Por isso temos tantas demonstrações de idiotia por aí.

Talvez a pessoa tenha lido muito mais que você, tenha estudado muito mais que você, tenha vivido muito mais que você, já tenha passado por coisas com as quais você nem sonha, e por isso esteja dizendo essas coisas que deixam você nervoso.

Ficamos assim então, olha: eu tenho a minha visão de mundo baseada na minha história, nas pessoas que conheci, nos estudos que eu fiz, nas experiências que eu vivi. Na minha biologia, cara! Eu me alinho muito mais à direita do que você aí que é pós-moderno, progressista ou simplesmente esquerdista. Eu vou morrer achando que estou certo e você errado. Mas aqui neste podcast, eu não vou xingar você de idiota, burro ou fascista simplesmente porque vê o mundo de um jeito diferente do meu. Só vou contar sobre como estou vendo e porque estou vendo assim. Você decide se vale a pena continuar ouvindo.

Tem público pra todos os lados e o mundo sempre será assim. Múltiplo.

Aliás, o mundo não. Se você  vive em Cuba, Coréia do Norte, Venezuela ou China, o mundo só tem um lado.

Modinha para Gabriela
Dorival Caymmi

Quando eu vim pra esse mundo
Eu nao atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela he! meus camaradas
Eu nasci assim, eu cresci assim
Eu sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela, sempre gabriela
Quem me batizou, quem me iluminou
Pouco me importou, e assim que eu sou
Gabriela, sempre Gabriela
Eu sou sempre igual, nao desejo mal
Amo o natural, etecetera e tal
Gabriela, sempre Gabriela

E é assim, ao som de Modinha para Gabriela,  que nasceu assim, vai ser sempre assim e morrer assim, o clássico de Dorival Caymmi na interpretação imortal de Gal Costa que vamos saindo procurando um lado.

Com o indeciso Lalá Moreira na técnica, a comedora de maçãs Ciça Camargo na produção e eu, o sempre alerta Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte João Olavo, Tony Babino, Kevin McLeod, Big band Score e Gal Costa.

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais.

Aliás, tem muito mais é no Premium: cafebrasilpremium.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Pra terminar, uma frase do escritor e político norte americano Harry Browne:

Políticos de esquerda tiram sua liberdade em nome das crianças e da luta contra a pobreza, enquanto políticos de direita fazem o mesmo em nome dos valores familiares e do combate às drogas. Em ambos os casos, o governo cresce e você fica menos livre.