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Luciano Pires -

Quem me acompanha há muitos anos sabe que tive um amigo chamado Chiquinho com quem dividi alguns dos melhores anos de minha vida. Eu decidi republicar no portalcafebrasil.com.br, os textos que eu havia separado para um dia transformar num livro dele. eram textos que ele mandava pra mim de quando em quando. E ao relê-los, eu não resisti. O programa de hoje usa alguns daqueles textos. Ah, e várias músicas aqui, são dele.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Em 1979, próximo ao meu estúdio havia uma escola de música e dança. Eu queria uma atividade física que desse prazer e a dança parecia uma bela ideia. Ao me matricular eu conheci o dono da escola: Francisco Florentino Rodrigues, o Chiquinho. Não demorou para eu descobrir que o Chiquinho era um coração com uma pessoa batendo dentro… Desenvolvemos uma amizade de irmãos. Moramos juntos e passamos por momentos inesquecíveis.

O Chico seguindo sua vida como músico, tocando em bandas, fazendo jingles e compondo. E eu tentando virar um cartunista.

O tempo e as prioridades nos separaram. Pouco nos víamos, mas temos aquele tipo de amizade que não precisa da proximidade física. Só o fato de saber que “ele está lá” basta para me trazer conforto, sabe como é?

Um dia o Chico sumiu. O celular não atendia. Então recebi um e-mail de uma amiga comum:

“Parece que o Chiquinho está internado num hospital com problema sério de saúde”.

O Chico é diabético e já tinha sofrido um infarto. Saí atrás assustado e descobri que ele estava saindo de trinta dias numa UTI depois de mais dois infartos que comprometeram 80% de seu coração. O Chico estava mal! Corri para o hospital para visitar o velho amigo e, ao chegar, eu conheci a Ângela, que se apresentou como a namorada do Chico.

De lá para cá o Chiquinho viveu um calvário, com água no pulmão, insuficiência renal, infecção hospitalar, catarata e seguidas internações. Em quase dois anos, deve ter passado a metade internado. E a Ângela a seu lado.

O Chico com 56 anos, diabético, infartado, duro, baixinho, careca e feio. E a Ângela com 37, uma bela mulher cheia de energia e um grande sorriso.

Quando aconteceram os infartos e começou o calvário do Chico pelos hospitais, muita gente sumiu, mas a Ângela ficou. Colocou sua vida de lado para dedicar-se ao Chiquinho, acompanhando-o em todos os momentos, cuidando dele como cuidamos de quem amamos. E graças à Ângela o Chiquinho está vivo.

Na manhã de sábado em Salto, cidadezinha próxima de São Paulo, num cartório simplesinho, fui padrinho do casamento do Chiquinho com a Ângela. Emocionado eu vi o velho amigo, com 22 quilos a menos, ossos aparecendo onde sempre havia gordurinhas e andando com fragilidade, mostrar aquele mesmo velho humor. Chico, aos 59 anos de idade, irradiava felicidade. E a Ângela, aos 40, tão feliz quanto.

Bem, dia 15 de outubro de 2011 encontrei mais uma vez meu amigo Chico. Numa manhã de sábado horrível, com chuva e frio, me acabei em lágrimas enquanto segurava a alça do caixão e caminhava para o enterro do meu amigo. Meu amigo-irmão faleceu na manhã da sexta feira, enquanto dormia. Decidiu que não valia mais a pena viver e deixou que seu frágil coração parasse. Não falou com ninguém, apenas escolheu um final de semana para atrapalhar o menos possível os amigos.

Arrasado, na noite da sexta eu fui prestar-lhe uma homenagem. Eu havia comprado em 2007 um DVD de Oscar Peterson, indicado numa crônica do Chico, que adorava o grande pianista. O DVD, importado, ficou lacrado em minha estante, à espera do momento certo para ser visto. Decidi que a minha homenagem ao Chico seria assisti-lo, repassando as lembranças dos bons momentos que vivemos juntos.

Abri a caixinha com cuidado, tirando o lacre, coloquei o DVD no aparelho e apareceu uma mensagem de erro. Retirei o disco para dar uma olhada e descobri, quatro anos depois de tê-lo comprado, que o DVD estava rachado. Quebrado.

Você acredita em coincidências, é?

Pois é… Esse era o Chico, sempre pregando peças na gente.

Mas agora ele não está mais lá.

Bem, o Chico era um cronista de mão cheia, e deixou comigo diversos originais que eu reuni para um dia, quem sabe, publicar um livro. Não sei se o livro sairá, mas resolvi republicar os textos dele aqui no Portal. São bons demais para ficarem esquecidos. E me ajudam a matar a saudade de meu amigo.

Dá-lhe, Chico!

“Oi Luciano. Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu sou a Ingrid, sou gaúcha, moro no Chile há dois anos e eu estava escutando agora o seu podsumário do livro……… daí eu fiquei pensando assim no quanto foi importante pra minha… pra estar onde eu estou agora, eu queria de alguma maneira te agradecer por isso e resolvi mandar esse áudio que já está sendo o que eu quero mandar, te contando como é que foi a tua participação na minha vida mesmo.

Eu sempre trabalhei em recursos humanos, eu consegui alcançar um posto alto numa empresa de tecnologia,me  casei, engravidei, me pediram pra fazer uma mudança de cidade, eu não aceitei, não queria morar na cidade que me ofereceram. Então, eu estava com sete meses de gravidez, eu fui desligada da empresa. Enfim, obviamente não foi um processo fácil, porque eu estava grávida, mas enfim, conseguimos legalmente fazer o processo. Nesse momento, meu marido… meu filho nasceu e eu tive depressão pós parto.

Eu sou psicóloga, a depressão, a gente sabe, que é uma questão hormonal, pela questão de ter perdido o trabalho, comigo se aperto (?) e meu marido recebeu um convite pra vir pro Chile. Nós viemos pra cá, comecei a fazer uma formação em coach. Eu achava que fazia sentido, fazer por uma instituição certificada e tal.

Aí eu comecei a fazer terapia, me senti melhor, parei de tomar meu antidepressivo e adivinha? Voltou a minha depressão. Aí que surgiu o Luciano Pires na minha vida, porque a minha certificação tinha terminado, eu não sabia o que fazer, eu não tinha ideia do que eu ia fazer e eu gosto muito de fazer exercício e todos os dias… todos os dias não, três vezes por semana, eu ia pra academia e escutar música já estava me cansando. A minha cabeça fica pensando em coisas ruins e tal.  E foi aí que eu descobri o Café Brasil e eu posso dizer que, no ano passado, mais ou menos por esta época do ano, muitas tardes tu era a única voz que eu escutava. Eu até me emociono porque foi um  momento super difícil, que eu me lembro que eu te escutava e era como se tu estivesse do meu lado.

Hoje eu falo meu amigo Luciano Pires e o meu marido me crucifica (?) e eu digo, não, mas ele não me conhece mas ele é meu amigo porque ele estava comigo quando eu fiquei mal.

E aí depois, eu voltei a tomar remédio, voltei a fazer terapia e eu pensei: cara, o que eu vou fazer agora? O que que eu quero ser? E eu descobri que eu quero ser o Luciano Pires, sabe? A Ingrid Pires. Mas do meu jeito, com o meu conteúdo. E era engraçado, porque quando eu terminava de ouvir  algo seu, eu começava a escrever, escrever, escrever. E tem um tema sobre gestão de mudança, que eu adoro, fiz a minha certificação sobre mudanças e eu comecei a escrever mesmo, a criar conteúdo sobre mudança, mudança de comportamento, questão de mudanças nas empresas, fiz uma certificação em change management, e comecei… e aí, claro fiz uma… completei universidade,  comecei estudar mais, a conhecer mais gente.

Hoje, eu tenho uma página no Instagram, onde eu estou estudando muito sobre mudança de comportamento, eu dou dicas de livros que eu leio, eu (?) os livros assim como tu, e penso sobre eles, tudo em relação a mudança de comportamento. Eu estou muito feliz assim, sabe Luciano? E eu quero te dizer que tu é parte disso tudo, que eu não… que tu foi a isca, né? Eu gosto dessa palavra, eu precisava pra dar esse primeiro passo. Hoje eu leio. Não dá pra acreditar, porque eu não era uma pessoa que lia e eu dei um sentido pra minha leitura, sabe? Eu acho que vou poder passar pros outros um conteúdo de valor. E acabar com esse lero lero de coach. Eu quero ser uma psicóloga coach diferenciada. Assim como tem um monte de palestrantes de merda, e tu conseguiu se diferenciar porque tu traz um conteúdo de valor, eu quero fazer o mesmo. Tá bom?

Era isso. Um beijo no teu coração. E eu estou aqui fã do Café Brasil. Um beijão pra tu. Tchau”.

Oi Ingrid, que depoimento foda, hein! O que é que posso dizer, hein? Muito obrigado, você me emocionou e mostra como o podcast vai muito além de entretenimento, informação ou conhecimento. E aumentou nossa responsabilidade aqui, viu? Muito obrigado, continue, com certeza sua história ajudará muita gente.

Muito bem. Ingrid, por favor mande seu endereço para contato@lucianopires.com.br que daremos um jeito de enviar um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos.

A DKT distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de preservativos do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. A causa da DKT é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, qual é o recado que você dá para todos os seus amigos?

Lalá – Na hora do amor, Prudence, né?

Um dia o Chiquinho me manda um texto chamado Uma lan house no céu. Meu, segura o coração aí que ele vai balançar…

Sabe… Todo músico tem um público imaginário.

Quando pego meu violão e sozinho em casa toco algo que gosto, sempre imagino uma pequena e seleta platéia me assistindo.

Nessa platéia (que varia muito) estão amigos que eu admiro o bom gosto, outras pessoas que eu  conheço pouco, mas que gostaria que me ouvissem tocando e quase nenhum chato ou bico falando enquanto me apresento.

(Um amigo meu que é jogador de futebol profissional me confessou que volta e meia se imagina fazendo um golaço decisivo num grande jogo importante! E no alambrado estão seus parentes, amigos, olheiros de times do exterior, TV ao vivo com Galvão falando bobagens, cartolas, empresários, seus pais, primos e uma vizinha gostosa que ele é doido pra comer).

Eu também tenho um pouco disso quando escrevo. Penso nas pessoas que conheço que vão ler, rir, chorar e comentar. ( eu adoro os comentários).  Além de imaginar todas essas pessoas lendo meus escritos, eu quando escrevia pensava também na minha fã Número Um!

Sim! Eu tinha uma Fã número Um… Era a Julianna Scaranzzi.

A gente se conheceu aqui pela internet e não há um escrito meu que não tenha um comentário dela. (Seja por e-mail ou aqui mesmo na própria página do site).

Brasileira, morava em Padova, na Itália, e estudava arquitetura em Florença. Durante um ano e meio a gente se falou todos os dias e nunca faltou assunto.

Quando eu fui pra França, faltou um tiquinho de nada pra gente se conhecer pessoalmente. Mas não foi possível e a gente deixou pra próxima.

Mas não houve próxima.

Na estrada de Padova pra Florença, o destino e o carro dirigido em alta velocidade pela Ju, tramaram contra todos nós que amávamos tanto aquela menina.

O bombeiro que a socorreu entregou para mãe da Julianna um Cd que estava tocando na hora do acidente. Esse Cd só tinha uma faixa e era “Jullyar”, uma música que eu havia feito só pra ela.

A Ju foi embora e eu quase perdi toda a tesão de tocar ou escrever…

Mas devagar eu estou recuperando.

O mais maluco é que ainda mando alguns e-mails pra ela. Pois como disse a sua amiga Maria Emília, “A Julianna era tão viciada em Internet que até no céu ela vai dar um jeito de achar uma lan house pra falar com a gente”.

Sabe… Eu acho esse pessoal que toma conta lá do céu meio conservador e atrasado. Não sei não se já informatizaram aquilo lá!

Mas mesmo assim continuo escrevendo.

Uma hora dessas, eles vão ter que se modernizar e aí a Ju vai poder então receber meus escritos.

Só assim ela vai poder mensurar o quanto de mim foi embora com ela. Vai saber também que do meu coração sempre teve nada menos que o camarote…

Agora vazio.

Jullyar
Chico Rodrigues

Jullyar
Uma brisa pousa em mim
É você chegando assim
Pra ser a luz, a cor, a vida, enfim
Jullyar
Um vento bom de amar
Julianna é linda mesmo assim
Tall melodia de um Jobim

Você ouviu Jullyar… eu to vendo daqui o sorrisão do Chiquinho e da Julianna.

E o Itaú Cultural tem três podcasts para quem se interessa por música, literatura e questões indígenas.

Temo podcast Escritores-Leitores, autores brasileiros falam de seu processo criativo. Também tem o podcast Toca Brasil, onde artistas, produtores e pesquisadores do universo musical falam de seu trabalho. E também tem o podcast Mekukradjá, oonde escritores, cineastas e lideranças de povos indígenas de várias regiões do Brasil tratam das questões indígenas.

Acesse itaucultural.org.br , Agora você tem cultura entrando por aqui, ó:

Pelos ouvidos…

Aí o Chiquinho me manda outro texto daqueles, em que ele consegue combinar humor com poesia e ainda dar uma provocada na gente. O nome é Licença poética…

Reza a lenda que um dia João Gilberto, estando no consultório de um psicanalista (para uma eventual avaliação de sua sanidade), parou em frente de uma das janelas e, pensativo, vendo lá fora o vento balançando as copas das árvores, teria comentado:

-Vejam que lindo… o vento está assanhando a cabeleira dos coqueiros!

E uma das enfermeiras (ou médico, sei lá) teria espantada observado:

– Mas, João, árvores não têm cabelo!

E o João com o tacape em riste, respondeu:

– E tem gente que não tem poesia.

Pois é. Licença poética é foda!

Em nome dela escreveu-se muita coisa boa. Mas também tivemos (e ainda temos) que aguentar muita merda.

Algumas, são só frases de efeito e que não querem dizer mesmo muita coisa.

Mas têm outras, cara, que fazem brotar de verdade na gente aquele orgulho bom pela língua portuguesa.

Conheço muita gente, que como eu, (em busca da frase perfeita) dorme com lápis e papel colados à cabeceira da cama para poder registrar toda e qualquer ideia. Que pode vir a qualquer hora, no meio do sonho, do banho ou no escurinho do cinema.

Não vou fazer aqui nenhuma lista de frases boas e ruins não (até porque cada um tem seu grau de “poesia” pra enxergar cada uma delas). Só vou colocar algumas que gosto, acho bonitas, geniais, curiosas ou simplesmente lembrei agora na hora de escrever. Coisas como:

Caía a tarde feito um viaduto.
Tua beleza é um avião.
Branca é a tez da manhã.
Mata-borrão do céu.
Ladeira da memória…
Cometas percorrendo o céu da boca…
Feito desgosto de filha.
Esse canto torto feito faca.
Na casa da paixão…
Um pedaço de Saigon
A luz dos olhos meus precisa se casar.
Vive morre pão…
Noites com sol…
Bebedeira louca… ou lucidez
Bloco dos Napoleões retintos…
Da sloper da alma.
Sons, palavras, são navalhas.
Você entrou em mim, como um sol no quintal.
Fica a ausência branca e marron.
A cuba-libre da coragem em minha mão…
Tios na varanda… jipe na estrada…
Se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso…
Deixa as fraldas do vento…
Em vez de rosto a foto de um gol.
O vento cantando no arvoredo…
É o tempo, Maria, te comendo feito traça.
O sol se reparte em crimes.
Asa do meu destino…
Amar é perder o tom nas comas da ilusão.
O amor é a ausência de engarrafamentos.

E por aí vai.

A poesia permite isso. E tenho inveja (boa) de não ter criado quase noventa por cento das frases que eu citei aí.

Um dia desses ligou para mim o nosso amigo Nico Rezende. E no meio da nossa conversa fiquei sabendo que ele é o autor da música título do novo álbum do Jorge Vercilo, Signo de ar.

Aproveitando então que o Vercilo estava se apresentando aqui em Sampa, eu fui ao show dele. (pena eu não poder ter levado meu filho Bruno Henrique, ele tem só nove anos, mas já é super fã do Vercilo).

O show é bom. E o cara compõe, toca e canta muito. Os músicos são competentes e o som estava bonito.

Mas no meio da apresentação me veio à lembrança um pedaço da conversa que eu tivera com o Nico pelo telefone, aonde ele chegou a me perguntar se eu tinha algumas letras prontas pra ele poder colocar música.

A partir daí me concentrei então no teor das letras (pra poder sacar qual a praia que eu deveria compor). Foi quando o Vercilo resolveu então apresentar a música do Nico (Signo de ar).

Ah, aqui o texto merece uma pausa… manda aí, Lalá…

 

Signo de ar
Nico Rezende

Anda,
Manda e desmanda num beijo
Por onde passa, encanta
O seu sobrenome é desejo
Por você o sol se levanta
Me tira do sono e do sério
Sopra no ouvido esse mantra
Seu andar me deixa aéreo
Seu sorriso faz verão

Signo de ar
Que mistério envolve
O seu caminhar?
Abre as varandas
Do meu coração
Que visão!
Você e o mar…
Signo de ar
Faz o paraíso nos visitar
Com seu sorriso
De constelação
No varal do verão

Seu sorriso faz verão…

Olha só… Nico Rezende com Jorge Vercilo interpretando Signo de ar.

Que delícia… Lalá, manda aí CAPÍTULO, do Chiquinho, para continuar com o texto dele.

A música Signo de ar é mesmo muito bonita, está bem cantada e o arranjo é bem esperto (é a cara do Nico).

A letra tem frases bonitas, curiosas, de infinitos sentidos e efeitos. Coisas como: “As varandas do meu coração” … “Sorriso de constelação”…”Varal do verão”…

Se aquela enfermeira que atendeu o João Gilberto ouvisse essa canção, provavelmente diria ao Nico:

– Porra velho! Coração não tem varanda!

Mas, deixa pra lá.

O show terminou. Fui pra casa inspirado e pensei em escrever algo pra ele, mas eu estava muito cansado e acabei pegando no sono com a TV ligada na bosta do Programa do Jô.

Seguinte: eu ainda não tive tempo de escrever nenhuma letra e nem nada especial pra mandar pro nosso amigo.

Portanto, queria poder usar este espaço aqui pra poder mandar algumas sugestões de frases, para que ele possa usar em suas próximas composições.

Usando (e abusando) da licença poética, e baseado em frases como “No varal do verão”… “Sorriso de constelação” e “As varandas do meu coração”, eu gostaria de sugerir algumas coisas como:

No hall dos seus pulmões….(que tal?)
Na sacada dos seus lábios…
Tardes de pleura…
Alpendre de suas bochechas…
No avarandado das suas córneas…
Quintal dos seus antelhos…
Periferia das suas rótulas…
Virilhas de outono… (bom título pra CD)
Safenas ao cair da tarde…
Quietude de panturrilhas… 
Adegas de mis nádegas… (se estiver de olho no Mercosul)
Porões do seu umbigo…
Coriza de minhalma…
Hérnias em setembro…
Sadjada de agrijones… (ainda pro Mercosul)
Verde que te quero fígado…
Limiar de sobrancelhas…
Primavera nasal…

Se alguém tiver mais alguma sugestão, (desse naipe) é só usar aqui o espaço que temos para comentários e ter a certeza que vamos sim fazer chegar até o Nico Rezende.

Ele vai adorar. (Bom… neste ponto eu reli a matéria toda e comecei a ficar em dúvida se ele vai gostar das sugestões ou ficar meio puto comigo).

Contei que eu e ele ficamos quase uns vinte anos sem nos falarmos?

Pois é… estou com receio dos próximos vinte…

Olha Nico… pra eu escrever esta crônica, tive que reler e ouvir muita coisa que há anos não ouvia. (Caetano, Gil, João Bosco, Aldir, Djavan, Vinicius, Jobim, Ivan, Belchior, Gonzaguinha, Lô Borges, Horta, Milton…).

E ao ouvir despertei sentimentos pela música brasileira que estavam meio atrofiados em mim.

Percebi então que é maior o número de gente boa que está quase indo embora, do que o número de gente boa que está chegando pra ficar.

E você sabe né?

Ficar triste nessas horas é muito fácil.

Então resolvi escrever essas besteiras só pra gente achar que é engraçado chamar mulher de cachorra.

Repare não velho… Mas às vezes, escrever é desopilar.

Alto mar
Nico Rezende
Claudio Rabello

Alto mar o sol me acordou, quem vem lá quem aqui chegou
Nua foi caiu sem querer, só falta dizer que fui eu
Alto mar a ilha passou, onda vai atrás eu vou

Atravessar num dia de sol, depois aprender anoitecer
Alto mar
Atravessar num dia de sol, depois aprender anoitecer
Alto mar alto mar alto mar

É assim então, com o Nico Rezende interpretando ALTO MAR, que eu vou saindo hoje com o coração um pouco mais apertadinho, apertadinho…

Saudade do meu amigo, cara….

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí ó, completando o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, nossa “Netflix do Conhecimento”, onde você tem uma espécie de MLA – Master Life Administration. Então acesse cafedegraca.com e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho online, cara?

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Miguel de Cervantes:

O bom amigo é um pedaço da alma do amigo.